A escrita de Milena Agus conquista-nos de imediato. Há uma certa leveza na forma como nos conta a história, como se não a afetasse, quase diria um desprendimento, que contrasta com a realidade dos acontecimentos, brutos, por vezes quase chocantes. Não sei se me faço entender. Dei por mim a rir com certas situações, que são deveras hilariantes, e já outras me chocaram um pouco por pensar que antigamente muitas mulheres sofriam horrores só por serem diferentes da "norma". Mas desde que comecei a ler, não consegui parar. Se é essa a magia de Milene que conquistou Valérie Perrin, então entendo-a perfeitamente.
A ação desenrola-se em Itália, numa pequena vila da Sardenha, durante a Segunda Guerra Mundial, e a nossa personagem principal é uma mulher lindíssima apelidada de louca pela família e vizinhos, porque assusta os homens com a sua inteligência e a sua sede por amor.
(...ela não era louca, era uma criatura gerada num momento em que Deus não tinha vontade das mulheres vulgares, feitas em série, e a criara num momento raro de inspiração(...)
Em poucas páginas a narradora consegue contar-nos todo um mundo de acontecimentos, onde a sua avó é rainha e senhora da narrativa. Mas em que ponto é que a vida se confunde e mistura sonhos e realidade?
Esta foi uma belíssima história de amor, com um final surpreendente, que abanou o meu íntimo. Quando cheguei ao fim, apeteceu-me começar a ler novamente do início. Valérie Perrin teve razão. Esta é uma história inspiradora.
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