Opinião: "Deus Pátria Família" de Hugo Gonçalves

Deus Pátria Família - os princípios conservadores autoritários em que Salazar baseou o seu Estado Novo. servem de título a este livro. Habilmente, Hugo Gonçalves explora esse mote e desfá-lo numa história fenomenal
. Deus, pela mão de um serial killer que anda a matar jovens mulheres, transformando-as em "Santas"; Pátria, o pano de fundo instável, onde toda a ação se desenrola, a realidade alternativa ao Estado Novo de Salazar; Família, por tudo o que diz respeito às famílias das personagens principais, cujo jugo todas elas carregam. Fenomenal, digo-vos eu. Este têm mesmo de o ler!

Foi uma leitura algo densa, com muita coisa a acontecer. Fiquei com a sensação que este livro dava bem para dois livros. O primeiro, a história do tal serial killer, e da realidade alternativa de Portugal nos anos 40. O segundo, um desenvolvimento da personagem de Paixão Leal. E talvez até pudéssemos falar de um terceiro, já que algumas personagens ficam com o destino em aberto. Mas acreditem, está bem imaginado e belissimamente organizado. Já para não falar da pesquisa que o autor deverá tido que fazer. Pois par alterar uma realidade, é necessário conhecê-la muito bem.

Por falar nessa realidade alternativa... fiquei deveras surpreendida. E fez-me pensar bastante. É um tema que dá para grandes conversas. Mal posso esperar pelas férias à beira da piscina.
É um livro completo, bem estruturado, bem escrito, que agradará a variadíssimos tipos de leitores.
Recomendo sem hesitações. 

P.S. Adoro a capa.

Opinião: "Deste Silêncio em Mim" de Rui Conceição Silva

Dos três livros que já li deste autor, "Deste Silêncio em Mim" é capaz de ser o mais intimista. Não sei se a história se baseia na vida de alguém próximo do autor, quiçá o próprio, mas tem de certeza muitos pedaços de verdade. É que ao ler esta história somos arrastados para um tempo e um lugar, que só com conhecimento de causa se poderia descrever assim, com tanta alma, com tanto amor.

E é isso que me leva a ler Rui Conceição Silva. Os seus livros têm a nostalgia dos tempos idos, a voz das crianças de que todos fomos, e a saudade de um tempo sem fim.

Simultaneamente, o autor consegue abordar temas tão característicos da vivência portuguesa da segunda metade do século passado, o analfabetismo de quem trabalha os campos, sem necessidade de dar cor às letras, a simplicidade da vida, a pobreza extrema da gente que vive da terra, a imigração para as grandes cidades e a consequente desertificação do interior.

Está lá tudo. A história de uma família de pastores, pobre e humilde, e de um dos seus filhos que decidiu seguir o conselho do avó e procurar outras paragens. É também a história do homem que venceu na cidade, mas soube regressar à sua montanha em busca do perdão e encontrou uma vida mais simples e mais feliz.

A escrita de Rui Conceição Silva é uma delícia. Cada frase quase um poema. As suas personagens são infinitas. Dificilmente as esquecerei. Este é um livro que recomendo para uma leitura calma, num ambiente bucólico, com os pássaros a cantar e a ouvir o vento nas árvores.

Parabéns, Rui. Mais uma excelente obra!

P.S. Não posso deixar de mencionar a editora Visgarolho, da qual esta é a sua primeira publicação, e dar os meus parabéns pela excelência do seu trabalho. 

Em destaque: "A Biblioteca de Paris" de Janet Skeslien Charles

«Uma carta de amor a Paris, ao poder dos livros e à beleza da amizade.» Booklist

Sinopse:

Paris, 1939. A jovem Odile Souchet tem tudo: um bonito namorado polícia e um emprego de sonho na Biblioteca Americana em Paris. No entanto, quando a guerra estoura e os nazis marcham sobre a cidade, Odile corre o risco de perder tudo o que é importante para ela, incluindo a sua amada biblioteca. Porque os livros contêm palavras proibidas e ideias que devem ser destruídas, sabe que, nos momentos difíceis, os templos da cultura estão em perigo.

Odile não pode permitir que isso aconteça: ela deve salvar essas páginas, para que possam alimentar a mente de quem chegar depois. Com os seus companheiros, junta-se à Resistência com as melhores armas que possui: os livros. Coloca o centro à disposição dos judeus: expulsos das suas casas, sentem-se seguros entre os livros, e Odile defendê-los-á, custe o que custar. Contudo, quando a guerra, finalmente, termina, em vez da liberdade, Odile sente o gosto amargo de uma indescritível traição.

Montana, 1983: Lily é uma adolescente solitária em busca de aventura. A sua velha vizinha solitária desperta-lhe o interesse. Conforme Lily vai sabendo mais sobre o passado misterioso da vizinha, descobre que partilham o amor pela linguagem, os mesmos anseios e o mesmo ciúme intenso, sem suspeitar que um obscuro segredo do passado as liga.

Baseada na verdadeira saga dos heróicos bibliotecários da Biblioteca Americana em Paris durante a Segunda Guerra Mundial, esta é uma inesquecível história de amor, amizade, família e sobre o poder da literatura para nos unir. A Biblioteca de Paris mostra que o heroísmo extraordinário pode, por vezes, ser encontrado nos lugares mais silenciosos.


Sobre a autora:
Janet Skeslien Charles é a autora premiada de Moonlight in Odessa, que foi traduzido para dez idiomas. Tem também publicados pequenos textos em revistas como a Slice e a Montana Noir. Janet começou a interessar-se pela incrível história real dos bibliotecários que enfrentaram o «protector do livro» nazi quando trabalhava como gerente de um programa na Biblioteca Americana em Paris. O seu romance A Biblioteca de Paris será publicado em trinta países. Divide o seu tempo entre Montana e Paris.

Opinião: "Instinto" de Ashley Audrain

Ok. Já muito foi escrito sobre este livro. A maioria gostou. Alguns acharam-no medíocre quando comparado com um outro de história semelhante. Eu, simplesmente, adorei. Já há muito tempo que não lia um thriller assim tão envolvente, tão cativante, tão surpreendente. Quando terminei a leitura fiquei possessa. Queria mais. Queria continuar a ler. Não queria que acabasse. É assim tão bom, acreditem.

A história é contada na primeira pessoa, a voz da mãe. É por isso tão fácil colocarmo-nos no seu lugar, e imaginar se aquilo nos acontecesse a nós. Passo a explicar, para quem não faz ideia do que estou a falar, sem spoilers.

Blythe torna-se mãe com o nascimento da sua filha Violet. Mas embora seja mãe de primeira viagem, ela sente que algo não está bem. Durante os meses que passam, Blythe vai ficando cada vez mais convencida que não só não existe um vínculo entre mãe e filha, como Violet não é uma criança normal. Violet é uma sociopata. E mais não posso dizer, para não estragar a leitura a quem quiser ler este livro.

É mesmo uma leitura muito forte, preparem-se para perder umas boas horas agarradas ao livro sem o conseguir largar. A autora sabe puxar todos os cordelinhos, mantém o suspense ao longo da história, brinca com o leitor, surpreende-o, choca-o, chocalha-o e depois larga-o à deriva. Quero ver este livro no cinema! E quero mais livros desta autora. Acreditam que este é o seu primeiro livro!!?!?!?

Recomendo. Recomendo. Recomendo.

Apetece-me voltar a lê-lo.

Link para a sinopse.


Opinião: "O Que Dizer das Flores" de Maria Isaac

Li o primeiro livro de Maria Isaac com grande prazer. "Onde Cantam os Grilos" foi uma lufada de ar fresco, tanto na prosa como no conteúdo, tão português e genuíno. Obviamente, quando surgiu este novo livro, soube que tinha de o ler.

Apesar de haver algumas similaridades com o primeiro livro, este não me conquistou da mesma forma. Talvez por falta de uma personagem principal que me agarrasse como o Formiga agarrou. Inicialmente até pensei que Catalina fosse o "Formiga" deste livro, mas não. Não sei. Faltou ali qualquer coisa. Ou talvez a minha expectativa fosse demasiado alta. 

A história, no entanto, está bem construída, mantendo o leitor preso ao desenrolar da vida na vila de Mont-o-Ver. As personagens, muito verosímeis, parecem ter sido retiradas de um qualquer vilarejo português. Será que alguém se reverá nesta história?

Apreciei o facto da autora ter demonstrado como é uma vila portuguesa a caminho da desertificação. A partir do momento que a autoestrada lhe passa ao lado, retirando o potencial visitante que viesse por uma nacional, Mont-o-Ver vai perdendo não só habitantes, como algumas infraestruturas importantes que desaparecem por falta de gente. É um retrato fiel do interior do país.

Entretanto, a riqueza de qualquer lugar está na gente que o habita. E assim acontece também em Mont-o-Ver. Cada personagem tem a sua história, que se intercala na dos outros, e tal como acontece numa vila a sério, todos estão ligados. Para além disso, existiu há uns anos, um acontecimento que os uniu mais do que o normal. Um incêndio na igreja, onde morreu uma pessoa, que ainda esconde alguns segredos, e cuja revelação vai afetar a vida de alguns. Este é o mistério do livro e à roda do qual tudo gira.

A escrita da autora mantém-se inalterada, perfeita como no primeiro livro. Só tenho pena de não me ter apaixonado por este livro como pelo primeiro. Mas continuo fã da autora e à espera de mais.


Em destaque: "Deste Silêncio Em Mim" de Rui Conceição Silva

Quantos silêncios e quantos sonhos cabem no peito de um homem?

Sinopse:
Nascido para ser pastor, Rodrigo viveu a infância com os seus pais e irmãos numa velha cabana isolada na montanha, tendo desde cedo aprendido o silêncio, bem como a dor e a saudade, pela morte do irmão mais velho na guerra do ultramar. Os seus melhores dias foram passados na montanha com o avô Josué, a quem chamavam Celtibero, e na escola primária, onde conheceu os primeiros amigos e se deixou enfeitiçar por uma moira encantada. Rodrigo sonhava para si uma vida diferente, o avô incentivava-o a contrariar um destino que parecia certo, incitava-o a partir e correr mundo. Ouviu palavras idênticas a um homem que apareceu na montanha a tocar um tambor para os ancestrais.  Um homem que se viria a revelar primordial na sua vida, quando dilacerado pela angústia de ter de tomar uma decisão, foge de casa para viver na cidade grande, sem nunca mais dar notícias à família. Num mundo de cimento e rostos fechados, Rodrigo aprende que a solidão pode estar em todos os lugares, ainda que rodeado de gente. É salvo pelo amor que encontrou junto da rapariga que guardava no seu coração desde a infância. Volta à sua montanha, muitos anos depois, aquando da morte da sua mãe.  Voltará a tempo do tão desejado perdão? Saberá a sua montanha dar-lhe a paz que tanto procurou?   Num tom poético e intimista, este é um romance com personagens inesquecíveis, que nos fala diretamente à criança que já todos fomos, relembrando-nos verdades simples e preciosas.

Sobre o autor:
Rui Conceição Silva nasceu em 1963, em Figueiró dos Vinhos, onde reside.
É casado, tem dois filhos e dois netos, que fazem dele uma das pessoas mais ricas do mundo. Apesar de ter vivido em grandes cidades, é na sua terra que se sente completo. No convívio com a natureza e com as pessoas das aldeias e das pequenas vilas em redor encontra a inspiração para os seus livros.
Reformado da banca, sobram-lhe finalmente horas para os seus prazeres maiores: ler, escrever, ouvir o chilrear dos pássaros, sofrer com jogos da bola e saborear um bom prato de bacalhau.
A criança que esconde no peito acredita que os livros são coisas vivas. Que, quando a noite cai, falam uns com os outros nas bibliotecas, contando histórias de nós, os simples mortais. Afinal, a vida é um livro em aberto, onde acontecem muitas das palavras do mundo.

Deste Silêncio em Mim é o seu terceiro romance, depois de Quando o Sol Brilha (2015) e Dei o Teu Nome às Estrelas (2018).

Opinião: "A Filha do Irlandês" de V. S. Alexander

Com uma capa tão maravilhosa, um título convidativo para quem adora a Irlanda, e um tema tão interessante como o que é prometido na sinopse... Como poderia eu resistir a esta leitura?
Para além do mais, adoro este autor. V. S. Alexander é um fervoroso estudioso de história, e os seus livros bem o refletem: A Provadora, Traição e agora A Filha do Irlandês. 

E de facto, deliciei-me com este livro. Aborda um tema um pouco "esquecido" da História: os anos da Fome da Batata na Irlanda, também conhecidos pela Grande Fome, entre 1845 e 1849. Foram anos terríveis para a população irlandesa. Julga-se terem perecido cerca de um milhão de habitantes (cerca de 20% da população), enquanto outro milhão emigrou para fugir à fome, principalmente para E.U.A. e Canadá. Apesar de ter afetado toda a Europa, este fungo que atacava as batatas foi mais intensamente sentido na Irlanda, pois era esse o seu principal alimento.´


Neste livro ficamos a conhecer a família Walsh, um pai viúvo e as suas duas filhas. São habitantes do condado de Mayo, onde Brian, o pai, é o feitor de Lear House, a herdade de irresponsável e intragável Sir Thomas Blakely. Quando a praga da batata começa a destruir as colheitas, a fome instala-se, e tudo começa a ruir. Após algum tempo, e diversos acontecimentos, há a partida das duas irmãs para a América, e aí inicia-se uma segunda parte do livro, abordando então a migração irlandesa em massa para os Estados Unidos da América e os efeitos que a mesma teve no país de destino, tanto para os que chegavam como para os que já lá estavam.

Foi uma leitura muito interessante, apesar de por vezes ser dura. Mas é assim. A realidade é dura. E só assim aprendemos sobre o passado, que tantas vezes se repete.
Recomendo!

Em destaque: "Deus Pátria Família" de Hugo Gonçalves

Sinopse:

Lisboa, 1940
Uma mulher é encontrada morta no santuário do Cabo Espichel, envolta num manto branco, com um rosário entre os dedos. Os peregrinos confundem-na com uma aparição de Nossa Senhora. Os detetives encarregados do caso não vão em delírios, mas também não imaginam que aquele é apenas o primeiro homicídio.

Vivem-se tempos estranhos: os tanques alemães avançam Europa fora e a bandeira nazi é içada na torre Eiffel. A Lisboa chegam milhares de estrangeiros e refugiados judeus, que escolhem a capital portuguesa como abrigo temporário ou porta de saída para uma vida sem medo.

As vítimas vão-se sucedendo: todos os meses, aparece mais uma mulher morta, numa sucessão de crimes de matizes religiosos. A Polícia de Investigação Criminal entrega o caso a Luís Paixão Leal, ex-pugilista de memória prodigiosa, com um olho de vidro e um passado misterioso em Nova Iorque. O detetive, que vê na justiça uma missão de vida, empenha-se em descobrir o culpado.

Até que, numa manhã de domingo, tudo muda: um golpe violento afasta Salazar do poder e sacode o xadrez político do país. Portugal abandona a neutralidade na guerra e alinha-se com as forças do Eixo. Nas ruas da capital, começa o cerco aos refugiados judeus e ecoam as tenebrosas memórias das perseguições da Inquisição.

Com a reviravolta política, Paixão Leal vê-se no centro de uma conspiração ao mais alto nível. O detetive, que vive com uma judia alemã e os seus dois filhos, sente a ameaça a bater-lhe à porta. Num mundo à beira do colapso, pagará um preço caso insista em desvendar a verdade.

Dos loucos anos 1920 nos Estados Unidos à convulsa década de 1940 em Portugal, chega-nos uma versão alternativa do nosso passado, com ecos no presente, porque basta uma única reviravolta para mudar o rumo de um país e assombrar milhares de vidas. Entrelaçando um mistério policial com uma saga familiar, Deus Pátria Família é um romance magnético do autor finalista dos Prémios PEN Clube e Fernando Namora.

Sobre o autor:
Hugo Gonçalves (1976) é autor de vários romances, entre eles Filho da mãe (Companhia das Letras, 2019), finalista dos prémios PEN Clube e Fernando Namora. Coautor e guionista das séries televisivas País Irmão e Até que a vida nos separe (RTP), foi correspondente de diversas publicações portuguesas em Nova Iorque, Madrid e Rio de Janeiro, cidade onde trabalhou como editor literário. Jornalista premiado, colaborou com: ExpressoVisãoJornal de NotíciasDiário EconómicoSábado. No Diário de Notícias, assinou as crónicas Postais dos Trópicos e Máquina de escrever.


ALGUNS DOS TÍTULOS QUE MAIS ME AGRADARAM NOS ÚLTIMOS TEMPOS

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Um dos melhores do ano!

Os Testamentos - a sequela de A História de uma Serva

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Leu o livro? Viu a série? O que espera para ler a sequela? Um final surpreendente para Gilead, e uma obra incrível vencedora bem merecida do Booker Prize.

Uma leitura obrigatória!

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“Moyes dá vida a um pedaço da história muitas vezes esquecido. (…) Uma carta de amor ao poder dos livros e da amizade.” Kirkus Review

Uma leitura imprescindível!

Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

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