"Imaculada" de Paula Lobato de Faria (opinião)


Quis ler este livro por duas razões e mais uma. ;)
Primeiro, porque é uma autora portuguesa e gosto de ler autores portugueses sempre que possível. Neste caso, como o tema me atraía (eis a segunda razão), não hesitei. A razão extra prende-se com o nome da autora... Sempre gostei muito das obras da senhora sua prima, Rosa Lobato de Faria, e embora, obviamente, não estivesse à espera que a escrita de uma fosse semelhante à da outra, congratulei-me por descobrir que Paula Lobato de Faria é também uma boa contadora de histórias.

A ação desenrola-se numa vila no interior do nosso país durante a época de Salazar, e é no seio de uma família conservadora e fiel ao lema "Pátria, Deus e Família" que encontramos Cristiana, uma jovem em idade casadoira, qual flor em cativeiro, completamente atrofiada pela sua mãe, senhora de rígidos costumes.

Gostei de conhecer Cristiana e condoí-me um pouco da sua situação, mas sou sincera, houve ali qualquer coisa que não me pareceu certo. Em determinada altura é permitido à jovem ir passar uns dias de férias com uma amiga na Costa do Estoril. Assim? Sem mais nem menos? Sem supervisão materna? Achei estranho. E a suposta ingenuidade de Cristiana também me soou um pouco a exagerada. Afinal a rapariga lia revistas às escondidas da mãe, tinha amigas, uma delas bem vivaça, e primas (!), tinha sonhos, esperanças, sede de liberdade... e depois, deixa-se ficar? Resume-se à sua insignificante existência imposta pela mãe e acede casar com quem já sabe não amar? Perdoem-me, amigos, se vos revelo demasiado. Só que isto deixou-me mesmo revoltada! Será que a autora resolve esta questão na sequela. ;) Será?

Todos os lugares estão belissimamente retratados, a decoração das casa, o guarda roupa, os penteados, tudo enriqueça a narrativa e nos envolve ainda mais na história. Gostei muito, Paula Lobato de Faria. Sei o quão difícil é mantermo-nos fiel a uma época em todos os pormenores!

Resumindo, apesar daquelas dúvidas que espero ver resolvidas na continuação, gostei imenso de ler este livro. Reflecte bem como era a vida num típico lar burguês naquela época, e a quão pouco poder, tinham as jovens portuguesas, sobre as suas vidas, sendo completamente submissas à vontade dos pais. Recomendo! É uma excelente sugestão para prenda de Natal.

P.S. Adoro a capa. E o título, que afinal não é o nome de nenhuma personagem, mas da própria casa da família. 
5 estrelas, Clube do Autor!

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