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"Os Cães de Babel" de Carolyn Parkhurst

«Soubera eu ontem o que sei hoje, teus olhos cinzentos teria arrancado, por dois olhos de barro teria trocado.
Soubera eu ontem que deixarias de ser meu, teu coração de carne teria arrancado por um de pedra teria trocado.»

Sinopse:
No dia em que Lexy Ransome perde a vida ao cair da macieira do jardim de sua casa, Paul Iverson, o marido, compreende que a partir daquele momento toda a sua existência será pautada pela devastação da perda da mulher que amava. Atormentado pela dúvida quanto ao que realmente aconteceu, Paul embrenha-se numa investigação obsessiva dos vários indícios misteriosos que vai encontrando em casa e que o levam a crer não ter sido a morte da mulher acidental. A única testemunha do que se passou é Lorelei, a cadela, e Paul entrega-se à tarefa hercúlea de ensinar Lorelei a comunicar numa tentativa desesperada de chegar à verdade dos factos. Um romance poderoso e original, que nos revela os caminhos do amor e da sensibilidade feminina.

A minha opinião:
Mais uma vez devia ter dado ouvidos à minha mania anti-sinopse. Foi exactamente a sinopse e a sua promessa de dor e angústia pela morte de um conjuge que me fez adiar tanto tempo esta leitura. Leituras pesadas nem sempre são bem vindas (já nos bastam por vezes as complicações da vida). Mas na verdade não se pode dizer que seja exactamente uma leitura pesada. Muito pelo contrário.
A história por si só, é fascinante. Escrita num tom encantador, muito carinhoso, somos apresentados à dor e atordoamento de Paul, cuja mulher caiu de uma macieira sem que fosse óbvio o suicídio. Ele leva-nos a passear pelas recordações do seu casamento, nem sempre fácil, mas sempre rico em sentimentos, onde o amor sem dúvida que predominava. Lexy não era uma pessoa simples, mas era a sua excentricidade que a transformava em alguém inesquecível para quem a conhecia. O que Paul não sabia é que a sua excentricidade também escondia toda uma angústia, que que a assolava silenciosamente e a qual ela nunca conseguiu realmente vencer.
A relação com Lorelai, a sua cadela, o plano a que ele se propôe e que nos revela o profundo desespero a que a sua alma estava sujeita, a investigação insiste em levar a cabo, tudo nos envolve e nos impulsiona a continuar a ler, querendo com todas as nossas forças, que Paul chegue a uma conclusão.
Foi sem dúvida uma leitura lindíssima e cheia de pormenores enternecedores e conclusões magníficas.

«Recordo a minha mulher de branco. Recordo-a a caminhar para mim no dia do nosso casamento, segurando um ramo de flores vermelhas e recordo-a afastar-se de mim colérica, o corpo rígido como uma pedra. Recordo o som da sua respiração enquanto dormia, e o seu corpo nos meus braços. Recordo, recordarei sempre, que ela trouxe consolo à minha vida e também dor. Que por cada momento negro que vivemos juntos, houve um momento de um tal esplendor que quase não consigo encará-lo. Procuro recordar a mulher que ela era e não a mulher que eu construí a partir de peças soltas para me reconfortar no meu luto. E descobri, à medida que os dias passam e o bálsamo do meu perdão aplaca a superficie gretada e ressequida do meu coração, descobri que recordá-la como ela é um presente que posso oferecer a ambos.»

Uma passagem que achei muito interessante foi também esta, onde Paul lê o último sonho inscrito no caderno de sonhos de Lexy (desde os seus onze anos que ela apontava os sonhos que tinha assim que acordava):
«"Sonhei que me tinham aberto e descoberto que eu tinha dois corações. O segundo era pequeno e de uma cor diferente. Estava oculto debaixo do coração principal, por isso não o viram a princípio. Fiquei muito admirada quando me contaram isso, mas o médico disse que era absolutamente normal. Disse que a maioria das pessoas tem dois corações, só que nunca sabemos."
Sinto-me intrigado com este, e não apenas por ser o último. Não é verdade que cada um de nós tem dois corações? O coração secreto, enrolado lá atrás como um punho, vivendo nodoso e encolhido atrás do coração normal e exposto que usamos todos os dias. Recordo uma noite, há cerca de um ano, em que estava deitado ao lado de Lexy, sem conseguir adormecer. Sabe-se lá porquê, comecei a pensar numa mulher que conhecera na faculdade, uma mulher com quem andara apenas umas seis ou sete semanas. Não fora uma relação significativa, pelo menos para ela, mas eu tinha-me apaixonado e embaraçava-me descobrir que, todos estes anos depois, ainda me sentia magoado por ela não ter correspondido. Como é possível, interroguei-me, que se possa estar deitado na cama ao lado de uma pessoa que se ama total e apaixonadamente, uma pessoa a quem se quer mais do que à própria vida,  e ainda sentir dor ao pensar naquela que nos magoou há tantos anos? Somos atraiçoados por esse nosso segundo coração, cuja carne está escura como a ponta de um dedo à qual se enrolou firmemente um cabelo, e se tornou azul devido à falta de sangue. A sua torpe opressão. Naquela noite, com Lexy a meu lado, fiquei surpreendido por me descobrir ali. Fiquei surpreendido por descobrir que entretanto tinha vivido uma vida inteira. E agora, aqui sentado, com todos os sonhos de Lexy no meu colo, apercebo-me de que há coisas a seu respeito que nunca saberei. Não é o conteúdo dos nossos sonhos que dá a esse segundo coração a sua cor escura; são os pensamentos que nos povoam a mente naqueles momentos de insónia em que não conseguimos conciliar o sono. E essas coisas, nunca as contamos a ninguém.»

E assim terminei as minhas leituras de Janeiro.
Foi um excelente mês de leituras! (11 livros)

"Frágil" de Jodi Picoult


Tudo pode quebrar. Mas algumas coisas doem mais do que outras.

Sinopse:
Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita - uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência - por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido...

A minha opinião:
Nunca vos aconteceu ficarem zangados com um livro?
A mim já aconteceu algumas vezes. Hoje voltou a acontecer. Com este livro.
Espero não vos confundir… Eu adoro ler Jodi Picoult. Os temas que aborda, o modo como nos apresenta a história, a maneira como nos faz oscilar de opinião, fazem dela uma das minhas autoras favoritas e muito provavelmente uma das melhores autoras da actualidade. E este livro não foi excepção.
Mais uma vez vi-me perante um caso complicado. Parte dele está bem exposto na sinopse. Mas isso é apenas parte dele.
Não é fácil comentar um livro de Jodi Picoult. Principalmente por não sabermos o que dizer. Principalmente quando chegamos ao final e ficamos sem saber o que pensar ou o que sentir. Ou porque ficamos zangados.
Não consigo comentar sem revelar demasiado, por isso não o vou fazer.
Apenas vos digo que, apesar de tudo, valeu a pena esta leitura e que mais uma vez, aprendi algo:
Há coisas que não têm valor, devido ao valor inestimável que possuem.

De tantos pedaços de texto que nos tiram o fôlego e nos obriga a lê-los duas e três vezes, há dois especiais que tenho de aqui ressalvar:

Pág. 186 - 187
(…)
- Mas eu ainda não disse nada!
- Não tens de dizer adoro-te para dizeres adoro-te – disseste encolhendo os ombros. – Só tens de dizer o meu nome que eu sei.
- Como?
Quando olhei para ti, fiquei impressionada por ver tanto de mim própria no formato dos teus olhos, na luz do teu sorriso.
- Diz Cassidy – instruíste.
- Cassidy.
- Diz… Úrsula.
- Úrsula – repeti.
-Agora… - apontaste para o teu próprio peito.
- Willow.
- Não ouves? – disseste – Quando gostamos muito de uma pessoa, dizemos o nome dela de maneira diferente. Como se estivesse em segurança dentro da nossa boca..
- Willow – repeti, sentido a almofada de consoantes e o balançar das vogais. Terias razão? Poderia abafar tudo o resto que eu tivesse para dizer? – Willow, Willow, Willow – entoei, uma canção de embalar, um pára-quedas, como se pudesse amparar-te dos golpes que estavam para vir.
(…)

Pág. 279-280
(...) Quem sabe se há uma diferença entre ser-se uma mãe responsável e ser-se uma boa mãe.
- Há sim - disse eu, e Charlotte olhou para mim, na expectativa.
Apesar de não conseguir articular a diferença enquanto adulta, em criança, sentira-a. Fiquei a pensar por um instante.
- Uma mãe responsável é alguém que segue cada passo que o filho dá - disse eu.
- E uma boa mãe?
Olhei para Charlotte.
- É alguém que o filho deseja seguir.
(...)


Obrigada querida Amiga por esta oportunidade!

"A Cabana" de Wm. Paul Young


Sinopse:
E se Deus marcasse um encontro consigo?

As férias de Mackenzie Allen Philip com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada.
Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana.
Ainda que confuso, Mack decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontrar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre.
Visite http://www.acabana.pt/

A minha opinião:
Foi com algumas reticências que embarquei nesta leitura.
Por norma sou daqueles que desconfiam sempre, como diz o ditado, “quando a esmola é muita”, e a publicidade gerada em torno deste livro para mim, acabou por se revelar negativa. Mas como vinha muito bem recomendado, lá comecei a lê-lo.
Normalmente evito saber muito sobre a história quando o começo a ler um livro. Às vezes até evito as sinopses, mas sem querer, fui lendo um ou outro pedaço de comentários e acabei por criar uma ideia (errada) do livro. Estava mesmo convencida que me ía deparar com um desses livros com uma mensagem muito espiritual que aborda a fé do ponto de vista de uma crença ou religião.
Mas sinceramente após 1/3 do livro, já estava a ficar completamente à toa, sem saber o que esperar com o desenrolar da história.
Entretanto o maridão foi de viagem e “raptou-me” o livro. Obviamente tive de interromper a leitura e acabei por intercalar uns quantos livros pelo meio.
Quando soube a opinião dele ainda fiquei mais confusa, pois não comungamos da mesma intensidade de sentimentos relativamente à religião. Pensei que se trataria de mais um daqueles livros estranhos com uma história sem pés nem cabeça (ele gosta de livros assim), mas a verdade é que isso não ía de encontro à opinião da minha amiga Betita. Fiquei sem saber o que fazer, e portanto deixei-o a repousar na estante mais umas semanas.
Passado algum tempo, uma outra amiga minha (evangélica) mandou-me um email a por a conversa em dia e falou-me entusiasmadamente desse livro. Pronto. Fiquei definitivamente com a cabeça a andar à roda. Como é que era possível, três pessoas tão distintas partilhar uma mesma opinião e terem gostado tão intensamente do mesmo livro?
Não esperei mais e acabei por pegar nele assim que terminei o livro que tinha em mãos.
Agora, passados dois dias, em que deixei a leitura assentar, por assim dizer, só consigo comentar que tenho de o ler outra vez.
Encontrei em “A Cabana” uma história fantástica, que me tocou bastante, mas de uma forma completamente diferente do que se espera de um livro. Vi muitas das minhas questões respondidas e senti que o livro ainda terá muito para me dizer numa outra leitura mais cuidada.
Percebo agora toda a publicidade em torno deste livro. É na verdade muito, muito especial, e há-de ser uma das prendas que oferecerei este Natal a várias pessoas.

Obrigada querida Betita por mais este conselho e oportunidade!

"A Menina dos meus Olhos" de Patrick Redmond

Sinopse:
Ronnie Sidney é uma criança perfeita – talentoso, bonito e carinhoso. Fruto de um romance ilícito em tempo de guerra, dá à mãe um amor incondicional quando tudo o que ela conhece é rejeição e desprezo. Aos seus olhos, ele é perfeito: um raio de sol na penumbra da sua existência. Mas à medida que as fendas se vão abrindo nessa fachada encantadora, um carácter bem diferente começa a vislumbrar-se.
Já para Susan Ramsey a vida é fácil. Amada e protegida pelos pais, nada sabe de privações e misérias. Até que uma súbita tragédia a empurra para um mundo obscuro e perturbador.
Quando Susan e Ronnie se encontram pela primeira vez, a atracção é imediata. Ambos reconhecem no outro a tão ansiada alma gémea. Ronnie sente-se capaz de tirar a sua máscara de perfeição – mas as consequências vão ser mais terríveis do que eles poderiam alguma vez imaginar… Com a sua envolvente exploração de jogos psicológicos, de poder, relações complexas e violência emocional, A Menina dos Meus Olhos é o fascinante terceiro romance do autor de Jogos Cruéis e Os Fantoches.

A minha opinião:
Que livro fantástico! Prendeu-me mesmo até ao último momento.
É o primeiro livro que leio deste autor e acho que não deverá ser o último.
A história está muito bem engendrada, e é-nos apresentada de uma forma muito clara. O autor, quase sem que demos por isso, divide a história em duas partes distintas: uma em que nos apresenta Ronnie e outra em que nos apresenta Susie.
Ao longo da narrativa vamos acompanhando a evolução e crescimento destas duas personagens até que os seus caminhos se cruzam.
Ronnie é um sociopata e é impressionante ver a sua evolução desde bebé. Acho que de certa forma o autor prova que o "mal" nasce com as pessoas e não é apenas um resultado de acontecimentos.

É mesmo uma história inquietante, que nos mant+em em suspenso até à última página. Tenho apenas a acrescentar que o final me desiludiu um pouco. Não querendo revelar demasiado para os que irão ler este livro, só acrescento que acho que um "verdadeiro" Ronnie não optaria pela mesma decisão que o autor.

(Obrigada Tarsys por este empréstimo magnífico!)

"Nunca Te Perdi" de Linda Howard

Sinopse:
Milla Edge mudou-se recentemente para o México, onde o seu marido David, foi colocado como médico. A vida deles é um sonho. Acabaram de ter o primeiro filho, e estão tremendamente apaixonados. Ambos se deliciam com a nova vida, e Milla está no auge do seu brilho maternal quando lhe roubam o bebé Justin das suas próprias mãos.

Uma década mais tarde, Milla é uma mulher diferente. O casamento há muito que terminou e a sua vida é totalmente dedicada à Organização Não Governamental que lidera: Finders. À caça de criminosos, ela percorre os lugares mais desoladores do mundo à procura de crianças raptadas (incluíndo o seu filho que nunca aceitou perder). Dois homens cruzam o seu caminho: True Gallagher, um dos grandes mecenas da sua instituição, e Diaz um perigoso mercenário, tão interessante como misterioso. Quanto mais Milla se aproxima das respostas, maiores são os perigos que enfrenta. E ninguém brinca com os cabecilhas das redes de tráfico infantil.
A minha opinião:
Ainda não consigo ver muito bem as letras que agora escrevo pois terminei agora mesmo a leitura deste livro e as lágrimas ainda não pararam de correr.
Que livro maravilhoso!
Tem todos os ingredientes para que uma bela história resulte em algo fora de série. O romance está lá, o mistério está lá, o drama está lá. Todos habilmente misturados e nas quantidades necessárias.
Não que seja um exemplo máximo da excelência da literatura. Não, não é isso que me leva a dar-lhe 5 estrelas. É mesmo a história em si, os seus contornos, as suas características. E as reacções que me provocou. Muitas foram as vezes que levei a mão ao peito, com aflição, que tapei a boca, tentando abafar um soluço, que levei a mão aos olhos, limpando as lágrimas, e que ri.
É um dos livros mais emotivos que já li este ano. Não, lamechas, não me interpretem mal, mas emotivo. Todo o tipo de emoções.
Adorei. E recomendo, acenando com a minha bandeirola das 5*!

(Muitíssimo obrigada querida fbeatriz, por esta oportunidade maravilhosa!)

"Deixa Falar o Coração" de Billie Letts

Sinopse:
Caney Paxton queria que o seu café-restaurante tivesse o anúncio luminoso maior e mais brilhante do Oklahoma Oriental. Doze anos depois, a estrada antes tão movimentada está morta e o anúncio luminoso tão usado como o próprio Caney que nunca mais se aventurou a sair do restaurante desde que este abriu. Os frequentadores habituais também pouco mudaram e continuam a lamentar-se e a mexericar enquanto comem os ovos mexidos e bebem o café quente. Mas, num dia tempestuoso de Dezembro, uma mulher dos seus trinta anos aparece subitamente trazendo nos braços um cão semimorto só com três patas e no coração um segredo há muito enterrado. Contratada como empregada, rapidamente Vena Takes Horse dá um abanão ao negócio, à freguesia e ao coração de Caney... ao ensinar a todos o que é a generosidade, a solidariedade e o amor.

A minha opinião:
Este é daquele tipo de livros ao qual não damos grande crédito à primeira vista, mas que acaba por nos surpreender.
Assim que começamos a leitura sentimo-nos envolvidos tal como se estivéssemos sentados frente a um écran de cinema. É assim que escreve Billie Letts.

Desta autora já conhecia o livro "Onde está o coração", o seu primeiro romance, distinguido com os prémios Walker Percy e Oklahoma Books em 1996. Este livro virou filme no ano 2000, com o título em português "A Voz do Coração" (consultar a ficha no IMDB para mais informações sobre este filme), com Natalie Portman, Ashley Judd, Stockard Channing, Joan Cusack e Sally Field nos principais papéis.

Neste seu 2º livro, Billie Letts consegue repetir a fórmula vencedora, com uma história perfeitamente comum, preenchida com personagens que nos conquistam.
Por norma não confio muito nas frases publicitárias que acompanham um livro, mas neste caso tenho de admitir que as respectivas encerram unicamente a verdade - aqui ficam algumas:

«Letts faz sentir ao leitor que nunca é tarde demais para encontrar aquilo que sempre se desejou»

«Uma história tocante de gente que descobre o verdadeiro significado da palavra "lar" nos sítios mais inesperados.»

«Um livro que faz as pessoas sentirem-se melhor depois de o terem lido.»

«Uma história cheia de personagens inesquecíveis que rapidamente encontram o caminho para o coração dos leitores.»

«Um olhar cheio de Sol sobre o lado negro da vida.»


(Muito obrigada Tarsys por esta maravilhosa partilha!)

"Amores Negados" de Ángela Becerra

Sinopse:
Um romance magistral marcado pela espiritualidade, pela sensualidade e pelo erotismo de uma autora por muitos comparada a Isabel Allende.
Classificada como «romance magistral» e «uma bela lição literária de erotismo» pela crítica da Colômbia, Amores Negados mergulha-nos na sensibilidade mais refinada e no humor mais subtil, no que foi definido como idealismo mágico.
A história de amor entre Fiamma dei Fiori e Martín Amador é como as ondas do mar. Açoita, bate, acaricia, lambe, vem e vai, num vaivém de sentimentos desencontrados que submergem o leitor na voragem das contradições sentimentais. O amor e o desamor, a rotina e a paixão, a espiritualidade e a rebeldia fazem parte da vida de Fiamma dei Fiori, uma mulher inteira e verdadeira no momento mais pleno… e mais vazio da sua vida.

É uma belíssima história de amor que decorre numa cidade portuária onde o tempo parece acompanhar os desassossegos deste casal. Transbordante de vibrações de vida, procura, idealismos, sonhos possíveis e impossíveis, alegrias e solidões, até conseguir o que todos desejamos: encontrar-nos a nós mesmos.

A minha opinião:
Um dos melhores livros que li no ano passado foi exactamente desta autora “O Penúltimo Sonho” por isso quando me surgiu a oportunidade de ler o “Amores Negados”, agarrei-a com as duas mãos e devo dizê-lo não me desiludi.
Apesar de ser uma história diferente, escrita também num outro contexto, é um livro sem dúvida magnífico, merecedor do prémio que arrecadou do Latino Literary Award.
Basicamente, é uma história de amores que não chegam a ter a oportunidade de o ser na sua plenitude, no fundo, amores negados.
Mas na verdade é muito mais do que isso. É uma história que pega na fantasia e no esotérico, na filosofia e no fantástico, e habilmente os mistura com a realidade. As alegorias e as analogias utilizadas são uma delícia que me encantaram e sem saber bem como consegui rever-me em tantas situações... esse, acho eu, é capaz de ser o segredo fechado a chave de ouro nas entrelinhas desta história: o fazer o leitor pensar seriamente nas coisas que realmente são as mais importantes nas relações.
É daquele tipo de livros que pegando nele só a contra gosto o conseguimos pousar, mas atenção, não é um tipo de leitura para toda a gente. Apesar de saber que muitos não concordarão, para mim, a forma como este livro está escrito é simplesmente divinal. Deixo aqui um pequeno exemplo:

(…) Tinham voltado as temíveis tempestades. Em Garmendia del Viento, a gravilha revoltosa andava agitada fazendo das suas, metendo-se em todos os orifícios que encontrava. Era o maldito vento salgado que tanto temiam os confeiteiros que costumavam instalar-se no Portal de los Dulces. Todas as doçuras dos seus escaparates acabavam salgadas por culpa do chicote castigador vindo do mar. Esse pozinho salitroso encarregava-se de desajustar as dobradiças, fazer chorar os galos, temperar as hóstias e oxidar até os corações mais blindados. Os dentes moíam a areia, sendo impossível um beijo limpo de sais minerais. (…)

Merece indubitavelmente as minhas 5 estrelas.

(Muito obrigada Canochinha por esta partilha maravilhosa!)

"De Alma e Coração" de Maeve Binchy

Sinopse:
Clara Casey tem muito com que se ocupar. A sua filha Adi vive numa eterna luta contra ou a favor de alguma causa: o ambiente, as baleias ou a criação de animais ao ar livre. Linda, a outra filha, experimenta uma sequência de relações falhadas. Além disso, Clara tem vindo a receber uma indesejada atenção por parte do ex-marido e confiaram-lhe a inglória tarefa de montar uma clínica com escassos fundos.
Não tarda contudo a que aquela clínica se torne um elemento essencial da comunidade, trazendo para o local novas pessoas, com as suas histórias e os seus sonhos. Com a astúcia, o humor e a compaixão a que nos habituou, Maeve Binchy traz-nos uma história de família, amigos, médicos e pacientes - todos eles parte de uma comunidade num momento de transição.

A minha opinião:
Foi a primeira vez que li algo desta autora mas não será a última vez de certeza!
Que livro extraordinário!!
A forma como ela descreve a história, com um milhão de personagens, dedicando quase um capítulo à história individual de cada uma mas sem nos cansar, é quase como estivessemos a ler vários livros ao mesmo tempo. Fenomenal!!Mal posso esperar para voltar a ter nas mãos "Uma Casa na Irlanda" que já esteve comigo mas que não li por ser uma edição com umas letras muito pequeninas e pouco convidativas!

(Obrigada querida Bé por mais esta maravilhosa partilha!)

"Não Sei Nada sobre o Amor" de Júlia Pinheiro

Sinopse:
Quando desceu ao riacho, mantilha na cabeça e coração aos pulos, Maria da Glória não sonhava que aquele encontro fortuito com o macho da aldeia iria marcar para sempre a sua vida. Esperava sair dali com namoro anunciado e quem sabe até com casamento marcado. Saiu à pressa, com a roupa ensanguentada, as tripas viradas e a semente de Maria da Purificação na barriga. Estava lançado o destino das mulheres desta família na qual as palavras prazer, carinho, paixão e amor permanecerão para sempre um mistério. A apresentadora de televisão Júlia Pinheiro estreia-se na escrita com uma história surpreendente e apaixonante sobre quatro mulheres que nada sabem sobre o amor. Ao longo destas páginas não suspiramos de amor, não nos empolgamos com casos de paixão arrebatadora, nem choramos com casamentos felizes. Somos levados numa saga familiar que se inicia nos anos 30 onde os sentimentos eram um infortúnio e o prazer uma pouca-vergonha. Não Sei Nada sobre o Amor traça o retrato de uma sociedade e de um país ao longo de quase 70 anos de história, através do olhar de Maria Glória, a avó, Maria da Purificação, a filha divorciada, Ana Clara, a neta mãe solteira, e Benedita, a bisneta, que, apesar de todas as expectativas, não se casa com nenhum príncipe encantado.

A minha opinião:
Admito que não teria pegado neste livro se não fosse uma querida amiga insistir que era uma excelente obra. Não pela autora em si, que neste momento não me diz grande coisa (apenas recordo com saudade a outra Júlia Pinheiro dos velhos tempos das Noites da Má Língua), mas pelo facto da moda que anda agora pelo nosso país de que tudo o que é celebridade ou vedeta da TV publicar livros a torto e a direito, sendo que a qualidade da grande maioria deixa muito a desejar. Mas fugiu à regra a Luísa Castel-Branco e fugiu também à regra este livro da Júlia Pinheiro.
O livro conta-nos a história de 4 mulheres, iniciando-se nos anos 30 com Maria da Glória. Mais tarde, a sua filha Maria da Purificação sobrevive ao Estado Novo, e a sua neta Maria da Glória, que assiste às alterações sociais e políticas do 25 de Abril. No final surge Benedita, filha de Maria Clara, que bem podia ter sido uma colega minha de escola.
Gostei imenso e confesso que aprendi bastante. Gostei muito de ver a evolução do nosso país reflectida na vida destas 4 mulheres, que afinal de contas, pelos revezes da vida em si, que ao que parece não sabiam nada sobre o amor.

Estou feliz por ter lido este livro e confesso que espero com alguma curiosidade uma próxima publicação.

(Obrigada querida Bé, não só por me teres facultado este livro, mas pela tua insistência para que o lesse.)

"Espero por ti este Inverno" de Luanne Rice

Sinopse:
Com o seu incomparável dom para descrever as alegrias e os desafios do amor e da família, Luanne Rice leva agora os leitores numa viagem emocional pelo território inexplorado entre mães e filhas e pais e filhos. Um romance cativante que vai ao passado para encontrar a chave para um futuro sem limites.

Neve Halloran e a filha partilham o amor pela beleza austera de Rhode Island desde que Neve ajudou Mickey a dar os primeiros passos na costa arenosa. Agora, com Mickey já na adolescência e tendo Neve perdido a esperança de ser feliz com o ex-marido, ambas vão lutar por uma nova vida no meio da paisagem ventosa que as sustém.Apaixonada pela reserva natural da zona, Mickey avança em direcção à vida adulta na companhia de um rapaz solitário que partilha o seu amor pelos animais. E Neve irá sentir-se atraída por um homem que dedicou a vida a essa reserva, mas que é incapaz de partilhar a dor de uma perda recente. À medida que o Inverno avança e dá lugar à Primavera, e a Primavera ao Verão, surge um segredo que esteve submerso nas profundezas durante décadas, um segredo que irá agitar a pequena comunidade costeira. As águas profundas contêm os seus vestígios do passado – e os seus ritmos podem indicar o caminho para a esperança e um novo começo.

A minha opinião:
Luanne Rice é sem dúvida uma autora capaz de nos levar a viajar por dentro dos sentimentos das personagens dos seus livros com uma facilidade estrondosa.
Tudo neste livro grita excelência, tanto a localização onde se passa a acção, como a própria história que está absolutamente bem elaborada, passando pelos personagens, cujas vivências e problemas são perfeitamente realistas.
Graças a este livro, Rhode Island tornou-se num dos sítios que um dia gostaría de visitar.
Foi uma belíssima companhia na praia entre mergulhos!
(Obrigada querida Bé por mais este empréstimo!)

"És o Meu Segredo" de Tiago Rebelo

Sinopse:
Tomás Arruda, o actor português mais famoso da actualidade está de regresso a Lisboa depois de ter conquistado Londres e Hollywood. Em Portugal reencontra duas irmãs: uma, uns anos mais velha que ele, de quem recorda um intenso romance de férias no Algarve, a outra, a irmã mais nova por quem nutre uma afeição especial e inesquecível. Um terrível segredo e um turbilhão de acontecimentos e de sentimentos vão condicionar o seu reencontro e mudar, para o bem e para o mal, as vidas destas três almas unidas por um destino comum.
"És o meu segredo" é um turbilhão de emoções que se lêem, página a página, com o coração apertado, desejando um final feliz para todas as personagens mas sem se deixar de ter a secreta sensação de que isso nem sempre é possível. Corremos contra o tempo para chegarmos à última página, movidos pela necessidade de saber mais, partilhando com as personagens uma sucessão imparável de acontecimentos e de revelações surpreendentes. Comovente, sincera, por vezes feliz, por vezes brutal, a história vive na cabeça das personagens, revelando-nos os pensamentos mais íntimos que condicionam as suas acções. Trata-se de um romance com uma profundidade e uma densidade psicológica impressionante, onde as emoções são levadas ao extremo da racionalidade humana.

A minha opinião:
Esta leitura foi uma surpresa e não das melhores. Depois de ler, deste mesmo autor, "O Último Ano em Luanda" e "O Tempo dos Amores Pefeitos" fiquei realmente surpreendida / desiludida (?) com esta história tão corriqueira.
É de facto uma leitura simplista que apenas dá para passar o tempo.
Talvez seja por me ter desiludido, talvez seja por ter como personagens principais figuras típicas da socialité portuguesa, não sei, o certo é que não me convenceu.

(Obrigada Melrita por mais esta partilha!)

"O Pacto" de Jodi Picoult

Sinopse:
Há dezoito anos que os Harte e os Gold vivem lado a lado, partilhando tudo, desde comida chinesa e varicela até irem buscar os filhos uns dos outros à vez. Quer os pais quer os filhos são melhores amigos, por isso, não é nenhuma surpresa quando a amizade entre Chris e Emily se transforma em algo mais na altura do liceu. Tornaram-se almas gémeas no momento em que Emily nasceu. Quando ligam do hospital por volta da meia-noite, ninguém está preparado para a verdade terrível: Emily, com apenas dezassete anos, está morta devido a um tiro na cabeça, aparentemente resultado de um pacto suicida. A arma contém uma bala que Chris diz à polícia estar-lhe destinada, mas uma detective local tem dúvidas.
Os Harte e os Gold, num único momento aterrador, têm de encarar o pior medo de um pai: será que conhecemos mesmo os nossos filhos?

A minha opinião:
Quando se pega num livro de Jodi Picoult tem de se estar preparado.
Preparado para ler tudo com muita calma e atenção, pois todos os pormenores são importantes e podem fazer diferença.
Também tem de se estar preparado para a polémica, para o misto de sentimentos que se nos afloram à pela.
E preparado para o choque, para a reflexão, para as nossas próprias conclusões inconclusivas.
Ao falar com uma amiga, comentámos em como um livro desta autora daria "pano para mangas" num debate. Não são leituras fáceis, mas são sem dúvida histórias magnificamente bem elaboradas, realistas e muito actuais.

Neste livro específico, é abordado o tema do suícido entre os jovens. É abordado de uma forma sóbria e a forma como a autora leva para dentro da mente de um adolescente é impressionante.
Não posso alongar-me mais nesta crítica sem revelar alguns detalhes, por isso, e para que quem me lê e que já decidiu ler este livro não se sinta influenciado, acrescento apenas que este é mesmo um livro a não perder!

Boas leituras!

(Obrigada querida Betita por mais esta partilha!)

"Duas Meninas Vestidas de Azul" de Mary Higgins Clark

Sinopse:
O mais recente e empolgante romance da rainha americana do suspense. O pesadelo começa quando as gémeas idênticas Kathy e Kelly Frawley são raptadas na noite do dia em que fazem três anos. O autor do rapto, que se auto-intitula Flautista, exige um resgate de oito milhões de dólares para que sejam devolvidas sãs e salvas. Onde conseguirão os pais tamanha quantia? E, ainda que a consigam, isso constituirá alguma garantia de que as duas crianças realmente regressem a casa?

A minha opinião:
Os livros da Mary Higgins Clark são por norma excelentes policiais, mas confesso que desde sempre tenho andado às avessas com a sua escrita. Houve apenas um ou dois livros que não me deixou uma sensação de insatisfação. Talvez se deva ao facto de eu estar habituada ao tipo de escrita de um dos grandes senhores dos policiais, Sidney Sheldon, cuja acção, rápida e bem delineada, em muito difere desta autora. Não quero ofender os seus fãs, mas quem leu um policial de Sidney Sheldon percebe do que estou a falar. Para mim, num policial o factor surpresa é fundamental e nos livros de MHC ele é negligenciado. São raras as vezes que me surpreendo com as revelações finais enquanto que isso é garantido num livro de Sidney Sheldon. Mas adiante.
Sobre este livro em particular, posso dizer que gostei bastante da forma como a autora explora a mítica relação entre gémeas verdadeiras, que tantos são determinantes em negar e outros em extrapolar. Achei os personagens bem retratados e credíveis, embora tenha havido claramente uma tentativa de baralhar o leitor sobre qual seria o cérebro por trás do rapto.
Não posso dizer que não gostei, mas cá ficou a tal sensação de insatisfação.

(Obrigada querida Kittycatss pela partilha!)

"A Viagem de Morgan" de Colleen McCullough

Sinopse:
Richard Morgan é filho de um taberneiro de Bristol, sensível e instruído, com um dom especial para fabricar mosquetes de pederneira, que a Inglaterra tenciona utilizar contra as suas revoltadas colónias americanas.
Quando Richard arranja trabalho numa destilaria de rum, a sua eficiência e perspicácia levam-no a encontrar vários canos escondidos, que tem de denunciar, já que desviam ilegalmente 800 galões desta bebida por semana, de modo a fugir aos impostos. É assim que se encontra envolvido numa teia de corrupção que o vai levar a ser aprisionado num dos vários navios de deportados ancorados em Inglaterra e depois noutro, com destino à nova colónia penal que é a Austrália.
Enquanto Morgan tenta resistir a desastres naturais e às falsidades e subterfúgios dos outros sobreviventes, vemos formar-se diante dos nossos olhos um microcosmos da audaciosa sociedade em que a Austrália se haveria de transformar.
A investigação brilhante e exaustivamente realizada a todos os pormenores da época que serve de cenário à obra, torna-a memorável e verosímil com a reprodução de mapas, quadros, plantas de navios e outros materiais. A Viagem de Morgan, é pois, um excelente romance de aventuras, com a indomável energia e o ritmo imparável de um filme de acção.


A minha opinião:
(Leitura terminada a 21 de Abril de 2009)

Que bela a história esta, a de Richard Morgan!
De Inglaterra à terra que haveria de se chamar Austrália, do desgosto ao amor, Richard mostrou ser um personagem com uma vontade férrea, focado em sobreviver e em vingar numa terra inóspita, aproveitando em pleno a segunda oportunidade que a vida lhe deu para se realizar.
Este é um excelente livro de História que nos mostra de uma forma impressionante (mas não impressionável) como se processavam as viagens de condenados rumo ao degredo, como se formaram as primeiras colónias, de que fibra eram feitos os primeiros australianos.
Não há dúvida alguma que esta autora é não só uma contadora de histórias como uma professora.
Adorei.


(Obrigada Lígia por mais este empréstimo!)

"A Vida num Sopro" de José Rodrigues dos Santos

Sinopse:
Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.
Com "A vida num Sopro", José Rodrigues dos Santos traz o grande romance de volta às letras portuguesas.

A minha opinião:
Num registo semelhante à "A Filha do Capitão", José Rodrigues dos Santos brinda-nos novamente com um excelente romance. A forma como relata uma história de amor traído pelo destino, ao mesmo tempo que enquadra a vivência das personagens na realidade portuguesa dos anos 30, é simplesmente fenomenal.
E um bom livro é também um livro que nos ensina algo. Julgo ter aprendido mais com esta leitura que nos manuais escolares dos meus tempos de menina, em que o período de Salazar se resumia a uma página no livro de História.
Muito obrigada, José Rodrigues dos Santos!

"O Ladrão de Arte" de Noah Charney

Sinopse:
Em "O Ladrão de Arte", três roubos são investigados simultaneamente em três cidades, mas estes crimes aparentemente isolados têm muito mais em comum do que se possa imaginar.
Roma: Na pequena igreja barroca de Santa Giuliana, uma peça de altar desaparece sem deixar rasto a meio da noite.
Paris: Na cave da Society Malevich, a conservadora Geneviéve Delacloche fica chocada ao reparar que o grande tesouro da Sociedade desapareceu, Branco Sobre Branco do Suprematista Kasimir Malevich.
Londres: Na National Gallery of Modern Art, a última aquisição é roubada apenas algumas horas depois de ter sido comprada por mais de seis milhões de libras.
Repleto de detalhes históricos fascinantes, diálogos intrigantes, e um enredo de puxar pela cabeça, este primeiro romance de Noah Charney é sofisticado, elegante, e tão irresistível e multifacetado como uma obra de arte.

A minha opinião:
Já há bastante tempo que não lia um livro que me desiludisse tanto. Não é que tivesse grandes expectativas, pois nem sequer conhecia o autor, mas a sinopse e o tema só por si – o roubo de obras de arte – prometia que o mesmo fosse digno de um grande registo, como já se verificou no passado com outros livros. Neste, infelizmente, e apesar de todo o “know-how” relativamente ao mundo da Arte, o autor não conseguiu escrever um bom policial. A acção é demasiado confusa, e uma coisa que não ajuda nada é quando por exemplo um dos personagens é “chamado” pelo seu primeiro nome, para logo no parágrafo seguinte ser “chamado” pelo seu apelido.
A história em si tinha realmente muito potencial, e foi uma pena ver que o tiro saiu pela culatra.
Apenas quero deixar aqui um reparo, as referências e os detalhes de determinadas pinturas, pintores e estilos estão muito boas. Essas partes do livro é que me impulsionaram a prosseguir com a leitura.

(Obrigada Bé pelo empréstimo!)

"Sequestro de Directo" de Sebastian Fitzek

Sinopse:
O novo thriller psicológico do autor de Terapia de Choque, best-seller mundial e N. 1 na Alemanha. "Sequestro de Directo" é um livro arrepiante que promete deixar os leitores em suspenso até à última página.

A psicóloga criminal Ira está prestes a cometer suicídio.
Precisamente nesse momento é chamada a uma emissora de rádio para resolver um caso dramático: um psicopata acaba de fazer reféns e começa a telefonar a diferentes pessoas em directo; estas têm que adivinhar os enigmas que o psicopata lhes indica sob pena de, se não os conseguirem resolver, matar os reféns um a um por cada tentativa falhada. O homem exige que a sua noiva compareça na rádio, mas ela está morta.
Ira terá que negociar com o criminoso em directo...

A minha opinião:
Gostei imenso do primeiro livro deste autor - Terapia de Choque - um thriller completamente alucinado que me prendeu desde a primeira página.
Com este fiquei um pouco desiludida, mas não por culpa do autor. A meu ver quem "meteu os pés pelas mãos" neste livro foi a editora, que talvez com a pressa de o publicar não reviu convenientemente a edição. Existem erros crassos, de pura distração, como por exemplo, quando claramente deveria vir o nome de um dos protagonistas, é mencionado o de outro. Já para não falar em erros de tradução / tipografia (?). Isto, é óbvio, para quem segue uma acção já de si complicada de seguir, é terrível.
De qualquer das formas, como análise geral da história, achei que está muito bem conseguida, embora se distancie um bom bocado da qualidade do primeiro livro. É um bom thriller que não me importava de ver no grande écran.

(Obrigada Kittycatss pela oportunidade!)

"A Árvore dos Segredos" de Santa Montefiore

Sinopse:
As árvores ficam onde estão. O oposto sucede no coração humano.
Um amor proibido nas Pampas argentinas.
Numa apaixonante paisagem onde o sol se põe em tons de fogo, a escritora inglesa, Santa Montefiore, escreve um épico de amor, desilusão e segundas oportunidades.
No rancho de Santa Catalina os irmãos Solanas vivem e crescem juntos.
Quando Paco se apaixona por uma irlandesa, Anna Melody, tudo muda na família. A filha de ambos, Sofia, que cresceu sob a sombra da Ombu na quente planície, vive um amor proibido que a obriga a deixar a terra que sempre amou. Uma saga de família a levar-nos da Inglaterra à Argentina, numa cuidada narrativa de emoções fortes com um inigualável odor a gardénias...

O Ombu é a única árvore nativa nas Pampas. De ancestrais raízes essa árvore cresce e observa em silêncio os homens e mulheres que por ali passam. Sofia, filha de um argentino e de mãe irlandesa, espiga rebelde e decidida. A sombra da árvore é o seu esconderijo favorito. Ali pode passar horas a observar a vasta paisagem, conversando com os primos Maria e Santiago. Enquanto a sua mãe, Anna Melody, se tenta adaptar à terra do marido, Sofia cresce enraizada naquele lugar não concebendo sequer partir. Ao apaixonar-se pela pessoa errada é obrigada pela família a abandonar o rancho voltando vinte anos depois....Um épico de amor, perda e aprendizagem da vida.

Natural de Winchester, Inglaterra, mas de ascendência argentina, Santa Montefiore escreveu um poderoso romance sobre o sentimento de pertença a um lugar, sobre a violência das paixões e o deixar para trás o passado recomeçando noutro lugar, investindo em outros afectos. Na vida não amamos só uma vez, nem de uma só forma. Sofia, a protagonista, descobre isso já mulher. Mas descobre-o ainda a tempo de ser feliz.

Podem ler o 1º capítulo aqui.



A minha opinião:
Que história magnífica!
Fiquei completamente apaixonada pela pampas da Argentina, pelo rancho de Santa Catalina, pela personalidade de Sofia, e pelo amor intemporal entre ela e Santi.Na verdade é esse o tema central de toda esta história: o Amor. Vários tipos de amor, se formos a ver bem.
É uma leitura muito intensa, que nos arrasta por dois continentes, e ao longo de 4 gerações. Apercebemo-nos da evolução da Argentina enquanto país, e admiramo-nos ao verificar que o núcleo duro da família Solanas conseguiu manter-se incólume e unido.
Não é uma história cor-de-rosa. É sim uma história verosímil que nos fala de escolhas e consequências.
Adorei! :)
Gostei muito de uma história que o avô de Sofia lhe contou sobre o "Presente Precioso" e que aqui transcrevo:

"(...)
- É uma história verdadeira sobre um rapazinho que vivia com os avós. O avô era um homem sereno e espiritual que lhe contava histórias maravilhosas. Uma das histórias que contou ao neto foi a do Presente Precioso.
(...)
- O menino ficou muito entusiasmado e perguntou ao avô que presente era. O velho disse-lhe que, a seu devido tempo, ele acabaria por descobrir, mas que era uma coisa que lhe traria uma felicidade duradoura como nunca antes sentira. Então o rapazinho manteve os olhos bem abertos e quando lhe deram uma bicicleta no dia dos anos, pensou que fosse aquele o "Presente Precioso", que o avô lhe descrevera. Mas, algum tempo depois, aborreceu-se do brinquedo novo e aprecebeu-se que aquele não poderia ser o "Presente Precioso", porque o avô lhe tinha dito que lhe traria uma felicidade duradoura.
Então o rapazinho cresceu e transformou-se num jovem que conheceu uma rapariga por quem se apaixonou. Por fim, pensou, «É este o presente precioso que me vai trazer a felicidade duradoura.». Mas discutiram, não se entenderam e acabaram por se separar. Então o jovem viajou e correu o mundo e em cada lugar novo pensou ter encontrado a verdadeira felicidade, mas estava sempre à procura de mais um país, de mais um local maravilhoso e descobriu que a felicidade nunca durava muito. Era como se procurasse uma coisa inatingível, mas que, mesmo assim procurava. E isto entristecia-o. Depois, tendo voltado a casar-se e já com filhos, achou que ainda não tinha descoberto o seu "Presente Precioso" de que o avô lhe tinha falado e começou a ficar desiludido.
Por fim o avô morreu e com ele o segredo do "Presente Precioso".... ou pelo menos foi o que o jovem pensou. Sentou-se muito triste a pensar nos momento felizes que tinha partilhado com o seu sábio avô. E por fim, depois de tantos anos de busca apercebeu-se.
Porque seria que o seu avô estava sempre tão satisfeito, tão contente, tão sereno? Porque seria que, quando se falava com ele, ele nos fazia sentir a pessoa mais importante deste mundo? Porque seria ele capaz de criar uma atmosfera tão pacifica à sua volta que a passava a todos que conhecia? Afinal o Precioso Presente não era um presente no sentido material da palavra. Era de facto o aqui e agora, o presente, el momento... ahora.
O avô tinha vivido o momento e saboreara cada segundo. Não existia o amanhã, pois porque razão gastar energia numa coisa que pode não acontecer? E não se demorava no ontem, porque ontem já passar e já não existia.
O Presente é a unica realidade e para obter a felicidade duradoura é preciso aprender a viver o aqui e agora e não nos preocuparmos ou perdermos tempo com outras coisas..."


Muito e muito obrigada querida Bé por insistires para que eu lesse este livrito.
E é claro, obrigada pela partilha! :)

"Iris & Ruby" de Rosie Thomas

Sinopse:
Uma história de amor, perda, e da distância entre as gerações.
Na quente e poeirenta cidade do Cairo, vive Iris de 82 anos. Mas a sua casa sossegada e claustrofóbica no velho Cairo, é subitamente agitada pela chegada da sua teimosa e obstinada neta Ruby. Fugindo de uma relação conflituosa com a família, ela procura consolo com a avó que não via há anos.
Um inesperado laço surge entre elas à medida que as duas se tornam confidentes. Iris recorda um Cairo deslumbrante e cosmopolita da Segunda Guerra Mundial. Nesse tempo em que entregou o coração ao seu único e verdadeiro amor, que perdeu numa guerra devastadora.
No passado de Iris reside a resposta para o futuro de Ruby. Esta necessidade de fazer as pazes com o passado vai conduzi-las ao perigoso deserto egípcio, onde esperam encontrar todas as respostas. Mas estarão preparadas para enfrentar o perigo que as aguarda?

A minha opinião:
É uma história bastante interessante, que mistura dois mundos muito diferentes mas igualmente importantes: o presente e o passado.
De uma forma singular esses dois mundos, colidem, nas figuras de uma avó e uma neta, que acabam por se ajudar mutuamente, ficando ambas em paz consigo próprias e com os que as rodeiam, ainda vivos, ou que já partiram.
A acção desenrola-se no Cairo, o actual e o dos anos 40, e foi muito interessante lidar com essa cultura tão diferente da nossa.
Gostei bastante.

(Muito obrigada Wiccaa pela oportunidade!)