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Opinião: "A Camareira" de Nita Prose

Que livro!!! Que história maravilhosa!!! Apaixonei-me pela personagem principal, Molly Gray, e a sua forma ímpar de ver o mundo. Se este é o romance de estreia de Nita Prose, mal posso esperar pelos que lhe irão seguir.

A Camareira foi o livro escolhido para a minha leitura noturna, ie. no Kobo, antes de dormir. Pois, admito: foi uma péssima escolha! Isto porque a história me entusiasmava tanto que poucos foram os dias em que consegui pousar o Kobo a horas decentes.

Molly Gray vê o mundo de uma forma diferente. Sofre provavelmente de algum transtorno do espetro autista, já que tem grandes dificuldades nas interações sociais. Sempre teve a ajuda da avó para lhe "explicar" o mundo, mas recentemente a sua avó morreu e Molly encontra-se um pouco desamparada.

Ela é camareira no Hotel Regency Grand, e a sua paixão (leia-se obsessão) pela limpeza e organização, torna-a perfeita no seu trabalho. Mas Molly não se limita a limpar e a "deixar os quartos num primor". Ela observa e sabe tudo o que se passa à sua volta, embora nem sempre consiga ver para lá do óbvio.

Um dos hóspedes mais importantes do Hotel aparece morto e é Molly que o descobre. Antes que dê por isso, devido ao seu comportamento um pouco diferente, ela é considerada suspeita. Está lançado o mote.

O que acontece depois, torna este livro num verdadeiro page-turner. Escusado será dizer que adorei! Adorei a forma como está escrito, adorei as personagens, adorei a cadência das cenas, e o desenrolar do mistério, levando o leitor ao clímax final.

Recomendo!!


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Opinião: "Árvores Tombadas" de Rui Conceição Silva

Mais um livro excecional pela mão deste autor que já me conquistou há alguns livros atrás.

As palavras que lhe saem da pena são pura poesia e as histórias, ecos de um passado ainda tão presente.

Alternando o narrador conforme nos viramos para ouvir este ou aquele pensamento, é uma história de desamores, tristezas e mágoas, de vidas duras no Portugal profundo dos anos 40. 

A riqueza da construção das suas personagens, faz-nos esquecer o destino, e obriga-nos a apreciar a viagem. Os acontecimentos sucedem-se, e o nosso coração reluz de nostalgia, senão por uma época, pelo menos por um lugar onde o céu era mais azul.

Foi uma leitura que me deu imenso prazer. As palavras de Rui Conceição Silva são palavras a não perder de vista.

Bem haja!


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Opinião: "Não Contes a Ninguém" de Gregg Olsen

Embarquei nesta leitura a pensar que era ficção (lá está a minha mania de não ler as sinopses a atraiçoar-me.) Quando percebi que não o era, já estava fisgada.

Gregg Olsen, o autor, escreveu mais de 30 livros, muitos deles ficção, mas especializou-se nas histórias de crimes reais. Este livro é um deles. Retrata a história das irmãs Knotek e o que elas sofreram às mãos da sua mãe Shelly Knotek.

Não foi um livro fácil de ler, mas da mesma forma que é difícil não olhar para um acidente na estrada, foi-me impossível não ler até ao fim.

Fiquei horrorizada com a maior parte das cenas, mas percebi que o autor conseguiu transmitir os acontecimentos quase friamente, não aferindo mais emoções ou drama àquilo que já era suficiente mau. Isso mostra que é um bom autor / jornalista / investigador.

É uma história sobre o Mal na pessoa de uma mãe. Shelly Knotek nunca mais deveria ver a luz do dia.


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Opinião: "O que Guarda o Rio" de Isabel Ibañez

Esta foi uma leitura que muito me agradou. Não fosse o final repentino sem o exemplar do seguimento na mão e eu teria gostado ainda mais. Infelizmente, só mesmo no fim do livro é que percebi que teria continuação um próximo livro. 

Mas gostei, não posso dizer que não gostei.

Passado no Egipto, com aquela aura dos anos 20/30 e um aroma a mistério antigo, tão típico nos livros de Agatha Christie, e lá fui eu. Passei umas boas horas junto ao Nilo.

Acaba por ser um romance histórico bastante interessante, não deixando de ser divertido. A personagem principal, Iñez Olivera, e a sua determinação levou-me ao riso por diversas vezes. Gostei também do cheirinho a magia e claro, do tom romântico sempre latente ao longo da narrativa.

É uma leitura leve e divertida. Mas fico à espera do próximo  livro para me pronunciar definitivamente.


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Opinião: "À Espera de Um Milagre" de Nicholas Sparks

De vez em quando sabe bem regressarmos a um autor conhecido, daqueles que já conhecemos o tom da escrita e cujas histórias nos aquecem o coração. Para mim, um desses autores é Nicholas Sparks.

Para além de já ter tido o privilégio de o conhecer, e até de aparecer na caixinha mágica a falar sobre os seus livros (podem ver aqui), sempre que é publicado um novo, eu tenho de o ler. São histórias que podiam ser reais, e ter acontecido a alguém nosso conhecido. 

E esta história é mais uma das histórias típicas de Nicholas Sparks. Adorei as personagens por ele criadas. Estão todos muito bem desenvolvidas, algo em que o autor é exímio. Mas há uma que tocou especialmente o meu coração - Jasper.

É impossível ficarmos indiferentes a Jasper, um homem cuja vida espelha a de Job, com tantas bênçãos como tragédias. E na verdade, a pergunta que todos nos colocámos um dia, é a que flutua ao longo do livro: se Deus existe, então porque permite tanto sofrimento? 

Depois temos Tanner, um homem em busca do passado, e Kaitlyn, uma mãe divorciada com os seus dois filhos. Estas são as vidas que se enredam na de Jasper, quase sem darem por isso. 

Não deixa de ter uma pitada de romantismo, ou não fosse o seu autor Nicholas Sparks, mas, com imensas referências bíblicas, já que Jasper é um homem religioso, este é um romance extraordinário sobre como às vezes a felicidade depende de estarmos no sítio certo à hora certa. E mais não digo.



Opinião: "Reencontro no Céu" de Mitch Albom

Aqui está um autor de outros tempos. E querem saber? Já tinha lido há alguns anos. Não me lembrava de absolutamente nada, pelo que, como alteraram o título, comecei a lê-lo. Só depois, após já ter lido algumas páginas é que comecei a reconhecer a história. Mas, vá, como ia lançada, continuei.

E o engraçado é perceber o quanto mudamos ao longo dos anos. Uma leitura que em 2009 me enterneceu, agora não fez absolutamente nada. Pura fantasia, foi ao que me soou. Uma história de acasos e circunstâncias infelizes que tentam levar o leitor a pensar na vida e no que será a vida após a morte. Já não tenho paciência para este género de livros. 

Mas lá está, para quem se encontra no limbo de não saber o que sente em relação a este assunto, é uma boa história e até está bem escrita.



Opinião: "Turno da Noite" de Robin Cook

Nunca tinha lido um livro deste autor. Foi o primeiro. E que bem vindo foi! Tendo acabado de ler um livro emocialmente pesado, soube-me muito bem ler um policial leve, com uma ação extremamente rápida e bastante cativante.  Um verdadeiro "page-turner" como se diz na gíria.

Após explorar um pouco as obras de Robin Cook apercebi-me que reconhecia alguns nomes. É um daqueles autores que já andam cá há algum tempo. O seu primeiro livro de sucesso aconteceu em 1977, e quer acreditem ou não, este que agora li ele escreveu-o recentemente, em 2022, com 82 anos.

Sendo um médico que decidiu enveredar pela carreira literária, não é de admirar que tenha sido o responsável por introduzir o termo médico nos géneros literários, combinando ficção com fatos médicos. E realmente, este Turno da Noite não é exceção. O ambiente onde se desenrola a ação é hospitalar, e a personagem principal um médico legista.

Este livro já é o 13.º de uma série de thrillers, mas acreditem, li-o sem problemas nenhuns, como se fosse uma história isolada. A velocidade da ação é impressionante, e os acontecimentos sucedem-se convidando o leitor a continuar a leitura sem a interromper. Confesso que quando um livro me envolve assim, e "vejo" o filme na minha cabeça, não há nada para perceber. Um autor quando é bom, é bom. Aposto que hei-de ler mais livros de Robin Cook!

Opinião: "A Senhora Tan e a Aliança de Mulheres" de Lisa See

Que história extraordinária! Um livro absolutamente maravilhoso. Segue de imediato para o meu Top 3 de 2024!

Este romance histórico foi inspirado na história real de uma "médica" que viveu na China do séc. XIX, Tan Yunxian. Convido-vos a visitar o site da autora deste livro, Lisa See, que criou um mini-site sobre este outro mundo descrito nas páginas de "A Senhora Tan e a Aliança de Mulheres":

https://lisasee.com/step-inside/lady-tans-circle-of-women/

Aqui poderão encontrar mais informações sobre a personagem principal do livro, sobre a própria medicina chinesa e sobre a Dinastia Ming, época em que se desenrola a ação. Podem igualmente espreitar fotografias sobre locais que foram incluídos na história, ou pura e simplesmente espreitar a vasta bibliografia que a autora utilizou para escrever este livro.

Pessoalmente, fiquei fascinada com esta história, com esta mulher e a sua avó, também ela uma das primeiras médicas na China. Adorei o enquadramento, e aprendi imenso sobre a cultura e costumes daquela época, que na verdade não era muito favoráveis ao sexo feminino.

Simplesmente apaixonei-me por este livro. Foi uma leitura tão inspiradora e maravilhosa, que o recomendei a todas as leitoras que conheço. 

Li em 2010 um outro livro desta autora de que também gostei imenso (O Leque Secreto), mas que não chega aos calcanhares deste.

"A Senhora Tan e a Aliança de Mulheres" é um livro extraordinário, que todas as mulheres deveriam ler. Perceber como foi e é difícil conquistar o nosso lugar no mundo, e conhecer a história de mais uma Mulher que lutou para que hoje tenhamos mais algumas vitórias do nosso lado.

Recomendo.

Opinião: "Quando as Montanhas Cantam" de Nguyen Phan Qué Mai

Recentemente li um livro que falava sobre a Guerra do Vietnam, nomeadamente sobre a participação das mulheres norte americanas no esforço de guerra, que, não tendo chegado a combater, serviram como médicas e enfermeiras, estando muitas vezes em primeiro plano perante situações de combate.

Por isso mesmo foi interessante ler este "Quando as Montanhas Cantam" porque foi como passar a margem para o outro lado e aperceber-me de como foi a vida daquele povo vietnamita que, sem querer, se viram envolvidos num conflito que não era seu.

Este é sem dúvida um livro maravilhoso. Brutal, mas maravilhoso. 

É a história de uma família, os Trần, que atravessa várias gerações. Inicia-se em na primeira metade do século XX, quando uma jovem mãe, Trần Diệu Lan, foi forçada a abandonar a casa da família, com os seus 6 filhos, por causa da Grande Reforma Agrária, levada a cabo com o apoio do governo comunista que se erguia com força no norte do país.

Anos mais tarde, é a sua neta Hương que se vê sozinha após os seus pais e tios terem seguido para combater numa guerra que dividia não só o seu país como a sua própria família.

Não consigo expressar os sentimentos que me assolaram durante esta leitura. Admiração por um povo que não desiste de lutar pela sua sobrevivência, que apesar de todas as revezes, continuam a viver a vida com a simplicidade dos seus antepassados, e apreciando a vida tal como ela é. Revolta, por todas as atrocidades cometidas contra eles, quer por cidadãos do seu próprio país, quer dos outros países que decidiram colonizá-los e explorá-los. 

É um povo com uma tradição cultural extremamente rica, e que ficou bem notório no desenvolvimento das personagens desta família. Foi uma leitura maravilhosa, por vezes difícil, mas que recomendo sem hesitações, para quem queira saber um pouco mais sobre a história deste seu povo. Absolutamente maravilhoso.


Opinião: "O Outro Eu" de Daphne Du Maurier

Sou fã de Daphe Du Maurier desde que descobri que era ela a autora de "Os Pássaros" e de outro filmes do género. Ainda não li "Os Pássaros" (está na lista!), mas li "A Minha Prima Rachel", "A Pousada da Jamaica", "Rebecca", "A Casa na Praia" e agora este. 

De todos julgo que talvez  seja este o mais contemporâneo. Foi um livro quase sem época. A meu ver podia passar-se nos dias de hoje como em 1957, ano da sua publicação.

O mote é simples: um francês e um inglês encontram-se por acaso no bar de uma estação de comboios. A semelhança entre os dois é inacreditável. Dir-se-iam irmãos, no mínimo, senão mesmo gémeos. Passam as horas seguintes à conversa, até que John, o inglês, fica num torpor alcoólico que o remete para o esquecimento. Quando acorda, Jean-O, o francês roubou-lhe a identidade e John vê-se perante a inevitabilidade de ter de assumir o seu papel como patriarca aristocrático de uma família conturbada.

É uma história mirabolante, extremamente bem conseguida, não fora a autora uma das favoritas de Hitchcock. 384 páginas que se lêem num ápice. Não é impressionante a capacidade de determinados autores escreverem histórias intemporais?

Gostei imenso, e recomendo sem hesitações.

Opinião: "Elevação" de Stephen King

Não foi a primeira vez que li Stephen King, mas pelo menos foi o primeiro livro dele que li até ao fim. Que me perdoem os fãs, mas acho que no caso deste autor, gosto mais dos filmes do que dos livros. Ou então ainda não li o livro certo.

Não é uma história de terror, mas é um conto fantástico que nos leva a pensar no que é importante nas nossas vidas.

A ação desenrola-se numa pequena vila dos EUA, onde toda a gente se conhece. E Scott, a personagem principal, descobre que anda a perder peso sem no entanto perder volume. Confidencia este problema com o seu médico e amigo Dr. Rob Ellis, que incrédulo confirma o problema. Ao que tudo parece, Scott perde peso todos.

E a ação desenrola-se sendo adicionados mais alguns ingredientes à história, mas o final, sempre à vista é inevitável mantendo-se inexplicável. Tento tirar alguma elação mas a única  conclusão a que chego é a que referi acima. Faz-nos pensar no que é realmente importante na vida. De resto foi uma história que não me aqueceu nem arrefeceu.



Opinião: "A contadora de histórias de Auschwitz" de Siobhan Curham

Embora já sejam demasiados os livros publicados sobre este tema, acabamos por encontrar sempre um que se destaca, e embarcamos mais uma vez numa viagem aquela época de horror que não devemos nunca esquecer.

A capa e o título do livro chamaram-me à atenção. E encontrei exatamente o que esperava. Mais uma história sobre os horrores de Auschwitz, com uma abordagem ligeiramente diferente. Fez-me lembrar um pouco o filme A Vida é Bela, se bem que não lhe chegue aos calcanhares. 

É uma história sobre a beleza e a força das palavras num mundo onde reina a escuridão. 

Etty Veil é uma jovem autora judia que viu os seus trabalhos cancelados após Paris ser alvo da ocupação nazi. Ao ser levada para um dos campos de concentração, ela testemunha a separação de uma mãe e da sua filha adolescente. A mãe seguiu para os "banhos" e a jovem desamparada acaba por encontrar refúgio nos braços de Etty que a adota como irmã mais nova.

Para ofuscar o horror do que se passa à sua volta, Etty começa a contar pequenas histórias a Danielle e apercebe-se, aos poucos, que não é só Danielle que a ouve. Também as outras mulheres no barracão onde dormem aproveitam as histórias de Etty para fugir à realidade. Etty encoraja-as então a partilharem as suas histórias e promete-lhe sobreviver para contar todas as suas histórias ao mundo.

É um livro duro, como todos os que retratam esta época de horrores, mas é também um livro de esperança e de amor. Gostei muito. Mas tão cedo não vou pegar noutro deste género...

Opinião: "As Mulheres" de Kristin Hannah

Este foi um livro muito, muito interessante que adorei ler. 

Foi a primeira vez que li algo relacionado com a participação dos americanos na Guerra do Vietname, com uma abordagem mais abrangente, ou seja, com o foco nas mulheres que também fizeram parte do esforço de guerra e as quais mais tarde foram injustamente ignoradas.

Este livro é um hino de homenagem à sua participação. Às mulheres que serviram o seu país, quer como enfermeiras ou médicas, e que sofreram tanto quanto os soldados que lá serviram. Para elas não houve medalhas nem reconhecimento pelos sacrifícios que fizeram. No entanto, elas também regressaram a casa com PSTD, sofreram com as tragédias que viram e experienciaram, com as perdas e com todas as repercussões psicológicas do terror que foi essa guerra.

Para mim, este foi um dos melhores livros de Kristin Hannah que li. Não só aprendi imenso como me provocou emoções fortes, o que para mim é imprescindível num bom livro. Nota-se que Kristin Hannah tem amadurecido enquanto autora. As suas histórias mais recentes, e principalmente esta, são de uma riqueza extraordinária.

Recomendo!


Opinião: "Está Tudo Bem" de Cecilia Rabess

Por vezes perguntam-me porque leio dois livros ao mesmo tempo. Bem, esta é uma das razões. Li este livro "Está Tudo Bem" intercalando a sua leitura com "A Contadora de Histórias de Auschwitz". Já não consigo mergulhar exclusivamente num livro com um tema tão pesado como este último. Tenho de ter algo para intervalar e aligeirar o meu coração.

E por isso, esta leitura foi mais do que perfeita. Mas entretanto, atentem ao que vos digo: Título, capa e mote, remetem para uma história  romântica e ligeira, certo? E eu realmente deparei-me com uma história romântica, mas muito para lá de ligeira. Aliás, bem controversa e complicada, com muita economia e política à mistura. Conseguiu por isso facilmente atingir o seu propósito, afastar a minha mente do outro livro que lia em simultâneo. E para além de me distrair, também me fez aprender imenso, sobre imensas coisas. E divertiu-me.

Mas o que parece o livro atingiu a polémica ao ser publicado nos EUA, visto que as duas figuras centrais da história se encontravam em campos completamente opostos no que à política diz respeito. Ela é uma miúda gira, afroamericana, que acredita em Obama. Já ele é um republicano ultra conservador, que dá o seu apoio a Donald Trump sem perceber o que isso tem de errado.

É na verdade uma crítica velada a uma sociedade que se deixa levar pelo populismo e não consegue ver para além do que certas forças políticas nos querem apresentar. Tão bem a propósito destas nossas eleições do passado Domingo, não concordam?

Enfim, voltando a Cecilia Rabess e ao seu livro de estreia... É daqueles livros que ou se ama ou se odeia. Não acredito que existam meios-termos. Jess é uma rapariga que luta com a sua própria identificação, Josh é um rapaz que acha que está sempre do lado da razão. Mas, quando assim é, onde fica o amor? Há esperança quando existe tanto antagonismo numa relação? Têm de ler, para o descobrir.

Quanto a mim, acho que este é capaz de ser um dos livros mais inteligentes e surpreendentes que já li!
Recomendo!

Opinião: "Mais cedo Secará a Terra" de Fernando J. Múñez

Se existem livros com histórias quase, quase perfeitas, este é um deles. A sede de poder e o amor à terra, vem colocar duas famílias em desavença. Com algumas histórias de amor de permeio, e um conjunto de personagens inesquecíveis, esta leitura levou-me a recordar algumas das séries que víamos quando só havia dois canais: Dallas, Falcon Crest, Dinastia, etc. 

Adorei esta leitura. A história é envolvente, o drama faz-nos tremer, e o ambiente é magnífico. 

Todas as personagens estão muito bem trabalhadas, e parece-me que esse é um dos grandes trunfos do autor. Pequenos pormenores que justificam esta ou aquela maneira de ser ou forma de agir. As mulheres são as grandes protagonistas. Elas não se limitam a ficar à sombra dos homens. Elas lutam como eles, elas tomam decisões sobre as suas vidas e as dos outros, elas governam as suas casas, não deixando de estar do lado dos seus companheiros quando estes o necessitam. Mas sem dúvida que a Galiza é mais uma das protagonistas. 

“… mais cedo secaria toda a terra do que permitiria a desolação dos seus e das estripes que estavam para vir.”

E porque não uma série televisiva? Espanha rural em 1845, os senhores do gado da Galiza contra os exploradores das minas de carvão. Brutal! Fico à espera.

Opinião: "A Casa entre os Pinheiros" de Ana Reyes

Quando um livro é recomendado pela Reese Witherspoon eu não resisto. Já percebi que os muitas das suas leituras estão em sincronia com as minhas, pelo que as recomendações que faz no seu Book Club são, para mim, quase uma garantia de que vou gostar do livro.

Como neste A Casa Entre os Pinheiros a sua opinião vinha mencionada na capa, logo o escolhi para ler a seguir. E à frase:

«Um thriller absolutamente impossível de largar»

acrescento apenas a palavra psicológico, pois é disso que se trata, um thriller psicológico

Existem pessoas que têm o dom de manipular os outros. Por artes e manhas inatas ou adquiridas, elas conseguem quase que hipnotizar as pessoas para que façam a sua vontade. Todos nós conhecemos alguém assim. Já para não falar das experiências levadas a cabo para controla da mente, que tão populares foram nos anos 50 / 60. Ora bem, a protagonista principal deste thriller foi vítima de um desses manipuladores, que conseguiu manipulá-la ao ponto de não conseguir reconhecer-se como vítima. Tudo aconteceu sete anos antes, e agora, ainda no rescaldo das consequências desse tempo, ela terá de voltar ao passado para poder seguir em frente.

Não sei qual foi o ponto de partida da autora para criar esta história, mas sinceramente gostava de lho perguntar. Teve de certo que investigar bastante sobre o tema, que confesso também é um tema que me suscita muita curiosidade - a manipulação da mente humana.

Não querendo revelar muito mais sobre a história, posso apenas dizer que se por vezes me pareceu um pouco inverosímil, é porque na verdade estas coisas nunca parecem ser passíveis de acontecer. Mas o facto é que acontecem.

E deixando o mistério no ar, não posso deixar de vos recomendar este livro.

Opinião: "Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos" de Olga Tokarczuk

Esta é mais uma leitura para a minha lista de autoras às quais foram atribuídos o Prémio Nobel da Literatura. 

Olga Tokarczuk é uma escritora polaca nascida em janeiro de 1962, que ganhou o Nobel da Literatura de 2018. Para além deste, ela é detentora de outros grandes prémios, sendo reconhecida como uma das escritoras europeias da atualidade. É uma autora cujas obras incidem frequentemente em temas como a insignificância humana, a exaltação da Natureza e a defesa do irracionalismo.

Neste livro, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos, ela une os seus dois temas centrais, a exaltação da Natureza e a insignificância humana, transformando uma leitura aparentemente inócua num negro e interessante policial.

Para além da sua escrita fabulosa, tão contundente e viciante, ela constrói a história com base na personagem principal, Janina, uma mulher de meia-idade que mora perto da fronteira com a Chéquia. Janina é uma excêntrica solitária, que toma conta das casas de férias dos que só vêm no Verão. Ela é obcecada por Astrologia, e acérrima defensora dos Animais. Dá alcunhas aos seus vizinhos e habitantes da vila mais próxima, com quem mantém o contacto necessário. 

Quando um dos seus vizinhos mais próximos é encontrado morto, Janina acaba por ajudar um outro vizinho a vestir o corpo antes de chamar as autoridades. Até aí nada de especial. Só que nas semanas seguintes, mais homens acabam por aparecer mortos, deixando a polícia sem explicações. Nessa altura Janina chega-se à frente, afirmando que esses homens, todos caçadores desportivos, estão a ser mortos pelo próprios animais, como forma de vingança. Apesar de a considerarem louca, a verdade é que ela e os seus amigos é que acabam por solucionar os assassínios. A resposta, no entanto, não é a que se espera.

Uma leitura extraordinária, que me leva a querer ler mais obras desta autora. Recomendo.

Podem ler a sinopse completa, e até adquirir o livro no site da Wook » aqui.

Opinião: "O Clube de Leitura Antiguerra" de Annie Lyons

Este é daqueles livros que nos aquecem o coração. Passado numa época difícil para toda a gente (Londres, Segunda Guerra Mundial), o espírito de união e entre ajuda vem ao de cima, lembrando-nos de como o mundo funciona melhor se nos unirmos e nos colocarmos no lugar do próximo.

É mais uma história sobre essa época terrível, a Segunda Guerra Mundial. A ação desenrola-se nos subúrbios de Londres, e centra-se numa pequena comunidade cujas vidas vão ser interrompidas e afetadas pela guerra. No entanto desenganem-se se pensam que é um livro pesado e duro de ler. Não. A abordagem que a autora faz ao tema é refrescante. Apesar de por vezes triste, como não podia deixar de o ser, é acompanhado com um sentimento de esperança e força, pelo que se torna uma leitura bastante reconfortante.

Lágrimas foram vertidas, não o nego, mas pela pela humanidade e generosidade das personagens. Como vos disse no início, é uma leitura que nos aquece o coração. 

Para além disso, acaba por ser um livro que nos fala sobre livros e sobre o poder da leitura como arma para ultrapassar momentos difíceis. Adorei todas as referências a livros, não fosse afinal de contas, uma livraria como o centro de toda a ação.

É uma leitura que recomendo com todo o meu coração literário.

Opinião: "Mais Além, o Mar" de Laura Spence-Ash

O que dizer de um livro de que se gostou muito, no qual nos demorámos mais do que o normal, por não querermos que terminasse a sua leitura? O que dizer de um livro que achamos perfeito? Mais que perfeito, até? Com capa e título a condizer na perfeição com a história, com uma nova abordagem a um tema tão recorrente, com personagens tão imperfeitamente apaixonantes? Não sei mesmo o que escrever aqui.

Deixei passar algum tempo desde que o li, pois precisava que a história assentasse em mim. Precisava de "fazer o luto" às personagens que amei acompanhar, que imagino tenham continuado a sua vida para além das páginas deste livro, e se tenham tornado tão reais como eu que escrevo esta opinião e vocês que a leem.

Não há volta a dar. Esta foi uma das minhas leituras favoritas de sempre. 

Adorei o tom da escrita da autora. Mal consegui acreditar que este é o seu livro de estreia. Ela escreve com uma ponderação típica de quem já anda por cá há muito tempo. Terá sem dúvida uma alma velha, das que sabem coisas para lá do espelho, e a sua escrita assim o reflete.

As personagens que criou para contar esta história, são simplesmente magníficas. Queremos acompanhar as suas aventuras e desventuras, descobrir os seus segredos, e estar ali, lado a lado com elas, à medida que a história se vai desenrolando, tal como mais uma personagem, invisível e silenciosa.

Acho que é esse o grande segredo deste livro. O permitir, o convidar até, o leitor sonhar que faz parte desta história...

Magnífico livro, que muito me honra ter vindo morar na minha biblioteca.

Recomendo.

Opinião: "Rumores" de Ashley Audrain

Li o primeiro livro de Ashley Audrain em 2021, quando foi editado em Portugal. "Instinto" levou-me aos píncaros! Adorei. Obviamente não podia deixar de ler o seu novo livro, "Rumores". E meus amigos, só o que o título prometia...

E, no fundo, não desiludiu. Não foi a mesma experiência do que com "Instinto", mas foi uma leitura absorvente, das que não conseguimos pousar, e que nos faz imergir na história, querendo participar um pouco mais do que meros observadores. E o final, ai o final!

Mais uma vez Ashley opta pelo tema da maternidade. E se não é um tema sem fim, com tantas facetas, tantos dilemas à espera de serem explorados! E ela parece-me determinada a explorar as partes mais sensíveis, as menos populares, as que tentamos esconder, as dúvidas, os problemas, as situações mais negras da maternidade, que por si só é uma coisa tão complexa. 

A história começa na casa de um casal com três filhos, que convida amigos e vizinhos para uma festa no jardim. De repente tudo para ao ouvir, da janela do quarto, Whitney aos gritos com seu filho, Xavier. É um momento bastante desconfortável para todos e a festa rapidamente termina.

Alguns meses mais tarde Xavier é levado de urgência para o Hospital, com prognóstico reservado, depois de cair da janela do seu quarto no primeiro andar. Ninguém sabe o que aconteceu. Mas todos se recordam do incidente da festa de jardim. E Xavier não acorda.

Os diversos casais que compõem esta mosaico têm as suas dinâmicas e os seus problemas, e o que aconteceu com Xavier permanece um mistério. Muito terá de ser desenterrado para se chegar à verdade. E depois, nada será igual.

Gostei bastante desta leitura. Recomendo.

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