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Opinião: "Quando Acabar Este Livro, Vai Saber Fazer Tricô" e Rosie Fletcher

Para quem me conhece, este tipo de livros também faz parte do meu cardápio. ;) Sou aficionada das linhas, adoro fazer tricot e crochet. Ora, quando aparece um novo livro sobre uma dessas artes, imediatamente o adquiro.

Afinal, esta é, sem dúvida, uma arte-terapia! 
Como bem diz a autora Rosie Fletcher, «O ritmo das agulhas e o correr do fio são quase meditativos – porque quando estamos a tentar decifrar um esquema complicado ou uma nova técnica, não conseguimos pensar em mais nada.» 
Analisemos então esta bela ferramenta de trabalho.

Uma das dificuldades com que me deparei quando comecei a tricotar, foram os "códigos", as abreviaturas, ou melhor dizendo, a gíria que inicialmente nos parece chinês, e coloca um grande entrave à vontade de começar. Neste ponto a autora ajuda imenso. Não só nos explica como ler os rótulos, nos ensina sobre os diversos tipos de fios e como são compostos, e até as diferenças dos tamanhos das agulhas do métrico para o Imperial e EUA. Isto é importante porque muitos dos esquemas que escolhemos da net variam consoante o país. 

 



O a-par-e-passo de como começar está muito bem explicado, com esquemas e imagens a complementar. O que ajuda sempre, até para quem quer recordar este ou aquele ponto.

Também ensina a fazer berloques (como na imagem), pompons e outras coisas que tal.

Para finalizar, tem alguns projetos bem fáceis para quem quer experimentar - gorros, cachecóis, capas para tablet, almofadas, etc.




 











Bons trabalhos!!

"O Segredo da Minha Mãe" de Clare Swatman (OPINIÃO)


E se de repente descobrissem que a vossa família, não era realmente a vossa família? É o que acontece a Georgie, a protagonista principal deste livro: sem querer, descobre que a sua mãe e irmã podem não ser a sua família biológica. Como lidar com esses sentimentos, como descobrir o que aconteceu quando atualmente a sua mãe se encontra numa acelerada espiral descendente rumo ao Alzheimer, e a sua irmã mais velha, a sua rocha de apoio, se afasta com a incredulidade?

É este o enredo que Clare Swatman nos apresenta no seu livro O Segredo da Minha Mãe. Como os segredos de família são um dos meus temas favoritos, não pude dizer que não a este livrinho. No entanto, posso dizer que, apesar de saber o que ía encontrar, acabei por encontrar algo mais. Para além da história da mãe de Georgie, e das razões que a levaram a fazer o que fez, há igualmente uma parte muito importante sobre o "depois", coisa que por norma não é muito aprofundada nestas histórias. Essa acaba realmente por ser talvez a parte mais interessante da história, perceber como duas famílias podem ser afetadas por um acontecimento traumático, e como todos lidam com o assunto depois de se descobrir a verdade. Ficará Georgie com uma família destroçada ou duas famílias, que apesar dos remendos, se esforçam por encontrar um equilíbrio e com ele a felicidade?

Foi uma leitura que me agradou e fico deveras interessada em outros livros que esta autora possa vir a publicar em Portugal. Uma ótima sugestão para prenda de Natal! Recomendo.

"A Minha Horta é Biológica" de Isabel Mourão e Miguel Maria Brito (OPINIÃO)

A nossa horta biológica é um projeto familiar, mas mais do que isso é uma forma de voltar às raízes, de regressar a um tempo onde o tempo era importante. As hortas biológicas, quer através da câmara, quer em terrenos particulares, ou mesmo baldios, proliferam na nossa região. E não há melhor forma de embarcar nesta aventura, com os pés bem assentes na terra. 

Este pequeno e delicioso livro é mesmo uma grande ajuda. Para além dos imprescindíveis conselhos do Miguel Maria Brito e Isabel de Maria Mourão, temos a delicadeza e beleza das ilustrações da Margarida Velez Fernandes.
Abaixo encontram uma página de exemplo, mas podem espreitar mais aqui.

E como uma imagem vale mais que mil palavras, deixo-vos algumas fotografias do princípio do que esperamos venha a ser a nossa prolifera horta biológica.


A foto do "antes".
A foto do "depois", no mesmo dia.
O que esperam para se aventurar num projeto assim?

Aqui fica a sinopse deste precioso livrinho:

Vamos fazer o jantar? Basta ir à horta buscar os ingredientes!
Todos podemos ter acesso a comida saudável, saborosa e ecológica, com uma horta biológica - um projeto educativo, familiar e divertido.

Pais, educadores e crianças podem aprender juntos a criar uma horta biológica - seja em casa, numa varanda ou num quintal. Nestas páginas, encontrarão tudo o que precisam de saber para conhecer as plantas, o solo e a biodiversidade; fazer a compostagem; planear e implementar uma horta; cuidar, colher e até preparar os alimentos! Encontrarão ainda 43 fichas de plantas hortícolas, ervas aromáticas e flores comestíveis, com todas as informações necessárias para crescerem viçosas e deliciosas.

Com um pouco de tempo e vontade de «sujar as mãos», é fácil ter a nossa própria horta biológica - com alimentos apetitosos, fresquinhos e amigos do ambiente

"O Mistério da Minha Irmã" de Tracy Buchanan (OPINIÃO)


Adoro livros com histórias que envolvam relações familiares complicadas, segredos de família e contornos imperfeitos. Talvez porque as verdadeiras famílias são mesmo assim - longe de serem perfeitas. Conheço a dor da ausência, o perder da nossa identidade, sei o que é sentirmo-nos sozinhos sem referências familiares... mas felizmente também sei o que é construir uma nova família, e fazer crescer uma nova árvore genealógica. Toda a moeda tem o seu reverso.


Esta é uma das razões pela qual gostei tanto deste livro. Encaixa perfeitamente na minha ideia de uma história perfeita sobre uma família normalmente imperfeita. No início, existem  três irmãs, amigas inseparáveis mas completamente diferentes. Depois, anos mais tarde, existe a filha de uma delas, Willow, cujos pais morreram num naufrágio, e que foi criada por uma das tias. O mistério do título é ele próprio um mistério. O que aconteceu no passado, e a qual das irmãs diz respeito? E mais não digo, pois não vos quero estragar a leitura.


Não posso é deixar de vos contar sobre o tema de fundo, que serve de panorama ao desenrolar da história, e pelo qual me apaixonei: as florestas submersas. Sabiam que existem inúmeras florestas submersas por todo o mundo? Atenção, são florestas que um dia existiram fora de água e que por diversas razões ficaram submersas e intactas, algumas mortas, praticamente cristalizadas, outras ainda vibrantes e florescentes. É sem dúvida a cereja em cima do bolo. Adorei. E convido-vos descobrir mais sobre este assunto tão fascinante. Podem começar por ver o vídeo abaixo.


Sobre o livro, não há como enganar, com um título assim, eu tinha de o ler. E adorei. Com todas as voltas e reviravoltas, todas as descobertas, todas as imperfeições daquela família trazidas ao de cima, é um livro perfeito para este tempo confuso de outono. Recomendo sem hesitações!

"Um Amor do Passado" de Kristin Hannah (OPINIÃO)

Kristin Hannah é uma autora que só comecei a ler recentemente. Adorei "O Rouxinol", e deliciei-me com "A Grande Solidão", obviamente que agora tenho de ler tudo o que ela já escreveu e que esteja publicado em português. :) Não acontece o mesmo com vocês? 

Bem, este livro "Um Amor do Passado", publicado em exclusivo pelo Círculo de Leitores, foi publicado originalmente em 1996, apenas seis anos após Kristin ter enveredado definitivamente pela carreira de autora. Poder-se-á assumir que é um dos seus primeiros livros (o quarto, se não estou em erro), o que na verdade me deixa imensamente feliz por ter tido a oportunidade de o ler. 

Dá para perceber o quão envolvente é a escrita desta autora. O quanto já era quando começou a dedicar-se à escrita. Assim que começamos a ler, somos imediatamente envolvidos no enredo, ficamos fascinados com as personagens, ao ponto de querermos estar dentro da história para a percepcionar melhor. Este é um dom que não muitos autores possuem, e ainda bem que Kristin se dedicou em exclusivo à escrita, pois cada livro dela é uma verdadeira montanha russa de sentimentos e emoções para o leitor.

Sobre a história propriamente dita, já sabem que não vou falar muito para não vos estragar a leitura. Apenas vos resumo o essencial... há uma médica cardiologista, solteira que é mãe de uma adolescente "naquela fase". De repente, na lista dos seus pacientes mais urgentes, surge o tal amor do passado do título. A partir daí, é como vos disse, o leitor não mais tem descanso. Entre voltas e reviravoltas, andamos para ali às cambalhotas, suspirando, nos revoltando e até chorando uma ou outra lagrimita. Pelo sim, pelo não, mantenham a caixa de lenços de papel por perto. ;)

É um romance propriamente dito, com coraçõezinhos e bolas de sabão a flutuar. Mas, atenção, é igualmente uma história sobre a adolescência, sobre as relações intempestuosas entre mães e filhas, e sobre a importância de termos alguém em quem confiar, que nos dê a mão e nos guie na estrada complicada que é a vida.

Gostei imenso. E adorei a oportunidade de conhecer a autora no seu início de carreira. Muito bom! Recomendo. É uma leitura que vão certamente apreciar! E que venham mais livros da Kristin Hannah!!

P.S. Gosto mais do nome em inglês "Home Again". Transmite muito mais do que o título em português.

"Crime Disse o Livro" de Anthony Horowitz (OPINIÃO)

Que livro mais original! Com um segundo livro dentro do livro, um narrador que de repente fala connosco e partilha a nossa opinião, e dois mistérios para resolver. Não sei como o autor se lembrou disto, mas acreditem, está mesmo muito giro.

Para quem gosta de mistérios do género do Poirot de Agatha Christie, este livro será um puro deleite, já que a personagem principal do livro dentro do livro, nos faz lembrar esse mítico detective. Mas para quem gosta de mistérios um pouco mais atuais também se irá deleitar com o mistério que envolve o autor do livro dentro do livro. E claro, para quem simplesmente gosta de livros, não vai ficar indiferente pois a história envolve uma editora (empresa) e dois editores (pessoas) e o mundo editorial. 

Acham confuso? Desenganem-se pois o génio de Anthony Horowitz, o autor que também escreve para o cinema (incluindo alguns episódios da série Poirot e Midsummer Murders), consegue separar muitíssimo bem as águas, não nos deixando confundir sobre quem é quem e o que aconteceu tanto num lado como no outro.

Confesso que gostei bem mais da história do livro dentro do livro do que o outro. Talvez pela personagem principal, que achei mais interessante, do que o autor, que é personagem do outro. Bem, já devem estar a ficar baralhados... uma coisa é certa, foi uma leitura muito interessante que me surpreendeu e cativou. Gostei! 

"As Filhas do Capitão" de Maria Dueñas (OPINIÃO)


Terminei este livro ontem à noite, e estou com a sensação de ter viajado no tempo. Sinto saudades das três irmãs Arena, jovens mulheres que com garra e determinação venceram em terra que lhes era estranha. Adorei este livro. Maria Dueñas já tinha levantado um pouco o véu em junho, quando tive o prazer de estar à conversa com ela (ver aqui). Mas sinceramente, o que descobri ao ler "As Filhas do Capitão" foi muito mais.


É um livro extraordinário, muitíssimo bem escrito (e bem traduzido!) cuja história nos leva para um bairro de Nova Iorque em 1936, para o seio de uma família de imigrantes espanhóis. As três filhas de Emilio Arena, e a sua mulher, Remédios, vieram juntar-se a ele para tentar a sorte em solo americano. Mas quis o destino que a vida lhes tire o tapete debaixo dos pés. Ao verem falhados os seus planos de rápido regresso à Terra Mãe, não lhes resta senão arregaçar as mangas e enfrentar o mundo de trabalho nova iorquino. É então que acompanhamos Victoria, Mona e Luz, três jovens na flor da vida, cujo brilho não passa despercebido a ninguém, e que deixam marca nas vidas de todos os que com elas acabam por privar.

Desde Afonso, Príncipe das Astúrias e Conde de Covadonga, a Xavier Cugat e a sua orquestra no Waldorf Hotel, e outras interessantes e icónicas personagens, este livro é mais do uma simples história de ficção, é o registo fiel de uma época, de uma geração de emigrantes espanhóis nos Estados Unidos da América, das suas vidas e das suas conquistas.

Não podendo revelar muito mais sobre a história, pois surpresas há muitas, digo-vos que este é provavelmente o melhor dos livros de Maria Dueñas, ultrapassando mesmo o meu anterior favorito, "O Tempo Entre Costuras". Noto-lhe uma grande qualidade, tanto na escrita, como na pesquisa que a autora teve de levar a cabo para encaixar esta história numa época e lugar sem grandes registos, meio clandestina.

Um coisa é certa: é um dos melhores livros deste meu ano literário. E as filhas do capitão, acreditem, não me saem da cabeça. Continuam nos seus afazeres pelas ruas de Nova Iorque nos anos 30. É um livro que não podem deixar de ler! Absolutamente maravilhoso.

"Nove Perfeitos Desconhecidos" de Liane Moriarty (OPINIÃO)

Como já deverão saber, sou grande fã do trabalho de Liane Moriarty. Adorei todos os seus livros já publicados em Portugal, e continuo sempre ansiosa por ler o próximo. Com este “Nove Perfeitos Desconhecidos” não foi diferente. Assim que o tive nas mãos, pouco tardou para que o começasse a ler.

Tal como esperava, este livro é capaz de ser o melhor exemplo do tipo de obra que Liane Moriarty é capaz de produzir. Um exemplo extraordinário, já que ela explora a 100% a sua capacidade de tirar o sumo das personagens que cria. Confesso que nunca encontrei uma autora que trabalhasse tão bem as personagens, ao ponto de as tornar no ponto fulcral de uma história. Ela traz ao de cima todas as idiossincrasias, dissecando com habilidade extrema os seus pensamentos e sentimentos, os seus medos e os seus desejos.

O livro aborda um tema que aparentemente fascina a autora (li numa entrevista): as clínicas de bem-estar que estão na moda tanto na Austrália e nos EUA. Nove pessoas, em diferentes estágios da vida, com diferentes objetivos e anseios, inscrevem-se numa clínica dessas com a promessa de obterem transformação. Mas na Tranquillium House, vão encontrar algo que não esperavam.

A história é-nos narrada do ponto de vista de cada um dos intervenientes, que mudam a cada capítulo, e aos poucos, como se fossemos descascando uma cebola, vamos chegando ao núcleo de cada um. É a mais perfeita desculpa para a autora dar asas à sua magia e esmiuçar a mente humana e a forma como nos conectamos uns com os outros.

Quem gosta e conhece os livros de Liane Moriarty vai perceber o que vou dizer: este livro é o perfeito exemplo de que por vezes o mais importante é a viagem e não o destino. Gostei imenso, e sei que algumas daquelas personagens (sim, tenho uma ou duas favoritas). vão ficar comigo durante algum tempo.
Recomendo.

"A Grande Solidão" de Kristin Hannah (OPINIÃO)

Este é daqueles livros que me deixa sem palavras para o comentar. Não sei como descrever a tamanha beleza desta história. Li e respirei este livro. Alimentei-me das suas palavras à medida que os minutos fluíam noite adentro. E quando adormecia, sonhava com um Alaska indomado, com paisagens de tirar o fôlego, com uma natureza no seu estado mais puro que desafia tudo e todos. Com esta leitura deslumbrei-me, deliciei-me para depois me irritar, me apaixonar e novamente me revoltar. Nenhum outro livro conseguiu este feito. Por vezes num só capítulo. Entendem como é difícil explicar-vos o que foi para mim lê-lo?

"A Grande Solidão" é uma poderosa história sobre amor e perda, sobre luta e sobrevivência, sobre o estado selvagem, tanto no homem como na natureza. Nada me poderia preparar para o que encontrei ao abrir as primeiras páginas. Foi uma experiência maravilhosa.

A história parece simples. No entanto, é tudo menos isso. Leni e a sua mãe, Cora, preparam-se para mais uma mudança. Desta vez rumo ao Alaska, em perseguição de mais um dos sonhos de Ernst, um veterano da guerra do Vietnam que sofre do ainda não descoberto PTSD. Os três iniciam viagem completamente despreparados para o que vão encontrar, mas em conjunto com os simpáticos habitantes da baía de Kachemak, lá se vão equipando, aprendendo e preparando para o inverno que se aproxima. No entanto, como irão, entretanto, perceber, o perigo não se esconde apenas a cada esquina do Alaska. Esconde-se igualmente dentro da cabana dos Albright.


Kristin Hannah gosta de começar devagar. Ela vai construindo o enredo à medida que desenvolve as suas personagens. Desde o seu núcleo, ela as vai tecendo, até que as ficamos a conhecer profundamente. O que sentem, o que pensam, mesmo sem o verbalizar. É um dom maravilhoso, o desta autora.

Entramos então num tipo de narrativa imersiva, que mexe com todos os nossos sentidos e sentimentos. A par e passo com a agressividade da paisagem que rodeia a história, a brutalidade dos sentimentos que nos provoca é pungente. Foram poucas as vezes que  me senti assim ao ler um livro.


Mas não se enganem. A Grande Solidão é uma história de amor. Daquele amor tóxico que nos embriaga, daquele amor delicado que nos enternece, daquele amor enorme que nos faz crescer.

Desafio-vos: sujeitem-se a descobrir o que um livro vos pode fazer sentir. E depois contem-me como foi ler A Grande Solidão de Kristin Hannah.

"Deixa-me Mentir" de Clare Mackintosh (OPINIÃO)

Por vezes os autores reinventam-se a cada livro que escrevem. Muitos seguem o mesmo guião, sendo que o leitor não terá grandes surpresas quando ler um novo livro desse autor. Outros, como me parece ser o caso de Clare Mackintosh, reinventam-se, tornando cada livro que escrevem uma obra única com características muito diferentes. Passo a explicar...

Quem leu os livros anteriores da autora ("Deixei-te Ir" de "Estou a Ver-te") encontrou dois excelentes thrillers psicológicos. Quem for ler este "Deixa-me Mentir" vai encontrar algo diferente. É um thriller relativamente mais leve, com uma maior incidência tópico das relações familiares e segredos que as famílias escondem. Sou sincera, gostei muito dos primeiros livros, mas este também acabou por me cativar. Principalmente pela surpresa no desenrolar do enredo.

Não posso revelar nada sobre a história, mas a premissa "se não foi suicídio, se não foi assassínio, foi o quê?" deixou-me super mega curiosa e com a imaginação a 100 à hora. Porém, quando comecei a ler, senti-me refreada. Sim, o ritmo abranda e a ação desenrola-se um pouco mais devagar do que estamos à espera. Mas até isso é necessário! É que o leitor tem mesmo de ler as coisas com calma, entender e interiorizar o que está a acontecer, para depois quando a reviravolta acontece, não ter de voltar atrás para perceber o que que aconteceu. Eheheh Adoro quando isto acontece! E se acontece neste livro!!

Podem crer que foi uma leitura intensa e muito interessante! E deixou-me curiosa sobre o próximo livro desta autora. Recomendo.

Podem ler a sinopse aqui.

"A Mãe" de Melanie Golding (OPINIÃO)


E aqui fica a primeira opinião pós-férias. :)

Ouvi falar tanto bem deste livro que fiquei curiosa. Às vezes isso é bom, outras vezes é mau. Desta vez aplica-se a primeira - o livro é excelente!

O tema é super interessante, pelo menos eu achei, já que uma grande percentagem de mulheres que são mães acabam por ter algum transtorno psicológico pós parto. As mudanças por que passamos, as alterações a que nosso corpo é sujeito, são imensas. Por vezes corre tudo bem, mas muitas vezes, e isto nem sempre é do conhecimento geral, há a bem conhecida depressão pós parto. Confesso que estive bem perto de algo parecido quando tive o meu filho. A minha "depressão" passou pela ansiedade da separação, e somente graças a uma enfermeira mais atenta é que foi acudida e não aumentou de intensidade.

Mas regressando ao livro em questão... o que se passa com a mãe da nossa história é algo que poderá roçar o desequilíbrio psicológico, ou não. E é esse o dilema do leitor ao longo do livro, tentar perceber o que é real.

A tensão vai subindo de tom à medida que a história avança, o que me agradou especialmente. Este crescendo, que se mantém até ao fim, é sem dúvida o que nos agarra à leitura e torna este livro tão entusiasmante. Às duas por três já não conseguia pousar o livro!

Sem querer revelar mais, acrescento apenas que adorei a inclusão das lendas e histórias referentes a fadas e duendes e bebés. Ao fim e ao cabo, tornou a leitura ainda mais interessante, já que o tema também me agrada.

Houve quem disse que não gostou do final. Eu achei-o perfeito. É, na realidade, o único final que faz sentido. Fico curiosa sobre o que vocês dirão quando lerem este livro. Sim, porque é realmente um daqueles a não perder!

"O Coro de Mulheres de Chilbury" de Jennifer Ryan (OPINIÃO)

Este foi um livro que me preencheu as medidas! :)
✅ Adoro histórias que se passem durante a Segunda Guerra Mundial, sendo que Inglaterra é o meu cenário favorito.
Esta história relata a vida na pequena vila de Chilbury em Inglaterra, que apesar de não ser real, é inspirada numa vila chamada Chilham, no condado de Kent, não muito longe de Londres e ainda mais perto da costa.

✅ Aprender mais um ou outro pormenor sobre a vida das pessoas nessa época, é um bónus maravilhoso.
E este livro está escrito de uma forma impressionante. Não só é baseado em factos verídicos, como em relatos verídicos. Sabiam que havia uma organização em Inglaterra, durante a guerra, que incentivava as pessoas a manterem diários sobre o seu dia-a-dia? A Mass Observation tinha como objetivo registar a vida do/a inglês/inglesa comum para registo futuro. Muitas das histórias que lemos hoje em dia, referentes a essa época, surgem exatamente da consulta desses documentos (cartas, diários, fotografias, etc).


✅ Um pouco de romance e um pouco de mistério numa história, são como cerejas no topo do bolo.
E romance não falta aqui! Apesar de não ser propriamente uma história de amor, porque não o é, tem presentes alguns elementos que farão palpitar o coração das leitoras mais românticas. Eu inclusive! ;)

✅No entanto, para mim, a verdadeira cereja no topo do bolo foi a música. É claro que um livro com o título "O Coro de Mulheres de Chilbury", tinha de ter algo relacionado com música. E tem. Revi-me em imensas situações, pois já fiz parte de alguns coros, e estou desconfiada que a autora também esteve envolvida em algum, ou então teve alguém que lhe descreveu muito bem a sensação. É que descreve todos os pormenores tão bem! É sempre maravilhoso lermos algo com que nos identificamos tão plenamente. As escolhas musicais, a forma como as coralistas eram dirigidas, o que sentiam, a forma como a música fluía, está descrito na perfeição. Adorei.

✅ Descobrir um pouco mais sobre o papel da mulher na sociedade ao longo dos tempos. E realmente, uma das épocas em que mais se alterou o papel das mulheres na sociedade, foi exatamente esta, durante a II Guerra Mundial, quando tiveram de substituir os homens que seguiam para a guerra.
E como a ação se desenrola numa vila pequena, essas alterações são bem mais notórias. Fantástico!


Em suma, este é verdadeiramente um livro precioso. Não só nos exalta, enquanto mulheres, como nos mostra como uma comunidade, consegue sobreviver, unindo-se. Adorei. Os meus parabéns a Jennifer Ryan. E que venham mais livros do género!


"O Jardins das Flores de Pedra" de Deborah Smith (OPINIÃO)

Desde o seu primeiro livro publicado em Portugal, "A Doçura da Chuva", que me considero fã de Deborah Smith. As suas histórias têm sempre algo sobre a importância da família, o quanto o passado influencia o futuro, relações familiares complicadas, segredos antigos, e claro, um pouco de romance. É o livro perfeito para nos abstrairmos do dia a dia. E "O Jardim das Flores de Pedra" não é exceção.

A história está dividida em duas partes. Uma passa-se em 1972, e conta-nos a realidade de Darl Union, uma menina de 10 anos, única neta da dona da companhia de mármores Hardigree, principal sustento de praticamente todas as famílias de Burnt Stand, na Carolina do Norte. O que se passa nessa época vai condicionar a relação avó e neta, e também os passos de uma outra família que chega à cidade nesse verão.

Gosto de histórias deste género, e sinceramente apreciei imenso que esta parte do livro fosse a mais extensa (cerca de 2/3). A infância de Darl e Karen, a sua prima, e a sua amizade com Eli, o recém chegado, está muitíssimo bem caracterizada, assim como a vida naquela cidade que cresceu à sobra do mármore. Mas não é de estranhar, pois Deborah Smith faz sempre um excelente trabalho a nível de desenvolvimento de personagens, tornando-as sempre muito verosímeis e cativantes. 

Já a segunda parte do livro, em que a história se desenrola na atualidade, é um pouco mais romanceada e quase previsível. E claro, a apostar em obter o suspiro de muitas leitoras. ;) Quase me pareceu um livro de Nora Roberts, mas sem a parte da bolinha vermelha, se é que me entendem.

Continuo a gostar muito desta autora, não me entendam mal, mas acho que neste livro faltou aquele toque especial que é uma das suas características. Trata-se, no entanto, de uma boa leitura para as férias, que recomendo. :)

"A Menina que Roubava Morangos" de Joanne Harris (OPINIÃO)

Por vezes, quando fechamos um livro cujas personagens nos conquistaram, ou cuja história nos encantou, é difícil dizer-lhes adeus. E ficamos a imaginar as suas vidas para lá da última página. Gostaríamos de ler mais, de saber mais, de continuar a acompanhar as suas vidas. Na maioria dos casos, a história fica mesmo por ali. Mas por vezes temos sorte. Esta é uma dessas vezes.

Joanne Harris leva-nos de volta a Lasquenet-sur-Tannes e à vida de Vianne Rocher. Esta personagem, que para mim ficou para sempre ligada à atriz Juliette Binoche (e Roux a Johnny Deep), havia regressado àquela pequena vila no sul de França no último livro da saga (O Aroma das Especiarias), após uma estadia em Paris (Sapatos de Rebuçado). E é realmente uma delícia poder calcorrear novamente aquelas calçadas, rever personagens e conhecer os novos intervenientes que vêm perturbar a paz desta vila à beira-rio.

Mas muito mudou em Lansquenet-sur-Tannes. E muito ainda irá mudar. Para acompanhar e, como sempre, tentar controlar esse mudança, está Vianne, agora um pouco mais sensata, um pouco mais realista. Anouk, vou do ninho. Resta-lhe a maravilhosa Rosette, ainda uma criança, mas já com 16 anos. É nela que a história se concentra e com ela vamos voar.

A escrita de Joanne Harris é maravilhosa, como sempre. Um pouco maus madura, mais ponderada, mas igualmente arrabatadora. Ler um novo livro de um autor que tanto amamos é como regressar a casa. E sim, com esta Menina que Roubava Morangos, regressei a casa.

Recomendo, sem hesitações. Não sei se será o final da saga Chocolate, mas se for, sinto-me em paz com isso.

«Os filhos não são nossos para sempre, mas nossos para os dar ao futuro.» 
A Menina que Roubava Morangos, Joanne Harris



"Lá, Onde o Vento Chora" de Delia Owens (OPINIÃO)

Ao tentar escrever esta opinião, dei comigo com a mente completamente em branco sem saber o que dizer sobre este magnífico livro. Decidi escrever algo, mesmo assim. É raro eu ficar sem palavras para descrever como um livro me fez sentir. Há sempre qualquer coisa, um clique que me leva a escrever algo e a partir daí desenvolver a minha opinião. Com este, no entanto, só me vem à mente uma praia deserta e uma jovem de cabelos revoltos ao vento, alimentando as gaivotas. Se tentar aumentar o foco um pouco mais, consigo visualizá-la a percorrer o pantanal com o seu esquife, contornando os troncos das árvores e em perfeita comunhão com a natureza, com aquele lugar, ou apanhando penas para a sua coleção. Porque na realidade foi isso que Delia Owens fez... pintou quadros com as suas palavras. Quadros que se cristalizaram na minha memória, e fosse eu tão hábil com um pincel como sou com as palavras, conseguiria reproduzir o que ela deixou impresso na minha mente.

Lá, Onde o Vento Chora é uma obra magnífica. Não só a história é incrível, como está escrita de forma absolutamente maravilhosa. É de um requinte e suavidade tal, que nos leva a ler e reler várias vezes os mesmos parágrafos, as mesmas frases. É como se Delia tivesse escrito uma história em forma de poema. Quase que sim. Acreditem.

O que eu não posso crer, é que esta mulher, uma zoóloga de profissão, teve este dom escondido durante tanto tempo, e só agora, aos 74 anos publica o seu primeiro livro. Talvez seja o caso do livro de uma vida, embora não seja autobiográfico. Não sei. Sei é que gostaria de ler mais desta autora.

Sobre a história em si, só posso dizer que está muitíssimo bem construída. Tem todos os elementos necessários para nos manter presos à narrativa, e abrange vários géneros: um drama, um romance, e por incrível que pareça, um mistério policial. A história de Kya, a miúda do pantanal, parte-nos o coração, mas simultaneamente, a sua coragem e resiliência transformam-se num hino à vontade de sobreviver. O seu isolamento e a sua comunhão com a natureza são algo extraordinário, que fazem de Kya uma personagem inesquecível. 

Este é um livro que não queremos que acabe. Uma história que recordarei com carinho e uma escrita à qual irei sem dúvida voltar de vez em quando. Não podem mesmo deixar de o ler. 

OPINIÃO: "Linhagem de Ouro" de Natasha Solomons

Neste livro, Natasha Solomons conta-nos a história de uma família de banqueiros, os Goldbaums. A história começa em 1911, quando esta família é uma das mais ricas da Europa, e cuja influência é tão grande quanto a sua fortuna. Com Casas espalhadas pelas cidades mais importantes da Europa, os Golbaums, apesar de judeus, movem-se habilmente em todos os círculos. E de forma a manterem unidos os laços que os envolvem, fazem casamentos entre casas. É então que conhecemos Greta, a filha casadoira da Casa da Áustria prestes a casar com o seu primo Albert, da Casa de Inglaterra.

Após esta introdução sobre a família Goldbaum, a autora começa então a introduzir os detalhes sobre a relação entre Albert e Greta, e da habituação desta à vida e aos costumes em Inglaterra. Simultaneamente, vai-nos relatando a evolução politico-económica na Europa até ao culminar, poucos anos depois, da crise com o começo da I Guerra Mundial.

A narrativa passa então a centrar-se em três frentes: uma, a de Greta em Inglaterra e como acaba por contribuir para o esforço de guerra; outra a de Otto e Henri (irmão e primo de Greta) que de repente se vêem envolvidos na própria guerra, embora como oficiais; e finalmente Albert, igualmente envolvido no quadro de guerra, mas depois enviado como representante para os EUA, tentando conseguir a sua colaboração económica, de forma a custearem o conflito. 
"O objetivo de fazer uma guerra, e de preparar uma guerra, é ganhar dinheiro."

Este romance é muito interessante pela história da família Goldbaum (ao que parece inspirada na família Rothschilds), mas igualmente pela conjuntura apresentada, e ao fim e ao cabo, a história do dinheiro que rodeia qualquer conflito entre países. “O dinheiro não tem passaporte e tem todos os passaportes (...) Não respeita fronteiras. Tal como a água, o dinheiro abre o seu próprio caminho."

É um livro muito interessante que poderia facilmente ter-se tornado aborrecido, com tanto facto e informação. No entanto, a autora soube habilmente pontuar os dados verídicos com algum romance, incluindo a fabulosa personagem de Greta e a sua paixão adquirida pela jardinagem. Muito bom!

OPINIÃO: "O Suspeito" de Fiona Barton

Ok. Talvez este não tenha sido o melhor livro para ler agora. É que o meu filho vai de férias pela primeira vez com os amigos. Não vai para a Tailândia, é obvio, mas os meus neurónios galináceos não param de stressar. ;) E este é realmente um dos piores pesadelos de qualquer mãe.

Em "O Suspeito", a autora conta-nos a história de uma mãe, jornalista, que ao viajar para a Tailândia para cobrir a história do desaparecimento de umas miúdas inglesas, dando "apoio" às mães das miúdas. Kate, a mesma jornalista do primeiro e segundo livro da autora, descobre que o seu filho tinha estado de algum modo envolvido com elas. Passa então de "abutre" (leia-se jornalista de imprensa sensacionalista) a Mãe, aflita, sem saber como descobrir e ajudar o seu filho. É muito interessante a forma como a autora divide esta personagem em duas, por vezes apresentando o seu capítulo como Mãe, outras vezes como Jornalista.

Gostei bastante de como é explorada a parte da imprensa. E nós bem sabemos como pode ser terrível este tipo de imprensa, principalmente no Reino Unido. Fiona Barton tem conhecimento de causa: foi jornalista principal do Daily Mail, editora de noticiário no Daily Telegraph e jornalista principal no Mail on Sunday. Quem melhor do que ela para expor os podres dos seus pares?


Relativamente ao enredo, confesso que a autora não desiludiu. Lembrava-me bem das voltas e reviravoltas do "A Viúva", e aqui ela faz o mesmo. Puxa-nos, empurra-nos, troca-nos as voltas e deixa-nos sem saber o que pensar, até que tudo se encaixa e faz perfeito sentido.

Muitíssimo bom! Recomendo. É um policial que não desilude e que assim que começamos a ler, é difícil de parar.

OPINIÃO: "António Variações - Entre Braga e Nova Iorque" de Manuela Gonzaga

De vez em quando gosto de ler biografias. E existem algumas que quase são obrigatórias. Esta, meus caros, é uma delas. Já para não falar que queria conhecer mais a história deste homem antes de ver o filme, que deve estrear ainda este ano.

António Variações é uma figura incontornável da história da música portuguesa. Eu tinha 10 anos quando ele morreu, e lembro-me de alguma coisa, principalmente da sua irreverência, ou não fosse o meu pai um ultra-conservador. Tinha, no entanto, e talvez por isso mesmo, uma ideia completamente diferente deste homem que foi percursor de modas e liberdades musicais nunca vistas até então no nosso pequeno Portugal.

Também nunca tinha lido nada de Manuela Gonzaga, que escreve num tom quase académico, mas que brilha ao falar, não só do homem em si, mas também, e tão importante quanto ele, da conjuntura portuguesa daquela época. Desta forma é-nos, enquanto leitores e aprendizes, facilitada a perceção da importância que António Variações foi para o nosso país.

Toda a gente pode ir à Wikipédia ler os dados biográficos mais importantes de Variações, mas neste livro, pela voz de quem o conheceu e com ele privou, família, amigos e conhecidos, ficamos a conhecê-lo mais profundamente. É esse António compartimentado que descobrimos. Um homem exigente e intransigente, que apesar de não saber uma só nota de música, nem tocar nenhum instrumento, criou músicas que nos acompanham até aos dias de hoje.


Adorei esta leitura. Não só fiquei a conhecer um pouco melhor o génio que foi António Variações, como pude caminhar de mão dada com a autora, pela Lisboa da minha infância.
Obrigada, Manuela Gonzaga.

P.S. Só tenho pena que não tenham colocado algumas fotografias no livro. Era algo que a meu ver o enriqueceria imenso.



"A Holandesa" de Ellen Keith (OPINIÃO)

Por vezes preciso deixar passar alguns dias entre o terminar uma leitura e escrever a opinião sobre ela. É que há livros cuja história temos de deixar assentar em nós. Interiorizá-la. Compreendê-la. Para depois conseguirmos falar sobre a experiência de leitura conscientemente.

Por acaso comecei a escrever a opinião sobre este livro na semana passada, mas decidi deixar passar mais alguns dias para a publicar. E ainda bem que o fiz. É que no sábado, exatamente na Feira do Livro de Lisboa, ao pegar num exemplar deste livro para falar dele à amiga que estava comigo, fez-se luz. E acreditem, tive de ir rescrever partes desta opinião assim que cheguei a casa.

O livro divide-se em duas histórias:
Uma, em plena II Guerra Mundial, aborda a história de uma jovem holandesa, casada, que por pertencer à resistência é apanhada pelos nazis e enviada para um campo de concentração. Buchenwald não era um campo denominado de extermínio, mas, sim, de trabalhos forçados e de experiências médicas (experiências para testar vacinas e para reconverter os homossexuais). Neste campo, para além dos habituais bordéis dos nazis, havia igualmente um bordel para utilização dos prisioneiros de guerra que mais colaborassem.
Marijke, pela sua beleza, é escolhida para esse serviço. Lá, acaba por conhecer um alemão, de alta patente, que lhe facilita um pouco a vida e por quem ela sente algo mais do que deveria, deixando-a em luta consigo própria. Grande parte do livro aborda esta época histórica, quer através das palavras de Marijke (na Holanda), quer através de Karl (na Alemanha).

Quarto de bordel em Buchenwald
A outra parte do livro, que intercala a primeira história a cada dois ou três capítulos, é a de um jovem homossexual argentino, Luciano, que em 1977 se torna num dos muitos "desaparecidos" da Guerra Suja da Argentina. Luciano foi raptado e aprisionado por militares ligados à ditadura militar Argentina (1976-1983) e o seu relato sobre as torturas e condições dos prisioneiros é absolutamente terrível. A sua história é pontuada por cartas mentais que ele escreve ao pai, Arturo Wagner, com quem nunca consegui estabelecer uma relação saudável e a quem, agora, questiona porquê.

A história de Marijke é apaixonante, e felizmente ocupa 2/3 do livro, isto porque a história de Luciano não me conquistou por aí além. Tive de conter a tentação de passar essas páginas à frente, pois as descrições das torturas eram demasiado vívidas para o meu gosto. Não que as do Holocausto não fossem... mas talvez já esteja mais habituada a lê-las, tantos são os livros com esse tema. Para além disso, passei o tempo todo a tentar perceber a ligação entre as duas histórias. Só no fim, e alguns dias depois, é que lá cheguei. Tive de reler algumas passagens, e finalmente tudo fez sentido.

As chamadas Mães da Praça de Maio a reivindicarem notícias sobre os
30.000 desaparecidos na Argentina entre 1976 e 1983. 
Foi um livro muito interessante. Aprendi algumas coisas que não sabia, incluindo sobre a Guerra Suja da Argentina. E gostei da escrita de Ellen Keith - descomplicada e direta. Recomendo.

"Em Queda Livre" de Jennifer Weiner (OPINIÃO)

Uma das coisas que gosto nos livros de Jennifer Weiner é que ela conta histórias sobre pessoas como nós. As suas personagens poderiam muito bem ser alguma amiga nossa, ou alguém que conhecemos. E poderíamos mesmo estar a ouvir a história da boca de uma amiga. É assim tão realista! É bom para desanuviar, apesar de, quase sempre, os seus temas serem sérios e muito atuais.

Desta vez a autora focou o seu interesse num problema que assola muitos lares por esse mundo fora: as drogas de prescrição. Não sei se é assim que se denominam, mas falo das drogas/comprimidos que são inicialmente prescritas por um médico, mas que o seu abuso causa dependência, podendo levar a uma escalada de utilização. Certamente já ouviram falar de Vicodin, Percocet, Oxicodona...

A personagem principal, Allison é casada e mãe de uma desafiante menina de 5 anos. Trabalha em casa - escreve num site para mulheres - e dá apoio aos seus pais, agora que o pai foi diagnosticado com Alzheimer. A vida de Allison, que à primeira vista parece quase perfeita, está na realidade longe de o ser. E nós, pela hábil mão da autora, vamos ficar a conhecer os podres de Allison, que cada vez mais contagiam, com o seu cheiro nauseabundo, a perfumada vida desta mãe dos subúrbios.

Este livro é uma viagem pela vida de Allison - com a própria Allison a nos conduzir, na primeira pessoa, pelo caminho da adição e a forma viveu à beira do abismo durante tanto tempo, quase a cair. Grande parte do livro é exatamente sobre o dia a dia de Allison e a forma como ela enveredou por este caminho, e a forma como a adição acabou por condicionar enormemente a sua vida, apesar de ela achar que não. O resto do livro é sobre a sua experiência numa clínica de reabilitação e a forma como ela conseguiu deixar esse vício que quase lhe destruiu a vida e a família.

Apesar de ser uma história fictícia, a autora fez bastante pesquisa sobre o tema, e talvez pela habilidade que tem ao escrever de forma tão vívida, conseguimos colocar-nos no lugar de Allison e pensar "podia ter acontecido comigo".

Gostei imenso e recomendo. É daqueles livros cuja história me virá à ideia com frequência.


Quanto a esta autora, aplaudo a Bertrand por estar a apostar nela, e espero que continue a publicar os seus livrinhos - que são tantos!! ;)