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"Não nos Roubarão a Esperança" de Júlio Magalhães (Opinião)


Não sou grande fã de Júlio Magalhães, mas a verdade é que desde que li o livro “Um Amor em Tempos de Guerra” e logo a seguir "Longe do meu Coração" tenho perseguido as suas publicações. Agrada-me o facto das suas estórias terem sempre um enquadramento temporal que me apela – a época de Salazar e do pós-revolução.

No entanto, quis-me parecer que neste último romance o autor deu primazia à história romântica em detrimento do contexto histórico, que é na verdade, o que enriquece os seus livros.
Soube-me, por isso, a oco.

O tema, a Guerra Civil Espanhola, e principalmente a participação portuguesa na mesma, é sem dúvida um tema riquíssimo e daria pano para mangas. Achei que foi mal explorado e nem mesmo as histórias pessoais das personagens foram condignamente esmiuçadas, tendo autor optado pela repetição (por exemplo, é referido imensas vezes que a irmã de Pedro e Duarte, Teresa, assumiu o papel da mãe que morreu quando eram novos).

Enfim, pouco mais há a dizer. Apesar de ter sido uma leitura fácil e algo agradável, fica muito aquém do “Longe do meu Coração“ que me encantou. 

Para mais informações espreitar aqui.

"Longe do Meu Coração" de Júlio Magalhães

Júlio Magalhães não é das pessoas que mais gosto de ver na televisão, bem pelo contrário... Acho que embirrei com ele na altura em que fazia o Programa da Manhã (irritava-me a forma como ele "cilindrava" a sua co-apresentadora). Mas nisto dos livros já aprendi que por vezes temos de colocar de lado algumas opiniões pessoais sobre os autores e dar uma hipótese à sua escrita.
Pela insistência de uma amiga minha, dei-lhe a primeira hipótese com "Amor em Tempos de Guerra" e não me arrependi. Não é de todo um daqueles livros que nos tira o fôlego, nem nada que se pareça. Mas são histórias simples, sobre gente simples. Portugueses, que provavelmente passaram pelo mesmo que os nossos pais e avós na altura do Salazar.
Ainda não cheguei a ler o seu primeiro livro (Os Retornados), mas não perdi a oportunidade quando me surgiu a hipótese de ler este "Longe do Meu Coração".
É um tema diferente, mas lá está, também passado nessa mesma época da qual eu tenho tanta curiosidade. Desta vez o autor aborda a emigração dos portugueses para França e foi interessante perceber como as coisas funcionavam naquela época. Sempre ouvi dizer (e já o senti na própria pele) que os portugueses não são muito amados pelos franceses, e após ler este livro compreendo melhor a situação. Gostei da introdução das fotos e da notória investigação levada a cabo pelo autor. Achei que desta vez fez melhor os "T.P.C.". ;)

Quer-me cá parecer que a história da vida de Joaquim, não foi assim tão ficcionada quanto isso. Joaquim não foi apenas uma pessoa que existiu, mas uma série de gente anónima que se desapaixonou por um país que não lhes dava de comer e saiu para vencer noutro país que nunca os reconheceu como seus filhos adoptivos.

Gostei e vou ficar à espera de um novo livro deste autor. :)

Sinopse:

Joaquim não queria acreditar no que os seus olhos viam. Tinha saído a salto de Portugal, viajado apertado em camionetas de gado, andado quilómetros e quilómetros a pé, à chuva e à neve, quase tinha perdido a vida nos Pirenéus e agora estava ali. Na capital portuguesa em França. O sítio onde, todos lhe garantiam, podia enriquecer e concretizar os seus sonhos. Mas o que via era um bairro de lata. Sentia os pés enterrarem-se na lama. Olhava para as barracas miseráveis e para os fardos de palha que faziam as vezes de uma cama. Mas, Joaquim não estava disposto a baixar os braços. Em Longe do meu Coração retrata com mestria e realismo, o quotidiano dos portugueses que partiram em busca de uma vida melhor, sonhando um dia regressar ricos à terra que os viu partir pobres. Para Joaquim, Portugal estava longe. Era ali, em França, na terra que lhe dava de comer, que queria vingar, que prometia, à força do seu trabalho, derrubar fronteiras e preconceitos. O plano estava traçado. Iria abrir uma empresa de construção, com o seu amigo Albano, enriquecer e, depois de ter casa montada com carro com emblema no capô, estacionado à porta, iria pedir a mão da sua Françoise, a professora de Francês que lhe abriu o mundo das letras e do amor. Mas, cedo Joaquim vai descobrir que há barreiras difíceis de ultrapassar.

"Um Amor em Tempos de Guerra" de Júlio Magalhães

Sinopse:
António nasceu marcado pelo nome. O mesmo que o vizinho da rua das traseiras, o homem que se fez doutor em Coimbra e que ia à terra sempre que podia, o tal que governava o país com pulso de ferro. Mas de pouco ou nada lhe valeu tão grande nome quando o destino o enviou para Angola, para defender a pátria em nome de uma guerra distante que não era a sua. Deixou para trás a sua terra, a mãe inconsolável e Amélia, a mulher que pedira em casamento, num banco de pedra, junto à igreja e que prometera fazer dele o homem mais feliz de Vimieiro. Promessa gravada num enxoval imaculado que ficou guardado no armário, à espera do fim daquela maldita guerra. Quando António regressou de Angola, era um homem diferente. Marcado no corpo por anos de guerra e de cativeiro e no coração por um amor impossível que deixara em pleno mato angolano. Regressava para cumprir a promessa que fizera anos antes à sua noiva Amélia, que o julgara morto, e que, em sua memória, tinha enterrado um caixão sem corpo.

A minha opinião:
Foi a primeira vez que li algo escrito por Júlio Magalhães. Confesso que não o tinha em grande conta como escritor. Depois de saber que segundo ele «Todos escrevemos, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro», acreditem que foi difícil dar-lhe uma hipótese. Mas, como o tema em particular me atrai imenso (tenho muita curiosidade sobre a época em que nasci - finais dos anos 60, início dos anos 70) lá me convenci a pegar nesta leitura. E devo dizê-lo, não me arrependi.
É uma história de amor muito bonita, bastante real, e escrita de uma forma simples, quase que como relatada. Aborda o tema da guerra do Ultramar, mas sem se perder em grandes e terríveis relatos sobre os combates além mar. O dramatismo da situação é vivido com seriedade, e acho que o autor conseguiu transmitir os sentimentos das personagens com rigor: a impotência e o desespero da mãe, ao ver o filho partir, as saudades e as dúvidas da noiva, a dor e a angústia de António ao ver a sua vida colocada em pausa, partindo para uma guerra sem sentido.
No fundo tenho de admitir que gostei.
Mas... (há sempre um "mas") acho que se nota a falta de experiência do autor.

Na página 237 podemos ler "O comboio foi abrandando à medida que se aproximava a estação de Santa Comba Dão. «Próxima paragem, estação de Santa Comba Dão.»" - supostamente o anúncio para os que viajavam naquele comboio. Ora a questão é que 1975 não havia esse tipo de anúncio, muito menos num comboio que parava em todas as estações e apeadeiros, como era o caso. Na realidade o sistema de som só começou a ser implementado nos comboios 10 anos depois, 1985 /86.

Outra falha que notei foi a omissão por completo do quão complicado era para uma rapariga ser professora e poder casar, nos tempos de Salazar. Amélia, andava no liceu com o objectivo de ser professora, mas não se coibia de compor o seu enxoval e fazer planos para casar, quando no fundo era exigido à professora primária uma dedicação a tempo inteiro, sendo que para casar, seria necessária uma autorização especial.

Estas duas "falhas" de que me apercebi, são na verdade consistentes com a incapacidade que notei ao longo do livro que o autor demonstra em conseguir se entregar por completo aquela época. Duvido que seja intencional, e por isso atribuo-a à sua "verdura" como autor. (Afinal, não é de todo como escrever uma sms!)
A meu ver os diálogos entre as personagens são demasiado actuais. Isto é, o tipo de conversa não está adequada à época em questão (neste aspecto Tiago Rebelo é um mestre). As personagens entre si conversam como se estivem nos dias de hoje. Por exemplo notei apenas uma vez, salvo erro, em que o filho se dirige à mãe como "senhora minha mãe", embora nessa altura fosse esse o timbre utilizado no tratamento aos progenitores.

Mas isto são apenas pormenores. Quando olhamos para o livro como um todo, acabamos por gostar. Acho que um dia destes também vou experimentar o outro livro dele "Os Retornados" e fico à espera de um novo título, também com curiosidade sobre a sua evolução.

Tirem as dúvidas. E riam-se com a loucura de Alvie Knightly!

Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

Um livro fora de série! Fenomenal. :)

Uma leitura magnífica.

 

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