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Opinião: "Isto Pode Doer" de Stephanie Wrobel

Sabem quando leem um livro com diferentes narradores, cada um a contar a sua história, e acabamos por gostar mais de uma das histórias  do que da outra. Assim foi com este livro.

Natalie e Kit falam à vez, cada uma recordando o passado de forma diferente, e relatando o presente passo a passo. Até aí nada de mais. Só que há um terceiro narrador, também ela com uma irmã, e que apenas é nomeado mais à frente. Isto confundiu-me, dificultando-me a leitura. Não sei se foi propositado ou não, mas sinto que não trouxe nada de bom para o leitor, pelo contrário.

Talvez por isso esta leitura não me tenha cativado por aí além. Aliado ao lento desenrolar da ação, chegou a ser difícil manter o interesse. Mas os saltos temporais, e o alternar de narradores, acabou por ajudar.

Houve algumas coisas que gostei bastante. As personagens são interessantes estão bem desenvolvidas, sendo que a minha preferida é sem dúvida a Madame Fearless. O seu passado justifica o seu presente, e a loucura de um culto também está bem retratada, embora por vezes seja algo confuso. A meu ver, a cola que devia segurar tudo junto, não funcionou. Não me convenceu. 

Opinião: "Bolo negro" de Charmaine Wilkerson

Tal como o bolo que dá nome ao livro, e cuja receita vos vai apetecer experimentar, esta história é para ser saboreada devagar. Caso contrário, poderão perder a magia da mesma, as pequenas pérolas que encontramos espalhadas pelo texto, tal como certos ingredientes que dão originalidade ao bolo.

Para além do que nos conta a sinopse, esta história contém muito mais. Não só se passa em diversas épocas e locais, como em diferentes culturas e realidades. Adorei atravessar quase um século, duas vezes o oceano, acompanhando a personagem principal desta história na busca da sua felicidade, perdendo a sua identidade, mas mantendo os ideais que lhe foram incutidos pela família. Amor e perdão são sem dúvida duas das palavra chave deste livro, ou direi melhor, ingredientes deste bolo.

É uma história incrível que aborda tantos temas tão importantes quanto chocantes. Adorei esta leitura. É um livro que tão cedo não esquecerei.



Opinião: "Marlene" de C. W. Gortner

 Este autor é daqueles que não desilude. Antes deste livro, li "Mademoiselle Channel" e "Lucrécia Borgia" e sinceramente, já cheguei à conclusão que tudo o que este homem escreva, eu vou querer ler. 

Gortner é um exímio contador de histórias, e todas as suas obras são fruto de um intenso trabalho de pesquisa, dando vida a personagens reais que deixaram a sua marca neste nosso mundo. É quase como um privilégio, entrarmos nas suas vidas pela mão deste autor, e ficarmos a conhecê-las intimamente, não só pelas histórias que deixaram, mas a sua personalidade, quem na realidade eram.

É esse o caso de Maria Magdalena Dietrich, mais conhecida por Marlene Dietrich. Neste magnífico trabalho, acompanhamos Marlene desde tenra idade, quando os seus sonhos ainda não alcançavam o seu potencial. Ficamos a conhecer a sua história familiar, o quanto ela influenciou as suas escolhas, o seu percurso na Alemanha e mais tarde em Hollywood. 

O autor consegue igualmente transmitir a realidade daqueles dias que antecederam a subida ao poder de Hitler, e as diferenças entre a Alemanha do antes e do depois. O que for ser alemã fora da Alemanha naquela altura, e como Marlene se tornou uma pedra no sapato de Hitler.

É sem dúvida um trabalho fenomenal, a qualidade da escrita a par e passo do rigor histórico. Adorei conhecer Marlene e recomendo a leitura deste livro sem hesitações!

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Deixo-vos a sinopse:

Criada num ambiente de relativa privação após a 1.ª Guerra Mundial, Maria Magdalena Dietrich, conhecida como Marlene, sempre sonhou com uma vida no palco. Quando a sua carreira como violinista é interrompida, Marlene decide desafiar as convenções sociais e forjar o seu próprio caminho. Envereda, assim, por um mundo boémio e desregrado ao atuar nos mais viciosos cabarés de Berlim. O seu estilo irreverente, a sua sensualidade e a sua voz única fazem de Marlene uma estrela.

Em 1933, quando os nazis ascendem ao poder, Marlene zarpa para a América, tornando-se uma das atrizes mais glamorosas de Hollywood, atuando junto a lendas como Gary Cooper, John Wayne e Cary Grant, e rivalizando com a enorme Greta Garbo. Manifestando sempre uma clara aversão ao regime nazi, Marlene decide pedir a cidadania americana e, quando o seu novo país entra na 2.ª Guerra Mundial, aceita deixar a América para atuar na linha da frente para milhares de soldados aliados.

Marlene parte como uma estrela, ansiosa por demonstrar o seu patriotismo, mas também por obter mais fama. Porém, o sangue derramado nos campos de guerra e o espetro de uma Alemanha devastada mudam-na para sempre.

Opinião: Firefly Lane - "As Inseparáveis" e "Uma Estrela na Noite"


Li estes dois livros no verão e de seguida. Mas decidi esperar para ver a série televisiva (Netflix) e então depois escrever uma opinião mais completa.

Sobre os livros... confesso que li o primeiro só me apeteceu atirá-lo contra a parede quando terminei. 

ATENÇÃO SPOILER!!! Se não querem saber, não leiam mais esta opinião. ;)

O que raio iria a autora escrever no segundo livro já que uma das personagens principais morre no fim do primeiro livro. Para mim, não fazia sentido. Depois de começar o segundo, lá percebi. Apesar um ser a continuação do outro, de termos as mesmas personagens e locais e tudo e tudo e tudo, são realmente dois livros completamente distintos. Isto porque se um aborda a amizade de uma vida, o outro aborda a sobrevivência dos que ficam quando alguém que nos é querido morre. Quase nunca é fácil. E todos temos diferentes maneiras de reagir, de sobreviver. Nesse ponto de vista posso dizer que gostei bastante mais do segundo livro que do primeiro. Mas é um sentimento dúbio. Isto porque, não gostei assim lá muito de uma das duas personagens principais, a Tully. Não achei que ela fosse uma amiga por aí além. Eu pelo menos não lhe aturava nem 1/10 do que outra coitadinha lhe aturou. E este sentimento começou logo na fase em que elas vão para a universidade, portanto, ainda no primeiro livro.

Enfim, sobre os livros tenho a dizer que gostei q.b. É mais uma faceta desta autora camaleónica. Que tanto escreve interessantes romances históricos, como histórias românticas quase banais. Mas gostei. Foi uma leitura de verão que me manteve entretida.

Quanto à série, Firefly Lane - As Inseparáveis, é bastante fiel ao livro na primeira temporada. A segunda, não tem nada a ver. Pura fantasia televisiva! Em suma, vejam a primeira (as miúdas que interpretam as amigas Tully e Kate são o máximo!), e esqueçam a segunda. Tenho dito. ;)

Opinião: "Um Sonho Só Nosso" de Nicholas Sparks

Uau!! O Sr. Nicholas Sparks excedeu-se!! Não só saiu do seu habitual esquema de personagens, como saiu do roteiro habitual. Bem, claro que há coisas que nunca mudam, e ao começar a ler reconhecemos imediatamente o estilo, mas que desta vez se esmerou, esmerou!

O tema da música já tinha sido por ele visitado num outro livro, mas não desta forma. E ao que me pareceu, julgo que saiu muito bem. Quem o terá inspirado desta vez?

A história principal está intercalada por uma outra história que, aparentemente, nada tem a ver com a primeira. Nem conseguimos imaginar como as duas vão acabar por se entrelaçar. É quase alucinante! Esta reviravolta no enredo, este pormenor ou se quiserem, este twist, granjeou-lhe a minha admiração. E mais um coração na minha avaliação. 

É um livro que recomendo, principalmente para quem não é fã do Nicholas Sparks. Vão ficar surpreendidos. Já os restantes de nós, que não resistem a mais um livro deste autor, acreditem, vão gostar imenso! Boas leituras!

Opinião: "A Caixa" de Camilla Läckberg e Henrik Fexeus

Que livraço!!! Será que não vão fazer uma mini série? Eu via-a de certezinha.

De Camilla Läckberg só li um livro, o primeiro - A Princesa de Gelo. E gostei bastante. Mas depois começaram a sair uns a seguir aos outros, meteram-se outros autores nórdicos e perdi o fio à meada. Por isso, este foi um reencontro. E que bem acompanhada está a menina Camilla! Henrik Fexeus é também um autor nórdico (sueco), não só de policiais como também de outro tipo de livros de não ficção, sobre comunicação, linguagem corporal e destreza social. Para além disso, é igualmente um famoso apresentador, psicólogo e mentalista.

Ora bem, esta dupla, a meu ver, conjugou-se maravilhosamente neste primeiro livro da dupla de personagens Vicent e Mina. Não sei como se orientaram a escrever a duas mãos, nem como conseguiram manter a sua amizade de 15 anos para lá desta experiência. 

O livro A Caixa está muito bem escrito. Belissimamente organizado, como é essencial num policial, com uma história original e cativante, bem, num sentido mais negro, certo? As personagens são maravilhosas. Extremamente bem desenvolvidas, cheias de carácter e personalidade, são sem dúvida um dos pontos fortes.

Escusado será dizer que as 648 páginas até nem me pareceram assim tantas. ;) Foi uma leitura espetacular! Para os amantes de policiais, preparem-se, pois esta dupla vai dar mais que falar.

Opinião: "Senhora do Meu Destino" de Lesley Pearse

Este é um livraço de primeira apanha! Um dos livros mais completos e recheados que já li desta autora. Não admira, pois as suas 736 páginas contemplam uma miríade de acontecimentos que se espalham ao longo de várias décadas e abordam diversos temas bem importantes.

Como é habitual com esta autora, "Senhora do Meu Destino" conta-nos  a história de uma família, três mulheres muito talentosas que foram pisadas e machucadas por diversas vezes ao longo da vida, mas que  sempre conseguiram se reerguer e até reinventar. Embora o focus esteja na mais nova, as histórias da mãe e sua avó intercalam-se, com saltos temporais maravilhosos, que nos transportam para outras épocas e realidades, tantas vezes mostrando como o passado se repete.

Gostei especialmente do pormenor da evolução da moda em Londres,  já que o trabalho de Tara está ligado a esse ramo. Foi um trabalho de pesquisa excepcional. Ou será que são simplesmente as recordações de Lesley?

É, como disse, um livro extremamente completo. Provavelmente daria para dois livros, mas assim soube muito melhor.

Recomendo, para fãs da Lesley Pearse, e mesmo para os que a não conhecem, e gostam de ser transportados para outros tempos e locais. Muito bom!"

Opinião: "Água do Meu Coração" de Charles Martin

Este é daqueles livros que me teria passado despercebido não tivesse sido recomendado e emprestado por uma amiga. Se há um caso em que a capa, infelizmente, foi mal escolhida, é este.

Que me desculpe a editora pela honestidade, mas a capa escolhida, apesar de muito bonita, não espelha o conteúdo da história. Bem pelo contrário. É caso para dizer que se aplica na perfeição o ditado "Don't judge a book by its cover" (não julgues um livro pela sua capa). 

Abaixo mostro-vos quatro capas de diferentes países, cujas imagens me parecem ter sido mais bem escolhidas.

E falando sobre a história, pois esta não é de todo uma história romântica passada num local idílico. É sim, uma história magnífica, pungente e brutal, mas simultaneamente a transbordar de fé e esperança. Uma história inspirada em factos verídicos, em pessoas reais, e uma bonita homenagem ao povo da Nicarágua, que me arrebatou o coração. É uma fonte de inspiração. Faz-nos lembrar o quão pequeno somos, mas também o quão grandes nos podemos tornar, grandes em amor, em dádiva, em paz. 

Com bastante ação e um narrador masculino, achei que era igualmente um livro perfeito para o-mais-que-tudo-lá-de-casa, pelo que está atualmente a lê-lo (e ao que parece a gostar imenso!).

Charles Martin é um autor extraordinário. Um verdadeiro contador de histórias, que nos conquista, encanta e mantém refém mesmo até ao final do livro. Dele já li "Até que o Rio Nos Separe", que adorei, e julgo que todos vimos o filme baseado num outro livro dele, A Montanha Entre Nós. Por isso, se nunca o leram, recomendo. Este que agora terminei merece os meus ❤❤❤❤❤+❤.

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Deixo-vos a sinopse:

Com uma vida difícil desde criança e um passado no mundo dos negócios de que não se orgulha, Charlie Finn vive agora tranquilamente de trabalhos pouco transparentes que faz com o seu barco ao largo da costa de Miami. 

Charlie procura levar um dia de cada vez, sem grande agitação, no entanto, quando os seus atos têm consequências devastadoras para aqueles que mais ama, sente-se obrigado a reparar todo o mal que causou. 

Decidido a trazer para casa são e salvo o filho do seu melhor amigo, viaja para a América Central. A viagem leva-o inesperadamente até León, um lugar a que outrora virara costas pelas piores razões, onde reencontra aqueles que pagaram pelas decisões cegas do seu passado, entre eles Paulina e a filha.

 Poderá o confronto com o passado conceder a Charlie a redenção de todos os males que provocou e ajudá-lo a encontrar um amor como nunca julgou possível?


Opinião: "As Bruxas de Pendle" de Stacey Halls

Este foi um livro que levei de férias pois estava curiosa sobre o tema. Ao que parece a autora inspirou-se num acontecimento real, os julgamentos de Pendle Hill, em Lancashire, Inglaterra em 1612, onde uma dúzia de pessoas foram acusadas de usar feitiçaria para assassinar alguns dos seus vizinhos. 

A caça às bruxas foi um movimento de perseguição religiosa e social, que embora tenha existido desde sempre, ficou associado à Idade Média, mais propriamente aos sécs. XVI e XVII. 

Naquela época, o povo era facilmente influenciável, e quando chegava a hora de culpar alguém por uma ou outra desgraça, havia sempre quem apontasse o dedo a certas mulheres que, pela sua natureza ou ascendência, eram detentoras de alguma sabedoria, normalmente a quem se recorria quando alguma maleita atacava, ou para ajudar nos nascimentos dos bebés. Por terem nascido nesta ou naquela família, elas sabiam o segredos das ervas, os pequenos remédios caseiros que ainda hoje se usam em alguns lares. Esse conhecimento secular, passado de mães para filhas, dava dores de cabeça a quem queria fazer disso negócio, como os primeiros farmacêuticos ou até charlatães. 

Para além disso, em Inglaterra, atravessava-se um conturbado período de divisão religiosa entre católicos e protestantes, pelo que a Igreja de Inglaterra encontrou neste movimento mais uma forma de eliminar os seus "inimigos".

A história do livro "As Bruxas de Pendle" retrata então esse acontecimento, que por sinal é um dos mais bem documentados da época.

Na história paralela criada por Stacey Halls ficamos a conhecer uma jovem esposa de um nobre, que se encontra grávida. Aos dezassete anos é já a sua terceira tentativa de ser mãe, e Fleetwood, é assim o seu nome, está aterrorizada. Por acaso conhece uma outra jovem, Alice Gray, que aprendeu com a mãe a arte de ajudar a trazer bebés ao mundo, e é a ela que Fleetwood decide confiar a sua gravidez e parto. Entre as duas, apesar das diferenças sociais, nasce uma boa amizade, que naturalmente não é bem vista pelos seus pares. Talvez como consequência disso, Alice é acusada de feitiçaria, e Fleetwood tudo vai fazer para conseguir ajudar a amiga.

Cheio de pormenores e descrições magníficas que nos colocam in loco, esta foi uma leitura fascinante. Apesar de não ser grande fã da época, gostei muito de viajar no tempo e visitá-la. Adorei a profundidade das personagens, os seus sentimentos e dúvidas tão bem retratados. Gostei muitíssimo desta leitura, do princípio ao fim. E sabendo que este foi o livro de estreia desta autora, fico muito curiosa com os que se seguiram. Espero por eles em português. 

Opinião: "O Primeiro Erro" de Sandie Jones

Este foi um dos livros que escolhi para ler durante as férias. Queria um thrillerzito leve, nada de muito complicado, nem demasiado negro. E foi exatamente isso que encontrei neste livro.

"O Primeiro Erro" apresenta-nos a história de uma mulher que parece ter acertado no jackpot matrimonial pela segunda vez, após ter enviuvado do primeiro marido, que já era um bom partido. Agora ela parece ter refeito a sua vida, e está num ponto em que se sente bem sucedida, a todos os níveis. E não é exatamente nessas alturas que as dúvidas nos atacam?

Pois a dúvida ataca Alice e os alicerces em que ela baseou as suas relações começam a tremer. Terá sido mesmo o seu primeiro erro o confiar demais?

Foi uma leitura interessante, que preencheu algum do meu tempo passado à beira da piscina. Sem grandes conjecturas ou deliberações, deixei-me levar na leitura ao sabor da brisa de Verão. Uma excelente ajuda à quebra da rotina, ao desaceleramento.

Sei que esta autora teve um outro livro antes deste - The Other Woman - que ao que parece o supera. Espero que alguma editora se lembre de o publicar por cá. 

Quanto a este, cumpriu o seu objetivo, mas não me deixou arrebatada.

Opinião: "Onde me Leva o Coração" de Sarah Ferguson

Que caixinha de surpresas! Este foi um livro cuja leitura me encantou e fascinou. A história de uma antepassada de Sarah Ferguson, a Duquesa de York, ruiva como ela, e talvez com outras características em comum, embora mais em sintonia com a época.

Belissimamente bem escrito, com a ajuda de uma co-autora a quem Sarah Ferguson agradece no fim, esta foi uma leitura tão cativante quanto interessante.

Adorei conhecer a Lady Margaret Montagu Douglas Scott, tão genuína nas suas ações, quanto nos seus pensamentos. O que me ri com certas situações! Uma verdadeira pedra no charco da sociedade aristocrata inglesa da altura. Embora por vezes hilariante, é também uma história de amor, mas à independência e à autodescoberta, que leva Margaret a sítios onde nunca sequer havia sonhado.

Baseada em factos verídicos, foi uma aventura e pêras! Não sabia bem o que espera, e até fui um pouco a medo, mas não havia nada a temer. É uma história maravilhosa, sobre uma pessoa real, uma mulher muito à frente do seu tempo que deixou marca por onde passou.

Recomendo sem hesitações! É uma leitura genial. :)




Opinião: "Queria tanto que estivesses aqui" de Jodi Picoult

Este foi um dos livros mais difíceis que tive de ler. Tive, porque quis, claro está. Porque se só lermos coisas fáceis e simples, não crescemos, não aprendemos, não evoluímos.

Bem, de Jodi Picoult, esta autora que não é por acaso que está no meu Top 5, eu já espero tudo. Mas nunca, em tempo algum, pensei que ela fosse atingir tão perto de casa.

Por norma, quem me lê sabe que não sou fã de estragar a leitura a quem está interessado em ler o livro. Refreio-me de divulgar certos factos. Mas desta vez, não tenho como deixar de mencionar um pequeno pormenor, que irá de imediato condicionar-vos. Portanto, quem for ler o livro, não leiam esta opinião daqui para a frente.

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Gosto de entrar nas leituras sem ler a sinopse. Principalmente, se for de um autor que conheço. Por isso, fui às cegas. Nunca imaginei eu que a conjuntura em que se desenrola a história fosse a pandemia e o ano 2020, quando o mundo parou.

Todos nós ouvimos falar de histórias de pessoas que ficaram dois meses "presos" num local de férias quando tudo rebentou. E foi num desses exemplos que Jodi Picoult se baseou para construir a sua história. 

Como sempre, a autora rodeou-se de gente informada, especialistas, técnicos, gente que trabalhou na linha da frente durante esse período. Daí o termos uma personagem médica, que nos relata como tudo aconteceu desde o dia em que foi registado o primeiro caso Covid positivo. Também temos personagens que sobreviveram. Casos raros de resiliência. E algures no meio de tudo, uma história. Daquelas mesmo à Jodi Picoult, que, a certa altura, nos leva a querer atirar o livro contra a parede, para depois o ir buscar a correr para continuar a ler.

Não foi uma leitura fácil. Mas foi uma leitura necessária e certa no tempo certo. Um livro brutal que todos deveriam ler. Ninguém vai ficar indiferente.

A minha mãe não morreu de Covid. Mas por causa da Covid. Há bombas que caem demasiado perto de casa.

Opinião: "O Segredo da Livraria de Paris" de Lily Graham

Mais uma história do tempo da Segunda Guerra que fez o meu coração bater um bocadinho mais forte. Sugiro que acompanhem a leitura com uma caixinha de lenços de papel. ;)

Como em muitos livros do género, a ação passa-se em dois tempos: um, em plena Segunda Guerra Mundial, aquando da invasão de Paris pelos alemães; outro, duas décadas após o fim da guerra.

O local é o mesmo em ambas as épocas: uma livraria encantadora situada no centro de Paris.

As personagens: uma jovem franco-inglesa que arranja emprego numa livraria de Paris, enquanto tenta descobrir a história da sua família; e o dono da livraria, um velho rezingão e mal disposto, que afugenta os clientes ao sabor das opiniões dos livros que lêem.

Temperado com algum humor, é sem dúvida uma história bem bonita e por vezes complicada de se ler. Principalmente se imaginarmos o quão difícil foi para o amor prosperar num tempo em que não havia lugar para ele.

Adorei conhecer Valerie e a sua curiosidade sobre aquela época e a sua família. Eu também estaria curiosa ao saber que vivi em Paris durante os meus primeiros 3 anos, para depois ir viver com uma "tia" exatamente quando a guerra terminou. É esse o mote que empurra Valerie numa perseguição da verdade, e que a leva ao encontro de um segredo muito bem escondido do passado.

Acho que a autora abordou um tópico ligeiramente diferente do dito "normal" de quando falamos de nazis e invasão na Segunda Guerra. E fê-lo com habilidade e mestria, mostrando-nos que nem sempre, só um dos lados tem razão, mas que às vezes essa apenas se encontra no meio, na reconciliação.

Recomendo sem hesitações. É uma leitura que vale a pena!

Opinião: "(Des)Culpa" de Helena Nunes

Este foi um livro que me surpreendeu bastante. É de uma jovem autora portuguesa, que desde cedo ganhou o gosto pela escrita, mas que apenas agora se lançou no mundo editorial. (Des)Culpa é o seu primeiro livro. E porque me surpreendeu tanto esta leitura? A escrita de Helena Nunes é absorvente! Bem ritmada, com uma excelente narrativa e a inserção perfeita dos diálogos. Para mim, estes são pontos fulcrais em qualquer livro, pois conseguem prender o leitor e guiá-lo fielmente através da história. Nem sempre é fácil encontrá-los em autores já conhecidos, quanto mais numa estreante. Mas lá estão neste livro! Objetivo atingido, Helena!

Relativamente à história, embora não seja muito o meu género, achei que estava muitíssimo bem estruturada, com personagens verosímeis e bem construídos. Não fiquei fã da personagem principal, mas entendi a sua fraqueza. Talvez por isso me tenha sido difícil aceitar tão facilmente o seu "não" castigo. Depois de lerem, irão perceber. ;)

Resumindo, queria apenas dizer a Helena que não tenha medo de se lançar em temas mais sérios e profundos. É o que lhe falta. Uma história tem de prender o leitor, e isso é atingido na perfeição. Mas, para mim, tem também de apresentar um tema forte ou controverso, deixar-nos a pensar no assunto, mexer com as nossas emoções, para além de contar uma história. Acredito que haja quem se contente com menos, mas eu estou certa que a Helena consegue e irá mais além.

Os meus sinceros parabéns. Fico ansiosa por um novo livro.

Opinião: "Uma Noite de Agosto" de Victoria Hislop

Li "A Ilha" em Outubro de 2007. Há quase uma vida atrás! Volvidos quase 15 anos, a autora presenteia-nos com a sequela dessa história. Embora não seja um livro tão rico como o primeiro, é sem dúvida uma história cativante, cheia das paixões e ódios, tão típicos da cultura mediterrânica.

Adorei voltar aquela atmosfera, com aroma a tomilho, conhecer os pais de Sofia (mãe de Alexis, do primeiro livro) e a história dessa família. É um livro perfeito para esta altura do ano, onde o calor já vem apertando e as paisagens maravilhosas de Plaka com Spinalonga ao fundo.

Uma Noite de Agosto celebra a data em que a Colónia de Spinalonga foi encerrada, após a descoberta da cura para a lepra. Foi também nessa noite que ocorreu um crime passional. O que está por trás dessa morte e de que forma irão sobreviver todos os envolvidos, é o relato fascinante desta história dentro da História.

É uma leitura que recomendo. Uma excelente ingressão no universo de Victoria Hislop, para quem não a conhece, e um regresso à leitura desta magnífica autora e ao local onde se desenrola "A Ilha".

P. S. Descobri entretanto que "A Ilha" teve uma mini série televisiva (To nisi). Deixo-vos aqui o trailer: 

Opinião: "O Dicionário das Palavras Perdidas" de Pip Williams

Gostei tanto deste livro que nem sei bem por onde começar a falar dele. Tem tantas camadas, como as de uma cebola, e à medida que as vamos descascando, encontramos pormenores maravilhosos, e uma história que se vai modificando, engrandecendo. Adorei.

A pequena Esme, que conhecemos com a tenra idade de seis anos, é uma ávida devoradora de palavras novas, ou não fosse o seu pai um dos lexicógrafos que trabalha no primeiro Oxford English Dictionary. As palavras giram no seu mundo, e o seu mundo gira à volta de palavras. 

Um dia, Esme encontra uma palavra perdida no chão do Scriptorium (o local onde o trabalho do primeiro dicionário é levado a cabo). É então que começa realmente a maravilhosa história do Dicionário das Palavras Perdidas.

Esme vai crescendo ao longo do livro, e em breve entendemos o que são as Palavras Perdidas. São palavras de Mulheres, a linguagem feminina que se vai perdendo ao longo dos tempos, por serem homens a decidir que palavras são importantes e qual o seu significado. São palavras que deixaram de ser usadas, inclusivé oralmente, ou cujo significado foi deturpado ou considerado obsceno. E muitas ficaram mesmo para trás.

Uma outra camada da cebola, é o movimento Sufragista. A autora consegue incorporar o tema com facilidade, pois acabamos por falar do mesmo problema de fundo - os direitos da mulheres. Embora Esme não se identifique totalmente com as Sufragistas mais extremas, ela concorda com a luta pelo direito ao voto. Porque não deverão ter as mulheres os mesmos direitos que os homens?

Finalmente, o que nos acompanha durante toda a narrativa, a própria vida de Esme. É sem dúvida uma vida algo recatada, à qual ela consegue dar alguma cor. Mas é simultaneamente uma história triste. Os caminhos que ela percorre, as escolhas que acaba por ter de fazer... É uma história linda mas também triste, uma mistura que marca a grande maioria das histórias que não esquecemos.

E realmente, posso dizer com toda a certeza, que esta é uma dessas histórias. Dificilmente esquecerei a doce Esme e o que está por trás do dicionário das palavras perdidas. Adorei.


P.S. Apesar de baseado em factos e personagens reais, a autora explica no final, que Esme, o seu pai e Lizzie, entre mais alguns, são pura ficção. Acima, a fotografia da equipa do Scriptorium, do Sir James A. H. Murray. E sim, há duas mulheres, as filhas do Sir Murray, cujo trabalho no dicionário, tal como o de outras mulheres, só foi muito dificilmente reconhecido. 

Opinião: "Marion" de Wendy Holden

Este livro foi uma verdadeira surpresa. Baseado em factos e relatos reais, a história de Marion Crawford, a perceptora das princesas, esteve escondida do mundo durante muito tempo. Wendy Holden decidiu trazê-la a lume agora, por altura do jubileu da Rainha. E que melhor forma para o festejar senão ficando a conhecer um pouco mais desta mulher incrível, a Rainha Isabel II, quando era apenas uma criança e jovem adolescente.

Adorei a leitura. Diverti-me imenso com a pequena Lilibet e a sua pequena e travessa irmã Margarida. Marion Crawford não teve de todo um trabalho facilitado, pois as princesas viviam completamente arredadas da vida real. Um dos seus principais objetivos foi trazer a realidade para as suas jovens vidas, levando-as a passear pela cidade de Londres, mostrando-lhes a dureza da vida dos seus compatriotas mais pobres.
Se essa tentativa teve ou não alguma influência na personalidade da rainha, não sabemos ao certo, mas abriu-lhe com certeza os olhos para a vida.

É um livro muito interessante, com o qual aprendi imenso. Recomendo, sem hesitações. Principalmente para os fãs das histórias de famílias reais. 

Deixo-vos com algumas fotografias das princesas e dos seus pais.




Opinião: "A Vida Mentirosa dos Adultos" de Elena Ferrante

Mais um livro de Elena Ferrante que devoro como se não houvesse amanhã. Não sendo um dos meus favoritos, está lá tudo: a história pungente de uma adolescente, a sua relação com os pais e consigo própria, a descoberta da sexualidade, a incerteza, a história da sua família, tudo bem temperado com a já habitual escrita visceral e crua da autora.

Tem algumas similaridades com a tetralogia da Amiga Genial, principalmente com os dois primeiros livros, que se focam mais na adolescência das protagonistas, mas é um registo diferente, muito mais introspectivo e íntimo, que por vezes choca de tão nú e crú que é. 

Giovanna tem uma infância quase perfeita, com um pai e uma mãe perfeitos aos seus olhos imaculados, mas repente vê-se em plena puberdade, no meio de uma crise familiar, que a catapulta para um mar de dúvidas e incertezas, e que a deixa sem saber como reagir.

“Foi assim que comecei a reagir. Pouco a pouco passei do aturdimento em que deixava correr os dias a observar-me, para a necessidade de me consertar, como se fosse um pedaço de qualquer material de boa qualidade danificado por um operário desastrado. Era eu - fosse eu quem fosse -, e tinha de fazer alguma coisa por aquele rosto, aquele corpo, aqueles pensamentos”.

Gianni é uma miúda conturbada, mas inteligente e destemida, e a mistura pode ser explosiva. Ser adolescente não é fácil. É um período de mudanças e indecisões, muitas vezes dolorosas, que podem deixar marcas muito profundas. E esta foi uma história que não desiludiu. Gostei de acompanhar Giovanna neste seu percurso e acreditar que chegou sã e salva à idade adulta. Apesar de ter gostado imenso desta leitura, não me senti arrebatada como com os outros livros. Mas é uma leitura a não perder. Sem dúvida.

P.S. O título é perfeito. A vida mentirosa dos adultos é o que a jovem Giovanna descobre ao crescer.

Opinião: "Canções em Ursa Maior" de Emma Brodie

Sou uma apaixonada por música. Por essa razão, um livro com este título nunca poderia escapar ao meu escrutínio. E a capa está fantástica, não concordam? Os meus parabéns à editora. Está bem melhor do que a original.

E na verdade, este era um livro que merecia uma banda sonora só sua. Tem, no entanto, uma música escrita pela autora e o seu irmão: Wallflower, com direito a video clip! Gostei. E dá um gostinho para o que podem encontrar ao ler esta história. 

Ora vejam:

Passado numa época, no mínimo interessante, os anos 70, "Canções em Ursa Maior" é inspirado numa história verdadeira: a relação amorosa entre James Taylor e Joni Mitchell. Por vezes parece que encontramos um pouco da história do filme "A Star is Born", com Bradley Cooper e Lady Gaga, mas não passa de uma impressão, já que os temas são semelhantes.

Mas ler "Canções em Ursa Maior" é uma experiência bem diferente de um outro qualquer livro.  Principalmente para quem gosta de música. Se bem que não ouvimos as melodias, somos presenteados com a elaboração das letras, e isso, meus caros, é pura poesia. O caos transformado em beleza.

Gostei imenso da personagem principal, Jane Quinn, merecia, sem dúvida, um filme só seu. Hollywood que ponha os olhos neste livro! Ela é forte e frágil, com falhas e pedaços partidos, mas ao mesmo tempo cheia de garra e de uma integridade absoluta. Já para não falar de que é possuidora de uma beleza intemporal. E depois de saber que era baseada em Janis Joplin, só me apetece descobrir mais sobre essa cantora. Conheço umas músicas, mas vou ter de mergulhar numa biografia. Será que há em português?

É um livro que me soube a pouco, simplesmente porque me apetecia continuar a ler sobre a vida desta mulher tão fascinante.

Recomendo. Foi uma leitura fantástica que dificilmente irei esquecer.

Opinião: "O Segredo de Dior" de Natasha Lester

Para mim, uma das funções mais importantes que um livro pode desempenhar, é ensinar. Se um livro, que  nos conta uma história, baseada em factos reais, nos apresenta algo da História que não conhecíamos, é sem dúvida um livro precioso. E se nos conquista como leitores enquanto cumpre essa função, é ouro sobre azul. É assim que posso descrever esta maravilha de livro. 

Com ele aprendi sobre um grupo de mulheres que em 1939 (Inglaterra) conseguiram conquistar o seu lugar no exclusivo grupo de pilotos da Segunda Guerra Mundial. Descobri os desafios que tiveram de superar, os seus sacrifícios, as suas conquistas, as suas derrotas e as suas vitórias. Fiquei igualmente a conhecer o papel importantíssimo que teve Catherine Dior, irmã do famoso estilista, que lutou ferozmente contra o jugo alemão em França, sendo uma participante ativa na Resistência francesa e tendo acabado por ser deportada para o terrível campo de concentração de mulheres em Ravensbrück. Desse campo, um dos piores, das 132.000 mulheres que por ali passaram, estima-se que 92.000 tenham perecido. Mas isto é apenas uma pequena parte do livro. Não é de todo mais um livro sobre os campos de concentração.

A ação deste livro passa-se em duas épocas distintas: uma entre 1929 e 1945 e outra bem mais atual, nos nossos dias. Em 1929 conhecemos Skye e Liberty, duas jovens irmãzinhas que não poderiam sem mais diferentes uma da outra, que vivem na Cornualha, em Inglaterra. Depois dá-se um salto temporal e já as vamos reencontrar adultas. Fiquei completamente apaixonada por Skye. A sua personalidade é maior que a vida. É daquelas personagens que admiramos e queremos que tudo acabe bem para elas. Mas será que acaba? 

É esse o mistério que o livro encerra nas suas páginas. Quem é a avó de Kat, uma conservadora de moda australiana, que descobre num pequena propriedade na Cornualha uma série de vestidos Dior, um por cada ano desde 1947?

Extraordinário, pungente e encantador, assim é este livro maravilhoso. Uma leitura que preencheu todos os requisitos e me encantou! Recomendo sem hesitações.