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"Vitória, de amor e de guerra" de Luísa Beltrão (opinião)

Não sou grande fã de livros sobre a Primeira Guerra, muito ao contrário da Segunda, que devoro sem hesitar. Mas a verdade é que Luísa Beltrão, na sinopse deste livro, prometia-nos um olhar diferente sobre esta guerra em que nós, portugueses participámos. O olhar de uma mulher, filha de pai português e mãe francesa, que deixa três filhos para trás, e decide ir ajudar ao esforço de guerra num hospital, perto do local onde o seu marido estava colocado.
Não acredito que muitas de nós o fizessem, mas Vitória era de outra garra.

A sinopse prometia igualmente um romance entre ela e um dos seus pacientes, um herói inglês, que a solidão e os acasos da vida empurraram para a sua companhia.
Por muitos livros que leiamos, filmes que vejamos, nunca iremos compreender o que é estar numa situação destas. Por isso não há como recriminar Vitória pela presença constante à cabeceira desse paciente. Com ele, ela vai desabafando, contando a história da sua vida, da sua família. e simultaneamente vamos descobrindo a história deste nosso país.


É, na realidade, a vertente histórica deste livro que mais me conquistou. Portugal, pequenino, fechado nas suas tradições e costumes, lidando com os seus próprios problemas políticos.

Luísa Beltrão tem uma escrita fluída e cativante. Leva o leitor pela mão e ajuda-o a compreender com facilidade os saltos temporais, tão necessários quando se tenta perceber uma família como um todo.
Gostei imenso. Nunca tinha lido nada desta autora e fico à espera de uma nova publicação.

P.S. A capa é lindíssima, não concordam? Parabéns à Manuscrito.

Em destaque: "Vitória - De Amor e de Guerra" de Luísa Beltrão

Sinopse:
Na madrugada de 4 de novembro de 1917, quando faziam exatamente cento e três dias sobre a saída de Vitória de Lisboa, Andrew dava entrada no hospital de Arras. E a vida de Vitória altera-se para sempre. Desde que entrara no cenário de guerra, um cenário onde numa questão de segundos se podia viver ou morrer, ficar louco, cego ou sem braços, Vitória aprendera que a vida nos conduz, de forma sinuosa, para constantes acasos.

Chegara a França para acompanhar o marido, soldado do contingente português na Primeira Guerra Mundial, deixando para trás os filhos e a família tradicional que a moldara. Ela era apenas um elo de uma longa cadeia que vem de trás e se continua. Um acaso fá-la ingressar no corpo de enfermagem como voluntária num hospital inglês e, por outro acaso, estava de serviço naquela madrugada em que ficou incumbida de cuidar do soldado da cama sete. Um herói de guerra, médico, celebrizado nas trincheiras por salvar vidas.

Luísa Beltrão regressa à escrita com um romance poderoso de amor e de guerra. Pelos olhos de Vitória vemos passar a calamidade do conflito que assolou a Europa, conhecemos a história de uma família dividida pela guerra, através dos diálogos com Andrew questionamos o sentido da vida e das nossas expectativas. E sentimos a solidão, aquele vazio assustador que antecede a esperança.

Sobre a autora:
Luísa Beltrão é autora premiada da tetralogia Uma História Privada, que inclui os romances Os Pioneiros, Os Impetuosos, Os Bem-Aventurados e Os Mal- Amados. Escreveu ainda muitas outras obras de literatura, biografia e ainda ensaio, entre elas Todos Vulneráveis (1999), O Desafio da Cidadania na Escola (2000), Uma Pedra no Sapato (2004), a biografia de Maria de Lourdes Pintasilgo Uma História para o Futuro (2007), O Príncipe Perfeito (2011) ou Moscas nos Olhos (2014). Recebeu em 1996 o Prémio Máxima Revelação Literária, em 2005 o Prémio Máxima de Literatura, em 2013 o Prémio Femina de Literatura e mereceu ainda o Prémio Mulher Ativa, em 2011, pelo seu papel notável na sociedade. Licenciada em Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e profissionalizada pela Universidade Aberta, entre 1981 e 2008 foi professora de Filosofia, Psicologia, Psicossociologia e Sociologia. Desde então dedica-se exclusivamente à escrita, à família – tem sete filhos, 17 netos e uma bisneta – e ao associativismo, motivação que lhe adveio especialmente pela filha mais nova, Luísa, com deficiência intelectual. Entre 1990 e 1992 foi diretora executiva da AFID (Associação de Famílias para a Integração do Deficiente) e em 2008 fundou a associação Pais em Rede, de que é diretora executiva nacional. Conta ainda no currículo com um projeto de inovação pedagógica com alunos problemáticos (1996/98), diversas palestras e artigos sobre Literatura, História e Pedagogia.
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