Opinião: "Telhados de Vidro" de Rute Lourenço

Ando um bocado de pé atrás com esta nova leva de autores portugueses. Se bem que, por um lado fico contente por ver que os livros publicados em Portugal contemplam cada vez mais autores portugueses, por outro, já comecei a ler um ou dois que desisti após poucas páginas pela falta de qualidade ou interesse. Foi por isso que fiquei agradavelmente surpreendida quando comecei a ler este livro, empréstimo de um amigo que mo recomendou.

O tipo de escrita de Rute Lourenço cativa e impulsiona o leitor a querer ler mais. O seu trabalho como jornalista (editora na revista Vidas do Correio da Manhã, e mais recentemente freelancer para a Flash e TV Guia) proporcionou-lhe, sem dúvida, um conhecimento mais profundo sobre as vidas dos famosos, o chão perfeito de onde pode brotar esta história.

A trama passa-se em Portugal, os protagonistas são vedetas da televisão, e o tema de fundo é algo a que não se pode fugir nos dias que passam, principalmente após o movimento #MeToo que deflagrou nos últimos anos por todo o mundo.

A violência doméstica é um assunto que, infelizmente, ainda hoje em Portugal se aborda com uma banalidade gritante. E a forma como a sociedade continua a compactuar com a isenção de culpa, ou até mesmo, aplaude pelo mea culpa em vez de condenar os culpados, é absurda. Este livro é, por isso, mais uma chamada de atenção, uma bandeira de aviso para aqueles que continuam a achar que podem e, de facto fogem impunes.

Adorei esta leitura. Apaixonei-me pela personagem principal e por outras secundárias, todas muitíssimo bem exploradas e desenvolvidas. Os meus parabéns à autora pela forma como abordou os diversos temas, e como os entrelaçou na história, sem no entanto lhes tirar importância.

Recomendo esta leitura a todas as mulheres, gostem ou não das coscuvilhices das revistas cor-de-rosa. Acreditem que, apesar de ser ficção, vai levar-vos a pensar nas vidas daqueles que habitam na caixinha que mudou o mundo e que visitam as vossas casas praticamente todos os dias. E, quem sabe, não vos levará a imaginar em quem a autora se inspirou para criar estas personagens.


Podem ler aqui a sinopse do livro e mais informações sobre a autora.

Opinião: "Maridos e Amantes" de Beatriz Williams

Ler é uma das formas mais baratas de evasão, não concordam? Se bem que o valor dos livros esteja cada vez mais alto, é na realidade uma forma de viajar, de nos abstrairmos do que nos rodeia, e mergulhar num mundo completamente diferente do nosso.

Mas nem todos os autores e, já agora, livros, conseguem essa proeza. Este, foi um dos que sem dúvida que atingiu o objetivo

Minutos depois de recomeçar a leitura, já eu estava a milhares de quilómetros deste meu cantinho à beira mar, a ver em primeira fila  como se desenrolava esta história. 

Ou melhor dizendo, histórias. Sim, porque entre saltos temporais (e locais), deliciei-me com a vida de duas irmãs na Nova Inglaterra, os seus amores e desamores, e a sua avó desconhecida, no Cairo, em 1951, num clima pré-revolucionário.

É, acima de tudo, uma história de amor, mas é também uma história sobre escolhas difíceis, quase inimagináveis, que nos leva à conclusão de que raramente temos algo a dizer sobre como se desenrola este pequeno novelo a que chamamos Vida, e que o Destino é mesmo uma realidade. Adorei!!

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P.S. O título, embora seja fiel ao original, foi a meu ver muito mal escolhido. Não tem muito a ver com a história e pode induzir em erro quem escolha o livro pelo título.

Opinião: "Elena sabe" de Claudia Piñeiro

Esta autora, que conquistou o meu coração de leitora com o livro "Uma Pequena Sorte", apresentou-se-me agora um novo livro que aborda um tema bastante difícil. Não digo que tenha sido uma leitura complicada, pois a escrita dela é uma verdadeira delícia, mas não foi certamente pêra doce.

ATENÇÃO! SPOILER ALERT!!

Elena é uma mulher de 63 anos que sofre de Parkinson. A sua única cuidadora é Rita, a sua filha. Um dia, Rita é encontrada enforcada no campanário da igreja. Elena não quer acreditar que Rita se tenha suicidado, embora todas as pistas, ou ausência de pistas contraditórias, indiquem isso mesmo. Ela acha que a filha nunca se aproximaria da igreja num dia de chuva (realmente nunca o tinha feito, pela  ideia que, por haver aí um pára-raios, corria um grande risco de morrer eletrocutada se rebentasse uma trovoada). Mas, tal como o título indica, Elena sabe. Embora lute para que a polícia investigue mais, Elena sabe a razão e o desespero que levou Rita a cometer suicídio. E no fundo, o leitor acaba por ir assumindo que também sabe, à medida que vai avançando na história. 

A escrita desta autora é maravilhosa. Adoro a forma como nos convida à interpretação do que lemos, mesmo que por vezes tenhamos de voltar atrás para reler o que acabámos de ler e captar o verdadeiro sentido. Continuo a gostar muitíssimo mais do outro livro de Claudia Piñeiro, mas vou ficar de olho em novas publicações. 

Registo de Leituras em 2026

  1. "Em Segredo" de Catherine McKenzie 💜💜💜💜
  2. "Stalker" de Lars Kepler 💜💜💜💜
  3. "A Criada está a ver" de Freida McFadden 💜💜💜
  4. "O Segredo da Criada" de Freida McFadden 💜💜💜
  5. "Torto Arado" de Itamar Vieira Júnior 💜💜💜💜
  6. "As Filhas Perdidas" de Joy Ellis 💜💜💜💜
  7. "Assassinatos em Família" de Nina Simon 💜💜💜
  8. "Lucy" de Jamaica Kincaid 💜💜💜💜💜
  9. "A Malcriada" de Beatrice Salvioni 💜💜💜💜💜
  10. "Querido Edward" de Ann Napolitano 💜💜💜💜💜
  11. "Audrey Hepbrun - O brilho de uma estrela" de Juliana Weinberg 💜💜💜💜💜
  12. "Jardim de Inverno" de Kristin Hannah 💜💜💜💜💜
  13. "Os Dias Contados" de João Tordo 💜💜💜💜
  14. "As Três Vidas de Cate Kay" de Kate Fagan💜💜💜💜💜
  15. "Os Irmãos Burgess" de Elizabeth Strout 💜💜💜💜💜
  16.  "Elena sabe" de Claudia Piñeiro 💜💜💜💜
  17. "Maridos e Amantes" de Beatriz Williams 💜💜💜💜💜
  18. "Telhados de Vidro" de Rute Lourenço 💜💜💜💜💜
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