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"A Hora Mágica" de Kristin Hannah (OPINIÃO)

Não há como negá-lo, os livros de Kristin Hannah começam a ser um vício para mim. As suas histórias são muito interessantes e ela consegue captar a minha atenção logo nos primeiros parágrafos. Se intervalar a leitura de um livro é sempre um suplício, acreditem com este A Hora Mágico, foi mesmo complicado!

Existem três histórias dentro desta história. A história de Julia, uma psicóloga que acabou de atravessar uma fase complicada na sua vida profissional, a história da pequena Alice, por quem me apaixonei, e a história das duas irmãs, Julia e Ellie, que juntas vão ter de ultrapassar o que as separa para conseguir ajudar Alice, e para encontrar a felicidade que, sem que o saibam, está mesmo ao virar da esquina.

Este é um daqueles livros. A história de Alice é extremamente pungente, difícil de aceitar, mesmo sabendo que se trata de uma história fictícia. Ela aparece um dia na cidade de Ellie, um verdadeiro animal selvagem, que não consegue comunicar nem entender o que a rodeia.

Assim que a conheci lembrei-me imediatamente de outra história, esta com uma jovem adulta em vez de uma criança, mas com os mesmos contornos. Se não viram, ou se viram há muito tempo, aconselho... Nell, um filme com Jodie Foster e Liam Neeson. Deixo-vos o trailer embaixo.

Regressando à pequena Alice, é sem dúvida uma das minhas personagens favoritas deste ano. É uma personagem maravilhosamente bem explorada, e a sua evolução completamente verosímil. Acredito que Kristin Hannah deva ter feito um exaustivo trabalho de pesquisa, pois o resultado é fabuloso.

É um livro que não foge ao género que esta autora já nos habituou, mas prima pela originalidade e cuidado, pelo que não hesito em recomendá-lo, visto que o classifiquei como um dos melhores deste meu ano literário. Adorei.

"O Segredo da Minha Mãe" de Clare Swatman (OPINIÃO)


E se de repente descobrissem que a vossa família, não era realmente a vossa família? É o que acontece a Georgie, a protagonista principal deste livro: sem querer, descobre que a sua mãe e irmã podem não ser a sua família biológica. Como lidar com esses sentimentos, como descobrir o que aconteceu quando atualmente a sua mãe se encontra numa acelerada espiral descendente rumo ao Alzheimer, e a sua irmã mais velha, a sua rocha de apoio, se afasta com a incredulidade?

É este o enredo que Clare Swatman nos apresenta no seu livro O Segredo da Minha Mãe. Como os segredos de família são um dos meus temas favoritos, não pude dizer que não a este livrinho. No entanto, posso dizer que, apesar de saber o que ía encontrar, acabei por encontrar algo mais. Para além da história da mãe de Georgie, e das razões que a levaram a fazer o que fez, há igualmente uma parte muito importante sobre o "depois", coisa que por norma não é muito aprofundada nestas histórias. Essa acaba realmente por ser talvez a parte mais interessante da história, perceber como duas famílias podem ser afetadas por um acontecimento traumático, e como todos lidam com o assunto depois de se descobrir a verdade. Ficará Georgie com uma família destroçada ou duas famílias, que apesar dos remendos, se esforçam por encontrar um equilíbrio e com ele a felicidade?

Foi uma leitura que me agradou e fico deveras interessada em outros livros que esta autora possa vir a publicar em Portugal. Uma ótima sugestão para prenda de Natal! Recomendo.

"Conta-me o teu Segredo" de Dorothy Koomson (OPINIÃO)

Não há dúvidas! Dorothy Koomson está cada vez melhor. Aperfeiçoou as suas histórias, deu uma maior profundidade ao enredo, e conseguiu direcionar o género para o policial, sem no entanto perder a qualidade nem a capacidade de cativar o leitor. Bem pelo contrário! Ela tornou os seus livros viciantes para uma fatia ainda maior de leitores.

Tenho acompanhado a sua carreira literária, e até já tive o privilégio de estar à conversa com ela por duas vezes. É uma pessoa cativante e muito interessante, para além de ser a autora extraordinária que já conhecemos. Esta viragem nos seus livros era de esperar. Já nos últimos ela acabava por conduzir o leitor para uma aventura de certa forma policial. Recordo aqui por exemplo A Praia das Pétalas de Rosa ou Os Aromas do Amor. Um deles que eu gostaria que ela pegasse e recontasse a história do ponto de vista policial era o Um Erro Inocente. Pode que que um dia ela ache uma boa ideia revisitar uma história das dela.

Sobre este livro, "Conta-me o Teu Segredo", devo dizer que é um tema poderoso. No fundo, não há como evitar a ligação ao movimento #MeToo. Silenciar as suas vítimas é o modus operandi do vilão neste livro, e de outras formas, o que todos os abusadores almejam alcançar. Gostei do facto da história ser contada a duas vozes, uma polícia e uma jornalista, ambas com uma ligação direta ou indireta aos crimes.

Como sou grande fã das séries policiais da BBC, quase consegui visualizar o filme na minha cabeça, e isso, para mim, é sinal de que está realmente bem feito. Bem escrito, bem organizado, com as cenas a sucederem-se de uma forma lógica e encadeada.

Os meus parabéns a Dorothy! Adorei a sua nova faceta, tão exemplarmente bem assumida neste novo livro, que recomendo sem hesitações. :)

"Suite 405" de Sveva Casati Modignani (OPINÃO)

Sveva é um daqueles autores que não consigo deixar de ler. Apesar de já há algum tempo os seus livros me saberem a pouco, apesar de saber que a fórmula que ela utiliza é quase sempre a mesma, na hora que sai mais um, eu continuo a querer lê-lo. A verdade é que sei que vou encontrar uma história com pés e cabeça, passada em Itália, país que me fascina, com personagens italianas, por norma mulheres com um carácter forte e determinado, que ultrapassam as dificuldades que a vida lhes coloca no caminho.

Uma das coisas que mais aprecio nos seus livros, e em que Sveva é exímia, são os saltos temporais. Ela recua até ao passado de uma personagem, por vezes infância ou adolescência, e conta-nos a sua história até ao presente. Desta forma certifica-se que o leitor compreenda porque a personagem é como é. E isso, meus caros amigos, muitas vezes é a verdadeira história.

Neste Suite 405, Sveva apresenta-nos a história de Lamberto Rissotto e Giovanni Rancati, dois homens fortes em dois campos opostos. Um é um conde e industrial de sucesso, e o outro um sindicalista de topo. Se bem que a autora aborde o tema da classe operária e nos mostre os problemas do ponto de vista dos trabalhadores, fá-lo de uma forma superficial, pois a gema desta história são as mulheres por trás desses dois homens, Armanda e Bruna. Não há dúvida, com esta autora as mulheres são sempre as heroínas. 

É uma leitura sem surpresas, calma mas simultaneamente cativante. Gosto muito da forma como Sveva consegue entrelaçar a vida das personagens, criando uma história bonita e fácil de ler. Se infelizmente já não podemos contar com as maravilhosas sagas familiares, que ela escrevia em conjunto com o seu marido, sei sempre que vou encontrar uma bela história que me vai distrair da realidade durante algum tempo. Gostei.

"O Fim da Solidão" de Benedict Wells (OPINIÃO)

Este é daqueles livros que apesar do seu tom melancólico, por vezes triste, não nos contagia. Muito pelo contrário, é exatamente esse tom que nos conquista, que nos enternece e nos faz apreciar ainda mais a leitura.

"O Fim da Solidão" conta-nos a história de três irmãos, dois rapazes e uma rapariga, que ficam orfãos de ambos os pais devido a um acidente automóvel. Na impossibilidade de algum familiar ficar com eles, são encaminhados para um colégio interno, e obviamente separados por idades. Mas não pensem que se trata daquelas histórias terríveis sobre orfanatos e crianças maltratadas. Não tem nada a ver com isso.

A história vai-nos sendo contada por Jules, o mais novo. Aos poucos os irmãos afastam-se, como se quisessem esquecer o elo que os une, e Jules dá por si quase como um mero observador da sua própria vida. A sua única amiga, Alva, é a sua companheira de aventuras e leituras, que de certa maneira compensa a falta dos irmãos, durante o tempo de internato. Ela também tem uma história que a torna diferente dos demais, e em Jules encontra o companheiro ideal. Quando a escola termina, eles também acabam por se afastar, e Jules vê-se novamente sozinho. A vida continua para os três irmãos, e o leitor continua a acompanhá-la através do relato das introspeções de Jules, pontuado pelas memórias do tempo antes da morte dos pais.

Na realidade, e não há como fugir ao tema, a infância é sem dúvida uma das fases mais importantes das nossas vidas. O que nos acontece nesta fase acaba por condicionar a nossa maneira de ser, a forma como encaramos as coisas.
«Uma infância difícil é como um inimigo invisível. Nunca se sabe quando nos vai atingir.»
Apesar de todas as voltas e reviravoltas, os três irmãos acabam por se reencontrar num lugar comum, feliz, e construir uma vida onde cada um deles tem o seu espaço.

Esta foi uma leitura muitíssimo interessante. É sem dúvida uma pequena pérola no infindável mundo literário contemporâneo. Transborda o tom melancolicamente doce, de tal forma que não tenho dúvidas nenhumas que o seu autor tem uma alma velha (com todo o belo significado da expressão). Recomendo com todo o coração.

P.S. Adorei as referências a livros, que devidamente anotei para mais tarde ler.

P.S.2 Acho a capa perfeita. Adorei. Parece quase uma pintura.

"A Agenda Vermelha" de Sofia Lundberg (OPINIÃO)

A minha história com este livro foi engraçada. Quando o vi (na Wook) nem lhe passei cartuxo. Achei que era mais um daqueles livros aos quais apelido "de bolinha vermelha", e cuja leitura não aprecio mesmo nada. Vá, têm de concordar comigo, tem todo o estilo... Mas acontece que alguém mo fez chegar às mãos, e assim que o vi, ao vivo e a cores, fiquei encantada. A edição é num tamanho mais pequeno do que o habitual, com os cantos da capa e contra capa arredondados, tal como se fosse uma verdadeira agenda telefónica, que antigamente, antes desta era digital, tanto se usavam. Bem, para além disso vinha acompanhado de uma carta da autora, explicando resumidamente de como imaginou esta história, com base na história da sua própria avó. Fiquei logo cativada. E agradeço a quem mo ofereceu, pois é uma verdadeira pérola que vou querer manter na estante para daqui a uns anos reler.

O mote é simples: uma idosa de 96 anos que ainda vive sozinha, embora com acompanhamento de um serviço social, tem passado os últimos tempo a recordar e a escrever, numa pequena agenda, histórias da sua vida. E que vida!! Ela viveu em Estocolmo, onde trabalhou como criada na casa de uma mecenas de diversos artistas, entre eles Gösta Adrian-Nilsson, que por curiosidade era tio avô da autora deste livro. Depois, com a sua senhora, rumou a Paris onde foi "encontrada" por um dos grandes nomes da moda e com quem iniciou a sua carreira de modelo. E tudo isto numa altura onde o nazismo começava a dar sinais de vida.

O relato vai saltitando entre o presente e o passado, e aos poucos vamos conhecendo a vida de Doris e sua visão de uma Europa à beira de entrar na Guerra. Simultaneamente, conhecemos também a sua frágil atualidade, que Doris não quer abandonar até conseguir passar o testemunho do que viveu à sua sobrinha-neta, com quem tem um contacto diário via Skype.

Este pequeno livro revelou-se numa história maravilhosa, sobre a vida e os vários tipos de amor que a preenchem. Um verdadeiro conto agridoce repleto de pequenas pérolas de sabedoria, que nos recorda o quão importante é a passagem de testemunho entre gerações. Com o passado, descobrimos mais sobre o presente, e aprendemos a lidar com o futuro.

Adorei. E recomendo. É uma excelente ideia para prenda deste Natal que se aproxima.


"O Mistério da Minha Irmã" de Tracy Buchanan (OPINIÃO)


Adoro livros com histórias que envolvam relações familiares complicadas, segredos de família e contornos imperfeitos. Talvez porque as verdadeiras famílias são mesmo assim - longe de serem perfeitas. Conheço a dor da ausência, o perder da nossa identidade, sei o que é sentirmo-nos sozinhos sem referências familiares... mas felizmente também sei o que é construir uma nova família, e fazer crescer uma nova árvore genealógica. Toda a moeda tem o seu reverso.


Esta é uma das razões pela qual gostei tanto deste livro. Encaixa perfeitamente na minha ideia de uma história perfeita sobre uma família normalmente imperfeita. No início, existem  três irmãs, amigas inseparáveis mas completamente diferentes. Depois, anos mais tarde, existe a filha de uma delas, Willow, cujos pais morreram num naufrágio, e que foi criada por uma das tias. O mistério do título é ele próprio um mistério. O que aconteceu no passado, e a qual das irmãs diz respeito? E mais não digo, pois não vos quero estragar a leitura.


Não posso é deixar de vos contar sobre o tema de fundo, que serve de panorama ao desenrolar da história, e pelo qual me apaixonei: as florestas submersas. Sabiam que existem inúmeras florestas submersas por todo o mundo? Atenção, são florestas que um dia existiram fora de água e que por diversas razões ficaram submersas e intactas, algumas mortas, praticamente cristalizadas, outras ainda vibrantes e florescentes. É sem dúvida a cereja em cima do bolo. Adorei. E convido-vos descobrir mais sobre este assunto tão fascinante. Podem começar por ver o vídeo abaixo.


Sobre o livro, não há como enganar, com um título assim, eu tinha de o ler. E adorei. Com todas as voltas e reviravoltas, todas as descobertas, todas as imperfeições daquela família trazidas ao de cima, é um livro perfeito para este tempo confuso de outono. Recomendo sem hesitações!

"Um Amor do Passado" de Kristin Hannah (OPINIÃO)

Kristin Hannah é uma autora que só comecei a ler recentemente. Adorei "O Rouxinol", e deliciei-me com "A Grande Solidão", obviamente que agora tenho de ler tudo o que ela já escreveu e que esteja publicado em português. :) Não acontece o mesmo com vocês? 

Bem, este livro "Um Amor do Passado", publicado em exclusivo pelo Círculo de Leitores, foi publicado originalmente em 1996, apenas seis anos após Kristin ter enveredado definitivamente pela carreira de autora. Poder-se-á assumir que é um dos seus primeiros livros (o quarto, se não estou em erro), o que na verdade me deixa imensamente feliz por ter tido a oportunidade de o ler. 

Dá para perceber o quão envolvente é a escrita desta autora. O quanto já era quando começou a dedicar-se à escrita. Assim que começamos a ler, somos imediatamente envolvidos no enredo, ficamos fascinados com as personagens, ao ponto de querermos estar dentro da história para a percepcionar melhor. Este é um dom que não muitos autores possuem, e ainda bem que Kristin se dedicou em exclusivo à escrita, pois cada livro dela é uma verdadeira montanha russa de sentimentos e emoções para o leitor.

Sobre a história propriamente dita, já sabem que não vou falar muito para não vos estragar a leitura. Apenas vos resumo o essencial... há uma médica cardiologista, solteira que é mãe de uma adolescente "naquela fase". De repente, na lista dos seus pacientes mais urgentes, surge o tal amor do passado do título. A partir daí, é como vos disse, o leitor não mais tem descanso. Entre voltas e reviravoltas, andamos para ali às cambalhotas, suspirando, nos revoltando e até chorando uma ou outra lagrimita. Pelo sim, pelo não, mantenham a caixa de lenços de papel por perto. ;)

É um romance propriamente dito, com coraçõezinhos e bolas de sabão a flutuar. Mas, atenção, é igualmente uma história sobre a adolescência, sobre as relações intempestuosas entre mães e filhas, e sobre a importância de termos alguém em quem confiar, que nos dê a mão e nos guie na estrada complicada que é a vida.

Gostei imenso. E adorei a oportunidade de conhecer a autora no seu início de carreira. Muito bom! Recomendo. É uma leitura que vão certamente apreciar! E que venham mais livros da Kristin Hannah!!

P.S. Gosto mais do nome em inglês "Home Again". Transmite muito mais do que o título em português.

"Crime Disse o Livro" de Anthony Horowitz (OPINIÃO)

Que livro mais original! Com um segundo livro dentro do livro, um narrador que de repente fala connosco e partilha a nossa opinião, e dois mistérios para resolver. Não sei como o autor se lembrou disto, mas acreditem, está mesmo muito giro.

Para quem gosta de mistérios do género do Poirot de Agatha Christie, este livro será um puro deleite, já que a personagem principal do livro dentro do livro, nos faz lembrar esse mítico detective. Mas para quem gosta de mistérios um pouco mais atuais também se irá deleitar com o mistério que envolve o autor do livro dentro do livro. E claro, para quem simplesmente gosta de livros, não vai ficar indiferente pois a história envolve uma editora (empresa) e dois editores (pessoas) e o mundo editorial. 

Acham confuso? Desenganem-se pois o génio de Anthony Horowitz, o autor que também escreve para o cinema (incluindo alguns episódios da série Poirot e Midsummer Murders), consegue separar muitíssimo bem as águas, não nos deixando confundir sobre quem é quem e o que aconteceu tanto num lado como no outro.

Confesso que gostei bem mais da história do livro dentro do livro do que o outro. Talvez pela personagem principal, que achei mais interessante, do que o autor, que é personagem do outro. Bem, já devem estar a ficar baralhados... uma coisa é certa, foi uma leitura muito interessante que me surpreendeu e cativou. Gostei! 

"As Filhas do Capitão" de Maria Dueñas (OPINIÃO)


Terminei este livro ontem à noite, e estou com a sensação de ter viajado no tempo. Sinto saudades das três irmãs Arena, jovens mulheres que com garra e determinação venceram em terra que lhes era estranha. Adorei este livro. Maria Dueñas já tinha levantado um pouco o véu em junho, quando tive o prazer de estar à conversa com ela (ver aqui). Mas sinceramente, o que descobri ao ler "As Filhas do Capitão" foi muito mais.


É um livro extraordinário, muitíssimo bem escrito (e bem traduzido!) cuja história nos leva para um bairro de Nova Iorque em 1936, para o seio de uma família de imigrantes espanhóis. As três filhas de Emilio Arena, e a sua mulher, Remédios, vieram juntar-se a ele para tentar a sorte em solo americano. Mas quis o destino que a vida lhes tire o tapete debaixo dos pés. Ao verem falhados os seus planos de rápido regresso à Terra Mãe, não lhes resta senão arregaçar as mangas e enfrentar o mundo de trabalho nova iorquino. É então que acompanhamos Victoria, Mona e Luz, três jovens na flor da vida, cujo brilho não passa despercebido a ninguém, e que deixam marca nas vidas de todos os que com elas acabam por privar.

Desde Afonso, Príncipe das Astúrias e Conde de Covadonga, a Xavier Cugat e a sua orquestra no Waldorf Hotel, e outras interessantes e icónicas personagens, este livro é mais do uma simples história de ficção, é o registo fiel de uma época, de uma geração de emigrantes espanhóis nos Estados Unidos da América, das suas vidas e das suas conquistas.

Não podendo revelar muito mais sobre a história, pois surpresas há muitas, digo-vos que este é provavelmente o melhor dos livros de Maria Dueñas, ultrapassando mesmo o meu anterior favorito, "O Tempo Entre Costuras". Noto-lhe uma grande qualidade, tanto na escrita, como na pesquisa que a autora teve de levar a cabo para encaixar esta história numa época e lugar sem grandes registos, meio clandestina.

Um coisa é certa: é um dos melhores livros deste meu ano literário. E as filhas do capitão, acreditem, não me saem da cabeça. Continuam nos seus afazeres pelas ruas de Nova Iorque nos anos 30. É um livro que não podem deixar de ler! Absolutamente maravilhoso.

"Nove Perfeitos Desconhecidos" de Liane Moriarty (OPINIÃO)

Como já deverão saber, sou grande fã do trabalho de Liane Moriarty. Adorei todos os seus livros já publicados em Portugal, e continuo sempre ansiosa por ler o próximo. Com este “Nove Perfeitos Desconhecidos” não foi diferente. Assim que o tive nas mãos, pouco tardou para que o começasse a ler.

Tal como esperava, este livro é capaz de ser o melhor exemplo do tipo de obra que Liane Moriarty é capaz de produzir. Um exemplo extraordinário, já que ela explora a 100% a sua capacidade de tirar o sumo das personagens que cria. Confesso que nunca encontrei uma autora que trabalhasse tão bem as personagens, ao ponto de as tornar no ponto fulcral de uma história. Ela traz ao de cima todas as idiossincrasias, dissecando com habilidade extrema os seus pensamentos e sentimentos, os seus medos e os seus desejos.

O livro aborda um tema que aparentemente fascina a autora (li numa entrevista): as clínicas de bem-estar que estão na moda tanto na Austrália e nos EUA. Nove pessoas, em diferentes estágios da vida, com diferentes objetivos e anseios, inscrevem-se numa clínica dessas com a promessa de obterem transformação. Mas na Tranquillium House, vão encontrar algo que não esperavam.

A história é-nos narrada do ponto de vista de cada um dos intervenientes, que mudam a cada capítulo, e aos poucos, como se fossemos descascando uma cebola, vamos chegando ao núcleo de cada um. É a mais perfeita desculpa para a autora dar asas à sua magia e esmiuçar a mente humana e a forma como nos conectamos uns com os outros.

Quem gosta e conhece os livros de Liane Moriarty vai perceber o que vou dizer: este livro é o perfeito exemplo de que por vezes o mais importante é a viagem e não o destino. Gostei imenso, e sei que algumas daquelas personagens (sim, tenho uma ou duas favoritas). vão ficar comigo durante algum tempo.
Recomendo.

"A Grande Solidão" de Kristin Hannah (OPINIÃO)

Este é daqueles livros que me deixa sem palavras para o comentar. Não sei como descrever a tamanha beleza desta história. Li e respirei este livro. Alimentei-me das suas palavras à medida que os minutos fluíam noite adentro. E quando adormecia, sonhava com um Alaska indomado, com paisagens de tirar o fôlego, com uma natureza no seu estado mais puro que desafia tudo e todos. Com esta leitura deslumbrei-me, deliciei-me para depois me irritar, me apaixonar e novamente me revoltar. Nenhum outro livro conseguiu este feito. Por vezes num só capítulo. Entendem como é difícil explicar-vos o que foi para mim lê-lo?

"A Grande Solidão" é uma poderosa história sobre amor e perda, sobre luta e sobrevivência, sobre o estado selvagem, tanto no homem como na natureza. Nada me poderia preparar para o que encontrei ao abrir as primeiras páginas. Foi uma experiência maravilhosa.

A história parece simples. No entanto, é tudo menos isso. Leni e a sua mãe, Cora, preparam-se para mais uma mudança. Desta vez rumo ao Alaska, em perseguição de mais um dos sonhos de Ernst, um veterano da guerra do Vietnam que sofre do ainda não descoberto PTSD. Os três iniciam viagem completamente despreparados para o que vão encontrar, mas em conjunto com os simpáticos habitantes da baía de Kachemak, lá se vão equipando, aprendendo e preparando para o inverno que se aproxima. No entanto, como irão, entretanto, perceber, o perigo não se esconde apenas a cada esquina do Alaska. Esconde-se igualmente dentro da cabana dos Albright.


Kristin Hannah gosta de começar devagar. Ela vai construindo o enredo à medida que desenvolve as suas personagens. Desde o seu núcleo, ela as vai tecendo, até que as ficamos a conhecer profundamente. O que sentem, o que pensam, mesmo sem o verbalizar. É um dom maravilhoso, o desta autora.

Entramos então num tipo de narrativa imersiva, que mexe com todos os nossos sentidos e sentimentos. A par e passo com a agressividade da paisagem que rodeia a história, a brutalidade dos sentimentos que nos provoca é pungente. Foram poucas as vezes que  me senti assim ao ler um livro.


Mas não se enganem. A Grande Solidão é uma história de amor. Daquele amor tóxico que nos embriaga, daquele amor delicado que nos enternece, daquele amor enorme que nos faz crescer.

Desafio-vos: sujeitem-se a descobrir o que um livro vos pode fazer sentir. E depois contem-me como foi ler A Grande Solidão de Kristin Hannah.

"Deixa-me Mentir" de Clare Mackintosh (OPINIÃO)

Por vezes os autores reinventam-se a cada livro que escrevem. Muitos seguem o mesmo guião, sendo que o leitor não terá grandes surpresas quando ler um novo livro desse autor. Outros, como me parece ser o caso de Clare Mackintosh, reinventam-se, tornando cada livro que escrevem uma obra única com características muito diferentes. Passo a explicar...

Quem leu os livros anteriores da autora ("Deixei-te Ir" de "Estou a Ver-te") encontrou dois excelentes thrillers psicológicos. Quem for ler este "Deixa-me Mentir" vai encontrar algo diferente. É um thriller relativamente mais leve, com uma maior incidência tópico das relações familiares e segredos que as famílias escondem. Sou sincera, gostei muito dos primeiros livros, mas este também acabou por me cativar. Principalmente pela surpresa no desenrolar do enredo.

Não posso revelar nada sobre a história, mas a premissa "se não foi suicídio, se não foi assassínio, foi o quê?" deixou-me super mega curiosa e com a imaginação a 100 à hora. Porém, quando comecei a ler, senti-me refreada. Sim, o ritmo abranda e a ação desenrola-se um pouco mais devagar do que estamos à espera. Mas até isso é necessário! É que o leitor tem mesmo de ler as coisas com calma, entender e interiorizar o que está a acontecer, para depois quando a reviravolta acontece, não ter de voltar atrás para perceber o que que aconteceu. Eheheh Adoro quando isto acontece! E se acontece neste livro!!

Podem crer que foi uma leitura intensa e muito interessante! E deixou-me curiosa sobre o próximo livro desta autora. Recomendo.

Podem ler a sinopse aqui.

"A Mãe" de Melanie Golding (OPINIÃO)


E aqui fica a primeira opinião pós-férias. :)

Ouvi falar tanto bem deste livro que fiquei curiosa. Às vezes isso é bom, outras vezes é mau. Desta vez aplica-se a primeira - o livro é excelente!

O tema é super interessante, pelo menos eu achei, já que uma grande percentagem de mulheres que são mães acabam por ter algum transtorno psicológico pós parto. As mudanças por que passamos, as alterações a que nosso corpo é sujeito, são imensas. Por vezes corre tudo bem, mas muitas vezes, e isto nem sempre é do conhecimento geral, há a bem conhecida depressão pós parto. Confesso que estive bem perto de algo parecido quando tive o meu filho. A minha "depressão" passou pela ansiedade da separação, e somente graças a uma enfermeira mais atenta é que foi acudida e não aumentou de intensidade.

Mas regressando ao livro em questão... o que se passa com a mãe da nossa história é algo que poderá roçar o desequilíbrio psicológico, ou não. E é esse o dilema do leitor ao longo do livro, tentar perceber o que é real.

A tensão vai subindo de tom à medida que a história avança, o que me agradou especialmente. Este crescendo, que se mantém até ao fim, é sem dúvida o que nos agarra à leitura e torna este livro tão entusiasmante. Às duas por três já não conseguia pousar o livro!

Sem querer revelar mais, acrescento apenas que adorei a inclusão das lendas e histórias referentes a fadas e duendes e bebés. Ao fim e ao cabo, tornou a leitura ainda mais interessante, já que o tema também me agrada.

Houve quem disse que não gostou do final. Eu achei-o perfeito. É, na realidade, o único final que faz sentido. Fico curiosa sobre o que vocês dirão quando lerem este livro. Sim, porque é realmente um daqueles a não perder!

"O Coro de Mulheres de Chilbury" de Jennifer Ryan (OPINIÃO)

Este foi um livro que me preencheu as medidas! :)
✅ Adoro histórias que se passem durante a Segunda Guerra Mundial, sendo que Inglaterra é o meu cenário favorito.
Esta história relata a vida na pequena vila de Chilbury em Inglaterra, que apesar de não ser real, é inspirada numa vila chamada Chilham, no condado de Kent, não muito longe de Londres e ainda mais perto da costa.

✅ Aprender mais um ou outro pormenor sobre a vida das pessoas nessa época, é um bónus maravilhoso.
E este livro está escrito de uma forma impressionante. Não só é baseado em factos verídicos, como em relatos verídicos. Sabiam que havia uma organização em Inglaterra, durante a guerra, que incentivava as pessoas a manterem diários sobre o seu dia-a-dia? A Mass Observation tinha como objetivo registar a vida do/a inglês/inglesa comum para registo futuro. Muitas das histórias que lemos hoje em dia, referentes a essa época, surgem exatamente da consulta desses documentos (cartas, diários, fotografias, etc).


✅ Um pouco de romance e um pouco de mistério numa história, são como cerejas no topo do bolo.
E romance não falta aqui! Apesar de não ser propriamente uma história de amor, porque não o é, tem presentes alguns elementos que farão palpitar o coração das leitoras mais românticas. Eu inclusive! ;)

✅No entanto, para mim, a verdadeira cereja no topo do bolo foi a música. É claro que um livro com o título "O Coro de Mulheres de Chilbury", tinha de ter algo relacionado com música. E tem. Revi-me em imensas situações, pois já fiz parte de alguns coros, e estou desconfiada que a autora também esteve envolvida em algum, ou então teve alguém que lhe descreveu muito bem a sensação. É que descreve todos os pormenores tão bem! É sempre maravilhoso lermos algo com que nos identificamos tão plenamente. As escolhas musicais, a forma como as coralistas eram dirigidas, o que sentiam, a forma como a música fluía, está descrito na perfeição. Adorei.

✅ Descobrir um pouco mais sobre o papel da mulher na sociedade ao longo dos tempos. E realmente, uma das épocas em que mais se alterou o papel das mulheres na sociedade, foi exatamente esta, durante a II Guerra Mundial, quando tiveram de substituir os homens que seguiam para a guerra.
E como a ação se desenrola numa vila pequena, essas alterações são bem mais notórias. Fantástico!


Em suma, este é verdadeiramente um livro precioso. Não só nos exalta, enquanto mulheres, como nos mostra como uma comunidade, consegue sobreviver, unindo-se. Adorei. Os meus parabéns a Jennifer Ryan. E que venham mais livros do género!


"O Jardins das Flores de Pedra" de Deborah Smith (OPINIÃO)

Desde o seu primeiro livro publicado em Portugal, "A Doçura da Chuva", que me considero fã de Deborah Smith. As suas histórias têm sempre algo sobre a importância da família, o quanto o passado influencia o futuro, relações familiares complicadas, segredos antigos, e claro, um pouco de romance. É o livro perfeito para nos abstrairmos do dia a dia. E "O Jardim das Flores de Pedra" não é exceção.

A história está dividida em duas partes. Uma passa-se em 1972, e conta-nos a realidade de Darl Union, uma menina de 10 anos, única neta da dona da companhia de mármores Hardigree, principal sustento de praticamente todas as famílias de Burnt Stand, na Carolina do Norte. O que se passa nessa época vai condicionar a relação avó e neta, e também os passos de uma outra família que chega à cidade nesse verão.

Gosto de histórias deste género, e sinceramente apreciei imenso que esta parte do livro fosse a mais extensa (cerca de 2/3). A infância de Darl e Karen, a sua prima, e a sua amizade com Eli, o recém chegado, está muitíssimo bem caracterizada, assim como a vida naquela cidade que cresceu à sobra do mármore. Mas não é de estranhar, pois Deborah Smith faz sempre um excelente trabalho a nível de desenvolvimento de personagens, tornando-as sempre muito verosímeis e cativantes. 

Já a segunda parte do livro, em que a história se desenrola na atualidade, é um pouco mais romanceada e quase previsível. E claro, a apostar em obter o suspiro de muitas leitoras. ;) Quase me pareceu um livro de Nora Roberts, mas sem a parte da bolinha vermelha, se é que me entendem.

Continuo a gostar muito desta autora, não me entendam mal, mas acho que neste livro faltou aquele toque especial que é uma das suas características. Trata-se, no entanto, de uma boa leitura para as férias, que recomendo. :)

"A Menina que Roubava Morangos" de Joanne Harris (OPINIÃO)

Por vezes, quando fechamos um livro cujas personagens nos conquistaram, ou cuja história nos encantou, é difícil dizer-lhes adeus. E ficamos a imaginar as suas vidas para lá da última página. Gostaríamos de ler mais, de saber mais, de continuar a acompanhar as suas vidas. Na maioria dos casos, a história fica mesmo por ali. Mas por vezes temos sorte. Esta é uma dessas vezes.

Joanne Harris leva-nos de volta a Lasquenet-sur-Tannes e à vida de Vianne Rocher. Esta personagem, que para mim ficou para sempre ligada à atriz Juliette Binoche (e Roux a Johnny Deep), havia regressado àquela pequena vila no sul de França no último livro da saga (O Aroma das Especiarias), após uma estadia em Paris (Sapatos de Rebuçado). E é realmente uma delícia poder calcorrear novamente aquelas calçadas, rever personagens e conhecer os novos intervenientes que vêm perturbar a paz desta vila à beira-rio.

Mas muito mudou em Lansquenet-sur-Tannes. E muito ainda irá mudar. Para acompanhar e, como sempre, tentar controlar esse mudança, está Vianne, agora um pouco mais sensata, um pouco mais realista. Anouk, vou do ninho. Resta-lhe a maravilhosa Rosette, ainda uma criança, mas já com 16 anos. É nela que a história se concentra e com ela vamos voar.

A escrita de Joanne Harris é maravilhosa, como sempre. Um pouco maus madura, mais ponderada, mas igualmente arrabatadora. Ler um novo livro de um autor que tanto amamos é como regressar a casa. E sim, com esta Menina que Roubava Morangos, regressei a casa.

Recomendo, sem hesitações. Não sei se será o final da saga Chocolate, mas se for, sinto-me em paz com isso.

«Os filhos não são nossos para sempre, mas nossos para os dar ao futuro.» 
A Menina que Roubava Morangos, Joanne Harris



"Lá, Onde o Vento Chora" de Delia Owens (OPINIÃO)

Ao tentar escrever esta opinião, dei comigo com a mente completamente em branco sem saber o que dizer sobre este magnífico livro. Decidi escrever algo, mesmo assim. É raro eu ficar sem palavras para descrever como um livro me fez sentir. Há sempre qualquer coisa, um clique que me leva a escrever algo e a partir daí desenvolver a minha opinião. Com este, no entanto, só me vem à mente uma praia deserta e uma jovem de cabelos revoltos ao vento, alimentando as gaivotas. Se tentar aumentar o foco um pouco mais, consigo visualizá-la a percorrer o pantanal com o seu esquife, contornando os troncos das árvores e em perfeita comunhão com a natureza, com aquele lugar, ou apanhando penas para a sua coleção. Porque na realidade foi isso que Delia Owens fez... pintou quadros com as suas palavras. Quadros que se cristalizaram na minha memória, e fosse eu tão hábil com um pincel como sou com as palavras, conseguiria reproduzir o que ela deixou impresso na minha mente.

Lá, Onde o Vento Chora é uma obra magnífica. Não só a história é incrível, como está escrita de forma absolutamente maravilhosa. É de um requinte e suavidade tal, que nos leva a ler e reler várias vezes os mesmos parágrafos, as mesmas frases. É como se Delia tivesse escrito uma história em forma de poema. Quase que sim. Acreditem.

O que eu não posso crer, é que esta mulher, uma zoóloga de profissão, teve este dom escondido durante tanto tempo, e só agora, aos 74 anos publica o seu primeiro livro. Talvez seja o caso do livro de uma vida, embora não seja autobiográfico. Não sei. Sei é que gostaria de ler mais desta autora.

Sobre a história em si, só posso dizer que está muitíssimo bem construída. Tem todos os elementos necessários para nos manter presos à narrativa, e abrange vários géneros: um drama, um romance, e por incrível que pareça, um mistério policial. A história de Kya, a miúda do pantanal, parte-nos o coração, mas simultaneamente, a sua coragem e resiliência transformam-se num hino à vontade de sobreviver. O seu isolamento e a sua comunhão com a natureza são algo extraordinário, que fazem de Kya uma personagem inesquecível. 

Este é um livro que não queremos que acabe. Uma história que recordarei com carinho e uma escrita à qual irei sem dúvida voltar de vez em quando. Não podem mesmo deixar de o ler. 

OPINIÃO: "Linhagem de Ouro" de Natasha Solomons

Neste livro, Natasha Solomons conta-nos a história de uma família de banqueiros, os Goldbaums. A história começa em 1911, quando esta família é uma das mais ricas da Europa, e cuja influência é tão grande quanto a sua fortuna. Com Casas espalhadas pelas cidades mais importantes da Europa, os Golbaums, apesar de judeus, movem-se habilmente em todos os círculos. E de forma a manterem unidos os laços que os envolvem, fazem casamentos entre casas. É então que conhecemos Greta, a filha casadoira da Casa da Áustria prestes a casar com o seu primo Albert, da Casa de Inglaterra.

Após esta introdução sobre a família Goldbaum, a autora começa então a introduzir os detalhes sobre a relação entre Albert e Greta, e da habituação desta à vida e aos costumes em Inglaterra. Simultaneamente, vai-nos relatando a evolução politico-económica na Europa até ao culminar, poucos anos depois, da crise com o começo da I Guerra Mundial.

A narrativa passa então a centrar-se em três frentes: uma, a de Greta em Inglaterra e como acaba por contribuir para o esforço de guerra; outra a de Otto e Henri (irmão e primo de Greta) que de repente se vêem envolvidos na própria guerra, embora como oficiais; e finalmente Albert, igualmente envolvido no quadro de guerra, mas depois enviado como representante para os EUA, tentando conseguir a sua colaboração económica, de forma a custearem o conflito. 
"O objetivo de fazer uma guerra, e de preparar uma guerra, é ganhar dinheiro."

Este romance é muito interessante pela história da família Goldbaum (ao que parece inspirada na família Rothschilds), mas igualmente pela conjuntura apresentada, e ao fim e ao cabo, a história do dinheiro que rodeia qualquer conflito entre países. “O dinheiro não tem passaporte e tem todos os passaportes (...) Não respeita fronteiras. Tal como a água, o dinheiro abre o seu próprio caminho."

É um livro muito interessante que poderia facilmente ter-se tornado aborrecido, com tanto facto e informação. No entanto, a autora soube habilmente pontuar os dados verídicos com algum romance, incluindo a fabulosa personagem de Greta e a sua paixão adquirida pela jardinagem. Muito bom!

OPINIÃO: "O Suspeito" de Fiona Barton

Ok. Talvez este não tenha sido o melhor livro para ler agora. É que o meu filho vai de férias pela primeira vez com os amigos. Não vai para a Tailândia, é obvio, mas os meus neurónios galináceos não param de stressar. ;) E este é realmente um dos piores pesadelos de qualquer mãe.

Em "O Suspeito", a autora conta-nos a história de uma mãe, jornalista, que ao viajar para a Tailândia para cobrir a história do desaparecimento de umas miúdas inglesas, dando "apoio" às mães das miúdas. Kate, a mesma jornalista do primeiro e segundo livro da autora, descobre que o seu filho tinha estado de algum modo envolvido com elas. Passa então de "abutre" (leia-se jornalista de imprensa sensacionalista) a Mãe, aflita, sem saber como descobrir e ajudar o seu filho. É muito interessante a forma como a autora divide esta personagem em duas, por vezes apresentando o seu capítulo como Mãe, outras vezes como Jornalista.

Gostei bastante de como é explorada a parte da imprensa. E nós bem sabemos como pode ser terrível este tipo de imprensa, principalmente no Reino Unido. Fiona Barton tem conhecimento de causa: foi jornalista principal do Daily Mail, editora de noticiário no Daily Telegraph e jornalista principal no Mail on Sunday. Quem melhor do que ela para expor os podres dos seus pares?


Relativamente ao enredo, confesso que a autora não desiludiu. Lembrava-me bem das voltas e reviravoltas do "A Viúva", e aqui ela faz o mesmo. Puxa-nos, empurra-nos, troca-nos as voltas e deixa-nos sem saber o que pensar, até que tudo se encaixa e faz perfeito sentido.

Muitíssimo bom! Recomendo. É um policial que não desilude e que assim que começamos a ler, é difícil de parar.