Opinião: "Uma Noite de Agosto" de Victoria Hislop

Li "A Ilha" em Outubro de 2007. Há quase uma vida atrás! Volvidos quase 15 anos, a autora presenteia-nos com a sequela dessa história. Embora não seja um livro tão rico como o primeiro, é sem dúvida uma história cativante, cheia das paixões e ódios, tão típicos da cultura mediterrânica.

Adorei voltar aquela atmosfera, com aroma a tomilho, conhecer os pais de Sofia (mãe de Alexis, do primeiro livro) e a história dessa família. É um livro perfeito para esta altura do ano, onde o calor já vem apertando e as paisagens maravilhosas de Plaka com Spinalonga ao fundo.

Uma Noite de Agosto celebra a data em que a Colónia de Spinalonga foi encerrada, após a descoberta da cura para a lepra. Foi também nessa noite que ocorreu um crime passional. O que está por trás dessa morte e de que forma irão sobreviver todos os envolvidos, é o relato fascinante desta história dentro da História.

É uma leitura que recomendo. Uma excelente ingressão no universo de Victoria Hislop, para quem não a conhece, e um regresso à leitura desta magnífica autora e ao local onde se desenrola "A Ilha".

P. S. Descobri entretanto que "A Ilha" teve uma mini série televisiva (To nisi). Deixo-vos aqui o trailer: 

Opinião: "O Dicionário das Palavras Perdidas" de Pip Williams

Gostei tanto deste livro que nem sei bem por onde começar a falar dele. Tem tantas camadas, como as de uma cebola, e à medida que as vamos descascando, encontramos pormenores maravilhosos, e uma história que se vai modificando, engrandecendo. Adorei.

A pequena Esme, que conhecemos com a tenra idade de seis anos, é uma ávida devoradora de palavras novas, ou não fosse o seu pai um dos lexicógrafos que trabalha no primeiro Oxford English Dictionary. As palavras giram no seu mundo, e o seu mundo gira à volta de palavras. 

Um dia, Esme encontra uma palavra perdida no chão do Scriptorium (o local onde o trabalho do primeiro dicionário é levado a cabo). É então que começa realmente a maravilhosa história do Dicionário das Palavras Perdidas.

Esme vai crescendo ao longo do livro, e em breve entendemos o que são as Palavras Perdidas. São palavras de Mulheres, a linguagem feminina que se vai perdendo ao longo dos tempos, por serem homens a decidir que palavras são importantes e qual o seu significado. São palavras que deixaram de ser usadas, inclusivé oralmente, ou cujo significado foi deturpado ou considerado obsceno. E muitas ficaram mesmo para trás.

Uma outra camada da cebola, é o movimento Sufragista. A autora consegue incorporar o tema com facilidade, pois acabamos por falar do mesmo problema de fundo - os direitos da mulheres. Embora Esme não se identifique totalmente com as Sufragistas mais extremas, ela concorda com a luta pelo direito ao voto. Porque não deverão ter as mulheres os mesmos direitos que os homens?

Finalmente, o que nos acompanha durante toda a narrativa, a própria vida de Esme. É sem dúvida uma vida algo recatada, à qual ela consegue dar alguma cor. Mas é simultaneamente uma história triste. Os caminhos que ela percorre, as escolhas que acaba por ter de fazer... É uma história linda mas também triste, uma mistura que marca a grande maioria das histórias que não esquecemos.

E realmente, posso dizer com toda a certeza, que esta é uma dessas histórias. Dificilmente esquecerei a doce Esme e o que está por trás do dicionário das palavras perdidas. Adorei.


P.S. Apesar de baseado em factos e personagens reais, a autora explica no final, que Esme, o seu pai e Lizzie, entre mais alguns, são pura ficção. Acima, a fotografia da equipa do Scriptorium, do Sir James A. H. Murray. E sim, há duas mulheres, as filhas do Sir Murray, cujo trabalho no dicionário, tal como o de outras mulheres, só foi muito dificilmente reconhecido. 

Em destaque: "O Segredo Da Livraria De Paris" de Lily Graham

Uma encantadora livraria parisiense esconde um segredo trágico capaz de destruir uma família…

Sinopse:

Valerie tinha apenas 3 anos quando viu Paris pela última vez. Perante os horrores da Segunda Guerra Mundial e das perseguições nazis, foi enviada pelo avô para Inglaterra com um familiar, para longe do único lar que alguma vez conheceu. Duas décadas após o final da guerra, Valerie, já adulta e praticamente sozinha no mundo, está determinada a regressar a Paris e perceber o que aconteceu com os seus pais.

Ao saber através de um amigo que a livraria do avô está à procura de contratar alguém, Valerie responde ao anúncio e, dando um nome falso, trava conhecimento com o taciturno e rabugento Vincent, que não a reconhece. E é aí que, entre livros e a sombra de um passado com feridas difíceis de sarar, Valerie fica a conhecer a trágica história de uma Paris ocupada pelos nazis, de um amor proibido e de uma mãe disposta a sacrificar tudo pela sua filha.

Os elogios da crítica:

«Aviso: este livro vai fazê-lo chorar. Uma das histórias mais comoventes que já li.» — The Book Trail


Sobre a autora:

Lily Graham cresceu na África do Sul e foi jornalista durante vários anos. É autora de sete romances, incluindo The Paris SecretThe Island Villa, e O Bebé de Auschwitz, cujos direitos de tradução já foram vendidos para seis países. Lily vive atualmente no sudeste de Inglaterra.

Opinião: "Três Mulheres no Beiral" de Susana Piedade

Foi o primeiro contacto que tive com a escrita desta autora, e posso desde já acrescentar que muito me agradou, pelo que nos próximos tempos deverão ver este nome repetido aqui no blog.

A história reflecte a triste realidade dos nossos dias: a exacerbada especulação imobiliária nos bairros típicos das nossas cidades, neste caso, da cidade do Porto, e até onde estão dispostos a ir, esses especuladores, cujo dinheiro é o único objetivo.

A autora aborda o caso de uma família, levando-nos a pensar nas relações familiares que tantas vezes se vão deteriorando com o passar dos anos, consequência de situações mal resolvidas, equívocos, mágoas. O afastamento natural dos membros de uma família tem de ser contrariado. É preciso ser pro-ativo. É a única solução para que os laços não se desfaçam. 

E depois, como consequência dos dois temas acima descritos, a autora aborda igualmente a solução final para a grande maioria dos velhos portugueses: os lares. Os maus e os menos maus, porque para aqueles que para lá se mudam, raramente são bons. É infelizmente uma triste realidade. O que fazer com os nossos idosos? Como lhe providenciar os melhores cuidados? Com um trabalho que não podemos abandonar, e com escassos trocos de reforma, como pensar sequer noutra solução? É triste, muito triste esta realidade portuguesa.

Com uma escrita delicada e com uma construção de personagens extraordinária, "Três Mulheres no Beiral" é um livro que nos faz pensar e sentir sobre, ao fim e ao cabo, o significado de uma vida. O que resta, quando ela termina. O que fica, depois do adeus. Gostei imenso. Tenho de ler mais livros desta autora. 

Em destaque: " Uma Noite de Agosto de Victoria Hislop

Finalmente, a continuação do livro A Ilha!

Sinopse:

Vinte e cinco de agosto de 1957. Por fim, uma cura foi encontrada e a ilha de Spinalonga fecha a colónia de leprosos. Para muitos, como Maria Petrakis, esta é uma ocasião de júbilo. Para outros tantos, como a sua irmã Anna, o momento é de angústia. Anna está casada com Andreas Vandoulakis, mas mantém uma relação com Manolis, primo do marido e antigo noivo da irmã, que deixou Maria quando esta foi diagnosticada com lepra. Agora, Anna teme que Maria queira Manolis de volta. Mas, antes disso, Andreas descobre que foi traído, e um momento de violência tem consequências devastadoras para todos, marcando-os de forma trágica.
No rescaldo da rutura das duas famílias, a questão de como retomar a normalidade torna-se premente. O estigma e o escândalo precisam de ser enfrentados e, de alguma forma, os atingidos terão de aprender a construir um futuro diferente sobre as ruínas do passado.
Victoria Hislop responde finalmente aos pedidos de milhares de leitores ansiosos por saberem que rumo levaram as vidas dos sobreviventes daquela inesquecível noite de agosto...

Críticas da Imprensa:

A envolvência das ilhas gregas perpassa este romance dramático, cativante e aprazível. Daily Mail
Um romance imersivo e arrebatador. The Mail on Sunday
Uma história dramática de amor, traição e lealdades… Hislop evoca lindamente a Grécia. Woman & Home
O amor de Hislop pela Grécia brilha através desta narrativa maravilhosamente descritiva e convincente. Sunday Express
Uma carta de amor à Grécia. The Sunday Mirror
Com esta saga familiar, narrada de forma brilhante, Hislop mergulha habilmente na complexa história de um país fascinante. The Daily Mirror
Atraente e emocionante. Woman's Weekly
Um regresso à Grécia fictícia de Hislop, com aroma a tomilho e banhada pelas águas do Egeu. The Sunday Times
Sobre a autora:
Victoria Hislop é escritora e jornalista. Escreve sobre viagens para o The Sunday Telegraph, sobre educação para o Daily Telegraph e diversos artigos generalistas para a Woman & Home. Atualmente, vive em Kent com a família. Depois de publicar o seu primeiro romance, A Ilha, reeditado em 2022, foi aclamada pela crítica e acarinhada por milhares de leitores.
Na Porto Editora, publicou igualmente Hotel Sunrise e Quem é amado nunca morre, a que se junta agora Uma Noite de Agosto.

Veja aqui a apresentação deste livro pela própria Victoria Hislop:


Opinião: "Marion" de Wendy Holden

Este livro foi uma verdadeira surpresa. Baseado em factos e relatos reais, a história de Marion Crawford, a perceptora das princesas, esteve escondida do mundo durante muito tempo. Wendy Holden decidiu trazê-la a lume agora, por altura do jubileu da Rainha. E que melhor forma para o festejar senão ficando a conhecer um pouco mais desta mulher incrível, a Rainha Isabel II, quando era apenas uma criança e jovem adolescente.

Adorei a leitura. Diverti-me imenso com a pequena Lilibet e a sua pequena e travessa irmã Margarida. Marion Crawford não teve de todo um trabalho facilitado, pois as princesas viviam completamente arredadas da vida real. Um dos seus principais objetivos foi trazer a realidade para as suas jovens vidas, levando-as a passear pela cidade de Londres, mostrando-lhes a dureza da vida dos seus compatriotas mais pobres.
Se essa tentativa teve ou não alguma influência na personalidade da rainha, não sabemos ao certo, mas abriu-lhe com certeza os olhos para a vida.

É um livro muito interessante, com o qual aprendi imenso. Recomendo, sem hesitações. Principalmente para os fãs das histórias de famílias reais. 

Deixo-vos com algumas fotografias das princesas e dos seus pais.




Em destaque: "Onde me leva o coração" de Sarah Ferguson - Duquesa de York

Romance histórico de SARAH FERGUSON, Duquesa de York, uma das personalidades mais reconhecidas da família real britânica.

Uma história de coragem, amor e liberdade, inspirada na família da Duquesa de York

Sinopse:

Londres, 1865. Na tentativa de se rebelar contra uma sociedade que espera das mulheres uma submissão conformada, a indomável Lady Margaret Montagu Douglas Scott decide escapar dos grilhões que a aprisionam, fugindo de um casamento forçado com um homem que despreza. Os olhares públicos, no entanto, não perdoarão essa escandalosa demonstração de desobediência, especialmente vinda da filha do duque e da duquesa de Buccleuch, próximos da rainha, e Margaret é afastada do luxo e conforto da vida na alta sociedade.

Encontrando a força necessária num grupo de espíritos rebeldes como ela, entre os quais a princesa Louise, lha da Rainha Vitória, Margaret embarca numa viagem de autodescoberta que, dos salões nobres da corte vitoriana, a levará à Irlanda, à América e de regresso ao Reino Unido, em busca da vida, do amor e da liberdade que, contra todas as expetativas e dificuldades, sempre sentiu merecer.

Os elogios da crítica:

«Os fãs de Downton Abbey irão maravilhar-se com este livro, que torna vívidas as intrigas e o requinte aristocrático do século XIX.» — Kirkus Reviews

«Uma história de coragem e determinação, tendo como pano de fundo o charme e as duras restrições da aristocracia britânica de meados do século XIX.» — Sir Julian Fellowes, criador de Downton Abbey

Sobre a autora:

Sarah Ferguson é duquesa de York e ex-nora de Isabel II, rainha do Reino Unido.
É também autora bestseller de livros infantis e de memórias, e produtora cinematográfica.
Atualmente, tem trabalhado na Children in Crisis, uma organização sem fins lucrativos fundada por si, que visa melhorar a vida de crianças e mulheres de origens desfavorecidas, e em produções acerca da época vitoriana, um dos seus maiores interesses.




Em destaque: "O Coração dos Homens" de Hugo Gonçalves

Sinopse:

Um grupo de rapazes cresce numa Cidade-Estado de onde se expulsaram as mulheres e onde o pugilismo foi elevado a desporto nacional. Reféns da violência e da carnalidade, de que matéria podem ser feitos os homens, enquanto vítimas e carrascos da tirania?

Esta é a história de um grupo de amigos que cresce numa Cidade-Estado exclusivamente masculina, no rescaldo de uma época em que foram expulsas todas as mulheres e apagada a memória da sua existência. No país d’O coração dos homens, o pugilismo foi elevado a desporto nacional, glorificando a força física e apontando o dedo às emoções, meros sinais de fraqueza de espírito.

Expurgados até do nome próprio, os protagonistas deste romance deixam o leitor à mercê do combate das palavras: Ele, Mau e Grande são homens à solta, lutadores impiedosos e temerários, ligados por esse fio tão mal compreendido que é a lealdade masculina. Passam os dias em busca do perigo, a testar limites, envolvidos em rixas de rua e lutas interiores.

Até que chega o dia em que têm de crescer, enfrentar a outra face do mundo — as mulheres —, e se confrontam com a brutalidade da sua própria natureza: estão subjugados pelos impulsos da carne, presos numa imensa solidão e no corpo como único instrumento de prazer. São vítimas e carrascos de um regime tirânico.

O Coração dos Homens é um livro descarnado e poderoso, que põe a nu os perigos do delírio ideológico e a vulnerabilidade da natureza humana.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Este livro é, sem dúvida, sobre o pesadelo que representa um Estado totalitário, mas, na realidade, espelha os problemas e as falhas que existem na vida de todos os dias. Ele, Mau, Grande e seus comparsas podem ser quaisquer outros rapazes urbanos, à solta num mundo estéril e sombrio, sem horizontes, sem futuro. […] O Coração dos Homens, com a sua escrita acutilante, marcado ao ritmo dos golpes num combate letal, representa um sério aviso que não deve ser ignorado.»
Helena Vasconcelos, Público

Sobre o autor:
Hugo Gonçalves (1976) é autor de vários romances, entre eles Filho da Mãe, finalista dos prémios PEN Clube e Fernando Namora, e Deus Pátria Família. Coautor e guionista das séries televisivas País Irmão e Até que a vida nos separe, foi correspondente de diversas publicações portuguesas em Nova Iorque, Madrid e Rio de Janeiro, cidade onde trabalhou como editor literário. Jornalista premiado, colaborou com: ExpressoVisãoJornal de NotíciasDiário EconómicoSábado. No Diário de Notícias, assinou as crónicas Postais dos Trópicos e Máquina de

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