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"A Filha da Mãe - Os pedacinhos que faltavam" de Maria Cecília (OPINIÃO)

Li o primeiro livro de Maria Cecília há quase dois anos e não foi surpresa nenhuma quando soube deste segundo livro. É que, meus amigos, esta senhora tem histórias para contar e, acima de tudo, sabe contá-las.

Foi com prazer que embarquei nesta leitura e confesso que até gostei mais deste do que do anterior. Não sei bem porquê. Talvez pela a ação se concentrar mais em território português, ou pela idade da protagonista (que, caso ainda não saibam, é a própria autora). A verdade é que gostei muito. A narrativa parece estar mais organizada cronologicamente, o que é realmente importante, mas que, como bem sabemos, é difícil de o fazer quando se escrevem memórias: os saltos temporais são incontornáveis.

Este livro fez igualmente parte da minha primeira experiência de ler dois livros em simultâneo. E tenho que admitir que, apesar de não ter ficado adepta, acho que é uma excelente solução quando precisamos de leituras diferentes para diferentes alturas do dia. Já experimentei ler um thriller daqueles à noite e não recomendo. ;)

Em suma, venham mais livros, cara Maria Cecília. Acredito que ainda tem muito que escrever. 
Obrigada pela partilha.

"História em Pedacinhos - As Casas da Minha Infância e os Tempos de Chá sem Açúcar" de Maria Cecília (Opinião)

Esta é uma opinião há já muito tempo devida. Um livro que, excecionalmente, "fui lendo" ao invés de "ler". E simultaneamente com outras leituras, o que para mim é raríssimo! Mas a verdade é que este pequeno livro se presta à leitura intervalada: um capítulo de cada vez, um pedacinho de cada vez, que vão compondo uma história de vida.

E é verdadeiramente uma história de vida, contada aos pedacinhos, aquela que encontramos neste livrinho. Gostei muito da escrita da autora que, com ternura, vai partilhando as suas memórias. Despretensioso mas pleno de significando, esse relato leva-nos a acompanhar a luta de uma família por uma vida melhor, espelhando infelizmente a realidade de tantos portugueses que emigraram.

Sou sincera, não sabia bem do que estava à espera. - Eu e a minha mania de não ler as sinopses! - Mas logo o primeiro capítulo me senti conquistada. Maria Cecília é sem dúvida uma Mulher de Coragem, não só pela forma como foi ultrapassando as vicissitudes da vida, como por ter escrito este livro para ser lido e apreciado por toda a gente. 
Os meus parabéns. Foi uma leitura interessante que me enterneceu imenso.

P.S. Adoro o título.

Em destaque: "História em Pedacinhos - As Casas da Minha Infância e os Tempos de Chá sem Açúcar" de Maria Cecília

- Olha ali! É aquele! O da camisa amarela!

Sei que olhei, acenei… e fechei dentro de mim uma amálgama de sentimentos e emoções inexplicáveis. Nesse momento, descobri que o meu pai era, afinal, um estranho, um estranho de camisa amarela, um rosto igual a outros tantos… não se deu o milagre.

***

…a minha mãe se deixou cair ao chão, quase à beira do precipício, tomou a minha irmã pequena ao colo e começou a dar-lhe de mamar, em silêncio, eu e os meus irmãos sentámo-nos junto dela… e ficámos ali, a contemplar como a casa de banho, a cozinha, um dos quartos e o frigorífico deslizavam pela encosta, ao princípio lentamente, depois cada vez mais rápidos até chegar ao fundo, perto do lindo vale que, agora, já não tinha nenhuma graça…


Sobre a autora:
Maria Cecília Garcia nasceu no Jardim do Mar, Madeira, a 14 de Junho de 1949. Aos seis anos de idade partiu para Venezuela para reencontrar o seu pai. Em 1973 regressou a Portugal. Casou em 1983, foi mãe de dois filhos, dedicando-se completamente à família. Nos intervalos possíveis, escrevia. Regressou à escola em 2005 para terminar o ensino secundário, concluindo-o aos 59 anos e idade.