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Opinião: "Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos" de Olga Tokarczuk

Esta é mais uma leitura para a minha lista de autoras às quais foram atribuídos o Prémio Nobel da Literatura. 

Olga Tokarczuk é uma escritora polaca nascida em janeiro de 1962, que ganhou o Nobel da Literatura de 2018. Para além deste, ela é detentora de outros grandes prémios, sendo reconhecida como uma das escritoras europeias da atualidade. É uma autora cujas obras incidem frequentemente em temas como a insignificância humana, a exaltação da Natureza e a defesa do irracionalismo.

Neste livro, Conduz o Teu Arado Sobre os Ossos dos Mortos, ela une os seus dois temas centrais, a exaltação da Natureza e a insignificância humana, transformando uma leitura aparentemente inócua num negro e interessante policial.

Para além da sua escrita fabulosa, tão contundente e viciante, ela constrói a história com base na personagem principal, Janina, uma mulher de meia-idade que mora perto da fronteira com a Chéquia. Janina é uma excêntrica solitária, que toma conta das casas de férias dos que só vêm no Verão. Ela é obcecada por Astrologia, e acérrima defensora dos Animais. Dá alcunhas aos seus vizinhos e habitantes da vila mais próxima, com quem mantém o contacto necessário. 

Quando um dos seus vizinhos mais próximos é encontrado morto, Janina acaba por ajudar um outro vizinho a vestir o corpo antes de chamar as autoridades. Até aí nada de especial. Só que nas semanas seguintes, mais homens acabam por aparecer mortos, deixando a polícia sem explicações. Nessa altura Janina chega-se à frente, afirmando que esses homens, todos caçadores desportivos, estão a ser mortos pelo próprios animais, como forma de vingança. Apesar de a considerarem louca, a verdade é que ela e os seus amigos é que acabam por solucionar os assassínios. A resposta, no entanto, não é a que se espera.

Uma leitura extraordinária, que me leva a querer ler mais obras desta autora. Recomendo.

Podem ler a sinopse completa, e até adquirir o livro no site da Wook » aqui.

Opinião: "Rumores" de Ashley Audrain

Li o primeiro livro de Ashley Audrain em 2021, quando foi editado em Portugal. "Instinto" levou-me aos píncaros! Adorei. Obviamente não podia deixar de ler o seu novo livro, "Rumores". E meus amigos, só o que o título prometia...

E, no fundo, não desiludiu. Não foi a mesma experiência do que com "Instinto", mas foi uma leitura absorvente, das que não conseguimos pousar, e que nos faz imergir na história, querendo participar um pouco mais do que meros observadores. E o final, ai o final!

Mais uma vez Ashley opta pelo tema da maternidade. E se não é um tema sem fim, com tantas facetas, tantos dilemas à espera de serem explorados! E ela parece-me determinada a explorar as partes mais sensíveis, as menos populares, as que tentamos esconder, as dúvidas, os problemas, as situações mais negras da maternidade, que por si só é uma coisa tão complexa. 

A história começa na casa de um casal com três filhos, que convida amigos e vizinhos para uma festa no jardim. De repente tudo para ao ouvir, da janela do quarto, Whitney aos gritos com seu filho, Xavier. É um momento bastante desconfortável para todos e a festa rapidamente termina.

Alguns meses mais tarde Xavier é levado de urgência para o Hospital, com prognóstico reservado, depois de cair da janela do seu quarto no primeiro andar. Ninguém sabe o que aconteceu. Mas todos se recordam do incidente da festa de jardim. E Xavier não acorda.

Os diversos casais que compõem esta mosaico têm as suas dinâmicas e os seus problemas, e o que aconteceu com Xavier permanece um mistério. Muito terá de ser desenterrado para se chegar à verdade. E depois, nada será igual.

Gostei bastante desta leitura. Recomendo.

Convido-vos a espreitar a sinopse ou até comprar o livro no site da Wook » aqui.

Opinião: "A Estranha Sally Diamond" de Liz Nugent

Li, há alguns anos, outro livro desta autora - O Segredo do Escritor, que adorei, e terminei a minha opinião escrevendo "É "uma autora que não quero perder de vista. Simplesmente brilhante!"
Ora, demoraram uns quantos anos, mas ela lá apareceu, publicada novamente em português.

Este A Estranha Sally Diamond conquistou-me logo pelo título, e quando soube quem era a sua autora, tive de o ler assim que possível.

Adorei a personagem principal, Sally. Gostei da forma como a autora nos vai contando a sua história, explicando aos poucos porque ela é como é. 

Está muito bem escrito, mantendo a tensão ao longo de todo o livro, cativando o leitor para continuar a ler, para descobrir mais e mais sobre a história de Sally.

Não me surpreendeu de todo, pois é uma história recorrente, mas a forma como está desenvolvida faz realmente a diferença.

No entanto, após terminar a leitura fiquei com vontade de rasgar as últimas páginas e reescrever o final. Não vou fazer spoiler, atenção, mas não gostei da forma como terminou. Para já senti que o desfecho foi demasiado apressado, como se de repente a autora percebesse que tinha de terminar o livro quanto antes. Isso é bem notório. E para além disso, achei que após todo o seu esforço, Sally, merecia um melhor fim. 

Mas foi uma boa leitura que recomendo. Só por causa do final não leva os 5 💗. Leva 4.

Podem ler a sinopse ou até adquirir o livro na página do mesmo no site da Wook.

Opinião: "Maame" de Jessica George

Terminei este livro ontem à noite, e nem sei bem o que achar dele. Por um lado gostei, por outro, não correspondeu bem às minhas expectativas, mas por outro ainda, também me surpreendeu. Percebem o que quero dizer? É um livro que me provocou sentimentos mistos. 

Não sendo bem o que eu estava à espera - a história de uma mulher dividida entre culturas à procura do seu lugar no mundo, assim do género de "Bolo Negro" de Charmaine Wilkerson - acabou por ser o que eu precisava de ler - uma história de afirmação e superação de um luto complicado. Mais do que isso, é a história de uma jovem que foi obrigada a crescer cedo demais, e que tenta afirmar-se como como adulta.

Gostei imenso da personagem de Maddie, tão real, tão cheia das "imperfeições" típicas da adolescência, mas simultaneamente tão resiliente. Grande parte da força desta história reside exatamente nesta personagem, na sua vulnerabilidade e na força, que vai arranjar não sei onde. 

Não apreciei particularmente as partes das pesquisas de opiniões nos chats online, mas acho que faz parte da dependência das tecnologias dos jovens de hoje, e talvez eles se revejam no gesto. 

Apesar de ser um livro que considero mais adequado a jovens adultos, posso dizer que gostei da leitura. É uma leitura algo leve, apesar de tocar em alguns temas mais pesados.

Opinião: "A Rapariga do Vestido às Riscas" de Ellie Midwood

Já tanto livro se escreveu sobre as atrocidades cometidas pelos nazis na Segunda Guerra que, por vezes, se torna complicado decidir pegar em mais um. Mas este surgiu-me com uma história que me pareceu diferente. Pelo menos, uma parte que eu desconhecia - os armazéns chamados Kanada, onde os prisioneiros tinham algumas regalias, e (sobre)viviam com alguns "luxos" interditos ao restantes. Podiam manter o seu cabelo, vestirem-se um pouco melhor, alimentar-se um pouco mais, e até ter almofadas para dormir, por exemplo.

O nome Kanada foi dado pelos prisioneiros que encaravam esses ditos  armazéns como a terra da abundância. Mais tarde, o nome foi adotado pelos próprios nazis. Tratava-se nem mais nem menos do local onde chegavam os bens dos quais eram despojados os prisioneiros à chegada aos campos. Ali, era feita uma seleção e limpeza para uma posterior reutilização dos mesmos pelo povo alemão. 

O livro fala-nos desta realidade através do julgamento de desnazificação de Franz Dahler em 1947, na Alemanha. Franz tem a seu favor uma testemunha peculiar, a sua mulher. A sua mulher judia e ex-prisioneira de guerra.

Recorrendo à presença de um psiquiatra no painel de supervisores americanos, este julgamento era um pouco diferente dos demais. E através do testemunho quer de Dahler, quer de Hélene (a sua esposa), vamos conhecendo a história deste casal que acabou por terminar a guerra juntos.

A dúvida permanece até ao fim: será um caso de Síndrome de Estocolmo, ou será possível que seja verdade, e que Dahler corresponda a um daqueles jovens nazis que apesar da lavagem cerebral a que foi sujeito desde criança, conseguiu ganhar alguma consciência contra a ideologia nazi e as atrocidades cometidas em nome do Führer?

Apesar de ser ficcionada, esta é uma história baseada em factos reais e nos testemunhos dos que sobreviveram a esta experiência, é mais uma história sobre a Segunda Guerra Mundial. Uma história um pouco diferente, que me acompanhou nestes primeiros dias do ano. Não é uma história de amor, mas uma história de sobrevivência. Gostei.

Opinião: "O Cultivo das Flores de Plástico" de Afonso Cruz

Por incrível que pareça é o primeiro livro que leio de Afonso Cruz. Não sei se foi por causa dos títulos, ou por causa das capas, que não me tenha interessado por ele antes. Mas desta vez teve de ser. Escolhi-o para começar o ano, logo a seguir a uma leitura abismal. Mas não há dúvidas. Afonso Cruz ultrapassou o desafio.

Por norma, quando lemos um livro extremamente bom, ficamos com a chamada "ressaca literária". Nessa altura, meus amigos, o segredo é pegar em algo completamente diferente e pequeno. Foi por essas duas razões que escolhi "O Cultivo das Flores de Plástico".

Gostei do tipo de escrita do autor. Nota-se que se trata de uma peça, por isso a linguagem é simples, sem subterfúgios, quase crua. Um óbvio contraste 
com o conteúdo da história.

Eles são quatro. Vivem na rua. São todos diferentes, mas todos são sem-abrigo. 
Temos o Jorge, que já vive na rua há alguns anos por causa do seu mau feitio, diz ele, mas que ainda consegue ver o lado bom da vida. Ele é a esperança de que a bondade venha ao de cima em todos nós.

"Faço coisas pequenas, pequenas bondades, não é preciso ser Deus, basta fazer pequenas coisas e elas crescem e um dia alastrar-se-ão pelo mundo como uma daquelas pragas medievais. Estou a infestar o mundo com estas sementes. A plantar Deus. Como não existe, faço o que Ele devia fazer"

Temos depois o Couraçado Korzhev, um suposto ex-marinheiro russo que foi abandonado pelos seus camaradas em Lisboa apenas por ter um tom de pele diferente. Passa a vida a dobrar mapas e anda com uma série de conchas no bolso para poder ouvir o mar.

Lili é uma rapariga cuja história não percebi totalmente, mas que entendi ser uma sobrevivente de maus tratos. Passa a vida a tentar encontrar a sua casa, experimentando as chaves que carrega em todas as portas.

Finalmente a Senhora de Fato. A única que aparentemente "ainda" não sobre de nenhuma perturbação psicológica, por ter chegado recentemente à rua. Esta foi a personagem que mais me marcou. A prova provada que a distância entre nós e "eles" não é assim tão grande. Basta um deslize, uma escolha errada e tudo muda.

Esta é uma história que depois de lida nos fica agarrada à pele.  Não só pelas verdades que encerra, como pelas coisas que não são ditas, mas que nos fazem pensar.

Até a própria cena de tortura animal, que me custou horrores ler e que tentei "passar por cima", é o testemunho do quão insensíveis nos tornámos para com estas pessoas. Escandalizamo-nos com o relato do cão, mas não com as histórias dos sem-abrigo.

Não percam esta leitura. É um livro absolutamente indispensável. Brutal!

"Andamos a regar flores de plástico, é isso que fazemos. Temos coisas que não servem para nada. É tudo plástico. E nós regamos essas flores e esperamos que cheirem a coisas boas. Mas é plástico. Temos coisas, em vez de tentarmos ser felizes, substituímos a vida por plástico, a felicidade por plástico e o próprio plástico por plástico. Trabalhamos para regar uma vida destas."

Opinião: "O Tesouro" de Selma Lagerlöf

Naquelas conversas entre livrólicos, retive o nome de um livro que, apesar de antigo, diziam-no extraordinário.
Trata-se de O Tesouro de Selma Lagerlöf, publicado originalmente em 1904, ou seja, há 120 anos.

Mas antes de falarmos sobre o livro, falemos sobre a sua autora. Quem foi Selma Lagerlöf?
Nada mais, nada menos do que a primeira mulher a ganhar o Nobel da Literatura em 1909. Escolha que foi envolta em alguma polémica pois o seu estilo era, considerado por muitos, demasiado vanguardista para a época.

Da sua obra diz-se foi inspirada nas lendas e histórias de encantar suecas, e julgo ter sentido essa mesma influência neste livro que li.

"O Tesouro" é sem dúvida uma obra notável. Uma pequena pérola da literatura que se lê num ápice e nos deixa enfeitiçados. 

Trata-se de um conto fantasmagórico, pleno de intriga e suspense, que prende o leitor à narrativa. É a história de um amor ameaçado pela moral e por um fantasma que exige vingança. Julgo que os críticos da autora tinham razão, o seu estilo de escrita era vanguardista para a época, já que nesta nossa época, esse estilo é bem atual.

Foi o livro de despedida deste meu ano literário de 2023. Uma excelente leitura que recomendo sem hesitações.

Podem ver a sinopse do livro na página do mesmo no site da Penguin Random House Grupo Editorial
https://www.penguinlivros.pt/loja/cavalo-de-ferro/livro/o-tesouro-2/

Opinião: "Olá, Linda" de Ann Napolitano

Primeiro foi o nome. Não sabia exatamente em que contexto se situaria a saudação. Depois a capa. Era diferente, um pouco estranha até. Mas não deixava de me agradar. Espreitei a sinopse... (algo que não gosto muito de fazer pois quero que o livro seja uma completa surpresa). 

Assim que li:

"com Julia vem a sua família, pois ela e as três irmãs são inseparáveis: Sylvie, a sonhadora, é feliz com o nariz enfiado nos livros; Cecelia é um espírito livre, apaixonado pelas artes; Emeline cuida pacientemente de todos eles. Com os Padavanos, William experimenta um novo sentimento: ter um lar, pois cada momento naquela casa é repleto de caos amoroso." 

Soube que tinha de o ler, pois adooooro dramas familiares e histórias com irmãs.

Foi uma excelente decisão, pois este livro habilitou-se a ficar no meu TOP 5 de 2023. Que história! Simplesmente adorei conhecer as irmãs Padavano, tão diferentes umas das outras! Que personagens tão ricas e bem desenvolvidas. Sei que me vão acompanhar durante algum tempo, assim como a sua bela e algo triste história.

O título sempre me fez espécie, mas garanto-vos, quando finalmente percebi o seu porquê, o meu coração saltou uma batida. Apesar de ser um drama, não fez chorar. Fez-me sim sentir agradecida e de coração cheio. Se há livros que têm esse efeito, este é, sem dúvida, um deles. 

Demorei algum tempo a lê-lo, pois quis lê-lo devagar, saboreando cada pormenor, adiando o final, para poder passar mais tempo na companhia das irmãs Padavano. Aposto que se fosse a Chicago, mesmo sabendo que ía ficar desiludida, pois não existem, iria à procura dos murais de Cecelia.

Adorei este livro. Por favor, não deixem de o ler.

Em destaque: "A Rapariga do Vestido às Riscas" de Ellie Midwood

Ela recusou-se a desistir. 
E ousou voltar a sentir.
Sinopse:
Helena desce da carruagem de transporte de gado para o chão gelado de Auschwitz. Tem 24 horas de vida. Programada para ser morta no dia seguinte, nem chegou a ser tatuada com o número de prisioneira. Quando um oficial de uniforme cinzento marcha na sua direção e a puxa para longe, ela teme o pior. Ele, todavia, diz-lhe que é o aniversário de um outro oficial e ordena que ela cante para ele.
Dentro do barracão da SS, o ar é quente, carregado de fumo de cigarros e barulho. Quando Helena termina de cantar, Franz, o oficial aniversariante, oferece-lhe uma fatia de bolo — a primeira coisa que ela come desde há dias. E aí mesmo, ele ordena que a vida dela seja salva, mudando para sempre o curso do seu destino.
O que se segue é uma história que deveria ser impossível, mas que salvou a vida de ambos - e de centenas de outras pessoas - de mais do que uma maneira.

Sobre a autora:
Ellie Midwood é uma autora norte-americana premiada e bestseller do USA Today.
Deve o seu interesse pelo tema da Segunda Guerra Mundial ao avô, militar numa importante formação do Exército Vermelho durante aquele conflito.
Em criança, escutava os seus relatos sobre a experiência na frente de batalha. Depois, quando cresceu, o seu interesse pela História intensificou-se e Ellie passou das leituras sobre a guerra para a escrita sobre a mesma.
Após concluir uma formação em Linguística, Ellie decidiu fazer da escrita a sua carreira e passou a dedicar-se inteiramente a esta atividade.

Opinião: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Que livraço!!! Adorei cada pedacinho. Fez-me lembrar um pouco as histórias de Elena Ferrante, sim, mas mais as de Rosa Ventrello, que li há alguns anos. Se não conhecem, não deixem de ler.

Regressando a Beatrice Salvioni, que escritora! Como é que uma jovem de 28 anos tem tanto saber, tanta idade dentro de si!?! É sem dúvida uma autora que não quero perder de vista e que para mim, já provou o seu valor. Adorei A Malnascida.

Este livro conta-nos a história da amizade entre duas raparigas, naquela fase tão difícil entre o ser criança e ser adolescente. Passa-se em Itália nos anos 30, tendo como pano de fundo as vidas de extrema pobreza em contradição com as de grande desafogo monetário, apoiantes do fascismo de Il Duce. 

Malnascida (Maddalena) é um pássaro livre. Vinda de uma família pobre, herdou a sua alcunha devida a alguns azares na sua curta história, mas como o que não nos mata torna-nos mais fortes, ela é resiliente, atenta e desafiadora. Estas características fascinam Francesca, uma menina de boas famílias, que vive fechada numa redoma. Contra os pais desta última, elas vão tornar-se amigas inseparáveis, e é o seu dia-a-dia que vamos acompanhando ao longo do livro.

Mas a vida dos adultos vista pelos olhos dos mais jovens é sempre dilacerante, e as duas amigas vão crescendo à força, ajudando-se mutuamente a enfrentar as dores desse crescimento. O seu círculo de amigos, também eles com as suas histórias, enriquecem a narrativa, e desde cedo sentimos que fomos fisgados. É uma leitura vertiginosa, que não conseguimos pousar.

Adorei este livro. É sem dúvida um dos melhores do meu ano literário!

Em destaque: "Maame" de Jessica George

A história de crescimento e autodescoberta de uma mulher dividida entre duas culturas em busca do seu lugar no mundo.

Sinopse:
Maddie está à espera de que a sua vida comece. Aos 25 anos, é a principal cuidadora do pai, que sofre de doença de Parkinson, enquanto a mãe se ausenta durante longos períodos no Gana. O seu emprego como assistente administrativa num teatro de Londres está a revelar-se um beco sem saída e Maddie está cansada de sentir que é a única pessoa negra em qualquer reunião de trabalho.

Quando a mãe anuncia que vai regressar a Londres durante um ano, Maddie aproveita para sair de casa e começar a fazer todas as coisas que as outras pessoas da sua idade já parecem dominar. Começa a partilhar um apartamento com duas outras raparigas, aceita sair à noite com as amigas, decide pedir mais responsabilidades no trabalho e lança-se no desconcertante mundo das aplicações de encontros amorosos.

Tudo parece estar a entrar nos eixos quando algo terrível acontece, obrigando Maddie a confrontar-se com a natureza pouco convencional da sua família e a complexidade de se sentir dividida entre dois países e duas culturas. Porém, é ao lidar com questões como o trauma, o racismo, a sexualidade e a saúde mental que Maddie tem a oportunidade de descobrir a sua própria força e a sua própria voz.

Sobre a autora:
Jessica George é uma autora britânica, natural de Londres, filha de pais ganeses. Estudou Literatura Inglesa na Universidade de Sheffield. Depois de trabalhar numa agência literária e num teatro, conseguiu um emprego no departamento editorialda Bloomsbury UK.

Maame é o seu primeiro livro, que se estreou como bestseller do New York Times e recebeu excelentes críticas por parte de várias publicações e de outros autores, tendo sido também um dos quatro finalistas dos TikTok Book Awards UK and Ireland 2023, na categoria de BookTok Book of the Year.

Em destaque: "O cultivo de flores de plástico" de Afonso Cruz

Individualismo, consumismo, indiferença, desigualdade: Afonso Cruz não deixa nada por dizer sobre estes temas fraturantes, num livro de rara e íntima beleza.

Sinopse:
Lili ocupa o tempo de sobra a experimentar chaves em portas. O couraçado Korzhev dobra e desdobra mapas e carrega no bolso conchas que lhe devolvem a maresia. A senhora de fato suspira pelo tempo em que vivia uma vida alcatifada, com dois carros, um cão e um gato. Jorge sabe que bastou um passo em falso para ir parar ali. É o que separa as pessoas que vivem em casas das pessoas que vivem na rua: um passo mal dado. Num texto belíssimo, pleno de dor e ironia, Afonso Cruz imagina as vidas de um grupo de pessoas que vive «debaixo do mau tempo», abaixo da linha mínima da dignidade e conforto que deveria caber a cada pessoa. O cultivo de flores de plástico é um apelo para que olhemos para os seres invisíveis das nossas cidades.

«No fundo, é isso. Ninguém nos vê. Somos invisíveis. A miséria é uma poção de invisibilidade. Quando as roupas ficam rotas, quando estendemos uma mão, puf, desaparecemos. Somos as pombas dos ilusionistas. Isto dava para um negócio, dava para ganhar a vida com os turistas. Levava-os a ver fantasmas numa cidade assombrada. Levava-os a verem-nos. Olhem, damas e cavalheiros, meninos e meninas, esta é a Lili, tem saudades de ser criança, tem no nariz o cheiro do tabaco nos dedos do pai e crostas nos braços, por aqui, por favor, cuidado com os pés, não pisem as camas, parecem cartões, eu sei, ali ao canto está o couraçado Korzhev, que se deixou ficar, com os ícones na lapela, sigam-me, é um deserto meio russo e traz o barulho do mar nos bolsos, atenção, cavalheiro, saia de cima do cobertor, vejam, ali, ali ao fundo, uma genuína senhora de fato, que ainda há poucos meses andava a alcatifar o mundo, minhas senhoras e meus senhores, e ainda tem na voz restos da vida anterior, do tempo em que havia casas. Palmas, por favor. E eu? Eu sou o Jorge, também invisível como qualquer fantasma, vivo nas ruas. Obrigado, obrigado, e agora, se me permitem, vou comer a minha sopa, que está a arrefecer há tantos anos.»

Sobre o autor:
Afonso Cruz
é o multipremiado autor de romances como Para onde vão os guarda-chuvas ou Jesus Cristo bebia cerveja. Recebeu, entre outros: Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores; Prémio Fernando Namora; Prémio Sociedade Portuguesa de Autores; Prémio Time Out - Melhor Livro do Ano; Prémio da União Europeia para a Literatura; Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco; Prémio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil do Brasil (FNLIJ) e Prémio Literário Maria Rosa Colaço. Assina, desde Fevereiro de 2013, uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias sob o título «Paralaxe». Os seus livros estão traduzidos para mais de vinte línguas.

Opinião: "O Diário do Meu Desaparecimento" de Camilla Grebe

Esta foi uma leitura que me escapou das mãos. Não sei precisar a razão, porque tanto o tema como o local onde se desenrola a ação estão entre os meus favoritos. Gosto de um bom policial nórdico! No entanto, a atmosfera em que nos sentimos imersos ao longo do livro, deixou-me um gosto amargo na boca. 

Não consegui sentir empatia pela dona do diário - a psicóloga comportamental que supostamente estaria a analisar o crime, e que está a sofrer de uma espécie de Alzheimer precoce. E o sentimento de estar a ser sufocada por um manto de neve, quase me fez largar o livro.

Mas mantive-me fiel e continuei. Acabei por descobrir duas personagens mais ricas e verosímeis. Uma delas foi Malin, a jovem polícia que está de regresso à sua vila natal para assistir num caso com dez anos que foi entretanto reaberto. Apreciei sinceramente a dificuldade em gerir os seus sentimentos, quer relativamente à mãe, que ainda vive ali, como à própria vila de Ormberg, de onde Malin sempre tentou fugir.

A outra, não posso dizer para não estragar a leitura a quem for ler o livro. Mas digo apenas que foi uma personagem muito bem explorada pela autora. Um tema bem atual e interessante, principalmente neste contexto de pequena vila.

Confesso que se de início me custou um pouco a leitura, mais para o fim ela apurou-se, e deparei com um desenvolvimento que não estava nada à espera, pelo que a nível de surpresa, tenha de dar a este livro nota máxima. 

É uma leitura que recomendo para os amantes do género, desde que não coloquem as vossas expetativas muito lá em cima, já que, a meu ver, é uma leitura um pouco morna.

Opinião: "Sempre Vivemos no Castelo" de Shirley Jackson

Shirley Jackson foi uma influente autora norte-americana, conhecida pelas suas obras de horror e mistério. Dando continuidade à tradição do gótico americano, iniciado com Poe, as suas histórias inspiraram grandes escritores como Stephen King, Neil Gaiman, ou JOanne Harris.

O culto do sinistro, do mórbido e do patológico, levaram algumas das suas obras até ao grande écran, como por exemplo, A Mansão ou  A Maldição de Hill House, que mais recentemente foi novamente adaptada para o pequeno écran pela Netflix.

Entrei nesta leitura com imensa curiosidade, e na verdade, encontrei exatamente aquilo que fui à procura.

A história é-nos contada pela voz de uma adolescente, meio ingénua para a idade, que nos vai relatando o seu dia-a-dia. Logo desde o início percebemos que há algo estranho no ar, e essa sensação de inquietude não nos larga nunca. Merrycat (Mary Catherine) é uma jovem algo mística, que talvez tenha sido a forma que ela encontrou para fugir da realidade que a rodeia.

O mistério por trás da família Blackwood só nos é revelado mais à frente na narrativa, mas desde cedo percebemos que os remanescentes membros da família são considerados non-gratae pelos restantes habitantes daquele vilarejo. O que aconteceu leva a que ninguém se queira aproximar daquela casa, pelo que quando um horrível acidente acontece, ao invés de tentar ajudar, ainda pioram a situação.

Não posso revelar nada sobre a história, pelo que apenas vos quero deixar com uma impressão, a de que a  autora é uma magnífica contadora de histórias de terror. Com meia dúzia de linhas lidas, já sentimos os cabelos da nuca arrepiados, ficamos inquietos, mas cativados o suficiente para continuar a leitura.

Não me importava nada de ver mais séries de horror inspiradas nas histórias desta senhora!

Opinião: "Fúria Mortal" de Bruno M. Franco

O último livro de Bruno M. Franco é uma obra prima do policial português. Nota-se uma grande evolução desde os dois anteriores (Jogo Mortal e Segredo Mortal), sendo que agora, o autor parece que escreve mais "à seria". 

O tema é interessante, sendo que vai buscar um dos grandes mistérios por resolver da nossa Polícia - o Estripador de Lisboa, e dá largas à sua imaginação.

Gostei imenso dos livros anteriores, do ritmo, das histórias, por muito mirabolantes que fossem as teorias. Este, no entanto, chocou-me. Não estava preparada para tanta violência sexual. Não seria um filme que eu gostasse de ver, confesso. Li porque era o terceiro da saga, mas não saí do outro lado satisfeita. Acredito que esteja em descordo com a grande maioria dos leitores, mas há alturas em que uma leitura pode cair bem, outras em que pode cair mal, o que foi o caso.

Não posso dizer muito mais, pois tudo o resto já se sabe, excelente organização do enredo, ótimos personagens, grande desenvolvimento com um fator de surpresa elevado, o que é excelente para este género de livros. Por isso tirem vocês a prova dos nove, já que o meu marido leu o livro e não tem a mesma opinião que eu.

Continuo a querer ler mais de Bruno M. Franco e espero ansiosamente por um novo livro.


Em destaque: "Olá, Linda" de Ann Napolitano

Poderá o amor curar uma pessoa ferida?
Uma história comovente sobre como é possível amar alguém,
não apesar de quem a pessoa é, mas por causa disso mesmo.

Sinopse:
William Waters cresceu numa casa silenciada pela tragédia, na qual os seus pais mal conseguiam olhar para ele, muito menos amá-lo; mas quando conhece a vivaz e ambiciosa Julia Padavano, é como se o seu mundo se iluminasse. E com Julia vem a sua família, pois ela e as três irmãs são inseparáveis: Sylvie, a sonhadora, é feliz com o nariz enfiado nos livros; Cecelia é um espírito livre, apaixonado pelas artes; Emeline cuida pacientemente de todos eles. Com os Padavanos, William experimenta um novo sentimento: ter um lar, pois cada momento naquela casa é repleto de caos amoroso.

É então que a escuridão do passado de William vem à tona, colocando em risco não apenas os planos cuidadosamente pensados por Julia para o futuro de ambos, mas também a inexorável devoção das irmãs umas pelas outras. O resultado é uma desavença familiar catastrófica que muda irremediavelmente as suas vidas.

Será a inabalável lealdade que outrora os ligava forte o suficiente para voltar a reuni-los quando é mais importante?

Os elogios da crítica:

«Luminoso e magistralmente escrito.» The New York Times

«Um livro comovedor que nos faz querer o melhor para as personagens e seus destinos. Ann Napolitano narra os altos e baixos da vida com uma precisão dolorosa e obriga-nos a contemplar a complexa tapeçaria do amor familiar que, apesar da dor e da perda, pode voltar a unir-nos.» The Washington Post

«Esta magnífica saga familiar é um daqueles raros romances cujas personagens são retratadas de modo tão belo que parecem tornar-se os nossos melhores amigos, e nós sentimo-nos gratos por fazer parte da sua vida.» Oprah Quarterly 

Sobre a autora:
Ann Napolitano
já tinha publicado um bestseller – Dear Edward (inédito em português) – e este Olá, Linda veio consolidar a presença desta autora no lote de nomes a ter em conta nas letras americanas contemporâneas. O seu percurso nesta área vem desde cedo, uma vez que quis ser escritora desde muito cedo, e a arte de narrar acabou por ser para si uma espécie de terapêutica, acabando por formar a sua personalidade e por ajudá-la a superar o negrume com que também gosta de confrontar as suas personagens. Os tempos iniciais do seu percurso foram de frustração, tendo sido rejeitada por 80 agentes literários e dezenas de editoras. Escreveu dois livros que foram largamente ignorados e sofreu pressões familiares no sentido de arranjar uma profissão a sério. Testes psicotécnicos apontavam-lhe uma carreira como guarda florestal. Atravessou períodos de depressão e de dificuldades económicas, chegando a estar privada de seguro de saúde, um indicador de fragilidade máxima numa sociedade sem assistência médica universal. Depois de ter trabalhado no ensino e como secretária pessoal, além de editora numa revista literária, e tendo passado anos a escrever de forma intermitente entre trabalhos, surgiu o primeiro volte-face no seu percurso: o já referido Dear Edward, a história de um rapaz que perde toda a família num desastre de avião, foi arrematado num leilão e tornar-se-ia num inesperado sucesso de vendas, vindo mais tarde a ser adaptado a série pela Apple TV. Para trás, tinham, ficado oito anos de criação do manuscrito, nos intervalos da vida de todos os dias. Com o valor recebido no leilão, Ann Napolitano comprou uma cama nova. Ainda dormia na que tinha herdado dos pais. Tinha 46 anos.
Depois do sucesso alcançado com o terceiro livro, Ann Napolitano publicou Olá, Linda, título que haveria de levar a um telefonema de Oprah Winfrey. Responsável pelo clube de leitura mais influente do mundo, Oprah catapultou definitivamente Napolitano para uma posição de estrelato editorial, transformando de vez a sua vida. Com um sentido de auto depreciação  aguçado, Ann revelou ter recebido a chamada de Oprah enquanto levava o lixo à rua, tendo ficada agarrada ao saco durante todo o tempo de duração do telefonema, receando que a chamada (e a oportunidade) caísse. O que não aconteceu. A carreira literária de Ann está mais do que consolidada, naquele que é um corolário do envolvimento que sentia desde que era jovem leitora: «Houve um momento de solidão, quando era jovem, que me fez reler Mulherzinhas, e essa mesma solidão levou-me à porta de Leah (sua amiga de infância), à cozinha barulhenta da sua família, cheia de histórias antigas e gargalhadas. A companhia daquelas irmãs, tanto reais como fictícias, encheu-me de prazer e conforto.» Depois, foi necessário esperar algumas dezenas de anos até pôr essa experiência romanceada no papel. Ainda foi a tempo.



Em destaque: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Sinopse:
Monza, Itália, 1936. Francesca, de 13 anos, está nas margens do rio Lambro, vergada sob o peso de um homem morto que tentou violá-la. Maddalena, amiga de Francesca, sai da água e ajuda-a a livrar-se do corpo: escondem-no no meio de arbustos. Este momento é um marco inolvidável na relação entre as duas raparigas, que começa um ano antes, quando Francesca se deixa fascinar por aquela a quem todos chamam «a Malnascida»: uma rebelde de origens humildes e com estranhos poderes.

Contrariando a vontade da sua mãe, obcecada pelas convenções sociais burguesas, e ignorando os rumores que atribuem várias mortes à «Malnascida», Francesca junta-se ao seu bando de amigos «problemáticos», ávida por descobrir um modo de vida em absoluta liberdade. Entre as duas amigas, contudo, imiscui-se a guerra e o fascismo. Francesca e Maddalena terão de fazer uma difícil escolha: aliar-se contra a opressão social e a injustiça, ou deixar que o curso da História as separe para sempre.
A Malnascida é o elogiado romance de estreia da italiana Beatrice Salvioni, distinguido com o prémio literário Scuola Holden, criado pelo premiado escritor Alessandro Baricco. Uma inesquecível história de amizade e crescimento, sob o pano de fundo da Itália fascista.
Sobre a autora:
Beatrice Salvioni nasceu em Monza, Itália, em 1995. Formou-se em Filologia Moderna pela Universidade Católica de Milão. Foi aluna da Scuola Holden, dirigida por Alessandro Baricco, e ganhou o Prémio Calvino 2021, com o conto «Il volo notturno delle lingue mozzate», bem como o Prémio Raduga 2021. A malnascida é o seu primeiro romance, com o qual obteve o Prémio Scuola Holden e cujos direitos foram vendidos a trinta e dois editores antes da publicação em italiano. Será adaptado a série televisiva.

Opinião: "Vejam como dançamos" de Leila Slimani

Embarquei nesta leitura porque, após ler dois livros dela, fiquei apaixonada pela escrita de Leila Slimani, e claro, porque este é a continuação do "No País dos Outros", livro que li em 2022 e dei 4 estrelas. No entanto, se o primeiro me agradou, este já não teve o  mesmo efeito. 

Mathilde e Amine têm neste segundo livro uma vida mais estabilizada, e até o seu amor está mais morno, o que é normal com a idade. Cederam em muitos pontos à modernidade, mas o peso da cultura e da tradição, continua colocar-lhes alguns grilhões. Principalmente a Mathilde, que continua a viver entre duas culturas, a sua, alsaciana, e a do país que abraçou, a marroquina.

Neste livro o destaque é portanto dado aos seus filhos: Aicha e Selim. Eles são os filhos da revolução, com a cabeça cheia de ideais. E se um (ela) sabe para onde dirigir o seu foco, o outro (ele) anda meio perdido ao sabor das drogas junto com os hippies europeus que deambulam por terras marroquinas. Esta era uma parte da história dos anos do amor livre que eu não fazia ideia ter acontecido.

Atravessando uma época conturbada, para Marrocos, os Anos de Chumbo (segunda metade de séc. XX) a história desta família está interligada à história deste país. E talvez por sentir que a autora se dedicou um pouco mais à segunda do que à  primeira, acabei por não gostar tanto deste livro como gostei do No País dos Outros. Fico à espera do terceiro para tirar as teimas. 

Mas é sem dúvida uma saga a reter, não só porque Leila Slimani é uma excelente contadora de histórias, com uma escrita admirável, como porque aprendemos imenso sobre a história de Marrocos.


Podem ler a sinopse e até as primeiras páginas deste livro no site da Penguin Random House »» aqui,

Em destaque: "Sempre Vivemos no Castelo" de Shirley Jackson

Sinopse:

Considerado pela crítica uma das obras-primas da literatura norte-americana, Sempre Vivemos no Castelo narra a história da extravagante família Blackwood — ou do que dela restou, após a morte por envenenamento de quase todos os seus elementos à mesa de jantar. 

Constance, uma das filhas, é ilibada do crime, passando a viver isolada na grande casa da família, longe da hostilidade dos habitantes da cidade. Com ela vivem o seu tio inválido, o gato Jonas e a sua irmã, Merricat, uma adolescente ingénua e invulgar que acredita em lobisomens, no poder dos objectos e em palavras mágicas, e que tudo fará para preservar este pequeno e estranho mundo. 

Essa frágil harmonia, contudo, é subitamente rompida com a chegada do primo Charles. Na sua presença, os terríveis acontecimentos do passado voltarão para assombrar os Blackwood, revelando a sua verdadeira face.

Os elogios da crítica:

«Uma mestre maior do terror e do suspense.» The New York Times Book Review

«Shirley Jackson é uma escritora inimitável cujas palavras permanecem connosco durante muito tempo.» Joyce Carol Oates

«Shirley Jackson era uma escritora incrível… Se nunca leram Sempre Vivemos no Castelo ou A Maldição de Hill House, estão a perder uma coisa maravilhosa.» Neil Gaiman

«Shirley Jackson é ímpar na criação de tremores silenciosos, crescentes e excecionalmente bem escritos.» Dorothy Parker

Sobre a autora:

Shirley Jackson (1916–1965) é considerada uma das mais influentes escritoras norte-americanas. Herdeira da grande tradição do gótico americano, iniciada com Edgar Allan Poe, teve uma vida curta, deixando, porém, uma obra que a consolidou como uma das grandes personalidades literárias do século xx. Obteve imediato êxito e fama com a publicação, em 1948, do conto A Lotaria, que, à época, dividiu opiniões e suscitou acesas polémicas. Ao todo, escreveu cinquenta e cinco contos; da sua obra, destacam-se ainda as crónicas familiares Life Among the Savages e Raising Demons, bem como os romances O Homem da Forca, A Maldição de Hill House, adaptado várias vezes para cinema e televisão, e Sempre Vivemos no Castelo.


Opinião: "Uma Rapariga Judia em Paris" de Melanie Levensohn

Por vezes há livros que nos surpreendem. Este foi um deles! 
Não peguei nele mais cedo por sinceramente não me apetecia ler mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, apesar do tema me agradar bastante. Mas estava numa fase pós-férias, cheia de trabalho, em que não me apetecia sequer ler. Ao vê-lo na estante, decidi pegar-lhe, apesar de como disse anteriormente, não me apetecer ler sobre este tema. Ainda bem que o fiz, pois de imediato me senti cativada e saltei fora do marasmo literário em que me encontrava.

Dei uma espreitadela à sinopse e gostei logo da premissa: uma mulher canadiana, que vive em Washington, EUA, deseja descobrir alguma  informação sobre uma meia-irmã que vivia em Paris por altura da invasão dos alemães. Quem lhe vai valer é uma mulher mais jovem que se encontra a braços com uma crise romântica e laboral. E parti à aventura!

Gostei muito da forma como a história está disposta. A escrita da autora é clara e cativante, mesmo convidativa a continuar a ler. E o facto da narrativa saltitar entre duas épocas, ajuda a aliviar o peso de cada uma das partes. Parecem dois livros num só! Mas tudo acaba por se entrelaçar, e apesar de o final ser pura ficção, gostei de saber que parte da história era verdadeira.

É um livro bem pensado, e perfeito para gosta de um pouquinho de romance, misturado com História. Recomendo!