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Opinião: "A contadora de histórias de Auschwitz" de Siobhan Curham

Embora já sejam demasiados os livros publicados sobre este tema, acabamos por encontrar sempre um que se destaca, e embarcamos mais uma vez numa viagem aquela época de horror que não devemos nunca esquecer.

A capa e o título do livro chamaram-me à atenção. E encontrei exatamente o que esperava. Mais uma história sobre os horrores de Auschwitz, com uma abordagem ligeiramente diferente. Fez-me lembrar um pouco o filme A Vida é Bela, se bem que não lhe chegue aos calcanhares. 

É uma história sobre a beleza e a força das palavras num mundo onde reina a escuridão. 

Etty Veil é uma jovem autora judia que viu os seus trabalhos cancelados após Paris ser alvo da ocupação nazi. Ao ser levada para um dos campos de concentração, ela testemunha a separação de uma mãe e da sua filha adolescente. A mãe seguiu para os "banhos" e a jovem desamparada acaba por encontrar refúgio nos braços de Etty que a adota como irmã mais nova.

Para ofuscar o horror do que se passa à sua volta, Etty começa a contar pequenas histórias a Danielle e apercebe-se, aos poucos, que não é só Danielle que a ouve. Também as outras mulheres no barracão onde dormem aproveitam as histórias de Etty para fugir à realidade. Etty encoraja-as então a partilharem as suas histórias e promete-lhe sobreviver para contar todas as suas histórias ao mundo.

É um livro duro, como todos os que retratam esta época de horrores, mas é também um livro de esperança e de amor. Gostei muito. Mas tão cedo não vou pegar noutro deste género...

Opinião: "Mais cedo Secará a Terra" de Fernando J. Múñez

Se existem livros com histórias quase, quase perfeitas, este é um deles. A sede de poder e o amor à terra, vem colocar duas famílias em desavença. Com algumas histórias de amor de permeio, e um conjunto de personagens inesquecíveis, esta leitura levou-me a recordar algumas das séries que víamos quando só havia dois canais: Dallas, Falcon Crest, Dinastia, etc. 

Adorei esta leitura. A história é envolvente, o drama faz-nos tremer, e o ambiente é magnífico. 

Todas as personagens estão muito bem trabalhadas, e parece-me que esse é um dos grandes trunfos do autor. Pequenos pormenores que justificam esta ou aquela maneira de ser ou forma de agir. As mulheres são as grandes protagonistas. Elas não se limitam a ficar à sombra dos homens. Elas lutam como eles, elas tomam decisões sobre as suas vidas e as dos outros, elas governam as suas casas, não deixando de estar do lado dos seus companheiros quando estes o necessitam. Mas sem dúvida que a Galiza é mais uma das protagonistas. 

“… mais cedo secaria toda a terra do que permitiria a desolação dos seus e das estripes que estavam para vir.”

E porque não uma série televisiva? Espanha rural em 1845, os senhores do gado da Galiza contra os exploradores das minas de carvão. Brutal! Fico à espera.

Opinião: "A Casa entre os Pinheiros" de Ana Reyes

Quando um livro é recomendado pela Reese Witherspoon eu não resisto. Já percebi que os muitas das suas leituras estão em sincronia com as minhas, pelo que as recomendações que faz no seu Book Club são, para mim, quase uma garantia de que vou gostar do livro.

Como neste A Casa Entre os Pinheiros a sua opinião vinha mencionada na capa, logo o escolhi para ler a seguir. E à frase:

«Um thriller absolutamente impossível de largar»

acrescento apenas a palavra psicológico, pois é disso que se trata, um thriller psicológico. 

Existem pessoas que têm o dom de manipular os outros. Por artes e manhas inatas ou adquiridas, elas conseguem quase que hipnotizar as pessoas para que façam a sua vontade. Todos nós conhecemos alguém assim. Já para não falar das experiências levadas a cabo para controla da mente, que tão populares foram nos anos 50 / 60. Ora bem, a protagonista principal deste thriller foi vítima de um desses manipuladores, que conseguiu manipulá-la ao ponto de não conseguir reconhecer-se como vítima. Tudo aconteceu sete anos antes, e agora, ainda no rescaldo das consequências desse tempo, ela terá de voltar ao passado para poder seguir em frente.

Não sei qual foi o ponto de partida da autora para criar esta história, mas sinceramente gostava de lho perguntar. Teve de certo que investigar bastante sobre o tema, que confesso também é um tema que me suscita muita curiosidade - a manipulação da mente humana.

Não querendo revelar muito mais sobre a história, posso apenas dizer que se por vezes me pareceu um pouco inverosímil, é porque na verdade estas coisas nunca parecem ser passíveis de acontecer. Mas o facto é que acontecem.

E deixando o mistério no ar, não posso deixar de vos recomendar este livro.

Em destaque: "A Casa entre os Pinheiros" de Ana Reyes

Aquilo de que não te consegues lembrar pode destruir-te?

Sinopse:
Maya estava prestes a terminar o ensino secundário quando a sua melhor amiga, Aubrey, morre misteriosamente na companhia de um homem enigmático chamado Frank, com quem Maya havia iniciado um relacionamento naquele verão.

Sete anos mais tarde, Maya vive em Boston com o namorado e luta contra o vício secreto que a ajudou a lidar com o que aconteceu anos antes e com as inexplicáveis lacunas na sua memória. Porém, o passado regressa em força quando descobre um vídeo recente no YouTube, onde uma jovem morre repentinamente durante um encontro com Frank. Decidida por fim a resolver o trauma que lhe marcou a vida, Maya regressa à sua cidade natal para reviver aquele verão fatídico e resolver de vez o mistério da morte de Aubrey.

Em casa da mãe, desenterra fragmentos do passado e, num manuscrito que o pai nunca chegou a concluir, encontra mensagens escondidas, pistas de que ainda não se tinha apercebido. Para se salvar, Maya precisa de conhecer a lição oculta numa história escrita antes do seu nascimento; porém, o tempo continua a passar e, rapidamente, todos os caminhos voltam a conduzi-la à cabana de Frank...

Críticas da imprensa:
«A forte tensão psicológica é aumentada pelos lapsos de memória e pelas perceções distorcidas de Maya, dando à história um toque sombrio e sobrenatural.»
Booklist
«O romance funciona como um thriller psicológico intenso, que se distingue graças ao enredo subtil, mas contundente.»
Shelf Awareness
«Reyes controla com segurança esta história de suspense, cheia de adrenalina […] e reviravoltas chocantes.»
CrimeReads
Sobre a autora:
Ana Reyes estudou na Louisiana State University e na University of Massachusetts. Os seus textos têm sido publicados em múltiplas revistas, como a Bodega, Pear Noir!, e The Delta Review. Vive atualmente no Massachusetts e ensina Escrita Criativa.

Em destaque: "Mais Cedo Secará a Terra" de Fernando J. Múñez

Quando o coração da terra bate é impossível não o ouvir.

Sinopse:
Galiza, 1845
André de Castronavea está radiante por regressar para junto da sua família e à casa onde nasceu, mas o seu maior desejo é rever a sua tia Iria, pouco mais velha do que ele, meia-irmã do seu pai. O reencontro dos dois liberta sentimentos até então aprisionados, e a relação proibida torna-se cada vez mais difícil de conter.

Enquanto isso, Dom Isidro Ordás, um empresário implacável de Ponferrada, abriu minas nas terras dos Castronaveas, iniciando um conflito com o patriarca Dom Dositeu, que preside a uma família marcada pelo seus próprios conflitos e segredos.

A luta pelo controlo da terra, o legado de Dom Dositeu e o inevitável confronto com os Ordás revelam como os laços familiares podem ser uma bênção ou uma condenação, levando a traições dolorosas, corações dilacerados e sacrifícios que exigem sangue, coragem e um amor inabalável.
A Cozinheira de Castamar foi o seu primeiro romance, adaptado à televisão e em exibição na Netflix.

Sobre o autor:
Fernando J. Múñez (Madrid, 1972) descobriu o encanto pela escrita ainda criança. Com 14 anos iniciou o seu primeiro romance e, aos 18, desenvolveu os primeiros guiões de cinema. Depois de se licenciar em Filosofia, iniciou a sua carreira como realizador de publicidade, acumulando os anúncios com curtas-metragens, e completando a formação académica em Cinematografia nos Estados Unidos. Em 2012 realizou Las nornas, exibido no Festival de Cinema de Alicante e na Seminci (Semana Internacional de Cinema) de Valladolid.

Opinião: "A Livraria Perdida" de Evie Wooks

Que história incrível!! Será que algum dia a poderemos ver adaptada ao grande écran? Eu adorava!
Fiz check em todas as caixinhas:

✅ Uma leitura fácil e cativante.

✅ Personagens apaixonantes.

✅ Uma história com livros, sobre livros e autores.

✅ Locais de extremo interesse bibliófilo, tal como algumas livrarias históricas (ex. Shakespear and Company em Paris)

✅ Dois mistérios para resolver.

✅ Dois tempos diferentes.

✅ Com um pózinho de magia à mistura.

Tudo isto acompanhado com uma chávena de chá no sofá com uma manta à disposição e temos a receita para um fim de semana perfeito.

Adorei esta leitura. Achei-a perfeita. Adequada a todas as idades, com temas chave bem profundos mas subtilmente introduzidos na história, não a tornando pesada nem maçadora, muito pelo contrário. É uma leitura leve e divertida, que me acompanhou nestes últimos dias.

Não vos posso contar muito mais sobre a história, já sabem que não revelo muito, não gosto de spoilers, imagino que vocês também não. Apenas vos digo que se vocês se consideram apaixonados por livros, este é um livro que não irão querer perder.

Convido-vos a ver o lindíssimo booktrailer que a Porto Editora preparou para este livro:


Em destaque. "A Contadora de Histórias de Auschwitz" de Siobhan Curham

Sinopse:

Auschwitz, 1942.
“Assim que tudo isto acabar, vai poder contar ao mundo o que nos fizeram.”
Os nazis puseram termo a muitas vidas inacabadas, mas ninguém morre verdadeiramente enquanto a sua história continuar a ser contada.
Tenho de sobreviver. O mundo precisa de saber o que se passa aqui…

Etty Weil, uma autora judia, atravessa os tenebrosos portões de Auschwitz, deixando para trás o apartamento com vista para o Sena, onde recebia amigos, com muita música, e onde escrevia na velha máquina de escrever perto da janela.

Agora observa com horror Danielle, uma jovem arrancada à mãe em lágrimas. Etty sempre quis sentir um abraço assim. Por isso, presa naquele labirinto de arame farpado, acolhe a jovem de 14 anos, que depressa se torna quase como uma irmã.
Todas as noites, Etty conta histórias a Danielle, construindo um maravilhoso mundo de imaginação e esperança para onde a menina possa escapar. Um mundo só dela… até que Etty repara que as outras mulheres do barraco também estão a ouvir. Etty encoraja-as a partilharem as suas próprias histórias, a falarem dos filhos queridos que correm atrás dos brinquedos, dos amores que viveram em tempos e da família que já perderam.

Etty tem de sobreviver. Mesmo que seja apenas para manter a promessa que fez a estas mulheres corajosas de que a história delas não será esquecida.

– Podes regressar e reacender esses sentimentos sempre que quiseres, sempre que precisares, basta invocares as tuas memórias – incentivei-a. – E ninguém te pode impedir.
As mulheres começaram a regressar às camas a sussurrar as memórias felizes que iam reviver, e eu fiquei a imaginar as suas palavras como minúsculas estrelas-cadentes a trespassar a caserna.
 

Sobre a autora:

Siobhan Curham é a autora premiada de quase 50 livros de ficção e não ficção. E seja qual for o tema, Siobhan adora escrever livros que elevem e inspirem. Além de escrever romances, colabora frequentemente com jornais e revistas, incluindo The Guardian, Breathe e Cosmopolitan.

Em destaque: "A Livraria Perdida" de Evie Woods

Até onde iria para descobrir a sua própria história?

Sinopse:
Numa rua tranquila de Dublin, uma livraria perdida está à espera de ser encontrada.
Opaline, Martha e Henry parecem não ter nada em comum além de terem sido, durante demasiado tempo, personagens secundárias nas suas próprias vidas. Opaline tem de fugir de Londres para não ser obrigada a casar-se, Martha parece inevitavelmente presa numa relação tóxica, e Henry está noivo de uma mulher que não ama.

É em Ha’penny Lane, uma pacata rua de Dublin, que os caminhos destas personagens se cruzam. Era ali que devia estar a livraria fundada por Opaline, onde Henry entrou uma noite, pouco depois de chegar à Irlanda… mas não só não está, como também não há registos capazes de provar que alguma vez tenha existido.

Seguindo o pouco que sabem sobre a incrível vida desta misteriosa mulher, Henry e Martha tudo farão para encontrar a livraria perdida e descobrir os seus segredos. Por entre os ramos de uma árvore que teima em crescer numa cave da capital irlandesa, páginas que sussurram, mistérios literários desvendados e livros que aparecem em prateleiras sem que alguém os tenha posto lá, as histórias destas três personagens que o destino põe à prova serão reveladas, mostrando que até a vida mais banal pode tornar-se tão fascinante como as que se encontram nas páginas dos melhores livros.

Sobre a autora:
Evie Woods é o pseudónimo de Evie Gaughan, uma autora irlandesa bestseller, cujos livros percorrem a intrigante linha entre o quotidiano e outros mundos, revelando a magia que existe nas nossas vidas comuns. 

Opinião: "A Hóspede Silenciosa" de Clémence Michallon

Bem, que surpresa de livro!! 

Começo por uma curiosidade: a autora diz que a ideia para este livro surgiu quando, em Abril de 2020 (ano da Pandemia, por altura do isolamento) teve de viver com uns familiares do marido. Nessa altura começou a pensar que, apesar de podermos conhecer bem os nossos familiares e amigos, não os ficamos a conhecer intimamente até que tenhamos de partilhar uma habitação. E se algum deles tiver um segredo, um hábito terrível que não queira que se saiba?

Assim surgiu a ideia para A Hóspede Silenciosa.

Confesso que fui surpreendida com a escrita desta autora. Sei que ela é francesa, e acho que notei isso através do modo de expor os factos, não sei, não consigo especificar o quê de "senti-la" francesa. Mas depois, o tom em está escrito, meus amigos, acaba por destoar. Já não é tão "francês", o que me fez confusão. A razão, descobri mais tarde, tem a ver com o facto dela ter estudado em Londres, em Nova Iorque, mudando-se definitivamente para os EUA em 2014, casando com um americano, e exercendo a profissão de jornalista no The Independent. Sinceramente não vos sei dizer como funciona, mas o país onde vivem ou escolhem viver, assim como a profissão que exercem, influencia o tipo de escrita que os autores produzem. Conseguem imaginar Stephen King francês? Por isso é que este livro foi tão interessante a nível literário.

De resto, adorei a história e a forma como está organizada. A personagem principal, extremamente bem desenvolvida, conquistou-me, com todas as suas fragilidades e inseguranças. Mas também porque não faz exatamente o que se espera dela. A resiliência é sem dúvida uma grande arma. O vilão também foi bem explorado, se bem que a autora podia ter desenvolvido um pouco mais o seu passado.

Foi uma leitura que me agradou de sobremaneira, e me fez querer ler mais livros desta autora. Foi o primeiro dela. Será que irá escrever mais? Recomendo!

Uma grande estreia para esta nova chancela da Porto Editora - Singular!!

Em destaque: "A hóspede silenciosa" de Clémence Michallon

És sua refém há cinco anos.
Devias ter desistido, 
mas estás atenta, a espreita...
Tem de ser agora.

Sinopse:
Aidan Thomas é pai de família, trabalhador e um respeitado membro da comunidade. E também é um assassino em série que já matou oito mulheres e mantém a nona, a quem chama Rachel, presa há 5 anos no abrigo do jardim. 

Quando a sua mulher morre, Aidan tem de deixar a casa onde vive com a filha adolescente. Confiando que, após cinco anos de cativeiro, Rachel está demasiado submissa e assustada para tentar fugir, leva-a consigo e apresenta-a à sua filha, Cecilia, como sendo uma amiga da família que precisa de um sítio onde ficar.

Mas Rachel é uma lutadora e vê em Cecilia a hipótese de salvação por que sempre esperou.
Quando Emily, a dona de um restaurante local, se apaixona pelo encantador Aidan, vê-se atraída para aquela órbita de mulheres, ficando perigosamente perto de ser mais uma vítima.

Críticas de Imprensa:
Absolutamente incrível. ALAFAIR BURKE

Uma leitura perturbadora, explosiva e viciante. BOOKLIST 

Uma história que levanta questões morais inesperadas. KIRKUS REVIEWS 

Sobre a autora:
Clémence Michallon
nasceu e cresceu perto de Paris. Estudou jornalismo na City, Universidade de Londres, concluiu um mestrado em jornalismo na Universidade de Columbia e começou a trabalhar como jornalista no The Independent, em 2018, onde entrevistou artistas, desde Judd Apatow a Ben Platt, e autores como Rumaan Alam, Taylor Jenkins Reid e Curtis Sittenfeld. Escreveu ensaios e peças sobre criminalidade, celebridades e literatura. 
Mudou-se para Nova Iorque em 2014 e, desde 2022, é cidadã americana.
Atualmente, divide o seu tempo entre Nova Iorque e Rhinebeck com o marido e a cadela dos dois. É fã de policiais desde que, em adolescente, roubava os livros da mãe. A Hóspede Silenciosa é o seu thriller de estreia.