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Opinião: "Luz de Lisboa" de Harrie Lemmens com fotografias de Ana Carvalho

No passado dia 7 de junho, tive o privilégio de assistir ao lançamento do livro de Harrie Lemmens: "Luz de Lisboa" é uma carta de amor a esta cidade que, quem a conhece não mais a esquece, e à qual deseja sempre voltar.

Na mesa estava Rui Couceiro, o editor, e Gonçalo M. Tavares, autor, e claro, Harrie Lemmens, o autor do livro em questão.

Mas quem é Harrie Lemmens? Para além de autor deste e de outros livros, Harrie tem traduzido para neerlandês autores portugueses como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Padre António Vieira, José Saramago, António Lobo Antunes, Clarice Lispector, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, João Ubaldo Ribeiro e muitos outros.

Quando vivia em Berlin, na antiga RDA, em 1985 que conheceu a fotógrafa portuguesa Ana Carvalho, e juntos acabaram por construir uma família. Depois descobriu Lisboa, por quem também se apaixonou. Após morar por cá alguns anos, acabam por dividir o seu tempo entre os Países Baixos e Portugal. Foi desta paixão que partilham pela cidade de Lisboa que surgiu este maravilhoso projeto.


O livro conta episódios da vida de Harrie ao longo dos anos, enquanto se passeia pelas ruas de Lisboa. Assiste a episódios caricatos, descobre lugares singulares, encontra pessoas inesquecíveis e aprende sobre mais sobre a história e a cultura portuguesa. Tudo banhado por esta luz magnífica que é tão típica da cidade de Lisboa. Inclui também alguma correspondência com amigos e familiares, e aos poucos, vamos percebendo que enquanto o mundo gira, também Lisboa se altera.

Gostei muitíssimo desta leitura, e principalmente ter conhecido o neerlandês com alma lusa, que escreveu esta carta de amor a Lisboa. 

As fotografias de Ana Carvalho que servem de postais de apresentação de Lisboa foram muitíssimo bem escolhidas. Têm uma beleza com profundidade suficiente para acompanhar esta bela obra.

Recomendo. É um excelente livro não só para quem ama Lisboa como para quem quer conhecê-la um pouco mais, de uma forma diferente.

Opinião: "Quando eu era pequenina" de Luísa Castel-Branco

Gosto imenso da palavra escrita da Luísa Castel-Branco. Por isso sempre que ela publica um novo livro, eu tenho de o ler. Gosto tanto dos seus livros de fição (e acreditem, são mesmo bons!), como das crónicas que escreve ou dos livros autobiográficos, como este que agora vos trago. 

Talvez por ter nascido fora da época. Ou seja, nasci vinte anos mais tarde do que devia (a minha mãe tinha 41 e o meu pai 46 anos). Ele era um homem severo, salazarista, e eu uma inútil rapariga. Acreditam que só no 9.º ano tive autorização para usar calças? Enfim... Esta é uma das razões porque gosto tanto de ler sobre essa outra época, vinte anos antes do meu nascimento, sensivelmente na altura em que Luísa Castel-Branco era uma menina, e cujos tempos agora recorda neste livro.

"Quando eu era pequenina" é o primeiro livro de um conjunto de três, e nele Luísa recorda exatamente a sua infância. As recordações de uma Lisboa de outros tempos, e dos arredores de outros tempos, quando ainda não eram dormitórios, mas tinham vida própria. As recordações também do seu lugar de férias, com o qual (tal como eu!) ela não tinha nenhuma ligação própria. Foi adotado pela sua família como a "terra" para onde se ía nas férias (no meu caso, pasmem-se, era Entre-os-Rios! Mais precisamente as Termas da Inatel).

Adoro o tom com que ela nos conta curiosidades e situações sobre a sua meninice, enquanto simultaneamente se auto-psicanaliza. Tem toda a razão, cara Luísa, a escrita é a melhor forma para lidarmos com os sentimentos e traumas. Libertamos as nossas frustrações no papel e de imediato nos sentimos mais leves. Para quem gosta de escrever, não há melhor terapia!

Resumindo, gostei mesmo muito. Acaba por ser um livro que nos obriga a crescer, pois ao olharmos para nós próprios também quando éramos crianças, apercebemo-nos da distância e da importância de certas coisas, e acabamos por ficar bem com elas. Acredito sempre que, acima de tudo, temos de fazer as pazes com o nosso eu-criança. Só assim conseguimos crescer.

Bem haja, Luísa. Fico à espera da continuação.

Em destaque: "Quando eu era pequenina" de Luísa Castel-Branco

Uma encantatória viagem à Lisboa de antigamente e ao Portugal da nossa meninice.


Sinopse:
O tempo da infância é diferente de todos os outros. É repleto de magia, de risos e lágrimas, de medos e desafios. Durante a infância, temos a certeza de que tudo vai ser possível e não sabemos que nunca mais voltaremos a sentir-nos assim. Sob a forma de emoções, e alimentando pensamentos, ficam memórias construídas com as coisas mais estranhas, como se de um edifício ou de um jardim desenhado com cuidado e desvelo se tratasse.

Neste livro, o primeiro de uma trilogia dedicada à infância e às memórias, ao amor e aos filhos, e ao envelhecimento e à morte, Luísa Castel-Branco leva o leitor pela mão até à ruralidade dos arredores da Lisboa dos anos 1950 e 1960, uma realidade povoada de grandes árvores bravias, de gado pachorrento, de personagens estranhas, de bailaricos apaixonantes e de mistérios familiares. E à memória tanto nos vem o cheiro a terra molhada de quando íamos para a escola e o outono começava a aparecer devagarinho, como o toque daquele vestido de que tanto gostávamos e que nos fazia sentir tão crescidas.

Verdadeiro e corajoso, delicado e afetuoso, arrancado do fundo da alma, Quando Eu Era Pequenina, de Luísa Castel-Branco, é uma obra preciosa, à qual nenhum coração sensível poderá ficar indiferente.

Sobre a autora:
Luísa Castel-Branco nasceu em Lisboa, em 1954. A sua vida esteve desde sempre ligada à comunicação: começou por colaborar no jornal Semanário e mais tarde fez parte do grupo fundador da revista Máxima. Foi assessora de imprensa de vários gabinetes ministeriais e criou uma agência de comunicação, dedicando-se à área do marketing político. Em 1999, foi convidada a integrar o projeto CNL, onde começou a sua carreira televisiva. Depois do talk show «Luísa», apresentou o concurso «Dinheiro à Vista» (TVI), seguido de «Emoções Fortes» e «O Elo Mais Fraco» (RTP1). Na SIC Mulher, apresentou «Vícios e Virtudes» e participou ainda em «Eles por Elas». Nos últimos sete anos, foi comentadora do programa «Passadeira Vermelha». Depois de em 2001 ter publicado Luísa – o seu primeiro livro –, estreou-se no romance com Alma e os Mistérios da Vida, uma obra que convenceu a crítica e conquistou o público. Desde então, publicou mais 11 títulos.

Em destaque: "Ao Serviço de Portugal - Uma viagem ao interior dos serviços secretos" de Jorge Silva Carvalho

Sinopse:
Em 2016, Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), o serviço português de inteligência externa, foi condenado em tribunal por violação de segredo de Estado, acesso a dados pessoais e devassa da vida privada. Na altura, como até hoje, contestou essa sentença - e, dois anos depois, quebra o silêncio com um livro que não se limita a abordar «o seu caso», mas que é, também, uma viagem à história e à vida recente dos serviços secretos portugueses. Nele, responde a questões que interessam a todos nós: como se organizam os serviços de informação? Quais são os limites e o alcance do trabalho dos «espiões portugueses»? É possível manter um serviço de inteligência sem atravessar as fronteiras da legalidade? 

Numa linguagem viva e direta, resultado de longas conversas, Jorge Silva Carvalho começa por recordar as acusações durante a última sessão do seu julgamento, recua aos tempos da formação no SIS, à especialização em contraespionagem, à formação da «Casa da Rússia», a atividade dos serviços em alguns casos de vigilância e contrainformação, e mostra — pela primeira vez — como decorrem essas operações em Portugal e no estrangeiro.


Sobre o autor:
Jorge Silva Carvalho nasceu em Lourenço Marques em 1966. Licenciado Direito em Lisboa (FDL) e Mestre em Gestão de Empresas, entrou para o Serviço de Informações de Segurança (SIS) em 1991. Desde muito cedo ocupou vários cargos dirigentes nos serviços de informações, tendo terminado a sua carreira como diretor-geral do SIED – sendo um especialistas de referência em informações, segurança nacional e internacional, espionagem e contraespionagem, vigilância e contra vigilância. Foi professor de Direito e Segurança em várias universidades e fundou o primeiro curso de pós-graduação português em Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento. Desde 2011 que trabalha no setor privado como gestor de empresas e consultor em matérias de segurança e inteligência estratégica e económica.

"Quem me Dera que Aqui Estivesses” de Francesc Miralles

É engraçado como existem livros dos quais esperamos muito, e depois nos desiludimos, e livros que praticamente nada de novo nos prometem a não ser umas horas de entretenimento e que depois nos surpreendem.
Este foi um desses casos! :)
Dentro deste pequeno livro com uma capa original e um título a prometer romance, encontrei uma história deliciosa, cheia de pequenas pérolas e ao mesmo tempo muito divertida. Adorei a forma como as coincidências se entrelaçavam e confesso que apesar de adivinhar o final, não imaginei a forma original como acabou por se desvendar o mistério.
O toque de mestre para mim é o modo como o autor inclui letras de músicas conhecidas na história. Por sinal, o título do livro é baseado na música dos Pink Floyd “Wish you were here”.
Muito giro! :)

Aqui fica uma das suas pequenas pérolas:

NUNCA SE APAGUEM!

Ao ler esta mensagem sobre o fundo estrelado estremeci sem saber porquê, como se o subconsciente tivesse compreendido algo essencial que ainda não tivesse emergido à razão.
Interroguei-me sobre o que quereria dizer aquilo. Talvez se referisse ao facto de as estrelas estarem sempre acesas, indiferentes às calamidades do mundo. Inclusive quando não as vemos continuam lá, à espera de guiar os navegantes.
Também os sonhos são como as estrelas que se acendem no nosso horizonte. Ainda que os percamos de vista, continuam a brilhar nalgum lugar recôndito do nosso ser. Será isso a esperança?
Surpreendido com as minhas próprias conclusões, levantei a cabeça em direcção ao céu e senti vertigens. Havia milhares de estrelas visíveis, algumas resplandecentes como holofotes, outras tímidas e vacilantes como flores na névoa cósmica.
Inspirei profundamente e senti que aquela explosão de luz distante penetrava no meu interior até o preencher. Quase sem me aperceber, repeti: «Nunca se apaguem.»

Sinopse:
No dia em que faz 30 anos, Daniel, um arquitecto de sucesso em Barcelona, é abandonado repentinamente pela sua noiva. Em pleno naufrágio emocional, tenta distrair-se a ouvir um disco que lhe foi oferecido por uma das suas poucas amigas íntimas. O CD é de uma jovem cantora quase desconhecida chamada Eva Winter - e, para de Daniel surpresa, cada canção do álbum parece descrever, ao pormenor, a sua vida e as suas emoções. Intrigado, Daniel toma uma decisão impetuosa: sem avisar ninguém, parte para Paris, em busca desta misteriosa cantora que parece conhecê-lo melhor que qualquer pessoa. À sua espera, encontra as mais insólitas surpresas… e talvez até o amor da sua vida.