Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Conceição Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Conceição Silva. Mostrar todas as mensagens

Opinião: "Árvores Tombadas" de Rui Conceição Silva

Mais um livro excecional pela mão deste autor que já me conquistou há alguns livros atrás.

As palavras que lhe saem da pena são pura poesia e as histórias, ecos de um passado ainda tão presente.

Alternando o narrador conforme nos viramos para ouvir este ou aquele pensamento, é uma história de desamores, tristezas e mágoas, de vidas duras no Portugal profundo dos anos 40. 

A riqueza da construção das suas personagens, faz-nos esquecer o destino, e obriga-nos a apreciar a viagem. Os acontecimentos sucedem-se, e o nosso coração reluz de nostalgia, senão por uma época, pelo menos por um lugar onde o céu era mais azul.

Foi uma leitura que me deu imenso prazer. As palavras de Rui Conceição Silva são palavras a não perder de vista.

Bem haja!


Podem ler a sinopse e comprar o livro aqui.

Opinião: "Deste Silêncio em Mim" de Rui Conceição Silva

Dos três livros que já li deste autor, "Deste Silêncio em Mim" é capaz de ser o mais intimista. Não sei se a história se baseia na vida de alguém próximo do autor, quiçá o próprio, mas tem de certeza muitos pedaços de verdade. É que ao ler esta história somos arrastados para um tempo e um lugar, que só com conhecimento de causa se poderia descrever assim, com tanta alma, com tanto amor.

E é isso que me leva a ler Rui Conceição Silva. Os seus livros têm a nostalgia dos tempos idos, a voz das crianças de que todos fomos, e a saudade de um tempo sem fim.

Simultaneamente, o autor consegue abordar temas tão característicos da vivência portuguesa da segunda metade do século passado, o analfabetismo de quem trabalha os campos, sem necessidade de dar cor às letras, a simplicidade da vida, a pobreza extrema da gente que vive da terra, a imigração para as grandes cidades e a consequente desertificação do interior.

Está lá tudo. A história de uma família de pastores, pobre e humilde, e de um dos seus filhos que decidiu seguir o conselho do avó e procurar outras paragens. É também a história do homem que venceu na cidade, mas soube regressar à sua montanha em busca do perdão e encontrou uma vida mais simples e mais feliz.

A escrita de Rui Conceição Silva é uma delícia. Cada frase quase um poema. As suas personagens são infinitas. Dificilmente as esquecerei. Este é um livro que recomendo para uma leitura calma, num ambiente bucólico, com os pássaros a cantar e a ouvir o vento nas árvores.

Parabéns, Rui. Mais uma excelente obra!

P.S. Não posso deixar de mencionar a editora Visgarolho, da qual esta é a sua primeira publicação, e dar os meus parabéns pela excelência do seu trabalho. 

Em destaque: "Deste Silêncio Em Mim" de Rui Conceição Silva

Quantos silêncios e quantos sonhos cabem no peito de um homem?

Sinopse:
Nascido para ser pastor, Rodrigo viveu a infância com os seus pais e irmãos numa velha cabana isolada na montanha, tendo desde cedo aprendido o silêncio, bem como a dor e a saudade, pela morte do irmão mais velho na guerra do ultramar. Os seus melhores dias foram passados na montanha com o avô Josué, a quem chamavam Celtibero, e na escola primária, onde conheceu os primeiros amigos e se deixou enfeitiçar por uma moira encantada. Rodrigo sonhava para si uma vida diferente, o avô incentivava-o a contrariar um destino que parecia certo, incitava-o a partir e correr mundo. Ouviu palavras idênticas a um homem que apareceu na montanha a tocar um tambor para os ancestrais.  Um homem que se viria a revelar primordial na sua vida, quando dilacerado pela angústia de ter de tomar uma decisão, foge de casa para viver na cidade grande, sem nunca mais dar notícias à família. Num mundo de cimento e rostos fechados, Rodrigo aprende que a solidão pode estar em todos os lugares, ainda que rodeado de gente. É salvo pelo amor que encontrou junto da rapariga que guardava no seu coração desde a infância. Volta à sua montanha, muitos anos depois, aquando da morte da sua mãe.  Voltará a tempo do tão desejado perdão? Saberá a sua montanha dar-lhe a paz que tanto procurou?   Num tom poético e intimista, este é um romance com personagens inesquecíveis, que nos fala diretamente à criança que já todos fomos, relembrando-nos verdades simples e preciosas.

Sobre o autor:
Rui Conceição Silva nasceu em 1963, em Figueiró dos Vinhos, onde reside.
É casado, tem dois filhos e dois netos, que fazem dele uma das pessoas mais ricas do mundo. Apesar de ter vivido em grandes cidades, é na sua terra que se sente completo. No convívio com a natureza e com as pessoas das aldeias e das pequenas vilas em redor encontra a inspiração para os seus livros.
Reformado da banca, sobram-lhe finalmente horas para os seus prazeres maiores: ler, escrever, ouvir o chilrear dos pássaros, sofrer com jogos da bola e saborear um bom prato de bacalhau.
A criança que esconde no peito acredita que os livros são coisas vivas. Que, quando a noite cai, falam uns com os outros nas bibliotecas, contando histórias de nós, os simples mortais. Afinal, a vida é um livro em aberto, onde acontecem muitas das palavras do mundo.

Deste Silêncio em Mim é o seu terceiro romance, depois de Quando o Sol Brilha (2015) e Dei o Teu Nome às Estrelas (2018).

"Dei o Teu Nome às Estrelas" de Rui Conceição Silva (Opinião)

Antes de escrever seja o que for, tenho de agradecer ao autor pela homenagem prestada às terras que tão bem descreve e aos pintores que me levou a conhecer tão pormenorizadamente. Isto para além de nos ter brindado com uma história de amor lindíssima, daquelas que nos trazem as lágrimas aos olhos e nos amolecem o coração. Obrigada, Rui. 💚

Após ter ficado encantada com o livro "Quando o Sol Brilha", voltei a encantar-me com este "Dei o teu nome às estrelas". Dei por mim a passear por terras que descobri há uns anos e que em 2017 foram devastadas pelos incêndios. Figueiró dos Vinhos, Pedrogão Grande, Ribeira de Age, Fragas de São Simão, e por aí fora... Vilas, aldeias e lugares portugueses que pertencem a um mundo à parte, longe do rebuliço dos turistas e do litoral, representam o que Portugal ainda conserva de mais puro e genuíno.

Campanário de Figueiró, José Malhoa, 1908
E foi exatamente a pureza das terras e das gentes que conquistou igualmente os pintores José Malhoa e Manuel Henrique Pinto, adeptos do Naturalismo, ou seja, um movimento na Literatura e nas Artes Plásticas, que se traduz num radicalismo do Realismo, em que se dá mais importância à representação fiel da natureza em detrimento da imaginação ou criatividade. 
(Não sou grande especialista em Arte, pelo que espero ter conseguido passar a ideia corretamente. Que me corrijam os entendidos no assunto, caso esteja para aqui a escrever disparates.)

Embraçar cebolas, José Malhoa, 1896
Bem, para quem quer saber do livro em si, desenganem-se se pensam que tudo o que vos falei acima, contribui para o tornar maçudo ou desinteressante. Muito pelo contrário! É absolutamente maravilhoso, cativante e interessantíssimo. E a forma como o autor entrelaçou a vida de pessoas que foram reais com personagens ficcionadas, é fabulosa! Para além do mais, esta história está maravilhosamente bem escrita, com a fluidez característica do autor, sendo que os meus post-its levaram um grande sumiço graças a este livro. Podem ver o resultado: uma lombada colorida a anunciar as pérolas escritas por Rui Conceição Silva.

Resumindo, convido-vos a ler este livro de coração aberto, e a apaixonarem-se pela região retratada e pela escrita deste autor tão português. 

À sombra da parreira, José Malhoa, 1914

Em destaque: "Dei o teu nome às estrelas" de Rui Conceição Silva

A vida passa, o tempo escasseia, o amor prevalece.

Sinopse:

Em 1883, numa terra como tantas outras, perdida na imensidão das serras e longe dos olhares do mundo, vivia Joaquim, professor e narrador desta história, um homem sem alento, esperando por tempos que não vinham. 

Contudo, nesse ano, chegam à terra duas pessoas que irão mudar a sua vida para sempre: José Malhoa e Manuel Henrique Pinto, semeadores de maravilhas. É com eles, e com outros caminhantes, que Joaquim encontrará o lado bonito da sua terra, qual paraíso escondido entre montanhas.

Um dia, ele escuta a voz de Olinda, a mulher que lhe seduz os silêncios e os sonhos, e fica preso a esse amor, o único que guardará eternamente.

Sobre o autor:
Rui Conceição Silva nasceu em 1963 em Figueiró dos Vinhos, onde reside. É casado e tens dois filhos. Apesar de ter vivido em Coimbra, Tavira e Lisboa, é na sua terra que se sente completo. Escreveu um primeiro romance, Quando o Sol Brilha (2015), onde fala da saudade triste da perda de alguém que se ama, mas também da reconciliação necessária com a vida e com toda a sua beleza. Dei o Teu Nome às Estrelas é o seu segundo romance.

"Quando o Sol Brilha" de Rui Conceição Silva (opinião)

Há algo de especial em ler um livro que foi originalmente escrito na nossa língua mãe. É que não há comparação, mesmo que a tradução seja muito boa. E quando um livro está tão bem escrito como este que agora terminei, a sua leitura é mágica, toca-nos nas terminações nervosas, e quando chegamos à última página, sentimo-nos mais cheios, mais completos.
Não conheço o autor, e pelo que parece este é o seu primeiro romance. Espero que encontre mais histórias dentro de si, e que continue a escrever, dando-nos a possibilidade de o ler.

A história é simples. É a história de uma família, passada numa aldeia perdida nos confins de uma serra no tempo do outro senhor. Mas a forma como nos é contada… logo desde as primeiras palavras, sabemos que transpusemos uma porta e não podemos voltar atrás. Sabemos que temos de continuar a ler.

«Acho que vi cavalos no horizonte.»
Disse o meu pai com olhos de luz, naquele sábado tão longe dos sonhos.
Assim começa o livro.
E de imediato somos transportados para aquele lugar. À medida que as letras desfilam perante os nossos olhos, somos embalados pelo relato de uma vida, pela história de uma aldeia, pelo caminho que uma família que tem de percorrer para lidar com a perda e arranjar maneira de sobreviver. E a própria história é relato desse percurso, que nem sempre é fácil, pois um caminho cheio de pedras é sempre difícil de percorrer. Mas o autor consegue transformar a dor em esperança, por isso este é também um relato da redescoberta da esperança, do amor.

«Que a felicidade está no amor que distribuímos e que apenas recebemos amor para que o passamos redistribuir por aqueles que amamos. Porque o náufrago que chega à praia sabe que a sua vida nunca mais será igual. Que há agora um tempo diferente dentro do mundo, anos que se transformaram em instantes e futuros que se transformaram em hoje e agora. Que os sonhos já não são feitos de triunfos nem de dias ainda longínquos, mas sim da sensação de acreditar. Que as estrelas à noite já não são tão discretas como dantes, mas sim os olhos do Universo e da imensidão, pontos de luz que nos podem salvar, indicando-nos o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste. Que a vida já não é uma estrada sem fim, mas antes um pequeno caminho num simples vale, entre contrafortes de grandes montanhas. Que tem de existir amor, uma qualquer forma de amor, um pretexto de alma que nos impulsione a partilhar. Pois o náufrago que chega à praia sabe agora que a luz da manhã é melhor do que qualquer sonho que a noite possa ter oferecido. Que acordar, mesmo ferido, é melhor do que morrer sem cicatrizes. Que mesmo no deserto existem oásis que nos podem salvar. Mas que, para isso, é preciso que tenhamos aprendido a orientar-nos pelas estrelas.»

Este livro é um hino. A uma época, à inocência e ao amor.
Espreitem a sinopse, e deixem-se envolver pela história de Edmundo, um homem simples, que amava a sua família, e que gostava de ler. Leiam o livro e deixem-se encantar com as palavras de um autor que escreve com o peso da alma na ponta da caneta…

«Dizia-se na aldeia que a madrugada libertava músicos da floresta. Que era um bosque encantado. Uma daquelas tolices que muitos acreditam. Não obstante, a floresta era generosa. Quando as giestas acordavam, deixava passar o sol educadamente, e este entrava nas ruelas da aldeia como se fosse uma espécie de salvador. Ao vê-lo, as almas dos aldeões beliscavam os corpos e diziam-lhes: «Acorda, preguiçoso, que o dia está bonito e os campos anelam a tua presença.»
(…)
Em volta da aldeia, existiam hortas bem cuidadas e muitos pastos penteados pelo vento, bosques adormecidos como cães velhos e uma ribeira que não descansava, trabalhando dia e noite a levar água.»

Absolutamente maravilhoso!

Em destaque: "Quando o Sol Brilha" de Rui Conceição Silva

«Haverá um dia em que tu perceberás. Que verás claramente a estrela que agora não vês. Que distinguirás o seu brilho na noite de penumbra. Porque só então, quando todas as outras se apagarem, essa pequenina estrela brilhará no céu.»
Sinopse:
Felismino, a quem alcunharam de Jardins, vive uma vida feliz até encontrar a mulher, morta, na horta de casa. Amava-a muito. A sua perda aprisiona-o, passando a habitar num mundo de sonho e imaginação.
O seu filho Edmundo é um simples operário. Mas tem um segredo que esconde às pessoas da sua aldeia: gosta de ler livros. E ama o seu pai, mesmo doente e ausente de tudo.
Um dia, Edmundo tem um terrível acidente. Preocupada com a sua ausência, a mulher sai com a filha, ainda pequena, à sua procura. Mas o dia estava frio e tempestuoso e a menina apanha uma pneumonia. Morre dias mais tarde. O mundo de Edmundo entra em colapso. Sente-se culpado da morte da filha, que tanto amava.
No lugar mais inesperado de todos, vislumbra o sentido de todas as coisas e compreende o verdadeiro valor do amor, da vida e da amizade.

NAS LIÇÕES SIMPLES DA VIDA RESIDE A ESPERANÇA QUE NOS MOVE.

Sobre o autor:
Rui Conceição Silva nasceu em 1963 em Figueiró dos Vinhos, onde reside. É casado e tem dois filhos.
Apesar de ter vivido em Coimbra, Tavira e Lisboa, é na sua terra que se sente completo, convivendo com os afetos e com os rostos de sempre.
Este seu primeiro romance é fruto da necessidade de falar da saudade triste da perda de alguém que se ama, mas também da reconciliação necessária com a vida e com toda a sua beleza.