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Opinião: "Água do Meu Coração" de Charles Martin

Este é daqueles livros que me teria passado despercebido não tivesse sido recomendado e emprestado por uma amiga. Se há um caso em que a capa, infelizmente, foi mal escolhida, é este.

Que me desculpe a editora pela honestidade, mas a capa escolhida, apesar de muito bonita, não espelha o conteúdo da história. Bem pelo contrário. É caso para dizer que se aplica na perfeição o ditado "Don't judge a book by its cover" (não julgues um livro pela sua capa). 

Abaixo mostro-vos quatro capas de diferentes países, cujas imagens me parecem ter sido mais bem escolhidas.

E falando sobre a história, pois esta não é de todo uma história romântica passada num local idílico. É sim, uma história magnífica, pungente e brutal, mas simultaneamente a transbordar de fé e esperança. Uma história inspirada em factos verídicos, em pessoas reais, e uma bonita homenagem ao povo da Nicarágua, que me arrebatou o coração. É uma fonte de inspiração. Faz-nos lembrar o quão pequeno somos, mas também o quão grandes nos podemos tornar, grandes em amor, em dádiva, em paz. 

Com bastante ação e um narrador masculino, achei que era igualmente um livro perfeito para o-mais-que-tudo-lá-de-casa, pelo que está atualmente a lê-lo (e ao que parece a gostar imenso!).

Charles Martin é um autor extraordinário. Um verdadeiro contador de histórias, que nos conquista, encanta e mantém refém mesmo até ao final do livro. Dele já li "Até que o Rio Nos Separe", que adorei, e julgo que todos vimos o filme baseado num outro livro dele, A Montanha Entre Nós. Por isso, se nunca o leram, recomendo. Este que agora terminei merece os meus ❤❤❤❤❤+❤.

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Deixo-vos a sinopse:

Com uma vida difícil desde criança e um passado no mundo dos negócios de que não se orgulha, Charlie Finn vive agora tranquilamente de trabalhos pouco transparentes que faz com o seu barco ao largo da costa de Miami. 

Charlie procura levar um dia de cada vez, sem grande agitação, no entanto, quando os seus atos têm consequências devastadoras para aqueles que mais ama, sente-se obrigado a reparar todo o mal que causou. 

Decidido a trazer para casa são e salvo o filho do seu melhor amigo, viaja para a América Central. A viagem leva-o inesperadamente até León, um lugar a que outrora virara costas pelas piores razões, onde reencontra aqueles que pagaram pelas decisões cegas do seu passado, entre eles Paulina e a filha.

 Poderá o confronto com o passado conceder a Charlie a redenção de todos os males que provocou e ajudá-lo a encontrar um amor como nunca julgou possível?


“Até que o Rio nos Separe” de Charles Martin (OPINIÃO)

Existem livros que não são para ser simplesmente lidos. São para ser apreciados. Degustados. Interiorizados. Até podem ter uma capa lindíssima, uma promessa de história maravilhosa, mas é o conteúdo que ultrapassa largamente qualquer espetativa. Tira-nos o coração do sítio e coloca-lo nas nossas mãos. Quantos livros passam por nós sem que lhes dediquemos um segundo olhar? Se não for alguém a no-lo recomendar não há como sabermos. Por isso tenho primeiramente de agradecer a uma amiga, não só pela oportunidade – o empréstimo é dela – mas também pela recomendação. É sem dúvida um livro ímpar.
tativa.

E já vos aconteceu terminar um livro e sentirem-se em paz? Foi o que me aconteceu com “Até que o Rio nos Separe” de Charles Martin, o mesmo autor do livro “A Montanha Entre Nós”. A história está muito bem resumida na sinopse (podem ler aqui) , mas desenganem-se, pois não há um pingo de lamechice. É uma história poderosa sobre um problema que assola milhares e milhares de pessoas. De tal forma que já chega a ser menorizado. Apesar de tanto o percurso do seu tratamento serem das coisas mais horríveis para se submeter um ser vivo, como até poder haver um desfecho menos feliz, na grande maioria das vezes.

“Até que o Rio nos Separe” leva-nos em duas viagens. Numa ficamos a conhecer o percurso de Abbie e Doss após um diagnóstico de cancro de mama, noutra ficamos a conhecer o amor de Abbie e Doss, quem eram antes de se conhecerem e como evoluiu o seu amor. A narrativa é feita na primeira pessoa, na voz de Doss, e o autor optou por alternar os capítulos com esses saltos temporais, até que se unem no presente.

Dizer que é uma leitura fácil, não seria verdade, mas confesso que também não achei uma difícil. Achei sim que foi uma das leituras mais belas que já li relacionadas com este tema. Uma leitura que nos preenche, ensina, e dá sentido à vida sob um ponto de vista bem diferente. Adorei.