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"Amor e Chocolate" de Dorothy Koomson

Esta é uma opinião que devia ter sido escrita antes do final do ano, pois foi exactamente no penúltimo dia de 2011 que acabei este livro.  Mas com a passagem de ano e a loucura que é sempre a primeira semana, só agora tive uns minutos para me concentrar e escrever umas linhas sobre este último livro da Dorothy Koomsom.
Antes de mais quero lembrar a entrevista que fiz a esta autora, exactamente por altura do lançamento deste livro. É sem dúvida uma das minhas autoras favoritas, embora alguns dos seus livros sejam claramente melhor do que outros. Ela é, no entanto, exímia a descrever as relações entre as pessoas, os sentimentos, as dúvidas, os problemas, e neste livro ela consegue mais uma vez nos conquistar com esse dom.
Uma das coisas que mais me cativou foi a forma como ela descreve toda a gente como se fossem um chocolate. Isso comprova de alguma maneira a teoria de que o chocolate está directamente ligado à nossa maneira de ser. Sem dúvida! lol

Em suma, é um livro interessante que nos faz alhear um pouco do dia-a-dia. Mesmo a calhar para aqueles dias mais complicados em que precisamos mesmo de um escape!

Para mais informações sobre este livro, podem espreitar aqui.

"No Anexo" de Sharon Dogar

Não li “O Diário de Anne Frank” e sinto-o como uma grande falha no meu registo de leituras. Mas sinceramente, nunca consegui forçar-me a isso. O tema não é propriamente dos que mais me apelam, pois sei que essas histórias me levam sempre para lugares escuros que não gosto de visitar.
No entanto, de tempos a tempos, lá dou por mim a ler algo que toca no flagelo nazi. E apesar de tudo, leio. Leio porque é importante manter viva a memória do holocausto. Não deixar esquecer que o que um dia um homem mau sonhou, passado pouco tempo se tornou num pesadelo real. Não deixar esquecer, para que não volte a acontecer.
Daí o ter pegado neste livro.
“No Anexo” é um livro extraordinário.
Inspirado no “O Diário de Anne Frank” é na verdade uma narrativa imaginada sobre uma eventual história de amor entre Anne e um rapaz que coabitou com ela no anexo durante dois anos, Peter. É o colocar em palavras a ínfima esperança de que aqueles dois anos de cativeiro, medo e incertezas, tenham sido um pouco mais do que isso para aqueles dois jovens.
Mas este livro é também o relato provável, embora não confirmado, do que poderá ter acontecido àquelas oito pessoas depois de terem sido arrancadas do seu esconderijo. Apesar de toda a gente saber qual foi o seu fim…
Uma história para não esquecer.
Um livro a não perder.

Para mais informações sobre este livro pode consultar aqui ou no site da ASA.

"Peto" de Paula Cairo

Não tenho dúvida absolutamente nenhuma em como existem anjos entre nós. E muitos deles estão disfarçados dos nossos amigos de quatro patas.
Este livro conta-nos a história de Peto, um cão de rua já velhote que teve a melhor sorte do mundo ao ser resgatado por uma alma que conseguiu ver para além do mau aspecto que tem um velho e maltratado cão de rua.
Mas este pequeno livro é muito mais do que isso. É um conjunto de histórias sobre alguns “amigos-de-companhia”, cães e gatos, que cruzaram a vida da autora. Histórias que nos fazem rir, que nos fazem chorar, que nos fazem sentir raiva por certos seres ditos humanos.
A meu ver, Paula Cairo é uma mulher corajosa. O seu amor pelos animais já a levou a fazer coisas impensáveis e a ser repudiada por tanta gente… eu não sei se teria a sua coragem, a sério que não. Mas Paula sabe bem quais os dividendos que se recebe quando se ama um animal.

Gostei muito desta leitura, não só porque me fez lembrar imenso a minha Nikita, e de quem hoje ainda tenho tantas saudades, mas também porque me devolveu alguma esperança. Ainda existem corações bons por aí.

Obrigada por partilhar as suas histórias connosco, Paula Cairo.

"Uma Melodia Inesperada" de Jodi Picoult

Jodi Picoult está de volta. E este é daqueles livros!
Costumo dizer que um bom livro é aquele que nos provoca emoções fortes. Pois neste livro Jodi não se fez de rogada. Como habitualmente escolheu um tema controverso e extremamente actual. Mais do que um tema, por sinal - os direitos legais das relações homossexuais na nossa sociedade, a forma como ainda hoje em dia a igreja controla (ou tenta controlar) a opinião pública, e o drama da infertilidade. Basta que leiam a sinopse para ficarem a perceber do que fala este livro. Não ficarão é com a ideia de quão hábil é esta autora em manusear a informação de forma a nos virar para este ou para aquele lado, para depois, no capítulo seguinte conseguir o efeito oposto.

É mesmo um livro estrondoso que não vai deixar o leitor incólume. É impossível não tomar partido. É impossível que não mexa connosco. Este é daqueles livros que não se pode deixar de ler. Porque afinal, ler é também pensar, discutir e opinar. E não é possível ler este livro sem o fazer.
Muito, muito bom!

Para mais informações pode consultar aqui ou no site da Civilização.

"As Meninas do Chocolate" de Annie Murray

Este é daqueles livros que dá gosto ler. Uma história bem organizada, com personagens femininas poderosas cuja vida acompanhamos ao longo de duas décadas, entre 1939 e 1959.
O cenário é indiscutivelmente um dos pontos fortes deste livro: Inglaterra durante a II Guerra Mundial, com os sucessivos ataques aéreos, os blackouts, o racionamento, e todas alterações que se operaram pela Europa, alterando para sempre a vida como até aí havia sido conhecida. É sem dúvida uma das épocas sobre a qual mais me agrada ler, pois julgo que a Europa de hoje se deve em grande parte a esses acontecimentos.

Mas regressemos ao livro. As meninas dos chocolates são três, assim apelidadas por trabalharem num fábrica de chocolates. Não podiam ser mulheres mais diferentes, mas de algum modo a sua amizade vinga, quase que como se juntas se complementassem umas às outras. As circunstâncias da vida, os acontecimentos a nível pessoal e familiar, e obviamente, a guerra, são motivos mais que suficientes para que a sua amizade ganhe uma dimensão extraordinária. E na verdade, apesar dos revezes da vida, é graças a essa amizade que elas conseguem sobreviver.

É, como se indica na capa, uma saga de amor, guerra e chocolate. Mas eu diria mais. É uma saga de amizade. Uma saga do poder da bondade. Uma história que atravessa culturas, línguas, e idades.
É um livro lindíssimo e interessante que vale bem a pena ler.
Para além de que vem “embalado” de uma forma originalíssima: dentro de uma caixa que parece ser… de chocolates. Mesmo a propósito. ;)

Para mais informações sobre este livro ou sobre a autora podem consultar aqui.

"Dei-te o Melhor de Mim" de Nicholas Sparks

Quando uma pessoa lê tantos livros como eu, é normal que certas histórias comecem a esfumar-se na nossa memória. No entanto, existem livros que são inesquecíveis. Principalmente quando nos contam histórias especiais. Histórias que se colam à nossa alma, ao nosso ser. Como se espelhassem a nossa relaidade.
Quando começamos a folhear as páginas de um determinado livro e nos apercebemos que nos contam a história de um amor intemporal, sabemos que é mais um daqueles que não vamos esquecer.

Com uma capa lindíssima e que coincide com parte da história, “Dei-te o Melhor de Mim” não é apenas mais um livro de Nicholas Sparks.
A meu ver o autor amadureceu, a sua escrita está mais sóbria, menos floreada, mais forte. Quase que diria que se tratava de uma viragem, mas a verdade é que já encontrei livros dele com o mesmo tom, o mesmo registo. “O Diário da Nossa Paixão” ou  As Palavras Que Nunca Te Direi” são dois exemplos. Histórias que nunca esqueceremos e que foram entretanto imortalizadas no grande écran.
Acredito que o autor se reencontrou. Não que os anteriores livros dele fossem menos bons, mas não estavam escritos com tanta profundidade. A forma como entramos no íntimo de cada personagem, a maneira como nos conseguimos colar à sua alma, é um feito fantástico que nem sempre os autores conseguem atingir.
Depois há todo o desenvolvimento da história, certos pormenores que apimentam a narrativa, o teor quase que espiritual, a tensão nas relações familiares… tudo apurado ao máximo de forma a transmitir ao leitor um maior realismo.
É uma história lindíssima que nos faz reter a respiração por diversas vezes e cujo final nos deixa a pensar. É que parece que por vezes não há como fugir ao destino que uma pessoa tem já traçado para si desde que nasceu. O único milagre é o conseguirmos dar sentido às coisas que acontecem.

Gostei mesmo muito.

P.S. Espero que também esta história seja adaptada ao grande écran. Ao que sei, os direitos já foram vendidos à Warner Bros. :)

Para mais informações sobre este livro podem consultar aqui ou no site da Presença.

"Breve História de Amor" de Tiago Rebelo

Este livro é perfeito para quem gosta de andar sempre com um livro atrelado. A sério! Tratam-se de pequenas histórias, com duas no máximo três páginas, que quer pela sua brevidade quer pela sua facilidade nos impelem a ler sempre que possível.
Sendo assim, li este livro em diversos sítios e ocasiões:
- no carro, enquanto esperava que o sinal passasse a verde;
- à porta da escola do meu filho, enquanto esperava que tocasse;
- ao pé da estação da CP à espera do maridão;
- na pausa para café da empresa;
- numa esplanada, durante a minha hora de almoço;
- na sala de espera de uma consulta do dentista;
- na cozinha, enquanto fazia o jantar;
- na cama, enquanto esperava que o sono chegasse.
Para mim são estas, normalmente, as ocasiões mais propícias para a leitura (ok, nos semáforos só de vez em quando!) mas a verdade é que como cada história era curtinha e independente, tornou-se mais fácil introduzir a sua leitura quando só tinha uns minutinhos para dispensar.

De resto, há o Amor. Sempre o Amor. Um tema inesgotável que me agrada imenso. Não só o Amor bonito e cor-de-rosa, mas aquele Amor que faz sofrer, que nos faz suspirar. O Amor que nos passa ao lado, aquele que veio para ficar. A ausência do Amor, e os diversos encontros com o Amor. Sim, porque na realidade a vida está cheia de encontros e desencontros com o Amor. E neste pequeno livro, em cada pequena história, Tiago Rebelo consegue transmiti-los na perfeição.

A meu ver este é um livrinho interessante para se oferecer no Natal.
Já coloquei na minha lista, à frente do nome de algumas pessoas que são mais preguiçosas com as leituras, na esperança de que estas pequenas histórias quebrem uma tradição, além de aquecer o coração. ;)

Para mais informações sobre este livro ou sobre o autor, podem consultar aqui ou no site da ASA.

P.S. Queria deixar aqui uma pequena nota... apesar de saber que estas histórias não foram escritas para serem lidas de seguida, houve alturas em que obviamente isso aconteceu. Na verdade, até se tornou interessante perceber que certas histórias a modos que tinham continuação, algo que não tenho a certeza que os leitores da Revista Domingo do Correio da Manhã tenham percebido, mas que com o livro não há como duvidar.

"Contos Que São Poemas" de Manuela Mensurado

Um dos objectivos que tenho como mãe é que o meu filho venha a gostar de ler tanto como eu. Bem, pelo menos, um bocadinho.
Para isso tento cativá-lo com livros interessantes, histórias tanto visual como pedagogicamente ricas. Este livro provou ser muito mais do que isso.

Todos conhecemos certos poemas, muitos até provavelmente os conseguem recitar de cor, se não na integra pelo menos uma parte. São poemas que nos acompanharam desde pequenos e os seus autores são considerados como parte da herança de Portugal. "O Mostrengo" de Fernando Pessoa e a famosa "Balada da Neve" de Augusto Gil, são dois deles. Faltam mais dois, um de Camões e mais um de La Fontaine. Todos eles estão presentes neste livrinho e na sua forma original.
Depois, com base nestes poemas Manuela Mensurado criou quatro belas histórias, repletas de aventuras e boas lições, como a pequenada gosta. Portanto, num só livrinho temos material para os pais e para os filhos!

Eu andei a lê-lo com o meu filhote e garanto-vos, foram momentos muito interessantes. Não só para mim, que adorei recordar e voltar a recitar estes poemas, como para o filhote, que para além de ter gostado das histórias, sei que aprendeu mais alguma coisa sobre as diferentes maneiras de ler e de escrever uma história.
Mas melhor que as minhas palavras, aqui ficam as palavras do próprio pestinha com a sua gatafunhada opinião:

«Olá. Eu sou o Gonçalo, tenho 10 anos e não gosto lá muito de ler. Mas a mãe diz que tem de ser, e que mais tarde vou gostar. E pronto, tenho sempre que ler. Desta vez até não foi mau. Gostei muito do mostrengo que está no fundo do mar. E achei piada à mãe a ler de uma maneira esquisita. Às vezes parecia que estavamos os dois no barco agarrados ao leme com medo do mostrengo. Depois também gostei da história. Percebi que o mostrengo afinal eram as ondas de meter medo. Também gostei da história da neve e do poema da esperta da raposa. É um livro muito giro.»

:) Eu também gostei.

"Tudo Sobre Ti" de Melissa Hill

Ao ler este livro veio-me à ideia uma frase que ficou famosa no filme “Forest Gump”:
«A vida é como uma caixa de chocolates. Nunca sabemos o que nos vai calhar»
É que realmente “Tudo Sobre Ti” surpreendeu-me. E pela positiva. :)

Aparentemente é um livro declaradamente “chick-lit” ou seja, romance leve e feminino, com uma capa cor-de-rosa e uma sinopse a condizer. Mas depois a história, apesar de nos ser contada de um ponto de vista obviamente feminino, é uma verdadeira caixinha de surpresas.
Uma leitura deliciosa cuja rapidez a ler até me surpreendeu. As 410 páginas do livro marcharam a toda a velocidade! Mas a autora fê-lo certamente de propósito. Aqui não há momentos mortos, tal como a vida, também a acção é acelerada e vibrante, levando o leitor a reboque enquanto tudo acontece.

A história roda à volta de três mulheres, todas nas casas dos 30, cada uma diferentes tipos de vida e que de alguma forma se vêem envolvidas no mesmo tipo de confusão… daquele género de confusão que altera por completo uma vida, sabem? Estão as três grávidas!
Ao mesmo tempo que todas as voltas e reviravoltas acontecem, o mistério anunciado no início do livro mantém-se por resolver. Quem é o bebé deixado há 30 anos atrás nos degraus de um conhecido café de Lakeview?
Repleto de personagens fortes, com as quais nos conseguimos facilmente identificar, e passado numa pictoresca vila irlandesa que eu gostaria de visitar, “Tudo Sobre Ti” é na verdade muito mais que um romance leve e feminino. É uma leitura divertida e envolvente, que nos faz reflectir um pouco sobre as prioridades nas nossas vidas.
Gostei imenso!

Para mais informações sobre este livro ou sobre a autora pode espreitar aqui ou no site da Quinta Essência.

"Em Nome do Filho" de Luísa Castel-Branco

Foi com grande entusiasmo que soube que a Luísa Castel-Branco ía ter um novo romance publicado. Depois de me ter surpreendido com “Alma e os Mistérios da Vida”, de me ter conquistado com “Não Digas a Ninguém” e de me ter maravilhado com “Para Ti”, tinha a certeza que este livro não me ía desiludir. E não desiludiu. Bem pelo contrário, com “Em Nome do Filho”, Luísa Castel-Branco tornou-se uma das minhas autoras portuguesas de eleição.

O livro está escrito de uma forma maravilhosa. A maneira como a autora vai intercalando a vida das duas personagens principais e das suas famílias é fantástica. A história então, é assombrosa! Preparem os vossos corações pois garanto-vos alguns batimentos bem mais fortes. ;)

Sabem, sou daquelas pessoas que não gosta de ler as sinopses. Que me perdoem as editoras, pois sei o trabalho que isso dá, mas é verdade. Normalmente apenas leio a sinopse quando escolho um livro, mas depois como passa algum tempo até que lhe pegue, esqueço-me completamente da história. Confesso que há autores que nem preciso de ler a sinopse. O seu nome na capa é para mim suficiente. A Luísa é um deles. ;)
Bem, a verdade é que gosto mesmo de entrar num livro “a crú”. Não sabendo de antemão o que vai acontecer, sinto mais fortemente os acontecimentos. Convosco não vos acontece?
Pois com “Em Nome do Filho” este truque funcionou na perfeição! O desenrolar da história arrebatou-me por completo. Por essa razão não quero revelar muito. Não quero vos estragar a leitura. Apenas vos digo que para além da história ser realmente fantástica, tendo como pano de fundo a Lisboa e arredores que tão bem conheço, possuir um conjunto de personagens muito interessantes e característicos, o livro está realmente bem escrito, no tom a que Luísa Castel-Branco já nos habituou. Aquele tom que nos faz sentir que o que estamos a ler foi escrito com alma, com amor.
Adoro a maneira como ela consegue transmitir os sentimentos das suas personagens. Tenho a certeza de que elas "falam" com ela, lhe desabafam o que vai na alma, lhe sussurram no silêncio da noite, até que a história esteja toda no papel. É um dom maravilhoso que esta autora possui.

A meu ver tudo o que se faz com amor, sai sempre bem feito, e é de certeza por essa razão este livro merece lugar de destaque nas minhas leituras deste ano.

Obrigada Luísa por mais um livro tão espectacular!

Para mais informações sobre este livro podem consultar aqui ou no site do Clube do Autor.

"Para Sempre" de Susanna Tamaro

Existem livros que são verdadeiros poemas, desde a primeira à última página. Que valem a pena ler devagar, saboreado cada palavra, cada frase, interiorizando cada pensamento. 
Para mim, este foi um desses livros.

Nunca li o bestseller "Vai Onde Te Leva o Coração" pois em 2006 li, da mesma autora, "A Alma do Mundo" e achei-o demasiado deprimente. De certa forma não me senti conquistada para ler outro livro dela, mas passado uns tempos li, com o filhote, "O Menino Que Não Gostava de Ler", um registo completamente diferente que classifiquei como delicioso. Fiquei então dividida. Seria Susanna Tamaro um autora que me agradava ou não?
Entretanto deparei-me com este pequeno livro, com uma capa lindíssima a proclamar o Outono que finalmente tinha chegado e a sussurrar "lê-me" ao folhear as suas páginas. Não resisti.
É de facto uma autora dotada de uma clareza de espírito e uma capacidade impressionante de colocar em palavras os sentimentos que por vezes nem conseguimos descrever.
A história é relativamente triste, mas sempre com uma nota de esperança, como deve ser uma boa história de amor. Sim, porque o amor não são só florzinhas e corações a pairar no ar, rodeando-nos e estonteando-nos com o seu perfume. O Amor é também dor. E às vezes é exactamente a incapacidade que muitos de nós tem  em lidar com essa dor que nos faz querer colocar a nossa vida em pausa, recusando-nos a avançar. Foi o que aconteceu com Matteo, o protagonista principal desta história. É extremamente interessante a forma como em tom de desabafo ele nos vai contando a sua vida, as suas escolhas, os seus dilemas, ao mesmo tempo que sem querer nos dá também uma lição.
Gostei muito desta leitura. É um livro para guardar com carinho e mais tarde reler.

Para mais informações sobre este livro podem consultar aqui ou visitar o site da Presença.

"O Homem Que Sonhava Ser Hitler" de Tiago Rebelo

Faz hoje uma semana que tive o prazer de estar um par de horas à conversa com um dos autores portugueses que já ganhou lugar na minha estante: Tiago Rebelo.
Além de se revelar extremamente simpático e acessível, mostrou-se também uma pessoa muito bem disposta e perpicaz.
Sem que obviamente o adivinhasse, eu andava a modos que zangada com ele. Depois de ter lido “O Tempo dos Amores Perfeitos” e “O Último Ano em Luanda”, os outros livros que li dele não me preencheram, muito pelo contrário, até me desiludiram. Eram histórias simples demais, banais demais que permaneceram na sombra dos primeiros livros que havia lido. Por isso não seria de estranhar que uma das primeiras perguntas que me saíssem da boca fosse: "para quando um novo romance histórico?”.
Mas não vou adiantar mais sobre este encontro, até porque está na forja uma pequena entrevista que espero poder apresentar brevemente, junto com a opinião sobre o seu novo livro, "Breve História de Amor".

Esta pequena introdução serviu apenas para explicar porque fui eu ler um livro que comprei na feira do livro de 2010 para oferecer ao maridão, nunca o considerando para minha leitura. Foi o próprio autor que mo recomendou! ;)
E garanto-vos, foi mesmo um belo conselho, pois este livro “O Homem Que Sonhava Ser Hitler” é realmente muito bom.
Para já a história envolve personagens e situações que apesar de fictícias poderiam facilmente ser identificadas na conjuntura actual do nosso país, tornando a leitura uma constante surpresa. Mas não só por isso. Os locais onde se passa a acção são locais que conheço muito bem, como alfacinha que sou: a Graça e os seus miradouros, o Largo do Rato, o Restelo, a sede da PJ junto ao Conde Redondo, o Hospital da Estefânia, as esplanadas à beira-rio, enfim, a meu ver a cidade de Lisboa acaba por fazer parte da história como se tratasse de mais uma personagem.
Com um tipo de escrita rápida e fluida, capítulos curtos, e um suspense que vai crescendo à medida que avançamos na leitura, este livro tem todas as características para conquistar vários tipos de leitores.

É uma história deveras interessante. Um policial político que não deixa de ser um romance e que tem todos os ingredientes para deixar o leitor preso da primeira à última página.
Não percam a oportunidade e leiam este livro. Prometo-vos que não se vão arrepender!


Sinopse:
No pátio das traseiras de um prédio de um pacífico bairro de Lisboa, uma criança é atacada por três homens e deixada em coma. Ao investigar o que inicialmente se supõe ser um mero acto de cobardia de um grupo de cabeças-rapadas que resultou em tragédia, as autoridades vão descobrir uma gigantesca conspiração que prova que, nunca como hoje, a democracia e o estado de direito estiveram tão ameaçados em Portugal. Neste surpreendente romance, Tiago Rebelo abre-nos a porta dos fundos do lado mais obscuro da política nacional dos nossos dias, onde nada é o que parece ser e onde se desenrolam acontecimentos extraordinários que colocam em perigo toda a sociedade, sem que esta se aperceba do que está realmente a acontecer.
O inspector-chefe, António Gaspar, da Polícia Judiciária, leva a cabo uma investigação, que, a cada passo, ameaça a sua vida e a da mulher que ama, a ex-namorada que ele procura recuperar no desvario dos dias perigosos que põem em risco a nação.

"A Sombra do Teu Sorriso" de Mary Higgins Clark

Mais um excelente policial da Rainha do Crime, Mary Higgins Clark!
Apesar de não ser uma das minhas autoras de policiais favoritas, tento não perder os livros que MHC publica pois costumam a ser policiais com alguma qualidade.
Este "A Sombra do Teu Sorriso" não foi excepção. A história está muito bem organizada e é-nos narrada de forma fluída e cativante. As personagens são, como habitualmente, muito variadas, e o enredo está engendrado de uma maneira fantástica levando-nos a querer saber como se desenrolará a acção. O final embora não nos surpreenda, agrada de sobremaneira. ;)
Gostei bastante.

Sinopse:
Aos oitenta e dois anos e com uma saúde frágil, Olivia sabe que não lhe resta muito tempo. É a última da sua descendência e enfrenta uma escolha colossal: expor um segredo familiar há muito escondido ou levá-lo consigo para o túmulo.
Olivia tem na sua posse cartas da sua falecida prima Catherine, uma freira que está a ser considerada para beatificação pela Igreja Católica, o último passo antes de ser santificada. Ao longo da sua vida, a Irmã Catherine fundara sete hospitais para crianças carenciadas. Agora é-lhe atribuída a cura de um menino de quatro anos que se encontrava a morrer com um tumor cerebral. As cartas que se encontram na posse de Olivia provam que, aos dezassete anos, Catherine deu à luz um rapaz, que entregou para adoção. Olivia conhece a identidade do pai, Alexander Gannon, que acabou por se tornar um médico de renome a nível mundial, cientista e inventor, detentor de patentes médicas. 
Hoje, duas gerações mais tarde, Monica Farrell, uma pediatra de trinta e um anos, neta de Catherine, é a herdeira legítima do que resta da fortuna familiar. Mas, ao contar a Monica quem ela é na verdade, Olivia estaria a trair o desejo de Catherine, revelando a história por trás das origens dela. A fortuna dos Gannon está a ser esbanjada pelos sobrinhos de Alex pelos restantes membros da Fundação Gannon, que camuflam o seu estilo de vida exuberante com filantropia. 
As únicas pessoas que conhecem a escolha iminente de Olivia são as mesma que exploram a herança. E algumas delas farão tudo para silenciar Olivia...

"A Melodia do Amor" de Lesley Pearse

Quem diria que 515 páginas desapareceriam debaixo dos meus olhos com tanta rapidez?
É assim quando um livro é bom e nos faz viajar à velocidade da luz. :)
Na verdade, os livros de Lesley Pearse têm sido todos assim. Quase que dou por mim a compará-la à Colleen McCullough, pois as suas histórias são autênticas sagas centradas numa personagem ou numa família (no caso de Lesley sempre à volta de uma personagem feminina), que atravessam oceanos e continentes, levando-nos a conhecer outras épocas e outros tempos que foram tão importantes para a humanidade conforme a conhecemos.
E este livro é mesmo de tirar o fôlego!
Começamos em Inglaterra nos finais do século XIX e emigramos para a terra da oportunidade, entrando junto com milhares de emigrantes através do porto de Nova Iorque onde nos saúda impertubável a Estátua da Liberdade:


«Venham a mim os teus cansados, os teus pobres, Tuas multidões desnorteadas, ansiando por respirar em liberdade, Os rejeitas que se aplicam nos litorais sem esperança, Manda-me os desabrigados, Os escorraçados pela tempestade: Suspendo minha tocha sobre o portal de ouro.»


Ficamos a conhecer a vida desses emigrantes na cidade de Nova Iorque e ficamos a conhecer as tristes e deprimentes condições em que alguns tentam sobreviver até que a sorte lhes bata à porta.

Passado pouco tempo viajamos até Filadélfia e finalmente nos dirigimos a Montreal, para mais tarde rumar ao Youkon no Canadá, juntando-nos a todos os que sonham com a corrida ao ouro do Klondike. É aí que se passa a maior parte da acção, pelo que foi fabuloso perceber como certas cidades surgiram, como era dura a vida naqueles tempos, e o quanto era necessário ser corajoso e ao mesmo tempo ter sorte para que se pudesse vingar na vida.

A nossa protagonista principal é, sem dúvida, a cereja no topo do bolo. Uma jovem inglesa que descobre que a sua paixão pela música lhe consegue angariar mais do que sustento. À medida que as suas aventuras se vão desfiando livro a fora, vamos sendo conquistados pelo coração da bela Beth e pela capacidade que ela tinha de aliviar o fardo e as tristezas de quem a ouvia tocar.

Um livro magnífico que vos incito a ler, pois tenho a certeza absoluta que não se vão arrepender!

Para mais informações podem espreitar aqui ou visitar o site da ASA.

"Cozinhar com Prazer" de Chakall

Esta é verdadeiramente uma estreia aqui no blog As Leituras da Fernanda: uma leitura "interactiva" do livro de receitas do Chakall!

Este é um chef cujo trabalho ainda não conhecia (confesso que não vejo muita televisão) mas que por todo imediatismo me suscitou alguma curiosidade.
As suas receitas são fáceis e simultaneamente algo sofisticadas, pelo que qualquer refeição que elaboremos terá indubitavelmente grande sucesso.

Pude comprovar isso mesmo ontem à noite quando, com alguns amigos, nos deliciámos com uma "Carne barrosã com molho de moscatel de Setúbal e gratinado de abóbora"...

E uma deliciosa sobremesa: "Cheesecake de banana"!
Era suposto ser "Cheesecake de manteiga de amendoim" mas seguindo a dica de Chakall (isto é uma coisa óptima nas receitas dele, dá sempre sugestões para alternativas) substituí a manteiga de amendoim por banana triturada. :)

Muito bom! Vou querer experimentar mais receitas do Chef Chakall. :)
E vocês, se gostam de novas experiências sem deixar para trás os sabores tradicionais, não percam este livrinho.

Para mais informações podem consultar aqui ou visitar o site da Civilização.

"A Última Viagem do Valentina" de Santa Montefiore

Santa Montefiore parece-me ser uma autora pouco divulgada. No entanto os seus livros (acho que já li todos) são histórias muito boas, bem elaboradas, com personagens riquíssimas em sentimentos e personalidade, e um enredo que cativa quem lê e nos leva a perseguir a história e a tentar situarmo-nos no espaço e no tempo da acção por forma a inteirarmo-nos por completo dos acontecimentos.
Apesar disso, este livro A Última Viagem do Valentina surpreendeu-me. A autora introduziu na história o factor mistério, tornando-a ainda mais rica e interessante.
Como sempre as personagens principais que nos são apresentadas são figuras cativantes, quer pela sua personalidade exuberante, como no caso de Alba, quer pela calma e clareza de espírito de Fitz. Todas as outras personagens secundárias compõem de forma extraordinária o conjunto e colaboram para uma sensação de autenticidade.
Entre Inglaterra e a Itália, durante a Segunda Guerra Mundial algo se passou, e esse acontecimento é sem dúvida a causa do estilo de vida de Alba, assim como das relações tempestuosas com o seu pai e restante família.
Na realidade, é muito comum que o passado de uma família influencie a vida de uma pessoa, mesmo sem que ela o saiba. Nesses casos só há uma solução: descobrir o que se esconde por baixo de algumas pedras e de permeio resolver o que afinal não era assim tão difícil de resolver.
Foi uma leitura muito agradável e como sempre, fico à espera de um novo livro desta autora que escreve tão bem.

Sinopse:
Após o final da Segunda Guerra Mundial, um aristocrata excêntrico é assassinado no seu palazzo italiano. Vinte anos mais tarde, este crime por resolver toca a vida de Alba, uma rapariga que vive num barco em Chelsea, na década de 1960. Entre estas duas épocas estende-se uma narrativa de amor, decadência e traição que conduz Alba até à costa de Amalfi, ao drama da guerra e à decadência da tragédia. O passado ressurge, revelando uma teia secreta de resistentes e nazis, de camponeses e condes e, no centro de tudo, uma fascinante e misteriosa mulher - a sua mãe.
Alba não irá investigar apenas um homicídio: investiga igualmente uma verdade proibida, e o que descobre no passado é doloroso, mas é a porta para o seu próprio futuro.
Críticas de imprensa:
«Montefiore é uma grande contadora de histórias», Emily Melton, Booklist

«Pleno de mistério, romance e suspense», The Bookseller

«Quem gosta de Joanne Harris vai adorar os romances de Santa Montefiore», Mail on Sunday

"O Quarto de Jack" de Emma Donoghue

(adquira este livro na Wook)
Esta é a quinta vez que tento escrever a minha opinião sobre este livro. A verdade é que não sei exactamente como descrever os sentimentos que a leitura de "O Quarto de Jack" me provocou.

De vez em quando surge um livro que mexe um pouco mais comigo, que me emociona ao mesmo tempo que me faz sorrir, que me desafia, que me faz reflectir ou que me faz pensar em como a vida que conhecemos é algo que tomamos levianamente por garantida. Este livro conseguiu tudo isso.
Não foi uma leitura fácil apesar de nos ser contada pela perspectiva de uma criança de 5 anos. Bem, talvez por isso mesmo, não tenha sido fácil. Jack viveu desde sempre com a sua mamã num quarto com 11m2 e toda a história é-nos contada por esta vozinha tão inocente quanto inteligente.

É impossível não nos lembrarmos das notícias que há pouco tempo encheram os telejornais sobre Natascha Kampusch ou sobre a filha do monstro de Amstetten, Josef Fritzl. Jovens raparigas que foram mantidas em cativeiro durante anos, privadas da sua liberdade e forçadas a viver em função das vontades dos seus carrascos. Mas neste caso, por estarmos a conhecer os acontecimentos através do ponto de vista de Jack, as coisas tornam-se ligeiramente menos chocantes, embora à medida que as interiorizamos se tornem mais difíceis de digerir.

Foi um trabalho impressionante o desta autora. Adoro a forma como ela conseguiu captar a capacidade de ser mãe ao seu nível mais básico e elementar. É absolutamente deliciosa a relação entre mãe e filho, intensa e poderosa, como qualquer mãe certamente o entenderá. E Jack? Jack é a essência de qualquer criança, exposta à sua máxima potência, um poço de sabedoria inata e infantil que nos deslumbra a cada parágrafo.

É um livro fantástico e impressionante. Uma narrativa que me vai acompanhar durante muito tempo. Uma história que por incrível que pareça também consegue transmitir esperança e nos faz olhar para tudo de um modo diferente. 
Uma coisa é certa. Esta noite vou abraçar o meu filhote com um pouco de mais força e talvez durante mais alguns minutos que o habitual.


Para mais informações sobre este livro pode consultar aqui ou visitar o site da Porto Editora.

"O Livro do Amanhã" de Cecelia Ahern

Para mim Cecelia Ahern tem um dom especial. A sua imaginação é certamente povoada de fadas e duendes, tal como ela, habitantes da fantasiosa Irlanda.
Por vezes, quando leio um dos seus livros, pergunto-me se ela própria não fará parte dessa raça de seres mágicos e misteriosos. Seja como for, o modo como ela escreve, as histórias que fabrica, são certamente inspiradas nesse mundo mágico e especial a que ela tem acesso.

Esta história vai ao encontro de tudo o que é misterioso e secreto. É a história de uma rapariga que ao perder o pai,  é “largada” numa pequena e isolada propriedade rural que pertence a um casal de tios, longe de tudo a que até então esteve habituada. A sua mãe também está lá, mas é como se não estivesse, pois encontra-se presa num mundo de dor e de luto.
Só que as coisas não são bem o que aparentam ser, e Tamara, é esse o nome da nossa heroína, não se contenta em fazer o que os outros esperam que ela faça. Curiosa e rebelde por natureza, ela vai tentar descobrir o grande mistério que se esconde por trás do castelo em ruínas que se encontra na propriedade e de certas personagens com quem ela tem contacto, incluindo a sua própria tia. Com a ajuda de um livro mágico, o Livro do Amanhã, ela vem a descobrir que o verdadeiro mistério tem mais a ver consigo do que ela poderia esperar.

Num crescendo magnifico, a narrativa prende-nos e tornando difícil pousar o livro para fazer seja o que for. Um verdadeiro “page-turner” que nos conquista desde as primeiras páginas.

Transcrevo aqui uma passagem que achei realmente deliciosa, e que qualquer pessoa que tenha uma paixão pelos livros como eu tenho, vai certamente gostar:

«O Diário ajudou-me a ver como uma coisa afeta outra. Como posso eu, de facto, fazer a diferença na minha vida e na vida das outras pessoas. Recordo-me sempre de como fui atraída para aquele livro na biblioteca itinerante do Marcus, quase como se estivesse ali para mim, naquele dia. Acho que a maior parte das pessoas entra nas livrarias e não faz a mínima ideia do que quer comprar. De certo modo, os livros estão lá, quase por magia, ansiosos por que as pessoas lhes peguem. A pessoa certa para o livro certo. É como se eles já soubessem de que vida precisam fazer parte, como podem fazer a diferença, como podem ensinar uma lição, pôr um sorriso num rosto no momento certo. Agora penso nos livros de um modo muito diferente.» (pág. 275)

Um livro muito bom que recomendo!
E que com uma capa destas dará com toda a certeza uma excelente prenda de Natal!

Para mais informações sobre este livro podem consultar aqui ou no site da Editorial Presença.

"Terra Abençoada" de Pearl S. Buck

É impressionante como existem livros que são intemporais!
Vejamos este “Terra Abençoada” de Pearl S. Buck…
Foi escrito muito provavelmente no mesmo ano que a minha mãe nasceu, 1930, sendo publicado no ano seguinte e arrecadando o Prémio Pulitzer e a Howells Medal.
Mais tarde, em 1937, tinha a minha mãe 7 anos, foi adaptado ao cinema.
No ano seguinte, Pearl S. Buck foi a primeira mulher norte-americana a ganhar o Prémio Nobel da Literatura.

Realmente como é possível que um livro deixe os seus leitores da actualidade completamente estupefactos pela forma como se revela tão contemporâneo, apesar dos seus 80 anos de idade?!?
É sem dúvida um livro estrondoso, que se lê de um só fôlego e que nos leva a transportar o que a história nos transmite para a nossa realidade. Uma história plena de valores e sabedoria, tão típica desse povo milenar.
É a história de uma pobre família de agricultores na China do último imperador, que vai crescendo e se vai moldando conforme a evolução da sociedade e da sua riqueza pessoal. É também a história de uma mulher, que muito para além dos preceitos e tradições que respeita, dá tudo o que tem e o que não tem pelo homem a que foi entregue como esposa. É principalmente pela sua força de vontade e pelo seu sacrífico que aquela família viria a vingar na vida.
Mas para além de tudo isto, este livro é também a história de um povo, com o respeito pelas tradições, pela cultura, pelos mais velhos, o que no fundo, ainda hoje faz parte da sua riqueza enquanto país.

É um livro absolutamente magnífico e fico muito feliz por ter tido a oportunidade de o ler.
E vou de certeza espreitar mais livros desta colecção do Clube do Autor onde encontrarei mais preciosidades como esta!

Para mais informações sobre este livro podem consultar aqui ou no site do Clube do Autor.

"As Raparigas da Villa" de Nicky Pellegrino

«Quanto a mim, agora percebo tudo muito melhor. Vejo que a vida não pode ser arrumada como um quarto. Que é uma coisa confusa - incerta, imperfeita e cheia de concessões. Que às vezes pode magoar, mas que não há forma de o evitar.
Achei que estava satisfeita com o modo como as coisas eram, feliz enquanto solteira, e talvez estivesse. Mas agora vejo o que não via antes... há mais do que uma maneira de ser feliz.» 

Os livros de Nicky Pellegrino são assim. No meio de aventuras e desventuras, alguma confusão tão típica do povo italiano, captam-se pequenas grandes verdades, simples e belas lições de vida, bem temperadas com a maravilhosa comida italiana de fazer crescer água na boca.
Confesso que a meio da leitura deste livro não resisti e houve uma noite em que tive de cozinhar algo apetitoso, se bem que não uma das receitas do livro... um peixe assado no forno com cebola e tomate, acompanhado de um suave puré de batata e uma boa salada. É claro que não pôde faltar um queijo bem regado com azeite como aperitivo, e as belas azeitonas pretas, de que tanto se falava na história (afinal a família de Enzo eram um dos maiores produtores de azeite da região de Triento em Itália!). Juro que já me andava a sonhar com azeitonas desde as primeiras páginas do livro! lol

Este é um livro que realmente se lê muito bem. Acompanhamos o crescimento de quatro raparigas que prometem encontrar-se de tempos a tempos para passarem férias juntas após uma primeira experiência numa pequena villa em Maiorca. Itália é o seu destino e como não podia deixar de ser, uma delas ali encontrará algo que a fará repensar a sua vida em Inglaterra. Mas não posso contar mais pormenores sobre esta história. Terão de descobrir vocês mesmos as delícias deste enredo tão bem imaginado. :)

Nicky Pellegrino continua a ser uma das minhas autoras favoritas. A sua paixão pela cultura italiana e pela cozinha italiana transparece em todos os seus livros, e como tão bem sabemos, quando se faz algo com paixão, o resultado é sempre excepcional.
Um livro a não perder!

Para mais informações podem consultar aqui.