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Opinião: "Sira" de Maria Dueñas

Foi uma delícia voltar a encontrar Sira, a personagem que me conquistou em O Tempo Entre Costuras. Desta vez encontramo-la casada com o seu amigo Marcus, que tanto a ajudou no primeiro livro. Ruma a Jerusalém, numa aventura em que apenas acompanha o marido. Não tendo nenhum projeto pessoal em curso, Sira não é capaz de ficar quieta e rapidamente se vê envolvida em todo o teatro político que se desenrola em Jerusalém.

Faço aqui um pequeno aparte, dizendo-vos que com este livro tive uma experiência engraçada e um pouco fora do normal. À hora de almoço lia o livro, e ao final do dia, enquanto apreciava o por de sol de fim de outubro junto à praia, lia ao meu marido as passagens relativas às interessantíssimas informações histórico-politicas que a autora fornecia por entre a história de Sira. Foram uns quantos finais de tarde bem aproveitados, pois aprendi imenso sobre a luta por Jerusalém quando era governada pelo Reino Unido.

A Segunda Guerra Mundial entretanto termina, e Sira é colocada uma vez mais à prova. O destino exige que ela dê a volta e se reinvente. Sem entrar em muitos detalhes, pois não desejo estragar-vos a leitura, posso que dizer que ela segue para o Reino Unido e de lá regressa a Espanha, novamente encarnando o papel de colaboradora dos Serviços Secretos Britânicos, para acompanhar, como pseudo-jornalista, a visita de Eva Péron ao país de Franco. Aí posso dizer que me senti completamente transportada para a época e estive lado a lado com Sira, admirando a força da natureza que era Evita, e vendo a forma como o povo espanhol a recebia. 


Maria Dueñas, a autora, é uma verdadeira contadora de histórias. Encanta-nos, quase que nos hipnotiza, e leva-nos de mão dada até lugares e situações longínquas no tempo. Não vos conto mais sobre a história deste livro. Quero que se encantem e fascinem como eu. As 608 páginas voam num ápice, e Sira é novamente aquela personagem carismática, atrativa e inesquecível, com mais força e determinação que no primeiro livro. Adorei e recomendo sem hesitações.

Recordo igualmente a oportunidade maravilhosa que tive em estar à conversa com Maria Dueñas, quando ainda era possível o fazer sem restrições - aqui.

Em destaque: "Sira" de Maria Dueñas

A continuação de O tempo entre costuras

Sinopse:

A Segunda Grande Guerra está a chegar ao fim, e o mundo avança para uma reconstrução tortuosa. Depois de cumprir as suas obrigações como colaboradora dos serviços secretos britânicos, Sira encara o futuro ambicionando alguma serenidade. Mas essa paz tarda em chegar. O destino reserva-lhe um infortúnio trágico que a obrigará a reinventar-se e a, mais uma vez, tomar as rédeas da sua vida sozinha e lutar com todas as forças para se adaptar ao futuro.

Entre factos históricos que marcarão uma época, Jerusalém, Londres, Madrid e Tânger serão os cenários para as novas aventuras de Sira, onde enfrentará desgostos e novos riscos, reencontros inesperados e a experiência da maternidade.

Sira Bonnard – antes Arish Agoriuq, antes Sira Quiroga – não é a inocente costureira que nos deslumbrou com figurinos e mensagens clandestinas, mas o seu encanto permanece intacto.

Sira está de volta, carismática e inesquecível.

O regresso da protagonista de O tempo entre costuras.

Sobre a autora:

María Dueñas nasceu em Puertollano, Ciudad Real, em 1964. É doutorada em Filologia Inglesa. Depois de duas décadas dedicadas à vida académica, irrompeu pelo mundo literário em 2009, com O tempo entre costuras, o romance que se tornou um fenómeno editorial e cuja adaptação televisiva foi um enorme sucesso de audiências e reconhecida com com vários galardões. Os seus romances posteriores, Recomeçar, As vinhas de La Templanza e As filhas do Capitão continuam a cativar os leitores e a crítica.

Traduzida em mais de 35 línguas e com milhões de exemplares vendidos, a autora converteu-se numa das escritoras de língua espanhola mais estimadas no mundo. Este é o seu quinto romance. 

"As Filhas do Capitão" de Maria Dueñas (OPINIÃO)


Terminei este livro ontem à noite, e estou com a sensação de ter viajado no tempo. Sinto saudades das três irmãs Arena, jovens mulheres que com garra e determinação venceram em terra que lhes era estranha. Adorei este livro. Maria Dueñas já tinha levantado um pouco o véu em junho, quando tive o prazer de estar à conversa com ela (ver aqui). Mas sinceramente, o que descobri ao ler "As Filhas do Capitão" foi muito mais.


É um livro extraordinário, muitíssimo bem escrito (e bem traduzido!) cuja história nos leva para um bairro de Nova Iorque em 1936, para o seio de uma família de imigrantes espanhóis. As três filhas de Emilio Arena, e a sua mulher, Remédios, vieram juntar-se a ele para tentar a sorte em solo americano. Mas quis o destino que a vida lhes tire o tapete debaixo dos pés. Ao verem falhados os seus planos de rápido regresso à Terra Mãe, não lhes resta senão arregaçar as mangas e enfrentar o mundo de trabalho nova iorquino. É então que acompanhamos Victoria, Mona e Luz, três jovens na flor da vida, cujo brilho não passa despercebido a ninguém, e que deixam marca nas vidas de todos os que com elas acabam por privar.

Desde Afonso, Príncipe das Astúrias e Conde de Covadonga, a Xavier Cugat e a sua orquestra no Waldorf Hotel, e outras interessantes e icónicas personagens, este livro é mais do uma simples história de ficção, é o registo fiel de uma época, de uma geração de emigrantes espanhóis nos Estados Unidos da América, das suas vidas e das suas conquistas.

Não podendo revelar muito mais sobre a história, pois surpresas há muitas, digo-vos que este é provavelmente o melhor dos livros de Maria Dueñas, ultrapassando mesmo o meu anterior favorito, "O Tempo Entre Costuras". Noto-lhe uma grande qualidade, tanto na escrita, como na pesquisa que a autora teve de levar a cabo para encaixar esta história numa época e lugar sem grandes registos, meio clandestina.

Um coisa é certa: é um dos melhores livros deste meu ano literário. E as filhas do capitão, acreditem, não me saem da cabeça. Continuam nos seus afazeres pelas ruas de Nova Iorque nos anos 30. É um livro que não podem deixar de ler! Absolutamente maravilhoso.

Em destaque: "As Filhas do Capitão" de María Dueñas

Três irmãs, dois mundos, uma cidade

Sinopse:
Nova Iorque, 1936.
O pequeno restaurante O Capitão abre as portas na rua 14, um dos enclaves da colónia espanhola que sobrevive na grande cidade americana.

A morte acidental do seu dono, o libertino Emilio Arenas, obriga a que as suas filhas indomáveis – filhas também da loucura dos anos 20 – assumam as rédeas do negócio, enquanto nos tribunais se resolve a herança.

Abatidas pela súbita necessidade de sobreviver, as temperamentais Victoria, Mona e Luz Arenas abrirão caminho através das adversidades, decididas a transformar um sonho em realidade.

Com uma leitura tão ágil quanto envolvente e emocionante, As Filhas do Capitão conta-nos a história de três jovens espanholas que se veem obrigadas a cruzar um oceano, instalando-se numa cidade deslumbrante, e lutar com bravura para encontrar um caminho.

Baseado numa história real, este romance é também um tributo a todas as mulheres que resistem, mesmo quando os ventos sopram em desacordo, e uma homenagem aos valentes que viveram – e vivem – a aventura, simultaneamente épica e quase sempre incerta, da emigração.



Sobre a autora:
Doutorada em Filologia Inglesa, Maria Dueñas é professora titular da Universidade de Murcia depois de ter já passado pela docência em várias universidades norte-americanas. É autora de trabalhos académicos e de muitos projetos educativos, culturais e editoriais.
Maria Dueñas nasceu em Puertollano (Ciudad Real) em 1964, é casada, tem dois filhos e reside em Cartagena.
O Tempo entre Costuras foi o seu primeiro romance, publicado pela Porto Editora, tendo sido adaptado à televisão, e exibido em Portugal pela TVI.

À conversa com... Maria Dueñas

Num final de tarde maravilhoso e num local absolutamente encantador em plena Lisboa, tive o enorme prazer de estar à conversa com Maria Dueñas. Esta autora que me conquistou com "O Tempo Entre Costuras", "Recomeçar" e mais recentemente com "As Vinhas de La Templanza" é uma verdadeira simpatia.


Tendo sido durante 20 anos uma professora académica, mudou radicalmente de vida após o êxito do seu primeiro livro, "O Tempo Entre Costuras". Perguntei-lhe o que mais gostava da vida de escritora. Respondeu-lhe que o que lhe dava mais prazer era a liberdade, o não ter horários, o poder ora fazer pesquisa, ora escrever, sem regras impostas por outros, apenas por ela.

Considera-se uma escritora organizada.
Primeiro pesquisa muito, por vezes um ano inteiro em diferentes locais. E depois o que chama de "verdadeiro trabalho", a escrita. Nessas alturas escreve todo o dia, de manhã à noite, apenas intervalando apenas para almoçar. Dois, três, quatro dias seguidos, para depois sair e desanuviar durante um ou dois dias e regressar de novo à mesma rotina. Sempre assim até terminar o livro.

Perguntei-lhe sobre o próximo livro, "As Filhas do Capitão", que será publicado em setembro pela Porto Editora. De olhos a brilhar, falou deste seu novo filho, um livro que aborda a emigração espanhola nos anos 30 para os Estados Unidos da América, mais propriamente para a cidade de Nova Iorque. Diz que é um tema não muito aprofundado, pois o grosso da emigração espanhola rumou à América do Sul. Foi um trabalho de pesquisa muito intenso mas simultaneamente muito interessante. Falou com famílias, com netos dos emigrantes originais, sobre como era a vida na cidade que nunca dorme.

Conversámos também sobre a série baseada no seu primeiro livro (O Tempo Entre Costuras), e foi com grande satisfação que partilhou que o livro As Vinhas de La Templanza vai igualmente ser adaptado ao pequeno écran, com a participação da Amazon Prime. Ao ser questionada sobre como se sentia quando via o seu trabalho a ser "adaptado", ela afirmou estar muito satisfeita, pois à medida que o guião vai sendo escrito, ela vai sendo contactada com pedidos de opinião e sugestão.

Foram duas horas muito bem passadas e aproveito para agradecer à equipa da Porto Editora por este convite e pela sua simpatia.



"As Vinhas de la Templanza" de Maria Dueñas (OPINIÃO)


Quando lemos um livro que nos encanta e algum tempo depois pegamos num outro livro do mesmo autor, é impossível não criar expectativas. Já me aconteceu isso várias vezes, e claro, senti-me sempre defraudada. Ou porque as expectativas eram demasiado altas ou porque me impediram de apreciar a nova história condignamente. No caso de Maria Dueñas, autora do livro O Tempo Entre Costuras, e este seu novo livro editado recentemente pela Porto Editora, As Vinhas de La Templanza, acho que consegui distanciar-me o suficiente para o apreciar.

São livros diferentes, histórias bem diferentes, passadas em épocas e lugares distintos, para além do que, ao contrário do O Tempo Entre Costuras, neste As Vinhas de La Templanza a personagem principal é um homem, o que, a meu ver, transforma tudo. Mas está escrito no mesmo tom, com a mesma clareza característica desta autora e que muito me agrada.

Mauro Larrea é um homem rude habituado a triunfar em tudo a que se propõe graças à sua determinação e perseverança. Viúvo desde cedo, tem dois filhos e está prestes a ser avô pela primeira vez. Mauro fez a sua fortuna nas minas e não se envergonha do seu passado de trabalhador manual, bem pelo contrário, orgulha-se dele e sabe movimentar-se nos mais variados círculos, sendo admirado por muitos e invejado por outros. Num inesperado revés tudo o que conquistou até então fica em perigo, e Mauro tem de partir em busca de solução para o seu problema de insolvência.

Da recém república do México partimos com Mauro rumo a uma Havana colonial, exuberante e fervilhante onde ele se vê envolvido em esquemas que não lhe agradam e de onde emerge rumo a Espanha, com uma herança inesperada. Aí, em Jerez de La Frontera - região onde é produzido o xerez, bebida tão apreciada pelos ingleses – Mauro conhece finalmente alguém ao seu nível, que o irá desafiar e envolver, alterando por completo o rumo da sua vida. Soledad Montalvo é, na minha opinião, uma personagem extraordinária que merecia um livro só sobre a sua história.

Este é um romance extraordinário, bastante completo e rico em pormenores históricos dos locais onde se desenrola a ação. Bem diferente do outro livro da autora, que por sinal também adorei ler, este As Vinhas de La Templanza merece sem dúvida as minhas 8 estrelas. Apesar de parecer um pouco maçudo nos primeiros capítulos, desengane-se a quem lhe passe pela cabeça desistir. É por causa do envolvimento histórico que a autora tem de debitar e que é verdadeiramente necessário para que entendamos a história de Mauro. Mas assim que a ação começa a acelerar, entramos num ritmo de leitura mais agradável e dificilmente conseguimos pousar o livro.

Apaixonei-me por esta história e dificilmente esquecerei as aventuras de Mauro e Soledad.
Muitíssimo bom! Recomendo sem hesitações.

Para mais informações sobre o livro podem espreitar a página do mesmo no site da Porto Editora e  até começar a ler os primeiros capítulos.

Em destaque: "As vinhas de La Templanza" de Maria Dueñas

A autora bestseller de "O Tempo Entre Costuras" regressa com um romance histórico de grandes emoções

Sinopse:
Uma história de coragem perante as adversidades e de um destino marcado pela força de uma paixão. Nada fazia supor a Mauro Larrea que a fortuna que tinha conquistado fruto de anos de luta e perseverança se desmoronaria de um dia para o outro, graças a um inesperado revés.

Asfixiado com dívidas e afogado em incertezas, aposta os últimos recursos numa jogada temerária na esperança de se reerguer. Até que a perturbadora Soledad Montalvo, mulher dum negociante de vinhos inglês, entra na sua vida para o arrastar rumo a um futuro inesperado. 

Da jovem república mexicana à radiante Havana colonial, das Antilhas à Jerez da segunda metade do século XIX quando o comércio de vinhos com Inglaterra converteu a cidade andaluza num enclave cosmopolita e lendário, por todos estes cenários se desenrola As vinhas de La Templanza, um romance que fala de glórias e derrotas, de minas de prata, intrigas de família, vinhas e cidades fascinantes cujo esplendor se desvaneceu com o tempo.

Sobre a autora:
Doutorada em Filologia Inglesa, Maria Dueñas é professora titular da Universidade de Murcia depois de ter já passado pela docência em várias universidades norte-americanas. É autora de trabalhos académicos e de muitos projetos educativos, culturais e editoriais. 

Maria Dueñas nasceu em Puertollano (Ciudad Real) em 1964, é casada, tem dois filhos e reside em Cartagena. O Tempo entre Costuras foi o seu primeiro romance, publicado pela Porto Editora, tendo sido adaptado à televisão e exibido em Portugal pela TVI.