Adoro histórias baseadas em factos reais, e "A Casa das Meninas Indesejadas" preencheu-me as medidas. A autora inspirou-se na infância da sua própria mãe para escrever uma história extraordinária. Partiu-se-me o coração ao ler este livro.
É uma história com diversas camadas, em que são abordados temas de grande interesse, como a tolerância (ou intolerância, neste caso), a religião, a história da saúde mental no Canadá, os orfanatos, o lugar das mulheres na sociedade, e acima de tudo as relações familiares, onde o sangue muitas vezes fala mais alto.
Nos anos 50, num ainda tão jovem Canadá (com menos de 100 anos), as rivalidades entre francófonos e anglófonos eram ainda muito visíveis. A nível político, essa divisão aviva ainda mais as diferenças. O Quebec foi durante alguns anos (os chamados Anos Negros) governado por um primeiro ministro ultra conservador - Maurice Duplessis - que ficou conhecido pelas piores razões. Uma das suas implementações políticas, de forma a obter mais benefícios financeiros para o Quebec em descuramento das necessidades do povo, foi transformar todos os orfanatos em instituições psiquiátricas. Milhares de crianças orfãs foram falsamente diagnosticadas como doentes mentais, sendo-lhes negado os mais primordiais direitos, o da educação, o da alimentação e saúde, e acima de tudo, a possibilidade de virem a ser adotadas.
A história da jovem Maggie e da sua filha Elodie está muitíssimo bem contada, saltitando entre épocas e lugares, quebrando de certa forma o peso da parte mais complicada, a de Elodie, que é veramente revoltante.
Um pormenor que muito me agradou na história foi a loja de sementes do pai de Maggie. A analogia entre as sementes e a vida está sempre presente ao longo da história.
Não é um livro lamechas, embora no final assim o pareça - valeu-me a caixa de lenços enquanto o terminava! - mas, acreditem, é "daqueles" livros. Aprendi imenso sobre a história do Canadá, revoltei-me com as injustiças perpetradas contra a pequena Elodie, condoí-me com a vida de Maggie até reencontrar o seu amor, e claro, rejubilei com o encontro entre mãe e filha. Numa palavra: adorei! É mesmo daqueles livros que tão cedo não vou esquecer.
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"Sob um Céu Escarlate" de Mark Sullivan (OPINIÃO)
Este é daqueles livros que, se não tivesse sido me oferecido, nunca o teria lido. A capa, não me perguntem porquê, transportava-me para a Austrália, e como estive lá há pouco tempo (em livro, eheheh) não me apetecia voltar já. Depois, pela sinopse, parecia-me demasiado "masculino", muito sangrento, blá blá blá... No entanto, o autor suscitou-me a curiosidade. Mark Sullivan, embora tenha alguns livros publicados e premiados em nome individual, é mais conhecido em Portugal como o coautor de James Patterson na série de livros Private, que já tive o prazer de experimentar.
Decidi então abrir o prólogo e ler. Mark Sullivan explicou como a história de Pino Lella lhe chegou às mãos, e depois falou do seu trabalho de pesquisa e das entrevistas que levou a cabo, ao próprio Pina e a outras pessoas intervenientes. A escrita de Mark conquistou-me de imediato. É certo que era apenas o prólogo de um livro, mas ele estava a contar uma história, a explicar as coisas e a expor-se com determinação e simplicidade. Gostei. Depois a curiosidade aguçou-se e fiquei a querer saber mais sobre esse rapaz que tinha a idade do meu filho (17 anos) quando o o seu bairro em Milão começa a ser bombardeado pelos Aliados e a guerra rebenta em força na Itália de Mussolini. As dúvidas dissiparam-se. "Sob um Céu Escarlate" era a minha próxima leitura.
Pino Lella é-nos apresentado como um dos muitos heróis desconhecidos da Segunda Guerra Mundial e a sua história verídica como emocionante, chocante, comovente e inspiradora. Depois de ler este livro só tenho a acrescentar uma palavra: inesquecível.
Mark Sullivan não me desiludiu. É um autor que prometeu e cumpriu. A história que ele conta é deveras extraordinária e a forma como ele escreve mantém-nos cativos, a querer ler e descobrir mais e mais sobre Pino Lella e a sua família e amigos. Simultaneamente aprendemos imenso sobre a Segunda Guerra Mundial num território que normalmente fica fora das publicações históricas - pouco ou nada eu sabia sobre o que aconteceu em Itália nessa época. Fiquei absolutamente assombrada e interessadíssima em saber mais. A dualidade dos sentimentos dos italianos é fascinante. Por um lado queriam ficar do lado do seu país mas por outro lado abraçar o nazismo era para muitos deles uma ideia insuportável. A rebelião foi inevitável e a resistência italiana acabou por ter um papel extremamente importante na queda da Alemanha.
É uma leitura adequada a todos. Homem ou mulher, jovem ou adulto, vão apaixonar-se pela história de Pino Lella que a meu ver deveria ser consagrada no grande écran. Um livro extraordinário. Para mim, o melhor de 2018. Recomendo.
Decidi então abrir o prólogo e ler. Mark Sullivan explicou como a história de Pino Lella lhe chegou às mãos, e depois falou do seu trabalho de pesquisa e das entrevistas que levou a cabo, ao próprio Pina e a outras pessoas intervenientes. A escrita de Mark conquistou-me de imediato. É certo que era apenas o prólogo de um livro, mas ele estava a contar uma história, a explicar as coisas e a expor-se com determinação e simplicidade. Gostei. Depois a curiosidade aguçou-se e fiquei a querer saber mais sobre esse rapaz que tinha a idade do meu filho (17 anos) quando o o seu bairro em Milão começa a ser bombardeado pelos Aliados e a guerra rebenta em força na Itália de Mussolini. As dúvidas dissiparam-se. "Sob um Céu Escarlate" era a minha próxima leitura.Pino Lella é-nos apresentado como um dos muitos heróis desconhecidos da Segunda Guerra Mundial e a sua história verídica como emocionante, chocante, comovente e inspiradora. Depois de ler este livro só tenho a acrescentar uma palavra: inesquecível.
É uma leitura adequada a todos. Homem ou mulher, jovem ou adulto, vão apaixonar-se pela história de Pino Lella que a meu ver deveria ser consagrada no grande écran. Um livro extraordinário. Para mim, o melhor de 2018. Recomendo.
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| Mark Sullivan e Pino Lella |
"Cartas a um Amor Perdido" de Iona Grey (OPINIÃO)
Adoro histórias cujo pano de fundo seja a II Guerra Mundial. Não falo da guerra propriamente dita, e nem tanto do holocausto nazi, mas simplesmente a forma como tantas vidas foram afetadas, quer estivessem ou não diretamente envolvidas no conflito. Existem tantas histórias por contar, tantas por ler, que fico sempre feliz quando encontro um livro como este. Cartas a um Amor Perdido preenche todos os requisitos para uma leitura extraordinária.
A foto escolhida para a capa portuguesa é perfeita. Faz lembrar o poster de um filme, não concordam? E que filme encerram as páginas deste livro!! :) É uma história romântica, é certo, mas é também uma história de luta e sobrevivência, de perda e desgosto. Vão ficar revoltados com algumas das situações abordadas, e vão-se derreter com outras. Aborda alguns temas importantes, alguns deles bem atuais!
A escrita da autora é cativante e fluída, proporcionando uma boa leitura que nos dificulta intervalar. As personagens são muito reais e estão muito bem construídas, perfeitas para cada uma das épocas em que se inserem - os anos 40, em plena guerra, e a atualidade. Os saltos temporais e a organização da história, tão importante em livros deste género, são perfeitos o que nos impulsiona a leitura e nos faz querer ler e ler sempre mais.
A história inicia-se nos dias de hoje com Jess, que foge de uma relação abusiva. Sem outra alternativa, ela refugia-se numa casa aparentemente abandonada onde vem a receber a carta de um tal Dan endereçada a uma Stella, que aparentemente não é a pessoa que morava na casa. E aí se inicia a aventura temporal que vai revolucionar a vida de todos os envolvidos.
Fez-me lembrar um pouco as histórias de Lucinda Riley, que por sinal comentou este livro como «Um belo e terno romance escrito por uma autora com um talento natural para contar histórias.». Uma história impossível de não adorar. Recomendo!
A foto escolhida para a capa portuguesa é perfeita. Faz lembrar o poster de um filme, não concordam? E que filme encerram as páginas deste livro!! :) É uma história romântica, é certo, mas é também uma história de luta e sobrevivência, de perda e desgosto. Vão ficar revoltados com algumas das situações abordadas, e vão-se derreter com outras. Aborda alguns temas importantes, alguns deles bem atuais!
A escrita da autora é cativante e fluída, proporcionando uma boa leitura que nos dificulta intervalar. As personagens são muito reais e estão muito bem construídas, perfeitas para cada uma das épocas em que se inserem - os anos 40, em plena guerra, e a atualidade. Os saltos temporais e a organização da história, tão importante em livros deste género, são perfeitos o que nos impulsiona a leitura e nos faz querer ler e ler sempre mais.
A história inicia-se nos dias de hoje com Jess, que foge de uma relação abusiva. Sem outra alternativa, ela refugia-se numa casa aparentemente abandonada onde vem a receber a carta de um tal Dan endereçada a uma Stella, que aparentemente não é a pessoa que morava na casa. E aí se inicia a aventura temporal que vai revolucionar a vida de todos os envolvidos.
Fez-me lembrar um pouco as histórias de Lucinda Riley, que por sinal comentou este livro como «Um belo e terno romance escrito por uma autora com um talento natural para contar histórias.». Uma história impossível de não adorar. Recomendo!
"Como Estrelas Cadentes" de Sveva Casati Modignani (OPINIÃO)
Existem certos autores que tenho de ler sempre que publicam alguma coisa. Estou viciada neles, e mesmo que por vezes me desiludam, sei que o próximo livro não me vai escapar. Sveva Casati Modignani é um desses autores. Por isso, quando o "Como Estrelas Cadentes" foi publicado em Portugal tratei logo de o adquirir.
E ainda bem que o fiz, pois neste livro, ela regressa ao seu esquema anterior, desenvolvendo mais o cenário onde se desenrola a história, do que a parte mais romântica. Neste caso específico, ficamos a conhecer mais profundamente Itália durante o século XX, a ascensão e queda do Fascismo e o Nazismo, e as participações nas duas Grandes Guerras.
Como sempre, tudo se centra numa forte protagonista feminina que lidera a sua família ao longo do perturbado século XX. Rosa é-nos apresentada nos dias de hoje, como uma velha senhora que, contrastando com a sua condição física, nada de frágil tem, nem na sua maneira de ser nem na sua maneira de estar. Fundadora de uma das maiores companhias italianas de construção de aviões, ela mostrou ser uma verdadeira matriarca e apesar de alguns dissabores ao longo da vida, conseguiu triunfar num mundo de homens.
Ao longo do livro nós vamos conhecendo a vida de Rosa, começando na sua infância e acompanhando-a até aos dias de hoje. Adoro os saltos temporais para explicar este ou aquele acontecimento. Num momento estamos em Milão em 1980 como no outro encontramo-nos em Nova Iorque nos anos quarenta! E Sveva fá-lo de uma forma maravilhosa. São quase histórias dentro da história que nos ajudam a conhecer profundamente as personagens e a apaixonarmo-nos por elas.
Como sempre, retomar um autor que há muito nos conquistou é muito gratificante. E reencontrar as histórias de Sveva é sempre uma leitura marcante e inspiradora. Recomendo!
E ainda bem que o fiz, pois neste livro, ela regressa ao seu esquema anterior, desenvolvendo mais o cenário onde se desenrola a história, do que a parte mais romântica. Neste caso específico, ficamos a conhecer mais profundamente Itália durante o século XX, a ascensão e queda do Fascismo e o Nazismo, e as participações nas duas Grandes Guerras.
Como sempre, tudo se centra numa forte protagonista feminina que lidera a sua família ao longo do perturbado século XX. Rosa é-nos apresentada nos dias de hoje, como uma velha senhora que, contrastando com a sua condição física, nada de frágil tem, nem na sua maneira de ser nem na sua maneira de estar. Fundadora de uma das maiores companhias italianas de construção de aviões, ela mostrou ser uma verdadeira matriarca e apesar de alguns dissabores ao longo da vida, conseguiu triunfar num mundo de homens.
Ao longo do livro nós vamos conhecendo a vida de Rosa, começando na sua infância e acompanhando-a até aos dias de hoje. Adoro os saltos temporais para explicar este ou aquele acontecimento. Num momento estamos em Milão em 1980 como no outro encontramo-nos em Nova Iorque nos anos quarenta! E Sveva fá-lo de uma forma maravilhosa. São quase histórias dentro da história que nos ajudam a conhecer profundamente as personagens e a apaixonarmo-nos por elas.
Como sempre, retomar um autor que há muito nos conquistou é muito gratificante. E reencontrar as histórias de Sveva é sempre uma leitura marcante e inspiradora. Recomendo!
"As Flores Perdidas de Alice Hart" de Holly Ringland (OPINIÃO)
Há muitas formas de qualificar uma leitura. Pela qualidade da escrita, pela profundidade do tema, pela riqueza das personagens, sei lá, até pela encadernação! Mas há algo que não se pode deixar de lado - o quanto um livro nos toca, mexe connosco, nos faz vibrar. Nesse sentido, para mim, "As Flores Perdidas de Alice Hart" merece uma pontuação excecional. Na minha modesta tabela, iniciada há uns anos, de 1 a 5 estrelas, tenho de atribuir as 10 estrelas a este livro.
A história é absolutamente extraordinária, está contada na perfeição e as personagens são maravilhosas. A juntar a isto, temos uma encadernação adorável, uma capa fora de série e um interior de uma riqueza visual primorosa. Mas acima de tudo, foi uma leitura que me emocionou e profundamente. Como não atribuir a pontuação máxima?
Escrito por uma autora de primeira volta, "As Flores Perdidas de Alice Hart" contem um pouco de tudo. Uma história sobre flores, fogo e família.
Alice Hart tem nove anos e vive isolada com os seus pais, numa zona costeira da Australia. Alice ama a sua mãe e não consegue entender as bruscas mudanças de atitude do seu pai. Quando a conhecemos está sentada na sua secretária feita de eucalipto a pensar como poderá lançar fogo ao pai. Assim, tal como certas plantas, o pai poderá renascer e florescer e talvez deixe de ser o homem violento controlador que está a destruir o seu lar e a apagar a luz da sua mãe.
Após a catástrofe atingir os Hart, Alice vê-se sózinha no hospital e acaba por ir viver com uma avó que nem sabia que existia, em Thornfield, uma quinta de flores nativas. Ali, ela recupera aos poucos do trauma e simultaneamente vai integrando a sociedade de mulheres sobreviventes que trabalham e vivem em Thornfield.
Anos mais tarde, Alice terá de enfrentar o seu passado e partir à procura de si própria, mas não sem antes aprender o negócio de família que lhe corre no sangue: o saber das flores.
E mais não vos posso contar. Até acho que já contei demais! Mas queria que percebessem um pouco do que se trata o livro. Abordando a linguagem das flores nativas da Austrália, abraçando as lendas e contos aborígenes, e levando-nos a lugares incríveis, a autora escreve com a delicadeza de uma borboleta a beijar uma flor, suavizando assim algo que é tão difícil de contar. É assim, quando se escreve com alma.
Um livro verdadeiramente excecional que não podem deixar de ler!
Podem começar a ler aqui as primeiras páginas.
A história é absolutamente extraordinária, está contada na perfeição e as personagens são maravilhosas. A juntar a isto, temos uma encadernação adorável, uma capa fora de série e um interior de uma riqueza visual primorosa. Mas acima de tudo, foi uma leitura que me emocionou e profundamente. Como não atribuir a pontuação máxima?
Escrito por uma autora de primeira volta, "As Flores Perdidas de Alice Hart" contem um pouco de tudo. Uma história sobre flores, fogo e família.
Alice Hart tem nove anos e vive isolada com os seus pais, numa zona costeira da Australia. Alice ama a sua mãe e não consegue entender as bruscas mudanças de atitude do seu pai. Quando a conhecemos está sentada na sua secretária feita de eucalipto a pensar como poderá lançar fogo ao pai. Assim, tal como certas plantas, o pai poderá renascer e florescer e talvez deixe de ser o homem violento controlador que está a destruir o seu lar e a apagar a luz da sua mãe.
Após a catástrofe atingir os Hart, Alice vê-se sózinha no hospital e acaba por ir viver com uma avó que nem sabia que existia, em Thornfield, uma quinta de flores nativas. Ali, ela recupera aos poucos do trauma e simultaneamente vai integrando a sociedade de mulheres sobreviventes que trabalham e vivem em Thornfield.
Anos mais tarde, Alice terá de enfrentar o seu passado e partir à procura de si própria, mas não sem antes aprender o negócio de família que lhe corre no sangue: o saber das flores.
E mais não vos posso contar. Até acho que já contei demais! Mas queria que percebessem um pouco do que se trata o livro. Abordando a linguagem das flores nativas da Austrália, abraçando as lendas e contos aborígenes, e levando-nos a lugares incríveis, a autora escreve com a delicadeza de uma borboleta a beijar uma flor, suavizando assim algo que é tão difícil de contar. É assim, quando se escreve com alma.
Um livro verdadeiramente excecional que não podem deixar de ler!
Podem começar a ler aqui as primeiras páginas.
"O Fado da Severa" de Maria João Lopo de Carvalho (OPINIÃO)
Em relação aos livros da Maria João Lopo de Carvalho uma coisa já eu percebi - as suas protagonistas principais são sempre mulheres de boa fibra, personagens da nossa história que deixaram marca e das quais ainda hoje se fala. Só por isso, sempre que esta autora lança um novo livro, eu fico interessada. ;)
Neste seu último livro, O Fado da Severa, Maria João conta-nos a história dessa mítica figura do fado, a Severa, e com ela a história de uma Lisboa dividida entre finos paços e ruelas imundas e escuras.
Maria Severa Onofriana era filha de um cigano e de uma mulher da vida, profissão que veio igualmente a abraçar. Tinha uma forma especial de cantar e de "bater" o fado, que lhe conquistou inúmeros admiradores, entre eles alguns nobres, como o Conde de Vimioso que por ela se perdeu de amores. Severa, como era conhecida, vendia o seu regaço mas nunca a sua alma. Por todos era bem conhecida como altiva e impetuosa, mas simultaneamente generosa e cheia de afetos para os que estimava. Longe de ser uma mulher vulgar, Severa é rotulada como a primeira fadista, e foi imortalizada em fados, livros e filmes, tal era a sua fama.
Maria João Lopo de Carvalho soube retratar muito bem a Lisboa boémia daquela época, o antro de prostituição que se vivia no Bairro Alto e Mouraria, assim como os dias festivos de tourada, porque o fado andava de mão dada com estes eventos tauromáquicos.
Ler este livro é fazer uma viagem ao passado com vividas sensações, pelo que desde já louvo o trabalho da autora, não só pelos factos e informações fidedignas. como pela linguagem utilizada que nos conduz numa visita imersiva à época.
É uma leitura extremamente interessante que muito apreciei que recomendo a todos os que quiserem ficar a saber um pouco mais sobre Lisboa e a origem do fado.
Bem haja, Maria João, pelo seu excelente trabalho!
Neste seu último livro, O Fado da Severa, Maria João conta-nos a história dessa mítica figura do fado, a Severa, e com ela a história de uma Lisboa dividida entre finos paços e ruelas imundas e escuras.
Maria Severa Onofriana era filha de um cigano e de uma mulher da vida, profissão que veio igualmente a abraçar. Tinha uma forma especial de cantar e de "bater" o fado, que lhe conquistou inúmeros admiradores, entre eles alguns nobres, como o Conde de Vimioso que por ela se perdeu de amores. Severa, como era conhecida, vendia o seu regaço mas nunca a sua alma. Por todos era bem conhecida como altiva e impetuosa, mas simultaneamente generosa e cheia de afetos para os que estimava. Longe de ser uma mulher vulgar, Severa é rotulada como a primeira fadista, e foi imortalizada em fados, livros e filmes, tal era a sua fama.
Maria João Lopo de Carvalho soube retratar muito bem a Lisboa boémia daquela época, o antro de prostituição que se vivia no Bairro Alto e Mouraria, assim como os dias festivos de tourada, porque o fado andava de mão dada com estes eventos tauromáquicos.
Ler este livro é fazer uma viagem ao passado com vividas sensações, pelo que desde já louvo o trabalho da autora, não só pelos factos e informações fidedignas. como pela linguagem utilizada que nos conduz numa visita imersiva à época.
É uma leitura extremamente interessante que muito apreciei que recomendo a todos os que quiserem ficar a saber um pouco mais sobre Lisboa e a origem do fado.
Bem haja, Maria João, pelo seu excelente trabalho!
"Cada Suspiro Teu" de Nicholas Sparks (OPINIÃO)
Existem uns quantos autores que não consigo deixar de ler sempre que publicam um novo livro. Nicholas Sparks é um deles. Já gostei mais. Já gostei menos. Agora gosto, e pronto. Não há nada a fazer. É como um vício que não queremos deixar. E no caso do Nicky, é quase como uma dose de açúcar para quem sofre de hipoglicémia.
Este livro, no entanto, nem é dos mais perigosos para os diabéticos. ;) A história apresenta uma realidade diferente, mais madura, com mais alguma reflexão à mistura, ou como os norte americanos tanto gostam de dizer, com um pouco de "soul searching", introspeção.
Tru Walls tem uma profissão fora do normal. Ele é guia de safaris no Zimbabué. Endurecido pela vida, divorciado e com um filho de 10 anos que adora, Tru há muito tempo que não acredita no amor, muito menos à primeira vista. Viajou para os EUA com uma simples missão: conhecer o seu pai biológico com a esperança de descobrir um pouco mais sobre a sua mãe que morreu quando ele ainda era criança. Mas quis o acaso que conhecesse Hope, acontecimento que alterou profundamente a sua visão da vida.
Hope, pelo seu lado, encontra-se numa fase da vida em que tem de decidir o que fazer. Enfermeira de profissão, está há já algum tempo numa relação que sente estagnada. Conhecer Tru abala os seus alicerces e as suas certezas, e mexe consigo como nunca imaginou ser possível. Apesar disso, Hope decide adiar esse amor que despontou por breves momentos e mantém-se firma no caminho que havia escolhido anteriormente. O que acontece de seguida é a vida. E se Tru e Hope se voltam a encontrar é porque o destino assim o quis.
Uma leitura arrepiante, sobre as escolhas que fazemos e que achamos serem as corretas e de como a vida se encarrega de nos mostrar o quanto nos enganámos. O que vale é que por vezes nos são oferecidas segundas hipóteses.
Adorei. Ler Nicholas Sparks, agora já mais maduro mas nem por isso menos sonhador, é muito gratificante. É uma leitura que recomendo para todos os que acreditam no amor. Uma história intemporal que nos faz sonhar e sorrir e até chorar. Muitíssimo bom!
P.S. Adorei a história da caixa de correio das Almas Gémeas (Kindred Spirit). Ela existe mesmo em Sunset Beach, NC, EUA. E até já tem site! https://www.kindredspiritbox.com/
Este livro, no entanto, nem é dos mais perigosos para os diabéticos. ;) A história apresenta uma realidade diferente, mais madura, com mais alguma reflexão à mistura, ou como os norte americanos tanto gostam de dizer, com um pouco de "soul searching", introspeção.
Tru Walls tem uma profissão fora do normal. Ele é guia de safaris no Zimbabué. Endurecido pela vida, divorciado e com um filho de 10 anos que adora, Tru há muito tempo que não acredita no amor, muito menos à primeira vista. Viajou para os EUA com uma simples missão: conhecer o seu pai biológico com a esperança de descobrir um pouco mais sobre a sua mãe que morreu quando ele ainda era criança. Mas quis o acaso que conhecesse Hope, acontecimento que alterou profundamente a sua visão da vida.
Hope, pelo seu lado, encontra-se numa fase da vida em que tem de decidir o que fazer. Enfermeira de profissão, está há já algum tempo numa relação que sente estagnada. Conhecer Tru abala os seus alicerces e as suas certezas, e mexe consigo como nunca imaginou ser possível. Apesar disso, Hope decide adiar esse amor que despontou por breves momentos e mantém-se firma no caminho que havia escolhido anteriormente. O que acontece de seguida é a vida. E se Tru e Hope se voltam a encontrar é porque o destino assim o quis.
Uma leitura arrepiante, sobre as escolhas que fazemos e que achamos serem as corretas e de como a vida se encarrega de nos mostrar o quanto nos enganámos. O que vale é que por vezes nos são oferecidas segundas hipóteses.
Adorei. Ler Nicholas Sparks, agora já mais maduro mas nem por isso menos sonhador, é muito gratificante. É uma leitura que recomendo para todos os que acreditam no amor. Uma história intemporal que nos faz sonhar e sorrir e até chorar. Muitíssimo bom!
P.S. Adorei a história da caixa de correio das Almas Gémeas (Kindred Spirit). Ela existe mesmo em Sunset Beach, NC, EUA. E até já tem site! https://www.kindredspiritbox.com/
"O Meu Coração Entre Dois Mundos" de Jojo Moyes (OPINIÃO)
Sabem quando mergulhamos de tal maneira num livro que parece que estamos lá, caladinhos, pequeninos, a observar as cenas que se desenrolam debaixo do nosso olhar? Foi o que me aconteceu com este livro. Mas vamos por partes...
Primeiro, o título. A-do-ro! Retrata muito bem a história de Lou, ao longo de todo o livro! ;) Podem pensar que é um título demasiado óbvio, mas quando chegarem ao fim irão perceber o quão fidedigno ele se revela.
Depois, o facto de finalmente termos a história de Lou, sem o Will. Houve quem dissesse que o segundo livro, Viver Sem Ti, foi um bocado forçado, uma forma da autora "fazer render o peixe". Sem dúvida que foi uma história um pouco mais negra do que a primeira, pois Lou teve de lidar com os efeitos da perda de Will, mas sinceramente, agora com este terceiro livro, dá para perceber que foi um degrau na escada da vida de Lou Clark e que sem ele não seria possível chegar até aqui.
Neste novo livro, a vida de Lou arranca finalmente. Ela parte para Nova Iorque decidida a vingar na cidade que nunca dorme. Mas o risco é grande e a tarifa por vezes demasiado alta. Afinal, ela deixou para trás, não só o mundo que conhecia, como a família e o recém namorado. Muitas voltas e reviravoltas acontecem e é fascinante imaginá-las já com a Emilia Clarke (do filme Viver Depois de Ti) na pele de Lou Clark.
Para mim, este foi o melhor dos três livros. Lou é uma personagem original, criativa, efusiva e é impossível não nos apaixonarmos por ela. Adorei descobrir Nova Iorque com ela, e ficar a conhecer mais uma mão cheia de personagens fascinantes que contribuem em muito para o sucesso deste livro. Recomendo sem hesitações. É um daqueles livros que não vão querer terminar. ;)
Primeiro, o título. A-do-ro! Retrata muito bem a história de Lou, ao longo de todo o livro! ;) Podem pensar que é um título demasiado óbvio, mas quando chegarem ao fim irão perceber o quão fidedigno ele se revela.
Depois, o facto de finalmente termos a história de Lou, sem o Will. Houve quem dissesse que o segundo livro, Viver Sem Ti, foi um bocado forçado, uma forma da autora "fazer render o peixe". Sem dúvida que foi uma história um pouco mais negra do que a primeira, pois Lou teve de lidar com os efeitos da perda de Will, mas sinceramente, agora com este terceiro livro, dá para perceber que foi um degrau na escada da vida de Lou Clark e que sem ele não seria possível chegar até aqui.
Neste novo livro, a vida de Lou arranca finalmente. Ela parte para Nova Iorque decidida a vingar na cidade que nunca dorme. Mas o risco é grande e a tarifa por vezes demasiado alta. Afinal, ela deixou para trás, não só o mundo que conhecia, como a família e o recém namorado. Muitas voltas e reviravoltas acontecem e é fascinante imaginá-las já com a Emilia Clarke (do filme Viver Depois de Ti) na pele de Lou Clark.
"Meu" de Susi Fox (OPINIÃO)
Quis ler este livro por uma simples razão. Quando fui ter o meu filho na MAC este era um dos meus maiores receios: que ele fosse roubado ou trocado. Não o perdi de vista, nem um segundo! Dormia com o braço por cima do berço ou com ele ao meu lado e só tomava banho quando o meu marido estava de visita e ficava com ele. São medos normais de mães de primeira volta, acho eu. Receios um pouco irracionais alimentados por histórias que ouvimos nas notícias ou vemos em filmes.
A história de "Meu" está muito bem contada. Narrada do ponto de vista da mãe, Sasha, transmite-nos na perfeição a sua desconfiança e frustração quando vê que não está a ser levada a sério por ninguém, incluindo o próprio marido. A sua impotência atingiu-me e levou-me a sentir raiva pelas instituições que em vez de defenderem as mulheres as atacam e / ou menorizam a importância das suas queixas. Fez-me lembrar um pouco aqueles casos de "histeria" que eram diagnosticados em mulheres e jovens "difíceis" nos séculos XVIII e XIX e cuja solução passava pelo internamento numa instituição psiquiátrica e tratamentos horríveis.
Para um livro de estreia, "Meu" está muito bem escrito. Ao que parece, numa das suas aulas de escrita criativa, o professor sugeriu que escrevessem sobre um sonho ou pesadelo, e foi o que a autora fez. Elaborou a história à volta de um pesadelo que teve sobre darem-lhe o bebé errado na maternidade, e segundo ela, toda a tensão psicológica foi fácil de transcrever pois sentiu-a na pele, acordando desse sonho com todos os sentimentos à superfície.
É um thriller psicológico que mexe fortemente com as nossas emoções. Atravessamos a leitura como se estivéssemos num túnel de vento, sempre a fustigar-nos com emoções violentas. Condoemo-nos por Sasha, e colocamo-nos facilmente na sua pele, levando-nos a experienciar a revolta e frustração que ela sente. Simultaneamente passa-nos de vez em quando um pensamento pela mente... e se não for bem assim? E se?...
Muito bom! Uma leitura que recomendo sem hesitações. Como sabem, um livro é bom quando nos provoca emoções fortes. E este é um desses!
P.S. Apesar do medo aquando do nascimento do meu filho não tinha mesmo de me preocupar. Pelo menos em relação a trocas. Não havia mais nenhum tão grande. 4,700 kgs e 54 cm. ;) Tinha praticamente 3 meses quando nasceu. Espreitam a foto dele com três dias.
A história de "Meu" está muito bem contada. Narrada do ponto de vista da mãe, Sasha, transmite-nos na perfeição a sua desconfiança e frustração quando vê que não está a ser levada a sério por ninguém, incluindo o próprio marido. A sua impotência atingiu-me e levou-me a sentir raiva pelas instituições que em vez de defenderem as mulheres as atacam e / ou menorizam a importância das suas queixas. Fez-me lembrar um pouco aqueles casos de "histeria" que eram diagnosticados em mulheres e jovens "difíceis" nos séculos XVIII e XIX e cuja solução passava pelo internamento numa instituição psiquiátrica e tratamentos horríveis.
Para um livro de estreia, "Meu" está muito bem escrito. Ao que parece, numa das suas aulas de escrita criativa, o professor sugeriu que escrevessem sobre um sonho ou pesadelo, e foi o que a autora fez. Elaborou a história à volta de um pesadelo que teve sobre darem-lhe o bebé errado na maternidade, e segundo ela, toda a tensão psicológica foi fácil de transcrever pois sentiu-a na pele, acordando desse sonho com todos os sentimentos à superfície.
É um thriller psicológico que mexe fortemente com as nossas emoções. Atravessamos a leitura como se estivéssemos num túnel de vento, sempre a fustigar-nos com emoções violentas. Condoemo-nos por Sasha, e colocamo-nos facilmente na sua pele, levando-nos a experienciar a revolta e frustração que ela sente. Simultaneamente passa-nos de vez em quando um pensamento pela mente... e se não for bem assim? E se?...
Muito bom! Uma leitura que recomendo sem hesitações. Como sabem, um livro é bom quando nos provoca emoções fortes. E este é um desses!
P.S. Apesar do medo aquando do nascimento do meu filho não tinha mesmo de me preocupar. Pelo menos em relação a trocas. Não havia mais nenhum tão grande. 4,700 kgs e 54 cm. ;) Tinha praticamente 3 meses quando nasceu. Espreitam a foto dele com três dias.
"O Dia Em Que Te Perdi" de Lesley Pearse (OPINIÃO)
Estou sempre receosa que Lesley Pearse deixe de publicar livros. Há uns anos, quando tive a oportunidade de estar à conversa com ela durante algum tempo, confessou-me que andava cansada de escrever. Mas isto foi há quatro anos, e depois disso já publicou pelo menos uma mão cheia de livros! Esperemos que continue a escrever histórias maravilhosas que nos prendem e enchem o coração.
Em "O Dia Em Que Te Perdi" quer-me parecer que Lesley dá um certo abanão ao género. Ou seja, a parte de mistério que, desde quase sempre, tem sido uma presença constante nas suas histórias, assume neste livro uma presença mais marcante. Temos um adolescente desaparecido que deixa para trás uma irmã gémea, a mãe deles encontra-se internada num hospital psiquiátrico e o pai é um homem ausente, para além disso há uma estranha mulher ermita que se predispõe a ajudá-los. São ou não os ingredientes certos para uma boa história policial/thriller/mistério? Isto já para não falar do quão negro se torna à medida que a ação se vai desenrolando e corpos de miúdos raptados começam a surgir.
Para além disto, ou não fosse Lesley uma exímia contadora de histórias, há um lado mais sentimental, onde ela explora as relações entre os membros de uma família algo disfuncional e simultaneamente as dúvidas e problemas inerentes ao crescimento de uma adolescente nos anos sessenta.
As personagens são fabulosas e extremamente realistas, de tal forma, que não me admirava nada se ela se tivesse inspirado numa história real. Mas não, ao que parece há a menção a uma mulher, com algumas características comuns à mulher do bosque desta história, que existiu mesmo e que de alguma forma serviu de inspiração a Lesley.
Foi uma leitura muito cativante e mal consegui intervalar a leitura com as cenas habituais da vida. ;)
Recomendo! Lesley continua a ser uma das minhas autoras de eleição. 💛
Em "O Dia Em Que Te Perdi" quer-me parecer que Lesley dá um certo abanão ao género. Ou seja, a parte de mistério que, desde quase sempre, tem sido uma presença constante nas suas histórias, assume neste livro uma presença mais marcante. Temos um adolescente desaparecido que deixa para trás uma irmã gémea, a mãe deles encontra-se internada num hospital psiquiátrico e o pai é um homem ausente, para além disso há uma estranha mulher ermita que se predispõe a ajudá-los. São ou não os ingredientes certos para uma boa história policial/thriller/mistério? Isto já para não falar do quão negro se torna à medida que a ação se vai desenrolando e corpos de miúdos raptados começam a surgir.
Para além disto, ou não fosse Lesley uma exímia contadora de histórias, há um lado mais sentimental, onde ela explora as relações entre os membros de uma família algo disfuncional e simultaneamente as dúvidas e problemas inerentes ao crescimento de uma adolescente nos anos sessenta.
As personagens são fabulosas e extremamente realistas, de tal forma, que não me admirava nada se ela se tivesse inspirado numa história real. Mas não, ao que parece há a menção a uma mulher, com algumas características comuns à mulher do bosque desta história, que existiu mesmo e que de alguma forma serviu de inspiração a Lesley.
Foi uma leitura muito cativante e mal consegui intervalar a leitura com as cenas habituais da vida. ;)
Recomendo! Lesley continua a ser uma das minhas autoras de eleição. 💛
"A Sereia de Brighton" de Dorothy Koomson (OPINIÃO)
Tenho acompanhado esta autora desde o seu primeiro livro. Já
estive com ela por duas vezes na Feira do Livro de Lisboa e tive a oportunidade
de a entrevistar. Para além de ser uma pessoa extraordinária, é igualmente uma
autora extraordinária que se mantém em constante evolução, sendo que os seus
livros são mesmo prova disso.
Este último “A Sereia de Brighton” deve ter sido um pesadelo
para as editoras classificarem, porque me parece que a Dorothy Koomson se assume finalmente
como autora de policiais e thrillers, já que este livro tem uma vertente mais
forte dentro desse género do que os anteriores. Mas não me espanta. Era esse o
caminho que ela nos indicou com os últimos livros. Acho, aliás, fabuloso poder
acompanhar uma autora no seu caminho de autodescoberta.
Relativamente à história, posso dizê-lo que enquanto fã de
policiais ela preenche todas as medidas. O enredo é cativante e está muitíssimo
bem organizado sem que, no entanto, dêmos por isso, visto que a ideia de haver
uma certa confusão sobre os factos é primordial para que a ação se desenvolva
no sentido correto. As personagens, como sempre, são riquíssimas, incluindo as
secundárias. Adorei a personagem principal, Nell, com as suas inseguranças e
traumas mas simultaneamente tão determinada em descobrir o caso que a assombra há 25
anos. É sem dúvida uma história que gostaria de ver no grande écran. O final, que muitas vezes pode arruinar um policial, está muito bem engendrado e faz todo o sentido! Adorei!!
Foi uma leitura compulsiva e devorei este livro mais rapidamente
do que o normal. Confesso que me senti orgulhosa ao ler esta autora que tanto
acarinho e acompanho desde o princípio. Well done, Dorothy!
"As Ondas do Destino" Saga das Caraíbas - Livro II de Sarah Lark (OPINIÃO)
Guardei o primeiro livro desta saga para ler quando saísse o segundo, e agora que aconteceu, li os dois de seguida! Foi uma experiência fantástica, pois apesar de haver um certo refresh da primeira história, está muitíssimo bem integrado nesta nova história.
E o que aborda este novo livro? Se o primeiro nos levou a conhecer a Jamaica, este segundo leva-nos até à Ilha Hispaniola, hoje dividida em Haiti e República Dominicana, para onde viajou a jovem Deirdre, filha de Nora, após casar com Victor Dufresne.
Os Dufresne são uma das famílias mais influentes da parte francesa dessa ilha e através deles vamos conhecendo a realidade das plantações de tabaco que prosperam graças ao trabalho escravo.
A história, como é habitual nesta autora, está muitíssimo bem construída, sendo que incorpora na narrativa diversos eventos históricos reais fascinantes. As perturbações levadas a cabo por diversos piratas no mar das Caraíbas, e o princípio da revolução escrava são os pontos fulcrais. Fiquei mesmo surpreendida com as vívidas descrições das incursões levadas a cabo por um navio pirata. Este pormenor, que se mantém ao logo da história, associado às rebeliões de escravos lideradas pelo famoso Mackandal, dão a esta história uma ação que se revela surpreendente. Não conseguimos pousar o livro com facilidade, pois damos por nós imersos na narrativa em expetativa do que se vai seguir.
Resumindo, foi uma leitura fascinante! Adorei todos os pedacinhos desta história e recomendo sem hesitações para quem quer fugir um pouco à rotina dos dias. ;)
Obrigada à Marcador por continuar a apostar nesta autora!
💗
E o que aborda este novo livro? Se o primeiro nos levou a conhecer a Jamaica, este segundo leva-nos até à Ilha Hispaniola, hoje dividida em Haiti e República Dominicana, para onde viajou a jovem Deirdre, filha de Nora, após casar com Victor Dufresne.
Os Dufresne são uma das famílias mais influentes da parte francesa dessa ilha e através deles vamos conhecendo a realidade das plantações de tabaco que prosperam graças ao trabalho escravo.
A história, como é habitual nesta autora, está muitíssimo bem construída, sendo que incorpora na narrativa diversos eventos históricos reais fascinantes. As perturbações levadas a cabo por diversos piratas no mar das Caraíbas, e o princípio da revolução escrava são os pontos fulcrais. Fiquei mesmo surpreendida com as vívidas descrições das incursões levadas a cabo por um navio pirata. Este pormenor, que se mantém ao logo da história, associado às rebeliões de escravos lideradas pelo famoso Mackandal, dão a esta história uma ação que se revela surpreendente. Não conseguimos pousar o livro com facilidade, pois damos por nós imersos na narrativa em expetativa do que se vai seguir.
Resumindo, foi uma leitura fascinante! Adorei todos os pedacinhos desta história e recomendo sem hesitações para quem quer fugir um pouco à rotina dos dias. ;)
Obrigada à Marcador por continuar a apostar nesta autora!
💗
"A Ilha das Mil Fontes" Saga das Caraíbas - Livro I de Sarah Lark (OPINIÃO)

“A Ilha das Mil Fontes” é o primeiro livro da Saga das
Caraíbas da escritora Sarah Lark. Fiquei fã desta autora quando li a Saga do
País da Nuvem Branca que aborda a história da Nova Zelândia, por isso fiquei
entusiasmada quando a Marcador decidiu publicar esta segunda saga. Uma coisa é
certa, ao ler Sarah Lark, para onde quer que vamos, temos uma maravilhosa viagem
garantida.
Quando comecei a ler os primeiros capítulos e percebi que a
ação apenas se desenrolava em Londres comecei a ficar apreensiva. Afinal, quase
me parecia um romance de época com uma jovem inglesa presa a uma paixão impossível,
mas que teimosamente e aproveitando uma ausência parental, foge para junto do
seu amado para cuidar dele no seu leito de morte. A sério. Comecei a lembrar-me
do Monte dos Vendavais e livros do género. Romances trágicos com um tom de
desespero que não suporto. Mas. Aliás, MAS (tem de ser em maiúsculas) foi uma
primeira parte do livro que se veio a revelar mesmo necessária. Tínhamos de saber
o que Nora experienciou nessa época, pois tudo se irá revelar como útil quando
finalmente ela ruma à Jamaica.
Depois de chegar à Jamaica a leitura muda de tom, talvez
com um certo ritmo caribenho, e é fácil apaixonarmo-nos pela ilha. A parte
histórica é preciosa e, uma vez mais, como no País da Nuvem Branca, Sarah Lark
conquista-nos ao personalizá-la. Adorei conhecer as plantações de cana do açúcar,
condoí-me com a vida dos escravos e a forma como eram tratados pelos seus bhakras.
Tal como Nora apaixonei-me por aquelas paisagens maravilhosas, cavalguei
livremente por praias desertas banhadas por um mar azul a perder de vista. A
partir de uma determinada altura os acontecimentos precipitam-se e a vida de Nora
e da plantação do seu marido dá uma grande reviravolta. Somos então
apresentados à parte mais selvagem da ilha onde vivem os quilombolas – os negros
livres, ou que fugiram das plantações. A história da Jamaica e o fim anunciado da
escravatura começa então a dar os primeiros passos e a autora baseia-se em
personagens reais, como a Rainha Nanny, para dar continuidade à sua história.
Adorei esta leitura e fico imensamente feliz por poder
continuar esta viagem pelas Caraíbas, saltando para a ilha de São Domingos ou Hispaniola.
É uma saga maravilhosa que recomendo a quem se quiser deixar arrebatar pela
escrita desta autora. Absolutamente fabulosa.
"Filha do Profeta" de Rachel Jeffs (OPINIÃO)

Todos nós temos os nossos temas favoritos e embora eu não possa afirmar que adoro ler sobre este tema, também não posso negar que tenho bastante interesse nele: as seitas e as ramificações mais radicais das religiões.
Este livro, escrito pela filha do líder da Igreja Fundamentalista
Mórmon Warren Jeffs, é um relato extraordinário sobre os anos em que ela viveu
dentro dessa seita poligâmica. Por vezes difícil de ler, está, no entanto, escrito
num tom que revela a paz interior que Rachel já experiencia. Este é um testemunho
que prova a resiliência do ser humano e em simultâneo uma inspiração de
esperança para todos os que necessitam de ultrapassar quaisquer obstáculos.
![]() |
| Rachel e o pai, Warren Jeffs |
Segundo as palavras de Rachel a sua infância não poderia ter
sido mais feliz, pois viver com imensas irmãs e irmãos, para uma criança, é
sinónimo de brincadeira e diversão. No entanto, a infância de Rachel terminou
abruptamente quando começou a ser abusada sexualmente pelo seu próprio pai aos
8 anos. Mais tarde, é obrigada a casar com um homem que não conhece e que já
tem duas mulheres, entrando assim na idade adulta da sua vivência nesta seita.
Diversas peripécias, ao longo dos anos, vão fazendo Rachel
questionar-se sobre a validade do pai enquanto profeta e após a sua prisão,
Rachel ganha finalmente coragem para fugir, levando, no entanto, alguns anos
até conseguir abandonar a igreja com as suas filhas.
![]() |
| Warren Jeffs está a cumprir uma pena prisão perpétua desde 2011. |
Sou sincera, fiquei estupefacta com as decisões de Warren
Jeffs sobre a vida do seu povo. Qualquer pessoa se apercebe o quão egocêntrico,
narcisista, pérfido e louco ele é. Infelizmente, continua a sê-lo, pois mesmo
estando a cumprir uma prisão perpétua por pedofilia, mantém reféns os membros
da religião que o seguem, ditando-lhes leis e proibições bizarras e impensáveis.
![]() |
| Rachel com os filhos ainda na igreja. |
![]() |
| Rachel e os filhos, depois de fugir da igreja. |
Foi uma leitura compulsiva que muito me agradou. Está muito
bem escrito e termina com um tom de esperança e otimismo. A verdade é que não
podemos estar sempre a ler coisas agradáveis. Por vezes é preciso abrir os
olhos para outras realidades. Recomendo.
"25 Gramas de Felicidade" de Massimo Vacchetta e Antonella Tomaselli (OPINIÃO)
Sou uma apaixonada por animais. Aliás, tenho alguns amigos
que até me gozam por eu achar que um serão perfeito é ver de seguida três ou
quatro episódios do Bondi Vet. Mas eu sou assim: adoro animais e delicio-me quando
leio histórias relacionadas com eles, que muitas das vezes se revelam autênticas
de lições de bondade e lealdade.
Quando vi esta capa adorável soube que tinha de ler este
livrinho. Os ouriços, para mim, têm um grau de fofura bem elevado, apesar dos
picos. 😉
Bem, com Massimo, o protagonista principal deste relato,
tudo começou com uma pequena ouricinha que pesava uns singulares 25 gramas.
Estão a ver um envelope com quatro folhas lá dentro? 25 gramas. 25 gramas!!! Que
coisa mais frágil e indefesa!
Massimo encarregou-se dela a pedido de um colega
veterinário. E foi amor à primeira vista. Conseguiu, com muito tempo e
dedicação, que a ouricinha crescesse e chegasse à idade adulta. Depois, quando
deveria haver uma devolução à natureza, foi mais complicado. Massimo não
conseguiu libertá-la.
Entretanto, outros casos lhe sucederam até ao ponto que Massimo
achou que apenas conseguiria dar resposta a todos os pedidos de ajuda se criasse
um centro de recuperação. Apaixonado pela espécie e apoiado por outros com a mesma
paixão, moveu mundos e fundos até fundar o Centro de Recuperação de Ouriços "La
Ninna". Todos os ouriços que se encontrassem em perigo, por doença ou por
terem sido atropelados, ou até por terem ficado órfãos, como foi o caso de
Ninna, tinham finalmente um local onde poderiam receber ajuda especializada. E
com o tempo Massimo aprendeu que amar também é libertar. No ano seguinte
conseguiu deixar Ninna seguir o seu caminho.
Adorei esta leitura, não só pela ternura com que Massimo nos
fala dos ouriços, como pela simplicidade com que nos conta a sua história,
intercalando episódios da sua infância com desabafos sobre a sua vida pessoal,
que o mostram tão vulnerável como todos nós. É sem dúvida um pequeno grande
livro que merece ser lido por leitores de todas as idades, e que certamente lhes
irá tocar o coração como a mim me tocou. Nunca mais irei olhar para um ouriço
da mesma forma, acreditem.
Podem visitar a página do Centro de Recuperação de Ouriços "La Ninna" aqui:
https://pt-br.facebook.com/centrorecuperoricciLaNinna/
"Isto Vai Doer" de Adam Kay (OPINIÃO)
Um livro escrito por um médico que agora é comediante tem de
ser algo fora do normal. E é! Adam Kay, que agora se dedica na integra à comédia
e a escrever guiões para a televisão, foi durante muitos anos médico no Serviço
Nacional de Saúde britânico. Durante esse tempo manteve um diário sobre os
casos que lhe passavam pela mão, e após rever o diário com o apoio de um
advogado (para evitar eventuais processos), decidiu publicar este livro para,
de uma forma divertida, revelar o stress a que os médicos ingleses são sujeitos
durante os primeiros anos do seu percurso profissional. Na verdade, tudo isto
seria trágico se não fosse tão hilariante.
Adam Kay foi médico de obstetrícia e ginecologia pelo que na
sua carreira ajudou a nascer milhares de bebés. As inúmeras experiências boas
que teve nesse trabalho não conseguiram, no entanto, retirar o peso do que de
mau acontecia, para além do que, como ele bem demonstra, um médico no SNS
britânico não pode, nem consegue, ter uma vida social e familiar normal. Foi uma
época bastante desgastante, mas Adam conseguiu sobreviver. Este não foi o seu pedido
de ajuda, mas um abre olhos para todos os que se apressam a julgar os médicos e
tomar partido do governo que cada vez mais os estrangula. Isto, obviamente no
Reino Unido.
Pode parecer um pouco que o livro é demasiado sério, mas bem
pelo contrário. Esta é só a mensagem que retiramos no final. Ao ler o livro
soltamos umas belas gargalhadas e a escrita completamente descomplexada de Adam
torna a leitura ainda mais divertida. Todos os termos técnicos utilizados são explicados
em forma de nota do autor, pelo que por vezes até as próprias notas são
divertidas de ler, embora simultaneamente explicativas.
Em suma, "Isto Vai Doer" é um livro que apesar de não ser uma das
minhas primeiras escolhas, caiu-me no colo num dia oportuno e que devorei
rapidamente. Diverti-me e aprendi bastante. E fiquei com a sensação que os
médicos ingleses têm de ter uma capacidade sobrenatural para conseguir avançar
na sua carreira profissional. Ou então têm de ter uma veia de comediante, como
Adam Kay. Gostei imenso e diverti-me muito. Recomendo.
"Filho Único" de Rhiannon Navin (OPINIÃO)
Não há mês que passe sem que sejamos confrontados com mais um tiroteio numa escola. Apesar de ser uma realidade (ainda) longínqua de Portugal é algo que sempre nos choca, não só por se tratarem de pais e crianças, como nós e os nossos filhos, como pela impotência que existe em antecipar e evitar estes massacres.
"Filho Único" aborda essa realidade. Um tiroteio ocorre numa escola e as consequências são, obviamente, devastadoras. O leitor fica a saber rapidamente o que aconteceu através do relato de Zack, um menino de 6 anos, que se escondeu com os seus colegas e a professora num armário ao ouvirem os primeiros tiros ecoar pela escola. Imediatamente nos salta à lembrança O Quarto de Jack, e o seu narrador também de tenra idade, mas acreditem, a semelhança termina aí.
Zack perde o irmão mais velho, de 10 anos nesse acontecimento e de um momento para o outro vê a sua vida mudar drasticamente. Se é complicado para uma criança perceber o que aconteceu e porquê, mais ainda é para um adulto, e a mãe de Zack não cede a um luto, por assim dizer, com normalidade. Prefere seguir o caminho da culpabilização, apontando o dedo a quem, a seu ver, deverá ser responsabilizado pelo acontecimento. Então, o jovem Zack é deixado um pouco à deriva, tentando lidar com os seus próprios sentimentos e reposicionando-se na família como filho único e, ao fim ao cabo, a quem sente que tem a responsabilidade de fazer tudo ficar novamente bem.
É uma história terrível, sem dúvida, mas ao mesmo tempo é uma história lindíssima. Primeiro porque ao ser-nos contada na voz de Zack, temos a perfeita noção que sabemos exatamente o que está a acontecer ainda que o próprio Zack não se aperceba. As suas palavras, o seu tom serve-nos de bálsamo para contrabalançar com o que lemos. E depois, toda a sua inocência e bondade a vir ao de cima e a mudar o rumo dos acontecimentos. Absolutamente fantástico. Uma lição para todos nós que recomendo sem hesitações. Um livro a não perder que vou guardar na minha memória com muito carinho.
"Filho Único" aborda essa realidade. Um tiroteio ocorre numa escola e as consequências são, obviamente, devastadoras. O leitor fica a saber rapidamente o que aconteceu através do relato de Zack, um menino de 6 anos, que se escondeu com os seus colegas e a professora num armário ao ouvirem os primeiros tiros ecoar pela escola. Imediatamente nos salta à lembrança O Quarto de Jack, e o seu narrador também de tenra idade, mas acreditem, a semelhança termina aí.
Zack perde o irmão mais velho, de 10 anos nesse acontecimento e de um momento para o outro vê a sua vida mudar drasticamente. Se é complicado para uma criança perceber o que aconteceu e porquê, mais ainda é para um adulto, e a mãe de Zack não cede a um luto, por assim dizer, com normalidade. Prefere seguir o caminho da culpabilização, apontando o dedo a quem, a seu ver, deverá ser responsabilizado pelo acontecimento. Então, o jovem Zack é deixado um pouco à deriva, tentando lidar com os seus próprios sentimentos e reposicionando-se na família como filho único e, ao fim ao cabo, a quem sente que tem a responsabilidade de fazer tudo ficar novamente bem.
É uma história terrível, sem dúvida, mas ao mesmo tempo é uma história lindíssima. Primeiro porque ao ser-nos contada na voz de Zack, temos a perfeita noção que sabemos exatamente o que está a acontecer ainda que o próprio Zack não se aperceba. As suas palavras, o seu tom serve-nos de bálsamo para contrabalançar com o que lemos. E depois, toda a sua inocência e bondade a vir ao de cima e a mudar o rumo dos acontecimentos. Absolutamente fantástico. Uma lição para todos nós que recomendo sem hesitações. Um livro a não perder que vou guardar na minha memória com muito carinho.
"No Amor e Na Guerra" de Liz Trenow (OPINIÃO)
Não sou grande fã da Primeira Guerra Mundial. Acho que a Segunda foi bem mais interessante, do ponto de vista de tema para livros, claro! No entanto, achei que este livro tinha um certo interesse histórico pois localizava-se temporalmente no pós-Primeira Guerra e eu gosto sempre de tentar perceber o que aconteceu no depois. Não me enganei. Foi realmente uma excelente forma para perceber como os países e as pessoas lidaram com o rescaldo dessa guerra.
A história é-nos contada de três diferentes perspectivas: a de uma inglesa, a de uma americana e a de uma alemã, sendo que as três mulheres vão em busca de notícias ou de tentar descobrir uma campa dos seus entes queridos para lhes prestar homenagem e se despedir. No caso da inglesa, o marido, no da americana, o irmão e no da alemã, o filho.
As peripécias pelas quais têm de passar para atingir os seus objetivos são deveras complicadas pois tudo é difícil numa terra que foi fustigada pela guerra. Não obstante, a bondade e o altruísmo são sentimentos que estão muito à flor da pele, pelo que tudo se torna um pouco mais fácil.
É um livro interessante pois descobri coisas que não fazia a mínima ideia. Por exemplo, agências como a Thomas Cook em Inglaterra, organizavam viagens, a que preferiam chamar de "peregrinações", aos campos de batalha em França proporcionado uma espécie de conclusão para o luto daqueles que perderam alguém sem saberem bem onde - foram muitos os desaparecidos em combate. O engraçado da situação, que não tem graça nenhuma, é que essas ditas viagens, embora algo soturnas, ajudaram realmente muitas pessoas, incluindo os próprios habitantes dessas zonas pois acabavam por dinamizar a economia local.
Foi uma leitura que muito me agradou e recomendo a quem gosta de aprender através de histórias bem escritas e que nos tocam o coração. :) Gostei mesmo muito!
Podem consultar mais sobre este livro nas páginas da TopSeller » aqui.
A história é-nos contada de três diferentes perspectivas: a de uma inglesa, a de uma americana e a de uma alemã, sendo que as três mulheres vão em busca de notícias ou de tentar descobrir uma campa dos seus entes queridos para lhes prestar homenagem e se despedir. No caso da inglesa, o marido, no da americana, o irmão e no da alemã, o filho.
As peripécias pelas quais têm de passar para atingir os seus objetivos são deveras complicadas pois tudo é difícil numa terra que foi fustigada pela guerra. Não obstante, a bondade e o altruísmo são sentimentos que estão muito à flor da pele, pelo que tudo se torna um pouco mais fácil.
É um livro interessante pois descobri coisas que não fazia a mínima ideia. Por exemplo, agências como a Thomas Cook em Inglaterra, organizavam viagens, a que preferiam chamar de "peregrinações", aos campos de batalha em França proporcionado uma espécie de conclusão para o luto daqueles que perderam alguém sem saberem bem onde - foram muitos os desaparecidos em combate. O engraçado da situação, que não tem graça nenhuma, é que essas ditas viagens, embora algo soturnas, ajudaram realmente muitas pessoas, incluindo os próprios habitantes dessas zonas pois acabavam por dinamizar a economia local.
Foi uma leitura que muito me agradou e recomendo a quem gosta de aprender através de histórias bem escritas e que nos tocam o coração. :) Gostei mesmo muito!
Podem consultar mais sobre este livro nas páginas da TopSeller » aqui.
"As Raparigas Perdidas" de Simone St. James (OPINIÃO)
Este é um livro muito bem construído. Não sei como é com vocês, mas a mim agrada-me a organização, a clareza de um enredo, a boa construção de uma história. É sempre algo que condiciona a minha opinião, confesso. Por vezes uma história até é boa e as personagens cativantes, mas se não está bem construído, o livro acaba por me dececionar um pouco, o que não aconteceu com "As Raparigas Perdidas", pois fiquei agradavelmente surpreendida. Talvez o facto da autora ter trabalhado em televisão durante 20 anos tenha alguma coisa a ver com isso, não sei. Sei é que gostei muito desta história.
Como eu também tanto aprecio, temos uma história dentro de outra história, e ainda há mais uma dentro dessa, mas agora não vos vou baralhar. Tudo se passa numa pequena cidade do estado de Vermont, EUA. Há uma jornalista, que namora com um polícia, e que não consegue esquecer o assassinato da sua irmã ocorrido vinte anos antes. E depois há Idlewild Hall. Atualmente em ruínas, em meados do séc. XX um colégio de meninas algo especial. Para lá íam as raparigas que ninguém queria. Filhas ilegítimas, miúdas problemáticas, a quem era preciso dar uma educação sem grandes luxos e longe da família. As duas histórias encontram-se porque o corpo da irmã de Fiona foi encontrado nos antigos jardins desse colégio, já fechado e ao abandono nessa altura. Tudo ficaria como estava se não houvesse alguém que decidiu comprar o terreno e recuperar Idlewild Hall.
A narrativa vai saltitando entre o passado e o presente e aos poucos o fio vai-se desenrolando e vamos ficando a saber mais sobre as raparigas perdidas de Idlewild Hall, onde nem tudo era o que parecia.
Como já deu para perceber gostei imenso deste livro. Há um pouco de mistério, de investigação, de surpresas extraordinárias, e uma nota sobrenatural que adorei. Recomendo sem hesitações. Uma leitura perfeita para estes dias que começam a cheirar a outono. ;)
Como eu também tanto aprecio, temos uma história dentro de outra história, e ainda há mais uma dentro dessa, mas agora não vos vou baralhar. Tudo se passa numa pequena cidade do estado de Vermont, EUA. Há uma jornalista, que namora com um polícia, e que não consegue esquecer o assassinato da sua irmã ocorrido vinte anos antes. E depois há Idlewild Hall. Atualmente em ruínas, em meados do séc. XX um colégio de meninas algo especial. Para lá íam as raparigas que ninguém queria. Filhas ilegítimas, miúdas problemáticas, a quem era preciso dar uma educação sem grandes luxos e longe da família. As duas histórias encontram-se porque o corpo da irmã de Fiona foi encontrado nos antigos jardins desse colégio, já fechado e ao abandono nessa altura. Tudo ficaria como estava se não houvesse alguém que decidiu comprar o terreno e recuperar Idlewild Hall.
A narrativa vai saltitando entre o passado e o presente e aos poucos o fio vai-se desenrolando e vamos ficando a saber mais sobre as raparigas perdidas de Idlewild Hall, onde nem tudo era o que parecia.
Como já deu para perceber gostei imenso deste livro. Há um pouco de mistério, de investigação, de surpresas extraordinárias, e uma nota sobrenatural que adorei. Recomendo sem hesitações. Uma leitura perfeita para estes dias que começam a cheirar a outono. ;)
"O Homem Que Não Ligou" de Rosie Walsh (OPINIÃO)
Se não me tivesse sido aconselhado, acho que não teria pegado neste livro. Para já o título, que até é fiel ao original (The Man Who Didn't Call) soava-me a romancezito oco... E a capa, confesso, também não me atraía assim muito. Mas, tal como mencionei anteriormente, foi-me recomendado por alguém cuja opinião tenho em alta consideração, et voilá, tive mesmo de o ler. Sabem que mais? Não me arrependi. De todo!! :)
Este é daqueles livros em que temos de entrar sem saber praticamente nada sobre a história. Mesmo! Nada de espreitar outras opiniões que quase resumem o livro. A sério! Se possível, nem sequer leiam a sinopse! lol Dessa forma, garanto-vos, tirarão muito mais prazer desta leitura.
Por essa razão também, não posso alongar-me muito nesta opinião, mas podem ler até ao fim pois prometo não revelar nada.
Esta autora, Rosie Walsh, que não conhecia, surpreendeu-me verdadeiramente. Não me lembro de ter apanhado algo assim! À medida que vamos lendo e lentamente conseguimos colocar algumas peças do puzzle no sítio correto, ela vem e baralha-nos tudo outra vez. E a imagem muda. Juro! Foi uma leitura mesmo interessante. E as lágrimas, pessoal?! Já me tinham avisado e eu até me armei em forte, mas não consegui aguentar. As páginas dos últimos capítulos ficaram encharcadas. É tão bom quando um livro nos atinge assim, não concordam?
As personagens são muito reais e a história é mesmo maravilhosa, com voltas e reviravoltas que até nos deixam tontas. Quando cheguei ao fim, apeteceu-me recomeçar, só para ver se a história continuava e eu não tinha de dizer adeus às personagens.
Resumindo, este é um daqueles livros. Não resistam e rendam-se a O Homem Que Não Ligou. ;) Não se vão arrepender.
Este é daqueles livros em que temos de entrar sem saber praticamente nada sobre a história. Mesmo! Nada de espreitar outras opiniões que quase resumem o livro. A sério! Se possível, nem sequer leiam a sinopse! lol Dessa forma, garanto-vos, tirarão muito mais prazer desta leitura.
Por essa razão também, não posso alongar-me muito nesta opinião, mas podem ler até ao fim pois prometo não revelar nada.
Esta autora, Rosie Walsh, que não conhecia, surpreendeu-me verdadeiramente. Não me lembro de ter apanhado algo assim! À medida que vamos lendo e lentamente conseguimos colocar algumas peças do puzzle no sítio correto, ela vem e baralha-nos tudo outra vez. E a imagem muda. Juro! Foi uma leitura mesmo interessante. E as lágrimas, pessoal?! Já me tinham avisado e eu até me armei em forte, mas não consegui aguentar. As páginas dos últimos capítulos ficaram encharcadas. É tão bom quando um livro nos atinge assim, não concordam?
As personagens são muito reais e a história é mesmo maravilhosa, com voltas e reviravoltas que até nos deixam tontas. Quando cheguei ao fim, apeteceu-me recomeçar, só para ver se a história continuava e eu não tinha de dizer adeus às personagens.
Resumindo, este é um daqueles livros. Não resistam e rendam-se a O Homem Que Não Ligou. ;) Não se vão arrepender.
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