Opinião: "O Bicho-da-Seda" de Robert Galbraith


Não sei se sabem, mas Robert Galbraith, o pseudónimo de J. K. Rowling, foi criado através da combinação de dois nomes:
- Robert, em honra de um dos seus heróis, Robert F. Kennedy;
- E Galbraith, o apelido de um nome de fantasia infantil, Ella Galbraith.

Normalmente, quando um autor escreve sob um pseudónimo, é para se distanciar do seu próprio nome ou de uma determinada forma de escrita, e relamente, pelo que apurei, J. K. Rowling quis escrever sob este pseudónimo de maneira a ter a liberdade de escrever sob o nome de um homem, afastando-se o máximo possível do seu “eu-autor” habitual.
E a meu ver, julgo que ela atingiu esse objetivo. Se no primeiro livro, Robert Galbraith ainda não se tinha imposto por completo, neste segundo livro não há dúvidas. O livro está definitivamente escrito no masculino, manifestando-se essencialmente na crueza com que nos são apresentadas algumas das cenas.

Cormoran Strike é um detective privado em Londres, com uma vida algo atribulada. Ganhou alguma fama ao solucionar um crime no primeiro livro desta série (Quando o Cuco Chama), e simultaneamente ganhou alguns inimigos, principalmente da parte policial, uma vez que os fez passar por parvos ao provar que o que eles haviam decidido ser um suicídio era afinal um assassínio.
Esta é uma característica interessante, já que o historial entre detectives privados e polícias em livros e séries televisivas é sempre problemático (lembram-se de Sherlock Holmes ou a amorosa Jessica Fletcher?).
Strike, sendo um antigo investigador militar que perdeu parte da sua perna no Afeganistão, também vê os seus movimentos de certa forma limitados, o que muitas vezes interfere com a investigação e contribui para que o olhemos como falível, apesar de como investigador não o ser. Os seus interrogatórios são sempre bem pensados, e vamos acompanhando o processo dedutivo de Strike à medida que a lista de suspeitos vai sendo percorrida.

O feminino nesta série está representado na personagem de Robin, a sua assistente, que finalmente neste segundo livro tem um papel mais ativo, assumindo a sua paixão pelo trabalho de investigação. Com uma relação sentimental algo complicada, Robin consegue finalmente impôr-se e já vai deixando com alguma frequência a segurança do escritório, para se colocar lado a lado com Strike, quando a situação assim o exige.

O enredo é complexo e as personagens bastante ricas e bem construídas. Foi uma leitura que me deixou suspensa a tentar adivinhar o culpado até ao fim, o que afinal é a permissa mais importante para um bom policial. Mas, sou sincera, algumas das descrições das cenas do livro Bombyx Mori (o bicho da seda em latim), obra da personagem que dá início à história através do seu desaparecimento, bem como da cena do crime são… horribilis. Demasiado masculino para o meu gosto. lol

Aguardo com ansiedade o próximo livro. Costuma-se dizer, à terceira é de vez. Será que J.K. Rowling vai encontrar um melhor equilíbrio entre o seu autor-feminino e autor-masculino? Uma coisa é certa, vou gostar de continuar a acompanhar a vida de detective da dupla Strike-Robin. :) 

Para mais informações visitem a página do livro no site da Editorial Presença, aqui.

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