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Opinião: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Que livraço!!! Adorei cada pedacinho. Fez-me lembrar um pouco as histórias de Elena Ferrante, sim, mas mais as de Rosa Ventrello, que li há alguns anos. Se não conhecem, não deixem de ler.

Regressando a Beatrice Salvioni, que escritora! Como é que uma jovem de 28 anos tem tanto saber, tanta idade dentro de si!?! É sem dúvida uma autora que não quero perder de vista e que para mim, já provou o seu valor. Adorei A Malnascida.

Este livro conta-nos a história da amizade entre duas raparigas, naquela fase tão difícil entre o ser criança e ser adolescente. Passa-se em Itália nos anos 30, tendo como pano de fundo as vidas de extrema pobreza em contradição com as de grande desafogo monetário, apoiantes do fascismo de Il Duce. 

Malnascida (Maddalena) é um pássaro livre. Vinda de uma família pobre, herdou a sua alcunha devida a alguns azares na sua curta história, mas como o que não nos mata torna-nos mais fortes, ela é resiliente, atenta e desafiadora. Estas características fascinam Francesca, uma menina de boas famílias, que vive fechada numa redoma. Contra os pais desta última, elas vão tornar-se amigas inseparáveis, e é o seu dia-a-dia que vamos acompanhando ao longo do livro.

Mas a vida dos adultos vista pelos olhos dos mais jovens é sempre dilacerante, e as duas amigas vão crescendo à força, ajudando-se mutuamente a enfrentar as dores desse crescimento. O seu círculo de amigos, também eles com as suas histórias, enriquecem a narrativa, e desde cedo sentimos que fomos fisgados. É uma leitura vertiginosa, que não conseguimos pousar.

Adorei este livro. É sem dúvida um dos melhores do meu ano literário!

Em destaque: "A malnascida" de Beatrice Salvioni

Sinopse:
Monza, Itália, 1936. Francesca, de 13 anos, está nas margens do rio Lambro, vergada sob o peso de um homem morto que tentou violá-la. Maddalena, amiga de Francesca, sai da água e ajuda-a a livrar-se do corpo: escondem-no no meio de arbustos. Este momento é um marco inolvidável na relação entre as duas raparigas, que começa um ano antes, quando Francesca se deixa fascinar por aquela a quem todos chamam «a Malnascida»: uma rebelde de origens humildes e com estranhos poderes.

Contrariando a vontade da sua mãe, obcecada pelas convenções sociais burguesas, e ignorando os rumores que atribuem várias mortes à «Malnascida», Francesca junta-se ao seu bando de amigos «problemáticos», ávida por descobrir um modo de vida em absoluta liberdade. Entre as duas amigas, contudo, imiscui-se a guerra e o fascismo. Francesca e Maddalena terão de fazer uma difícil escolha: aliar-se contra a opressão social e a injustiça, ou deixar que o curso da História as separe para sempre.
A Malnascida é o elogiado romance de estreia da italiana Beatrice Salvioni, distinguido com o prémio literário Scuola Holden, criado pelo premiado escritor Alessandro Baricco. Uma inesquecível história de amizade e crescimento, sob o pano de fundo da Itália fascista.
Sobre a autora:
Beatrice Salvioni nasceu em Monza, Itália, em 1995. Formou-se em Filologia Moderna pela Universidade Católica de Milão. Foi aluna da Scuola Holden, dirigida por Alessandro Baricco, e ganhou o Prémio Calvino 2021, com o conto «Il volo notturno delle lingue mozzate», bem como o Prémio Raduga 2021. A malnascida é o seu primeiro romance, com o qual obteve o Prémio Scuola Holden e cujos direitos foram vendidos a trinta e dois editores antes da publicação em italiano. Será adaptado a série televisiva.

Opinião: "Vejam como dançamos" de Leila Slimani

Embarquei nesta leitura porque, após ler dois livros dela, fiquei apaixonada pela escrita de Leila Slimani, e claro, porque este é a continuação do "No País dos Outros", livro que li em 2022 e dei 4 estrelas. No entanto, se o primeiro me agradou, este já não teve o  mesmo efeito. 

Mathilde e Amine têm neste segundo livro uma vida mais estabilizada, e até o seu amor está mais morno, o que é normal com a idade. Cederam em muitos pontos à modernidade, mas o peso da cultura e da tradição, continua colocar-lhes alguns grilhões. Principalmente a Mathilde, que continua a viver entre duas culturas, a sua, alsaciana, e a do país que abraçou, a marroquina.

Neste livro o destaque é portanto dado aos seus filhos: Aicha e Selim. Eles são os filhos da revolução, com a cabeça cheia de ideais. E se um (ela) sabe para onde dirigir o seu foco, o outro (ele) anda meio perdido ao sabor das drogas junto com os hippies europeus que deambulam por terras marroquinas. Esta era uma parte da história dos anos do amor livre que eu não fazia ideia ter acontecido.

Atravessando uma época conturbada, para Marrocos, os Anos de Chumbo (segunda metade de séc. XX) a história desta família está interligada à história deste país. E talvez por sentir que a autora se dedicou um pouco mais à segunda do que à  primeira, acabei por não gostar tanto deste livro como gostei do No País dos Outros. Fico à espera do terceiro para tirar as teimas. 

Mas é sem dúvida uma saga a reter, não só porque Leila Slimani é uma excelente contadora de histórias, com uma escrita admirável, como porque aprendemos imenso sobre a história de Marrocos.


Podem ler a sinopse e até as primeiras páginas deste livro no site da Penguin Random House »» aqui,

Em destaque: "Mrs. March" de Virginia Feito

Um romance de estreia engenhosamente perturbador, povoado de mistérios e escrito com assinalável domínio narrativo: Virginia Feito entretece o virtuosismo de Patricia Highsmith com o génio de Virginia Woolf, e afirma-se como uma grande escritora.

Sinopse:

George March acaba de publicar um novo romance cujo sucesso é retumbante. Entre todos os que gravitam em torno do escritor, não há ninguém mais orgulhoso do que Mrs. March, esposa solícita, sempre pronta a festejar os êxitos do marido e a usufruir do estilo de vida sofisticado que ele lhe proporciona. Criatura de rotinas e recato, Mrs. March compraz-se na sua vida requintada, num bairro de classe alta em Nova Iorque.

Todas as manhãs no Upper East Side começam de forma igual, com a visita diária à sua confeitaria preferida, para comprar pão de azeitonas. Até que, numa dessas visitas, Mrs. March é confrontada, pela empregada da confeitaria, com uma absoluta indignidade: a suposição de que a protagonista do novo livro de George March - uma patética trabalhadora sexual, que inspira mais escárnio do que desejo - se baseia na própria Mrs. March.

Um único comentário será suficiente para privar Mrs. March do seu pão de azeitonas, mas também da convicção de que sabia tudo sobre o marido, e até sobre si mesma. Começa aqui uma espiral de suspeitas e inquietações cada vez mais paranóicas, que talvez venha a revelar um misterioso assassínio e certos segredos do passado de Mrs. March, há muito enterrados.

Críticas de Imprensa:
«Um romance cheio de referências literárias, com piscadelas de olho a Mrs. Dalloway, de Woolf, e ainda a Highsmith e a Hitchcock. Perversamente divertido.» The Guardian

«Absolutamente brilhante: uma leitura imersiva que mantém o leitor em suspense até à última palavra.» El Cultural

«Um livro muito entusiasmante. Longa vida literária a Virginia Feito.» Babelia

«Ao configurar este romance como um thriller que analisa o modo como as mulheres são relegadas ao espaço doméstico e os homens acedem a carreiras profissionais e devaneios criativos, Virginia Feito abre caminho para que a protagonista Mrs. March tenha o seu momento de evasão e fantasia. Brilhante.» Observer

«Magistral, poderoso e aterrador, de leitura compulsiva, escrito com uma prosa ágil e fresca, e com um domínio perfeito da estrutura narrativa e do ritmo.» El Confidencial

«Um romance de estreia que conheceu um êxito tão inesperado como real. […] Virginia Feito afirma-se com toda a estridência do mundo.» El País

«Virginia Feito é a nova dama do thriller. Um romance deslumbrante e uma miraculosa estreia literária.» La Razón

Sobre a autora:
Virginia Feito nasceu em Madrid, em 1988, e cresceu entre Paris e a capital espanhola. Estudou Inglês e Teatro na Queen Mary University, em Londres.
Mrs. March é o seu primeiro romance, já traduzido em Espanha, França e Itália, e destacado como um dos melhores livros do ano em vários meios de comunicação: The TimesOprah DailyEvening StandardThe Independent, entre outros.

Opinião: "As Primas" de Aurora Venturini

Que livro! Que história! Que maneira tão singular e graciosa de se falar sobre a desgraça. 

Yuna, a narradora desta história, tem dificuldades cognitivas. Escreve sem medos mas também sem pontuação, porque lhe causa muita aflição, e nós alguma dificuldade para a ler. Agarra-se ao dicionário, e utiliza palavras complicadas, mas com alguma desenvoltura. E ao longo da narrativa vamos percebendo a sua evolução através da escrito. Absolutamente genial! A palavra falada para ela, é um pesadelo, minando desde cedo todas as hipóteses de uma vida social. No entanto, Yuna revela se uma prodigiosa pintora, e a sua arte a todos conquista, colmatando aos poucos as ditas dificuldades sociais. É encantador acompanhar a evolução de Yuna. Uma personagem singular e extraordinária.

Yuna conta-nos a história da sua família, da sua irmã e das suas primas, também elas possuidoras de malformações genéticas, deficiências de vários níveis. O discurso de Yuna, que inicialmente nos choca, depois nos encanta. Ela conta-nos tudo sem pudor, com a respetiva inocência de uma jovem impúbere, sem a malícia que certas palavras só por si contêm.

A prima Petra, uma liliputiana que trabalha como prostituta desde a adolescência, ajuda-a a entender as coisas. Explica-lhe sobre a vida e a morte, sobre sexo. E Yuna entende. E toma decisões para a sua própria vida. E fala-nos com a mesma simplicidade sobre o bolo de aniversário da irmã, como da morte terrível da tia Nenê, do assassinato de um vizinho ou da violação de uma das primas. Não há meios-termos. Apenas factos. Não há espaço para a bondade, nem para reflexões demasiado profundas. Apenas a frieza da vida tal como ela é. E nisso se encontra a beleza da voz de Yuna. Nunca a voz de uma narradora deixou tão grande marca em mim. Yuna é um ser especial.

"As Primas" é um livro portentoso. Chocante. A velocidade da narrativa, quase sem pausas (porque fazem confusão a Yuna), leva-nos a correr história fora, quase sem respirar, nem acreditando no que estamos a ler, de tão assombroso que é. Adorei esta leitura. É sem dúvida um livro que recomendo e uma história que dificilmente irei esquecer.

P.S. Mas a história das primas iguala, pelo menos em singularidade, a história do livro propriamente dito. Em 2007 um jornal argentino decidiu lançar um concurso para autores latino-americanos chamado "Nueva Novela". Quinhentas obras foram submetidas, e a premiada, que submeteu "As Primas" sob o pseudónimo de Beatriz Portinari, surpreendeu todos os jurados, revelando ser uma senhora de 85 anos, com mais de 30 livros escritos ao longo da vida, sem que ninguém tivesse reconhecido o seu talento literário. Na cerimónia de entrega do prémio apenas comentou: "Por fim, um júri honesto."

Opinião: "Lucy à Beira-Mar" de Elizabeth Strout

Lucy Barton é uma das personagens centrais da obra de Elizabeth Strout. São já quatro os livros publicados em Portugal com Lucy na personagem principal. Li os quatro e adorei. 

Adoro a escrita desta autora. Escreve com uma simplicidade camuflada, e a voz da personagem principal a soar-nos tão real que até parece que estamos a ler o seu diário.

Lucy é uma personagem maravilhosa. Com uma infância / adolescência difícil, ela é uma adulta simultaneamente frágil e guerreira. As suas considerações sobre os que a rodeiam, sobre o mundo, sobre as suas incertezas, os seus medos, refletem o que tantos de nós guardam e calam na alma. 

Neste livro Lucy aparece-nos um pouco mais frágil, mais envelhecida. Talvez seja porque a história aborda uma altura difícil pela qual todos passámos recentemente - o período Covid. Foi muito interessante acompanhar a perceção de Lucy, e também do povo americano em geral, sobre a pandemia. Um pouco como nós em Portugal, mas um pouco diferente também. 

Gostei muitíssimo que a autora tivesse escolhido dar voz a Lucy sobre este tema. Ela (Lucy) é uma mulher introspetiva, e as suas reflexões são uma verdadeira delícia de descobrir. Ela tenta colocar-se frequentemente na pele dos outros, o que é algo que devíamos fazer mais amiúde, não só para os compreender melhor, como para os aceitar mais facilmente. E muitos dos seus pensamentos refletem aquilo que muitos de nós pensaram durantes estes tempos conturbados. Muitas das suas experiências também. Foi bom conseguir ver isto à distância.

Fiquei a pensar numa coisa que ela disse no livro:

"E, então, este pensamento atravessou-me a mente:

Estamos todos em confinamento, a tempo inteiro. Só não temos noção disso.

Mas fazemos o melhor que podemos. A maior parte de nós está só a tentar aguentar-se o melhor possível."

Mais um excelente livro de Elizabeth Strout. Mais um que não desilude. Adorei. Recomendo.

Opinião: "No País dos Outros" de Leïla Slimani

Até este momento exato, achava que tinha gostado imenso da história que Leila nos conta, mas que me parecia ter ficado incompleta. Pelos vistos, O País dos Outros é o primeiro livro de uma trilogia, e assim faz mais sentido.

Nunca tinha lido nada desta autora, que tanto se tem vindo a falar nos últimos tempos. Decidi experimentá-la, e confesso-vos, fiquei encantada. A sua escrita é de uma delicadeza que por vezes contrasta com a dureza dos acontecimentos. Neste livro ela retrata a vida de uma mulher francesa, recém casada, que após o fim da guerra, deixa o seu país para se juntar ao seu marido Amine, em Marrocos.

A vida que encontra como mulher de um agricultor é completamente diferente à que estava habituada e Mathilde, assim é o seu nome, percorre o seu caminho como mulher e mãe, sempre dividida entre dois mundos. O pano de fundo é terrível. Inicialmente tem de se impor e integrar numa família marroquina num país governado por franceses, que se acham superiores aos locais. Mais tarde, aquando da revolução, volta a encontrar-se numa posição periclitante, já que as suas origens francesas a comprometem.

A par e passo com a sua vida e a da sua família, vamos conhecendo um país de uma imensa riqueza cultural, que sofreu imenso à mão de outros e com muito que aprender. 

Leila Slimani é uma autora francesa de origens marroquinas, e escreveu esta história com base na história da sua própria avó. É uma saga que promete e que espero continuar a ler. Gostei muitíssimo. Recomendo.

Em destaque: "O País dos Outros" de Leïla Slimani

Da aclamada autora franco marroquina Leïla Slimani, uma atmosférica e inquietante saga familiar que põe em relevo uma mulher enredada entre duas culturas, dividida entre a dedicação à família e o amor à liberdade com que cresceu.

Sinopse:
Em 1944, Mathilde, uma jovem alsaciana, apaixona-se por Amine, um oficial marroquino que combate no exército francês durante a Segunda Guerra Mundial. Terminada a guerra, o casal muda-se para Marrocos e instala-se perto de Meknés. Amine dedica-se a recuperar a quinta herdada do pai, tentando arrancar frutos de uma terra pedregosa e estéril.

Enquanto isso, Mathilde começa a sentir o jugo dos costumes conservadores do novo país, tão sufocante quanto o seu clima. Nem a maternidade apaga a solidão que sente no campo, longe de tudo, num lugar que não é o seu e a verá sempre como estrangeira.

Sobre a autora:
Leïla Slimani nasceu em 1981, em Rabat, Marrocos, numa família de expressão francófona. Aos 17 anos partiu para Paris, onde estudou Ciências Políticas. Antes de se dedicar à escrita, trabalhou como jornalista. Publicou o primeiro romance — No jardim do ogre — em 2014 e obteve imediato reconhecimento da crítica e dos leitores, conquistando o Prémio Mamounia. Canção Doce reconfirmou o seu papel nas letras francesas e valeu-lhe a atribuição do prestigiado Prémio Goncourt, o mais importante prémio literário francês. Publicado em mais de quarenta países, e com mais de um milhão de leitores espalhados pelo mundo, Canção doce foi adaptado ao cinema e foi eleito um dos dez livros do ano pelo New York Times Book ReviewO País dos Outros é o seu terceiro romance e venceu o Grand Prix de l’Héroine Madame Figaro. Além dos romances, Leïla Slimani tem publicados vários livros de ensaio e opinião, a par da sua atividade cívica em defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Liderou uma campanha para ajudar as mulheres marroquinas a reclamar os seus direitos, o que lhe valeu o Prémio Simone de Beauvoir para a Liberdade das Mulheres. Os seus três romances estão publicados em Portugal na Alfaguara.

Opinião: "A Outra Metade" de Brit Bennett

Não sei muito bem porque peguei neste, mas em boa hora o fiz pois foi uma leitura fenomenal. Ao que parece não é o primeiro livro da autora. The Mothers foi o seu romance de estreia e adorava que fosse publicado em Portugal. 

"A Outra Metade" é uma história fenomenal e extraordinariamente bem escrita. Nota-se que cada ação é calculada com peso e medida, de forma a ter o impacto correto no leitor. Julgo que esta Brit Bennett, como se diz na gíria, não dá ponto sem nó. As personagens são inesquecíveis, reais, pungentes. Fascinam-nos, conquistam-nos e mantêm-nos cativos até ao fim. Depois a complexa trama familiar, a separação das gémeas, a própria vila onde se desenrola grande parte da ação, tudo nos impele a fazer parte da história, nem que seja do ponto de vista do observador. É fascinante.

O tema da raça é abordado neste romance. Mas não é tão linear como normalmente se espera, o que é refrescante e surpreendente. A verdade é que coloca diversas questões que nos fazem pensar. Queria poder dizer-vos mais, mas não posso. Teria de entrar em modo spoiler, o que por regra pessoal não faço aqui no blog.

Mas leiam a sinopse. E depois leiam o livro. Britt Bennet é um nome que de certeza iremos ouvir mais vezes no futuro. 

Adorei esta leitura. A saga familiar mais viciante deste ano que não consegui parar de ler! Coloquei-me imensas perguntas e debati-o com alguns amigos. Afinal, um bom livro é mesmo assim. Faz-nos falar dele non stop. Recomendo.

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Deixo-vos a sinopse:

As gémeas Stella e Desiree Vignes, tão idênticas de feições quanto diferentes de feitio, nasceram para contrariar a profecia. 
Geração após geração, a comunidade negra desta pequena localidade, no Estado sulista de Luisiana, esforça-se por aclarar o tom da sua pele, favorecendo os casamentos mistos. Desiree e Stella são disso um bom exemplo, com a sua pele «cor de areia húmida», olhos castanho-avelã e cabelo ondulado. Mas a aparência não basta para as livrar do estigma, e acabam por assistir à morte violenta do pai, à humilhação da mãe depois disso.

Aos dezasseis anos, escolhem fugir juntas da terra sufocante. Pretendem escapar ao seu sangue e libertar o seu futuro. Mas a fuga para Nova Orleães acaba por ditar o afastamento das irmãs, até então inseparáveis.

Catorze anos mais tarde, Desiree volta à casa materna, arrastando pelas ruas poeirentas da terra uma filha de pele «negra como o alcatrão», que atrai todos os olhares do lugarejo retrógrado. Stella, por seu lado, tem a vida construída numa mentira: vive na Califórnia, faz-se passar por branca, e o marido nada sabe do seu passado.

Apesar de tantos quilómetros e tantas mentiras a separá-las, os destinos das gémeas estão inevitavelmente entrelaçados. E voltarão a cruzar-se, porque é impossível renegar a metade que nos pertence.

Na saga desta família que atravessa quatro décadas e vários Estados, Brit Bennett cria uma história de apelo universal e intemporal. Não se detendo no inevitável tema central da raça e da identidade, A Outra Metade reflecte sobre o peso do passado no presente, pondera as consequências e os limites da reinvenção pessoal e oferece uma meditação poderosa sobre a família e a liberdade individual.

Um romance sensual, envolvente e inquietante, de uma das grandes revelações da literatura americana dos últimos tempos.

Opinião: "Tudo é Possível" de Elizabeth Strout

Comecei a ler este livro algo entusiasmada, pois tinha lido "O Meu Nome é Lucy Barton" e adorei. E o género mantém-se: a dissecação das emoções que uma pessoa sente ao tentar compreender-se a si e aos que a rodeiam. Algo em que Elizabeth Strout se tornou mestre. No entanto, e ao contrário do primeiro, não consegui ligar-me à narrativa. Talvez por não haver um fio condutor como no outro livro, e cada capítulo ser praticamente uma história separada. Ou talvez, como tantas vezes: livro certo, altura errada.

Bem, em "Tudo é Possível" a autora dedica-se a contar as histórias de algumas pessoas da mesma vila de Lucy Barton, incluindo as dos seus irmãos. É interessante regressar à vila de Amgash no Illinois, uma pequena vila no interior dos EUA, e reconhecer nalgumas daquelas pessoas, personagens que figuraram no livro de Lucy, nas suas recordações de menina, e nas conversas com a mãe.

Neste livro, cada capítulo é dedicado a uma personagem (ou família). Simultaneamente são abordados diversos temas como a pobreza extrema, a educação (ou a falta dela), a diferença de classes sociais, problemas comuns a tantas vilas do interior dos EUA. 

São histórias complexas, muito tristes, algumas quase absurdas... e plenas de melancolia, muita melancolia. O que talvez me tenha condicionado a leitura. Não que eu queira ler livros bonitinhos e cor-de-rosa. Não. Apenas não gostei do sabor com que fiquei na boca. Um travo agridoce. 

Mas é uma leitura que fica. Sem dúvida que fica. E deixa-me querer ler mais livros de Elizabeth Strout.


Deixo-vos a sinopse:

Depois do sucesso de O Meu Nome É Lucy Barton, Elizabeth Strout regressa com um mosaico delicado da vida de todos os dias, um retrato íntimo das pessoas comuns que tentam entender-se e entender os outros, esforçando-se por ultrapassar o sempre crescente abismo entre o desejar e o ter.

Lançando um olhar sobre as ambiguidades e ambivalências da alma humana, Tudo É Possível é um hino à sensibilidade e à compaixão.

Opinião: "O Enigma do Quarto 622" de Joël Dicker

Foi o primeiro livro que li deste autor, e atenção, que valente estreia! Uma lufada de ar fresco na ronda dos policiais. Sim senhora, este homem sabe escreve, inventar, dar a volta, rodopiar e fazer o pino. Meu Deus! 

Não sabia o que ía encontrar, mas sabem, veio mesmo a calhar, pois sentia-me a precisar algo diferente... (Ambrósio?) 

E realmente, o Sr. Joël Dicker entregou-mo. 

É uma história com várias histórias que se entrelaçam entre si, e que até acho que devem ter um pouco de verdade, como todos os bons autores o fazem. Uma pessoa começa a ler, e de repente já passou não sei quanto tempo e já vamos nas cento e tal páginas. Fulminante, a escrita deste autor. 

O livro podia ser um pouco mais pequeno, porque andar para trás e para a frente com aquelas seiscentas e tal páginas, por muito entusiasmantes que sejam, é cansativo. Mas de cada vez que o abria e começava a ler, a minha mente voava para onde o autor me levasse e tudo o resto fugia, inclusive o tempo. 

Há quem diga que este é o pior livro deste autor, e se assim é, tenho mesmo de ler outro rapidamente. Dizem também que é uma homenagem ao seu editor, Bernard de Fallois, recentemente falecido, e na verdade, fiquei a desejar ter conhecido tal personagem, pois parece-me ter sido um homem fascinante. 

Para mim o verdadeiro enigma deste livro é que se assemelha a uma escada em caracol, que nos leva a diferentes pisos onde existe informação importantíssima sobre a própria história. E a cereja no topo do bolo é sem dúvida o último piso. Deslumbrem-se. E mais não digo. ;)

Em destaque: "O Enigma do Quarto 622" de Joël Dicker

Um mistério vertiginoso! Joël Dicker está de volta com o romance mais pessoal de sempre.

Sinopse:
Numa noite de dezembro, um cadáver jaz no chão do quarto 622 do Palace de Verbier, um luxuoso hotel nos Alpes suíços. A morte misteriosa ocorre em plena festa anual de um prestigiado banco suíço, nas vésperas da nomeação do seu presidente. A investigação policial nada conclui e a passagem do tempo leva a que o caso seja praticamente esquecido.

Quinze anos mais tarde, o escritor Joël Dicker hospeda-se nesse mesmo hotel para recuperar de um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor. Ao dar entrada no hotel para o que esperava ser uns dias de tranquilidade e inspiração, não imaginava que acabaria a investigar esse crime do passado. Não o fará sozinho: Scarlett, uma bela mulher hospedada no quarto ao lado do seu, acompanhá-lo-á na resolução do mistério, ao mesmo tempo que vai decifrando a receita para escrever um bom livro.

O que aconteceu naquela noite de Inverno no Palace de Verbier?
Que crime terrível teve lugar no quarto 622?
E porquê?
Estas são as perguntas-chave deste thriller veloz, construído com a habitual mestria de Joël Dicker, que pela primeira vez nos leva ao seu país para narrar uma história surpreendente.

Um triângulo amoroso, jogos de poder, traição e inveja - nada falta a esta intriga magnética, em que a verdade é muito diferente do que imaginávamos.

Sobre o autor:
Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. A verdade sobre o caso Harry Quebert é o seu segundo romance, com o qual arrecadou vários prémios: Prix de la Vocation Bleustein-Blanchet, o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para Melhor Romance em língua francesa. O seu primeiro romance, Les derniers jours de nos pères, venceu o Prémio dos Escritores de Genève. O desaparecimento de Stephanie Mailer é o seu quarto romance e confirma a mestria de Dicker no género do mistério literário.

Em destaque: "O Livro dos Baltimore" de Joël Dicker

Sinopse: 
Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os de Baltimore e os de Montclair.
O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão e encarna a imagem da elite americana. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. Tudo isto se transforma com o Drama.
Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, Marcus Goldman procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família.
O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?

Sobre o autor: 
Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. A verdade sobre o caso Harry Quebert é o seu segundo romance, com o qual arrecadou vários prémios: Prix de la Vocation Bleustein-Blanchet, o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para Melhor Romance em língua francesa. O seu primeiro romance, Les derniers jours de nos pères, venceu o Prémio dos Escritores de Genève.