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Opinião: "O Despertar do Mundo" de Rhidian Brook

Gosto imenso de ler livros cujo tema ronde a Segunda Guerra Mundial, mas até hoje nunca tinha apanhado um que abordasse os anos logo após o fim do regime nazi. É claro que sabemos da História o que aconteceu, mas, não sei, lendo assim em formato algo ficcionado, parece-me mais fácil de aprender e entender.

Após a derrota de Hitler, o território alemão foi repartido entre os Aliados. As quatro zonas iriam mais tarde dar origem a apenas duas, a República Federal Alemã (das zonas ocupadas pelos EUA, Reino Unido e França) e a República Democrática Alemã (da zona ocupada pelos russos).

O autor, Rhidian Brook, baseou-se na história do seu próprio avô, que fez parte do grupo de ingleses que se mudaram para a Alemanha no sentido de a desnazificar.

Este livro é um retrato fiel do que se passou naqueles anos, onde a realidade de um país destruído e de um povo esmagado e destituído de direitos e identidade, contrasta com a dos seus ocupantes, também eles de certa forma destituídos do sua país e da sua liberdade.

Pleno de emoções fortes, este livro leva-nos a conhecer ambos os lados dos despojos de uma guerra, através do contacto forçado entre duas famílias, ambas sobreviventes, embora de fações opostas.
Um livro excelente cuja leitura não me deixou indiferente.
Adorei.

P.S. O nome do livro é muitíssimo bem aplicado. O mundo despertou mesmo após a Segunda Guerra Mundial...

A não perder...



“De certa forma, a decisão do meu avô de partilhar a casa simbolizava aquilo que era realmente necessário na altura: para os Alemães se erguerem novamente, as forças de ocupação tinham de viver lado a lado com eles, não sobranceiras a eles. Quando a família partiu, os oficiais locais ofereceram-lhe um livro onde figuravam todas as pontes da zona que haviam sido reconstruídas. A dedicatória era a seguinte: ‘Para Herr Brücke. Muito obrigado.’ Em alemão, Brücke significa ponte.”

Veja aqui a entrevista com o autor:

Em destaque: "O Despertar do Mundo" de Rhidian Brook

Um romance inspirado em factos reais.

Sinopse:
Em 1945, enquanto o mundo celebra a vitória sobre o exército nazi, a Alemanha derrotada é dividida. De um lado, a União Soviética. Do outro, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França. A Guerra Fria está prestes a começar. 
Em Hamburgo, grupos de crianças esfomeadas vasculham os destroços em busca de alimentos, famílias desalojadas lutam por abrigos imundos. É nesta cidade arruinada que o coronel Lewis Morgan é encarregado de repor a paz. O governo inglês requisita uma casa para o acolher a ele e à família. Aos proprietários da mansão resta a indigência. É então que o coronel propõe uma solução inédita: a partilha do espaço. Mas ao contrário do que coronel espera, este pacto vai ser explosivo. A sua mulher, Rachel, vive fechada em si própria. O filho de ambos, Edmund, debate-se com uma solidão extrema. A alemã Freda é a adolescente rebelde, filha de Herr Lubert, um homem de elite inconformado com a submissão que lhe é imposta. Entre segredos e traições, a vida na casa é uma bomba-relógio que uma paixão proibida ameaça ativar...

Baseado no extraordinário ato de bondade do avô do autor, "O Despertar do Mundo" pinta um retrato único da guerra vista do lado dos perdedores.


Sobre o autor:
Para além de ficção, Rhidian Brook escreve também para o cinema e para a televisão. O seu primeiro romance, The Testimony of Taliesin Jones venceu, entre outros prémios, o Somerset Maugham Award. Os seus contos figuram nas mais variadas publicações, tais como a New Statesman e a Time Out, sendo também transmitidos na rádio. Brook mora com a mulher e os filhos em Londres.