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Opinião: "Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu" de Jennette McCurdy

O título choca. Não há dúvida. Qualquer um de nós que tenha tido uma relação saudável com a sua mãe, não deixa de se arrepiar ao ler este título. Mas é mesmo assim a vida. O que é para uns, nem sempre é para outros. E a verdade é que o título funcionou! Foram ou não à procura do que tratava este livro? Puro marketing, meus queridos. E no caso de Jennette McCurdy, pura verdade.

Jennette foi uma das estrelas da série iCarly, da Nickelodeon, tendo dado os seus primeiros passos na indústria com apenas 6 anos.  Para a mãe de Jennette, o sonho da sua filha se tornar atriz era tudo. E para a pequena Jennette não havia nada mais importante do que manter a sua mãe feliz. Essa relação tóxica e manipuladora durou até aos 21 anos de Jennette, quando a sua mãe morreu de cancro. Depois de ler o livro e saber pelo que ela passou, sem sequer se aperceber, concordo com o título. 

História à parte, este é um livro de memórias, escrito de uma forma brilhante. O tom é quase inocente, doce, misturando uma boa dose de  humor negro com pormenores de partir o coração. Uma mistura fantástica que nos leva a continuar a ler sem parar. Julgo que o verdadeiro dom de Jennette é este - a escrita. Lia mais livros dela, sem dúvida.

Quanto à história em si, é mais uma história de Hollywood. Mais uma história de uma criança abusada em prole do ego de uma mãe. Muito bom. É uma leitura que recomendo!

Em destaque: "Ainda Bem Que A Minha Mãe Morreu" de Jennette McCurdy

As confissões de uma criança atriz, sobre os abusos de que foi vítima em criança.

Sinopse:

Jennette McCurdy tinha seis anos quando fez a sua primeira audição. A mãe queria torná-la uma estrela e ela não a queria desiludir, por isso sujeitou-se às restrições calóricas e a vários makeovers caseiros, entre ralhetes do tipo: "Não vês que as tuas pestanas são invisíveis? Achas que a Dakota Fanning não pinta as dela?" Até aos 16 anos era a mãe que lhe dava banho e tinha de partilhar com ela os diários, o e-mail e todo o dinheiro que recebia.

Em Ainda Bem que a Minha Mãe Morreu, Jennette narra tudo em detalhe - e conta o que aconteceu quando o sonho se realizou. ao integrar o elenco de iCarly, uma série da Nickelodeon, é projetada para a fama. Enquanto a mãe anda nas nuvens, Jennette mergulha numa espiral de ansiedade e falta de amor próprio, que se manifesta em distúrbios alimentares, vícios e relações tóxicas.

Os problemas agravam-se quando, depois de entrar na série Sam & Cat (juntamente com Ariana Grande), a mãe morre de cancro. Seriam precisos anos de terapia, e abandonar os palcos, para a atriz recuperar e decidir, pela primeira vez, fazer o que queria.

Este livro, pontuado de humor negro, conta na primeira pessoa esse trajeto, traduzindo-se numa história inspiradora sobre resiliência, independência… e o prazer de lavar o próprio cabelo sem ajuda.

Sobre a autora:
Jennette McCurdy foi uma das estrelas da série iCarly, da Nickelodeon, e da sequela Sam & Cat, bem como a série Between da Netflix.
Em 2017 abandonou a carreira de atriz e passou a dedicar-se à escrita e à realização. Os seus filmes foram exibidos em certames como o Festival de Cinema da Florida, Salute Your Short Film Festival e Short of the Week. Publicou ensaios no jornal digital HuffPost e no Wall Street Journal. Criou e protagonizou um espetáculo a solo, I’m Glad My Mom Died, que esgotou sessões em duas prestigiadas salas de Los Angeles, o Lyric Hyperion Theatre e o Hudson Theatre. É anfitriã do podcast Empty Inside - que está entre os mais ouvidos da Apple – e onde os seus convidados são desafiados a falar de assuntos incómodos. 
ive em Los Angeles.