Opinião: "Minha Irmã Luísa Todi" de Maria Helena Ventura

Sempre que há um livro que envolva História ligada à Música, chama-me à logo atenção, e claro, que tento lê-lo. E assim tenho encontrado algumas preciosidades e aprendido mais sobre diversas personagens da História do nosso querido Portugal, que frequentemente são desconhecidas do grande público. É o caso de Luísa Todi. Eu sabia que estava ligada à música, e que tinha sido uma pessoa importante, pois há uma avenida e até uma estátua dela em Setúbal. Mas mais nada. Com este livro de Maria Helena Ventura, ficamos a conhecer quem foi Luísa Rosa de Aguiar Todi, e na realidade quem foi a família Aguiar, tão ligados à música e ao teatro naquela época. 

Maria Helena Ventura, de quem eu ainda não tinha lido nada, é uma rigorosíssima pesquisadora histórica pelo que ler este livro foi uma incursão pela segunda metade do século XVIII, onde ficamos a conhecer as gentes e figuras mais proeminentes de Lisboa relacionadas ao Teatro e à Música, para além de acontecimentos marcantes, como o Terramoto de 1755, ou o hiato teatral de dois anos imposto por D. Maria I após a morte de D. José, ou até o facto do ciúme da rainha ter levado a que as mulheres fossem banidas dos Teatros Públicos, quer no palco quer na plateia, o que fez regredir a evolução desta arte em Portugal. Pequenas coisas, tão curiosas, que por vezes explicam o porquê de uma ou de outra situação na atualidade.

Esta leitura foi uma aventura única. A narrativa prende-se essencialmente com a vida de Luísa, pelos olhos de uma das suas irmãs, e achei muito interessante essa abordagem tão especial. Gostei imenso. E aprendi ainda mais. Fico com pena que, tal como muitos artistas portugueses, tendo uma carreira fenomenal "lá fora", a fama de Luísa não se tenha repercutido "cá dentro". 

Uma leitura interessantíssima sobre uma personagem da música lírica portuguesa que vale a pena conhecer. Recomendo.

Opinião: "Uma Família Quase Normal" de Mattias Edvardsson

Peguei neste livro e foi um tiro! Não na história, mas na leitura. ;) Quase que o li todo de uma vez, não fosse a vida constantemente a  intrometer-se... Este é mesmo daqueles que nos prendem e que não queremos pousar até chegar à última página.

Mathias Edvardsson é um autor sueco que, ao contrário de muitos dos seus conterrâneos também  autores, não complica as coisas, nem tem muitas personagens, para nós, com nomes impronunciáveis. Mathias Edvardsson manteve as coisas simples, organizadas, o que para mim, num policial é imprescindível.

A história é simples. Um homem aparece morto e Stella é a principal suspeita. Narrada na primeira pessoa pelo pai de Stella, vamos sendo inteirados sobre o que aconteceu, sempre sob o ponto de vista do pai. Ficamos a saber o que ele sabe e o que está disposto a fazer para ajudar a filha.

Entretanto, a meio, a narração passa para a filha, o que nos trás mais alguns factos e perspectivas sobre o caso. É interessante perceber os seus problemas e o que a levou até este lugar. Não é fácil mudar de tom num narrativa, mas o autor consegue-o, e é realmente a voz de Stella que ouvimos na nossa mente enquanto a história continua.

A última parte do livro é narrada pela mãe. E à primeira vista, acaba por completar a informação que tem. Acabamos por perceber o que aconteceu, quem fez o quê, e o resultado do julgamento. Só que, como se diz tantas vezes neste género de livros, nem tudo o que parece é, e se fomos sendo surpreendidos pelas várias revelações dos diferentes narradores, somos surpreendidos até ao fim. E mais não posso dizer.

É um thriller fascinante que me conquistou logo nas primeiras frases. Gostei imenso da escrita de Mathias Edvardsson, simples, sem subterfúgios, mantendo o suspense ao logo da narrativa. 
Recomendo sem hesitações e espero que este professor sueco se dedique mais à escrita. ;)

Em destaque: "As Senhoras de Missalonghi" de Colleen McCullough

Às vezes, os contos de fadas podem tornar-se realidade — mesmo para solteiras tímidas como Missy Wright.

Sinopse:
Não tão bonita como a prima Alicia, nem tão dominadora como a mãe Drusilla, parece condenada a uma vida tranquila e de pobreza em Missalonghi, a pequena herdade da família nas Montanhas Azuis da Austrália. Mas é um século inteiramente novo, um tempo para novas ideias, novas e ousadas ações. E Missy está prestes a pôr a trabalhar todas as línguas hipócritas da cidade de Byron. Porque acaba de olhar para um desconhecido misterioso, desconfiado e incauto… que, embora não o parecendo, pode muito bem ser um príncipe encantado.


Sobre a autora:
Colleen McCullough nasceu na Austrália em 1937. Começou a sua carreira literária com a publicação de Tim, seguido de Pássaros Feridos, um best-seller internacional que bateu todos os recordes. Ambos foram adaptados ao cinema.
Além dos romances individuais que foi escrevendo, a autora publicou duas séries. O Primeiro Homem de Roma retrata em seis volumes e de forma excepcional a história da Roma Antiga. A série foi elogiada por muitos historiadores e políticos, incluindo Kissinger. Carmine Delmonico» é uma série policial com cinco títulos publicados. A autora morreu em janeiro de 2015, aos 77 anos, na Ilha Norfolk, no Pacífico, onde vivia com o marido.

Em destaque: "Os Outros" de C. J. Tudor

Sinopse:
Uma rapariga pálida num quarto branco…

Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela. Ela diz uma palavra: papá. É a sua filha de cinco anos, Izzy. E nunca mais a vê. 

Três anos mais tarde, Gabe passa os dias a conduzir na auto-estrada à procura do carro que levou a filha, recusando-se a desistir. Apesar de todos pensarem que Izzy está morta. Fran e a filha, Alice, também estão na auto-estrada. Não estão à procura. Estão em fuga. Tentando manter-se um passo à frente das pessoas que lhes querem fazer mal. Porque Fran sabe a verdade. Ela sabe o que aconteceu à filha de Gabe. Sabe quem é o responsável e o que lhe farão a si e a Alice se a apanharem.

Sobre a autora:
C. J. Tudor é natural de Salisbury e cresceu em Nottingham, onde ainda vive com o companheiro e a filha pequena. O seu amor pela escrita, em especial pelo macabro e pelo sinistro, manifestou-se desde cedo. Enquanto os jovens da sua idade liam Judy Blume, ela devorava as obras de Stephen King e de James Herbet. O Homem de Giz foi o seu primeiro livro.

Opinião: "A História de uma Serva" de Margaret Atwood

Ainda agora começou o ano e já me começo a atrasar a escrever as opiniões. Incrível! Mas a verdade, meus amigos, é que prefiro mil vezes estar a ler do que estar no computador. Perdoam-me, tenho a certeza.

Bem, e o ano realmente não poderia ter começado melhor. Este livro, esta história, esta autora, são de facto impressionantes! Vi a série, mas apenas a temporada 1 e 2, que na verdade correspondem a este livro, terminando exatamente no mesmo sítio, tal como no filme de 1990, que também fui ver quando terminei esta leitura. Por isso agora, com o próximo livro, não sei como ficará, mas uma coisa é certa, vou ler primeiro o livro e depois continuar a ver a série.

Não posso deixar de partilhar convosco, não só a minha opinião sobre o livro em si, como a minha opinião sobre as adaptações feitas. Tanto o filme como a série são extremamente fiéis ao livro de Margaret Atwood. Existem até cenas que são verdadeiras cópias numa e noutra versão. Será mão da autora como conselheira, ou será que o próprio livro é assim tão "fácil" de transformar em roteiro?

Gostei imenso desta experiência, ver a série, ler o livro e ver o filme. Deu-me uma perspectiva sobre o quão poderosa esta história é, o quanto pode tocar e talvez até alertar as pessoas, uma vez que é uma distopia não muito distante da nossa realidade, algo que poderá mesmo acontecer se não tivermos cuidado.

A escrita de Margaret Atwood é maravilhosa. Fiquei rendida.

E estou muitíssimo curiosa sobre o próximo livro, The Testaments, que já anda por aí, publicado em inglês. Aguardo ansiosamente pela publicação portuguesa, da Bertrand, que está para muito breve. Entretanto recomendo, sem a mais pequena hesitação, este A História de uma Serva. Não deixem de o ler, por favor!

Resultado do Passatempo "Minha Irmã Luísa Todi"

Com algum atraso, pelo qual peço desculpa, mas o primeiro vencedor não respondeu ao email, aqui fica o resultado do Passatempo "A Minha Irmã Luísa Todi".

Antes de mais, as respostas às perguntas efetuadas:

Quem foi Luísa Todi? Foi uma grande cantora Lírica portuguesa.
Que outros livros já publicou Maria Helena Ventura com a Saída de Emergência? Onde vais Isabel ?, A musa de Camões, Conheces Sancho?, Desculpe Sr. Nobel e Afonso o Conquistador.

De entre os 142 participantes considerados válidos, e com a ajuda do Random.org, foi escolhido o número 34.

A vencedora é Carmo Borges (
Oeiras)

Muitos parabéns! Em breve irás receber o livro na morada fornecida.
Obrigada a todos pela participação e um grande obrigada à Saída de Emergência por nos ajudar a concretizar este passatempo.

Passatempo

Em destaque: "Uma Família Quase Normal" de Mattias Edvardsson

Até onde seria capaz de ir se a sua filha fosse acusada de assassinato?

Sinopse: 
Stella é uma adolescente comum, de uma família honesta. O pai, Adam, é pastor da Igreja da Suécia, respeitado e de uma moral irrepreensível, casado com Ulrika, advogada de defesa.

Os Sandell são a família perfeita, até que Stella é acusada do assassinato brutal de um homem muito mais velho, Christopher Olsen. Mas que motivo poderia ela ter para conhecer um homem de negócios obscuro, quanto mais para o matar? Tudo deve não deve passar de um erro terrível.

Neste emocionante thriller, o magistral contador de histórias Mattias Edvardsson arquitecta uma teia na qual todos se envolvem e nada é o que parece. A história de um crime e a destruição de uma família é contada através de uma estrutura incomum de três partes que mantém o leitor a questionar tudo e todos. Tudo é virado do avesso à medida que a perspectiva muda, uma nova voz assume o controlo e novas sombras são lançadas na luz.

Sobre o autor:
Mattias Edvardsson é escritor e professor na Suécia. O seu romance de suspense psicológico, Uma Família Quase Normal, publicado em mais de 30 línguas, é um grande sucesso de vendas e da crítica em todos os países onde já foi pulicado. Thriller recomendado pelo The New York Times.

Em destaque: "Minha Irmã Luísa Todi" de Maria Helena Ventura

A vida épica de uma das maiores cantoras líricas de sempre.

Sinopse:
Três anos antes do terramoto de 1755 nasceu em Setúbal uma jovem que iria, também ela, abalar a Europa: Luísa de Aguiar. Aos dez anos mudou-se para Lisboa, aos 14 estreou-se no palco e poucos anos depois casava-se com o napolitano Francesco Todi. Aos 24 anos abandonou Portugal, grávida do quarto filho, para começar uma carreira internacional em Londres. Nascia uma estrela, Luísa Todi, a maior cantora lírica do seu tempo. 

Com uma vontade indomável e o dom de despertar emoções com a voz, facilmente conquistou a capital inglesa. Logo de seguida foi a vez de Paris, prestes a mergulhar no terror da Revolução Francesa. O seu talento tornou-se lendário, conquistando eruditos, políticos e vários soberanos do seu tempo, bem como os palcos habituados à presença das maiores divas, como Espanha, Itália, Prússia, Áustria ou Alemanha. Gloriosos foram os três anos que passou na Rússia, onde privou com Catarina, a Grande, e dela recebeu muitos presentes.

Quando Luísa regressou a Portugal, para viver em paz depois de uma carreira gloriosa, o destino foi-lhe cruel. Primeiro as invasões francesas e depois as lutas liberais delapidaram muito do que acumulara. Ignorada pelos governantes do país e esquecida pelos seus compatriotas, a luz de Luísa Todi, que um dia iluminara toda a Europa, apagou-se em Lisboa, sem direito sequer a uma sepultura digna. 


Este é um romance histórico escrito com o rigor factual de uma biografia e o talento único de Maria Helena Ventura, autora de Afonso, o Conquistador e Onde Vais Isabel?


Sobre a autora:
Maria Helena Ventura nasceu em Coimbra, terra de toda a família materna. Mantém ainda uma profunda ligação afetiva ao Porto, de onde o pai era natural, e a Lisboa, para onde veio no final da adolescência, onde se licenciou e fez o Mestrado em Sociologia da Cultura. Vive no concelho de Cascais. É membro da IWA – International Writers and Artists Association, Sociedade de Geografia de Lisboa e Associação Portuguesa de Escritores. Tem dezanove títulos publicados, até ao momento: sete de poesia, onze de ficção (romance) e um título de literatura infantil, além de trabalhos académicos nas áreas da Sociologia da Educação e da Cultura.

OPINIÃO: "Tundavala" de Paula Lobato de Faria

Tundavala é um nome estranho, pelo que fui procurar o que significava. Tundavala, ou melhor dizendo, a Fenda de Tundavala é um enorme abismo de cerca de 1200 m situado na Serra da Leba, a 18 km do Lubango, na província da Huíla, em Angola.

Utilizar esta palavra como título do seu segundo livro, foi um ato bem estudado da autora, Paula Lobato de Faria. É o abismo que encontramos em cada uma das personagens. A eminência de uma queda vertiginosa, por diferentes razões, à distância de um passo, e cabe a cada uma delas decidir se recuam ou se dão esse passo em frente.

A par e passo com o tumulto interior das personagens, está igualmente tumultuoso um regime que se prolonga há demasiado tempo em Portugal. A guerra colonial afeta tudo e todos, e apesar de no continente chegarem poucas notícias, sente-se uma mudança no vento, que começa a soprar contra Salazar. Ainda se sente a força da censura e dos seus tentáculos, mas mesmo os portugueses que se encontram no exílio começam a mexer-se e a sonhar com um regresso.

As personagens principais deste livro são as mesmas que conhecemos no primeiro livro da autora, Imaculada, e é muito interessante ver como evoluíram, como cresceram. Principalmente as mulheres, pois são filhas do regime, e do regime começam a tentar libertar-se. 

Mas, apesar de reconhecer a qualidade da escrita e a capacidade de organização da autora no que diz respeito aos factos históricos, sinto que falta algo. Talvez o próprio tema em si não me tenha cativado por aí além, ou talvez a altura em que o li não tenha sido a melhor... não sei. O que sei é que vou querer continuar a ler Paula Lobato de Faria. Acredito que o ingrediente mágico acabará por se revelar.

É, no entanto, um livro que recomendo. Sem dúvida. Haverá imensa gente a identificar-se com as personagens principais, e com o tema de fundo. 

Recomeçar...


No início de cada ano costumo fazer um balanço do que li no ano anterior. Mas este ano vai ser diferente. Vou fazer planos. Não que depois não possam não se concretizar ou serem alterados. ;) O balanço fica para mais daqui a uns dias. Agora apetece-me planear.

Em 2020 gostava de...

... ler um livro em inglês (já não o faço há imenso tempo, embora tenha de trabalhar todos os dias nessa língua)
... ouvir um audiobook (Uma maneira diferente de ler. Quem sabe não fico fã e finalmente posso fazer as minhas manualidades enquanto "leio"!)
... ler mais livros emprestados (tenho-me recusado a aceitar empréstimos, porque com tanto livro para ler é difícil intercalar, mas ultimamente há algumas pessoas a quem não consigo dizer que não. ;) Isto inclui ler os que tenho lá em casa por empréstimo, que ainda são uns quantos (4 ou 5).
... apostar em mais biografias ou histórias reais. É mais uma forma de aprender sobre o mundo que nos rodeia. E isso também é importante!
... chegar aos 50 livros lidos no final do ano. Se bem que o meu ano literário abranda radicalmente em novembro/dezembro, este ano cheguei aos quarenta e tal. A quantidade diminuiu bastante nos últimos anos porque passei a dar primazia à qualidade e dividir melhor o meu tempo entre os livros e a vida. ;) E não me arrependo. Já lá vai o tempo em que quase chegava aos 100.

Desejo a tod@s um excente ano de leituras!