«Soubera eu ontem o que sei hoje, teus olhos cinzentos teria arrancado, por dois olhos de barro teria trocado.
Soubera eu ontem que deixarias de ser meu, teu coração de carne teria arrancado por um de pedra teria trocado.»
Sinopse:
No dia em que Lexy Ransome perde a vida ao cair da macieira do jardim de sua casa, Paul Iverson, o marido, compreende que a partir daquele momento toda a sua existência será pautada pela devastação da perda da mulher que amava. Atormentado pela dúvida quanto ao que realmente aconteceu, Paul embrenha-se numa investigação obsessiva dos vários indícios misteriosos que vai encontrando em casa e que o levam a crer não ter sido a morte da mulher acidental. A única testemunha do que se passou é Lorelei, a cadela, e Paul entrega-se à tarefa hercúlea de ensinar Lorelei a comunicar numa tentativa desesperada de chegar à verdade dos factos. Um romance poderoso e original, que nos revela os caminhos do amor e da sensibilidade feminina.
A minha opinião:
Mais uma vez devia ter dado ouvidos à minha mania anti-sinopse. Foi exactamente a sinopse e a sua promessa de dor e angústia pela morte de um conjuge que me fez adiar tanto tempo esta leitura. Leituras pesadas nem sempre são bem vindas (já nos bastam por vezes as complicações da vida). Mas na verdade não se pode dizer que seja exactamente uma leitura pesada. Muito pelo contrário.
A história por si só, é fascinante. Escrita num tom encantador, muito carinhoso, somos apresentados à dor e atordoamento de Paul, cuja mulher caiu de uma macieira sem que fosse óbvio o suicídio. Ele leva-nos a passear pelas recordações do seu casamento, nem sempre fácil, mas sempre rico em sentimentos, onde o amor sem dúvida que predominava. Lexy não era uma pessoa simples, mas era a sua excentricidade que a transformava em alguém inesquecível para quem a conhecia. O que Paul não sabia é que a sua excentricidade também escondia toda uma angústia, que que a assolava silenciosamente e a qual ela nunca conseguiu realmente vencer.
A relação com Lorelai, a sua cadela, o plano a que ele se propôe e que nos revela o profundo desespero a que a sua alma estava sujeita, a investigação insiste em levar a cabo, tudo nos envolve e nos impulsiona a continuar a ler, querendo com todas as nossas forças, que Paul chegue a uma conclusão.
Foi sem dúvida uma leitura lindíssima e cheia de pormenores enternecedores e conclusões magníficas.
«Recordo a minha mulher de branco. Recordo-a a caminhar para mim no dia do nosso casamento, segurando um ramo de flores vermelhas e recordo-a afastar-se de mim colérica, o corpo rígido como uma pedra. Recordo o som da sua respiração enquanto dormia, e o seu corpo nos meus braços. Recordo, recordarei sempre, que ela trouxe consolo à minha vida e também dor. Que por cada momento negro que vivemos juntos, houve um momento de um tal esplendor que quase não consigo encará-lo. Procuro recordar a mulher que ela era e não a mulher que eu construí a partir de peças soltas para me reconfortar no meu luto. E descobri, à medida que os dias passam e o bálsamo do meu perdão aplaca a superficie gretada e ressequida do meu coração, descobri que recordá-la como ela é um presente que posso oferecer a ambos.»
Uma passagem que achei muito interessante foi também esta, onde Paul lê o último sonho inscrito no caderno de sonhos de Lexy (desde os seus onze anos que ela apontava os sonhos que tinha assim que acordava):
«"Sonhei que me tinham aberto e descoberto que eu tinha dois corações. O segundo era pequeno e de uma cor diferente. Estava oculto debaixo do coração principal, por isso não o viram a princípio. Fiquei muito admirada quando me contaram isso, mas o médico disse que era absolutamente normal. Disse que a maioria das pessoas tem dois corações, só que nunca sabemos."
Sinto-me intrigado com este, e não apenas por ser o último. Não é verdade que cada um de nós tem dois corações? O coração secreto, enrolado lá atrás como um punho, vivendo nodoso e encolhido atrás do coração normal e exposto que usamos todos os dias. Recordo uma noite, há cerca de um ano, em que estava deitado ao lado de Lexy, sem conseguir adormecer. Sabe-se lá porquê, comecei a pensar numa mulher que conhecera na faculdade, uma mulher com quem andara apenas umas seis ou sete semanas. Não fora uma relação significativa, pelo menos para ela, mas eu tinha-me apaixonado e embaraçava-me descobrir que, todos estes anos depois, ainda me sentia magoado por ela não ter correspondido. Como é possível, interroguei-me, que se possa estar deitado na cama ao lado de uma pessoa que se ama total e apaixonadamente, uma pessoa a quem se quer mais do que à própria vida, e ainda sentir dor ao pensar naquela que nos magoou há tantos anos? Somos atraiçoados por esse nosso segundo coração, cuja carne está escura como a ponta de um dedo à qual se enrolou firmemente um cabelo, e se tornou azul devido à falta de sangue. A sua torpe opressão. Naquela noite, com Lexy a meu lado, fiquei surpreendido por me descobrir ali. Fiquei surpreendido por descobrir que entretanto tinha vivido uma vida inteira. E agora, aqui sentado, com todos os sonhos de Lexy no meu colo, apercebo-me de que há coisas a seu respeito que nunca saberei. Não é o conteúdo dos nossos sonhos que dá a esse segundo coração a sua cor escura; são os pensamentos que nos povoam a mente naqueles momentos de insónia em que não conseguimos conciliar o sono. E essas coisas, nunca as contamos a ninguém.»
E assim terminei as minhas leituras de Janeiro.
Foi um excelente mês de leituras! (11 livros)
"Quero-te Muito!" de Federico Moccia
«... o amor tem as suas próprias regras, belas e sempre diferentes daquelas com que sonhamos.» Federico Moccia Sinopse:
Step regressa de Nova Iorque, cidade onde se auto-exilou para se afastar da sua ex-namorada Babi, da memória da morte trágica de um amigo e da mãe com quem tem um relacionamento conflituoso.
Ao chegar a Roma, vai morar com o irmão, reencontra os amigos e, com a ajuda do pai, começa a trabalhar no mundo do espectáculo. Entretanto, Step conhece Gin, uma rapariga bonita e decidida, com quem inicia uma linda história de amor. Mas Babi volta a entrar na sua vida e na cabeça de Step despertam velhos sentimentos e dúvidas: Babi ou Gin... Diante da casa de qual delas irá Step escrever finalmente «QUERO-TE MUITO»?
Sobre o autor:
Federico Moccia nasceu em Roma em 1963. Trabalha como cenógrafo no cinema e como argumentista para a televisão. É autor de três títulos, traduzidos em doze línguas, todos eles grandes best-sellers entre os leitores jovens de todo o mundo, tendo-se tornado uma referência indiscutível para os adolescentes do seu país. Moccia combina o estilo rápido e ligeiro, o coloquialismo e a descrição esquemática de situações numa elaboração muito próxima do guião cinematográfico, o que dota a sua escrita de uma grande fluidez e facilidade de leitura. As frequentes alusões a referências culturais, sem descurar os mais intensos sentimentos amorosos e as atitudes rebeldes que caracterizam a adolescência, são os seus trunfos para prender rapidamente os leitores.
Já vendeu mais de três milhões de cópias das suas obras só em Itália. Federico Moccia é um dos fenómenos editoriais mais espantosos dos últimos tempos; o público jovem italiano vê-se reflectido nas histórias e sente a sua autenticidade, a conexão com a realidade social do momento. A história do sucesso de Moccia constitui por si só um romance. A sua primeira obra foi rejeitada por todas as editoras, até que Federico Moccia decidiu fazer uma edição de autor. Os dois mil exemplares que lançou venderam-se rapidamente e o livro sobreviveu em fotocópias durante oito anos. Por casualidade, uma dessas fotocópias caiu nas mãos de um director de cinema que se apercebeu do seu potencial. A obra foi levada ao ecrã e publicada numa das mais prestigiadas editoras italianas, tornando-se um sucesso.
Para mais informações sobre este livro visite o seu blog: Quero-te Muito!
A minha opinião:
O que dizer depois de tudo o que já mencionei acima?
Que é um livro diferente, uma leitura fantástica, aceleradíssima, uma bela história de amor que me fez voar até ao passado e desejar reviver a adolescência...
Para além disso a forma como escreve é simplesmente bela. Alterna entre o crú da linguagem da rua e a pura poesia. O livro tem passagens lindíssimas que nos fazer querer ler e reler.
Fico com pena de não ter lido primeiro o outro livro do autor, "Três Metros Acima do Céu", pois a história aborda a relação entre Step e a ex-namorada, Babi, antes do seu "retiro" americano.
De igual modo achei um pouco abrupta a forma como o livro termina... tive de ir confirmar a uma livraria se não me faltavam páginas!
"Lua-de-Mel em Paris" de Elizabeth Adler
Sinopse:
Paris, a cidade mais romântica do mundo, é palco de luas-de-mel de sonho e de paixões recentemente descobertas. E para Lara Lewis é o lugar onde ela e o marido viveram o amor no seu melhor. Mais de vinte anos depois, Lara deseja reacender a chama do seu casamento e planeia uma aventura romântica para os dois: reconstituir todos os momentos da sua idílica lua-de-mel em Paris e pela França, visitar os mesmos lugares, comer nos mesmos restaurantes, explorar as mesmas aldeias mágicas. Porém, quando o marido lhe diz, à última hora, que existe outra mulher na sua vida, o coração de Lara quase se estilhaça em mil pedaços.
Algures na estrada da vida, Lara perdeu-se a si própria. Agora, terá de descobrir um novo rumo para a sua existência. Inesperadamente, Lara dá um passo ousado e convida um homem, mais novo e com quem ela acaba de se envolver, para fazer a tão desejada segunda lua-de-mel. O que se segue é a história de dois apaixonados errando pela França numa louca aventura romântica, que se inicia com voos perdidos e bagagem extraviada e termina como sendo a viagem de uma mulher para se encontrar a si própria e ao amor que lhe escapou a vida inteira.
Lua-de-mel em Paris é uma incursão apaixonante pelos sabores, sons, paisagens e aromas de França e a história de uma mulher que se reconcilia com o seu passado e se converte na mulher que sempre desejara ser.
A minha opinião:
Neste livro encontrei uma desilusão e ao mesmo tempo um encanto.
Comecemos pela parte boa: a encantadora viagem.
É um autêntico roteiro que realça os verdadeiros sons e sabores de França. Juro que a meio do livro me deu vontade de me meter num avião e efectuar exactamente a mesma viagem de Lara. Com a sua ajuda estou certa que também conseguiria descobrir “a verdadeira França”.
A desilusão trata-se da outra viagem: a suposta auto-descoberta de Lara.
A única conclusão que retirei desta leitura é que a história de amor que a autora tentou escrever serviu apenas para mostrar o quão patéticas nós mulheres conseguimos ser quando achamos que nada somos sem um homem do nosso lado.
Ao fim e ao cabo Lara não se descobriu coisa nenhuma. Descobriu sim que o marido já não a amava há muito tempo e que não só o seu casamento era uma farsa, como ela própria era uma farsa, representando um papel de acordo com os requisitos do marido. Mas e ao lado do seu novo namorado? Quem era Lara senão uma extensão do seu desejo?
Penso sinceramente que a história de amor perdeu muito, pela forma como está construída. Acho que a autora teria ganho a batalha caso tivesse colocado Lara a viajar sozinha, chegando às conclusões que devia ter chegado e só mais tarde reintroduzindo o namorado.
De resto é uma leitura fácil e que julgo ser capaz de inspirar algumas mulheres a modificar as suas vidas.
Paris, a cidade mais romântica do mundo, é palco de luas-de-mel de sonho e de paixões recentemente descobertas. E para Lara Lewis é o lugar onde ela e o marido viveram o amor no seu melhor. Mais de vinte anos depois, Lara deseja reacender a chama do seu casamento e planeia uma aventura romântica para os dois: reconstituir todos os momentos da sua idílica lua-de-mel em Paris e pela França, visitar os mesmos lugares, comer nos mesmos restaurantes, explorar as mesmas aldeias mágicas. Porém, quando o marido lhe diz, à última hora, que existe outra mulher na sua vida, o coração de Lara quase se estilhaça em mil pedaços.
Algures na estrada da vida, Lara perdeu-se a si própria. Agora, terá de descobrir um novo rumo para a sua existência. Inesperadamente, Lara dá um passo ousado e convida um homem, mais novo e com quem ela acaba de se envolver, para fazer a tão desejada segunda lua-de-mel. O que se segue é a história de dois apaixonados errando pela França numa louca aventura romântica, que se inicia com voos perdidos e bagagem extraviada e termina como sendo a viagem de uma mulher para se encontrar a si própria e ao amor que lhe escapou a vida inteira.
Lua-de-mel em Paris é uma incursão apaixonante pelos sabores, sons, paisagens e aromas de França e a história de uma mulher que se reconcilia com o seu passado e se converte na mulher que sempre desejara ser.
A minha opinião:
Neste livro encontrei uma desilusão e ao mesmo tempo um encanto.
Comecemos pela parte boa: a encantadora viagem.
É um autêntico roteiro que realça os verdadeiros sons e sabores de França. Juro que a meio do livro me deu vontade de me meter num avião e efectuar exactamente a mesma viagem de Lara. Com a sua ajuda estou certa que também conseguiria descobrir “a verdadeira França”.
A desilusão trata-se da outra viagem: a suposta auto-descoberta de Lara.
A única conclusão que retirei desta leitura é que a história de amor que a autora tentou escrever serviu apenas para mostrar o quão patéticas nós mulheres conseguimos ser quando achamos que nada somos sem um homem do nosso lado.
Ao fim e ao cabo Lara não se descobriu coisa nenhuma. Descobriu sim que o marido já não a amava há muito tempo e que não só o seu casamento era uma farsa, como ela própria era uma farsa, representando um papel de acordo com os requisitos do marido. Mas e ao lado do seu novo namorado? Quem era Lara senão uma extensão do seu desejo?
Penso sinceramente que a história de amor perdeu muito, pela forma como está construída. Acho que a autora teria ganho a batalha caso tivesse colocado Lara a viajar sozinha, chegando às conclusões que devia ter chegado e só mais tarde reintroduzindo o namorado.
De resto é uma leitura fácil e que julgo ser capaz de inspirar algumas mulheres a modificar as suas vidas.
"Não digas a ninguém" de Luísa Castel-Branco
Não existem segredos inconfessáveis nem perdões impossíveis
Sinopse:
Beatriz, Rita e Samuel são amigos desde a infância, tendo as suas vidas seguido rumos diferentes: a primeira é casada, mãe de três filhos e um casamento (aparentemente) feliz; a segunda, separada, com um namorado ausente e uma filha problemática; Samuel, casado e com dois filhos adolescentes, vive a imagem da família tradicional. Quando os três amigos decidem passar uns dias juntos, não imaginam até que ponto as suas vidas podem mudar.
O aparecimento de uma mulher misteriosa, Benedita, vai transformar o que deveria ser um fim-de-semana tranquilo numa descida ao inferno, onde cada uma das personagens é confrontada com os seus medos e desejos proibidos.
Luísa Castel-Branco regressa ao romance e surpreende os leitores com esta fábula moderna em tom de crítica social, que é também uma história sobre os afectos, o valor da amizade e o poder do amor e do perdão.
A minha opinião:
Comecei esta leitura meio a medo, com um pé atrás, confesso, pois o registo da história de acordo com a sinopse, não era em nada semelhante ao “Alma e os Mistérios da Vida”, livro que adorei. E sinceramente, histórias sobre “tios” e “tias” com muitos “tá bens” e “não sei quês”, e um certo nível social como crachá, não me apelam. Mas por ser da mesma autora, e porque gosto sempre de dar uma oportunidade aos livros, entrei na leitura.
Cedo me apercebi que havia algo mais para lá do óbvio, e bem depressa a leitura se tornou imparável.
Não gosto de adiantar muita informação sobre a história e prometo que não vou fazê-lo mas, há uma espécie de comparação que não posso deixar de fazer. A quantidade de personagens, as relações entre elas, o ritmo alucinante de acontecimentos assombrados por uma estranha tempestade… tudo me trouxe à ideia o “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare. Simplesmente fantástico!!
Outra coisa absolutamente magnifica, são as pequenas pérolas de sabedoria que a autora espalha pelo texto. Tenho de transcrever uma passagem belíssima, que nos fala da verdadeira amizade (em especial para ti, Ana!):
«A amizade pode tomar muitas formas. Ou, melhor dizendo, a adulteração da palavra desvirtuou o seu sentido original. Tempos houve em que era um bem maior, uma força que unia seres humanos até ao leito da morte. Mas não nos tempos que correm.
As amizades, tal como as relações afectivas ou laborais, revelavam-se cada vez mais precárias, mais descartáveis e, simultaneamente, mais vazias de conteúdo; passaram a ser sinónimo de momentos partilhados entre determinadas pessoas, em determinadas circunstâncias, e tão só isso. Contudo, sobravam as amizades da infância. Essas pareciam ser o último reduto do conceito antigo da palavra, da profundidade do sentimento.
Nem todas sobreviviam ao passar dos anos, aos casamentos, divórcios, à mutação que cada ser humano conhece ao longo da vida. Mas quando tal acontecia, tratava-se sem dúvida de um bem maior.
Era como que magia, não a do amor, mas algo muito semelhante que permitia dois seres humanos lerem um no outro como um livro aberto, reencontrarem-se por vezes passado um largo tempo e retomarem a conversa que tinham abandonado no exacto dia em que se despediram num qualquer café, num jantar, não importa onde.
O verdadeiro valor da amizade só é do conhecimento daqueles poucos que a possuem, que abrangem o verdadeiro significado da palavra e a amplitude do seu alcance. Porque quem tem um amigo nunca viverá só. Nunca morrerá só.»
Este livro é sem dúvida uma fábula soberba, onde a importância da amizade e do amor se sobrepõe a tudo o resto. Magnífico!
P.S. Tenho no entanto de fazer uma ressalva. Não ao trabalho da autora, mas da editora. É impressionante o tipo de erros que encontrei e que me dificultaram a leitura.
Numa história onde logo no princípio temos de aprender o nome das primeiras 12 personagens, há que ter um pouco mais de atenção.
Dois exemplos:
Pág. 65, linha 30: -“Carmo, vou contigo.”
Não existe nenhuma Carmo, nem antes nem depois. O nome que aqui deveria estar era Graça, que não é sequer remotamente parecido.
Pág. 97, nos primeiros 2 parágrafos aparece Beatriz por duas vezes, quando na verdade se fala de uma Benedita. Aqui sinceramente muito contribuiu para a confusão da história, uma vez que existe mesmo uma Beatriz.
O mesmo acontece na pág. 168, linha 12: em vez de Rita, escreveram Matilde, que é a filha de Rita.
Um pouco mais de atenção, é o que se pede à editora. Afinal, o livro que li já vai na 2ª edição, e erros destes são inadmissíveis.
Sinopse:
Beatriz, Rita e Samuel são amigos desde a infância, tendo as suas vidas seguido rumos diferentes: a primeira é casada, mãe de três filhos e um casamento (aparentemente) feliz; a segunda, separada, com um namorado ausente e uma filha problemática; Samuel, casado e com dois filhos adolescentes, vive a imagem da família tradicional. Quando os três amigos decidem passar uns dias juntos, não imaginam até que ponto as suas vidas podem mudar.
O aparecimento de uma mulher misteriosa, Benedita, vai transformar o que deveria ser um fim-de-semana tranquilo numa descida ao inferno, onde cada uma das personagens é confrontada com os seus medos e desejos proibidos.
Luísa Castel-Branco regressa ao romance e surpreende os leitores com esta fábula moderna em tom de crítica social, que é também uma história sobre os afectos, o valor da amizade e o poder do amor e do perdão.
A minha opinião:
Comecei esta leitura meio a medo, com um pé atrás, confesso, pois o registo da história de acordo com a sinopse, não era em nada semelhante ao “Alma e os Mistérios da Vida”, livro que adorei. E sinceramente, histórias sobre “tios” e “tias” com muitos “tá bens” e “não sei quês”, e um certo nível social como crachá, não me apelam. Mas por ser da mesma autora, e porque gosto sempre de dar uma oportunidade aos livros, entrei na leitura.
Cedo me apercebi que havia algo mais para lá do óbvio, e bem depressa a leitura se tornou imparável.
Não gosto de adiantar muita informação sobre a história e prometo que não vou fazê-lo mas, há uma espécie de comparação que não posso deixar de fazer. A quantidade de personagens, as relações entre elas, o ritmo alucinante de acontecimentos assombrados por uma estranha tempestade… tudo me trouxe à ideia o “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare. Simplesmente fantástico!!
Outra coisa absolutamente magnifica, são as pequenas pérolas de sabedoria que a autora espalha pelo texto. Tenho de transcrever uma passagem belíssima, que nos fala da verdadeira amizade (em especial para ti, Ana!):
«A amizade pode tomar muitas formas. Ou, melhor dizendo, a adulteração da palavra desvirtuou o seu sentido original. Tempos houve em que era um bem maior, uma força que unia seres humanos até ao leito da morte. Mas não nos tempos que correm.
As amizades, tal como as relações afectivas ou laborais, revelavam-se cada vez mais precárias, mais descartáveis e, simultaneamente, mais vazias de conteúdo; passaram a ser sinónimo de momentos partilhados entre determinadas pessoas, em determinadas circunstâncias, e tão só isso. Contudo, sobravam as amizades da infância. Essas pareciam ser o último reduto do conceito antigo da palavra, da profundidade do sentimento.
Nem todas sobreviviam ao passar dos anos, aos casamentos, divórcios, à mutação que cada ser humano conhece ao longo da vida. Mas quando tal acontecia, tratava-se sem dúvida de um bem maior.
Era como que magia, não a do amor, mas algo muito semelhante que permitia dois seres humanos lerem um no outro como um livro aberto, reencontrarem-se por vezes passado um largo tempo e retomarem a conversa que tinham abandonado no exacto dia em que se despediram num qualquer café, num jantar, não importa onde.
O verdadeiro valor da amizade só é do conhecimento daqueles poucos que a possuem, que abrangem o verdadeiro significado da palavra e a amplitude do seu alcance. Porque quem tem um amigo nunca viverá só. Nunca morrerá só.»
Este livro é sem dúvida uma fábula soberba, onde a importância da amizade e do amor se sobrepõe a tudo o resto. Magnífico!
P.S. Tenho no entanto de fazer uma ressalva. Não ao trabalho da autora, mas da editora. É impressionante o tipo de erros que encontrei e que me dificultaram a leitura.
Numa história onde logo no princípio temos de aprender o nome das primeiras 12 personagens, há que ter um pouco mais de atenção.
Dois exemplos:
Pág. 65, linha 30: -“Carmo, vou contigo.”
Não existe nenhuma Carmo, nem antes nem depois. O nome que aqui deveria estar era Graça, que não é sequer remotamente parecido.
Pág. 97, nos primeiros 2 parágrafos aparece Beatriz por duas vezes, quando na verdade se fala de uma Benedita. Aqui sinceramente muito contribuiu para a confusão da história, uma vez que existe mesmo uma Beatriz.
O mesmo acontece na pág. 168, linha 12: em vez de Rita, escreveram Matilde, que é a filha de Rita.
Um pouco mais de atenção, é o que se pede à editora. Afinal, o livro que li já vai na 2ª edição, e erros destes são inadmissíveis.
"Procuro-te" de Lesley Pearse
Sacrificaria o amor da sua vida em nome do passado?
Sinopse:
Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raízes e confrontar-se com o passado.
Na ânsia por saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica, e à medida que vai desvendando a história da família, Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos.
Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.
A minha opinião:
No ano passado li, desta mesma autora, o livro “Nunca me esqueças” que adorei. É óbvio que quando ouvi que ía ser publicado um novo livro, soube de imediato que o tinha de ler.
Como tenho uma amiga que adivinha os meus desejos de leitura (é impressionante mesmo!) recebi-o como prenda de aniversário. (obrigada mais uma vez, querida Bé!).
Infelizmente, ainda demorei algum tempo até pegar nele, porque a minha pilha TBR de empréstimos era tão grande que até metia dó, mas assim que a vi mais pequena não hesitei e mergulhei na sua leitura.
Que história tão interessante!
Embora num registo completamente diferente do livro anterior, a autora mantém a mesma forma de nos levar pela mão ao longo da história.
Tudo começa nos dias de hoje, com o falecimento da mãe adoptiva de Daisy, que a incentiva insistentemente, antes de morrer, a procurar a sua mãe biológica. De repente somos transportados para os anos 50/60 e é-nos então apresentada a família Pengelly, com as suas virtudes e defeitos, desgraças e evolução ao longo dos tempos. As vidas de Ellen e Josie, duas irmãs, tornam-se o tema central da história, e a forma como as consequências das suas escolhas vão influenciar, muitos anos mais tarde, a vida de Daisy é sem dúvida uma coisa fascinante.
É uma história lindíssima, que retrata a evolução da sociedade britânica ao longo de 40 anos. Tem também uma certa nota de mistério que lhe dá um toque especial, mas é acima de tudo a forma ponderada e bem organizada como a história é contada que cativa o leitor.
Fico ansiosa por uma nova publicação de Lesley Pearse.
P.S. É engraçado que durante a leitura, a pergunta que precede a sinopse me assombrou. Não conseguia enquadrá-la na história que estava a ler.
No entanto, no final, e após todos os mistérios estarem esclarecidos, não só a resposta se tornou óbvia, como o contexto da própria pergunta. :)
Sinopse:
Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adoptada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raízes e confrontar-se com o passado.
Na ânsia por saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica, e à medida que vai desvendando a história da família, Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento. Dotada de uma inabalável determinação, Ellen sobrevivera a uma infância traumática: a morte da sua própria mãe estava envolta numa aura de mistério e os maus-tratos de que fora vítima às mãos da madrasta haviam-na marcado irremediavelmente. O destino quis que a sua coragem fosse constantemente posta à prova. O tempo encarregou-se de apagar o rumo dos seus passos.
Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida.
A minha opinião:
No ano passado li, desta mesma autora, o livro “Nunca me esqueças” que adorei. É óbvio que quando ouvi que ía ser publicado um novo livro, soube de imediato que o tinha de ler.
Como tenho uma amiga que adivinha os meus desejos de leitura (é impressionante mesmo!) recebi-o como prenda de aniversário. (obrigada mais uma vez, querida Bé!).
Infelizmente, ainda demorei algum tempo até pegar nele, porque a minha pilha TBR de empréstimos era tão grande que até metia dó, mas assim que a vi mais pequena não hesitei e mergulhei na sua leitura.
Que história tão interessante!
Embora num registo completamente diferente do livro anterior, a autora mantém a mesma forma de nos levar pela mão ao longo da história.
Tudo começa nos dias de hoje, com o falecimento da mãe adoptiva de Daisy, que a incentiva insistentemente, antes de morrer, a procurar a sua mãe biológica. De repente somos transportados para os anos 50/60 e é-nos então apresentada a família Pengelly, com as suas virtudes e defeitos, desgraças e evolução ao longo dos tempos. As vidas de Ellen e Josie, duas irmãs, tornam-se o tema central da história, e a forma como as consequências das suas escolhas vão influenciar, muitos anos mais tarde, a vida de Daisy é sem dúvida uma coisa fascinante.
É uma história lindíssima, que retrata a evolução da sociedade britânica ao longo de 40 anos. Tem também uma certa nota de mistério que lhe dá um toque especial, mas é acima de tudo a forma ponderada e bem organizada como a história é contada que cativa o leitor.
Fico ansiosa por uma nova publicação de Lesley Pearse.
P.S. É engraçado que durante a leitura, a pergunta que precede a sinopse me assombrou. Não conseguia enquadrá-la na história que estava a ler.
No entanto, no final, e após todos os mistérios estarem esclarecidos, não só a resposta se tornou óbvia, como o contexto da própria pergunta. :)
"A Dádiva" de Toni Morrison
Da autoria da primeira mulher negra a ser distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1993), A Dádiva é um romance extraordinário que se passa na América do Norte de finais do século XVII. Profundas divisões sociais e religiosas, opressões e preconceitos exacerbados propiciam o cenário ideal para a implantação da escravatura e do ódio racial. Jacob Vaark é um comerciante anglo-holandês que apesar de se manter à parte do negócio dos escravos, que então dá os primeiros passos, acaba por aceitar uma menina negra, Florens, como pagamento de uma dívida de um fazendeiro de Maryland. Nesta parábola do nascimento traumático dos Estados Unidos, Morrison revela-nos o que se esconde sob a superfície de qualquer tipo de sujeição, incluindo a da paixão, e o quanto essa falta de liberdade é nociva para a alma.
A minha opinião:
Existem livros que gosto de comparar com uma janela aberta.
Às vezes, sinto-me como se estivesse debruçada da ampla janela de um 1º andar, olhando para baixo e vendo a acção desenrolar-se.
Ler este livro foi um pouco assim.
No entanto, ao invés da vista desempedida da ampla janela de 1º andar, foi como se eu estivesse frente a uma grande janela de rés do chão, aberta sim, mas levemente tapada por uns longos cortinados brancos de musselina, que ondulando iam transformando a minha visão ao sabor do vento que entrava.
Não foi uma leitura fácil, mas foi uma leitura deliciosa.
A autora alterna entre a narração de uma história contada na terceira pessoa, e uma "carta" escrita na primeira pessoa, onde encontramos laivos de uma certa esquizofrenia que contribui para o misticismo da história, tornando-a sem dúvida, ainda mais preciosa.
Gostei.
«Dentro de mim estou a mirrar. Subo o leito do regato sob as árvores vigilantes e sei que não sou a mesma. Perco alguma coisa a cada passo que dou. Sinto o esgotamento. Está a abandonar-me alguma coisa preciosa. Eu sou uma coisa à parte. Com a carta pertenço e sou válida, legítima. Sem ela sou um bezerrinho fraco abandonado pela manada, um servo sem os sinais característicos mas com uma escuridão com a qual nasci, exterior, emplumada e com dentes salientes. É isso que a minha mãe sabe? Porque me escolheu para viver sem mim? Não é a escuridão exterior que partilhamos, a minha mãe e eu, mas a interior que não partilhamos. É este morrer apenas meu? É a coisa com garras e penas a única vida em mim? Diz-me. Também tens o escuro exterior e quando te vejo e caio em ti sei que estou viva. De súbito, não é como antes, quando estou sempre com medo. Agora não tenho medo de nada. A partida do Sol deixa atrás escuridão e o escuro é eu. É nós. É a minha casa.»
P.S. Adorei a capa! Acho que as capas são muito importantes para ajudarem o leitor a entrar na história e esta desempenhou esse papel na perfeição.
Obrigada querida Betita por mais esta oportunidade!
A minha opinião:
Existem livros que gosto de comparar com uma janela aberta.
Às vezes, sinto-me como se estivesse debruçada da ampla janela de um 1º andar, olhando para baixo e vendo a acção desenrolar-se.
Ler este livro foi um pouco assim.
No entanto, ao invés da vista desempedida da ampla janela de 1º andar, foi como se eu estivesse frente a uma grande janela de rés do chão, aberta sim, mas levemente tapada por uns longos cortinados brancos de musselina, que ondulando iam transformando a minha visão ao sabor do vento que entrava.
Não foi uma leitura fácil, mas foi uma leitura deliciosa.
A autora alterna entre a narração de uma história contada na terceira pessoa, e uma "carta" escrita na primeira pessoa, onde encontramos laivos de uma certa esquizofrenia que contribui para o misticismo da história, tornando-a sem dúvida, ainda mais preciosa.
Gostei.
«Dentro de mim estou a mirrar. Subo o leito do regato sob as árvores vigilantes e sei que não sou a mesma. Perco alguma coisa a cada passo que dou. Sinto o esgotamento. Está a abandonar-me alguma coisa preciosa. Eu sou uma coisa à parte. Com a carta pertenço e sou válida, legítima. Sem ela sou um bezerrinho fraco abandonado pela manada, um servo sem os sinais característicos mas com uma escuridão com a qual nasci, exterior, emplumada e com dentes salientes. É isso que a minha mãe sabe? Porque me escolheu para viver sem mim? Não é a escuridão exterior que partilhamos, a minha mãe e eu, mas a interior que não partilhamos. É este morrer apenas meu? É a coisa com garras e penas a única vida em mim? Diz-me. Também tens o escuro exterior e quando te vejo e caio em ti sei que estou viva. De súbito, não é como antes, quando estou sempre com medo. Agora não tenho medo de nada. A partida do Sol deixa atrás escuridão e o escuro é eu. É nós. É a minha casa.»
P.S. Adorei a capa! Acho que as capas são muito importantes para ajudarem o leitor a entrar na história e esta desempenhou esse papel na perfeição.
Obrigada querida Betita por mais esta oportunidade!
"A Prenda" de Cecilia Ahern
Todos os dias Lou Suffern, um arquitecto bem-sucedido de Dublin, travava uma batalha inglória com o relógio, na tentativa vã de responder às múltiplas solicitações profissionais, familiares e sociais. Vivia a um ritmo vertiginoso. O seu desejo de sucesso afastou-o do que era realmente importante na sua vida. E assim foram correndo os dias até àquela gelada manhã de terça-feira em que resolveu oferecer um café a Gabe, o sem-abrigo que costumava sentar-se perto da entrada do seu escritório. À medida que o Natal se aproxima e que Lou vai privando mais de perto com Gabe, a sua perspectiva do tempo vai-se alterando... Emocionante e divertida, esta narrativa onde está sempre presente o espírito de Natal, faz-nos reflectir sobre a importância do tempo e rever as prioridades na nossa própria vida.
A minha opinião:
Este é já o quarto livro que leio desta autora (falta-me apenas ler o Um Lugar Chamado Aqui) e devo dizê-lo que mais uma vez, não me desiludiu.
Este é um livro cheio de significado, pleno de magia e que nos faz reflectir bastante.
Não se pode dizer que seja um livro excepcional, mas tal como os anteriores, encerra uma mensagem muito importante, que o torna especial. Na verdade, talvez seja esta uma das mensagem mais importantes que podemos receber a determinada altura da nossa vida.
É sem dúvida uma excelente prenda, a lição que a autora nos oferece. Pelas suas palavras “A lição aprendida por um homem é a história de outro homem, mas, muitas vezes, a história de um homem pode ser a lição de outro.”
Não querendo revelar muito da história, deixo aqui algumas passagens, cuja simplicidade e beleza me tocou:
Pág. 19
«Esta história é sobre pessoas, segredos e tempo. Sobre pessoas que, à semelhança dos embrulhos, escondem segredos, que se cobrem de camadas até aparecerem as pessoas certas, que as podem desembrulhar e ver o seu interior. Por vezes, temos de nos dar a alguém para podermos ver quem somos. Por vezes, temos de desembrulhar as coisas, para chegar ao seu âmago.»
Pág. 263
«Uma coisa de grande importância pode afectar um pequeno número de pessoas. Do mesmo modo, uma coisa de pouca importância pode afectar um grande número de pessoas. Seja qual for o caso, um acontecimento – seja ele grande ou pequeno – pode afectar toda uma cadeia de pessoas. Os acasos podem unir-nos a todos. É que não sei se estão a ver, mas somos todos feitos da mesma matéria. Quando alguma coisa acontece, desperta algo dentro de nós que nos liga a uma situação, que nos liga a outras pessoas, iluminando-nos e unindo-nos como uma fiada de luzinhas numa árvore de Natal, torcidas e contorcidas mas, ainda assim, ligadas a um mesmo fio condutor. Algumas apagam-se, outras tremeluzem, outras brilham intensamente, mas estamos todos no mesmo fio.»
Obrigada querida Betita, por mais esta oportunidade!
A minha opinião:
Este é já o quarto livro que leio desta autora (falta-me apenas ler o Um Lugar Chamado Aqui) e devo dizê-lo que mais uma vez, não me desiludiu.
Este é um livro cheio de significado, pleno de magia e que nos faz reflectir bastante.
Não se pode dizer que seja um livro excepcional, mas tal como os anteriores, encerra uma mensagem muito importante, que o torna especial. Na verdade, talvez seja esta uma das mensagem mais importantes que podemos receber a determinada altura da nossa vida.
É sem dúvida uma excelente prenda, a lição que a autora nos oferece. Pelas suas palavras “A lição aprendida por um homem é a história de outro homem, mas, muitas vezes, a história de um homem pode ser a lição de outro.”
Não querendo revelar muito da história, deixo aqui algumas passagens, cuja simplicidade e beleza me tocou:
Pág. 19
«Esta história é sobre pessoas, segredos e tempo. Sobre pessoas que, à semelhança dos embrulhos, escondem segredos, que se cobrem de camadas até aparecerem as pessoas certas, que as podem desembrulhar e ver o seu interior. Por vezes, temos de nos dar a alguém para podermos ver quem somos. Por vezes, temos de desembrulhar as coisas, para chegar ao seu âmago.»
Pág. 263
«Uma coisa de grande importância pode afectar um pequeno número de pessoas. Do mesmo modo, uma coisa de pouca importância pode afectar um grande número de pessoas. Seja qual for o caso, um acontecimento – seja ele grande ou pequeno – pode afectar toda uma cadeia de pessoas. Os acasos podem unir-nos a todos. É que não sei se estão a ver, mas somos todos feitos da mesma matéria. Quando alguma coisa acontece, desperta algo dentro de nós que nos liga a uma situação, que nos liga a outras pessoas, iluminando-nos e unindo-nos como uma fiada de luzinhas numa árvore de Natal, torcidas e contorcidas mas, ainda assim, ligadas a um mesmo fio condutor. Algumas apagam-se, outras tremeluzem, outras brilham intensamente, mas estamos todos no mesmo fio.»
Obrigada querida Betita, por mais esta oportunidade!
"A Praia da Saudade" de Francisco Salgueiro
Sinopse:
Portugal, 1964. Salazar proibia a Coca-Cola, a censura amordaçava escritores e a PIDE prendia inocentes. Beatriz e Rodrigo apaixonam-se. Ela, de educação católica e membro da Mocidade Portuguesa Feminina. Ele, um defensor da liberdade e crítico do regime. Em plena ditadura, havia apenas uma regra no que tocava às relações: não se apaixonar pela pessoa errada.
Quarenta e cinco anos mais tarde, o neto de Rodrigo abre um cofre fechado durante décadas e encontra as cartas de amor trocadas entre os dois. Descobre a história de uma paixão impossível, que tentou sobreviver às pressões sociais de um país mergulhado nas trevas do regime salazarista. A política de Salazar obrigou à separação dos dois amantes, mas nunca conseguiu matar o amor que os unia. Poderá ainda haver um final feliz, ou será tarde demais?
Entre o ambiente de Lisboa nos anos sessenta, a guerra em África e o retrato de uma sociedade governada pelo medo, o autor, com base numa história real, escreve um romance emocionante e comovente a que nenhum leitor ficará indiferente.
A minha opinião:
Que livro lindíssimo!!
Confesso que ultimamente, este tem sido um dos meus temas preferidos. Nascida apenas 3 anos antes da Revolução dos Cravos, apenas soube o que era viver "sob o jugo de Salazar" através da opressão e da mentalidade do meu pai, que perdurou muito para além da abolição do regime.
Talvez pela contradição do que ouvia dizer em casa com o que ouvia da boca de outras pessoas, sempre tive curiosidade sobre esses tempos. Mas o segredo a que foi sujeita a História, fez com que até nos nossos manuais escolares se limitasse o que nos era contado. Só há pouco tempo é que se verificou uma maior abertura, e desde então proliferam livros e filmes sobre o tema.
Este livro, apesar da simplicidade da narrativa, revelou ser uma preciosidade sobre o modo de vida e mentalidade das pessoas naqueles tempos. Fiquei absolutamente rendida!
É também uma maravilhosa história de amor e uma lição de vida, sendo que o único resumo a que me posso permitir é que "Deus escreve direito por linhas tortas"...
Não percam a oportunidade de ler este livro, pois não se irão arrepender!
Portugal, 1964. Salazar proibia a Coca-Cola, a censura amordaçava escritores e a PIDE prendia inocentes. Beatriz e Rodrigo apaixonam-se. Ela, de educação católica e membro da Mocidade Portuguesa Feminina. Ele, um defensor da liberdade e crítico do regime. Em plena ditadura, havia apenas uma regra no que tocava às relações: não se apaixonar pela pessoa errada.
Quarenta e cinco anos mais tarde, o neto de Rodrigo abre um cofre fechado durante décadas e encontra as cartas de amor trocadas entre os dois. Descobre a história de uma paixão impossível, que tentou sobreviver às pressões sociais de um país mergulhado nas trevas do regime salazarista. A política de Salazar obrigou à separação dos dois amantes, mas nunca conseguiu matar o amor que os unia. Poderá ainda haver um final feliz, ou será tarde demais?
Entre o ambiente de Lisboa nos anos sessenta, a guerra em África e o retrato de uma sociedade governada pelo medo, o autor, com base numa história real, escreve um romance emocionante e comovente a que nenhum leitor ficará indiferente.
A minha opinião:
Que livro lindíssimo!!
Confesso que ultimamente, este tem sido um dos meus temas preferidos. Nascida apenas 3 anos antes da Revolução dos Cravos, apenas soube o que era viver "sob o jugo de Salazar" através da opressão e da mentalidade do meu pai, que perdurou muito para além da abolição do regime.
Talvez pela contradição do que ouvia dizer em casa com o que ouvia da boca de outras pessoas, sempre tive curiosidade sobre esses tempos. Mas o segredo a que foi sujeita a História, fez com que até nos nossos manuais escolares se limitasse o que nos era contado. Só há pouco tempo é que se verificou uma maior abertura, e desde então proliferam livros e filmes sobre o tema.
Este livro, apesar da simplicidade da narrativa, revelou ser uma preciosidade sobre o modo de vida e mentalidade das pessoas naqueles tempos. Fiquei absolutamente rendida!
É também uma maravilhosa história de amor e uma lição de vida, sendo que o único resumo a que me posso permitir é que "Deus escreve direito por linhas tortas"...
Não percam a oportunidade de ler este livro, pois não se irão arrepender!
"Mil Sóis Resplandecentes" de Khaled Hosseini
Sinopse:
Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação.
Há já algum tempo que se ouvia falar de "Mil Sóis Resplandecentes", do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com "O Menino de Cabul", traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de "Mil Sóis Resplandecentes" foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais.
Confirmando o talento de um grande narrador, "Mil Sóis Resplandecentes" passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida.
Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.
A minha opinião:
Existem livros que nos divertem e nos distraem dos problemas do dia-a-dia, e que por vezes bem precisos são!
Existem outros que nos ensinam algo ou nos fazem viajar. Outros ainda que nos fazem suspirar e sonhar. Mas existem uns quantos, preciosos, que nos tocam de tal forma que nos chegam a modificar, e que por isso nunca os iremos esquecer.
Penso que este livro é um deles.
Tanto se falou deste livro quando foi lançado que verifico agora ter sido justificado. É um romance magnífico, um verdadeiro hino ao amor e à amizade.
Mariam e Laila são duas mulheres extraordinárias, cujas vidas tocadas pela guerra se entrelaçam de uma forma comovente e inspiradora.
Cabul, local onde maioritariamente se passa a acção, é uma cidade castigada por três décadas de conflitos. Primeiro os russos, depois os mujahidin seguidos pelos terríveis talibans. Todos eles contribuiram para a ruína do Afeganistão, e ao longo da história da vida das duas mulheres, acompanhamos também a evolução desse país, conforme os líderes que lhe traçam o rumo.
Mas atenção. Não é um romance lamechas, daqueles que nos horrorizam e nos fazem derramar um rio de lágrimas. É um relato consciente, realista, sobre uma situação que afectou (e afecta) um país, um povo. É um relato sobre uma forma de vida e de sobrevivência à guerra. Mas é, acima de tudo, o relato sobre a amizade e a solidariedade feminina.
Acabei de ler a última página deste livro com um sorriso nos lábios e de olhos húmidos.
É uma história que tão cedo não irei esquecer.
Muito obrigada Melrita por este conselho e oportunidade!
Há livros que se enquadram na categoria de verdadeiros fenómenos literários, livros que caem na preferência do público e que são votados ao sucesso ainda antes da sua publicação.
Há já algum tempo que se ouvia falar de "Mil Sóis Resplandecentes", do afegão Khaled Hosseini, depois da sua fulgurante estreia com "O Menino de Cabul", traduzido em trinta países e agora com adaptação cinematográfica em Portugal. A verdade é que assim que as primeiras cópias de "Mil Sóis Resplandecentes" foram colocadas à venda, o romance liderou o primeiro lugar nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Holanda, Itália, Noruega, Nova-Zelândia e África do Sul, estando igualmente muito bem classificado no Brasil e em França. A própria Amazon americana afirmou que há muito tempo não tinha visto um entusiasmo tão grande a propósito de um livro. Devido ao elevado número de encomendas, nos Estados Unidos, foram realizadas cinco reedições ainda antes do livro chegar às livrarias e na primeira semana após a publicação, já tinham sido registadas um milhão de cópias em circulação. É pois um caso verdadeiramente arrebatador que combina preferências populares potenciadas pelo efeito de passa-palavra às melhores críticas internacionais.
Confirmando o talento de um grande narrador, "Mil Sóis Resplandecentes" passa em revista os últimos trinta anos no Afeganistão através da comovente história de duas mulheres afegãs casadas com o mesmo homem, unidas pela amizade e pela dor proveniente dos abusos que lhes são infligidos, dentro e fora de casa, em nome do machismo e da violência política vigente durante o regime taliban, mas separadas pela idade e pelas aspirações de vida.
Um livro revelador, que aborda as relações humanas e as reforça perante reacções de poder excessivo e impunidade.
A minha opinião:
Existem livros que nos divertem e nos distraem dos problemas do dia-a-dia, e que por vezes bem precisos são!
Existem outros que nos ensinam algo ou nos fazem viajar. Outros ainda que nos fazem suspirar e sonhar. Mas existem uns quantos, preciosos, que nos tocam de tal forma que nos chegam a modificar, e que por isso nunca os iremos esquecer.
Penso que este livro é um deles.
Tanto se falou deste livro quando foi lançado que verifico agora ter sido justificado. É um romance magnífico, um verdadeiro hino ao amor e à amizade.
Mariam e Laila são duas mulheres extraordinárias, cujas vidas tocadas pela guerra se entrelaçam de uma forma comovente e inspiradora.
Cabul, local onde maioritariamente se passa a acção, é uma cidade castigada por três décadas de conflitos. Primeiro os russos, depois os mujahidin seguidos pelos terríveis talibans. Todos eles contribuiram para a ruína do Afeganistão, e ao longo da história da vida das duas mulheres, acompanhamos também a evolução desse país, conforme os líderes que lhe traçam o rumo.
Mas atenção. Não é um romance lamechas, daqueles que nos horrorizam e nos fazem derramar um rio de lágrimas. É um relato consciente, realista, sobre uma situação que afectou (e afecta) um país, um povo. É um relato sobre uma forma de vida e de sobrevivência à guerra. Mas é, acima de tudo, o relato sobre a amizade e a solidariedade feminina.
Acabei de ler a última página deste livro com um sorriso nos lábios e de olhos húmidos.
É uma história que tão cedo não irei esquecer.
Muito obrigada Melrita por este conselho e oportunidade!
"Um Amigo Chamado Henry" de Nuala Gardner
Sinopse:
Quando Jamie e Nuala Gardner escolheram um cachorrinho para o filho Dale, não eram uma família como qualquer outra à procura de um animal de estimação. O autismo de Dale era tão profundo que o mais pequeno desvio à sua rotina podia provocar-lhe um assustador acesso de fúria. A vida familiar fora praticamente devastada pela sua doença e os Gardner passavam a maior parte do tempo a tentar entrar no mundo autista do filho e dar-lhe o auxílio de que ele tanto precisava.
Porém, depois de anos de esforços constantes e progressos lentos, as suas vidas transformaram-se ao acolherem um novo membro na família, Henry, um cachorrinho golden retriever lindíssimo. Os laços criados entre Dale e o seu cão ajudaram finalmente os pais deste menino a atingir o objectivo quase milagroso que tanto haviam procurado e a proporcionar-lhe uma vida preenchida e feliz.
A minha opinião:
Este livro é um precioso relato sobre a luta de uma família contra uma doença e uma sociedade retrógada, afim de conseguirem encaminhar o seu filho autista rumo à sociabilização e a uma vida feliz e perfeitamente integrada numa comunidade.
Todos nós que somos pais sabemos que fariamos qualquer coisa para conseguir salvar o nosso filho, mas apenas alguns de nós, graças a Deus, são postos à prova. Foi o caso destes pais. As suas tentativas de libertar o filho desse mundo fechado que é o autismo, foi uma tarefa árdua e desesperante. Mas, tal como diz o ditado, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", a sua persistência, o seu carácter batalhador, o seu entendimento superior e o apoio incansável da sua família e amigos, conseguiu o impensável: furar a barreira e penetrar no mundo do filho.
Para essa conquista ter lugar, foi necessária a ajuda preciosa de uma criatura: Henry, um adorável golden retriever que conquistou o coração de todos os que o conheceram.
Todos sabemos que os cães são animais extraordinários, e por vezes há uns que sobressaiem ao ter a oportunidade de o demonstrar ao mundo. Foi o caso de Henry. Graças à sua presença na vida de Dale, um verdadeiro milagre teve lugar.
Apesar do livro ser muito mais do que apenas um relato sobre a relação entre Dale e o seu cão, é no fundo a derradeira homenagem a este amigo que teve um papel tão importante na reabilitação de Dale, que anos mais tarde, e segundo as suas próprias palavras pode devolver o favor:
«(...) fui capaz de o ajudar no final, quando precisou de mim. Foi a coisa mais difícil que alguma vez tive de fazer mas, por causa dele, a ideia e a responsabilidade de ser adulto já não me assustam. Decidi que, durante o resto da minha vida, nunca desapontarei o meu maravilhoso cão, para que tenha orgulho de mim, da mesma forma que eu sempre me sentirei orgulhoso dele.»
Também descobri que esta história passou para o pequeno écran, num filme televisivo com o título "After Thomas" (no filme o cão foi rebaptizado de Thomas, o comboio que Dale mais gostava dos seus desenhos animados favoritos "Thomas and friends").
Muito obrigada Melrita pela oportunidade de ler este maravilhoso livrinho!
Quando Jamie e Nuala Gardner escolheram um cachorrinho para o filho Dale, não eram uma família como qualquer outra à procura de um animal de estimação. O autismo de Dale era tão profundo que o mais pequeno desvio à sua rotina podia provocar-lhe um assustador acesso de fúria. A vida familiar fora praticamente devastada pela sua doença e os Gardner passavam a maior parte do tempo a tentar entrar no mundo autista do filho e dar-lhe o auxílio de que ele tanto precisava.
Porém, depois de anos de esforços constantes e progressos lentos, as suas vidas transformaram-se ao acolherem um novo membro na família, Henry, um cachorrinho golden retriever lindíssimo. Os laços criados entre Dale e o seu cão ajudaram finalmente os pais deste menino a atingir o objectivo quase milagroso que tanto haviam procurado e a proporcionar-lhe uma vida preenchida e feliz.
A minha opinião:
Este livro é um precioso relato sobre a luta de uma família contra uma doença e uma sociedade retrógada, afim de conseguirem encaminhar o seu filho autista rumo à sociabilização e a uma vida feliz e perfeitamente integrada numa comunidade.
Todos nós que somos pais sabemos que fariamos qualquer coisa para conseguir salvar o nosso filho, mas apenas alguns de nós, graças a Deus, são postos à prova. Foi o caso destes pais. As suas tentativas de libertar o filho desse mundo fechado que é o autismo, foi uma tarefa árdua e desesperante. Mas, tal como diz o ditado, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura", a sua persistência, o seu carácter batalhador, o seu entendimento superior e o apoio incansável da sua família e amigos, conseguiu o impensável: furar a barreira e penetrar no mundo do filho.
Para essa conquista ter lugar, foi necessária a ajuda preciosa de uma criatura: Henry, um adorável golden retriever que conquistou o coração de todos os que o conheceram.
Todos sabemos que os cães são animais extraordinários, e por vezes há uns que sobressaiem ao ter a oportunidade de o demonstrar ao mundo. Foi o caso de Henry. Graças à sua presença na vida de Dale, um verdadeiro milagre teve lugar.
Apesar do livro ser muito mais do que apenas um relato sobre a relação entre Dale e o seu cão, é no fundo a derradeira homenagem a este amigo que teve um papel tão importante na reabilitação de Dale, que anos mais tarde, e segundo as suas próprias palavras pode devolver o favor:
«(...) fui capaz de o ajudar no final, quando precisou de mim. Foi a coisa mais difícil que alguma vez tive de fazer mas, por causa dele, a ideia e a responsabilidade de ser adulto já não me assustam. Decidi que, durante o resto da minha vida, nunca desapontarei o meu maravilhoso cão, para que tenha orgulho de mim, da mesma forma que eu sempre me sentirei orgulhoso dele.»
Esta história é verídica. Podem consultar o vídeo no youtube.
Muito obrigada Melrita pela oportunidade de ler este maravilhoso livrinho!
"A Rosa Rebelde" de Janet Paisley
Sinopse:
Numa época em que a guerra civil dividia a nação, Anne acreditou que podia bater-se com os melhores guerreiros. Pela espada. Por convicção. Por paixão. A Rosa Rebelde conta-nos a fascinante e turbulenta história de uma notável figura histórica, Lady MacIntosh, que ficou conhecida como coronela Anne. Foi uma heroína das Terras Altas da Escócia, uma encantadora rebelde, uma Braveheart que arriscou tudo, incluindo a sua vida, por amor ao seu país e ao seu rei. Fruto de uma cuidada investigação histórica, e com notável mestria, Janet Paisley criou uma extraordinária história de amor, conflito, lealdade e traição que se lê compulsivamente. Uma sensual aventura histórica, repleta de emoção, protagonizada por uma heroína apaixonada e irresistível.
A minha opinião:
Bem, aqui está um livro que é um autêntico tesouro!
A autora consegue um equilibrio fantástico entre a parte histórica e a parte romanceada. O relato do conturbado período da história da Escócia (que eu desconhecia por completo!) onde a luta contra o domínio inglês tomou demasiadas vítimas, é intercalado com o relato romanceado da vida de Anne Farquarson, a Lady MacIntosh era o símbolo máximo da vontade de independência escocesa. Não hesitou por um segundo de que lado se colocar quando a batalha começou. Contra os ingleses e contra o seu próprio marido!
Adorei ficar a conhecer o espírito escocês, e a mentalidade de um povo que caso não tivesse sido "castrado" pelos ingleses seria hoje, sem dúvida alguma, um dos mais avançados dos nossos dias.
O respeito pelas mulheres, ao invés de as diminuirem (como os ingleses e o resto do mundo naquela altura) era uma coisa extraordinária. Uma mulher era tida sempre em conta, as suas opiniões válidas e uma personalidade rebelde considerada uma mais valia. Onde é que, ainda hoje em dia, este tipo de atitude poderia ser encontrada num homem?
Relativamente à leitura em si, houve algumas partes que me custaram a ler... O maridão só perguntava se eu estava bem disposta. lol Bem, devem imaginar que eram as partes das batalhas, não é?
Mas valeu a pena. Gostei muito deste livro. Foi um bom começo de ano de leituras. :)
Numa época em que a guerra civil dividia a nação, Anne acreditou que podia bater-se com os melhores guerreiros. Pela espada. Por convicção. Por paixão. A Rosa Rebelde conta-nos a fascinante e turbulenta história de uma notável figura histórica, Lady MacIntosh, que ficou conhecida como coronela Anne. Foi uma heroína das Terras Altas da Escócia, uma encantadora rebelde, uma Braveheart que arriscou tudo, incluindo a sua vida, por amor ao seu país e ao seu rei. Fruto de uma cuidada investigação histórica, e com notável mestria, Janet Paisley criou uma extraordinária história de amor, conflito, lealdade e traição que se lê compulsivamente. Uma sensual aventura histórica, repleta de emoção, protagonizada por uma heroína apaixonada e irresistível.
A minha opinião:
Bem, aqui está um livro que é um autêntico tesouro!
A autora consegue um equilibrio fantástico entre a parte histórica e a parte romanceada. O relato do conturbado período da história da Escócia (que eu desconhecia por completo!) onde a luta contra o domínio inglês tomou demasiadas vítimas, é intercalado com o relato romanceado da vida de Anne Farquarson, a Lady MacIntosh era o símbolo máximo da vontade de independência escocesa. Não hesitou por um segundo de que lado se colocar quando a batalha começou. Contra os ingleses e contra o seu próprio marido!
Adorei ficar a conhecer o espírito escocês, e a mentalidade de um povo que caso não tivesse sido "castrado" pelos ingleses seria hoje, sem dúvida alguma, um dos mais avançados dos nossos dias.
O respeito pelas mulheres, ao invés de as diminuirem (como os ingleses e o resto do mundo naquela altura) era uma coisa extraordinária. Uma mulher era tida sempre em conta, as suas opiniões válidas e uma personalidade rebelde considerada uma mais valia. Onde é que, ainda hoje em dia, este tipo de atitude poderia ser encontrada num homem?
Relativamente à leitura em si, houve algumas partes que me custaram a ler... O maridão só perguntava se eu estava bem disposta. lol Bem, devem imaginar que eram as partes das batalhas, não é?
Mas valeu a pena. Gostei muito deste livro. Foi um bom começo de ano de leituras. :)
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