Opinião: "Ambos Temos Segredos" de Emma Robinson

Apesar da bela capa, do título e da sinopse, este livro não me encheu as medidas. Por acaso, até me desiludiu bastante.

Inicialmente cativou-me, com a promessa de um segredo misterioso que poderia abalar um casamento, mas depois afinal, já eram dois a ter segredos, e depois três, e finalmente quatro, enfim...pareceu-me tudo um bocado confuso. Demasiado forçado.

Depois, quase no final, as coisas até se encaminharam para um assunto interessante, mas já era tarde demais.

Não é uma leitura que recomende vivamente. Só se quiserem usá-la como limpa-palato entre livros mais sérios.  

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Opinião: "Um Instante de Amor" de Milena Agus

Este livro chamou-me a atenção por ser, segundo a publicidade do mesmo, "o livro que despertou em Valérie Perrin o desejo de se tornar escritora". Ora, gostando eu tanto dessa autora não podia deixar de o ler, certo? Certo!

A escrita de Milena Agus conquista-nos de imediato. Há uma certa leveza na forma como nos conta a história, como se não a afetasse, quase diria um desprendimento, que contrasta com a realidade dos acontecimentos, brutos, por vezes quase chocantes. Não sei se me faço entender. Dei por mim a rir com certas situações, que são deveras hilariantes, e já outras me chocaram um pouco por pensar que antigamente muitas mulheres sofriam horrores só por serem diferentes da "norma". Mas desde que comecei a ler, não consegui parar. Se é essa a magia de Milene que conquistou Valérie Perrin, então entendo-a perfeitamente.

A ação desenrola-se em Itália, numa pequena vila da Sardenha, durante a Segunda Guerra Mundial, e a nossa personagem principal é uma mulher lindíssima apelidada de louca pela família e vizinhos, porque assusta os homens com a sua inteligência e a sua sede por amor. 

(...ela não era louca, era uma criatura gerada num momento em que Deus não tinha vontade das mulheres vulgares, feitas em série, e a criara num momento raro de inspiração(...)

Em poucas páginas a narradora consegue contar-nos todo um mundo de acontecimentos, onde a sua avó é rainha e senhora da narrativa. Mas em que ponto é que a vida se confunde e mistura sonhos e realidade?

Esta foi uma belíssima história de amor, com um final surpreendente, que abanou o meu íntimo. Quando cheguei ao fim, apeteceu-me começar a ler novamente do início. Valérie Perrin teve razão. Esta é uma história inspiradora.

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Opinião: "A Filha Perfeita" de Lucinda Berry

Gostei imenso deste livro, mas, confesso, o final deixou muito a desejar.

A história em si não é original. Há uns tempos li um livro que abordava o mesmo tema, só que naquele caso a criança era filha biológica do casal, o que tornou tudo mais complexo. ("O Instinto" de Ashley Audrain). Também já ouvi falar do livro "Temos de Falar sobre o Kevin" de Lionel Shriver, que aborda o mesmo assunto e que, aparentemente, é muitíssimo bom, mas ainda não o consegui arranjar para ler. 

Mas, regressando a este "A Filha Perfeita" de Lucinda Berry que, já agora, tem uma capa lindíssima, foi uma leitura que me prendeu verdadeiramente. Quase conseguia ver as cenas a decorrerem na minha mente como se estivessem numa sala de cinema! Isto, parecendo que não, diz muito sobre a escrita de um autor. Se nos provoca este efeito é porque sabe descrever uma cena muitíssimo bem, e captar a atenção do leitor para a ação que se desenrola. Só por isso, este livro mereceria as minha 5 estrelas. 

No entanto, como disse no início, o desfecho fez-me sentir que não houve realmente um desfecho. Será que a autora pensa em escrever uma continuação deste livro? É que para mim, só assim este final faria sentido.

Convido-vos a lerem a sinopse para perceberem melhor do que falo.

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Opinião: "Telhados de Vidro" de Rute Lourenço

Ando um bocado de pé atrás com esta nova leva de autores portugueses. Se bem que, por um lado fico contente por ver que os livros publicados em Portugal contemplam cada vez mais autores portugueses, por outro, já comecei a ler um ou dois que desisti após poucas páginas pela falta de qualidade ou interesse. Foi por isso que fiquei agradavelmente surpreendida quando comecei a ler este livro, empréstimo de um amigo que mo recomendou.

O tipo de escrita de Rute Lourenço cativa e impulsiona o leitor a querer ler mais. O seu trabalho como jornalista (editora na revista Vidas do Correio da Manhã, e mais recentemente freelancer para a Flash e TV Guia) proporcionou-lhe, sem dúvida, um conhecimento mais profundo sobre as vidas dos famosos, o chão perfeito de onde pode brotar esta história.

A trama passa-se em Portugal, os protagonistas são vedetas da televisão, e o tema de fundo é algo a que não se pode fugir nos dias que passam, principalmente após o movimento #MeToo que deflagrou nos últimos anos por todo o mundo.

A violência doméstica é um assunto que, infelizmente, ainda hoje em Portugal se aborda com uma banalidade gritante. E a forma como a sociedade continua a compactuar com a isenção de culpa, ou até mesmo, aplaude pelo mea culpa em vez de condenar os culpados, é absurda. Este livro é, por isso, mais uma chamada de atenção, uma bandeira de aviso para aqueles que continuam a achar que podem e, de facto fogem impunes.

Adorei esta leitura. Apaixonei-me pela personagem principal e por outras secundárias, todas muitíssimo bem exploradas e desenvolvidas. Os meus parabéns à autora pela forma como abordou os diversos temas, e como os entrelaçou na história, sem no entanto lhes tirar importância.

Recomendo esta leitura a todas as mulheres, gostem ou não das coscuvilhices das revistas cor-de-rosa. Acreditem que, apesar de ser ficção, vai levar-vos a pensar nas vidas daqueles que habitam na caixinha que mudou o mundo e que visitam as vossas casas praticamente todos os dias. E, quem sabe, não vos levará a imaginar em quem a autora se inspirou para criar estas personagens.

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Podem ler aqui a sinopse do livro e mais informações sobre a autora.