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Opinião: "Elena sabe" de Claudia Piñeiro

Esta autora, que conquistou o meu coração de leitora com o livro "Uma Pequena Sorte", apresentou-se-me agora um novo livro que aborda um tema bastante difícil. Não digo que tenha sido uma leitura complicada, pois a escrita dela é uma verdadeira delícia, mas não foi certamente pêra doce.

ATENÇÃO! SPOILER ALERT!!

Elena é uma mulher de 63 anos que sofre de Parkinson. A sua única cuidadora é Rita, a sua filha. Um dia, Rita é encontrada enforcada no campanário da igreja. Elena não quer acreditar que Rita se tenha suicidado, embora todas as pistas, ou ausência de pistas contraditórias, indiquem isso mesmo. Ela acha que a filha nunca se aproximaria da igreja num dia de chuva (realmente nunca o tinha feito, pela  ideia que, por haver aí um pára-raios, corria um grande risco de morrer eletrocutada se rebentasse uma trovoada). Mas, tal como o título indica, Elena sabe. Embora lute para que a polícia investigue mais, Elena sabe a razão e o desespero que levou Rita a cometer suicídio. E no fundo, o leitor acaba por ir assumindo que também sabe, à medida que vai avançando na história. 

A escrita desta autora é maravilhosa. Adoro a forma como nos convida à interpretação do que lemos, mesmo que por vezes tenhamos de voltar atrás para reler o que acabámos de ler e captar o verdadeiro sentido. Continuo a gostar muitíssimo mais do outro livro de Claudia Piñeiro, mas vou ficar de olho em novas publicações. 

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Opinião: "Uma Pequena Sorte" de Claudia Piñeiro

Este livro foi uma pequena surpresa. Uma história impressionante, narrada de forma sublime, que nos trespassa como uma faca, mas que nos enriquece de beleza ao impulsionar-nos à reflexão.

Claudia Piñeiro é uma exímia contadora de histórias. Atrai-nos com o mistério da história por trás de Mary Lohan, uma mulher que é forçada a regressa ao país que abandonou há mais de 20 anos para fugir de uma tragédia, e depois lança-nos aos lobos. Não há forma de ficar indiferente. Não há como fugir ao sentimento. Quase que a diria bruxa, ou feiticeira das palavras, pois mexe com o nosso interior de uma tal maneira, que é difícil de encontrar noutros autores.

A forma como nos vai contando a história de Mary é como o desenrolar de um novelo de lã que está emaranhado. Temos de o fazer lentamente, parando de vez em quando para desembaraçar alguns nós. E sem darmos por isso, temos o novelo perfeito enrolado nas nossas mãos.

É assim que descrevo este livro. Perfeito. Uma narrativa exemplar, uma história contundente, personagens inesquecíveis. Não necessita nem mais um ponto.

”Talvez a felicidade seja isso, um instante onde estar, um momento qualquer em que as palavras sobram, porque seriam precisas muitas para o contar."

Espreite a ficha do livro na página da Leya » aqui.