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Opinião: "O Dicionário das Palavras Perdidas" de Pip Williams

Gostei tanto deste livro que nem sei bem por onde começar a falar dele. Tem tantas camadas, como as de uma cebola, e à medida que as vamos descascando, encontramos pormenores maravilhosos, e uma história que se vai modificando, engrandecendo. Adorei.

A pequena Esme, que conhecemos com a tenra idade de seis anos, é uma ávida devoradora de palavras novas, ou não fosse o seu pai um dos lexicógrafos que trabalha no primeiro Oxford English Dictionary. As palavras giram no seu mundo, e o seu mundo gira à volta de palavras. 

Um dia, Esme encontra uma palavra perdida no chão do Scriptorium (o local onde o trabalho do primeiro dicionário é levado a cabo). É então que começa realmente a maravilhosa história do Dicionário das Palavras Perdidas.

Esme vai crescendo ao longo do livro, e em breve entendemos o que são as Palavras Perdidas. São palavras de Mulheres, a linguagem feminina que se vai perdendo ao longo dos tempos, por serem homens a decidir que palavras são importantes e qual o seu significado. São palavras que deixaram de ser usadas, inclusivé oralmente, ou cujo significado foi deturpado ou considerado obsceno. E muitas ficaram mesmo para trás.

Uma outra camada da cebola, é o movimento Sufragista. A autora consegue incorporar o tema com facilidade, pois acabamos por falar do mesmo problema de fundo - os direitos da mulheres. Embora Esme não se identifique totalmente com as Sufragistas mais extremas, ela concorda com a luta pelo direito ao voto. Porque não deverão ter as mulheres os mesmos direitos que os homens?

Finalmente, o que nos acompanha durante toda a narrativa, a própria vida de Esme. É sem dúvida uma vida algo recatada, à qual ela consegue dar alguma cor. Mas é simultaneamente uma história triste. Os caminhos que ela percorre, as escolhas que acaba por ter de fazer... É uma história linda mas também triste, uma mistura que marca a grande maioria das histórias que não esquecemos.

E realmente, posso dizer com toda a certeza, que esta é uma dessas histórias. Dificilmente esquecerei a doce Esme e o que está por trás do dicionário das palavras perdidas. Adorei.


P.S. Apesar de baseado em factos e personagens reais, a autora explica no final, que Esme, o seu pai e Lizzie, entre mais alguns, são pura ficção. Acima, a fotografia da equipa do Scriptorium, do Sir James A. H. Murray. E sim, há duas mulheres, as filhas do Sir Murray, cujo trabalho no dicionário, tal como o de outras mulheres, só foi muito dificilmente reconhecido. 

Em destaque: "O Dicionário das Palavras Perdidas" de Pip Williams

Em 1901, descobriu-se que faltava a palavra “escrava” no Dicionário de Inglês Oxford. Esta é a história da menina que a roubou.

Sinopse:
Esme nasceu num mundo de palavras. Órfã de mãe e irreprimivelmente curiosa, passa a infância no Scriptorium, um barracão de jardim em Oxford onde o pai e um grupo de lexicógrafos dedicados selecionam palavras para o primeiro Dicionário de Inglês. Esme acompanha tudo a partir do seu lugar, debaixo da mesa, sem ser vista nem ouvida. Um dia, um pedaço de papel contendo a palavra “escrava” cai ao chão. Esme apanha-o e esconde-o na velha caixa de madeira da sua amiga, Lizzie, uma jovem criada de servir na casa grande. Esme começa a reunir outras palavras do Scriptorium, palavras descartadas ou negligenciadas pelos homens do dicionário. Palavras que a ajudam a entender o mundo.

Com o passar do tempo, Esme percebe que certas palavras são consideradas mais importantes do que outras, e que as que se relacionam com as experiências das mulheres acabam muitas vezes excluídas.
Como surgiram os primeiros dicionários? Quem selecionava as palavras?

E porque é que algumas palavras eram consideradas mais importantes do que outras? Pip Williams conta-nos esta história numa narrativa envolvente que é também uma maravilhosa história de amor.

É com o movimento sufragista feminino no auge e a Grande Guerra a aproximar-se a passos largos que se desenrola a ação de O Dicionário das Palavras Perdidas: uma narrativa escondida nas entrelinhas de uma história escrita por homens. Inspirada em factos reais, Pip Williams mergulhou nos arquivos do Dicionário de Inglês Oxford para contar esta história. O Dicionário das Palavras Perdidas é uma celebração deliciosa, lírica e profundamente instigante das palavras e do poder da linguagem para moldar o mundo.

Sobre a autora:
Pip Williams nasceu em Londres, cresceu em Sydney e, atualmente, vive em Adelaide Hills, no Sul da Austrália, com a família e uma variedade de animais. Dedicou a maior parte da sua vida profissional a estudar e a pesquisar questões de ordem social; é autora de One Italian Summer, um livro de memórias das viagens da sua família em busca de uma vida melhor, que foi publicado na Austrália com enorme sucesso. Com base em pesquisas nos arquivos do Oxford English Dictionary, O Dicionário das Palavras Perdidas é o seu primeiro romance.