"Para Ti, Uma Vida Nova" de Tiago Rebelo

Sinopse:
Sempre que ia fazer surf para o Guincho, Cristina esquecia-se do resto do mundo. Para ela havia, nesses momentos, apenas o seu corpo na prancha e a imensidão azul do céu e do mar. No embalo das ondas não pensava na sua agenda totalmente preenchida, nas inúmeras solicitações que tinha enquanto mulher de um sucedido empresário da comunicação social e directora de uma recente aquisição do marido, o diário "O Popular". Esquecimento e desafio, era isso que procurava em cada ida ao Guincho. Mas a beleza pura e agreste daquela praia viria a evocar-lhe, um dia, bem mais do que isso, e ao contemplá-la seria invadida por uma outra beleza que se misturava com aquela, mas que tinha tonalidades incrivelmente profundas e ricas. Conheceria Miguel ali e seria ali que iria sentir a força e o espírito de um amor intenso, corajoso e rebelde, um amor que viria a mudar para sempre a tragectória da sua vida. Mas, por enquanto, Cristina concentrava-se apenas nos tubos azuis e brancos das ondas e não sonhava ainda que viria a apaixonar-se por um dos jornalistas mais creditados d'"O Popular".

Primeiro romance de Tiago Rebelo, «Para ti Uma Vida Nova» reveste-se de um inequívoco interesse literário tanto pela qualidade narrativa quanto pela construção do próprio enredo, bem estruturado e surpreendente.

A minha opinião:
Só me apetece mandar um recado ao autor:
Sr. Tiago Rebelo, por favor, dedique-se aos romances históricos. Não perca tempo com estas históriazinhas vulgares e banais, que apesar de bem escritas e com uma estrutura bem delineada não passam de isso mesmo, históriazinhas vulgares e banais. O senhor é bem melhor do que isto.

"És o Meu Segredo" de Tiago Rebelo

Sinopse:
Tomás Arruda, o actor português mais famoso da actualidade está de regresso a Lisboa depois de ter conquistado Londres e Hollywood. Em Portugal reencontra duas irmãs: uma, uns anos mais velha que ele, de quem recorda um intenso romance de férias no Algarve, a outra, a irmã mais nova por quem nutre uma afeição especial e inesquecível. Um terrível segredo e um turbilhão de acontecimentos e de sentimentos vão condicionar o seu reencontro e mudar, para o bem e para o mal, as vidas destas três almas unidas por um destino comum.
"És o meu segredo" é um turbilhão de emoções que se lêem, página a página, com o coração apertado, desejando um final feliz para todas as personagens mas sem se deixar de ter a secreta sensação de que isso nem sempre é possível. Corremos contra o tempo para chegarmos à última página, movidos pela necessidade de saber mais, partilhando com as personagens uma sucessão imparável de acontecimentos e de revelações surpreendentes. Comovente, sincera, por vezes feliz, por vezes brutal, a história vive na cabeça das personagens, revelando-nos os pensamentos mais íntimos que condicionam as suas acções. Trata-se de um romance com uma profundidade e uma densidade psicológica impressionante, onde as emoções são levadas ao extremo da racionalidade humana.

A minha opinião:
Esta leitura foi uma surpresa e não das melhores. Depois de ler, deste mesmo autor, "O Último Ano em Luanda" e "O Tempo dos Amores Pefeitos" fiquei realmente surpreendida / desiludida (?) com esta história tão corriqueira.
É de facto uma leitura simplista que apenas dá para passar o tempo.
Talvez seja por me ter desiludido, talvez seja por ter como personagens principais figuras típicas da socialité portuguesa, não sei, o certo é que não me convenceu.

(Obrigada Melrita por mais esta partilha!)

"Kakfa à Beira-Mar" de Haruki Murakami

Sinopse:
Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério.
São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

A minha opinião:
Este autor é daqueles que parece que nos lançam um feitiço e nos seduzem com as suas palavras, envolvendo-nos intensamente na leitura sem que percebamos muito bem como ali chegámos. “Kafka à Beira-Mar” é um livro estrannho, com uma história completamente surreal. Talvez seja esse o segredo de Murakami, o apresentar-nos um mundo fora do normal, quase que como uma realidade paralela. Já tinha ficado com essa sensação ao ler “Sputnik, meu Amor”, e agora vi-a confirmada.
Neste livro o autor apresenta-nos Kafka Tamura, cuja mãe o abandonou aos cuidados do pai, quando tinha apenas 4 anos. Agora com 15 anos ele decide fugir de casa, deixando para trás tudo o que afinal não lhe era nada e levando com ele todas as suas dúvidas e fraquezas. Kafka Tamura, “o rapaz de 15 anos mais forte do mundo” não é no entanto um rapaz comum.
Fora do comum é também o segundo personagem principal deste livro: Nakata – um simpático velhote, cuja simplicidade de entendimento (derivada de um bizarro acidente ocorrido quando ele era criança) nos toca e encanta, e cujas habilidades estranhas nos surpreende.
As duas histórias são contadas intercaladamente (capítulos impares falam de Kafka, capítulos pares de Nakata) e evoluem paralelamente, nunca se tocando. Até ao fim esperamos uma revelação, uma conclusão para toda a loucura contida nas páginas que vamos lendo, mas Murakami não é de facilitar a vida ao leitor. As conclusões somos nós que temos de as tirar, e se chegarmos ao final sem que muitas das nossas perguntas obtenham resposta, isso quer dizer que o autor atingiu o seu objectivo: tão cedo não iremos esquecer esta história.
Não é para todos, não.
Mas eu gostei.

(Obrigada AnjoDiogo pela oportunidade!)

"O Pacto" de Jodi Picoult

Sinopse:
Há dezoito anos que os Harte e os Gold vivem lado a lado, partilhando tudo, desde comida chinesa e varicela até irem buscar os filhos uns dos outros à vez. Quer os pais quer os filhos são melhores amigos, por isso, não é nenhuma surpresa quando a amizade entre Chris e Emily se transforma em algo mais na altura do liceu. Tornaram-se almas gémeas no momento em que Emily nasceu. Quando ligam do hospital por volta da meia-noite, ninguém está preparado para a verdade terrível: Emily, com apenas dezassete anos, está morta devido a um tiro na cabeça, aparentemente resultado de um pacto suicida. A arma contém uma bala que Chris diz à polícia estar-lhe destinada, mas uma detective local tem dúvidas.
Os Harte e os Gold, num único momento aterrador, têm de encarar o pior medo de um pai: será que conhecemos mesmo os nossos filhos?

A minha opinião:
Quando se pega num livro de Jodi Picoult tem de se estar preparado.
Preparado para ler tudo com muita calma e atenção, pois todos os pormenores são importantes e podem fazer diferença.
Também tem de se estar preparado para a polémica, para o misto de sentimentos que se nos afloram à pela.
E preparado para o choque, para a reflexão, para as nossas próprias conclusões inconclusivas.
Ao falar com uma amiga, comentámos em como um livro desta autora daria "pano para mangas" num debate. Não são leituras fáceis, mas são sem dúvida histórias magnificamente bem elaboradas, realistas e muito actuais.

Neste livro específico, é abordado o tema do suícido entre os jovens. É abordado de uma forma sóbria e a forma como a autora leva para dentro da mente de um adolescente é impressionante.
Não posso alongar-me mais nesta crítica sem revelar alguns detalhes, por isso, e para que quem me lê e que já decidiu ler este livro não se sinta influenciado, acrescento apenas que este é mesmo um livro a não perder!

Boas leituras!

(Obrigada querida Betita por mais esta partilha!)

"Alguém Como Tu" de Cathy Kelly

Sinopse:Emma, Leonie e Hannah têm um desejo por concretizar - e então serão verdadeiramente felizes…
Para a recém-casada Emma, a felicidade consiste em conceber um filho e escapar ao domínio do pai, que continua a controlar e a criticar cada um dos seus passos.
Leonie, uma divorciada mãe de três filhos adolescentes e dona de um coração grande, procura o verdadeiro amor. Mas quando o homem dos seus sonhos finalmente aparece terá ela coragem para seguir o seu coração?
E para Hannah, a restabelecer-se de uma dolorosa separação, a felicidade advém de uma carreira de sucesso, que lhe dará a tão desejada independência e segurança - algo que, acredita ela, nenhum homem alguma vez lhe poderá dar. O será que pode? Mas, por vezes, desejar algo do fundo do coração pode destruir a felicidade que espreita à porta…
Alguém Como Tu enaltece a importância da amizade. À medida que cada uma segue a sua vida aprende que, com amigas como estas, a vida floresce de formas maravilhosas e muitas vezes surpreendentes.

A minha opinião:Esta é a história de três mulheres, que se conhecem numas férias e que decidem fazer durar a sua amizade para além dos dias no Egipto. Cada uma motivada por diferentes objectivos, passam a continuar a encontrar-se no regresso ao dia-a-dia, e encontram apoio umas nas outras para continuar a sua busca da felicidade.
Não tão diferente de uma qualquer realidade, este romance está escrito numa forma bastante descontraída e divertida. Apesar de extenso, não se torna no entanto enfadonho, e seria uma boa hipótese considerá-lo para o grande écran.
Só uma nota: a meu ver “Alguém como Tu”, o título, está relacionado com o encontro da amizade e não com uma figura romântica.
Gostei.

"Bons Sonhos, meu Amor" de Dorothy Koomson

Arriscaria tudo por amor?

Sinopse:
Nova Kumalisi faria qualquer coisa pelo seu melhor amigo. Ela deve-lhe a vida. Por isso, quando ele lhe pede que seja mãe de substituição do seu filho e, apesar de saber que corre o risco de perder a amizade, Nova aceita.
Oito anos mais tarde, Nova está a criar o filho de Mal sozinha, porque a mulher dele mudou de ideias, escassos meses antes de a criança nascer, assim destruindo a relação entre os dois amigos.
Agora, Leo, o filho de ambos, está gravemente doente. Nova quer que Mal conheça o filho antes que seja demasiado tarde.
Na tragédia descobrirão o quanto significam um para o outro.

A minha opinião:
Aqui está um excelente livro! Terminei-o ontem e ainda não consigo exprimir muito bem aquilo que sinto sobre esta leitura.
A autora, cujo primeiro livro publicado em Portugal me fascinou (A Filha da Minha Melhor Amiga) e que achei que esteve não tão bem no segundo (Pedaços de Ternura), volta a brilhar com a história da amizade / amor de Nova e Mal. Ao longo do livro enquanto saltamos entre passado e presente, e de personagem em personagem com a narração na primeira pessoa, saltamos também de opinião em opinião. A nossa própria opinião. Damos connosco a ficar solidários ora com um dos lados, ora com o outro, perguntamos a nós mesmos como reagiríamos naquela situação, o que faríamos. Talvez por isso, e também por mexer num tema tão chocante e actual, esta leitura é soberba. O leitor é envolvido no meio daquelas emoções, tão bem retratadas, e é impossível ficar indiferente.
Amizade, amor, responsabilidade, maternidade e sofrimento são as palavras-chave neste romance que recomendo.
Merece sem dúvida as minhas 5 estrelas!