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Opinião: "Silêncio Mortal" de Bruno M. Franco

Ora bem, e eis que leio finalmente este autor que tanto tem andado a dar que falar pelos grupos literários. Este livro, oferecido por uma amiga, veio bem recomendado. "Tens de o ler. Vais adorar." E não é que adorei mesmo? Foi uma leitura compulsiva, que me fez desligar a luz às tantas da noite por duas vezes. Li o livro em dois dias. E entretanto já vou a meio do segundo da saga.

Mas o que faz este livro ser uma pedra no charco da literatura policial portuguesa? A meu ver é simples. A escrita do autor é despreconceituosa, direta. Não tem grandes floreados, nem se dá a grandes introspeções. O autor limita-se a escrever sobre a ação, nem descurando porém a construção das personagens. Adorei as personagens principais, Leonardo Rosa e Marta Mateus (m&m). Estão muito bem construídas, de forma equilibrada e fidedigna, sendo que fazem uma dupla implacável. 

Sobre o enredo, confesso, tive de me deixar ir um pouco, já que a imaginação do autor nos leva a patamares quase irrealista, só que não. 

Foi uma leitura fenomenal! Um thriller que nos agarra da primeira à última página, temperado com os condimentos necessários para uma boa história que, não só sendo atual, mexe também com os nossos sentimentos. Isto para além de que adorei viajar por Lisboa, com os nomes de ruas e lugares que tão bem conheço.

Fiquei fã de Bruno M. Franco e desta Saga Mortal. Confesso que gostava de a ver adaptada numa série, que pelos vistos até já teria três temporadas garantidas! Ó senhores da Netflix! Ponham os olhos aqui!

Adorei. Recomendo. E em breve volto com a opinião do segundo livro - Jogo Mortal.

Podem espreitar a sinopse e até comprar o livro aqui.

Opinião: "Gente Feita de Terra" de Carla M. Soares

Uma vez mais um autor português me surpreende. Não que seja nenhuma surpresa ser encantada pela escrita de Carla M. Soares, mas porque existe algo de diferente neste livro.
Talvez porque os fios da história de Filomena, a personagem central desta história, se emaranham nos fios da história de Carla M. Soares, ela própria uma retornada sem ter retornado, alguém que por ter saído cedo da terra onde nasceu, desconhece os seus cheiros, as suas formas, e de algum modo se sente orfã de "terra". Como o título indica, seremos nós Gente Feita de Terra ou será que é a terra que é feita de gente?

Acompanhamos as histórias de duas mulheres, mãe e filha, Brígida e Filomena. Uma abandona o seu Alentejo por amor a um homem, em cujos olhos de mar ela se afogou. Ruma a terra desconhecida, que a acolhe e que ela com dificuldade adota como sua. Outra, Filomena, sente-se desenraizada numa Lisboa contemporânea, e tenta, perceber a que local afinal pertence.

Apaixonei-me pela história de Brígida. Senti-me como se também eu tivesse sido levada a tudo deixar para seguir o amor de um homem que, apesar de me amar, não consegue fazer-me a única dona do seu coração. A descrição dos sentimentos, a luta interior, a dor e a mágoa, tudo, Carla M. Soares conseguiu transmitir sem mácula. Percebe-se que as palavras vieram de dentro para fora, e não de fora para dentro, se é que isto faz sentido.

A história está muitíssimo bem organizada, e apesar dos muitos saltos temporais, não existe confusão, nem equívocos. Sabemos sempre quem fala e de onde fala, tanto época, como local. As descrições dos locais estão perfeitas, completamente infiltradas por entre a narrativa, quase sem se fazerem notar, como um perfeito complemento. E todas as personagens têm o seu grau de importância para a história, e estão desenvolvidas na perfeição, consoante o seu papel.

Adorei esta leitura. Quer-me parecer que se trata de um livro perfeito. Abordando um tema difícil, ensina-nos e faz-nos querer saber mais sobre um tema que talvez não tenhamos aprofundado muito. Acaba por ser também uma leitura indispensável, não só para quem viveu aqueles tempos conturbados e teve de abandonar a sua terra, como para quem os recebeu, bem ou mal. Que de uma vez por toda se entenda que não há eles e nós, só há NÓS.

Carla, com este superaste-te. Muitos parabéns! <3

Em destaque: "Gente Feita de Terra" de Carla M. Soares

Deixar Portugal. Fugir de África. Começar de novo.

Sinopse:
Gente Feita de Terra conta a história de duas mulheres, mãe e filha, dos anos 60 até ao início do século XXI. A mãe parte jovem de um Alentejo sem futuro, perseguindo um amor na Angola colonial portuguesa, que de princípio a recebe como lhe pertencesse, para depois a expulsar, como a todos, em desespero, mostrando-lhe que a pertença não passara de ilusão.  

A filha é uma jovem viúva que habita a Lisboa suburbana do nosso século, rápida e desenraizada, e que na história da mãe tenta perceber a que lugar pertence. Gente Feita de Terra transforma, num estilo clássico e bem elaborado, as histórias recentes de Portugal e Angola, com as suas violentas atribulações, em sentimentos, sensações, sentidos de uma grande riqueza. Serão os lugares o que as pessoas deles fazem, ou serão as pessoas o resultado dos lugares?

Sobre a autora:
Carla M. Soares nasceu em 1971, em Moçâmedes, Angola, mas cedo veio para Portugal. Desde criança amou os livros, tendo-se formado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Já professora e mãe, embarcou na aventura de um mestrado em Estudos Americanos – Cultura e Literatura – e obteve uma pós-graduação em História da Arte pela Faculdade de Letras de Lisboa. Encontra-se neste momento a fazer um doutoramento em Estudos Ingleses e Americanos, na mesma faculdade.

Em 2012, viu publicado o seu primeiro título de época, Alma Rebelde, pela Porto Editora, e em 2014 o romance A Chama ao Vento, através da chancela digital Coolbooks. No mesmo ano, publicou O Cavalheiro Inglês, na coleção Os Livros RTP da editora Marcador e, em 2016, com a mesma editora, O Ano da Dançarina. Ainda em 2017, através da Cultura Editora, estreia-se na escrita de romance contemporâneo, com Limões na Madrugada.

Opinião: "Guerreiro da Paz" de Hélder Batista

Este foi outro dos livros que li nas férias. Oferta de um amigo que trabalha com o autor do livro. Sabendo-me leitora ávida e, conquistado pela história de Hélder Batista, ofereceu-mo com entusiasmo. E em boa hora o fez, pois realmente apesar de não ser uma leitura típica para as férias (levezinha, divertida) é uma história extraordinária de superação e conquista, apesar de muitas adversidades.

Hélder Batista foi abandonado pelos pais aos 8 anos. Inicialmente com dois irmãos mais pequenos, e depois sozinho ele sobreviveu como indigente durante uns bons anos, até que foi apanhado pelo sistema. A história da sua vida é impressionante. Mas mais impressionante é a forma como superou as dificuldades e aproveitou as parcas oportunidades que lhe surgiram.

Não está escrito de forma lamentosa ou queixosa. Desenganem-se se pensam que é mais uma história da carochinha. Porque não é. É simplesmente um relato de vida. E um inequívoco hino à conquista, à superação. É o canto de um guerreiro que venceu.

Um livro que recomendo sem hesitações.

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Deixo-vos a sinopse:

Toda a inspiração que precisamos quando os nos falta a coragem

Depois de ser abandonado pelos pais aos oito anos numa zona precária de Lisboa, Pedro via diariamente a sua vida a desmoronar. Primeiro, perdeu os dois irmãos, levados do abrigo em que viviam pela polícia quando ele - o irmão mais velho - procurava comida para lhe dar. Dali, sem ter para onde ir e a quem recorrer, Pedro mergulhou por anos na vida na rua, junto de tantos outros sem-abrigo embrulhados em cobertores imundos, escondidos debaixo de caixas de cartão adaptadas para acolher suas misérias, que mesmo a céu aberto e numa área central da cidade, pareciam completamente invisíveis ao resto do mundo.

Entretanto, contra todas as previsões, Pedro sobreviveu à indigência. Absolutamente do zero, criou uma carreira e um negócio de sucesso, comprovando que com determinação inabalável é possível darmos uma volta ao destino e alcançarmos nossos sonhos.
Guerreiro da Paz é uma história real e inspiradora sobre a essência da esperança.

Opinião: "O Que Dizer das Flores" de Maria Isaac

Li o primeiro livro de Maria Isaac com grande prazer. "Onde Cantam os Grilos" foi uma lufada de ar fresco, tanto na prosa como no conteúdo, tão português e genuíno. Obviamente, quando surgiu este novo livro, soube que tinha de o ler.

Apesar de haver algumas similaridades com o primeiro livro, este não me conquistou da mesma forma. Talvez por falta de uma personagem principal que me agarrasse como o Formiga agarrou. Inicialmente até pensei que Catalina fosse o "Formiga" deste livro, mas não. Não sei. Faltou ali qualquer coisa. Ou talvez a minha expectativa fosse demasiado alta. 

A história, no entanto, está bem construída, mantendo o leitor preso ao desenrolar da vida na vila de Mont-o-Ver. As personagens, muito verosímeis, parecem ter sido retiradas de um qualquer vilarejo português. Será que alguém se reverá nesta história?

Apreciei o facto da autora ter demonstrado como é uma vila portuguesa a caminho da desertificação. A partir do momento que a autoestrada lhe passa ao lado, retirando o potencial visitante que viesse por uma nacional, Mont-o-Ver vai perdendo não só habitantes, como algumas infraestruturas importantes que desaparecem por falta de gente. É um retrato fiel do interior do país.

Entretanto, a riqueza de qualquer lugar está na gente que o habita. E assim acontece também em Mont-o-Ver. Cada personagem tem a sua história, que se intercala na dos outros, e tal como acontece numa vila a sério, todos estão ligados. Para além disso, existiu há uns anos, um acontecimento que os uniu mais do que o normal. Um incêndio na igreja, onde morreu uma pessoa, que ainda esconde alguns segredos, e cuja revelação vai afetar a vida de alguns. Este é o mistério do livro e à roda do qual tudo gira.

A escrita da autora mantém-se inalterada, perfeita como no primeiro livro. Só tenho pena de não me ter apaixonado por este livro como pelo primeiro. Mas continuo fã da autora e à espera de mais.


Em destaque: "O Que Dizer das Flores" de Maria Isaac

BEM-VINDO A MONT-O-VER!

Português que se ponha a caminho da montanha, no inverno, ou da praia, no verão, é certo passar por esta planície de canaviais; mais certo ainda, é nem dar por ela. A velha via-férrea passa-lhe ao lado e os comboios já nem sequer abrandam por aqui. Em tanto espaço igual, esta é paisagem fácil de se perder.

Pois permitam que vos apresente os ilustres da vila.

O padre Elias Froes, o homem santo que tem por hábito gastar tempo a pensar no mundo, raramente em si próprio. Guarda segredos que mais ninguém sabe.

Catalina Barbosa, aventureira e contestatária. Menina bem-comportada apenas aos domingos, quando a avó a amordaça dentro de um vestido bonito para ir à missa.

Rosa Duque, a mulher que, em tempos, teve tudo para ser feliz. Foi vencida por um coração partido e resgatada por uma flor.

Zé Mau, o terror na vida das crianças. Os irmãos Mondego, os vilões nas histórias dos adultos.

Este vilarejo pode até ser pequeno e parado, mas está cheio de gente atrapalhada com muita vida para esconder.

Descubram comigo o que aconteceu, afinal, na noite do grande incêndio uma década antes e quem são os verdadeiros heróis desta nossa história pitoresca, temperada com os habituais mal-entendidos.

Bem-vindo a Mont-o-Ver!


Em destaque: "A Bibliotecária" de Salley Vickers

Um hino ao poder da literatura

Sinopse:
Em 1958, Sylvia Blackwell, recém-licenciada de uma das novas escolas de bibliotecários do pós-guerra, assume um emprego como Bibliotecária Infantil numa biblioteca degradada na vila de East Mole.

A sua missão é despertar o entusiasmo das crianças de East Mole pela leitura. Mas o caso amoroso de Sylvia com o médico da vila casado e a amizade com a sua filha precoce, o filho do vizinho e a neta negligenciada da senhoria acendem os preconceitos da comunidade, ameaçando-lhe o emprego e a própria existência da biblioteca, com consequências dramáticas para todos.

A Bibliotecária é um testemunho comovente da alegria de ler e do poder dos livros em mudar e inspirar todos nós.


Sobre a autora:
Salley Vickers é a autora de muitos romances, incluindo Angel, Miss Garnet, The Cleaner of Chartres e Cousins. Foi professora universitária de literatura, especializada em Shakespeare e na educação de adultos, focando-se na literatura clássica. É psicóloga analítica e dá palestras por todo o mundo sobre as ligações entre a literatura, a psicologia e a religião. O estilo subtil e espirituoso de Salley Vickers e a observação clara da natureza humana foram comparadas a Penelope Fitzgerald e a Barbara Pym. Ela atribui o sucesso que alcançou na vida a um amor precoce pela leitura. Atualmente, dedica-se inteiramente à escrita e divide o seu tempo entre Londres e Wiltshire.


Em destaque: "O Ano do Pensamento Mágico" de Joan Didion

“A vida muda num instante. Num dia normal.”
É assim que Joan Didion inicia a sua viagem pela memória do ano mais transformador da sua vida, começando na noite em que o seu marido, o escritor John Dunne, com quem foi casada mais de 30 anos, morre de ataque cardíaco, e a sua única filha está em coma no hospital. Com uma escrita tão assertiva como limpa, tão honesta como desarmante, Didion investiga os vivos que sobrevivem aos mortos, revelando, através da sua experiência pessoal, aquilo que é universal a todos: a dor da perda, a necessidade da superação quando tudo parece inútil.

Num registo por vezes jornalístico, recorrendo a estudos, especialistas ou a poemas e obras de arte, outras vezes confessional e literário, mas escapando da autopiedade, Didion deixa o fluxo da sua consciência viajar pelas memórias do casamento, pela experiência da maternidade e da escrita, recordações que emergem a cada momento, quando trata do funeral do marido ou visita a filha inconsciente no hospital. 

Sobre a autora:
Joan Didion, norte-americana, é autora de romances, obras de não-ficção, peças de teatro e filmes. O seu estilo jornalístico, que o New York Times descreveu como «elegante, sofisticado e irónico», fez dela uma das vozes literárias que melhor revelou a identidade da América do seu tempo. O ano do pensamento mágico foi finalista do Prémio Pulitzer e valeu-lhe o National Book Award em 2005. O livro foi adaptado ao teatro e a peça estreou na Broadway em 2007.

"Deixa-me Mentir" de Clare Mackintosh (OPINIÃO)

Por vezes os autores reinventam-se a cada livro que escrevem. Muitos seguem o mesmo guião, sendo que o leitor não terá grandes surpresas quando ler um novo livro desse autor. Outros, como me parece ser o caso de Clare Mackintosh, reinventam-se, tornando cada livro que escrevem uma obra única com características muito diferentes. Passo a explicar...

Quem leu os livros anteriores da autora ("Deixei-te Ir" de "Estou a Ver-te") encontrou dois excelentes thrillers psicológicos. Quem for ler este "Deixa-me Mentir" vai encontrar algo diferente. É um thriller relativamente mais leve, com uma maior incidência tópico das relações familiares e segredos que as famílias escondem. Sou sincera, gostei muito dos primeiros livros, mas este também acabou por me cativar. Principalmente pela surpresa no desenrolar do enredo.

Não posso revelar nada sobre a história, mas a premissa "se não foi suicídio, se não foi assassínio, foi o quê?" deixou-me super mega curiosa e com a imaginação a 100 à hora. Porém, quando comecei a ler, senti-me refreada. Sim, o ritmo abranda e a ação desenrola-se um pouco mais devagar do que estamos à espera. Mas até isso é necessário! É que o leitor tem mesmo de ler as coisas com calma, entender e interiorizar o que está a acontecer, para depois quando a reviravolta acontece, não ter de voltar atrás para perceber o que que aconteceu. Eheheh Adoro quando isto acontece! E se acontece neste livro!!

Podem crer que foi uma leitura intensa e muito interessante! E deixou-me curiosa sobre o próximo livro desta autora. Recomendo.

Podem ler a sinopse aqui.

Em destaque: “Deixa-me Mentir” de Clare Mackintosh


Para a polícia foi suicídio.
Para Anna foi homicídio.
Ambos estão errados.

Sinopse:
Depois do seu pai e da sua mãe terem acabado com as próprias vidas de maneira muito parecida, em dois suicídios brutais e com intervalo de apenas alguns meses, Anna está a tentar virar a página do passado trágico da sua família e recomeçar a sua vida. 

O novo namorado e o filho vieram para trazer à Anna alguns sorrisos no meio do caos. Mas, mesmo com todo o seu esforço para superar os seus traumas e se entregar aos novos começos, o seu passado de repente volta à tona trazendo ainda mais dor e devastação.
No primeiro aniversário da morte da sua mãe, Anna recebe um bilhete anónimo e perturbador: Suicídio? Pensa melhor. Será possível que alguém poderia ser cruel ao ponto de fazer uma brincadeira dessas? Ou de facto existe algo por trás do suposto suicídio de seus pais?

No fundo, Anna nunca entendeu como eles tinham sido capazes de tirar as suas próprias vidas de maneira tão cruel.

Deixa-me Mentir tem o ritmo lancinante que é a marca de Clare Mackintosh. Carregado de reviravoltas, deixa qualquer um em estado de choque da primeira à última página.

Sobre a autora:
Clare Mackintosh trabalhou doze anos na polícia, alguns deles, inclusive, no Departamento de Investigação Criminal. Em 2011, deixou a carreira na polícia para ser jornalista freelancer, escrevendo para publicações como o jornal The Guardian. Criadora do festival literário de Chipping Norton, atualmente dedica-se em tempo integral à carreira de escritora e vive em Cotswolds, na Inglaterra, com o marido e seus três filhos.

O seu livro de estreia, tornou-se best-seller do The Sunday Times e do The New York Times. Deixa-me Mentir é o terceiro livro da autora.

"A Quinta do Pinheiro" de Adelaide Passos (OPINIÃO)

Foi o primeiro livro que li desta autora. Admirei o pormenor da capa, lindíssima, e o título a chamar-nos para nos contar uma história. Mas não encontrei exatamente o que estava à espera. As expectativas por vezes estragam-nos as leituras, e acho que foi o que aqui aconteceu. O livro não conta a história da Quinta do Pinheiro, mas sim a vida dos que abalaram dali rumo ao desconhecido, deixando para trás uma mãe só com os seus sonhos.

A história desta família divide-se em duas partes, o passado e o presente. Na primeira parte o relato começa com Angélica e Joaquim, que decidiram emigrar para o Brasil e ali começar uma nova vida. Regressam anos mais tarde para Portugal e instalam-se na Quinta do Pinheiro, no Douro. Pouco tempo depois, começa o martírio desta mulher que vê o marido partir novamente para as terras de Vera Cruz, onde vem a falecer, deixando-a sózinha com os filhos em Portugal. Entretanto os miúdos crescem e também eles partem, à vez, em busca de fortuna e aventura noutros países. Gostei da forma como a autora foi contando a história de um filho, que emigrou para o Brasil e depois do outro, que emigrou para Moçambique - as vidas de ambos, a forma como encontraram as suas esposas e mais tarde a sua descendência.

A segunda parte acontece bastantes anos mais tarde, quando as descendentes de Angélica, sentem um apelo para visitar a Quinta do Pinheiro, casa de família que nunca tinham visitado. Camila, neta, vem de África e Vitória, do Brasil. Ali, com a ajuda de uma sobrinha que ficou como guardiã da quinta, ambas encontram o que procuravam, um sentido para as suas vidas e o retomar dos laços familiares, com a certeza de que algures a sua avó Angélica continua a abençoar aquele lar.

Apesar de ter gostado do desenvolvimento que a autora deu ao percurso desta família no estrangeiro, senti que faltou alguma profundidade à história da vida de Angélica na Quinta do Pinheiro. Era isso que eu estava à espera - até porque a capa assim o dá a entender - e que por essa razão me soube a pouco. É, no entanto, uma história interessante, bem escrita e organizada, com algumas personagens muito verosímeis e bem trabalhadas, que me deixou curiosa sobre as outras publicações da autora.

De louvar, no entanto, que a autora tenha decidido, por motivos que lhe são muito próximos, dedicar os lucros dos seus livros ao trabalho do Centro de Investigação de Tumores Cerebrais do Instituto de Medicina Molecular. 

Em destaque: "A Quinta do Pinheiro" de Adelaide Passos

Todas as famílias têm uma história para contar

Sinopse:
Décadas depois da morte da sua avó Angélica, Camila, sente o apelo para visitar a quinta no Douro  em que seus antepassados viveram e decide retornar de África. 
Ao mesmo tempo, Vitória, bisneta de Angélica, parte do Brasil para Portugal, com objetivo de desbravar suas origens e tentar conhecer um pouco mais da história de sua bisavó Angélica, sobre quem ouviu tantas histórias quando criança. Ao visitarem o lugar em que a matriarca da família viveu até o último de seus dias, neta e bisneta encontram-se pela primeira vez e buscam juntas respostas que já sabem não conseguir encontrar sozinhas. E, para isso, contam com a ajuda de laços afetivos de outras vidas para o entendimento do real propósito de suas vidas. 

Com uma narrativa sensível e comovente, características marcantes dos livros  de Adelaide Passos, A Quinta do Pinheiro conta a saga de uma família marcada pela força das suas mulheres. É um romance sobre reencontro e autoconhecimento, que nos leva a descobrir o poder das relações que realmente importam. "É preciso reconhecer que nossa jornada tem percalços. Todos passamos por momentos de alegria, mas também de desespero. O que nunca devemos é deixar de seguir adiante."


Uma saga de mulheres fortes, as suas vivências e os seus sentimentos.

Sobre a autora:
Adelaide Passos é natural de Moçambique. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa e trabalhou como advogada em Maputo. Emigrou depois para a África do Sul, onde ingressou numa firma multinacional de consultoria e auditoria, tendo-se tornado uma das suas sócias internacionais. Transferiu-se posteriormente para Genebra e finalmente para Lisboa. É autora dos livros O Céu Pode Esperar e Kaya África. Ambos alcançaram o top nacional de vendas, e foram tema de vários artigos publicados em revistas ao redor do mundo. Participou em inúmeros seminários como oradora e lecionou em diversas cidades a profissionais de vários países.
É casada, tem dois filhos e quatro netos. Atualmente vive em Sintra.



"Sob um Céu Escarlate" de Mark Sullivan (OPINIÃO)

Este é daqueles livros que, se não tivesse sido me oferecido, nunca o teria lido. A capa, não me perguntem porquê, transportava-me para a Austrália, e como estive lá há pouco tempo (em livro, eheheh) não me apetecia voltar já. Depois, pela sinopse, parecia-me demasiado "masculino", muito sangrento, blá blá blá... No entanto, o autor suscitou-me a curiosidade. Mark Sullivan, embora tenha alguns livros publicados e premiados em nome individual, é mais conhecido em Portugal como o coautor de James Patterson na série de livros Private, que já tive o prazer de experimentar.

Decidi então abrir o prólogo e ler. Mark Sullivan explicou como a história de Pino Lella lhe chegou às mãos, e depois falou do seu trabalho de pesquisa e das entrevistas que levou a cabo, ao próprio Pina e a outras pessoas intervenientes. A escrita de Mark conquistou-me de imediato. É certo que era apenas o prólogo de um livro, mas ele estava a contar uma história, a explicar as coisas e a expor-se com determinação e simplicidade. Gostei. Depois a curiosidade aguçou-se e fiquei a querer saber mais sobre esse rapaz  que tinha a idade do meu filho (17 anos) quando o o seu bairro em Milão começa a ser bombardeado pelos Aliados e a guerra rebenta em força na Itália de Mussolini. As dúvidas dissiparam-se. "Sob um Céu Escarlate" era a minha próxima leitura.


 Pino Lella é-nos apresentado como um dos muitos heróis desconhecidos da Segunda Guerra Mundial e a sua história verídica como emocionante, chocante, comovente e inspiradora. Depois de ler este livro só tenho a acrescentar uma palavra: inesquecível.


Mark Sullivan não me desiludiu. É um autor que prometeu e cumpriu. A história que ele conta é deveras extraordinária e a forma como ele escreve mantém-nos cativos, a querer ler e descobrir mais e mais sobre Pino Lella e a sua família e amigos. Simultaneamente aprendemos imenso sobre a Segunda Guerra Mundial num território que normalmente fica fora das publicações históricas - pouco ou nada eu sabia sobre o que aconteceu em Itália nessa época. Fiquei absolutamente assombrada e interessadíssima em saber mais. A dualidade dos sentimentos dos italianos é fascinante. Por um lado queriam ficar do lado do seu país mas por outro lado abraçar o nazismo era para muitos deles uma ideia insuportável. A rebelião foi inevitável e a resistência italiana acabou por ter um papel extremamente importante na queda da Alemanha.

É uma leitura adequada a todos. Homem ou mulher, jovem ou adulto, vão apaixonar-se pela história de Pino Lella que a meu ver deveria ser consagrada no grande écran. Um livro extraordinário. Para mim, o melhor de 2018. Recomendo.

Mark Sullivan e Pino Lella

Em destaque: "Sob Um Céu Escarlate" de Mark Sullivan

Uma história verídica. 
Um herói improvável. Um épico irresistível.

Sinopse:
Pino Lella não quer nada com a guerra ou com os nazistas. Ele é um adolescente italiano normal - obcecado por música, comida e miúdas, mas os seus dias de inocência estão contados. Quando a sua casa em Milão é destruída pelas bombas dos Aliados, Pino junta-se a uma via-férrea subterrânea ajudando judeus a escapar dos Alpes e apaixona-se por Anna, uma bela viúva seis anos mais velha do que ele. Numa tentativa de protegê-lo, os pais de Pino forçam-no a alistar-se como soldado alemão - julgando que assim o manteriam longe de combate.

Mas Pino é ferido e depois recrutado, aos dezoito anos, como motorista pessoal do general Hans Leyers, o caudilho de Adolf Hitler na Itália, e um dos comandantes mais misteriosos e poderosos do Terceiro Reich. Agora, com a oportunidade de espiar o Alto-Comando Alemão, Pino luta em segredo, suportando os horrores da guerra e da ocupação, tendo a sua coragem reforçada pelo seu amor por Anna e pela vida que ele sonha que um dia compartilhar.

Sobre o autor:
Mark Sullivan é o aclamado autor de dezoito romances, incluindo a série Private, bestseller do New York Times, que ele escreve em coautoria com James Patterson. Mark recebeu inúmeros no jornalismo de investigação. prémios literários, incluindo o WHSmith Fresh Talent Award, e algumas das suas obras foram nomeadas como o Notable Book do New York Times e o Melhor Livro do Ano do Los Angeles Times.

Cresceu em Medfield, Massachusetts, e formou-se no Hamilton College em literatura inglesa, antes de trabalhar como voluntário no Corpo da Paz no Níger, na África Ocidental. Após o seu regresso aos Estados Unidos, estudou na Medill School of Journalism, na Northwestern University, e iniciou a sua carreira. Um ávido esquiador e aventureiro, ele vive com sua mulher em Bozeman, Montana, onde continua grato pelo milagre de todos os momentos.

"Isto Vai Doer" de Adam Kay (OPINIÃO)


Um livro escrito por um médico que agora é comediante tem de ser algo fora do normal. E é! Adam Kay, que agora se dedica na integra à comédia e a escrever guiões para a televisão, foi durante muitos anos médico no Serviço Nacional de Saúde britânico. Durante esse tempo manteve um diário sobre os casos que lhe passavam pela mão, e após rever o diário com o apoio de um advogado (para evitar eventuais processos), decidiu publicar este livro para, de uma forma divertida, revelar o stress a que os médicos ingleses são sujeitos durante os primeiros anos do seu percurso profissional. Na verdade, tudo isto seria trágico se não fosse tão hilariante.

Adam Kay foi médico de obstetrícia e ginecologia pelo que na sua carreira ajudou a nascer milhares de bebés. As inúmeras experiências boas que teve nesse trabalho não conseguiram, no entanto, retirar o peso do que de mau acontecia, para além do que, como ele bem demonstra, um médico no SNS britânico não pode, nem consegue, ter uma vida social e familiar normal. Foi uma época bastante desgastante, mas Adam conseguiu sobreviver. Este não foi o seu pedido de ajuda, mas um abre olhos para todos os que se apressam a julgar os médicos e tomar partido do governo que cada vez mais os estrangula. Isto, obviamente no Reino Unido.

Pode parecer um pouco que o livro é demasiado sério, mas bem pelo contrário. Esta é só a mensagem que retiramos no final. Ao ler o livro soltamos umas belas gargalhadas e a escrita completamente descomplexada de Adam torna a leitura ainda mais divertida. Todos os termos técnicos utilizados são explicados em forma de nota do autor, pelo que por vezes até as próprias notas são divertidas de ler, embora simultaneamente explicativas.

Em suma, "Isto Vai Doer" é um livro que apesar de não ser uma das minhas primeiras escolhas, caiu-me no colo num dia oportuno e que devorei rapidamente. Diverti-me e aprendi bastante. E fiquei com a sensação que os médicos ingleses têm de ter uma capacidade sobrenatural para conseguir avançar na sua carreira profissional. Ou então têm de ter uma veia de comediante, como Adam Kay. Gostei imenso e diverti-me muito. Recomendo.

Em destaque: "Isto Vai Doer" de Adam Kay

«Dolorosamente engraçado.» – Stephen Fry
«O livro mais divertido do ano.» – The Sunday Times
«Hilariante e inteligente.» The Times

Sinopse:
Isto Vai Doer é um relato emocionante, cómico, e assustador de quem esteve na linha da frente no Serviço Nacional de Saúde britânico, numa profissão na qual as horas semanais de trabalho podem chegar a noventa e sete, em que diariamente é necessário tomar decisões de vida ou morte e a vida pessoal é relegada para segundo plano, não existindo tempo para os amigos e para relações duradouras.

Esta é a história pessoal de Adam Kay, que utilizou o seu extraordinário sentido de humor para contar a sua experiência enquanto médico interno no Serviço Nacional de Saúde britânico. Em 2010, após seis anos de formação e outros seis como médico, abdicou da profissão por sentir que as condições impostas pelo sistema eram extremas e irracionais, nomeadamente remuneração mal ajustada em relação ao nível de responsabilidade exigido, que tiveram um forte impacto na sua vida profissional e pessoal.

Sobre o autor:
Adam Kay é médico de formação, que sempre manifestou interesse pela comédia e que após uma experiência traumática que conta no seu primeiro livro Isto Vai Doer, abandonou a Medicina para se dedicar completamente a escrever e editar guiões para televisão e cinema.
Cresceu numa família judaica, constituída por vários médicos, incluindo o próprio pai, que tornou a sua escolha pela formação em Medicina como o caminho certo a escolher.

Em destaque: "Meridiano 28" de Joel Neto


Poderia um agente nazi ter-se escondido nos Açores, consumada a derrota de Hitler?

Sinopse:
Em 1939, o mundo entrou em guerra. Foi o conflito mais mortífero da História da Humanidade. Mas, na pequena ilha açoriana do Faial, ingleses e alemães conviveram em paz durante mais três anos. Eram os loucos dos cabos telegráficos.

No mar em frente emergiam os periscópios de Hitler. Dezenas de navios britânicos eram afundados todos os meses. Já em terra, as crianças inglesas continuavam a aprender na escola alemã, dividindo as carteiras com meninos adornados de suásticas. As famílias juntavam-se para bailes e piqueniques.

Os hidroaviões da Pan Am faziam desembarcar estrelas de cinema e de música, estadistas e campeões de boxe. Recolhiam-se autógrafos. Jogava-se tennis e croquet. Dançava-se o jazz.

Viviam-se as mais arrebatadoras histórias de amor.

QUEM FOI HANSI ABKE?
QUE SOMBRA LANÇA HOJE SOBRE O DESTINO DE JOSÉ FILEMOM MARQUES, O SOBRINHO CRIADO NO BRASIL?

Um romance que vai de Lisboa a Nova Iorque, de Friburgo a Praga, de Bristol a Porto Alegre e às ilhas açorianas, onde todos são descobertos e ninguém pode ser apanhado.

Um reencontro entre dois homens de tempos distintos e que talvez tenham mais em comum do que aquilo que gostariam de acreditar. Uma memória das mulheres que amaram e talvez não tenham sabido fazê-lo.

Sobre o autor:
Joel Neto (n. 1974, Angra do Heroísmo) é autor de quatro romances, uma colecção de contos e vários volumes de crónica e diário. Trabalhou durante duas décadas em Lisboa e vive agora no lugar dos Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã (ilha Terceira), onde tem dois cães, um jardim de azáleas e um pomar. É cronista permanente de vários jornais, entre eles o Diário de Notícias. Os seus dois livros anteriores, Arquipélago (romance, 2015) e A Vida no Campo (diário, 2016), mereceram o aplauso da crítica e dos leitores.

Resultado do Passatempo de Janeiro - "Limões na Madrugada"

Cá estou eu para anunciar o vencedor deste passatempo maravilhoso, proporcionado pela Cultura Editora, a quem desde já agradeço.

Deixo-vos então com as respostas corretas às perguntas efetuadas:

Onde vive Adriana? Argentina.
O que veio Adriana fazer a Portugal? Desvendar o passado da sua família.
Sobre a autora, que outros livros publicou? "Alma Rebelde", "A Chama ao Vento", "O Ano da Dançarina" e "O Cavalheiro Inglês"

De entre os 237 participantes considerados válidos, foi sorteado a seguinte vencedora:

Ana Isabel Gomes Machado
de Santo Tirso

Parabéns!! Vais receber o livro na morada indicada durante os próximos dias. :)

"Limões na Madrugada" de Carla M. Soares (opinião)

Não poderia ter começado o meu ano de leituras de melhor forma. :) "Limões na Madrugada" é um livro lindíssimo, perfeito, escrito de uma forma absolutamente maravilhosa que nos conquista a cada linha que percorremos com o olhar. 

Eu já sabia que Carla M. Soares escrevia bem, mas meus amigos, isto não é escrever bem! É arrebatar o leitor e transportá-lo para dentro da história em segundos após iniciar a leitura. Devia ter desconfiado quando na apresentação do livro ela foi tão parca em palavras para o descrever, um contraste gritante com o que dizia o seu olhar. Este é sem dúvida, um filho de ternura, um projeto que lhe saltou das mãos quase sem que ela desse por isso, e a meu ver, o melhor livro da Carla.

Adorei a história, a forma como nos é contada, por alguém que também a está a conhecer agora. A voz na primeira pessoa, as considerações, os desabafos, a feminilidade de Adriana, as suas dúvidas e as suas fraquezas. Adorei. Adorei as descrições dos locais, tão subtis e verosímeis que me surpreendia cada vez que interrompia a leitura e descobria que não estava no local do livro. Adorei viajar até à Argentina e passear pelo Porto, cidade que me deixou saudades. Saltitar entre o presente, o passado e um passado ainda mais longínquo, quase sem dar por isso. Adorei.

Este foi mesmo um início de ano de leitura auspicioso. Que venham mais deste calibre. Merece sem dúvida alguma as minhas 8 estrelas! 

Parabéns, Carla M. Soares e parabéns à Cultura Editora! A capa é lindíssima e o título maravilhoso. Terminei o livro a sentir o aroma a limões.