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"Uma Mulher Respeitável" de Célia Loureiro (opinião)

Há opiniões que são muito difíceis de escrever. Esta é uma delas. É difícil porque, ao ler este livro, apercebi-me do seu potencial, gostei da qualidade da escrita da autora, apreciei a beleza e a riqueza do tema, mas de alguma forma sinto que o conjunto não correu bem. Terão sido os saltos temporais que me baralharam? Não sei. Só sei que tenho de tirar as teimas e ler o livro anterior - A Filha do Barão - até porque pelo que me apercebi, há personagens comuns aos dois livros.

Mas vamos por partes.
Foi o primeiro livro que li de Célia Loureiro. E a sua escrita conquistou-me de imediato ao transportar-me para um tempo onde os dizeres eram outros. Adorei a forma como descreve as pessoas e os lugares, as roupas e o mobiliário assim como a disposição das casas, lugares e ruas. Quase que parece que ela própria caminhou naquelas calçadas sujas e se cruzou com esses portugueses de outra era.

A história tem imenso potencial e houve ali uma altura em que nem consegui largar a leitura, ficando acordada bem para lá da hora de dormir. ;) Não são todos os livros que "merecem" este sacrifício! ;) As personagens são extremamente ricas e bem delineadas, tanto nos seus sentimentos como na forma como se movimentam no enredo e interagem umas com as outras

É como escrevi no início, este livro tem tudo para ser um excelente romance histórico português, mas a meu ver, falhou ali qualquer coisa, pelo que não me senti arrebatada como deveria ter sentido.
Vou tentar ler o anterior da autora e depois talvez regresse a esta opinião.

Quero dar os parabéns a Célia Loureiro pela coragem de escrever uma história intemporal com roupagem de outro século. E os meus parabéns igualmente à Marcador por mais esta aposta na literatura nacional!

P.S. E a capa escolhida é lindíssima!

Em destaque: "Uma Mulher Respeitável" de Célia Loureiro

No Portugal das guerras liberais e na Irlanda ferida pela cólera, duas mulheres lutam para cumprir os seus sonhos e vingar as suas ofensas. 

1831. Pouco depois de se casar, a sorte do conde de Cerveira sofre um revés. Uma série de infortúnios deixam-no à beira da ruína financeira, e não demora muito para que comece a desconfiar dos intentos da estranha de beleza intrigante que desposou. Perante a dúvida, decide enviar Leonor Sanches para um exílio temporário junto do tio, que ensina na prestigiada Trinity College, em Dublim. Conforme a epidemia de cólera vai ceifando as vidas de cristãos e anglicanos na Irlanda, também o coração de Leonor Sanches se oferece à tragédia. 

1857. Cinquenta anos depois de perder o seu bem mais precioso para as tropas de Napoleão, Mariana Turner sente que está a um passo de descobrir toda a verdade sobre os acontecimentos de Março de 1809. Novas revelações apontam para que a condessa de Cerveira, encarcerada no Porto, seja a chave para resolver o mistério. Munida de uma determinação inabalável, tudo fará para conseguir deslindar o passado de Leonor Sanches - fidalga e anjo caído.


Sobre a autora:
Célia Correia Loureiro nasceu em Almada, em 1989. Licenciou-se em Informação Turística pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, mas garante que a sua vocação é a escrita. Aos doze anos leu o seu primeiro romance e, desde aí, não parou de ler nem de escrever. 
Apaixonada por História, publicou em 2014 o seu primeiro romance, A Filha do Barão.