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Opinião: "Olho de Gato" de Margaret Atwood

Este é daqueles livros que deixam marca. Não porque a sua história nos tenha conquistado ou, por outro lado, chocado, mas pela beleza da escrita e pela a forma como a autora nos conta a história, desconstruindo-a.

Elaine Risley é uma pintora algo controversa, que regressa à sua cidade de origem para uma exposição de retrospetiva da sua arte. Este regresso ao passado acaba por mexer muito com ela, e é através das suas memórias, que vamos conhecendo o seu percurso.  A voz de Elaine surge-nos como se estivesse em meditação, recordando, finalmente compreendendo e aceitando o que lhe aconteceu.

Ler este livro foi como ver um filme, com uma fotografia e sonoplastia maravilhosas, que desperta simultaneamente os nossos outros sentidos, olfato, tato e paladar. Uma viagem, no mínimo extraordinária, ao íntimo de uma pessoa.

Dizer que é um livro sobre as relações humanas, sobre família e amizades, é dizer muito pouco. Mas, muito resumidamente, é o que é. Um relato introspetivo de uma mulher na segunda parte da sua vida, que nos mostra como o que nos acontece quando somos crianças nos pode marcar profundamente, muitas vezes nos moldando, sem sequer demos por isso. 

Uma leitura absolutamente magnífica, que recomendo sem hesitações.

"O tempo não é uma linha, mas uma dimensão. (..) Não olhamos para trás ao longo do tempo mas através dele, como água."

Opinião: "Os Testamentos" de Margaret Atwood

Quando terminei a leitura do primeiro livro  era minha intenção ler, assim que possível, o segundo, que ainda não estava publicado em português, mas que como se constatou, não tardaria. Quis o destino que o livro fosse publicado no mesmo mês em que o mundo parou, por causa de uma palavra diferente: pandemia. Foram tempos difíceis e inacreditáveis, mas nada comparado com o que agora atravessamos, novamente em confinamento, e com os números com que nos assustámos em Itália, a dizerem-se em português.

Por incrível que pareça, se há um ano o que se estava a passar no mundo me afastou dos livros, agora me aproxima deles, e ando a ler como há muito não o fazia.

Mas falemos de Os Testamentos. Apesar de ter sido escrito com um hiato de 32 anos da primeira edição do primeiro livro, é na realidade a continuação de A História de uma Serva, ou melhor dizendo, da história de Gilead, esse país formado com base em ideais extremistas, uma religião fundamentalista e um perfeito desrespeito pelos direitos humanos, principalmente das mulheres. 

No livro que aqui abordamos, a ação desenrola-se em dois tempos. O primeiro passa-se 15 anos após o final do primeiro livro e o segundo tempo passas-se em 2197, durante o 13.º Simpósio dos Estudos de Gilead, onde se analisam diários e registos de voz desse tempo, que ajudam a compreender o que aconteceu. No fundo a história é-nos contada a três vozes: a da segunda filha de June, se encontra em plena adolescência que foi criada em liberdade do Canadá; a voz de Agnes, a primeira filha de June, criada em Gilead e prestes a casar, e a de Tia Lydia, já no final da sua carreira como Tia, mas ainda a controlar tudo e todos.


É sem dúvida uma história fascinante esta que Margaret Atwood nos conta. Parece que mantemos a respiração em suspenso desde que começamos a ler até chegarmos ao último parágrafo. A forma como Atwood nos envolve na história, nos desafia, nos agonia e depois nos conquista, é fenomenal. Gostava de experimentar outras histórias dela. Tenho de investigar. ;)

Bem diferente do primeiro livro, ou afinal não tivesse sido escrito com tanto tempo de diferença, é o final perfeito para esta saga que tanto me revoltou como fascinou. Sei que houve quem não gostasse, mas sinceramente, acho que se deveu à expectativa criada. Eu adorei! E recomendo sem hesitações!

Em destaque: "Os Testamentos" de Margaret Atwood

Ao fim de 15 anos, a continuação de A História de Uma Serva.

Sinopse:
A obra-prima distópica de Margaret Atwood, A História de Uma Serva, tornou-se um clássico do nosso tempo cuja conclusão conhecemos nesta deslumbrante sequela.

Quinze anos depois de A História de Uma Serva, o regime teocrático da República de Gileade mantém-se no poder, mas há sinais de que está a começar a cair por dentro.


Neste momento crucial, os percursos de três mulheres radicalmente diferentes cruzam-se com resultados potencialmente explosivos. Duas cresceram em diferentes territórios, separadas por uma fronteira: uma, a filha privilegiada de um Comandante de alta patente, em Gileade, e a outra no Canadá, onde acompanha ativamente os horrores praticados pelo regime do país vizinho. Às vozes destas duas jovens, saídas da primeira geração que cresceu sob a nova ordem, junta-se a voz de uma terceira, uma mulher que é um dos carrascos do regime de Gileade, cujo poder se baseia nos segredos que foi reunindo sem escrúpulos e que usa de forma cruel.

São estes segredos, há muito enterrados, que irão aproximar estas três mulheres, forçando-as a aceitarem-se e a defenderem as suas convicções mais profundas.



Críticas da Imprensa:
«O evento literário do ano.» The Guardian

«Um romance selvagem e belo , que hoje nos interpela, em todo o mundo, com uma convicção e uma força extraordinários... As expectativas em relação a Atwood eram muito elevadas e ela superou-as." Peter Florence, presidente dos juízes do Booker Prize.» The Guardian
Sobre a autora:
Margaret Atwood nasceu em Otava em 1939. É a mais celebrada autora canadiana e publicou mais de quarenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Arthur C. Clarke, o Booker Prize, o Governor General’s Award e o Giller Prize, bem como o Prémio para Excelência Literária do Sunday Times (Reino Unido), a Medalha de Honra para Literatura do National Arts Clube (EUA), o título de Chevalier de l’ Ordre des Arts e des Lettres (França) e foi a primeira vencedora

Opinião: "A História de uma Serva" de Margaret Atwood

Ainda agora começou o ano e já me começo a atrasar a escrever as opiniões. Incrível! Mas a verdade, meus amigos, é que prefiro mil vezes estar a ler do que estar no computador. Perdoam-me, tenho a certeza.

Bem, e o ano realmente não poderia ter começado melhor. Este livro, esta história, esta autora, são de facto impressionantes! Vi a série, mas apenas a temporada 1 e 2, que na verdade correspondem a este livro, terminando exatamente no mesmo sítio, tal como no filme de 1990, que também fui ver quando terminei esta leitura. Por isso agora, com o próximo livro, não sei como ficará, mas uma coisa é certa, vou ler primeiro o livro e depois continuar a ver a série.

Não posso deixar de partilhar convosco, não só a minha opinião sobre o livro em si, como a minha opinião sobre as adaptações feitas. Tanto o filme como a série são extremamente fiéis ao livro de Margaret Atwood. Existem até cenas que são verdadeiras cópias numa e noutra versão. Será mão da autora como conselheira, ou será que o próprio livro é assim tão "fácil" de transformar em roteiro?

Gostei imenso desta experiência, ver a série, ler o livro e ver o filme. Deu-me uma perspectiva sobre o quão poderosa esta história é, o quanto pode tocar e talvez até alertar as pessoas, uma vez que é uma distopia não muito distante da nossa realidade, algo que poderá mesmo acontecer se não tivermos cuidado.

A escrita de Margaret Atwood é maravilhosa. Fiquei rendida.

E estou muitíssimo curiosa sobre o próximo livro, The Testaments, que já anda por aí, publicado em inglês. Aguardo ansiosamente pela publicação portuguesa, da Bertrand, que está para muito breve. Entretanto recomendo, sem a mais pequena hesitação, este A História de uma Serva. Não deixem de o ler, por favor!