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"Eu, Maria Pia" de Diana de Cadaval (opinião)

E neste dia de chuva, termino mais uma leitura. Enquanto Maria Pia se despede do mundo, as gotas na minha janela, escorrem luminosas, banhadas por este sol tímido que, como esta rainha, ousou brilhar num dia de tempestade.

Gostei imenso de conhecer a penúltima rainha de Portugal. Assumindo a coroa com apenas 15 anos, aquando do seu casamento com D. Luís I de Portugal, Maria Pia de Sabóia ficou conhecida como O Anjo da Caridade e Mãe dos Pobres. Fundou inúmeros estabelecimentos de solidariedade social e foi uma rainha atenta às necessidades dos mais pobres e das vítimas de catástrofes nacionais, como foi exemplo as cheias de 1876 ou o calamitoso incêndio do Teatro Baquet, no Porto. Foi igualmente uma mãe extremosa, sendo uma voz ativa na educação dos filhos, coisa que não era propriamente comum nessa época e nos lares mais nobres.

Maria Pia, aos 15 anos.
Mas a par e passo com a sua piedade para com os mais necessitados, Maria Pia era também uma rainha exuberante com a sua toilette e decoração das suas casas. Habituada aos luxos de Turim, não se viu rogada a gastos exagerados, rapidamente criticados, tanto no parlamento como na imprensa. Em resposta chegou a proferir uma frase que ficou na história: "Quem quer rainhaspaga-as!»


No final, após o regicídio dos seus filho e neto (D. Carlos e D. Luís Filipe), esta rainha acabou por sucumbir ao desgosto, dando mostras de um início de demência. O golpe final foi talvez o ter sido votada ao exílio aquando da implantação da república em 1910. Morreu um ano depois, em Piemonte (Itália), expressando o desejo de regressar a Portugal para ser enterrada junto dos seus, o que nunca chegou a acontecer.

Diana de Cadaval, a autora, conseguiu trazer esta rainha à vida, e torná-la real aos nossos olhares de leitores, quer através de correspondência trocada com a sua irmã Maria Clotilde, quer através da sua própria voz, na forma de um diário pessoal. Foi a primeira vez que li algo desta autora e gostei muito.

É um livro que recomendo para quem quer saber um pouco mais sobre a História de Portugal, pois não só retrata muitíssimo bem a sociedade da época, como aborda alguns eventos que nos marcaram enquanto povo português.

Em destaque: "Eu, Maria Pia" de Diana de Cadaval

O destino trágico de uma princesa italiana, rainha de Portugal

Sinopse:
Chegou a minha vez de morrer.
Como último desejo peço que me virem na direcção de Portugal, o país que me encheu de alegria o coração de menina e me tirou tudo o que de mais sagrado tinha quando mulher.
Olhando para trás, reconheço que a minha vida foi marcada pela tragédia. Vi partir uma mãe cedo de mais, morria de doença e de desgosto por um marido que a traía publicamente. Não me consegui despedir do meu pai, enterrei um marido que, com palavras doces e promessas vãs conquistou o meu ingénuo coração e no final me humilhou com as suas traições, um filho em quem depositava todas as esperanças, um neto adorado, e, por fim, a minha querida Clotilde, irmã de sangue e confidente.
Claro que também tive momentos de felicidade. Quando sonhava acordada com Clotilde, deitadas nos jardins do Palácio de Stupigini, com príncipes e casamentos perfeitos, quando cheguei a Lisboa e o povo gritava o meu nome, quando viajava por essa Europa fora de braço dado com Luís, quando brincava no paço com os meus filhos ou quando estendia as mãos para ajudar os mais necessitados, abrindo creches e asilos. Mas mesmo nestas alturas havia quem me apontasse o dedo. Maria Pia a gastadora, a esbanjadora do erário público. A que dava festas majestáticas no paço, a que ia a Paris comprar os tecidos mais caros e as jóias mais exuberantes. Não percebiam eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no meu coração.

Diana de Cadaval traz-nos um retrato impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa italiana feita rainha com apenas catorze anos.

Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi, 48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida. Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a tranquilidade há tanto desejada.

Sobre a autora:
Diana, duquesa de Cadaval,
nasceu em Genebra, na Suíça, e vive atualmente em Portugal, entre o Estoril e Évora. Formou-se em Comunicação Internacional na Universidade Americana de Paris e trabalhou na leiloeira Christie's, em Londres. Tem a seu cargo a atividade cultural do Palácio Cadaval, em Évora, o berço da família ducal há mais de seis séculos.
Da agenda do palácio destaca-se o Festival Évora Clássica - desde 1994, hoje um Festival de Músicas do Mundo -, as mostras anuais de Arte Contemporânea e o Museu e a Igreja, abertos ao público e um dos polos de atração da capital alentejana.
Com o marido, o príncipe Charles-Philippe d'Orléans, duque d'Anjou, Diana de Cadaval tem participado em missões humanitárias na Etiópia, Camboja, Sérvia e Egito.
Publicou com grande sucesso Eu, Maria Pia, em 4.ª edição, Maria Francisca de Saboia, em 2.ª edição, e Mafalda de Saboia, todos com A Esfera dos Livros.

Tirem as dúvidas. E riam-se com a loucura de Alvie Knightly!

Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

Um livro fora de série! Fenomenal. :)

Uma leitura magnífica.

 

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