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Opinião: "A Cura da Cicuta" de Joanne Burn

Que livro espetacular! 
Confesso que entrei a medo nesta leitura. Todos os livros que tenho apanhado este tema, acabam por cair no mesmo esquema, abordando cirurgicamente um evento, muitas vezes inspirado em situações reais, como as que existiram à época. Para quem não leu a sinopse, falamos da caça às bruxas, mais concretamente na Inglaterra de 1600. No entanto, este livro, apesar de aflorar o mesmo tema, consegue abordá-lo de um forma bem diferente.

Para já, estamos no tempo da Peste Bubónica, que assolou a Inglaterra em 1665-1666. A ação decorre numa pequena vila mas também na cidade de Londres. Uma das personagens principais é Mae, filha do boticário local, um homem cuja obsessão pela igreja não o deixa ver para lá da religião. A pequena Mae é curiosa e inteligente, duas qualidades que, em conjunto com o facto de ser mulher, a vão colocar em perigo junto do próprio pai. 

A outra personagem principal é Isabel, a parteira e curandeira daquela região, que sente uma grande afinidade por Mae, não só por ter sido amiga da sua mãe, como a ter ajudado a chegar ao mundo. Ela percebe melhor que ninguém o perigo que a menina corre se continuar a viver com o pai. E obviamente, Isabel é um alvo a abater por Wulfric, o pai de Mae. Devido aos segredos que esconde, é igualmente um alvo fácil.

A história está belissimamente bem escrita. Adorei o tom sóbrio e constante desta autora, que nitidamente fez uma minuciosa pesquisa histórica, e que consegue incorporar uma história quase policial, numa época tão complicada e abordando um tema tão sério. Adorei especialmente a personagem de Mae. A sua voz fica presente muito depois do livro terminar e a sua história ficou a ecoar na minha memória. É um livro que merece nota máxima, e que recomendo sem hesitações!

Em destaque: "A Cura da Cicuta" de Joanne Burn

Sinopse:

O ano é o de 1665, e as mulheres da vila de Eyam guardam muitos segredos… Isabel, a parteira, trilha um caminho perigoso, com as suas ervas e preparados. Há na aldeia homens que falam em bruxaria, e Isabel tem um passado a esconder. É também por isso que não partilha com ninguém os seus receios a propósito de Wulfric, o devoto e enclausurado boticário da povoação.

Mae, a filha mais nova de Wulfric, teme a fúria do pai, se este descobrir o que também ela esconde dele. Os sentimentos que nutre por Rafe, por exemplo, jovem que está à guarda de Isabel, ou o facto de que estuda, à luz da vela, pelos livros proibidos do pai. Mas outros mais guardam segredos, e mais sombrios do que qualquer uma delas possa imaginar.

Quando Mae faz uma descoberta aterradora, Isabel é a única pessoa que a vai poder ajudar, mas ajudar Mae significará colocar ambas em grave perigo.
E está a caminho, vinda de Londres, outra ameaça, um manto que ameaça cobri-los a todos…

Críticas da Imprensa:

«Um mistério histórico bem escrito e bem pesquisado. […] Um retrato comovente da irmandade entre duas mulheres.» Publishers Weekly 

«Uma história descrita de forma deslumbrante e poética na sua atmosfera e capacidade de observação. O leitor sente-se plenamente inserido naquilo que era a vida durante este período histórico.» The Historical Novel Society

Sobre a autora:
Joanne Burn nasceu em Northampton, Inglaterra, em 1973, e vive atualmente no Peak District britânico, a sul dos montes Peninos, onde leciona cursos de Escrita Criativa. A Cura da Cicuta, tal como a melhor ficção histórica, é um romance fruto da conjugação de grande pesquisa com a capacidade para contar uma história belíssima, mas tensa, com protagonistas que têm tanto de compaixão quanto de rebeldia.