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Opinião: "Rumores" de Ashley Audrain

Li o primeiro livro de Ashley Audrain em 2021, quando foi editado em Portugal. "Instinto" levou-me aos píncaros! Adorei. Obviamente não podia deixar de ler o seu novo livro, "Rumores". E meus amigos, só o que o título prometia...

E, no fundo, não desiludiu. Não foi a mesma experiência do que com "Instinto", mas foi uma leitura absorvente, das que não conseguimos pousar, e que nos faz imergir na história, querendo participar um pouco mais do que meros observadores. E o final, ai o final!

Mais uma vez Ashley opta pelo tema da maternidade. E se não é um tema sem fim, com tantas facetas, tantos dilemas à espera de serem explorados! E ela parece-me determinada a explorar as partes mais sensíveis, as menos populares, as que tentamos esconder, as dúvidas, os problemas, as situações mais negras da maternidade, que por si só é uma coisa tão complexa. 

A história começa na casa de um casal com três filhos, que convida amigos e vizinhos para uma festa no jardim. De repente tudo para ao ouvir, da janela do quarto, Whitney aos gritos com seu filho, Xavier. É um momento bastante desconfortável para todos e a festa rapidamente termina.

Alguns meses mais tarde Xavier é levado de urgência para o Hospital, com prognóstico reservado, depois de cair da janela do seu quarto no primeiro andar. Ninguém sabe o que aconteceu. Mas todos se recordam do incidente da festa de jardim. E Xavier não acorda.

Os diversos casais que compõem esta mosaico têm as suas dinâmicas e os seus problemas, e o que aconteceu com Xavier permanece um mistério. Muito terá de ser desenterrado para se chegar à verdade. E depois, nada será igual.

Gostei bastante desta leitura. Recomendo.

Convido-vos a espreitar a sinopse ou até comprar o livro no site da Wook » aqui.

Opinião: "Fúria Mortal" de Bruno M. Franco

O último livro de Bruno M. Franco é uma obra prima do policial português. Nota-se uma grande evolução desde os dois anteriores (Jogo Mortal e Segredo Mortal), sendo que agora, o autor parece que escreve mais "à seria". 

O tema é interessante, sendo que vai buscar um dos grandes mistérios por resolver da nossa Polícia - o Estripador de Lisboa, e dá largas à sua imaginação.

Gostei imenso dos livros anteriores, do ritmo, das histórias, por muito mirabolantes que fossem as teorias. Este, no entanto, chocou-me. Não estava preparada para tanta violência sexual. Não seria um filme que eu gostasse de ver, confesso. Li porque era o terceiro da saga, mas não saí do outro lado satisfeita. Acredito que esteja em descordo com a grande maioria dos leitores, mas há alturas em que uma leitura pode cair bem, outras em que pode cair mal, o que foi o caso.

Não posso dizer muito mais, pois tudo o resto já se sabe, excelente organização do enredo, ótimos personagens, grande desenvolvimento com um fator de surpresa elevado, o que é excelente para este género de livros. Por isso tirem vocês a prova dos nove, já que o meu marido leu o livro e não tem a mesma opinião que eu.

Continuo a querer ler mais de Bruno M. Franco e espero ansiosamente por um novo livro.


Opinião: "Jogo Mortal" de Bruno M. Franco

Mais uma vez estou deliciada com a leitura dos livros de Bruno M. Franco. Neste caso, trata-se do segundo livro da saga, mais um que poderia perfeitamente ser adaptado ao pequeno écran e forma de segunda temporada da série "Saga Mortal".

Tal como no primeiro livro, a leitura foi compulsiva, e tive de me disciplinar um pouco para não virar zombie de manhã. Livro fechado às 0.00 hrs. e toca a dormir. O problema, lá está, é que a história, por ser tão cativante mantinha-me inebriada durante mais algum tempo sem me deixar dormir. 

Reencontramos os inspetores da judiciária Leonardo Rosa e Marta Mateus, cuja relação não se encontra nas melhores condições, devido a um acontecimento que teve lugar no livro anterior e que não vou revelar. O caso que lhes é inicialmente atribuído revela-se confuso e difícil de solucionar, mas quando um segundo caso surge e aparenta ter os mesmos estranhos contornos, os inspetores começam a perceber que algo mais está em jogo.

Com um ritmo quase alucinante, vamos acompanhando a investigação, quase que só respirando entre capítulos. Esta história, apesar de não tão original como a do primeiro livro, foi muito interessante de descobrir. 

Novamente um livro que não posso deixar de recomendar. Para os amantes do género e para todos os outros que simplesmente gostam de ler e de se sentir cativados por uma leitura.

Entretanto, por sugestão do autor, já li o conto Natal Mortal, parte do livro "Nove Contos Não) Tradicionais de Natal" - um livro solidário, escrito por diversos autores portugueses, só disponível em ebook e cujas vendas revertem para a Comunidade Vida e Paz. 

Ao que parece este conto fará a ponte para o próximo livro, Fúria Mortal, o qual já podem encontrar nas livrarias! Eu não o vou perder, de certeza!!

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Podem ler a sinopse e até comprar o livro aqui.

Opinião: "Uma Rapariga Judia em Paris" de Melanie Levensohn

Por vezes há livros que nos surpreendem. Este foi um deles! 
Não peguei nele mais cedo por sinceramente não me apetecia ler mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, apesar do tema me agradar bastante. Mas estava numa fase pós-férias, cheia de trabalho, em que não me apetecia sequer ler. Ao vê-lo na estante, decidi pegar-lhe, apesar de como disse anteriormente, não me apetecer ler sobre este tema. Ainda bem que o fiz, pois de imediato me senti cativada e saltei fora do marasmo literário em que me encontrava.

Dei uma espreitadela à sinopse e gostei logo da premissa: uma mulher canadiana, que vive em Washington, EUA, deseja descobrir alguma  informação sobre uma meia-irmã que vivia em Paris por altura da invasão dos alemães. Quem lhe vai valer é uma mulher mais jovem que se encontra a braços com uma crise romântica e laboral. E parti à aventura!

Gostei muito da forma como a história está disposta. A escrita da autora é clara e cativante, mesmo convidativa a continuar a ler. E o facto da narrativa saltitar entre duas épocas, ajuda a aliviar o peso de cada uma das partes. Parecem dois livros num só! Mas tudo acaba por se entrelaçar, e apesar de o final ser pura ficção, gostei de saber que parte da história era verdadeira.

É um livro bem pensado, e perfeito para gosta de um pouquinho de romance, misturado com História. Recomendo!

Em destaque: "Uma Rapariga Judia em Paris" de Melanie Levensohn

Um romance poderoso sobre um amor proibido que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial. Inspirado numa comovente história real passada na França sob ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial

Sinopse:
Paris, 1940

Numa cidade sob ocupação nazi, Judith, uma jovem estudante judia, conhece Christian, por quem se apaixona. Porém, Christian é filho de um banqueiro rico e simpatizante do nazismo, e a sua família nunca aprovará a relação. À medida que os alemães impõem cada vez mais restrições sobre os judeus, Judith é forçada a viver na clandestinidade. O casal planeia então fugir para a Suíça. Mas, pouco antes, Judith desaparece sem deixar rasto.

Montreal, 1982
No leito da morte, Lica Grunberg revela à filha Jacobina que ela tem uma meia-irmã mais velha, Judith, que ele viu pela última vez em Paris antes de sair de França para começar uma nova vida na Roménia. Lica escapou aos nazis, mas perdeu o contacto com Judith, e o seu último desejo é que Jacobina encontre a irmã.

Jacobina demora anos a iniciar a busca, até que é incentivada pela nova amiga Béatrice. Ambas acabam por descobrir um segredo obscuro da família, que abarca dois continentes e seis décadas, e que mudará as suas vidas para sempre.

Sobre a autora:

Melanie Levensohn estudou Literatura e Relações Internacionais em França e no Chile, e obteve o seu mestrado no Instituto de Estudos Políticos de Paris. Tornou-se porta-voz da Organização Mundial da Saúde em Genebra, relatando crises humanitárias. De 2006 a 2013, trabalhou como especialista em comunicações no Banco Mundial, em Washington, D. C. Quando se casou, foi viver para a Califórnia, onde geriu ao longo de dez anos uma propriedade vinícola premiada. Em 2021, a família regressou a Genebra.

Opinião: "Aquele Sítio Escuro" de Amy Engel

Negro, intenso e inesquecível. Se tivesse de descrever este livro com apenas três palavras, seriam estas. 

Duas raparigas de treze anos são encontradas mortas num parque infantil de uma pequena cidade do Missouri, nos EUA. Ozark é daquelas cidades esquecidas no interior, onde toda a gente se conhece e sabe os segredos uns dos outros. Um lugar onde os limites estão bem definidos, e todos sabem o seu lugar.

Eve Taggert, mãe da pequena Junie, conhece bem ambos os lados da cidade. Ela é acima de tudo uma sobrevivente, uma mulher forte e independente, que mantém refreado o seu lado mais selvagem. No entanto tudo muda. Ao ter de enfrentar a morte da sua única e preciosa filha, Eve acolhe o lado mais sombrio do desgosto, e assume a tarefa de descobrir o que aconteceu e quem matou a sua filha e a melhor amiga dela.

Por vezes há perguntas que não queremos ver respondidas, mas que têm de ser feitas à mesma. E há respostas que nenhuma mãe quereria ouvir.

Este é um thriller absolutamente brutal, que nos leva numa viagem ao interior da dor e do luto, em forma de vingança, uma história marcante e poderosa, que nos mostra a força do amor de uma mãe. A autora é fantástica no desenvolver das personagens, tão reais, tão imperfeitas, tão problemáticas. 

Simplesmente adorei. Um thriller completamente fora da caixa, que me prendeu do início ao fim. Recomendo sem hesitações. 

Em destaque: "A Ilha Onde Batem os Corações" de Laura Imai Messina


Uma amizade inesperada e uma viagem a uma remota e mágica ilha japonesa. Bem-vindos a Shinzo-on no Akaibu.

Sinopse: 
No Sudoeste do Japão, situa-se a pequena ilha de Teshima, um local remoto onde se encontra um edifício no qual estão catalogados os batimentos do coração de dezenas de milhares de pessoas.

Shuichi, um conhecido ilustrador de quarenta anos, com uma cicatriz marcada no peito, acaba de regressar à sua casa de infância numa cidade banhada pelo mar e rodeada de montanhas. Quando pensava estar sozinho com as suas memórias, Shuichi apercebe-se de uma misteriosa criança a rondar a casa. Kenta, um menino de oito anos que vive aventuras prodigiosas em absoluta solidão.

Com o passar dos dias, entre o ilustrador e o menino forma-se uma inesperada e extraordinária amizade que acabará por mudar as suas vidas para sempre. E que os levará a um lugar que bate ao ritmo do coração, falado em todas as línguas do mundo.

A Ilha Onde Batem os Corações é uma história sobre perda e esperança, dor e alegria, realidade e imaginação, e a promessa de cura e superação, graças às relações que construímos e redescobrimos.

Críticas de Imprensa:

«Cada página de "A ilha onde batem os corações" de Laura Imai Messina está cheia de palavras, sentimentos e sensações para recordar. Este é um romance sobre amizade que não conhece limites, sobre cuidar um do outro, sobre as relações entre adultos e crianças, sobre amar, respeitar e perdoar. Este é um romance que persegue a felicidade.» La Stampa

Sobre a autora:

Laura Imai Messina nasceu em Roma. Aos 23 anos, mudou-se para Tóquio, onde obteve um Doutoramento na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio. É professora em algumas das universidades mais prestigiadas da capital japonesa. Depois de alguns romances publicados em Itália, O QUE CONTAMOS AO VENTO, baseado na existência real do Telefone do Vento, é a sua estreia internacional. Os direitos foram vendidos para mais de 20 países antes da sua publicação em Itália, onde vendeu mais de 30 000 exemplares e se manteve na lista de mais vendidos durante mais de 13 semanas.

Opinião: "As Primas" de Aurora Venturini

Que livro! Que história! Que maneira tão singular e graciosa de se falar sobre a desgraça. 

Yuna, a narradora desta história, tem dificuldades cognitivas. Escreve sem medos mas também sem pontuação, porque lhe causa muita aflição, e nós alguma dificuldade para a ler. Agarra-se ao dicionário, e utiliza palavras complicadas, mas com alguma desenvoltura. E ao longo da narrativa vamos percebendo a sua evolução através da escrito. Absolutamente genial! A palavra falada para ela, é um pesadelo, minando desde cedo todas as hipóteses de uma vida social. No entanto, Yuna revela se uma prodigiosa pintora, e a sua arte a todos conquista, colmatando aos poucos as ditas dificuldades sociais. É encantador acompanhar a evolução de Yuna. Uma personagem singular e extraordinária.

Yuna conta-nos a história da sua família, da sua irmã e das suas primas, também elas possuidoras de malformações genéticas, deficiências de vários níveis. O discurso de Yuna, que inicialmente nos choca, depois nos encanta. Ela conta-nos tudo sem pudor, com a respetiva inocência de uma jovem impúbere, sem a malícia que certas palavras só por si contêm.

A prima Petra, uma liliputiana que trabalha como prostituta desde a adolescência, ajuda-a a entender as coisas. Explica-lhe sobre a vida e a morte, sobre sexo. E Yuna entende. E toma decisões para a sua própria vida. E fala-nos com a mesma simplicidade sobre o bolo de aniversário da irmã, como da morte terrível da tia Nenê, do assassinato de um vizinho ou da violação de uma das primas. Não há meios-termos. Apenas factos. Não há espaço para a bondade, nem para reflexões demasiado profundas. Apenas a frieza da vida tal como ela é. E nisso se encontra a beleza da voz de Yuna. Nunca a voz de uma narradora deixou tão grande marca em mim. Yuna é um ser especial.

"As Primas" é um livro portentoso. Chocante. A velocidade da narrativa, quase sem pausas (porque fazem confusão a Yuna), leva-nos a correr história fora, quase sem respirar, nem acreditando no que estamos a ler, de tão assombroso que é. Adorei esta leitura. É sem dúvida um livro que recomendo e uma história que dificilmente irei esquecer.

P.S. Mas a história das primas iguala, pelo menos em singularidade, a história do livro propriamente dito. Em 2007 um jornal argentino decidiu lançar um concurso para autores latino-americanos chamado "Nueva Novela". Quinhentas obras foram submetidas, e a premiada, que submeteu "As Primas" sob o pseudónimo de Beatriz Portinari, surpreendeu todos os jurados, revelando ser uma senhora de 85 anos, com mais de 30 livros escritos ao longo da vida, sem que ninguém tivesse reconhecido o seu talento literário. Na cerimónia de entrega do prémio apenas comentou: "Por fim, um júri honesto."

Opinião: "Todos os Amanhãs" de Mélissa da Costa

Este foi um livro que me encantou. Uma história tão intensa quanto delicada, repleta de pormenores maravilhosos, que ajudam o leitor a sobreviver à leitura. 

É a história de um luto. Um inconcebível e imprevisto acontecimento lança Amande Luzin para uma espiral de dor. Incapacitada de lidar com a vida, refugia-se numa casa na zona rural francesa, afastando-se de tudo e de todos. E é aí que vamos acompanhando a sua história e o seu lento regresso à vida.

Os primeiros meses foram cheios de escuridão. Amande tranca-se em casa, não abre janelas, mal come, e incapaz de lidar com a dor, limita-se a dormir. Depois, aos poucos, e com a ajuda de uns calendários/diários que pertenciam à antiga dona da casa, já falecida, ela começa a deixar o sol entrar. Dedica-se às coisas mais simples da vida rural, tanta do jardim, planta uma pequena horta, e regozija-se perante a vida que consegue criar. 

Através da celebração da Natureza, e ao perceber como a mesma recupera, mês após mês, do duro tempo invernoso, Amande começa também a entender que há que dar tempo para a dor, mas depois há que dar espaço para a vida se reinstalar. 

Adorei as personagens, todas bem delineadas e desenvolvidas. Todas com um propósito, e todas bem resolvidas. Todas as interações são as necessárias, as relações entre elas, sejam familiares ou de amizade, são muito importantes para o desenrolar da história. E as suas próprias histórias também.

Esta autora escreve tão bem que me conquistou logo após as primeiras páginas. Escreve com profundidade, clareza e alma. Sim, alma. Nem sempre acontece, mas por vezes conseguimos perceber quando o autor põe tudo o que tem na sua escrita, e quer-me parecer Mélissa da Costa, assim o fez. 

Muito bom. Recomendo!

Em destaque: "Aquele Sítio Escuro" de Amy Engel

Todos são suspeitos. Todos têm algo a esconder.
Mas alguém terá de responder pela morte da sua filha.
Uma história poderosa e marcante sobre laços familiares, vingança e coragem. E sobre como, por vezes, mesmo os lugares mais escuros e aterradores  podem oferecer a sensação de proteção de um lar.


Sinopse:
Numa zona empobrecida das montanhas Ozark, no Missouri, numa pequena cidade com grandes segredos, duas raparigas de doze anos, Junie e Izzy, são encontradas mortas no parque infantil. Abandonadas como bonecas partidas, as suas gargantas cortadas. Eve Taggert conhece o lado negro da vida. Sobreviveu a um lar desfeito e a uma mãe cruel e implacável que não lhe ensinou nenhuma ternura, uma dura lição que tem tentado desesperadamente poupar à sua pequena Junie. 
Destroçada pelo assassinato, Eve não tenciona desistir até descobrir quem matou a sua filha. Contra todos os seus instintos, talvez precise de recorrer à força cruel que a sua mãe lhe incutiu para enfrentar a verdade sobre o crime... e sobre a sua verdadeira natureza.
Os elogios da crítica:
«Sem concessões,feroz e brilhante.» — The Guardian

«Do início emocionante ao final chocante, nunca deixa de fascinar pelas suas surpreendentes voltas e reviravoltas.» — Associated Press
«Uma escrita de uma urgência feroz.» — Publishers Weekly
«Um final chocante.» — Booklist
«Aborvente.» — Library Journal
«Uma história assustadora sobre a maternidade e o crime.» — CrimeReads

Sobre a autora:
Amy Engel é a autora de The Roanoke Girls e da série The Book of Ivy. 
Aquele Sítio Escuro é o seu primeiro livro publicado pela Suma de Letras, tendo sido considerado um dos melhores thrillers do ano pela Publishers Weekly. Um romance magistral e chocante que conquistou o coração dos leitores e dos críticos, e que foi vendido para quinze países.
Antiga advogada de defesa criminal, Amy Engel vive no Missouri com a família.

Em destaque: "Todos os Amanhãs" de Mélissa Da Costa

Um hino maravilhoso à natureza 
que nos reconcilia com a vida.

Sinopse:
É num verão brilhante e insuportável que a jovem Amande Luzin entra pela primeira vez na casa que arrendou na zona rural francesa de Auvergne. Para a acolher, encontra janelas fechadas, escuridão e silêncio: um refúgio.

É ali, longe de todos, que decide esconder-se para viver o seu luto. Amande nunca abre as portadas e raramente sai à rua, evitando a interferência da luz na sua vida. Até que, um dia, encontra os diários e calendários da antiga proprietária, a senhora Hugues. Numa caligrafia redonda e elegante, há instruções detalhadas para os cuidados do jardim e para a confeção de receitas, uma espécie de almanaque caseiro.
Amande é uma mulher da cidade que nunca usou galochas nem utensílios de jardinagem. No entanto, apesar da dor que a corrói, decide seguir as instruções da senhora Hugues e recuperar o jardim abandonado, um espaço que parece mágico. A cada semente, encontra um rebento: no pântano da sua dor, cada amanhã traz uma pequena e perfumada promessa de futuro.
 
Os elogios da crítica:
«Um relato íntimo que traz lágrimas e risos, como a nossa própria existência.» —  La Repubblica
«Uma romancista surpreendente que leva o leitor aonde menos se espera.» —  Le Figaro

Sobre a autora:
Mélissa Da Costa conquistou o público com o seu primeiro romance, Tout le bleu du ciel, tornando-se uma nova voz a acompanhar. Os seus outros romances, Todos os amanhãs, Je revenais des autres e Les douleurs fantômes são também bestsellers, aclamados pelos livreiros e pela imprensa em França. Os seus livros conquistaram mais de um milhão de leitores e a autora tem sido presença assídua na lista dos escritores franceses mais vendidos. Todos os amanhãs é o primeiro romance de Mélissa Da Costa publicado em Portugal pela Suma de Letras.

Opinião: "Quantos Ventos na Terra" de Maria Isaac

Neste terceiro livro de Maria Isaac regressamos a Mont-o-Ver e a algumas das personagens já bem conhecidas de quem leu os dois primeiros livros. 

Novos acontecimentos, mistérios e algumas surpresas, levam o leitor a embarcar numa viagem fora do normal, pela mão de um grupo de miúdos, os pequenos vilões conhecidos pelo Bando dos Canaviais.

Em destaque está uma menina: Cuca, uma criança albina de quem se diz ter um dom especial. Enamorei-me por esta pequena jóia, e tenho pena que a autora não tenha desenvolvido um pouco mais esta personagem, que é de uma riqueza extraordinária.

Como anteriormente, a escrita da autora sobressai. É bom encontrarmos jovens autores portugueses nas estantes das livraria, e nos podermos deliciar com as suas obras. Agora gostava de ler algo diferente pela mão desta autora. Fica o desafio, Maria Isaac. 

E muitos parabéns Suma de Letras, por mais uma aposta brilhante!

Opinião: "Escola para Boas Mães" de Jessamine Chan

Peguei neste livro por curiosidade, mas ao ler a sinopse percebi que tinha de o ler. Não que seja grande fã de distopias, (só mesmo A História de uma Serva), mas o facto da história se centrar em Mães e num controlo abusivo do Estado, foi decisivo.

E realmente, é-me difícil dizer-vos o que senti ao ler este livro. Revolta, raiva, indignação... ao ponto de ter de parar de lê-lo à noite, pois estava a deixar-me enervada. E depois, surpresa, incredulidade e novamente revolta, tendo de me lembrar constantemente que se tratava de uma distopia, não uma história baseada em factos verídicos. Só que a distância entre a realidade e a distopia, neste caso específico, é bem pequena. E isso é assustador.

Acho que só por isto dá para perceber que esta não é uma leitura para qualquer um. Mas é uma leitura importante. 

Numa época em que se tende a esconder, camuflar ou até mesmo apagar o passado, é preciso estarmos mais atentos. Porque a História já bem o provou, há uma tendência para se as coisas se repetirem. Para que os erros cometidos no passado, voltem a ser cometidos. E há erros que não podem voltar a acontecer.

Nesta chamada de atenção entram exatamente livros como este. Distopias, certo, mas que alertam para o que pode muito bem acontecer num piscar de olhos: a preponderância do Estado sobre os mais simples direitos do ser humano. 

Foi uma leitura impressionante que me deixou um gosto amargo na boca. Muito bom! Recomendo.

Opinião: "A Minha Adorável Esposa" de Samantha Downing

Li este livro num ápice! Estava mesmo a apetecer-me ler alguma coisa assim, um thriller descomplicado, bem escrito e organizado, que me enredasse na história e me levasse a querer ler mais e mais. E foi exatamente o que aconteceu.

Num estilo mais descontraído, fez-me lembrar um pouco a história de Gone Girl / Em Parte Incerta, já que também aqui, nem tudo o que parece é.

Foi uma viagem e pêras... um casal dos subúrbios, que nos parece perfeito, ele, professor de ténis, ela, agente imobiliária, com os seus dois filhos, igualmente perfeitos... só que não. Aos poucos vamos percebendo que estamos perante uma família do mais disfuncional possível. Á medida que vamos avançando na história, e as coisas começam a tomar forma, parece-nos inacreditável... a paranóia preenche-nos a leitura, e quase sem dar por isso, quase nem sequer conseguimos parar de ler para respirar.

As reviravoltas apesar de quase expectável estão bem feitas, e o toque de humor é simplesmente perfeito.

Adorei. Recomendo para quem gosta deste género de policiais que mexem com a nossa cabeça em vez de nos horrorizar com pormenores macabros e sangrentos.

Podem espreitar a sinopse aqui.

Em destaque: "Rede de Segredos" de Chandler Baker

Mentiras serão reveladas. Segredos serão expostos. E nem todos sobreviverão.

Sinopse:
Sloane, Ardie, Grace e Rosalita trabalham, há anos, na Truviv, Inc. As quatro sempre se ajudaram, passando por promoções empolgantes, reuniões intermináveis, casamento, maternidade, divórcio e os desafios impostos pela política do escritório. Também têm os seus segredos. 

A morte repentina do CEO da empresa significa que o seu chefe, Ames, vai ser promovido. Cada uma delas tem uma relação diferente com Ames Barrett, que sempre foi alvo de boatos sobre a forma como trata as mulheres. Até agora, todos os rumores foram ignorados, e até escondidos, por aqueles que estavam em posição de fazer algo a esse respeito.

Mas o mundo está a mudar e as quatro mulheres veem a nova situação com outros olhos. Quando descobrem que Ames se comporta de forma estranha com uma colega, decidem não ignorar o que se passa. Já viram o suficiente e, desta vez, não ficarão caladas. Essa decisão provoca uma mudança catastrófica no escritório, e as suas vidas - como mulheres, colegas, mães, esposas, amigas e até adversárias - estão prestes a mudar drasticamente.

Sobre a autora:
Chandler Baker cresceu na Flórida, fez a faculdade na Pensilvânia e estudou no Texas, onde vive com o marido, os filhos e uma pilha cada vez maior de livros. Além de escrever, trabalha como advogada corporativa. Adora audiolivros, gasta demasiado em livrarias e é obcecada por tudo o que se relaciona com histórias de crimes reais. É autora de vários livros juvenis, que já venderam mais de 1 milhão de exemplares. Rede de Segredos é o seu primeiro romance para adultos.

Opinião: "A Caixa" de Camilla Läckberg e Henrik Fexeus

Que livraço!!! Será que não vão fazer uma mini série? Eu via-a de certezinha.

De Camilla Läckberg só li um livro, o primeiro - A Princesa de Gelo. E gostei bastante. Mas depois começaram a sair uns a seguir aos outros, meteram-se outros autores nórdicos e perdi o fio à meada. Por isso, este foi um reencontro. E que bem acompanhada está a menina Camilla! Henrik Fexeus é também um autor nórdico (sueco), não só de policiais como também de outro tipo de livros de não ficção, sobre comunicação, linguagem corporal e destreza social. Para além disso, é igualmente um famoso apresentador, psicólogo e mentalista.

Ora bem, esta dupla, a meu ver, conjugou-se maravilhosamente neste primeiro livro da dupla de personagens Vicent e Mina. Não sei como se orientaram a escrever a duas mãos, nem como conseguiram manter a sua amizade de 15 anos para lá desta experiência. 

O livro A Caixa está muito bem escrito. Belissimamente organizado, como é essencial num policial, com uma história original e cativante, bem, num sentido mais negro, certo? As personagens são maravilhosas. Extremamente bem desenvolvidas, cheias de carácter e personalidade, são sem dúvida um dos pontos fortes.

Escusado será dizer que as 648 páginas até nem me pareceram assim tantas. ;) Foi uma leitura espetacular! Para os amantes de policiais, preparem-se, pois esta dupla vai dar mais que falar.

Em destaque: "A Caixa" de Camilla Läckberg e Henrik Fexeus

Sinopse:

Quando uma mulher é encontrada morta numa caixa de madeira, com o corpo perfurado por espadas, a polícia de Estocolmo fica perplexa: é difícil saber se é um truque de magia que acabou em tragédia ou um ritual macabro.

As investigações são confiadas a uma equipa especial: um grupo heterogéneo de agentes selecionados — e alérgicos a procedimentos institucionais —, entre os quais se destaca, pela sua competência como investigadora, Mina Dabiri. É a própria Mina que sugere envolver neste caso o famoso mentalista Vincent Walder, profundo conhecedor da linguagem corporal e do mundo do ilusionismo. Juntos, partem na caça ao assassino, mas a personalidade de ambos, marcada por pequenas e grandes obsessões e segredos indescritíveis, dificulta a investigação, também porque o seu próprio passado acaba por estar perturbadoramente ligado ao caso.

Com o aparecimento de mais um corpo, Mina e Vincent percebem que enfrentam um implacável assassino em série e dão início a uma emocionante corrida contra o tempo, para decifrarem os códigos numéricos e truques de ilusionismo de uma mente brilhante e perversa. Antes que a situação se agrave, a única arma de que dispõem para evitar que o assassino volte a matar é antecipar os seus movimentos: só compreendendo plenamente a sua loucura poderão acabar com ela.

Uma emocionante viagem à parte mais obscura da alma humana e que não deixará nenhum leitor indiferente.

Sobre os autores:
Nascida em 1974, Camilla Läckberg é dos autores mais lidos em todo o mundo, com mais de 30 milhões de livros vendidos. É também uma empresária de sucesso e uma das fundadoras da Invest In Her, uma empresa de investimentos que trabalha com empreendedorismo feminino e luta contra as disparidades salariais entre homens e mulheres. Com Uma gaiola de ouro (Suma de Letras, 2019), deu um novo passo na sua carreira, conseguindo um romance cuja inesquecível protagonista nos traz uma clara mensagem feminista. Do seu currículo fazem também parte Asas de prata, Uma gaiola de ouro e Mulheres que não perdoam. A noite é um jogo é o mais recente e surpreendente thriller.

Henrik Fexeus é um mentalista reconhecido mundialmente e um dos mais respeitados especialistas em linguagem e comunicação corporal.
Os seus livros conquistaram prémios e estão traduzidos em mais de 30 idiomas.

Opinião: "Canções em Ursa Maior" de Emma Brodie

Sou uma apaixonada por música. Por essa razão, um livro com este título nunca poderia escapar ao meu escrutínio. E a capa está fantástica, não concordam? Os meus parabéns à editora. Está bem melhor do que a original.

E na verdade, este era um livro que merecia uma banda sonora só sua. Tem, no entanto, uma música escrita pela autora e o seu irmão: Wallflower, com direito a video clip! Gostei. E dá um gostinho para o que podem encontrar ao ler esta história. 

Ora vejam:

Passado numa época, no mínimo interessante, os anos 70, "Canções em Ursa Maior" é inspirado numa história verdadeira: a relação amorosa entre James Taylor e Joni Mitchell. Por vezes parece que encontramos um pouco da história do filme "A Star is Born", com Bradley Cooper e Lady Gaga, mas não passa de uma impressão, já que os temas são semelhantes.

Mas ler "Canções em Ursa Maior" é uma experiência bem diferente de um outro qualquer livro.  Principalmente para quem gosta de música. Se bem que não ouvimos as melodias, somos presenteados com a elaboração das letras, e isso, meus caros, é pura poesia. O caos transformado em beleza.

Gostei imenso da personagem principal, Jane Quinn, merecia, sem dúvida, um filme só seu. Hollywood que ponha os olhos neste livro! Ela é forte e frágil, com falhas e pedaços partidos, mas ao mesmo tempo cheia de garra e de uma integridade absoluta. Já para não falar de que é possuidora de uma beleza intemporal. E depois de saber que era baseada em Janis Joplin, só me apetece descobrir mais sobre essa cantora. Conheço umas músicas, mas vou ter de mergulhar numa biografia. Será que há em português?

É um livro que me soube a pouco, simplesmente porque me apetecia continuar a ler sobre a vida desta mulher tão fascinante.

Recomendo. Foi uma leitura fantástica que dificilmente irei esquecer.

Em destaque: "Terra" de Eloy Moreno

Sinopse:
Dentro de uma cabana escondida na floresta, um homem faz uma promessa aos dois filhos: «Pensem naquilo que mais vos agradaria neste mundo, no que gostariam de alcançar quando fossem mais velhos. Seja o que for, se conseguirem terminar o jogo, prometo que farei os possíveis para que se torne realidade.» Mas esse jogo nunca acabou.
Trinta anos depois, uma das crianças conseguiu realizar o seu desejo, mas a irmã não. É então que ela recebe um presente estranho, um objeto que lhe permitirá continuar o jogo.
Oito pessoas decidiram voluntariamente participar num reality show que consiste em isolar-se do mundo, para sempre.
O público pensa que sabe tudo sobre elas, mas nem suspeita os motivos pelos quais tomaram essa decisão.
A criança que não conseguiu realizar o seu desejo, agora jornalista, deve descobrir a ligação entre o presente que recebeu e aqueles oito concorrentes, de modo a realizar o seu desejo, caso ainda seja essa a sua vontade.
A resposta está na Islândia.

Sobre o autor:
Eloy Moreno nasceu em 1976, em Castellón de la Plana, e, em 2010, aventurou-se a autopublicar o seu primeiro romance, que já vendeu mais de duzentos mil exemplares.
Começava, assim, uma bonita história editorial, e todos os livros que se seguiram foram grandes bestsellers. Com milhões de exemplares dos seus livros vendidos, Eloy Moreno é um dos escritores mais lidos e queridos pelo público, o que se deve, em grande parte, à sua capacidade de abordar questões universais com uma sensibilidade única e sempre com pontos de vista surpreendentes Terra foi publicado em Espanha em 2020, entrando em todas as listas de livros mais vendidos.

Em destaque: "Canções em Ursa Maior" de Emma Brodie

Por trás de cada grande sucesso, está uma história de amor ainda maior. 

Sinopse:

Verão de 1969
Criada numa ilha de Massachusetts, por uma mãe que escrevia canções para músicos famosos, Jane Quinn canta na sua própria banda antes sequer de ter idade suficiente para ler uma pauta. Quando a banda é convidada para substituir o lendário cantor de música folk, Jesse Reid, no festival da ilha, parece um sonho. Mas Jane sobe ao palco principal de pés descalços e dá a performance de uma vida. 

Quando Jesse ouve sobre a atuação de Jane no festival, uma estrela nasce, e também uma apaixonante história de amor. Jesse, que tinha sofrido um acidente de moto a caminho do festival, fica na ilha para se recuperar e faz amizade com Jane, ajudando-a durante a produção do seu primeiro disco. Enquanto Jane enfrenta o sexismo da indústria musical, Jesse torna-se o seu defensor, e o que começa como uma amizade transforma-se em amor.

Em digressão com Jesse, Jane fica maravilhada pelos estádios gigantes, as madrugadas, as festas selvagens e a atenção dos média, até ao dia em que descobre o segredo obscuro por detrás da música de Jesse. Com o coração partido e banida pela indústria, Jane terá de enfrentar sozinha as sombras do seu próprio passado. Desse conflito nascerá um dos álbuns mais icónicos de todos os tempos. 

Sobre a autora:
Emma Brodie trabalha em edição. Licenciou-se no programa Writing Seminars da Universidade Johns Hopkins, é colaboradora há vários anos do jornal HuffPost e é membro do corpo docente do projeto literário Catapult.co. Vive em Brooklyn com o marido e o cão, Freddie Mercury. Saiba mais sobre a autora em: www.emmabrodie.com