O tipo de escrita de Rute Lourenço cativa e impulsiona o leitor a querer ler mais. O seu trabalho como jornalista (editora na revista Vidas do Correio da Manhã, e mais recentemente freelancer para a Flash e TV Guia) proporcionou-lhe, sem dúvida, um conhecimento mais profundo sobre as vidas dos famosos, o chão perfeito de onde pode brotar esta história.
A trama passa-se em Portugal, os protagonistas são vedetas da televisão, e o tema de fundo é algo a que não se pode fugir nos dias que passam, principalmente após o movimento #MeToo que deflagrou nos últimos anos por todo o mundo.
A violência doméstica é um assunto que, infelizmente, ainda hoje em Portugal se aborda com uma banalidade gritante. E a forma como a sociedade continua a compactuar com a isenção de culpa, ou até mesmo, aplaude pelo mea culpa em vez de condenar os culpados, é absurda. Este livro é, por isso, mais uma chamada de atenção, uma bandeira de aviso para aqueles que continuam a achar que podem e, de facto fogem impunes.
Adorei esta leitura. Apaixonei-me pela personagem principal e por outras secundárias, todas muitíssimo bem exploradas e desenvolvidas. Os meus parabéns à autora pela forma como abordou os diversos temas, e como os entrelaçou na história, sem no entanto lhes tirar importância.
Recomendo esta leitura a todas as mulheres, gostem ou não das coscuvilhices das revistas cor-de-rosa. Acreditem que, apesar de ser ficção, vai levar-vos a pensar nas vidas daqueles que habitam na caixinha que mudou o mundo e que visitam as vossas casas praticamente todos os dias. E, quem sabe, não vos levará a imaginar em quem a autora se inspirou para criar estas personagens.
Podem ler aqui a sinopse do livro e mais informações sobre a autora.

