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Opinião: "A Estranha Sally Diamond" de Liz Nugent

Li, há alguns anos, outro livro desta autora - O Segredo do Escritor, que adorei, e terminei a minha opinião escrevendo "É "uma autora que não quero perder de vista. Simplesmente brilhante!"
Ora, demoraram uns quantos anos, mas ela lá apareceu, publicada novamente em português.

Este A Estranha Sally Diamond conquistou-me logo pelo título, e quando soube quem era a sua autora, tive de o ler assim que possível.

Adorei a personagem principal, Sally. Gostei da forma como a autora nos vai contando a sua história, explicando aos poucos porque ela é como é. 

Está muito bem escrito, mantendo a tensão ao longo de todo o livro, cativando o leitor para continuar a ler, para descobrir mais e mais sobre a história de Sally.

Não me surpreendeu de todo, pois é uma história recorrente, mas a forma como está desenvolvida faz realmente a diferença.

No entanto, após terminar a leitura fiquei com vontade de rasgar as últimas páginas e reescrever o final. Não vou fazer spoiler, atenção, mas não gostei da forma como terminou. Para já senti que o desfecho foi demasiado apressado, como se de repente a autora percebesse que tinha de terminar o livro quanto antes. Isso é bem notório. E para além disso, achei que após todo o seu esforço, Sally, merecia um melhor fim. 

Mas foi uma boa leitura que recomendo. Só por causa do final não leva os 5 💗. Leva 4.

Podem ler a sinopse ou até adquirir o livro na página do mesmo no site da Wook.

Opinião: "O Cultivo das Flores de Plástico" de Afonso Cruz

Por incrível que pareça é o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Não sei se foi por causa dos títulos, ou por causa das capas, que não me tenha interessado por ele antes. Mas desta vez teve de ser. Escolhi-o para começar o ano, logo a seguir a uma leitura abismal. Mas não há dúvidas. Afonso Cruz ultrapassou o desafio.

Por norma, quando lemos um livro extremamente bom, ficamos com a chamada "ressaca literária". Nessa altura, meus amigos, o segredo é pegar em algo completamente diferente e pequeno. Foi por essas duas razões que escolhi "O Cultivo das Flores de Plástico".

Gostei do tipo de escrita do autor. Nota-se que se trata de uma peça, por isso a linguagem é simples, sem subterfúgios, quase crua. Um óbvio contraste 
com o conteúdo da história.

Eles são quatro. Vivem na rua. São todos diferentes, mas todos são sem-abrigo. 
Temos o Jorge, que já vive na rua há alguns anos por causa do seu mau feitio, diz ele, mas que ainda consegue ver o lado bom da vida. Ele é a esperança de que a bondade venha ao de cima em todos nós.

"Faço coisas pequenas, pequenas bondades, não é preciso ser Deus, basta fazer pequenas coisas e elas crescem e um dia alastrar-se-ão pelo mundo como uma daquelas pragas medievais. Estou a infestar o mundo com estas sementes. A plantar Deus. Como não existe, faço o que Ele devia fazer"

Temos depois o Couraçado Korzhev, um suposto ex-marinheiro russo que foi abandonado pelos seus camaradas em Lisboa apenas por ter um tom de pele diferente. Passa a vida a dobrar mapas e anda com uma série de conchas no bolso para poder ouvir o mar.

Lili é uma rapariga cuja história não percebi totalmente, mas que entendi ser uma sobrevivente de maus tratos. Passa a vida a tentar encontrar a sua casa, experimentando as chaves que carrega em todas as portas.

Finalmente a Senhora de Fato. A única que aparentemente "ainda" não sobre de nenhuma perturbação psicológica, por ter chegado recentemente à rua. Esta foi a personagem que mais me marcou. A prova provada que a distância entre nós e "eles" não é assim tão grande. Basta um deslize, uma escolha errada e tudo muda.

Esta é uma história que depois de lida nos fica agarrada à pele.  Não só pelas verdades que encerra, como pelas coisas que não são ditas, mas que nos fazem pensar.

Até a própria cena de tortura animal, que me custou horrores ler e que tentei "passar por cima", é o testemunho do quão insensíveis nos tornámos para com estas pessoas. Escandalizamo-nos com o relato do cão, mas não com as histórias dos sem-abrigo.

Não percam esta leitura. É um livro absolutamente indispensável. Brutal!

"Andamos a regar flores de plástico, é isso que fazemos. Temos coisas que não servem para nada. É tudo plástico. E nós regamos essas flores e esperamos que cheirem a coisas boas. Mas é plástico. Temos coisas, em vez de tentarmos ser felizes, substituímos a vida por plástico, a felicidade por plástico e o próprio plástico por plástico. Trabalhamos para regar uma vida destas."

Opinião: "O Tesouro" de Selma Lagerlöf

Naquelas conversas entre livrólicos, retive o nome de um livro que, apesar de antigo, diziam-no extraordinário.
Trata-se de O Tesouro de Selma Lagerlöf, publicado originalmente em 1904, ou seja, há 120 anos.

Mas antes de falarmos sobre o livro, falemos sobre a sua autora. Quem foi Selma Lagerlöf?
Nada mais, nada menos do que a primeira mulher a ganhar o Nobel da Literatura em 1909. Escolha que foi envolta em alguma polémica pois o seu estilo era, considerado por muitos, demasiado vanguardista para a época.

Da sua obra diz-se foi inspirada nas lendas e histórias de encantar suecas, e julgo ter sentido essa mesma influência neste livro que li.

"O Tesouro" é sem dúvida uma obra notável. Uma pequena pérola da literatura que se lê num ápice e nos deixa enfeitiçados. 

Trata-se de um conto fantasmagórico, pleno de intriga e suspense, que prende o leitor à narrativa. É a história de um amor ameaçado pela moral e por um fantasma que exige vingança. Julgo que os críticos da autora tinham razão, o seu estilo de escrita era vanguardista para a época, já que nesta nossa época, esse estilo é bem atual.

Foi o livro de despedida deste meu ano literário de 2023. Uma excelente leitura que recomendo sem hesitações.

Podem ver a sinopse do livro na página do mesmo no site da Penguin Random House Grupo Editorial: 
https://www.penguinlivros.pt/loja/cavalo-de-ferro/livro/o-tesouro-2/

Opinião: "Olá, Linda" de Ann Napolitano

Primeiro foi o nome. Não sabia exatamente em que contexto se situaria a saudação. Depois a capa. Era diferente, um pouco estranha até. Mas não deixava de me agradar. Espreitei a sinopse... (algo que não gosto muito de fazer pois quero que o livro seja uma completa surpresa). 

Assim que li:

"com Julia vem a sua família, pois ela e as três irmãs são inseparáveis: Sylvie, a sonhadora, é feliz com o nariz enfiado nos livros; Cecelia é um espírito livre, apaixonado pelas artes; Emeline cuida pacientemente de todos eles. Com os Padavanos, William experimenta um novo sentimento: ter um lar, pois cada momento naquela casa é repleto de caos amoroso." 

Soube que tinha de o ler, pois adooooro dramas familiares e histórias com irmãs.

Foi uma excelente decisão, pois este livro habilitou-se a ficar no meu TOP 5 de 2023. Que história! Simplesmente adorei conhecer as irmãs Padavano, tão diferentes umas das outras! Que personagens tão ricas e bem desenvolvidas. Sei que me vão acompanhar durante algum tempo, assim como a sua bela e algo triste história.

O título sempre me fez espécie, mas garanto-vos, quando finalmente percebi o seu porquê, o meu coração saltou uma batida. Apesar de ser um drama, não fez chorar. Fez-me sim sentir agradecida e de coração cheio. Se há livros que têm esse efeito, este é, sem dúvida, um deles. 

Demorei algum tempo a lê-lo, pois quis lê-lo devagar, saboreando cada pormenor, adiando o final, para poder passar mais tempo na companhia das irmãs Padavano. Aposto que se fosse a Chicago, mesmo sabendo que ía ficar desiludida, pois não existem, iria à procura dos murais de Cecelia.

Adorei este livro. Por favor, não deixem de o ler.

Em destaque: "A Rapariga do Vestido às Riscas" de Ellie Midwood

Ela recusou-se a desistir. 
E ousou voltar a sentir.
Sinopse:
Helena desce da carruagem de transporte de gado para o chão gelado de Auschwitz. Tem 24 horas de vida. Programada para ser morta no dia seguinte, nem chegou a ser tatuada com o número de prisioneira. Quando um oficial de uniforme cinzento marcha na sua direção e a puxa para longe, ela teme o pior. Ele, todavia, diz-lhe que é o aniversário de um outro oficial e ordena que ela cante para ele.
Dentro do barracão da SS, o ar é quente, carregado de fumo de cigarros e barulho. Quando Helena termina de cantar, Franz, o oficial aniversariante, oferece-lhe uma fatia de bolo — a primeira coisa que ela come desde há dias. E aí mesmo, ele ordena que a vida dela seja salva, mudando para sempre o curso do seu destino.
O que se segue é uma história que deveria ser impossível, mas que salvou a vida de ambos - e de centenas de outras pessoas - de mais do que uma maneira.

Sobre a autora:
Ellie Midwood é uma autora norte-americana premiada e bestseller do USA Today.
Deve o seu interesse pelo tema da Segunda Guerra Mundial ao avô, militar numa importante formação do Exército Vermelho durante aquele conflito.
Em criança, escutava os seus relatos sobre a experiência na frente de batalha. Depois, quando cresceu, o seu interesse pela História intensificou-se e Ellie passou das leituras sobre a guerra para a escrita sobre a mesma.
Após concluir uma formação em Linguística, Ellie decidiu fazer da escrita a sua carreira e passou a dedicar-se inteiramente a esta atividade.

Opinião: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Que livraço!!! Adorei cada pedacinho. Fez-me lembrar um pouco as histórias de Elena Ferrante, sim, mas mais as de Rosa Ventrello, que li há alguns anos. Se não conhecem, não deixem de ler.

Regressando a Beatrice Salvioni, que escritora! Como é que uma jovem de 28 anos tem tanto saber, tanta idade dentro de si!?! É sem dúvida uma autora que não quero perder de vista e que para mim, já provou o seu valor. Adorei A Malnascida.

Este livro conta-nos a história da amizade entre duas raparigas, naquela fase tão difícil entre o ser criança e ser adolescente. Passa-se em Itália nos anos 30, tendo como pano de fundo as vidas de extrema pobreza em contradição com as de grande desafogo monetário, apoiantes do fascismo de Il Duce. 

Malnascida (Maddalena) é um pássaro livre. Vinda de uma família pobre, herdou a sua alcunha devida a alguns azares na sua curta história, mas como o que não nos mata torna-nos mais fortes, ela é resiliente, atenta e desafiadora. Estas características fascinam Francesca, uma menina de boas famílias, que vive fechada numa redoma. Contra os pais desta última, elas vão tornar-se amigas inseparáveis, e é o seu dia-a-dia que vamos acompanhando ao longo do livro.

Mas a vida dos adultos vista pelos olhos dos mais jovens é sempre dilacerante, e as duas amigas vão crescendo à força, ajudando-se mutuamente a enfrentar as dores desse crescimento. O seu círculo de amigos, também eles com as suas histórias, enriquecem a narrativa, e desde cedo sentimos que fomos fisgados. É uma leitura vertiginosa, que não conseguimos pousar.

Adorei este livro. É sem dúvida um dos melhores do meu ano literário!

Em destaque: "Maame" de Jessica George

A história de crescimento e autodescoberta de uma mulher dividida entre duas culturas em busca do seu lugar no mundo.

Sinopse:
Maddie está à espera de que a sua vida comece. Aos 25 anos, é a principal cuidadora do pai, que sofre de doença de Parkinson, enquanto a mãe se ausenta durante longos períodos no Gana. O seu emprego como assistente administrativa num teatro de Londres está a revelar-se um beco sem saída e Maddie está cansada de sentir que é a única pessoa negra em qualquer reunião de trabalho.

Quando a mãe anuncia que vai regressar a Londres durante um ano, Maddie aproveita para sair de casa e começar a fazer todas as coisas que as outras pessoas da sua idade já parecem dominar. Começa a partilhar um apartamento com duas outras raparigas, aceita sair à noite com as amigas, decide pedir mais responsabilidades no trabalho e lança-se no desconcertante mundo das aplicações de encontros amorosos.

Tudo parece estar a entrar nos eixos quando algo terrível acontece, obrigando Maddie a confrontar-se com a natureza pouco convencional da sua família e a complexidade de se sentir dividida entre dois países e duas culturas. Porém, é ao lidar com questões como o trauma, o racismo, a sexualidade e a saúde mental que Maddie tem a oportunidade de descobrir a sua própria força e a sua própria voz.

Sobre a autora:
Jessica George é uma autora britânica, natural de Londres, filha de pais ganeses. Estudou Literatura Inglesa na Universidade de Sheffield. Depois de trabalhar numa agência literária e num teatro, conseguiu um emprego no departamento editorialda Bloomsbury UK.

Maame é o seu primeiro livro, que se estreou como bestseller do New York Times e recebeu excelentes críticas por parte de várias publicações e de outros autores, tendo sido também um dos quatro finalistas dos TikTok Book Awards UK and Ireland 2023, na categoria de BookTok Book of the Year.

Em destaque: "O cultivo de flores de plástico" de Afonso Cruz

Individualismo, consumismo, indiferença, desigualdade: Afonso Cruz não deixa nada por dizer sobre estes temas fraturantes, num livro de rara e íntima beleza.

Sinopse:
Lili ocupa o tempo de sobra a experimentar chaves em portas. O couraçado Korzhev dobra e desdobra mapas e carrega no bolso conchas que lhe devolvem a maresia. A senhora de fato suspira pelo tempo em que vivia uma vida alcatifada, com dois carros, um cão e um gato. Jorge sabe que bastou um passo em falso para ir parar ali. É o que separa as pessoas que vivem em casas das pessoas que vivem na rua: um passo mal dado. Num texto belíssimo, pleno de dor e ironia, Afonso Cruz imagina as vidas de um grupo de pessoas que vive «debaixo do mau tempo», abaixo da linha mínima da dignidade e conforto que deveria caber a cada pessoa. O cultivo de flores de plástico é um apelo para que olhemos para os seres invisíveis das nossas cidades.

«No fundo, é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco nos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam, ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu? Eu sou o Jorge, também invisível como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa, que está a arrefecer há tantos anos.»

Sobre o autor:
Afonso Cruz
é o multipremiado autor de romances como Para onde vão os guarda-chuvas ou Jesus Cristo bebia cerveja. Recebeu, entre outros: Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores; Prémio Fernando Namora; Prémio Sociedade Portuguesa de Autores; Prémio Time Out - Melhor Livro do Ano; Prémio da União Europeia para a Literatura; Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco; Prémio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil (FNLIJ) e Prémio Literário Maria Rosa Colaço. Assina, desde Fevereiro de 2013, uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias sob o título «Paralaxe». Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte línguas.

Opinião: "O Diário do Meu Desaparecimento" de Camilla Grebe

Esta foi uma leitura que me escapou das mãos. Não sei precisar a razão, porque tanto o tema como o local onde se desenrola a ação estão entre os meus favoritos. Gosto de um bom policial nórdico! No entanto, a atmosfera em que nos sentimos imersos ao longo do livro, deixou-me um gosto amargo na boca. 

Não consegui sentir empatia pela dona do diário - a psicóloga comportamental que supostamente estaria a analisar o crime, e que está a sofrer de uma espécie de Alzheimer precoce. E o sentimento de estar a ser sufocada por um manto de neve, quase me fez largar o livro.

Mas mantive-me fiel e continuei. Acabei por descobrir duas personagens mais ricas e verosímeis. Uma delas foi Malin, a jovem polícia que está de regresso à sua vila natal para assistir num caso com dez anos que foi entretanto reaberto. Apreciei sinceramente a dificuldade em gerir os seus sentimentos, quer relativamente à mãe, que ainda vive ali, como à própria vila de Ormberg, de onde Malin sempre tentou fugir.

A outra, não posso dizer para não estragar a leitura a quem for ler o livro. Mas digo apenas que foi uma personagem muito bem explorada pela autora. Um tema bem atual e interessante, principalmente neste contexto de pequena vila.

Confesso que se de início me custou um pouco a leitura, mais para o fim ela apurou-se, e deparei com um desenvolvimento que não estava nada à espera, pelo que a nível de surpresa, tenha de dar a este livro nota máxima. 

É uma leitura que recomendo para os amantes do género, desde que não coloquem as vossas expetativas muito lá em cima, já que, a meu ver, é uma leitura um pouco morna.

Opinião: "Sempre Vivemos no Castelo" de Shirley Jackson

Shirley Jackson foi uma influente autora norte-americana, conhecida pelas suas obras de horror e mistério. Dando continuidade à tradição do gótico americano, iniciado com Poe, as suas histórias inspiraram grandes escritores como Stephen King, Neil Gaiman, ou JOanne Harris.

O culto do sinistro, do mórbido e do patológico, levaram algumas das suas obras até ao grande écran, como por exemplo, A Mansão ou  A Maldição de Hill House, que mais recentemente foi novamente adaptada para o pequeno écran pela Netflix.

Entrei nesta leitura com imensa curiosidade, e na verdade, encontrei exatamente aquilo que fui à procura.

A história é-nos contada pela voz de uma adolescente, meio ingénua para a idade, que nos vai relatando o seu dia-a-dia. Logo desde o início percebemos que há algo estranho no ar, e essa sensação de inquietude não nos larga nunca. Merrycat (Mary Catherine) é uma jovem algo mística, que talvez tenha sido a forma que ela encontrou para fugir da realidade que a rodeia.

O mistério por trás da família Blackwood só nos é revelado mais à frente na narrativa, mas desde cedo percebemos que os remanescentes membros da família são considerados non-gratae pelos restantes habitantes daquele vilarejo. O que aconteceu leva a que ninguém se queira aproximar daquela casa, pelo que quando um horrível acidente acontece, ao invés de tentar ajudar, ainda pioram a situação.

Não posso revelar nada sobre a história, pelo que apenas vos quero deixar com uma impressão, a de que a  autora é uma magnífica contadora de histórias de terror. Com meia dúzia de linhas lidas, já sentimos os cabelos da nuca arrepiados, ficamos inquietos, mas cativados o suficiente para continuar a leitura.

Não me importava nada de ver mais séries de horror inspiradas nas histórias desta senhora!

Opinião: "Fúria Mortal" de Bruno M. Franco

O último livro de Bruno M. Franco é uma obra prima do policial português. Nota-se uma grande evolução desde os dois anteriores (Jogo Mortal e Segredo Mortal), sendo que agora, o autor parece que escreve mais "à seria". 

O tema é interessante, sendo que vai buscar um dos grandes mistérios por resolver da nossa Polícia - o Estripador de Lisboa, e dá largas à sua imaginação.

Gostei imenso dos livros anteriores, do ritmo, das histórias, por muito mirabolantes que fossem as teorias. Este, no entanto, chocou-me. Não estava preparada para tanta violência sexual. Não seria um filme que eu gostasse de ver, confesso. Li porque era o terceiro da saga, mas não saí do outro lado satisfeita. Acredito que esteja em descordo com a grande maioria dos leitores, mas há alturas em que uma leitura pode cair bem, outras em que pode cair mal, o que foi o caso.

Não posso dizer muito mais, pois tudo o resto já se sabe, excelente organização do enredo, ótimos personagens, grande desenvolvimento com um fator de surpresa elevado, o que é excelente para este género de livros. Por isso tirem vocês a prova dos nove, já que o meu marido leu o livro e não tem a mesma opinião que eu.

Continuo a querer ler mais de Bruno M. Franco e espero ansiosamente por um novo livro.


Em destaque: "Olá, Linda" de Ann Napolitano

Poderá o amor curar uma pessoa ferida?
Uma história comovente sobre como é possível amar alguém,
não apesar de quem a pessoa é, mas por causa disso mesmo.

Sinopse:
William Waters cresceu numa casa silenciada pela tragédia, na qual os seus pais mal conseguiam olhar para ele, muito menos amá-lo; mas quando conhece a vivaz e ambiciosa Julia Padavano, é como se o seu mundo se iluminasse. E com Julia vem a sua família, pois ela e as três irmãs são inseparáveis: Sylvie, a sonhadora, é feliz com o nariz enfiado nos livros; Cecelia é um espírito livre, apaixonado pelas artes; Emeline cuida pacientemente de todos eles. Com os Padavanos, William experimenta um novo sentimento: ter um lar, pois cada momento naquela casa é repleto de caos amoroso.

É então que a escuridão do passado de William vem à tona, colocando em risco não apenas os planos cuidadosamente pensados por Julia para o futuro de ambos, mas também a inexorável devoção das irmãs umas pelas outras. O resultado é uma desavença familiar catastrófica que muda irremediavelmente as suas vidas.

Será a inabalável lealdade que outrora os ligava forte o suficiente para voltar a reuni-los quando é mais importante?

Os elogios da crítica:

«Luminoso e magistralmente escrito.» The New York Times

«Um livro comovedor que nos faz querer o melhor para as personagens e seus destinos. Ann Napolitano narra os altos e baixos da vida com uma precisão dolorosa e obriga-nos a contemplar a complexa tapeçaria do amor familiar que, apesar da dor e da perda, pode voltar a unir-nos.» The Washington Post

«Esta magnífica saga familiar é um daqueles raros romances cujas personagens são retratadas de modo tão belo que parecem tornar-se os nossos melhores amigos, e nós sentimo-nos gratos por fazer parte da sua vida.» Oprah Quarterly 

Sobre a autora:
Ann Napolitano
já tinha publicado um bestseller – Dear Edward (inédito em português) – e este Olá, Linda veio consolidar a presença desta autora no lote de nomes a ter em conta nas letras americanas contemporâneas. O seu percurso nesta área vem desde cedo, uma vez que quis ser escritora desde muito cedo, e a arte de narrar acabou por ser para si uma espécie de terapêutica, acabando por formar a sua personalidade e por ajudá-la a superar o negrume com que também gosta de confrontar as suas personagens. Os tempos iniciais do seu percurso foram de frustração, tendo sido rejeitada por 80 agentes literários e dezenas de editoras. Escreveu dois livros que foram largamente ignorados e sofreu pressões familiares no sentido de arranjar uma profissão a sério. Testes psicotécnicos apontavam-lhe uma carreira como guarda florestal. Atravessou períodos de depressão e de dificuldades económicas, chegando a estar privada de seguro de saúde, um indicador de fragilidade máxima numa sociedade sem assistência médica universal. Depois de ter trabalhado no ensino e como secretária pessoal, além de editora numa revista literária, e tendo passado anos a escrever de forma intermitente entre trabalhos, surgiu o primeiro volte-face no seu percurso: o já referido Dear Edward, a história de um rapaz que perde toda a família num desastre de avião, foi arrematado num leilão e tornar-se-ia num inesperado sucesso de vendas, vindo mais tarde a ser adaptado a série pela Apple TV. Para trás, tinham, ficado oito anos de criação do manuscrito, nos intervalos da vida de todos os dias. Com o valor recebido no leilão, Ann Napolitano comprou uma cama nova. Ainda dormia na que tinha herdado dos pais. Tinha 46 anos.
Depois do sucesso alcançado com o terceiro livro, Ann Napolitano publicou Olá, Linda, título que haveria de levar a um telefonema de Oprah Winfrey. Responsável pelo clube de leitura mais influente do mundo, Oprah catapultou definitivamente Napolitano para uma posição de estrelato editorial, transformando de vez a sua vida. Com um sentido de auto depreciação  aguçado, Ann revelou ter recebido a chamada de Oprah enquanto levava o lixo à rua, tendo ficada agarrada ao saco durante todo o tempo de duração do telefonema, receando que a chamada (e a oportunidade) caísse. O que não aconteceu. A carreira literária de Ann está mais do que consolidada, naquele que é um corolário do envolvimento que sentia desde que era jovem leitora: «Houve um momento de solidão, quando era jovem, que me fez reler Mulherzinhas, e essa mesma solidão levou-me à porta de Leah (sua amiga de infância), à cozinha barulhenta da sua família, cheia de histórias antigas e gargalhadas. A companhia daquelas irmãs, tanto reais como fictícias, encheu-me de prazer e conforto.» Depois, foi necessário esperar algumas dezenas de anos até pôr essa experiência romanceada no papel. Ainda foi a tempo.



Em destaque: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Sinopse:
Monza, Itália, 1936. Francesca, de 13 anos, está nas margens do rio Lambro, vergada sob o peso de um homem morto que tentou violá-la. Maddalena, amiga de Francesca, sai da água e ajuda-a a livrar-se do corpo: escondem-no no meio de arbustos. Este momento é um marco inolvidável na relação entre as duas raparigas, que começa um ano antes, quando Francesca se deixa fascinar por aquela a quem todos chamam «a Malnascida»: uma rebelde de origens humildes e com estranhos poderes.

Contrariando a vontade da sua mãe, obcecada pelas convenções sociais burguesas, e ignorando os rumores que atribuem várias mortes à «Malnascida», Francesca junta-se ao seu bando de amigos «problemáticos», ávida por descobrir um modo de vida em absoluta liberdade. Entre as duas amigas, contudo, imiscui-se a guerra e o fascismo. Francesca e Maddalena terão de fazer uma difícil escolha: aliar-se contra a opressão social e a injustiça, ou deixar que o curso da História as separe para sempre.
A Malnascida é o elogiado romance de estreia da italiana Beatrice Salvioni, distinguido com o prémio literário Scuola Holden, criado pelo premiado escritor Alessandro Baricco. Uma inesquecível história de amizade e crescimento, sob o pano de fundo da Itália fascista.
Sobre a autora:
Beatrice Salvioni nasceu em Monza, Itália, em 1995. Formou-se em Filologia Moderna pela Universidade Católica de Milão. Foi aluna da Scuola Holden, dirigida por Alessandro Baricco, e ganhou o Prémio Calvino 2021, com o conto «Il volo notturno delle lingue mozzate», bem como o Prémio Raduga 2021. A malnascida é o seu primeiro romance, com o qual obteve o Prémio Scuola Holden e cujos direitos foram vendidos a trinta e dois editores antes da publicação em italiano. Será adaptado a série televisiva.

Opinião: "Vejam como dançamos" de Leila Slimani

Embarquei nesta leitura porque, após ler dois livros dela, fiquei apaixonada pela escrita de Leila Slimani, e claro, porque este é a continuação do "No País dos Outros", livro que li em 2022 e dei 4 estrelas. No entanto, se o primeiro me agradou, este já não teve o  mesmo efeito. 

Mathilde e Amine têm neste segundo livro uma vida mais estabilizada, e até o seu amor está mais morno, o que é normal com a idade. Cederam em muitos pontos à modernidade, mas o peso da cultura e da tradição, continua colocar-lhes alguns grilhões. Principalmente a Mathilde, que continua a viver entre duas culturas, a sua, alsaciana, e a do país que abraçou, a marroquina.

Neste livro o destaque é portanto dado aos seus filhos: Aicha e Selim. Eles são os filhos da revolução, com a cabeça cheia de ideais. E se um (ela) sabe para onde dirigir o seu foco, o outro (ele) anda meio perdido ao sabor das drogas junto com os hippies europeus que deambulam por terras marroquinas. Esta era uma parte da história dos anos do amor livre que eu não fazia ideia ter acontecido.

Atravessando uma época conturbada, para Marrocos, os Anos de Chumbo (segunda metade de séc. XX) a história desta família está interligada à história deste país. E talvez por sentir que a autora se dedicou um pouco mais à segunda do que à  primeira, acabei por não gostar tanto deste livro como gostei do No País dos Outros. Fico à espera do terceiro para tirar as teimas. 

Mas é sem dúvida uma saga a reter, não só porque Leila Slimani é uma excelente contadora de histórias, com uma escrita admirável, como porque aprendemos imenso sobre a história de Marrocos.


Podem ler a sinopse e até as primeiras páginas deste livro no site da Penguin Random House »» aqui,

Opinião: "Jogo Mortal" de Bruno M. Franco

Mais uma vez estou deliciada com a leitura dos livros de Bruno M. Franco. Neste caso, trata-se do segundo livro da saga, mais um que poderia perfeitamente ser adaptado ao pequeno écran e forma de segunda temporada da série "Saga Mortal".

Tal como no primeiro livro, a leitura foi compulsiva, e tive de me disciplinar um pouco para não virar zombie de manhã. Livro fechado às 0.00 hrs. e toca a dormir. O problema, lá está, é que a história, por ser tão cativante mantinha-me inebriada durante mais algum tempo sem me deixar dormir. 

Reencontramos os inspetores da judiciária Leonardo Rosa e Marta Mateus, cuja relação não se encontra nas melhores condições, devido a um acontecimento que teve lugar no livro anterior e que não vou revelar. O caso que lhes é inicialmente atribuído revela-se confuso e difícil de solucionar, mas quando um segundo caso surge e aparenta ter os mesmos estranhos contornos, os inspetores começam a perceber que algo mais está em jogo.

Com um ritmo quase alucinante, vamos acompanhando a investigação, quase que só respirando entre capítulos. Esta história, apesar de não tão original como a do primeiro livro, foi muito interessante de descobrir. 

Novamente um livro que não posso deixar de recomendar. Para os amantes do género e para todos os outros que simplesmente gostam de ler e de se sentir cativados por uma leitura.

Entretanto, por sugestão do autor, já li o conto Natal Mortal, parte do livro "Nove Contos Não) Tradicionais de Natal" - um livro solidário, escrito por diversos autores portugueses, só disponível em ebook e cujas vendas revertem para a Comunidade Vida e Paz. 

Ao que parece este conto fará a ponte para o próximo livro, Fúria Mortal, o qual já podem encontrar nas livrarias! Eu não o vou perder, de certeza!!

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Podem ler a sinopse e até comprar o livro aqui.

Opinião: "Uma Rapariga Judia em Paris" de Melanie Levensohn

Por vezes há livros que nos surpreendem. Este foi um deles! 
Não peguei nele mais cedo por sinceramente não me apetecia ler mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, apesar do tema me agradar bastante. Mas estava numa fase pós-férias, cheia de trabalho, em que não me apetecia sequer ler. Ao vê-lo na estante, decidi pegar-lhe, apesar de como disse anteriormente, não me apetecer ler sobre este tema. Ainda bem que o fiz, pois de imediato me senti cativada e saltei fora do marasmo literário em que me encontrava.

Dei uma espreitadela à sinopse e gostei logo da premissa: uma mulher canadiana, que vive em Washington, EUA, deseja descobrir alguma  informação sobre uma meia-irmã que vivia em Paris por altura da invasão dos alemães. Quem lhe vai valer é uma mulher mais jovem que se encontra a braços com uma crise romântica e laboral. E parti à aventura!

Gostei muito da forma como a história está disposta. A escrita da autora é clara e cativante, mesmo convidativa a continuar a ler. E o facto da narrativa saltitar entre duas épocas, ajuda a aliviar o peso de cada uma das partes. Parecem dois livros num só! Mas tudo acaba por se entrelaçar, e apesar de o final ser pura ficção, gostei de saber que parte da história era verdadeira.

É um livro bem pensado, e perfeito para gosta de um pouquinho de romance, misturado com História. Recomendo!

Em destaque: "Fúria Mortal" de Bruno M. Franco

Poderá um dos maiores assassinos portugueses estar de volta?

O novo livro da saga Mortal é de cortar a respiração.

Sinopse:
Nos anos 90, um assassino em série aterrorizou Portugal. Nunca foi detido, nem sequer identificado pela Polícia Judiciária, tornando-se num dos maiores mistérios da justiça portuguesa.

Trinta anos depois, uma mulher é brutalmente assassinada. Os inspetores Marta Mateus e Leonardo Rosa ficam encarregados do caso e, ao observarem a cena sangrenta, recordam-se de um antigo caso idêntico. Terá o assassino regressado décadas depois ou trata-se de um imitador?

Quando mais corpos são encontrados em condições terríveis, a urgência em encontrar o culpado é cada vez maior e os inspetores pedem ajuda a um antigo aliado, para fazer frente a um assassino implacável e impossível de capturar.

Inspirado em factos verídicos, Fúria Mortal é uma história alucinante, que mostra os meandros da mente mais macabra que se conheceu em Portugal.

Conseguirão Marta e Leonardo pôr um ponto final na série de mulheres assassinadas?

ÚRIA MORTAL está em pré-venda e estará nas livrarias a partir do dia 25 de setembro.

Sobre  o autor:
Bruno M. Franco é um escritor português nascido em setembro de 1990.
Licenciado em Radioterapia, trabalha no IPO de Lisboa.
Praticou natação de competição desde 2002 até 2016, representando o Clube Lisnave e o CIRL.
No currículo tem a publicação do romance policial Segredo Mortal, que teve bastante sucesso.
Jogo Mortal é o segundo livro da Série Mortal.

P.S. O autor aconselha a lerem previamente o Conto de Natal, "Natal Mortal", que integrou a coletânea «Nove contos (não) tradicionais de Natal» da Penguin Random House. Nesse conto ficamos a conhecer o Natal dos nossos inspetores Marta e Leonardo após o JOGO MORTAL e antes deste FÚRIA MORTAL. Não só estarão a ajudar uma instituição com um valor simbólico, como vão ler uma cena brutal! 
Aqui têm o link para adquirirem o e-book nas várias plataformas digitais:

Opinião: "As Outras Mães" de Katherine Faulkner

Um thriller escrito por uma jornalista tem tudo a seu favor. O rigor dos factos, a organização da história, o perfil das personagens, são os fatores mais importantes de que pode ser considerado um bom thriller e esta autora não desilude.

Foi uma leitura que me cativou e me instigou a querer sempre continuar a ler. Não fosse a vida intrometer-se e tinha-o lido num dia!

O enredo é fantástico, cheio de voltas e reviravoltas que nos atraiçoam e nos deixam boquiabertos. A tensão e a suspeita sobem à medida que avançamos no livro, e lamento apenas o final, que lhe faltou um pouco de tcharan!

Adorei a abordagem do ponto de vista materno, visto que praticamente todas as personagens são mães recentes, e autora aborda alguns temas importantes dessa viagem, como a depressão pós-parto, ou traumas infantis, ou até o stress a que uma relação é sujeita após o nascimento de um filho.

De resto, gostei imenso da personagem principal, Tash, uma recém mamã que quer fazer o melhor para o seu filho, ao mesmo tempo que não deixar deixar por completo a sua profissão de jornalista. Gostei da sua falibilidade, da sua insegurança, advindas do seu novo estado, mas também da forma como a sua perseverança a impulsiona a querer descobrir mais sobre a morte e a vida de Sophie, trazendo ao de cima o bichinho de jornalista.

É um bom livro para desfrutar junto da piscina ou ao pé do mar. Uma leitura perfeita para o Verão! Recomendo.

Em destaque: "Uma Rapariga Judia em Paris" de Melanie Levensohn

Um romance poderoso sobre um amor proibido que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Inspirado numa comovente história real passada na França sob ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial

Sinopse:
Paris, 1940

Numa cidade sob ocupação nazi, Judith, uma jovem estudante judia, conhece Christian, por quem se apaixona. Porém, Christian é filho de um banqueiro rico e simpatizante do nazismo, e a sua família nunca aprovará a relação. À medida que os alemães impõem cada vez mais restrições sobre os judeus, Judith é forçada a viver na clandestinidade. O casal planeia então fugir para a Suíça. Mas, pouco antes, Judith desaparece sem deixar rasto.

Montreal, 1982
No leito da morte, Lica Grunberg revela à filha Jacobina que ela tem uma meia-irmã mais velha, Judith, que ele viu pela última vez em Paris antes de sair de França para começar uma nova vida na Roménia. Lica escapou aos nazis, mas perdeu o contacto com Judith, e o seu último desejo é que Jacobina encontre a irmã.

Jacobina demora anos a iniciar a busca, até que é incentivada pela nova amiga Béatrice. Ambas acabam por descobrir um segredo obscuro da família, que abarca dois continentes e seis décadas, e que mudará as suas vidas para sempre.

Sobre a autora:

Melanie Levensohn estudou Literatura e Relações Internacionais em França e no Chile, e obteve o seu mestrado no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Tornou-se porta-voz da Organização Mundial da Saúde em Genebra, relatando crises humanitárias. De 2006 a 2013, trabalhou como especialista em comunicações no Banco Mundial, em Washington, D. C. Quando se casou, foi viver para a Califórnia, onde geriu ao longo de dez anos uma propriedade vinícola premiada. Em 2021, a família regressou a Genebra.

Em destaque: "As Outras Mães" de Katherine Faulkner

Elas têm tudo. Incluindo segredos.

Um thriller original e habilidoso sobre assassínio, classes sociais e maternidade, ambientado numa das zonas mais elegantes de Londres.

Sinopse:
Depois de ter deixado o seu emprego como jornalista por não o conseguir conjugar com a maternidade, Tash está agora determinada a regressar ao jornalismo como freelancer. Quando Sophie, uma jovem ama, é encontrada morta, em circunstâncias suspeitas, Tash percebe que esta pode ser a história de que precisa para relançar a carreira. Gerir a investigação e cuidar do filho, todavia, está a deixá-la esgotada, pelo que precisa de encontrar alguém em quem se apoiar.

Depois de conhecer uma das outras mães junto à creche onde deixa o filho, dá subitamente por si no sedutor mundo dos bairros abastados de Londres, repletos de casas deslumbrantes, brunches caros e festas infantis luxuosas. É então que outra jovem é encontrada morta. E quanto mais Tash investiga, mais lhe parece que as respostas a levam sempre para aquele grupo de mães.

Serão elas realmente suas amigas? Ou haverá outra razão pela qual Tash foi tão bem recebida naquele mundo exclusivo? É ela quem as tem observado? Ou será o contrário?

Sobre a autora:
Katherine Faulkner é uma autora e jornalista inglesa.
Estudou História na Universidade de Cambridge e fez uma pós-graduação em Jornalismo.
Desde então, trabalhou como editora, como chefe de redação adjunta no jornal The Times e também como jornalista de investigação, tendo recebido o prestigiado prémio Hugh Cudlipp de jornalismo de interesse público.
Vive em Londres com as duas filhas e o marido.