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Opinião: "A Hóspede Silenciosa" de Clémence Michallon

Bem, que surpresa de livro!! 

Começo por uma curiosidade: a autora diz que a ideia para este livro surgiu quando, em Abril de 2020 (ano da Pandemia, por altura do isolamento) teve de viver com uns familiares do marido. Nessa altura começou a pensar que, apesar de podermos conhecer bem os nossos familiares e amigos, não os ficamos a conhecer intimamente até que tenhamos de partilhar uma habitação. E se algum deles tiver um segredo, um hábito terrível que não queira que se saiba?

Assim surgiu a ideia para A Hóspede Silenciosa.

Confesso que fui surpreendida com a escrita desta autora. Sei que ela é francesa, e acho que notei isso através do modo de expor os factos, não sei, não consigo especificar o quê de "senti-la" francesa. Mas depois, o tom em está escrito, meus amigos, acaba por destoar. Já não é tão "francês", o que me fez confusão. A razão, descobri mais tarde, tem a ver com o facto dela ter estudado em Londres, em Nova Iorque, mudando-se definitivamente para os EUA em 2014, casando com um americano, e exercendo a profissão de jornalista no The Independent. Sinceramente não vos sei dizer como funciona, mas o país onde vivem ou escolhem viver, assim como a profissão que exercem, influencia o tipo de escrita que os autores produzem. Conseguem imaginar Stephen King francês? Por isso é que este livro foi tão interessante a nível literário.

De resto, adorei a história e a forma como está organizada. A personagem principal, extremamente bem desenvolvida, conquistou-me, com todas as suas fragilidades e inseguranças. Mas também porque não faz exatamente o que se espera dela. A resiliência é sem dúvida uma grande arma. O vilão também foi bem explorado, se bem que a autora podia ter desenvolvido um pouco mais o seu passado.

Foi uma leitura que me agradou de sobremaneira, e me fez querer ler mais livros desta autora. Foi o primeiro dela. Será que irá escrever mais? Recomendo!

Uma grande estreia para esta nova chancela da Porto Editora - Singular!!

Em destaque: "A hóspede silenciosa" de Clémence Michallon

És sua refém há cinco anos.
Devias ter desistido, 
mas estás atenta, a espreita...
Tem de ser agora.

Sinopse:
Aidan Thomas é pai de família, trabalhador e um respeitado membro da comunidade. E também é um assassino em série que já matou oito mulheres e mantém a nona, a quem chama Rachel, presa há 5 anos no abrigo do jardim. 

Quando a sua mulher morre, Aidan tem de deixar a casa onde vive com a filha adolescente. Confiando que, após cinco anos de cativeiro, Rachel está demasiado submissa e assustada para tentar fugir, leva-a consigo e apresenta-a à sua filha, Cecilia, como sendo uma amiga da família que precisa de um sítio onde ficar.

Mas Rachel é uma lutadora e vê em Cecilia a hipótese de salvação por que sempre esperou.
Quando Emily, a dona de um restaurante local, se apaixona pelo encantador Aidan, vê-se atraída para aquela órbita de mulheres, ficando perigosamente perto de ser mais uma vítima.

Críticas de Imprensa:
Absolutamente incrível. ALAFAIR BURKE

Uma leitura perturbadora, explosiva e viciante. BOOKLIST 

Uma história que levanta questões morais inesperadas. KIRKUS REVIEWS 

Sobre a autora:
Clémence Michallon
nasceu e cresceu perto de Paris. Estudou jornalismo na City, Universidade de Londres, concluiu um mestrado em jornalismo na Universidade de Columbia e começou a trabalhar como jornalista no The Independent, em 2018, onde entrevistou artistas, desde Judd Apatow a Ben Platt, e autores como Rumaan Alam, Taylor Jenkins Reid e Curtis Sittenfeld. Escreveu ensaios e peças sobre criminalidade, celebridades e literatura. 
Mudou-se para Nova Iorque em 2014 e, desde 2022, é cidadã americana.
Atualmente, divide o seu tempo entre Nova Iorque e Rhinebeck com o marido e a cadela dos dois. É fã de policiais desde que, em adolescente, roubava os livros da mãe. A Hóspede Silenciosa é o seu thriller de estreia.