"A Rapariga da Carta" de Emily Gunnis (OPINIÃO)

Uma das coisas mais interessantes sobre ler e partilhar opiniões, é que por vezes encontramos opiniões tão diferentes das nossas, que ficamos admirados. Aconteceu por acaso que li dois comentários menos bons quando publicitei este livro. Duas amigas comentavam que tinham ficado decepcionadas. Fiquei logo de pé atrás pois, tanto uma como outra, costumam gostar dos mesmos livros que eu. Entretanto, não aprofundando mais o assunto para não me influenciar, comecei a leitura, talvez até com uma atenção mais cuidada a todos os pormenores. Chegando ao fim entendi o porquê da opinião delas, embora não me tenha condicionado tanto a leitura. Às vezes pode ser difícil distanciarmo-nos o suficiente de um ou outro pormenor para apreciar um livro. E nessas alturas não há nada a fazer. No fundo, um livro pode ser especial para algumas pessoas, enquanto outras poderão encará-lo com um olhar mais clínico, e ter uma percepção bem diferente. 

Pois então, ao decidir embarcar nesta leitura, sabia que o tema me era bastante querido. As chamadas Magdalene Laundries na Irlanda (Lavandarias de Maria Madalena) já foram exploradas noutros livros, em filmes e até em músicas. Aconselho-vos a ouvirem a música Magdalene Laundries de Joni Mitchell, do álbum Tears of Stone dos Chieftains. Se não conhecem, procurem na net e ouçam. Aliás, todo o álbum é lindíssimo e uma excelente banda sonora para este livro.

A história está dividida em dois tempos, e julgo que a organização poderia estar um pouco melhor, mas desculpo isso pelo facto de autora, Emily Gunnis, ser estreante nestas andanças. Como personagem principal, e na atualidade (2017), temos Sam Harper, uma exausta jovem mãe que quer vingar no mundo jornalístico. Sam tem um filho de 5 anos, uma avó e também um recém ex-namorado/companheiro, cuja existência poderia muito bem ser eliminada, pois não contribui nada para a história. Através de uma carta que a avó supostamente encontra, Sam descobre Ivy Jenkins, uma jovem grávida que escreve ao namorado em 1956, após ser internada compulsivamente numa instituição para mães solteiras - Saint Margaret. Convencida que ali se esconde uma história interessante, Sam enceta uma investigação que a irá levar mais longe do que esperava.

Há sem dúvida alguns pormenores que poderiam ter sido mais bem trabalhados, (a avó que ainda tem uma avó?!?) mas no geral e, mais uma vez, tomando em consideração que é o romance de estreia da autora, foi uma leitura que me agradou bastante. Não se comprara obviamente a "O Filho Perdido de Philomena Lee", um livro que aborda igualmente este tema de uma forma um pouco mais real e pesada. Este é um livro mais ligeiro, com uma história interessante e com o tema de fundo a ser extraordinariamente bem dissecado através das cartas de Ivy Jenkins. Gostei muito.



Sobre as Lavandarias de Maria Madalena:
Recentemente o governo irlandês pediu desculpas pelos crimes perpetrados nas Lavandarias de Maria Madalena, que apesar de serem geridas pela igreja Católica, esta se manteve em silêncio sobre o assunto. O trabalho escravo, os abusos físicos e a violência psicológica sobre jovens desprotegidas durou mais de 70 anos e só terminou em 1996, quando as primeiras histórias começaram a vir a público. Raparigas grávidas fora do casamento, violadas, problemáticas, promiscuas, ou simplesmente demasiado bonitas, eram para ali afastadas do mundo no sentido de serem "reeducadas". A punição era o sistema. A morte, a consequência comum.
Para saberem mais sobre este tema aconselho-vos a ver o documentário The Forgotten Maggies.

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Leia o livro e depois veja o filme. Uma história verídica a não perder.

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