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Em destaque. "As Herdeiras" de Aixa de la Cruz

Uma das vozes literárias mais surpreendentes do momento.

Sinopse:

Passaram seis meses desde que Dona Carmen cortou os pulsos na banheira, e ainda ninguém percebeu porquê, pois tinha ao seu alcance comprimidos suficientes para acabar com a vida de outra maneira. Isto descobrem, intrigadas, as suas quatro netas - Lis, Erica, Olivia e Nora - quando se instalam na casa da aldeia onde a avó vivia e que lhes foi deixada em testamento.

Lis, que tem um filho pequeno, está ainda a recuperar de um trauma que sofreu ali dentro e só lhe interessa vender tudo e seguir em frente, enquanto a sua sonhadora irmã Erica planeia organizar no local retiros espirituais e passeios na natureza. Por sua vez, Olivia - a prima mais velha, que se formou em medicina por ter visto o pai morrer com um enfarte - não desiste de procurar em tudo o que é gaveta uma pista que explique o que realmente levou a avó a suicidar-se; e Nora, a sua desastrosa irmã, tem a ideia maluca de deixar o seu dealer usar o espaço como depósito de «mercadoria»; de resto, é ela quem a dada altura diz sem complacência: «Parece que um suicídio na família confirma a suspeita de sempre, de que a loucura corre nos genes, de que estamos biblicamente perdidas.»

Aixa de la Cruz constrói neste romance intenso e dramático - considerado um dos melhores livros de 2022 pelo jornal El País - a ideia da família como lugar de dissensão e calamidade, explorando a ténue fronteira que existe entre loucura e sanidade.

Sobre a autora:
Aixa de la Cruz (Bilbao, 1988) é licenciada em Filologia Inglesa, doutora em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e escritora.
Publicou os romances Cuando fuimos los mejores (2007), De música ligera (2009), La línea del frente (2017) e ainda o livro Cambiar de idea (2019), a publicar em breve pela Dom Quixote, vencedor dos prémios Euskadi de Literatura 2020 e Librotea Tapado, finalista do XV Prémio Dulce Chacón e reconhecido pelo suplemento Babelia como um dos dez melhores livros de 2019. É também autora do livro de contos Modelos animales e do ensaio Diccionario en guerra (2018).
Colaborou com diversas publicações como Babelia, La Marea e Vogue e escreve uma crónica mensal no jornal Bilbao, além de dar aulas de escrita criativa. A sua obra foi já traduzida para vários países.

Opinião: "Uma Pequena Sorte" de Claudia Piñeiro

Este livro foi uma pequena surpresa. Uma história impressionante, narrada de forma sublime, que nos trespassa como uma faca, mas que nos enriquece de beleza ao impulsionar-nos à reflexão.

Claudia Piñeiro é uma exímia contadora de histórias. Atrai-nos com o mistério da história por trás de Mary Lohan, uma mulher que é forçada a regressa ao país que abandonou há mais de 20 anos para fugir de uma tragédia, e depois lança-nos aos lobos. Não há forma de ficar indiferente. Não há como fugir ao sentimento. Quase que a diria bruxa, ou feiticeira das palavras, pois mexe com o nosso interior de uma tal maneira, que é difícil de encontrar noutros autores.

A forma como nos vai contando a história de Mary é como o desenrolar de um novelo de lã que está emaranhado. Temos de o fazer lentamente, parando de vez em quando para desembaraçar alguns nós. E sem darmos por isso, temos o novelo perfeito enrolado nas nossas mãos.

É assim que descrevo este livro. Perfeito. Uma narrativa exemplar, uma história contundente, personagens inesquecíveis. Não necessita nem mais um ponto.

”Talvez a felicidade seja isso, um instante onde estar, um momento qualquer em que as palavras sobram, porque seriam precisas muitas para o contar."

Espreite a ficha do livro na página da Leya » aqui.

Opinião: "História de um Gato" de Laura Agustí

Que livrinho mais delicioso! Comprei a sua versão em ebook, mas estou tentada a comprar a versão física para morar na minha biblioteca. Uma verdadeira pérola para os que amam não só gatos, mas todos os animais, já que ela menciona (e ilustra!) todos os animais que cruzaram a sua vida: gatos, cães, pássaros, etc.

Para além de estar pontuado por ilustrações maravilhosas, é igualmente uma fonte de informação sobre os gatos, incluindo conselhos e avisos. Confesso que descobri imensas coisas que nem imaginava!

Sabiam por exemplo que "O Japão é um dos países onde mais se reverencia os gatos, a ponto de se considerar que ter imagens de felinos dá sorte. Conta a lenda que uma vez um gato agitou uma pata em frente de um proprietário japonês, que, intrigado pelo gesto, se aproximou dele. Segundos depois, um raio caiu no lugar onde antes estivera o homem, que atribuiu ao gato a sua boa sorte. A figurinha do Maneki -neko, o gato gorducho que acena com a pata esquerda, é moeda corrente nos negócios: com a pata erguida e em movimento, o gato convida os clientes; por outras palavras, está a atrair a fortuna para o seu dono." Pois é, aquele gatinho que encontramos nas lojas chinesas a abanar a mão, é de origem japonesa!

Também aqui pude encontrar pequenos capítulos contendo informações importantes para quem quer ter um gato como animal de companhia, como por exemplo: conselhos ao adotar um gatinho bebé, recomendações para integrar um segundo gato no lar, pistas para conseguir uma boa convivência entre cães e gatos, ou até mesmo uma lista ilustrada das plantas que são tóxicas para os gatos e as que são seguras.

Mas este livro é na realidade a história de um gato em especial: Oye. Um gato que viveu 17 anos em comunhão com a sua dona, Laura Agustí, a autora deste livro e destas incríveis ilustrações. É também um livro sobre a perda, o luto e a dor que advém de ficar sem um amigo destes, pois infelizmente eles duram bem menos tempos que nós.

Laura Ahustí conseguiu neste pequeno livro um feito fantástico. Homenageado o seu gato Oye, escreveu relato delicioso que vai certamente vos encantar como a mim me encantou. Recomendo!

Para mais informações, incluindo a sinopse, podem visitar a página deste livro no site da Leya: https://www.leyaonline.com/pt/livros/biografias-memorias/historia-de-um-gato/

Opinião: As Velas Ardem até ao Fim" de Sándor Márai (revisitado)


Li este livro em 2009, e agora, por ser um dos propostos no clube de leitura a que pertenço, decidi relê-lo. Pensei que não o tinha apreciado devidamente, mas hoje, ao reler a minha opinião da altura, verifiquei o contrário. Apreciei-o mais na altura que talvez agora. É sem dúvida um livro muito introspectivo, com análises profundas sobre a vida e a amizade. O que aconteceu foi que o "eu" de hoje, com mais 13 anos, colocou em causa coisas que não me haviam passado pela cabeça.

A história parece simples. Dois homens, amigos desde a infância, afastaram-se radicalmente após um acontecimento de relevo ter abalado a sua amizade. Viveram uma vida inteira - quarenta e um anos -  sem se falarem, sem se verem. O acontecimento é revelado rapidamente ao fim de algumas páginas, e livro continua com um reencontro, que tinha de acontecer. Ambos na casa dos setenta,
sentam-se a jantar e a conversar. O anfitrião, na realidade o principal lesado, vai discursando sobre as suas vidas, o que lhes aconteceu após o tal acontecimento, a amizade antiga que tinham e onde os levou o ressentimento. E realmente, de que vale o último quando coloca em causa uma amizade?

Quando as velas se apagam, a verdade revela-se. O ressentimento que guardaram durante tanto tempo, não vale a pena. Não é nada. Vidas vividas sem sentido, com um peso absurdo que influencia tudo e todos à sua volta., Valeu a pena?

Esta é a minha análise atual sobre este livro. Um livro de uma extraordinária qualidade literária, ou não fosse esta uma leitura intemporal que hoje em dia vem recomendado no PNL (dos 15-18 anos). Mas é igualmente uma leitura amarga sobre a vida.

Deixo -vos uma das pérolas que já guardei da outra vez e que guardo agora novamente:

(...) só através dos pormenores podemos perceber o essencial, aprendi assim nos livros e na vida. É preciso conhecer os detalhes, porque nunca sabemos qual deles é importante, quando pode uma palavra iluminar um facto. (...)

Opinião: "História de uma Família Decente" de Rosa Ventrella

Este é o segundo livro que leio de Rosa Ventrella. O primeiro, A Maledicência, foi igualmente uma leitura muito interessante que mereceu as minhas 4 estrelas. Este, no entanto, ultrapassa-o. A História de uma Família Decente é a meu ver mais completo. Se bem que as duas histórias ficam na memória, como é o hábito das histórias bem contadas.

A história deste livro é a história de uma família pobre, em que o pai, um rude pescador, rege a vida de todos com intolerância e violência. A mãe, bela e doce, é anulada pelo pai, o mesmo acontecendo ao rapaz mais novo. O mais velho faz-se à vida, seguindo para o serviço militar, enquanto Maria, a filha mais nova e única rapariga, vê a sua vida condicionada a casa - escola - casa. Mas Maria não é flor que se cheire, pelo menos flor que se deixe pisar facilmente. Tanto que até a avó que a adora lhe põe a alcunha de "malacarne", ou seja, malvada, patife. Junto com o seu amigo de infância, Michele, ela explora a vida, encontrando a felicidade quando está junto a ele. Quando crescem estão alguns anos sem se ver, e quando se reencontram, não há como negar o seu amor. Vão no entanto encontrar um grande entrave: o intransigente pai de Maria. Será que conseguem vingar na vida e no amor? 

Ao longo da história vamos conhecendo uma panóplia de personagens interessantes, que compõem o o quadro multicolorido que é o bairro onde esta família vive. E é aqui que, a meu ver, encontramos a magia da escrita de Rosa Ventrella, também ela originariamente de Bari, onde se situa este bairro. 

A escrita de Rosa Ventrella é um vício. Quanto mais lemos, mais queremos ler. Comparam-na muito a Elena Ferrante. Eu, como ainda não li esta última, não vos sei dizer. Sei é que Rosa Ventrella é um nome do qual vou querer ler mais livros. Eles que venham!

Recomendo, sem hesitações. E este, merece sem dúvida as minhas 5 estrelas!!

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Deixo-vos a sinopse:

Sul de Itália, anos 80. Os verões em Bari velha são passados entre os becos de lajes brancas, onde as crianças se perseguem pelas curvas de um labirinto de ruelas, no meio dos aromas dos lençóis estendidos em arames e dos molhos saborosos.

Maria, de doze anos, cresce aqui com os dois irmãos mais velhos. É uma menina pequena e morena, com feições selvagens que a tornam diferente das outras crianças - uma boca grande e dois olhos quase orientais que brilham como pequenos buracos - e uma certa maneira de ser hostil e insolente que lhe valeu a alcunha Malacarne.

Vive numa terra sem tempo, num bairro onde os abusos são sofridos e infligidos, e de onde é muito difícil escapar. No entanto, Marì não está disposta a submeter-se a normas que não respeita. O seu único apoio é Michele, o filho mais novo do clã Senzasagne, a gente mais decadente de Bari velha.

Apesar da hostilidade entre as suas famílias, entre ambos surge uma amizade delicada, quase fraternal, que o tempo converte em amor.
Um amor que, embora impossível, os preserva do rancor do resto do mundo.

Opinião: "Notas sobre o Luto" de Chimamanda Ngozi Adichie

Este pequeno livro (119x179x7 mm) encerra a dor imensa que é perder um pai que se ama e admira. 

Eu perdi a minha mãe no ano passado. Foram dias de grande agonia, de incompreensão, de uma dor imensurável que não conseguia sacudir. Fez um ano em julho que a vi partir. E ainda dói. Muito.

O que Chimamanda fez com este pequeno livro e com o partilhar do seu luto, foi dar nome à dor, ao sofrimento. Foi por em palavras as questões que ficam por responder. E ao abrir o seu coração, ajudar a sarar um pouco os nossos.

É um pequeno livro, mas tão grande, tão tão imenso.

Não dá para explicar. Há que o ler.


P.S. Foi também a minha introdução à escrita da autora, que adorei. Quero ler mais livros dela.

Em destaque: " O Fim" de Salvatore Scibona

Um primeiro romance imperdível que aborda, com delicadeza e capacidade de introspeção, os grandes temas da vida.


Sinopse:
15 de agosto de 1953. É dia de festa ruidosa e turbulenta em Elephant Park, um enclave de imigrantes italianos no norte do Ohio. Enquanto as festividades atingem um patamar frenético e trasbordam para as ruas, cinco membros da comunidade suportam o peso de um terrível segredo.
 
O padeiro da vila recebe uma notícia dolorosa, o joalheiro curva-se abnegadamente sobre o seu trabalho, uma costureira de cortinas fala em voz baixa pelo fio torcido de um telefone, um adolescente perturbado procura a liberdade fora da crescente multidão da festa e uma abortadeira idosa e ressentida mantém sob apertada vigilância a comunidade sobre a qual sente que está a perder o domínio.
 
Lentamente, à medida que estas personagens obstinadas e primorosamente desenhadas colidem entre si, torna-se evidente que, sepultada a grande profundidade nos seus corações, está a verdade há muito silenciada sobre o crime que assombrou o mundo de cada uma delas.
 
Criativo, explosivo, tendo em fundo as tensões raciais, espirituais e morais que deram origem à América moderna, O Fim assinala a brilhante estreia de Salvatore Scibona como uma voz nova e eletrizante na ficção americana.

Críticas da Imprensa: 

«Não é de admirar que Scibona, um italo-americano que trabalhou no livro durante uma década, tenha sido incluído pela New Yorker na sua lista – “20 under 40” – de jovens escritores a ter em conta.» The Guardian
 
«Faz-nos pensar não só em Faulkner, mas também em T. S. Eliot, Virgina Woolf, Gertrude Stein e James Joyce.» The Cleveland Plain Dealer

Sobre o autor:
Salvatore Scibona nasceu em 1975 em Cleveland, Ohio. É autor dos romances O Fim (2008) e The Volunteer (2019), de ensaios e de contos publicados em revistas literárias como a Threepenny Review, Best New American Voices 2004, The Pushcart Book of Short Stories: The Best Stories from a Quarter-Century of the Pushcart Prize, Harper's Bazaar e The New Yorker, entre outras. 

Foi distinguido com importantes prémios, incluindo o Guggenheim Fellowship, o Pushcart Prize, o O. Henry Award e o Whiting Award. Em 2010, foi escolhido pela The New Yorker como um dos 20 escritores mais promissores com menos de 40 anos. 

O Fim, o seu romance de estreia, foi finalista do National Book Award e vencedor do Young Lions Fiction Award da Biblioteca Pública de Nova Iorque.

Em destaque: "A Maledicência" de Rosa Ventrella

Sinopse:

Teresa e Angelina são duas irmãs diferentes em tudo: a primeira, a narradora desta história, é tão mais delicada, reservada e silenciosa, quanto a segunda, e mais nova, é cheia de vida, curiosa e impertinente.

Estamos no início dos anos 40, em Cupertino, nas terras de Arneo, uma extensão imensa de campos cultivados no coração da Apúlia. É aqui que ambas crescem, numa família de camponeses, pobres mas cheios de recursos. Os seus avós são exímios contadores de histórias: com eles, defronte da lareira, salteadores, lobos e bruxas ganham vida; à sua mãe, Caterina, calhou-lhe em sorte uma beleza mourisca e orgulhosa, que captura o olhar de todos os homens, incluindo o do latifundiário mais importante da aldeia. «A tua beleza é uma condenação», repete-lhe constantemente a avó Assunta. Uma beleza, e uma condenação, que passaram em herança para Angelina.

Quando o pai parte para a guerra deixando as três mulheres sozinhas, Caterina não tem outra arma senão a sua beleza para sobreviver, e será obrigada a ceder a um terrível compromisso. Depois disso, começa a ser perseguida pela maledicência, pelo coscuvilhar das más-línguas. Esta vergonha, que infecta toda a família, terá em Angelina um efeito contrário: ela, que não suporta viver na pobreza, irá procurar impudentemente um amor igual ao das histórias de encantar.

Esta obra foi traduzida por Diogo Madre Deus.

Sobre a autora:
Rosa Ventrella nasceu em Bari, e mora em Cremona. É licenciada em História Contemporânea e mestre em Gestão Escolar. Durante muito tempo, escreveu em revistas históricas especializadas e deu várias palestras sobre a condição das mulheres na História. Foi editora, e há anos que dirige oficinas de escrita criativa para crianças e adultos, em Cremona. É autora de Il giardino degli oleandri (2013) e Innamorarsi a Parigi (2015). História de Uma Família Decente (2018), o seu romance de estreia em Portugal, traduzido em 17 países, e os direitos para adaptação cinematográfica também foram adquiridos.

Opinião: "A Cadela" de Pilar Quintana

Este pequeno livro foi uma grande surpresa. A história parece simples, mas acreditem quando eu vos digo, é tudo menos isso! É quase como se só víssemos o topo do icebergue, quando para lá da superfície da água se esconde um monstro destruidor de navios.

Damara, uma colombiana que vive na costa pacífica da Colombia, adota uma cachorrinha recém nascida, com muito poucas hipóteses de sobrevivência. A ela se dedica, devotando-lhe todo o amor e cuidados, e a cadela sobrevive. Vai crescendo junto à dona que a trata quase como uma filha, até dia que, seguindo os seus instintos naturais, a cadela foge.

Apesar de toda a ação se centrar na cadela, o que é uma nítida manobra de diversão, a verdadeira história é sobre a sua dona. Damaris carrega alguns fardos muito pesados, traumas e desgostos do passado que, sem que ela dê por isso, condicionam a sua vida e o seu casamento. E é o reflexo disso tudo que a autora insere numa história tão simples: a angústia de uma vida. 

Está escrito de uma forma absolutamente perfeita. Manipula o leitor, mostrando-lhe um por de sol magnífico, que de repente se esconde por trás de umas nuvens ameaçadoras de furacão. Adorei a personagem de Damaris. A a sua força, a sua raiva, a sua solidão e tristeza. Tudo tão bem descrito que quase sentimos nossas, as suas dores.

Quem quiser ler este livro terá de estar preparado para o que a autora promete. Ela abre-nos uma ferida, talvez já fechada ou esquecida, mas não se coíbe de a esfregar com sal. Preparem-se. Mas não deixem de ler "A Cadela".


Em destaque: "A Cadela" de Pilar Quintana

Sinopse:

Na costa da Colômbia virada ao Pacífico - num lugar onde a paisagem luxuriante contrasta com uma pobreza extrema e o homem é uma migalha diante da força dos elementos - vive Damaris, uma negra com cerca de 40 anos que toda a vida quis ser mãe. A sua relação com o marido tornou-se, aliás, fria e turbulenta à medida que o casal foi sacrificando tudo o que tinha à obsessão de Damaris e, apesar disso, ela nunca conseguiu engravidar.

Mas a vida desta mulher frustrada parece encontrar uma réstia de esperança no dia em que adopta a última cadelinha de uma ninhada. Só que, tal como os filhos nem sempre correspondem às ambições que os pais têm para eles, Chirli também não será a cadela com que Damaris sonhou.


Esta é uma novela brilhante sobre a maternidade, a traição, a lealdade, a culpa, e também sobre a relação enigmática e por vezes excessiva entre os donos e os seus animais. Uma história narrada pela voz confiante e madura de uma escritora que viu o seu livro ser traduzido em mais de uma dezena de línguas e chegar à final do National Book Award nos EUA.

Críticas
«A magia deste romance reside na capacidade de abordar uma série de questões importantes enquanto parece estar sempre a falar de outras coisas. Que questões são essas? Violência, solidão, resiliência, crueldade. Os livros de Pilar Quintana maravilham-nos com a sua prosa desassombrada, acutilante, poderosa.» Juan Gabriel Vásquez

«Pilar Quintana descobre feridas que não sabíamos que tínhamos, realça a sua beleza e logo a seguir despeja nelas um punhado de sal.» Yuri Herrera

Sobre a autora:
Pilar Quintana (Cali, 1972) é uma das mais aplaudidas e lidas escritoras de toda a América Latina. Trabalhou como guionista de televisão e redatora de publicidade, mas teve também outras ocupações menos ligadas às letras, como ser terapeuta de jaguares, vender roupas ou passear cães. Foi escritora-convidada na Universidade do Iowa e participou no Workshop de Escritores Internacionais na Universidade Batista de Hong Kong. Foi ainda coautora do guião do filme Lavaperros, realizado por Carlos Moreno, que este ano venceu em Huelva o Prémio Manuel Barba da Associação de Imprensa para o melhor guião. Viajou por todo o mundo ao longo de três anos e instalou-se num vilarejo da costa do Pacífico, numa casa sem eletricidade nem água canalizada, donde partiu para Bogotá, onde agora reside. A Cadela representou um marco na sua carreira como escritora e foi o romance literário mais vendido na Colômbia nos últimos anos, tendo vencido o Prémio Biblioteca de Narrativa Colombiana. Pilar Quintana confessou numa entrevista tê-lo escrito de fio a pavio no telemóvel, enquanto amamentava o filho bebé.

Em destaque: "Peónia" de Pearl S. Buck

A história de um amor impossível na China do século XIX.

Sinopse:
China, década de 1850. Peónia, uma criança chinesa, é vendida como serva a uma família judia rica de Kaifeng. Os judeus viveram durante centenas de anos nessa região do país mas, em meados do século XIX, a assimilação começou a afetar a sua comunidade. Peónia e o filho da família, David, crescem juntos e, quando se apaixonam um pelo outro, irão enfrentar uma forte oposição de todos os lados. A tradição proíbe o seu casamento, e a família já tem em mente a filha de um rabino para mulher de David. Entretanto, Peónia tem também um conflito interior para resolver – o confronto entre o seu amor por David e a devoção à família adotiva.

Baseado em factos históricos, Peónia é um romance há muito celebrado pelo tratamento subtil e imparcial das tradições em colisão. Uma história envolvente sobre amor, identidade e a tragédia e a beleza que se encontram na interseção de duas culturas díspares.

Sobre a autora:
Escritora norte-americana, Pearl Sydenstricker Buck nasceu a 26 de junho de 1892, em Hillsboro, no estado da Virgínia Ocidental. Filha de um missionário que dedicou muitos anos de vida à tradução da Bíblia da língua grega para a chinesa, Pearl Buck passou, em consequência, a sua infância na China...
PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1938 

Em destaque: "Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro" de Cândida Pinto

Uma das mais emocionantes histórias de amor já vividas em Portugal.

Sinopse:
Quis o destino que as vidas de Snu Abecassis e Sá Carneiro se cruzassem um dia, para nunca mais voltarem a ser iguais. A «Princesa que veio do frio», como se referiam a ela, era uma mulher obstinada, forte e cheia de vida. Fundadora das Publicações Dom Quixote, Snu criou uma linha editorial que não se cansava de enfrentar o regime. Ela era uma mulher que não tinha medo de nada. 

Assim foi Snu na vida profissional, mas também na pessoal, cuja grande paixão com Sá Carneiro desafiou todas as leis do Estado Novo. Por Sá Carneiro, Snu pediu o divórcio, o que era um escândalo na época. Por Snu, Sá Carneiro abandonou um casamento ultra conservador (não conseguindo, porém, de imediato o divórcio). Contra tudo e contra todos, assumiram uma união de facto, muito mal vista na época, e comportavam-se como marido e mulher. Mesmo sabendo que a sua carreira política poderia ficar ameaçada por esta união, Sá Carneiro não desarmou nunca, chegando a dizer inclusive em 1977 que «Se a situação for considerada incompatível com as minhas funções, escolherei a mulher que amo». 

Este livro vai fazê-lo reviver uma das mais emocionantes histórias de amor já vividas em Portugal, uma história inspiradora interrompida apenas pelo trágico acidente/atentado de Camarate, onde ambos perderam a vida. Revivendo a história de Snu e Sá Carneiro o leitor terá ainda a oportunidade de viajar por alguns dos capítulos mais importantes da história da democracia em Portugal, nos quais Sá Carneiro era um dos protagonistas principais.


Sobre a autora:
Jornalista de rádio e televisão, Cândida Pinto é diretora-adjunta de informação da RTP. Estudou Comunicação Social no Instituto de Ciências Sociais e Políticas. Começou na rádio, primeiro na Antena 1 e depois na TSF. Fez parte do grupo fundador da SIC. A 17 de Setembro de 2001, passou a dirigir a SIC Notícias e, posteriormente foi diretora-adjunta do Expresso. Fez parte do grupo fundador da SIC onde coordenou o programa Grande Reportagem.

Em destaque: "Jogos de Raiva" de Rodrigo Guedes de Carvalho

Sinopse:
Um homem levanta a voz acima da algazarra de conversas. E pede que ponham mais alto o som do televisor do restaurante. É então que todos reparam no que ele vê. Não percebem ou não acreditam. E na rua, no bairro, na cidade, no país, homens, mulheres e crianças vão-se calando. Está por todo o lado, a imagem horrível e hipnotizante. O homem que pediu silêncio leva as mãos à cara e pensa: como chegámos aqui?

A era da comunicação global trouxe inimagináveis maravilhas. Partilhas imediatas de ensinamentos, denúncias e solidariedades. Mas permitiu também que saísse das cavernas uma realidade abjecta. Insultos, ameaças, ironias maldosas. Nunca, como hoje, a semente do ódio foi tão espalhada. 

É sobre este pano de fundo que se conta a história de uma família. Três gerações a olhar para um futuro embriagado num estado de guerra. Uma família que esconde, enquanto puder, um segredo. 
Jogos de Raiva traça duros retratos sem filtro sobre medos e remorsos, sobre o racismo, a depressão, a sexualidade, o jornalismo, a adopção, a arte e a amizade. E o poder das histórias. 
É sobre a urgência da confiança, da identidade e do amor. 
É um livro sobre todos nós, à deriva num novo mundo.


Sobre o autor:
Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu em 1963, no Porto. Recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional FIGRA, em França, com uma Grande Reportagem sobre urgências hospitalares (1997). Estreou-se na ficção com o romance Daqui a nada (1992) vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU.  Seguiram-se-lhe A Casa Quieta (2005), Mulher em Branco (2006) e Canário (2007). Elogiado pela crítica, foi considerado uma das vozes mais importantes da nova literatura portuguesa. É ainda autor dos argumentos cinematográficos de Coisa Ruim (2006) e Entre os Dedos(2009), e da peça de teatro Os pés no arame (estreada em 2002, com nova encenação em 2016). Regressa ao romance com O Pianista de Hotel (2017).

Em destaque: "A Mãe" de Pearl S. Buck

Sinopse:
Nesta obra, Pearl S. Buck descreve de um modo quase pictórico a vida simples e rude do povo Chinês, numa época que é pouco conhecida. A narrativa vívida e pormenorizada permite que o leitor capte toda a simplicidade e intensidade dos tempos descritos em "A Mãe". 

Ao penetrar no espírito da camponesa, Pearl S. Buck dá a conhecer os sentimentos mais profundos da mente e do coração de uma mulher e de uma mãe. Fá-lo de uma maneira comovente, enérgica e mesmo violenta. A personagem, sem qualquer dúvida estoica, assume uma grandeza excecional pela forma como encara e ultrapassa os obstáculos que a vida lhe coloca. Uma vida longa, árdua e solitária. 

Críticas da Imprensa:
«A sua melhor obra. Abençoada com o dom da intuição, Pearl S. Buck penetrou no pensamento, no coração e no espírito das camponesas chinesas, revelando os valores eternos da vida.» The Times

Sobre a autora:
Pearl Sydenstricker Buck nasceu em 1892  nos Estados Unidos e foi criada na China. Cresceu a falar chinês e inglês, e foi educada sobretudo pela mãe. Mestre em Literatura lecionou Literatura Inglesa em várias universidades chinesas antes de ser forçada a abandonar o país com a eclosão da Guerra Civil Chinesa (1932). 
O seu segundo romance, Terra Abençoada (1931), foi um best-seller e tornou-se um dos grandes clássicos modernos, tendo sido galardoado com o Prémio Pulitzer. A partir de 1935, Buck passa a viver nos Estados Unidos e empreende esforços em favor de diversas causas humanitárias, que culminam com a criação da Fundação Pearl Buck. Em 1938 tornou-se a primeira escritora norte-americana a ser galardoada com o Prémio Nobel de Literatura.
Autora de uma vasta obra, Pearl Buck faleceu com 80 anos em Danby, no estado do Vermont.

Resultado do Passatempo "A Bofetada"

E cá estou eu a anunciar o novo vencedor (ou será a vencedora?) de mais um passatempo levado a cabo no blog As Leituras da Fernanda.
Antes de mais, queria agradecer a todos os participantes e também à D. Quixote pelo seu patrocínio.

Aqui ficam as respostas às perguntas efectuadas:

1. Que idade tem a criança que leva a bofetada? 3 anos

2. Quantas são as personagens que são influenciadas por este evento? 8 personagens

3. Este livro deu origem a uma série. Quem a produziu? Matchbox Pictures

De entre as 324 participações consideradas válidas, e com a habitual ajuda do Random.org, foi apurado o participante com o n.º 243, que é aliás  uma participante:

Catarina Gamito
Muitos parabéns!
Espero que aprecies a leitura deste livro tão polémico e actual.

Passatempo "A Bofetada"

O blog As Leituras da Fernanda tem o prazer de lançar mais um passatempo, desta vez com a prestimosa colaboração da D. Quixote, que desde já muito agradecemos.
O livro em sorteio é o controverso e actual "A Bofetada", que tem suscitado as maiores paixões e ódios por todo o lado. Não perca esta oportunidade de o receber em sua casa!

Para participar basta preencher correctamente o formulário abaixo até às 23h59 do próximo dia 10 de Setembro.

Para mais informações pode consultar aqui, o blog "A Bofetada" ou o site da D. Quixote.


Boa sorte! :)



Regras do Passatempo:
1) Só serão validadas as participações com todos os campos do formulário preenchidos e com as respostas correctas, que sejam recepcionadas até ao dia 10 de Setembro de 2011 pelas 23h59. (Atenção: a morada dos participantes tem apenas o intuito de facilitar o processo de envio do exemplar para o vencedor. Estes dados não serão utilizados para qualquer outro fim.)
2) Só é aceite uma participação por pessoa/morada e, por questões relacionadas com o envio do prémio, só serão aceites participações de residentes em Portugal (continental e ilhas).
3) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blog, sendo o anúncio publicado nos dias seguintes ao final do passatempo e o vencedor contactado por email.
4) O envio do livro é da total responsabilidade da editora. Após o envio do mesmo, nem o blog nem a própria editora serão responsáveis no caso de extravio nos correios.

"A Bofetada" de Christos Tsilokas

Alguém comentou e eu concordo: de vez em quando lá nos aparece um livro que nos recorda porque é que gostamos tanto de ler.

Este é sem dúvida um livro estrondoso, barulhento, mesmo. Daqueles onde não há meios termos, ou se adora ou se detesta. É também daqueles livros que necessitam algum tempo para os digerir. A sua leitura encaminha-nos para reflexão e muitas vezes damos por nós a pôr em questão o que até aqui dávamos como certo.

Em “A Bofetada” encontramos o retrato perfeito de uma sociedade, em que os seus membros são esmiuçados, tanto enquanto membros dessa sociedade multicultural australiana, como enquanto simples pessoas, com as suas fraquezas, os seus medos, as suas ambições, os seus sonhos. É aí, a meu ver, que descobrimos a verdadeira gema, a pérola que se esconde dentro desta história.

Como obviamente já devem ter lido na sinopse, tudo começa por causa de uma bofetada que é dada a uma criança. O drama que daí advém, os conflitos, as discussões é algo que quase roça o absurdo. As diferenças entre amigos que até aí haviam passado despercebidas, revelam-se abismais como sempre o foram. As revelações entre maridos e mulheres, as considerações entre familiares e amigos, tudo preto no branco, são assombrosas. Talvez por isso possa também de ser apelidado de um livro perigoso. É que aos poucos, conforme vamos conhecendo intimamente cada uma daquelas pessoas, também nós vamos reconsiderando as nossas convicções iniciais e colocamos em questão coisas que anteriormente a esta leitura nem sequer tínhamos reparado que estava lá.

É um livro poderoso, um relato fantástico, uma análise profunda à vida nos nossos tempos, que nos faz reflectir sobre os reais valores que deveríamos tomar em conta, enquanto membros de uma sociedade.

Sem dúvida, uma leitura a não perder!


Para mais informações sobre o livro pode consultar aqui, no blog "A Bofetada" ou o site da D. Quixote.

Em destaque: "A Bofetada" de Christos Tsilokas

Vencedor do Commonwealth Writers’ Prize
Nomeado para o Man Booker Prize

Numa festa, um homem esbofeteia uma criança.
O menino tem três anos. E não é filho dele.

Durante um encontro de amigos, um homem dá uma bofetada a uma criança de três anos. Trata-se de um acto isolado, mas as suas repercussões vão fazer-se sentir nas vidas das oito pessoas que o testemunham de perto. As suas lealdades e paixões são postas à prova, redefinidas, extremadas.
Para as oito personagens, aquele é um momento transformador. Uma a uma, as suas vozes vão dar início a uma caleidoscópica e inquietante viagem aos limites do amor, do sexo, do casamento e da família.

Celebrado pela crítica e pelos júris dos mais importantes prémios literários, A Bofetada é um livro fracturante e controverso. Na sua dissecação da angústia civilizacional moderna, transcende o seu próprio ponto de partida e desconstrói as relações humanas. O que se segue é nada menos do que um implacável exame à vida no século XXI.

A BBC comprou os direitos de transmissão da série baseada no romance A Bofetada, de Christos Tsiolkas.
A série conta com oito episódios de uma hora, cada um relatado a partir do ponto de vista de um dos protagonistas.
Produzida pela Matchbox Pictures, a série estreia em Setembro na ABC, na Austrália, e em Outubro na BBC, no Reino Unido.
Segundo Sue Deeks, directora de aquisições de programas da BBC, “A Bofetada é um fenómeno, é um desses livros que toda a gente está a ler. Esta excelente adaptação transporta para o ecrã a acutilante dissecação da vida suburbana presente no romance e tem desempenhos extraordinários –  é uma série verdadeiramente poderosa, envolvente e estimulante.”

Para mais informações consultar o blog "A Bofetada" ou o site da D. Quixote.