Opinião: "O Livro dos Sabores Perdidos" de Nicky Pellegrino

Não perco nem um dos livros desta autora, pois qualquer que seja a história, o tema ronda sempre Itália e a fabulosa comida italiana.
Desta feita, a ação passa-se na Sicilia, e as grandes personagens são pratos típicos dessa região, incluindo pratos feitos com... chocolate! No final do livro ela partilha algumas receitas, que não sei se terei coragem de experimentar. A ver vamos.

Bem, passando à história propriamente dita, está como sempre muito bem construída, com um leque bastante interessante de personagens que nos vão sendo dados a conhecer aos poucos. As quatro mulheres que se inscreveram na Escola de Culinária de Luca Amore, são completamente diferentes umas das outras, tanto em idades quanto em personalidades e vidas. É fascinante ir descobrindo como cada uma absorve tudo o que visitam, aprendem, provam e vêem.

Luca Amore, uma das personagens principais, é uma figura interessantíssima, com um passado obscuro que nos é revelado depois de muito tentarmos adivinhar. Apesar das personagens femininas serem importantes, a chave de ouro está nesta personagem. É à roda dele que tudo se processa, e o mistério que o rodeia como uma aura, mantém-nos em suspense.

Como sempre gostei imenso da escrita de Nicky Pellegrino. Leve, perfeita para as férias, mas ao mesmo tempo do género que nos agarra, pois só nos vai dando as informações importantes às migalhas.

Por mim, agora vou comer uma bola de gelado de cioccolato...

Para mais informações sobre este livro, espreitem aqui.

Em destaque: "Roleta Russa" de Miguel Castro

Uma história verídica de erro médico nas margens da lei.

Sinopse:
Imaginem o seguinte cenário: um homem pensa que está a ter um enfarte e vai a um Serviço de Urgências de um hospital. O médico de serviço manda fazer um electrocardiograma (ECG). Analisa-o e descansa o doente dizendo-lhe que não tem nada no coração. Cinco horas mais tarde, dá-lhe alta com um diagnóstico de: pré-diabético, pedras nos rins e uma virose no coração. Manda-o para casa com um antibiótico. A pessoa confiou no diagnóstico e esperou que o tratamento fizesse efeito. Ao fim de oito dias, como nada resultava e o sofrimento mantinha-se, foi a outra consulta para pedir uma segunda opinião, dia em que, coincidentemente, os sintomas do que parecia ser um enfarte estavam de volta. Depois de feitos os exames confirmou-se a existência de outro enfarte e foi internado nos cuidados intensivos de outro hospital. Seis dias depois, foi transferido para o hospital onde tinham cometido o Erro Médico inicial e foi operado o coração onde lhe foram postos 4 "bypasses". Três meses a seguir à operação, teve 3.º enfarte. Eventualmente, foi obrigado a deixar um trabalho que adorava, já para não falar das outras consequências físicas.

Este cenário, que acima descrevi, é verdadeiro e passou-se comigo.

Sobre o autor:

Miguel Lino de Castro tem 55 anos. Nasceu na cidade da Beira, em Moçambique e veio para Portugal Continental com dois anos e meio. Frequentou o liceu Pedro Nunes e entrou para a TAP AIR PORTUGAL, em 1983 onde ficou 25 anos, até à altura em que tive que se reformar por incapacidade física.
Desde a Reforma em 2007 para se sentir útil e vivo, tem feito voluntariado, facto que afirma lhe preencher a Vida em todos os sentidos. Nunca publicou nenhum texto a não ser documento internos, para os Cursos de Formação e de Refrescamento do Pessoal de Cabine da TAP. Miguel afirme que existem coisas que acontecem na vida, que nos fazem sair de nós próprios e, por causa disso, conhecemos um outro lado de nós que desconhecíamos completamente existir e começamos a fazer coisas que nunca na vida pensaríamos fazer. No seu caso, foi escrever este texto, por achar importante falar de um assunto TABU, o Erro Médico, com a naturalidade que ele merere, uma vez que o Erro Médico mata mais pessoas do que o cancro e muitas pessoas desconhecem esse facto.

Em destaque: "Madre Paula - Mulher de Deus, Amante do Rei" de Patricia Müller

Para o mundo ela era apenas uma freira. Mas para El Rei ela era uma rainha.

Sinopse:
Lisboa, início do século XVIII da Graça de El Rei D. João V. Paula, a filha pobre de um ourives, deixa a azáfama das ruas de Lisboa para ingressar no Mosteiro de São Dinis, em Odivelas. Não é Deus quem a chama, mas sim a necessidade de um pai que já não a pode sustentar. Quis o destino, porém, que aquela rapariga de pé descalço se viesse a tornar na mais conhecida freira da nossa história. E numa das mulheres mais poderosas de um reino que vivia no extravagante esplendor pago com os escravos de África, com o ouro do Brasil… 

Madre Paula é a história desse amor proibido, entre o Rei-Sol português, D. João V, e a famigerada freira de Odivelas. Um amor intenso, maior que tudo, que levou o rei a ignorar o bom senso e a tomar a freira como amante, confidente e conselheira.
D. João V sempre teve uma predileção por mulheres bonitas, mas Paula foi o seu grande amor. Permaneceram juntos, secretamente, mais de uma década, e chegaram a ter um filho. A história entre um dos homens mais poderosos do mundo e a plebeia que a Deus traiu inscreve-se na categoria de mito, mas é bem real, nas páginas do romance de estreia de Patrícia Müller. Juntos enfrentaram intrigas palacianas, a ameaça do castigo divino, o ciúme e os jogos de poder. E a quase tudo resistiram – pois durante uma década, para D. João V, Madre Paula foi a sua única e verdadeira rainha.


Sobre a autora:
Patrícia Müller nasceu em Lisboa, em 1978. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova. Passou pelo jornalismo, na imprensa escrita e na televisão e depois encontrou a ficção. Escreveu novelas, filmes, séries e telefilmes. Madre Paula é o seu primeiro romance. Descobriu a relação entre João V e a freira de Odivelas num livro antigo e apaixonou-se pelo facto de ter sido um amor vivo, intenso. De todas as mulheres que o rei amou - e foram muitas -, Paula foi a única que perdurou no tempo e na vontade. A improbabilidade desta ligação, que desafiou convenções sociais e políticas, fez com que se transformasse numa das mais belas histórias de amor da História de Portugal.

Em destaque: "A Caminho de Casa" de Fabio Volo

UM FENÓMENO DE POPULARIDADE EM ITÁLIA
MAIS DE 5 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS

Sinopse:
“A Caminho de Casa” conta a história de dois irmãos que são o oposto um do outro. Andrea é engenheiro, responsável, tem um casamento perfeito e o dom de fazer sempre as escolhas certas. Marco, três anos mais novo, é dono de um restaurante em Londres, rebelde, instável e um mulherengo inveterado. Nunca se sentiram íntimos na sua relação, mas a súbita doença do pai irá aproximá-los e fazê-los compreender muita coisa sobre si próprios e sobre a família.

Um romance que atesta a maturidade de Fabio Volo como escritor e que nos fala de temas universais como: o amor, a paixão, o casamento, a amizade, as escolhas que se fazem e as que ficam por fazer, e a extrema importância dos afetos na passagem para a vida adulta.

Sobre o autor:
Fabio Volo nasceu em 1972 na região da Lombardia. Trabalhou como DJ, ator e locutor, na rádio e na televisão. É autor de vários romances, que conheceram grande sucesso em Itália e foram traduzidos para diversas línguas. De entre eles, destacamos O Dia Que Faltava, O Tempo Que já não Viverei e As Primeiras Luzes da Manhã, todos eles publicados pela Presença na coleção «Grandes Narrativas».

Críticas da Imprensa:

«Uma escrita fascinante que envolve de imediato o leitor, graças ao estilo simples, direto e claro, típico de Fabio Volo. Sem excessos estilísticos ou temáticos: simplesmente a vida, o amor, a relação conjugal, a amizade.» Panorama.it

Opinião: "Amor, Açucar e Canela" de Amy Bratley

Este é um livro amoroso. Vem com uma adorável capa rija, o que não é muito normal nas edições portuguesas, a história é deliciosa, a personagem principal, Juliet, é um doce de rapariga com algum azar no que diz respeito à sua vida amorosa.

É uma história que nos envolve pois sentimo-nos imediatamente solidários com a pobre Juliet e o seu sonho de construir um lar, doce lar, tal como a avó sempre lhe incutiu no espírito. E é realmente o espírito da avó que acaba por a acompanhar nesta jornada, através de uns maravilhosos livros sobre como criar um lar perfeito, e os seus ricos comentários nas margens dos mesmos.

Cada capítulo deste "Amor, Açucar e Canela" é encimado por preciosas pérolas retiradas dos tais livros sobre a lida da casa, dicas para um lar perfeito, e sugestões para as donas de casa. Coisas dos anos 50, 60 e 70, que na maioria das vezes já se encontram desatualizados e quase que podem ser "ofensivas" para a mulher atual, mas que me deixaram com um sorriso nos lábios. Deixo-vos no entanto o exemplo de uma destas preciosidades que ainda se enquadra perfeitamente na nossa realidade...

«Se dispuser de muito dinheiro e for a uma loja comprar a mobília toda de uma só vez, a sua casa ficará sem personalidade, além de que se divertirá muito menos! Colecionar velharias, restaurá-las, pintá-las, adaptá-las às suas necessidades e preferências: assim se constrói um lar.» 
Sure & Simple Homemaking, Jill Blake, 1975

É como vos disse no início, este é um livro amoroso. Uma leitura leve, perfeita para as férias, que nos faz dar ainda mais valor ao nosso próprio lar, doce lar. :)
«No fim de contas, é a família que transforma uma casa num lar, por melhor que seja a dona de casa. De outro modo ela seria apenas uma casa arrumada.»
Sugestões Caseiras para um Lar Mais Feliz, 1959


Opinião: "Até Que Sejas Minha" de Samantha Hayes

Gosto de ler um bom policial para intercalar com outro género de livros. Desde que me apaixonei pelo grande Sidney Sheldon, confesso que não sou de fácil conquista, mas insisto sempre e tenho apanhado algumas boas surpresas. Este livro, “Até Que Sejas Minha” de Samantha Hayes, foi o caso.

Para já, preenche todos os bons requisitos do que para mim é um bom policial: personagens bem identificadas, verosímeis e dissimuladas, um enredo interessante, um nível de suspense que vai aumentando à medida que a história avança, e um final absolutamente surpreendente.

Embora a meu ver seja um livro talvez mais dedicado ao público feminino – as personagens principais são femininas e tem um grande número de grávidas envolvidas (lol) – é de certeza um livro que o maridão também vai ler, por isso acaba por ser um dois em um, já que na maior parte das vezes os nossos gostos literários não coincidem.

Em suma, adorei este leitura. Prendeu-me o fôlego até às últimas páginas, e ficar a saber a verdade no final deixou-me sem palavras. Um thriller absolutamente fantástico, ótimo para fugir à realidade do dia a dia já que nos envolve intensamente.

Sem dúvida nenhuma que merece as minhas 5*!

Em destaque: "O Nadador" de Joakim Zander

Sinopse:
Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80. Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.
Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente. 

Sobre o autor:
Joakim Zander nasceu em 1975 em Estocolmo, Suécia. Atualmente trabalha como advogado para a União Europeia em Helsínquia, Finlândia. Viveu anteriormente na Bélgica, nos Estados Unidos e no Meio Oriente.  

Opinião: "A Vida Secreta de Stella Bain" de Anita Shreve

Anita Shreve é uma das autoras que mais prezo. Tem um tipo de escrita que nos embala, com uma certa nostalgia, tão característica que voltar a ler um livro dela é quase como regressar a casa, se é que me entendem. As suas histórias possuem sempre uma profundidade que nos levam a diversos níveis de introspecção, nunca, mas nunca nos deixando incólumes.

Este novo livro, A Vida Secreta de Stella Bain, agora publicado pela Clube do Autor, está muito bem conseguido, e mesmo para quem não conhece a autora é sem dúvida uma boa aposta para a descobrir.

O livro está dividido em duas partes. Na primeira aborda-se o mistério de quem é Stella Bain, uma mulher americana que foi encontrada num hospital de campanha em França durante a Primeira Grande Guerra e que não tem absolutamente memória alguma de quem é ou do que faz ali. O mistério prende-nos, e somos imediatamente envolvidos pelo seu drama, pela sua necessidade de descoberta.
A segunda parte do livro, e esta sim muito mais complexa e fascinante, começa quando Stella descobre quem é. E mais não digo. É uma reviravolta surpreendente, quase como se fossem duas histórias diferentes sobre duas mulheres diferentes.

É sem dúvida uma história extremamente bem escrita, com um notório trabalho de pesquisa sobre as condições de vida naquela altura, tanto durante a guerra na Europa como nos E.U.A. e principalmente no que diz respeito às mulheres e ao seu lugar na sociedade.
Faz-me continuar a ser uma grande fã desta autora, e espero que não demore muito até poder revisitar a sua escrita novamente.
É um livro que recomendo sem hesitações. E se quiserem experimentar a beleza da sua escrita ao máximo expoente, leiam também A Praia do Destino.