"Vidas Esquecidas" de Diane Chamberlain (opinião)

Desde que li o primeiro livro de Diana Chamberlain, não a perdi de vista. Este "Vidas Esquecidas" é o terceiro que leio, e achei-o tão empolgante e emocionante, se não mais, do que os anteriores.

Mas desta vez achei-o mais poderoso, quase que provocador. É que a autora inspirou-se num tema bastante controverso e sobre o qual eu não fazia a mínima ideia. O termo eugenia (eugenics em inglês), para quem não sabe, foi criado em finais do séc. XIX pelo antropólogo inglês Francis Galton para definir "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente". 

Galton, primo de Darwin, foi influenciado pelo conceito do processo natural de seleção, achando que o Homem poderia aprimorar a população humana através de um processo de seleção artificial, quer através de casamentos seletivos, quer mais tarde por um processo de esterilização seletiva.
Este novo conceito foi rapidamente difundido por todo o mundo, chegando a ser implementado em diversos países durante bastante tempo.

Parte de um folheto a favor da Esterilização Selectiva.

Nos E.U.A. no início do séc. XX, o estado de Indiana foi o primeiro a legalizar a esterilização coerciva, seguido de imediato por outros 27 estados. Ao abrigo desta medida, julga-se terem sido esterilizadas por determinação legal, cerca de 118.000 pessoas. Os brancos, negros e judeus mais pobres, e normalmente alvo de contribuições sociais, eram considerados como ociosos, imorais, incultos, promíscuos, portadores de "debilidade mental" ou de outra doença do foro psicológico, sendo essas as razões apresentadas perante a comissão do estado, para que se avançasse com o processo de esterilização. A grande maioria das esterilizações eram efetuadas em crianças e jovens, com idades a rondar os 14 anos, e sem o conhecimento dos mesmos. E claro, que na grande maioria dos casos as razões apresentadas eram totalmente inverosímeis.

Exemplo de um pedido para a esterilização de uma mulher.
Após a eugenia nazi o entusiasmo por este conceito diminuiu consideravelmente por todo o mundo, no entanto, o estado da Carolina do Norte foi um dos últimos a abandonar a prática, sendo que a última esterilização coesiva legal foi efetuada em 1974.

Voltando ao livro, a autora pega então neste tema tão revoltante e controverso, e cria a história de duas jovens. Uma, recém casada, que inicia a sua vida profissional como assistente social. A outra, um pouco mais jovem, oriunda de uma família pobre, e obviamente alvo de uma iminente esterilização coerciva. A assistente social que se vê perante este assalto à dignidade humana, e cuja responsabilidade lhe é entregue nas mãos, tentará ao máximo ajudar aquela família, vindo então a descobrir uma verdade ainda mais complexa e terrível que a faz abandonar todas as suas convições e seguir o seu sentido de obrigação moral. Fenomenal!

Adorei. Um livro poderoso que me fez investigar mais sobre este assunto, que é ainda tema recorrente nos EUA, visto que o processo de indemnização às vítimas ainda está ativo.
Recomendo entusiasticamente a leitura deste "Vidas Esquecidas", para que não se esqueçam os erros cometidos.

Para mais informações sobre este assunto podem visitar o site: http://www.wral.com/news/state/nccapitol/story/9761898/ 

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