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Opinião: "A Beleza de Viver Duas Vezes" de Sharon Stone

Muitos poderão pensar que este livro é uma "simples" autobiografia de uma atriz de Hollywood. Não é. Se vão à procura de dramas e revelações chocantes sobre a carreira de Sharon Stone, não vão encontrar. Se esperam descobrir como foi filmar este ou aquele filme, ou lidar com este ou aquele ator ou realizador, não vão descobrir. Isto porque este livro não é sobre isso. Este livro é, como o nome indica, um testemunho sobre como é viver duas vezes. Também não é um livro de auto ajuda. É sim um relato, na primeira pessoa, de como é ter-se uma segunda oportunidade para viver, e agarrar essa oportunidade com as duas mãos, tornando-se numa melhor pessoa, e tentando fazer mais e melhor pelos outros.

Em 2001 Sharon Stone foi vítima de um brutal Acidente Vascular Cerebral. Só ao fim de alguns dias se apercebeu do que tinha acontecido. Foi-lhe dada 1% de probabilidade de sobreviver. Mas conseguiu sobreviver. Após alguns anos de muito sofrimento e dúvidas, recuperou. Entretanto, a par com a sua saúde, o AVC tinha afetado a sua família, a sua carreira e a sua fortuna. Para além disso, a Sharon que sobreviveu descobriu que já não era a mesma. Decidiu retribuir a dádiva redescobrindo-se como uma defensora dos que precisam de apoio, tornando-se numa filantropa de excelência, ao mesmo tempo que se dedica a 100% a ser mãe, filha, ativista, atriz, modelo, artista e autora.

Há quem saiba de cor os prémios que Sharon recebeu pelo seu trabalho no cinema. Acho importante, no entanto, referir alguns dos prémios que não aparecem no seu curriculum habitual, e que Sharon Stone mereceu pela sua participação em diversas campanhas humanitárias e pelo activismo na luta contra a sida:
Prémio da Paz (este prémio é um galardão atribuído pelos laureados com o Prémio Nobel da Paz);
Prémio Humanitário de Harvard;
Prémio Humanitário do Human Rights Campaign;

Não sendo particularmente uma fã de Sharon Stone, reconheço a coragem, a sabedoria e a beleza de redescobrir a vida e o amor pelos outros. Ela transformou-se, quase renascendo, reinventando-se numa pessoa mais completa, que visualiza o seu caminho com mais clareza, e que entende que a paz e o amor são a única a solução para uma vida plena e feliz.
É um livro que recomendo sem hesitações!
Nice to really meet you, Sharon!

Em destaque: "A Beleza de Viver Duas Vezes" de Sharon Stone

Sinopse:

Uma hemorragia cerebral fez com que Sharon Stone, uma das actrizes mais famosas do mundo, visse a saúde, a carreira, a família, a fortuna e a fama desabarem como um castelo de cartas. Agora conta na primeira pessoa o lento caminho de recuperação e como reconstruiu a vida. Num meio que não aceita o fracasso, Stone encontrou forças para voltar, coragem para falar e vontade de fazer a diferença na vida de homens, mulheres e crianças em todo o mundo.


Num tom pessoal e intimista, faz revelações chocantes sobre os bastidores de Instinto Fatal e outros papéis, fala das maiores decepções e das grandes concretizações. Conta como passou de uma infância traumática e violenta para uma carreira numa indústria onde acabou por encontrar o mesmo tipo de problemas, mas disfarçados pelo dinheiro e o glamour. Descreve também a força e o propósito que encontrou nos filhos e nas causas humanitárias a que se dedica e como se reconciliou com a família.

Críticas da Imprensa:

«Embora contenha revelações pessoais surpreendentes, é comovente o calor e a graça de Stone.»
Charles Arrowsmith, The Washington Post

«Um relato magnífico, imprevisível, cru… É engraçado; é chocante; é bom.»
The Times

«Electrizante»
The Sunday Times

Opinião: "Os Filhos dos Nazis" de Tania Crasnianski

Peguei neste livro numa fase complicada. Não conseguia concentrar-me a ler nem a ver filmes, nem séries. Só os documentários me conseguiam prender um pouco a atenção. E mesmo assim... Como queria retomar o vício de ler, que sempre me ajudou, lembrei-me de que talvez uma biografia, ou algo assim, resultasse. Bem, ao que parece, resultou.

O título diz tudo. As fotos na capa e contra capa são avassaladoras. É quase uma afronta ver uma menina tão inocente de mão dada com Adolf Hitler. Se tivesse de lhe dar um título, chamar.lhe.ía O Bem e o Mal Mas na realidade eram apenas crianças, os filhos dos nazis. Muitos deles nem sequer tinham consciência de quem eram os seus pais, o que faziam e o que significavam. Viviam felizes, protegidos e eram amados. Quando a guerra terminou tudo mudou. E os jovens príncipes do nazismo "acordaram" para uma realidade bem diferente. O que fizeram com as suas vidas. Como lidaram com a herança que os seus pais lhes deixaram? 

São estas as perguntas que Tania Crasnianski tenta responder neste livro. Ela própria neta de um oficial alemão do II Reich, consegue compreender o que é viver com o peso de um passado familiar tão nefasto. 

No entanto, como se percebe ao longo da leitura, e no caso específico dos filhos de oito das personagens mais importantes do regime nazi, as reações são diversas. Houve quem renegasse o seu progenitor e até o próprio nome de família, como Brigitte, a filha de Rudolf Hoss, o comandante de Auschwitz, mas houve também quem sentisse orgulho do seu pai e até hoje defenda a causa nazi e apoio o movimento, como é o caso de Gudrun, a bonequinha de Henrich Himmler. 

Escrito num tom imparcial e distante, quase jornalístico, este livro é sem dúvida uma verdadeira preciosidade para qualquer biblioteca. Um relato quase inacreditável sobre como eram ser pais extremosos, estes homens que ficaram marcados na história como verdadeiras personificações do Mal.



Em destaque: "Os Filhos dos Nazis" de Tania Crasnianski

Os impressionantes retratos de família da elite do nazismo

Sinopse: 
Até 1945, os seus pais eram heróis. Depois da derrota alemã, o mundo passou a chamar-lhes carrascos. 

Gudrun, Edda, Niklas, entre outros, são filhos de Himmler, Göring, Hess, Frank, Bormann, Höss, Speer e Mengele, apelidos que são sinónimos do terror nazi. Estas crianças alemãs passaram a II Guerra Mundial no meio do luxo, acarinhados por pais afectuosos, que ao fim do dia regressavam a casa após uma jornada de morte. Para eles, o fim do III Reich foi um desastre. Inocentes, tiveram de lidar com os crimes perpetrados pelos pais: uns condenaram-nos, outros continuaram a reverenciá-los.

Crianças assombradas por uma herança que não puderam repudiar. Que ligações mantiveram com os seus pais? Como se vive com um nome diabolizado pela História e pela Humanidade? Sentir-se-ão responsáveis pelas atrocidades nazis?

Sobre a autora:
Tania Crasnianski foi advogada penalista em Paris. Hoje, vive entre a Alemanha, Londres e Nova Iorque. Os Filhos dos Nazis é o seu primeiro livro. De origem russa, francesa e alemã, o seu avô materno foi oficial da Força Aérea Alemã no tempo do nazismo. Sempre se recusou a falar sobre esse período negro. Foi uma das razões para a autora escrever este livro, e assim procurar compreender as implicações presentes deste passado negro.

Opinião: "O Pai da Chuva" de Lily King

Há alguns anos comprei este livro por puro capricho. Adorei o título e a capa. Nem sequer li a sinopse, acreditam? Bem, entretanto esteve na minha estante à espera de uma oportunidade, que entretanto chegou.

É um livro excecional. Foi uma surpresa maravilhosa descobrir esta autora.
A escrita é extraordinária, e a história fascinante. Aborda um dos meus temas favoritos, as relações familiares, neste caso específico, a tumultuosa relação entre pai e filha, após divórcio dos pai.
Nem sempre as relações entre os progenitores e os seus filhos são caminho fácil e as coisas complicam-se com uma facilidade incrível. E se adicionarmos um ou outro vício, o problema ainda se adensa mais. Quantos de nós não têm mágoas, tristezas e desilusões por causa de um pai ou de uma mãe. Conheço muitas histórias e talvez por isso foi tão interessante descobrir esta, fictícia, e tão bem explorada. A autora consegue transmitir-nos o quadro todo, ajudando-nos a perceber as várias nuances de uma relação que se foi deteriorando ao longo dos tempos. Para além disso, é uma história bem situada na História, e vamos acompanhando a vida de Daley desde o impeachment de Nixon até à eleição de Obama.

A escrita de Lily King é extraordinária. Perceptiva, fascinante e realista, ela consegue cativar-nos e manter-nos presos à narrativa, tentando seguir o percurso daquelas personagens simultaneamente disfuncionais e fascinantes.

Foi uma leitura fascinante para este regresso à normalidade (quase).

Gostava imenso que se publicasse o outro livro desta autora que andei a bisbilhotar: Euphoria. Promete.

Espreitem a sinopse aqui.