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"Os Cães de Babel" de Carolyn Parkhurst

«Soubera eu ontem o que sei hoje, teus olhos cinzentos teria arrancado, por dois olhos de barro teria trocado.
Soubera eu ontem que deixarias de ser meu, teu coração de carne teria arrancado por um de pedra teria trocado.»

Sinopse:
No dia em que Lexy Ransome perde a vida ao cair da macieira do jardim de sua casa, Paul Iverson, o marido, compreende que a partir daquele momento toda a sua existência será pautada pela devastação da perda da mulher que amava. Atormentado pela dúvida quanto ao que realmente aconteceu, Paul embrenha-se numa investigação obsessiva dos vários indícios misteriosos que vai encontrando em casa e que o levam a crer não ter sido a morte da mulher acidental. A única testemunha do que se passou é Lorelei, a cadela, e Paul entrega-se à tarefa hercúlea de ensinar Lorelei a comunicar numa tentativa desesperada de chegar à verdade dos factos. Um romance poderoso e original, que nos revela os caminhos do amor e da sensibilidade feminina.

A minha opinião:
Mais uma vez devia ter dado ouvidos à minha mania anti-sinopse. Foi exactamente a sinopse e a sua promessa de dor e angústia pela morte de um conjuge que me fez adiar tanto tempo esta leitura. Leituras pesadas nem sempre são bem vindas (já nos bastam por vezes as complicações da vida). Mas na verdade não se pode dizer que seja exactamente uma leitura pesada. Muito pelo contrário.
A história por si só, é fascinante. Escrita num tom encantador, muito carinhoso, somos apresentados à dor e atordoamento de Paul, cuja mulher caiu de uma macieira sem que fosse óbvio o suicídio. Ele leva-nos a passear pelas recordações do seu casamento, nem sempre fácil, mas sempre rico em sentimentos, onde o amor sem dúvida que predominava. Lexy não era uma pessoa simples, mas era a sua excentricidade que a transformava em alguém inesquecível para quem a conhecia. O que Paul não sabia é que a sua excentricidade também escondia toda uma angústia, que que a assolava silenciosamente e a qual ela nunca conseguiu realmente vencer.
A relação com Lorelai, a sua cadela, o plano a que ele se propôe e que nos revela o profundo desespero a que a sua alma estava sujeita, a investigação insiste em levar a cabo, tudo nos envolve e nos impulsiona a continuar a ler, querendo com todas as nossas forças, que Paul chegue a uma conclusão.
Foi sem dúvida uma leitura lindíssima e cheia de pormenores enternecedores e conclusões magníficas.

«Recordo a minha mulher de branco. Recordo-a a caminhar para mim no dia do nosso casamento, segurando um ramo de flores vermelhas e recordo-a afastar-se de mim colérica, o corpo rígido como uma pedra. Recordo o som da sua respiração enquanto dormia, e o seu corpo nos meus braços. Recordo, recordarei sempre, que ela trouxe consolo à minha vida e também dor. Que por cada momento negro que vivemos juntos, houve um momento de um tal esplendor que quase não consigo encará-lo. Procuro recordar a mulher que ela era e não a mulher que eu construí a partir de peças soltas para me reconfortar no meu luto. E descobri, à medida que os dias passam e o bálsamo do meu perdão aplaca a superficie gretada e ressequida do meu coração, descobri que recordá-la como ela é um presente que posso oferecer a ambos.»

Uma passagem que achei muito interessante foi também esta, onde Paul lê o último sonho inscrito no caderno de sonhos de Lexy (desde os seus onze anos que ela apontava os sonhos que tinha assim que acordava):
«"Sonhei que me tinham aberto e descoberto que eu tinha dois corações. O segundo era pequeno e de uma cor diferente. Estava oculto debaixo do coração principal, por isso não o viram a princípio. Fiquei muito admirada quando me contaram isso, mas o médico disse que era absolutamente normal. Disse que a maioria das pessoas tem dois corações, só que nunca sabemos."
Sinto-me intrigado com este, e não apenas por ser o último. Não é verdade que cada um de nós tem dois corações? O coração secreto, enrolado lá atrás como um punho, vivendo nodoso e encolhido atrás do coração normal e exposto que usamos todos os dias. Recordo uma noite, há cerca de um ano, em que estava deitado ao lado de Lexy, sem conseguir adormecer. Sabe-se lá porquê, comecei a pensar numa mulher que conhecera na faculdade, uma mulher com quem andara apenas umas seis ou sete semanas. Não fora uma relação significativa, pelo menos para ela, mas eu tinha-me apaixonado e embaraçava-me descobrir que, todos estes anos depois, ainda me sentia magoado por ela não ter correspondido. Como é possível, interroguei-me, que se possa estar deitado na cama ao lado de uma pessoa que se ama total e apaixonadamente, uma pessoa a quem se quer mais do que à própria vida,  e ainda sentir dor ao pensar naquela que nos magoou há tantos anos? Somos atraiçoados por esse nosso segundo coração, cuja carne está escura como a ponta de um dedo à qual se enrolou firmemente um cabelo, e se tornou azul devido à falta de sangue. A sua torpe opressão. Naquela noite, com Lexy a meu lado, fiquei surpreendido por me descobrir ali. Fiquei surpreendido por descobrir que entretanto tinha vivido uma vida inteira. E agora, aqui sentado, com todos os sonhos de Lexy no meu colo, apercebo-me de que há coisas a seu respeito que nunca saberei. Não é o conteúdo dos nossos sonhos que dá a esse segundo coração a sua cor escura; são os pensamentos que nos povoam a mente naqueles momentos de insónia em que não conseguimos conciliar o sono. E essas coisas, nunca as contamos a ninguém.»

E assim terminei as minhas leituras de Janeiro.
Foi um excelente mês de leituras! (11 livros)

"Não digas a ninguém" de Luísa Castel-Branco


Não existem segredos inconfessáveis nem perdões impossíveis

Sinopse:
Beatriz, Rita e Samuel são amigos desde a infância, tendo as suas vidas seguido rumos diferentes: a primeira é casada, mãe de três filhos e um casamento (aparentemente) feliz; a segunda, separada, com um namorado ausente e uma filha problemática; Samuel, casado e com dois filhos adolescentes, vive a imagem da família tradicional. Quando os três amigos decidem passar uns dias juntos, não imaginam até que ponto as suas vidas podem mudar.

O aparecimento de uma mulher misteriosa, Benedita, vai transformar o que deveria ser um fim-de-semana tranquilo numa descida ao inferno, onde cada uma das personagens é confrontada com os seus medos e desejos proibidos.

Luísa Castel-Branco regressa ao romance e surpreende os leitores com esta fábula moderna em tom de crítica social, que é também uma história sobre os afectos, o valor da amizade e o poder do amor e do perdão.

A minha opinião:
Comecei esta leitura meio a medo, com um pé atrás, confesso, pois o registo da história de acordo com a sinopse, não era em nada semelhante ao “Alma e os Mistérios da Vida”, livro que adorei. E sinceramente, histórias sobre “tios” e “tias” com muitos “tá bens” e “não sei quês”, e um certo nível social como crachá, não me apelam. Mas por ser da mesma autora, e porque gosto sempre de dar uma oportunidade aos livros, entrei na leitura.
Cedo me apercebi que havia algo mais para lá do óbvio, e bem depressa a leitura se tornou imparável.

Não gosto de adiantar muita informação sobre a história e prometo que não vou fazê-lo mas, há uma espécie de comparação que não posso deixar de fazer. A quantidade de personagens, as relações entre elas, o ritmo alucinante de acontecimentos assombrados por uma estranha tempestade… tudo me trouxe à ideia o “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare. Simplesmente fantástico!!

Outra coisa absolutamente magnifica, são as pequenas pérolas de sabedoria que a autora espalha pelo texto. Tenho de transcrever uma passagem belíssima, que nos fala da verdadeira amizade (em especial para ti, Ana!):

«A amizade pode tomar muitas formas. Ou, melhor dizendo, a adulteração da palavra desvirtuou o seu sentido original. Tempos houve em que era um bem maior, uma força que unia seres humanos até ao leito da morte. Mas não nos tempos que correm.
As amizades, tal como as relações afectivas ou laborais, revelavam-se cada vez mais precárias, mais descartáveis e, simultaneamente, mais vazias de conteúdo; passaram a ser sinónimo de momentos partilhados entre determinadas pessoas, em determinadas circunstâncias, e tão só isso. Contudo, sobravam as amizades da infância. Essas pareciam ser o último reduto do conceito antigo da palavra, da profundidade do sentimento.
Nem todas sobreviviam ao passar dos anos, aos casamentos, divórcios, à mutação que cada ser humano conhece ao longo da vida. Mas quando tal acontecia, tratava-se sem dúvida de um bem maior.
Era como que magia, não a do amor, mas algo muito semelhante que permitia dois seres humanos lerem um no outro como um livro aberto, reencontrarem-se por vezes passado um largo tempo e retomarem a conversa que tinham abandonado no exacto dia em que se despediram num qualquer café, num jantar, não importa onde.
O verdadeiro valor da amizade só é do conhecimento daqueles poucos que a possuem, que abrangem o verdadeiro significado da palavra e a amplitude do seu alcance. Porque quem tem um amigo nunca viverá só. Nunca morrerá só.»

Este livro é sem dúvida uma fábula soberba, onde a importância da amizade e do amor se sobrepõe a tudo o resto. Magnífico!

P.S. Tenho no entanto de fazer uma ressalva. Não ao trabalho da autora, mas da editora. É impressionante o tipo de erros que encontrei e que me dificultaram a leitura.
Numa história onde logo no princípio temos de aprender o nome das primeiras 12 personagens, há que ter um pouco mais de atenção.
Dois exemplos:
Pág. 65, linha 30: -“Carmo, vou contigo.”
Não existe nenhuma Carmo, nem antes nem depois. O nome que aqui deveria estar era Graça, que não é sequer remotamente parecido.
Pág. 97, nos primeiros 2 parágrafos aparece Beatriz por duas vezes, quando na verdade se fala de uma Benedita. Aqui sinceramente muito contribuiu para a confusão da história, uma vez que existe mesmo uma Beatriz.
O mesmo acontece na pág. 168, linha 12: em vez de Rita, escreveram Matilde, que é a filha de Rita.

Um pouco mais de atenção, é o que se pede à editora. Afinal, o livro que li já vai na 2ª edição, e erros destes são inadmissíveis.

"O Cônsul Desobediente" de Sónia Louro


Nem Salazar, nem Cunhal, nem Vasco da Gama, nem Afonso Henriques. O maior português de sempre foi... Aristides de Sousa Mendes.

Sinopse:
Há pessoas que passam no mundo como cometas brilhantes, e as suas existências nunca serão esquecidas. Aristides de Sousa Mendes foi uma dessas pessoas. Cônsul brilhante, marido feliz, pai orgulhoso, teve a sua vida destruída quando, para salvar 30.000 vidas, ousou desafiar as ordens de Salazar.
Cônsul em Bordéus durante a Segunda Guerra, é procurado por milhares de refugiados para quem um visto para Portugal é a única salvação. Sem ele, morrerão às mãos dos alemães. Infelizmente, Salazar, adivinhando as enchentes nos consulados portugueses, proibira a concessão de vistos a estrangeiros de nacionalidade indefinida e judeus.
Sob os bombardeamentos alemães, espremido entre as ameaças de Salazar, as súplicas dos refugiados e sua consciência, Aristides sente-se enlouquecer. E então toma a grande decisão da sua vida: passar vistos a todos quantos os pedirem. Salvará 30.000 inocentes mas destruirá irremediavelmente a sua vida.

A minha opinião:
Até há bem pouco tempo não fazia ideia de quem foi Aristides de Sousa Mendes. Não imaginava o acto grandioso que levou a cabo, nem os resultados dessa atitude. Aristides de Sousa Mendes optou por desobedecer a uma ordem de Salazar e levou a cabo uma das maiores acções de salvamento orquestradas na Europa, aquando do inicio do terror nazi.
Pela sua mão consta-se terem sido salvas cerca de 30 mil pessoas. Apesar de saber que as suas acções teriam repercussões não hesitou… e na verdade acabou por morrer na miséria, tendo sido remetido à indiferença pelo estado português. Só há bem pouco tempo é que lhe foi dada a devida importância, e finalmente pudemos conhecer o carácter de um verdadeiro herói.
Devo ressalvar no entanto que não me agradou particularmente a forma como a história foi narrada pela autora, Sónia Louro. Ela optou por intercalar o percurso de vida do consul, desde a mais tenra idade, com os acontecimentos dramáticos que o tornaram conhecido. Talvez tivesse tornado a leitura menos "maçuda" se houvesse um desenrolar natural da história da vida de Aristides.
Mas é sem dúvida uma história a não perder.

"Frágil" de Jodi Picoult


Tudo pode quebrar. Mas algumas coisas doem mais do que outras.

Sinopse:
Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita - uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência - por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido...

A minha opinião:
Nunca vos aconteceu ficarem zangados com um livro?
A mim já aconteceu algumas vezes. Hoje voltou a acontecer. Com este livro.
Espero não vos confundir… Eu adoro ler Jodi Picoult. Os temas que aborda, o modo como nos apresenta a história, a maneira como nos faz oscilar de opinião, fazem dela uma das minhas autoras favoritas e muito provavelmente uma das melhores autoras da actualidade. E este livro não foi excepção.
Mais uma vez vi-me perante um caso complicado. Parte dele está bem exposto na sinopse. Mas isso é apenas parte dele.
Não é fácil comentar um livro de Jodi Picoult. Principalmente por não sabermos o que dizer. Principalmente quando chegamos ao final e ficamos sem saber o que pensar ou o que sentir. Ou porque ficamos zangados.
Não consigo comentar sem revelar demasiado, por isso não o vou fazer.
Apenas vos digo que, apesar de tudo, valeu a pena esta leitura e que mais uma vez, aprendi algo:
Há coisas que não têm valor, devido ao valor inestimável que possuem.

De tantos pedaços de texto que nos tiram o fôlego e nos obriga a lê-los duas e três vezes, há dois especiais que tenho de aqui ressalvar:

Pág. 186 - 187
(…)
- Mas eu ainda não disse nada!
- Não tens de dizer adoro-te para dizeres adoro-te – disseste encolhendo os ombros. – Só tens de dizer o meu nome que eu sei.
- Como?
Quando olhei para ti, fiquei impressionada por ver tanto de mim própria no formato dos teus olhos, na luz do teu sorriso.
- Diz Cassidy – instruíste.
- Cassidy.
- Diz… Úrsula.
- Úrsula – repeti.
-Agora… - apontaste para o teu próprio peito.
- Willow.
- Não ouves? – disseste – Quando gostamos muito de uma pessoa, dizemos o nome dela de maneira diferente. Como se estivesse em segurança dentro da nossa boca..
- Willow – repeti, sentido a almofada de consoantes e o balançar das vogais. Terias razão? Poderia abafar tudo o resto que eu tivesse para dizer? – Willow, Willow, Willow – entoei, uma canção de embalar, um pára-quedas, como se pudesse amparar-te dos golpes que estavam para vir.
(…)

Pág. 279-280
(...) Quem sabe se há uma diferença entre ser-se uma mãe responsável e ser-se uma boa mãe.
- Há sim - disse eu, e Charlotte olhou para mim, na expectativa.
Apesar de não conseguir articular a diferença enquanto adulta, em criança, sentira-a. Fiquei a pensar por um instante.
- Uma mãe responsável é alguém que segue cada passo que o filho dá - disse eu.
- E uma boa mãe?
Olhei para Charlotte.
- É alguém que o filho deseja seguir.
(...)


Obrigada querida Amiga por esta oportunidade!

"As Cores da Minha Vida" de Teresa Marques


Sinopse:
Este livro é um relato sofrido, contado na primeira pessoa, da vida de uma mulher portuguesa independente, apaixonada e determinada que atravessa a segunda metade do século xx em luta contra os preconceitos de uma sociedade que asfixiava. É constituído por oito capítulos, cada um identificado por uma cor. São os acontecimentos que marcam o percurso da personagem principal que determinam cada uma das cores, as cores da sua vida. um país em ditadura, uma gente que vai procurar em áfrica o que aqui não encontrava, uma guerra que deixou feridas, mas também, as lutas estudantis, o 25 de abril, a reforma agrária… Dotada de uma personalidade muito forte, esta mulher é capaz de fazer as suas escolhas pessoais sem se deixar intimidar.

A minha opinião:
Muitas vezes damos por nós a ler livros enormes, cheios de páginas e páginas repletas de … nada. E eis que me surge nas mãos este pequeno livro, com apenas 129 páginas, cada uma delas cheias de significado e sentimento.
Num tom semelhante ao de um diário, a autora descreve os últimos 45 anos da sua vida, acompanhados de uma forma casual (por sinal, bastante interessante!) dos acontecimentos da atmosfera social e política de Portugal e do mundo.
Eu gostei imenso desta leitura, talvez exactamente pelo contexto em que a história está integrada.
De inicio encontramo-nos num Portugal profundamente manietado pelo regime salazarista, depois rumamos em direcção a uma das colónias, Moçambique, onde o ar que se respirava era um pouco mais livre, apesar de ainda se sentir o jugo do regime e apesar da guerra tão próxima. De regresso a Portugal, logo após o 25 de Abril, entendo finalmente as reticências que senti em pequena, quando alguém falava sobre os “retornados”. Daí para a frente todos os acontecimentos históricos saltam da minha memória à medida que são introduzidos na história. Até aos dias de hoje.
Com um olhar mais demorado pela capa, apercebo-me das semelhanças entre a própria autora e a personagem principal do livro.
Será este livro uma realidade? Ou será que a própria realidade se emaranha nos fios da meada da história? O resultado é algo extraordinário.
É um livro escrito por alguém que no final da sua vida se limita a contar uma história, sem fazer juízos sobre si própria ou sobre as escolhas que tomou. O tom é melancólico e talvez um pouco triste, mas é uma leitura perfeita para um final de tarde no sofá, acompanhado de uma boa chávena de chá.

"Feitiços de Amor" de Barbara Bretton

Até mesmo o coração mais duro pode ser conquistado por amor e um toque de magia

Sinopse:
Parece uma vila bucólica igual a tantas outras, mas esconde um segredo antigo de todos os visitantes…
Sugar Maple é uma terra encantada habitada por feiticeiras, fadas, vampiros e outras criaturas mágicas. Chloe Hobbs é a única que não tem poderes especiais naquele lugar onde nada é o que parece.

Chloe é a proprietária da Sticks & Strings, uma popular loja de artigos de tricô. Mas é também a última descendente de uma longa dinastia de feiticeiras com o futuro de Sugar Maple nas mãos. Chloe sabe que tem de se apaixonar para receber os poderes mágicos e continuar a proteger a sua terra natal. Mas, aos 30 anos, ainda sonha com o verdadeiro amor e as amigas decidem lançar feitiços para a ajudar a encontrar o homem dos seus sonhos. O que ninguém esperava era que Chloe se apaixonasse perdidamente por Luke MacKenzie, o polícia destacado para investigar o primeiro crime ocorrido em Sugar Maple e cem por cento humano. Se o amor abre finalmente a porta aos seus poderes mágicos, esses mesmos poderes impedem Chloe de sonhar com um futuro ao lado de Luke… Feitiços de Amor é um romance encantador e inesquecível sobre o poder do amor e a magia dos sonhos.

A minha opinião:
Adoro ler e quase tanto como isso, adoro ver filmes. Por essa razão não há que admirar que quando leio um livro acabo sempre por analizar o seu potencial para ser adaptado ao grande écran.
Há livros que têm realmente um grande potencial, pela história em si ou pela forma como está contada, mas há outros, como este exactamente, que apesar de não possuírem uma história excepcional, pedem, gritam mesmo, para serem transformados em filme.
Para vos falar deste livro tenho de perguntar se por acaso viram e se lembram do filme “Magia e Sedução” (com a Nicole Kidman e a Sandra Bullock)?
Pois bem, este livrinho aborda o mesmo tema – a magia.
A história está pejada de fadas, bruxas, feiticeiras, trolls, duendes, vampiros, e todos os seres místicos que podem imaginar. Tem umas quantas lutas entre feiticeiras, autênticos combates, que quase nos fazem saltar da cadeira. E está escrita de uma forma muito engraçada, com um enorme sentido de humor.

Chloe faz workshops de tricot e as lãs que vende na sua afamada loja, são certamente produto de uma qualquer magia. Mas Chloe já com trinta anos, é meia-humana, e o seu lado feiticeiro ainda não se revelou.
Entretanto, e graças a essa demora, a vila onde mora e cuja verdadeira dimensão tem estado protegida do olhar humano através de um feitiço secular, começa a perder a sua protecção especial e algo tem de mudar quanto antes. Caso contrário certas forças ganharam poder e a pequena vila poderá desaparecer.

É uma história incrivelmente mexida! Tem acção q.b. para nos deixar irrequietos até conseguirmos terminar o livro. Isto se a magia nos deixar, claro. ;)
Gostei imenso e diverti-me muitíssimo. Acho que é uma prenda engraçada para o Natal.

"As Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa" de Sofia Pinto Coelho


Sinopse:
As histórias que vai encontrar neste livro podem parecer insólitas, estranhas, até surreais, mas são verídicas. Da história da Juíza que resolveu um problema de barulho despejando água para casa dos vizinhos, ou de advogado que para obter cópia de um processo se viu obrigado a levar a fotocopiadora para tribunal… A jornalista Sofia Pinto Coelho, especialista em temas de justiça e Direito, acompanhou a maioria dos casos aqui relatados e traça um retrato real, divertido, mas rigoroso da justiça portuguesa.

A minha opinião:
Esta foi uma leitura interessante! Eis um livro pejado de casos, alguns dos quais já ouvimos falar nas notícias, outros que se assemelham a anedotas e outros ainda que nos mostram o estado deplorável da justiça em Portugal. Li histórias que me fizeram rir, mas também li histórias que me deixaram triste e horrorizada.
Foi no entanto uma leitura que acho ter valido a pena, pois acabei por perceber que a culpa não pode recair apenas em cima desta ou daquela pessoa ou até mesmo de uma instituição.
Há muita coisa mal na Justiça portuguesa, e acredito que mesmo com muito boa vontade dificilmente irão conseguir encontrar o caminho certo. Há muitos, muitos anos de trabalho mal feito, não só por muito juízes, mas também por muitos funcionários judiciais, advogados, políticos, etc... Já é o próprio sistema que está mal. Se não houver uma reforma de raiz, vai ser complicado mesmo.

No entanto, e como acho que devemos retirar essencialmente o que é bom, deixo aqui uma das histórias que me fez sorrir:
(...) conta-se a história de um homem do Norte que perguntou ao seu advogado se não deveria enviar um presunto ao juiz antes de ele ditar a sentença. O advogado desaconselhou-o vivamente, explicando-lhe que aquele juiz era impoluto e que isso até se poderia virar contra eles. No fim do julgamento, o homem ganhou o processo. O advogado disse então para o cliente:
Advogado: Está a ver… Queria você enviar um presunto ao juiz…!
Cliente: E mandei!
Advogado: Mandou…?!
Cliente: Sim, mas com um cartão a dizer que era da parte contrária!
(…)

"O Homem Encantador" de Marian Keyes


Sinopse:
Paddy de Courcy é um importante e encantador político irlandês, o «John F. Kennedy Jr. de Dublin». O seu charme e carisma conquistaram o país e a imprensa, mas a notícia do seu casamento vai revolucionar a vida social de Dublin e, sobretudo, a vida de quatro mulheres. Lola quase desmaia: Paddy era seu namorado... achava ela. Grace, uma jornalista que conheceu Paddy há muito tempo, mas que ainda se lembra bem dele, parte em busca da verdade seguindo Lola, que decide curar as suas feridas longe da cidade. Marnie, a irmã de Grace, também conhece bem o charmoso Paddy, o seu primeiro amor - que ela trata desesperadamente de esquecer. E Alicia, a rapariga com quem Paddy vai casar? Ela parece ser a mulher perfeita para um político conceituado como ele, mas... será que Alicia sabe realmente quem é este homem tão encantador?
Uma história repleta de lágrimas, risos, emoção e vida.

A minha opinião:
Mais uma vez encontro um livro cuja capa e sinopse são feitas no sentido de influenciar a compra e não se podem considerar propriamente fidedignas à realidade da história. É uma pena, porque não sendo uma comédia romantica, é um bom livro.
Fui espreitar a sinopse em inglês e há realmente uma notória diferença.
Opto por colocar aqui a minha tradução dessa sinopse para que me entendam melhor:

«Toda a gente se lembra do dia em que se soube que Paddy de Courcy ía casar. Mas para 4 mulheres em especial, a grande notícia sobre o carismático politico é particularmente importante.
A estilista Lola tem todas as razões para estar interessada em saber quem vai casar com Paddy – porque afinal de contas apesar de ser a sua actual namorada, não é definitivamente a sua noiva. De coração partido foge da cidade e refugia-se numa pequena cabana perto do mar. Mas será que o retiro idílico de Lola é mesmo que que ela estava à espera?...
Não, se a jornalista Grace tiver uma palavra a dizer sobre o assunto. Ela quer a história completa sobre o noivado de de Courcy e pensa que Lola tem a chave.
A irmã de Grace, Marnie, talvez a pudesse ajudar mas está demasiado ocupada a tentar manter incólume a sua vida aparentemente perfeita– um marido perfeito, duas filhas perfeitas e uma casa perfeita.
E sobre a futura Sra. de Courcy… Alicia esperou muito tempo para que o seu sonho se realizasse e está determinada em ser a mais perfeita esposa de um político. Mas será que ela tem consciência de quem é realmente Paddy de Courcy?
Quatro mulheres completamente diferentes. Um horrível homem encantador. E o segredo negro que os liga a todos…»

Sobre o livro em si...
Encantador, segundo o dicionário, que dizer charmoso, adorável, maravilhoso. Mas também pode querer dizer aquele que encanta ou feiticeiro.
Paddy de Courcy é no fundo um homem horrível que deixa um rasto de destruição em todas as mulheres que toca.
Este romance belissimamente bem escrito aborda temas muito variados, como o alcoolismo, a dependência emocional, os abusos físicos sobre as mulheres, a política, o jornalismo, etc.
É uma história bastante verosímil e pode servir de “abre-olhos” para muita gente.
Quase que aposto que numa ou outra altura das nossas vidas, todas conhecemos melhor ou pior um Sr. Paddy de Courcy.
Este é um livro que vale a pena.

"A Princesa de Gelo" de Camilla Läckberg


Sinopse:

De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir.
Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador…

A minha opinião:
A nossa mente é uma coisa engraçada. Não sei se isto terá a haver com a nova rubrica do Nuno Markl na Rádio Comercial (A Caderneta de Cromos) ou pelo facto de nos encontrarmos numa era nitidamente saudosista dos anos 80… O certo que é que esta leitura levou-me a viajar no tempo e a relembrar os livros que lia quando era mais pequena.
Toda a gente se lembra de “Os Cinco” e “Os Sete” de Enid Blyton, e até das aventuras de “Patrícia”, da autora Julie Campbell. Mas quem se lembra de “Carlota” de uma autora chamada Gretha Stevns? Nem eu me lembrava. Até agora.
Eram livros de aventura do mesmo género que os anteriores, mas os locais onde essas aventuras se passavam eram bem diferentes dos demais e até do meu quotidiano - num país do norte da Europa, Noruega, Dinamarca ou Suécia. Não sei bem. O que interessa é que havia neve por todo o lado e estava sempre um frio de rachar! Foi isso que ficou bem gravado na minha memória. Isso e as palavras e nomes estranhos que hoje recordo sempre que entro no IKEA! lol

Bem, regressando a Outubro de 2009, mais concretamente ao livro que acabei de ler… “A Princesa de Gelo” levou-me realmente de volta a essas leituras de pré-adolescência, por isso foi com grande prazer que o li.
É claro que o facto de ser um excelente policial também ajudou. Nesse aspecto, acho que é exactamente por ser um policial escrito por uma autora escandinava que o achei tão refrescante!
(Nota: Tenho de investigar mais livros de autores com essa origem.)

Como policial merece indubitavelmente as minhas 5*!
A história está bem desenvolvida, e apesar de determinadas situações serem algo previsíveis, o desenrolar da história traz-nos muitas surpresas e a meio do livro torna-se claro que vai ser complicado interromper a leitura até chegarmos ao final.
Também gostei particularmente a forma como outro tipo de assuntos são abordados.
É um livro muito, muito interessante que recomendo.

"A Cabana" de Wm. Paul Young


Sinopse:
E se Deus marcasse um encontro consigo?

As férias de Mackenzie Allen Philip com a família na floresta do estado de Oregon tornaram-se num pesadelo. Missy, a filha mais nova, foi raptada e, de acordo com as provas encontradas numa cabana abandonada, brutalmente assassinada.
Quatro anos mais tarde, Mack, mergulhado numa depressão da qual nunca recuperou, recebe um bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à malograda cabana.
Ainda que confuso, Mack decide regressar à montanha e reviver todo aquele pesadelo. O que ele vai encontrar naquela cabana mudará o seu mundo para sempre.
Visite http://www.acabana.pt/

A minha opinião:
Foi com algumas reticências que embarquei nesta leitura.
Por norma sou daqueles que desconfiam sempre, como diz o ditado, “quando a esmola é muita”, e a publicidade gerada em torno deste livro para mim, acabou por se revelar negativa. Mas como vinha muito bem recomendado, lá comecei a lê-lo.
Normalmente evito saber muito sobre a história quando o começo a ler um livro. Às vezes até evito as sinopses, mas sem querer, fui lendo um ou outro pedaço de comentários e acabei por criar uma ideia (errada) do livro. Estava mesmo convencida que me ía deparar com um desses livros com uma mensagem muito espiritual que aborda a fé do ponto de vista de uma crença ou religião.
Mas sinceramente após 1/3 do livro, já estava a ficar completamente à toa, sem saber o que esperar com o desenrolar da história.
Entretanto o maridão foi de viagem e “raptou-me” o livro. Obviamente tive de interromper a leitura e acabei por intercalar uns quantos livros pelo meio.
Quando soube a opinião dele ainda fiquei mais confusa, pois não comungamos da mesma intensidade de sentimentos relativamente à religião. Pensei que se trataria de mais um daqueles livros estranhos com uma história sem pés nem cabeça (ele gosta de livros assim), mas a verdade é que isso não ía de encontro à opinião da minha amiga Betita. Fiquei sem saber o que fazer, e portanto deixei-o a repousar na estante mais umas semanas.
Passado algum tempo, uma outra amiga minha (evangélica) mandou-me um email a por a conversa em dia e falou-me entusiasmadamente desse livro. Pronto. Fiquei definitivamente com a cabeça a andar à roda. Como é que era possível, três pessoas tão distintas partilhar uma mesma opinião e terem gostado tão intensamente do mesmo livro?
Não esperei mais e acabei por pegar nele assim que terminei o livro que tinha em mãos.
Agora, passados dois dias, em que deixei a leitura assentar, por assim dizer, só consigo comentar que tenho de o ler outra vez.
Encontrei em “A Cabana” uma história fantástica, que me tocou bastante, mas de uma forma completamente diferente do que se espera de um livro. Vi muitas das minhas questões respondidas e senti que o livro ainda terá muito para me dizer numa outra leitura mais cuidada.
Percebo agora toda a publicidade em torno deste livro. É na verdade muito, muito especial, e há-de ser uma das prendas que oferecerei este Natal a várias pessoas.

Obrigada querida Betita por mais este conselho e oportunidade!

"A Melodia do Adeus" de Nicholas Sparks


Sinopse:
Com apenas dezassete anos, Verónica Miller - ou «Ronnie», como é carinhosamente chamada - vê a sua vida virada do avesso quando o casamento dos pais chega ao fim e o pai se muda da cidade de Nova Iorque, onde vivem, para Wrightsville Beach, uma pequena cidade costeira na Carolina do Norte. Três anos não são suficientes para apaziguar o seu ressentimento, e quando passa um Verão na companhia do pai, Ronnie rejeita com rebeldia todas as suas tentativas de aproximação, ameaçando antecipar o seu regresso a Nova Iorque. Mas será na tranquilidade que envolve o correr dos dias em Wrightsville Beach que Ronnie irá descobrir a beleza do primeiro amor, quando conhece Will, e vai afrouxando, uma a uma, todas as suas defesas, deixando-se tomar por uma paixão irrefreável e de efeitos devastadores. Nicholas Sparks é, como sabemos, um mestre da moderna trama amorosa, e, em A Melodia do Adeus, usa de extrema sensibilidade para abordar a força e a vulnerabilidade que envolvem o primeiro encontro com o amor e o seu imenso poder para ferir… e curar.

A minha opinião:
Finalmente! Um livro de Nicholas Sparks que sobressai.
Desta feita, o autor conseguiu sair completamente da fórmula que tem vindo a utilizar nos seus livros desde há muito tempo, e escreveu uma história lindíssima, cheia de significado, e que nos faz pensar na vida e nas bênçãos que recebemos diariamente, por vezes bem disfarçadas.
Não vou entrar em pormenores sobre a história e até vos desaconselho a ler a sinopse, pois desta forma poderão sentir mais intensamente tudo o que acontece nas páginas do livro. Apenas vos digo que, para mim, este é o melhor livro que já li deste autor!
E já tinha saudades de ler algo assim.
:)
Numa das passagens que adorei, houve uma frase que me tocou de modo especial. Aqui fica o registo:
"A vida, constatou ele, assemelhava-se muito a uma melodia. No princípio, há um mistério, no final um confirmação, mas é no meio que toda a emoção reside, e faz que totalidade valha a pena."

P.S. Ah… Convém ter um bom fornecimento de lenços de papel por perto! :P

Em relação ao filme de que já tanto se fala...
Aqui fica o trailer. :)

"As Vinhas da Ilusão" de Benedetta Cibrario


Sinopse:

Um século de História. Um casamento fracassado. Uma paixão no coração da Europa.

Tendo como pano de fundo uma Itália em profunda mudança, atravessada pela Segunda Guerra Mundial e pela queda do Fascismo, As Vinhas da Ilusão é a história de uma mulher e da sua luta para conquistar a independência.
Oriunda da alta aristocracia piemontesa, a família condenara-a aos caminhos tortuosos de um casamento combinado. Mas o destino vai colocar-lhe no caminho o fascinante e enigmático Trott - para que ela desperte da sua vida monótona e aparentemente imperturbável.
Quando se sucedem os encontros clandestinos e os segredos se multiplicam, a fronteira entre a realidade e a aparência, o certo e o errado, a verdade e a mentira passa a ser tão leve como os ventos da Toscana...

Benedetta Cibrario escreveu um romance inolvidável, que obteve em 2008 um dos mais importantes prémios italianos - o Campiello, que consagrou no passado autores como Primo Levi, Ignazio Silone ou Giorgio Bassani.

A minha opinião:
“As Vinhas da Ilusão” é um belo romance, escrito num tom intimista e algo sóbrio. Relata-nos a história de uma mulher, nascida numa Itália monárquica, que enfrenta toda uma sociedade aristocrática, conquistando a sua independência, coisa impensável para a época.
Pela voz dessa mulher, agora com 80 anos, ficamos a conhecer a sua vida, as suas escolhas, as suas dúvidas, as suas conquistas, os seus arrependimentos. É interessante a forma como ela salta entre o passado e o presente, como se tratassem de flashbacks, tão característicos de quando uma mente começa a envelhecer.
É um relato repleto de acontecimentos históricos, mas bem mais rico na análise de sentimentos, narrado num tom tão calmo que deixa perceber a inequívoca melancolia da personagem à medida que os "regressos" ao passado aumentam. Consciente de que o caminho à sua frente se torna também mais estreito e mais escuro, ela descobre então que as coisas nem sempre foram como ela as havia encarado e sem nunca colocar em dúvida as suas decisões, a sua integridade e inteligência, acaba por finalmente compreender e aceitar o que nunca soube ou conseguiu ver.

"Escolhi o teu amor" de Emily Giffin


Sinopse:

Como se pode voltar a amar verdadeiramente alguém se ainda não esquecemos quem partiu?

"Escolhi o Teu Amor" é uma história envolvente sobre uma mulher na encruzilhada da vida e das emoções e sobre as razões que, por um lado, nos fazem escolher amar quem amamos e, por outro, nos impedem de esquecer quem nos partiu o coração.
A relação de Ellen e Andy não é aparentemente perfeita.
Eles amam-se verdadeiramente. Não há dúvidas de que a sua relação é repleta de entrega e devoção mútuas.
Até que um dia acidentalmente, Ellen cruza-se com Leo, o ex-namorado com quem manteve uma relação problemática e obsessiva; o mesmo homem que um dia, sem explicação, a deixou e lhe despedaçou o coração.
Leo, que Ellen nunca esqueceu e que, oito anos depois, reaparece por acaso e faz com que ela questione se a vida que tem é, afinal, a vida que quer e merece.

A minha opinião:
Quem de nós não desejou pelo menos uma vez, que uma das nossas últimas e mais loucas paixões, aquela que nos despedaçou o coração e nos deixou um amargo de boca, tentasse reatar o contacto? Admitisse o quão errado estava em nos deixar e se quisesse redimir?
Mas e se essa tentativa de regresso nos apanhasse já noutra relação, bem mais estável e sólida?...
Fica a pergunta no ar, pois acho que cada um sabe de si. (E Deus sabe de todos!) ;)

Este livro aborda a eterna questão das escolhas. E das dúvidas!
Ninguém sabe ao certo o que o futuro nos reserva, apenas temos de escolher com cuidado e coração, o caminho que decidimos pisar e esperar depois que tenha sido o correcto.
Nós somos o produto das escolhas que fazemos. Das esquinas que viramos, dos becos sombrios que deixamos para trás.
A autora termina com uma frase lindíssima que tenho de aqui reter: “o amor é a soma das escolhas, a força dos nossos compromissos, os laços que nos mantém eternamente unidos”.
Uma leitura interessante escrita num tom intimista e original.
Gostei bastante.

"Antes Que Seja Tarde" de Jacquelyn Mitchard


Sinopse:
O grande público ficou a conhecer Jacquelyn Mitchard pelo livro "Profundo Como o Mar", uma história comovente que despertou o interesse cinematográfico dando origem a um filme homónimo.
A capacidade da autora em captar o lado humano, conferindo às personagens um carácter verosímil expressa-se agora nesta nova obra, um pungente relato, na primeira pessoa, da difícil situação da protagonista.
Julieanne é colunista num jornal local, onde dá conselhos aos leitores sobre problemas pessoais. Parece ironia do destino mas é ela quem precisará de ajuda quando, após 20 anos de casamento, o seu marido a deixa sozinha com três filhos.
"Antes Que Seja Tarde" Julieanne terá de recomeçar uma nova vida. Uma leitura inspiradora e emotiva marcada pela sensibilidade da alma humana.

A minha opinião:
Esta é uma história extraordinária. Fiquei sem perceber se será verdadeira ou não, mas bem que o podia ser. É a história de uma família, aparentemente perfeita, que se vê devastada de um momento para o outro como se um tornado lhes tivesse invadido a casa. O pai abandona o lar e a mãe descobre que é vítima de uma doença crónica que de repente a deixa incapacitada de cuidar do seu periclitante lar. Esta é a fórmula para o desastre, principalmente se lhe adicionarmos um adolescente com D.A. (défice de atenção), outra adolescente rebelde e um bebé de 2 anos.
Costuma-se a dizer que nas alturas de crise é que se vêem os verdadeiros amigos e neste livro a autora consegue provar isso mesmo.
De uma forma majestosamente intensa somos arrastados pelo turbilhão de emoções vivenciadas pelos membros daquela família. Do caos ao desespero, da inércia à raiva, do amor ao ódio.
Não é um livro fácil. Não é um livro “cor-de-rosa”. É um livro escrito com as cores garridas da vida que termina com uma mensagem de esperança. É, sem dúvida, e acima de tudo, um hino à vida.
Gostei bastante.

"Irresistível Tentação" de Jill Mansell


Sinopse:
Quando Nadia Kinsella conhece o charmoso Jay Tiernan sente-se tentada. Retidos numa casa remota durante uma tempestade de neve, temos de admitir, nunca ninguém descobriria, certo? Mas Nadia há muito que encontrou o amor da sua vida. Chama-se Laurie, estão juntos desde sempre e Nadia ainda sente borboletas no estômago quando o vê. Bem, é verdade que não o tem visto muito nos últimos tempos, mas isso nem é culpa do Laurie. E ela não o pode trair! Para além do mais, quando se pertence a uma família como os Kinsellas , onde cada um é mais irresponsável do que o outro, alguém tem de dar explicações e resistir à tentações, não é? Afinal, não queremos fazer algo de que mais tarde nos arrependamos. Ou será que queremos?

A minha opinião:
Quem não gosta de ver uma boa comédia romântica? (Estou a falar de filmes, e sim, esta é uma pergunta principalmente para as meninas!!) Quem não se lembra da namoradinha da América, a doce Meg Ryan? Dos filmes com Billy Christal ou Tom Hanks?
As comédias românticas são filmes que nos fazem rir, nos fazem chorar, e nos fazem o coração mais leve. Um dos últimos que me lembro ter tido esse efeito em mim foi “O Amor Acontece”, com um elenco fantástico e uma confusão de histórias entrelaçadas, com um ponto em comum – o amor, os diversos tipos de amor.
Pois foi exactamente algo assim que encontrei neste livro! Quase podia jurar que ía encontrar o Hugh Grant ,o Colin Firth ou a Keira Knightley ao virar da página.
“Irresistível Tentação” parece-me ter um óptimo potencial para ser adaptado ao grande écran. Eu sem dúvida não iria perder um filme assim!
Ao contrário do que a simples sinopse dá a entender, esta história é muito mais que uma história sobre tentações. Esta história baseia-se numa família, talvez um pouco fora do comum e algo louca, mas sem dúvida muito coesa. Nádia e Clare são duas irmãs de vinte e poucos anos que vivem com o pai e a avó. Com elas vive também a sua meia-irmã de treze anos, Tilly – filha da mesma mãe que as “abandonou” a todas, mas que de vez em quando aparece para uma visita com o seu namorado mais recente. Esta é a receita certa para a confusão!
É mesmo uma história muito gira, contada a um ritmo alucinante, mas que nos faz pensar nas prioridades da vida ao mesmo tempo que nos divertimos com as peripécias mirabolantes daquela família.
A única coisa que me pareceu completamente errada foi a linguagem da avó. Falava “à tia”, tratando todos por “você”, incluindo netas, filho e amigos. Isso para mim foi um grande erro da parte do tradutor ou da editora (não sei quem o decidiu), mas aconselhava-os a rever essa situação em próximas edições. A avó não era nada assim! Era uma pessoa espectacular, muito jovem de espírito e com um carinho enorme pela sua família. Nada do género “A menina ’tá a ver?”!!
De resto, estão todos bem retratados. Incluindo o papagaio. :P
Diverti-me imenso! É um excelente livro para desanuviar a cabeça dos problemas do dia-a-dia.

"O Colar" de Cheryl Jarvis


Sinopse:
Jonell apaixonou-se por um colar de diamantes. Mas o preço era demasiado alto. Até que teve uma ideia que iria mudar a sua vida. E porque não comprá-lo com a ajuda de amigas? Porque não partilhá-lo? Foi o início da aventura, de uma história real que apaixonou a América. Treze mulheres, das mais diferentes idades e profissões, uniram-se em torno de uma jóia. Desde então vivem em contacto umas com as outras, saem juntas, ajudam-se. E de 28 em 28 dias, no mês do aniversário de cada uma delas, encontram-se. Passam "O Colar", conversam, partilham receitas, histórias de vida, amores e traições. Têm uma nova razão para sair de casa, têm um novo grupo de amigas. E descobriram que a amizade e a partilha valem muito mais do que qualquer diamante.

A minha opinião:
Tive curiosidade em ler este livro primeiro, por ser uma história verídica, de partilha e depois porque me fazia confusão a própria ideia em si: um grupo de treze mulheres reunidas em função do uso de um colar de diamantes. Não sou grande adepta de jóias, mas gosto de entender o funcionamento do ser humano enquanto animal social. Tinha de perceber os porquês de cada uma dessas mulheres e a forma como fizeram todo o esquema funcionar.
Não me arrependi de todo, pois esta é uma história interessantíssima!
O livro está escrito de uma forma muito “jornalística”, mas este formato funciona perfeitamente. Cada capítulo aborda cada mulher, a sua vida, as razões que a levaram a embarcar naquela aventura e o que retirou de tudo isso. E cada relato é completamente diferente do outro! Ficamos a conhecer cada mulher quase ao pormenor, a sua personalidade, os seus medos, as suas fraquezas, as suas forças. Acabamos por entrar dentro da sua pele e identificarmo-nos com este ou aquele aspecto. A forma como a sociedade do colar transformou as suas vidas é impressionante.
Ao fim e ao cabo não foram apenas 13 mulheres a usufruir do prazer de ter no seu pescoço um colar de diamantes de 35.000,00 Euros! Foram muitas, muitas mais, pois a necessidade e o gosto pela partilha extrapolaram todas as previsões.
Esta é uma história que vale a pena conhecer. Jewelia, um “simples” colar transformado em muito mais que apenas um bem material sobrevalorizado.

"O Longo Caminho de Olga" de Yolanda Scheuber


Sinopse:
Desde as terras campestres da Rússia até à inóspita pampa argentina povoada de índios, uma menina de doze anos, abandonada pelos pais, deverá empreender a sua missão mais importante: viver. A extraordinária vida de Olga começa na faustosa Rússia dos últimos czares Romanov, quando, com somente doze anos, a sua família decide abandonar o país, deixando para trás tudo o que tinha, inclusivamente uma das suas irmãs. Começa então uma grande viagem que os levará a Inglaterra e Canadá, antes de chegarem à longínqua e desconhecida Argentina, onde a família se separará definitivamente. Ali, a pequena Olga começará uma nova vida plena de dificuldades, que enfrentará da melhor maneira possível. Terá de ultrapassar novas separações e notícias infelizes, duas guerras mundiais que a atingirão profundamente, mas também conhecerá o amor e iniciará a sua própria família, reencontrará pessoas que julgara desaparecidas e trabalhará nas suas próprias terras na pampa argentina.

A minha opinião:
Esta é a história da magnífica jornada de Olga, uma menina russa-alemã que atravessou meio mundo para ir viver nas pampas argentinas. É a história de uma família que pela vontade férrea do pai, não se detém perante nada na perseguição dos seus sonhos, mesmo que isso implique o desmembrar da mesma.

É sem dúvida uma história maravilhosa, contada na primeira pessoa como se de um conto se tratasse. E é nesse tom íntimo e pleno de nostalgia, que Olga, no auge dos seus 91 anos e ao longo de vários meses, relata a história da sua atribulada vida a uma das suas netas, a autora Yolanda Scheuber. De entre as peripécias que a vida lhe foi reservando, Olga nunca se deixou abater, lutando sempre pelos seus sonhos e acreditando que nada era impossível. É um livro riquíssimo, cheio de lições preciosas que devemos reter e guardar com carinho.

Transcrevo aqui uma das passagens que mais me tocou:
(...)
“Cada um é herdeiro de si mesmo”, escrevia Rabelais. E essa é a verdadeira liberdade.
Vimos sós a este mundo e temos sempre de optar. Temos de procurar a nossa identidade através de um caminho cheio de opções. Se escolhemos um ods caminhos, deixamos outros para trás onde as opções teriam sido diferentes, talvez melhores, ou talvez piores, talvez tívessemos sido um pouco mais felizes, mas teríamos de ser sempre nós mesmos. Talvez o mistério da nossa felicidade esteja dentro de nós, no nosso âmago.
Com os anos e a experiência compreendi que a felicidade não depende do que se passa à nossa volta, mas sim do que se passa no interior do nosso coração. Que a felicidade se mede com a sensatez que enfrentamos os problemas da vida, e que sempre será uma situação de valentia, pois é mais fácil estar triste e deprimido. Mas a verdadeira felicidade (a que nos invade mente e alma) é um estado e como tal, devemos optar livremente por ela, não fazendo sempre o que queremos, mas querendo sempre o que fazemos.
Quando nascemos ninguém nos dá a receita da felicidade. Há milhões de receitas de comidas, de sobremesas, de perfumes, de medicamentos, mas quanto à felicidade não existe nem existirá nunca uma fórmula mágica que, aplicada a todos por igual, nos dê um resultado exacto. Cada ser humano cultiva-a dentro da sua alma com a força e coragem necessárias. Com a dose exacta para cada ser, que variará de acordo com as pessoas. Alguns necessitarão de mais alguns gramas de valentia, outros de sensatez, outros talvez de serenidade, outros de mais amor, alegria para condimentar com bondade misturada ao mesmo tempo. A receita somente existe para cada um de nós e não podemos aplicá-la a todos por igual.
A felicidade não é uma paragem à qual temos de chegar, uma meta, um horizonte. A felicidade é uma forma de estar na vida. Se a perseguirmos parece que nunca mais a alcançamos, é como a nossa própria sombra, que foge quando vamos atrás dela, mas quando chega, chega sem nos apercebermos e quando menos a esperamos. (...)

"Um Amor em Tempos de Guerra" de Júlio Magalhães

Sinopse:
António nasceu marcado pelo nome. O mesmo que o vizinho da rua das traseiras, o homem que se fez doutor em Coimbra e que ia à terra sempre que podia, o tal que governava o país com pulso de ferro. Mas de pouco ou nada lhe valeu tão grande nome quando o destino o enviou para Angola, para defender a pátria em nome de uma guerra distante que não era a sua. Deixou para trás a sua terra, a mãe inconsolável e Amélia, a mulher que pedira em casamento, num banco de pedra, junto à igreja e que prometera fazer dele o homem mais feliz de Vimieiro. Promessa gravada num enxoval imaculado que ficou guardado no armário, à espera do fim daquela maldita guerra. Quando António regressou de Angola, era um homem diferente. Marcado no corpo por anos de guerra e de cativeiro e no coração por um amor impossível que deixara em pleno mato angolano. Regressava para cumprir a promessa que fizera anos antes à sua noiva Amélia, que o julgara morto, e que, em sua memória, tinha enterrado um caixão sem corpo.

A minha opinião:
Foi a primeira vez que li algo escrito por Júlio Magalhães. Confesso que não o tinha em grande conta como escritor. Depois de saber que segundo ele «Todos escrevemos, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro», acreditem que foi difícil dar-lhe uma hipótese. Mas, como o tema em particular me atrai imenso (tenho muita curiosidade sobre a época em que nasci - finais dos anos 60, início dos anos 70) lá me convenci a pegar nesta leitura. E devo dizê-lo, não me arrependi.
É uma história de amor muito bonita, bastante real, e escrita de uma forma simples, quase que como relatada. Aborda o tema da guerra do Ultramar, mas sem se perder em grandes e terríveis relatos sobre os combates além mar. O dramatismo da situação é vivido com seriedade, e acho que o autor conseguiu transmitir os sentimentos das personagens com rigor: a impotência e o desespero da mãe, ao ver o filho partir, as saudades e as dúvidas da noiva, a dor e a angústia de António ao ver a sua vida colocada em pausa, partindo para uma guerra sem sentido.
No fundo tenho de admitir que gostei.
Mas... (há sempre um "mas") acho que se nota a falta de experiência do autor.

Na página 237 podemos ler "O comboio foi abrandando à medida que se aproximava a estação de Santa Comba Dão. «Próxima paragem, estação de Santa Comba Dão.»" - supostamente o anúncio para os que viajavam naquele comboio. Ora a questão é que 1975 não havia esse tipo de anúncio, muito menos num comboio que parava em todas as estações e apeadeiros, como era o caso. Na realidade o sistema de som só começou a ser implementado nos comboios 10 anos depois, 1985 /86.

Outra falha que notei foi a omissão por completo do quão complicado era para uma rapariga ser professora e poder casar, nos tempos de Salazar. Amélia, andava no liceu com o objectivo de ser professora, mas não se coibia de compor o seu enxoval e fazer planos para casar, quando no fundo era exigido à professora primária uma dedicação a tempo inteiro, sendo que para casar, seria necessária uma autorização especial.

Estas duas "falhas" de que me apercebi, são na verdade consistentes com a incapacidade que notei ao longo do livro que o autor demonstra em conseguir se entregar por completo aquela época. Duvido que seja intencional, e por isso atribuo-a à sua "verdura" como autor. (Afinal, não é de todo como escrever uma sms!)
A meu ver os diálogos entre as personagens são demasiado actuais. Isto é, o tipo de conversa não está adequada à época em questão (neste aspecto Tiago Rebelo é um mestre). As personagens entre si conversam como se estivem nos dias de hoje. Por exemplo notei apenas uma vez, salvo erro, em que o filho se dirige à mãe como "senhora minha mãe", embora nessa altura fosse esse o timbre utilizado no tratamento aos progenitores.

Mas isto são apenas pormenores. Quando olhamos para o livro como um todo, acabamos por gostar. Acho que um dia destes também vou experimentar o outro livro dele "Os Retornados" e fico à espera de um novo título, também com curiosidade sobre a sua evolução.

"A Promessa" de Brunonia Barry


Sinopse:
Towner Whitney, uma mulher enigmática e fascinante, descende de uma família de mulheres de Salem que têm a capacidade de ler o futuro nos padrões da renda típica da cidade.

Após uma vida de traumas e tragédias que a leva a exilar-se na Califórnia, Towner regressa à sua cidade natal, em busca da tia-avó, Eva, desaparecida misteriosamente.
Towner vê-se, assim, obrigada a enfrentar os medos do seu passado e a verdade das tragédias na sua família.
A Promessa é uma narrativa hipnotizante que desvela um mundo de segredos, identidades perdidas, mentiras e meias-verdades, onde a realidade e a ficção se unem inexoravelmente.

A minha opinião:
Depois de ter falado nestas dicas, pego num livro e não sigo os meus próprios conselhos! Devia ter desistido desta leitura logo no início. Antes de me envolver na história o suficiente para ter de tentar descortinar toda aquela confusão. Mas, a verdade é que não teria aprendido sobre a localidade de Salem, em Massachussets. Como sobrevive ainda hoje à sombra do seu passado histórico. Embora tenha sido um importante porto comercial, Salem ficou conhecida pelo episódio das Bruxas de Salem - os últimos julgamentos por bruxaria em 1692.
A história em si é estranha e algo louca, não fosse a protagonista principal, Towner Whitney, nos informar logo inicio que é uma mentirosa e que é louca. Não achei que fosse um bom augúrio para o desenvolvimento da história, mas continuei.
Foi-me entretanto apresentada Eva, a tia-avó de Towner, que tinha desaparecido. Não quero entrar muito pela história a dentro, mas digamos que foi uma das personagens que mais me agradou, embora se falasse dela apenas no passado. Utilizava profusamente ditados, frases feitas e clichés nas suas conversas, dando um estranho sentido ao que na verdade dizia. Até mencionei aqui um desses ditados.
Mas afinal de que fala este livro? Fala das bruxas dos nossos dias, das videntes de rendas, de um grupo de mulheres de chapéus vermelhos e de uma ilha povoada de cães selvagens e mulheres sobreviventes. Fala-se de complexas relações familiares e de acontecimentos que marcam toda uma vida. Confesso que por vezes me senti perdida na vertigem do pensamento de Towner, e tantas vezes estive para desistir desta louca leitura. Mas continuei, sem saber bem porquê.
Estranho, é realmente a palavra que mais se adequa para descrever este livro.
Se perdi tempo com ele? Continuo sem saber o que responder…

"Um Fogo Eterno" de Barbara e Stephanie Keating


Sinopse:
Três mulheres em busca de amor e redenção, na apaixonante sequela de Irmãs de Sangue

Hannah, Sarah e Camilla partilharam uma infância mágica e feliz no Quénia. Anos depois, as três jovens mulheres regressam às terras altas da África Oriental e àquele que é agora um país independente.
Hannah luta para preservar a sua memória na fazenda Langani, alvo de uma série de ataques violentos que ameaçam a sua segurança e casamento. Sarah está a estudar o comportamento dos elefantes numa zona perigosa devido à acção de caçadores furtivos, refugiando-se no trabalho para superar a morte do seu amor de infância. Camilla, um ícone mundial da moda, abandona a sua carreira em Londres e regressa ao Quénia por amor a um carismático caçador e guia de safáris. Mas um segredo paira sobre elas. Com a ajuda de um ambicioso jornalista indiano, elas vão desvendar a verdade por detrás da morte do noivo de Sarah e dos constantes ataques à fazenda e às suas vidas. As paixões e provações por que passam estas inesquecíveis heroínas, unidas uma vez mais pela amizade e pelo amor ao país das suas infâncias, fazem de Um Fogo Eterno um romance épico e magnífico.

A minha opinião:
Quando soube que o grandioso “Irmãs de Sangue” ía ter uma sequela fiquei muito admirada. A experiência dita que as sequelas, tanto em livros como em filmes, raramente são bem conseguidas e quando tive o livro nas mãos, nem queria acreditar. Eram novamente seiscentas e tal páginas! Confesso que a dúvida passou pela minha mente, será que as irmãs Keating me iriam desiludir?
Nem pensar!

Elas propuseram-se a fazer o que muito poucos se atrevem: criar a sequela de um épico, tão ou mais grandiosa que esse primeiro livro.

Mais uma vez me vi transplantada para o Quénia, esse país de contrastes cujo o nome evoca beleza, aventura e mistério. Em Langani a vida continuou, mas as mazelas dos acontecimentos que ditaram o destino das três amigas, deixaram cicatrizes profundas que ainda não sararam. Para além do mais, as razões para o que aconteceu ainda permanecem um mistério, que virá à luz do dia durante esta apaixonada narrativa.
Neste livro está bem latente a importância da honestidade e do amor, que são na verdade os ingredientes essenciais para que uma amizade prevaleça sobre as dificuldades e os problemas.

Historicamente é também um relato muito rico, levando-nos a entender, através do ponto de vista humano, as razões para os confrontos entre os nativos e o homem branco, bem como entre britânicos e indianos.

Uma característica que devo referir, é que o livro é perfeitamente compreensível para alguém que não leu o primeiro. Apesar de tão extenso, não repete a história dando-lhe apenas uma continuação, pontuada com detalhes importantes para que o leitor se aperceba, ou recorde, dos acontecimentos do primeiro livro.
As irmãs Keating merecem novamente as minhas 5 estrelas, e não me admiro nada se daqui a uns tempos aparecer um terceiro livro. Elas têm capacidade para isso!