Entrevista com Tiago Rebelo

Há pouco tempo tive a oportunidade de estar à conversa com Tiago Rebelo,  um autor que anteriormente já me havia conquistado com "O Tempo dos Amores Perfeitos" e "O Último Ano em Luanda".
Após este encontro tão interessante, e seguindo o conselho do próprio autor, dediquei-me a ler o seu livro "O Homem Que Sonhava Ser Hitler" - livro que, pensava eu, seria mais apropriado a um publico masculino. Estava redondamente enganada. Mas podem ler a minha opinião aqui.

Bem, o blog As Leituras da Fernanda quis aproveitar a ocasião do lançamento do seu novo livro, "Breve História de Amor", e fazer algumas perguntas a este que é considerado um dos mais brilhantes romancistas portugueses e a quem desde já agradeço a disponibilidade.
Aqui fica a entrevista.

O que é para si, escrever?
Escrever é algo que faço com muito prazer. Embora profissionalmente, é daqueles trabalhos que nos dão gozo, que são um vício e, ainda por cima, ganhamos dinheiro com eles.

De todos os livros que já escreveu qual ou quais o que mais acarinha?

Todos por igual. Cada um é importante na sua circunstância. Visito vários géneros e não tenho preconceitos com nenhum. Escrevo, a cada momento, a história que me apetece, a qual pode ser mais ou menos elaborada, necessitar de mais ou menos pesquisa, ser maior, menor, não interessa, o género muda mas o estilo mantém-se.

Nos dias de hoje, com as novas tecnologias, um autor recebe com mais facilidade feedback dos seus leitores. Tem alguma história ou caso particular que queira partilhar?
Recebo muitos mails e procuro responder a todos. Em geral, são comentários simpáticos, talvez porque os leitores a quem uma história não lhes disse muito não se dão ao trabalho de me escrever. Em todo o caso, não estou à espera que todos os leitores gostem, naturalmente. Há quem quem me envie a sua própria história para saber a minha opinião, há quem envie manuscritos originais inteiros, o que se torna mais complicado, há quem me peça para escrever a sua própria história, o que eu não faço, pois só escrevo ficção.

Li recentemente "O Homem que Sonhava ser Hitler", pelo qual aproveito para lhe dar os meus parabéns, é um livro excelente! A meu ver o Tiago tocou em alguns pontos sensíveis da nossa sociedade, nomeadamente algumas facções políticas facilmente reconhecíveis na esfera política nacional. Um pouco no seguimento da pergunta anterior, conte-nos, obteve alguns comentários menos positivos por causa deste livro?
Reparei que houve um ou outro comentário de pessoas que não perceberam que se tratava de um romance e não de um ensaio sobre o tema e que, por isso, esperavam, talvez, um texto mais académico. E também provocou reacções de alguns leitores marcadamente mais radicais em termos políticos, que reagiram mal ao livro. Mas foram poucos.

O seu último livro, Breve História de Amor, trata-se de uma compilação de histórias publicadas por si ao longo de mais de um ano, na revista Domingo do Correio da Manhã, rubrica que ainda mantém. Diga-nos, onde arranja inspiração para inventar histórias de amor originais todas as semanas?
Bem, um escritor precisa de 90% de trabalho e 10% de inspiração. A história constrói-se escrevendo, não fico à espera que me surja uma ideia do nada. No caso deste livro, escrevo uma história todas as semanas, sendo que as publiquei em livro porque assim tive oportunidade de apresentar as histórias na versão original, sem os cortes que sou obrigado a fazer por limitações de espaço na revista. Adicionalmente, escrevi uma história muito maior e original, só publicada no livro.

Fale-nos um pouco sobre o seu dia-a-dia. Tem alguma rotina para a sua escrita?
Sim, a rotina é absolutamente obrigatória. Um escritor tem de trabalhar várias horas por dia, todos os dias, como qualquer outro profissional. Quando estou a escrever um livro trabalho cerca de cinco horas por dia. A altura em que prefiro escrever é de noite.

Nos últimos anos tem-se notado um boom de autores portugueses, muitos deles figuras públicas que decidiram experimentar a escrita, mas que nem por isso se tornam menos válidos como autores. A seu ver, poderá a mudança de hábitos de leitura dos portugueses estar relacionado com este facto?
Penso que há espaço para todos. Os leitores sabem escolher e os que ficam são os que merecem. Há livros melhores e livros piores, mas mesmo os livros de menor qualidade podem levar algumas pessoas a ler e, com o tempo, a serem mais exigentes na sua escolha. De qualquer modo, não vejo nenhum problema em que uma pessoa escolha um livro mais leve só pelo divertimento de ler. Noto que há algum preconceito relativamente a autores que se tornaram mais conhecidos por outras profissões. No entanto, não vejo como é que esse facto pode condicionar a qualidade dos seus livros. Repare que o facto de um autor ter outra profissão e outras vivências só enriquece a sua cultura. Tradicionalmente, em todo o mundo, vemos autores muito conceituados não serem exclusivamente escritores, pelo menos no início da carreira. Isto acontece porque a maioria dos escritores não consegue sustentar-se apenas com o rendimento da escrita. E não é só em Portugal, é um facto universal. Muitos deles são, ou foram, jornalistas, o que não admira pois há uma certa naturalidade na passagem da escrita jornalística para a ficção. E alguns destes ganharam o prémio Nobel. Portanto, o facto de ser figura pública não é critério para avaliar a obra do autor. Agora, evidentemente, há figuras públicas que são publicadas porque o seu nome é suficiente para vender livros, apesar de não serem capazes de escrever uma frase de jeito, mas isso são fenómenos de mercado e, mesmo nesses casos, como não produzem um trabalho consistente, não conseguem fazer carreira como escritores.

E o Tiago, que género de livros gosta de ler? Tem algum livro que se destaque quando lhe vem à ideia a sua lista de livros favoritos?
Eu leio um pouco de tudo e muitos livros ao mesmo tempo. Leio pelo prazer de ler e leio para conhecer novos autores. Neste momento estou a ler Julian Barnes, o Man Booker Prize 2011, Wells Tower, também premiado e considerado um dos melhores nos Estados Unidos em 2009, Maggie O'Farrell, escritora premiada da Irlanda do Norte. Se tivesse de destacar diria todos os livros de Gabriel García Márquez.


Obrigada Tiago Rebelo! Espero encontrá-lo brevemente numa livraria perto de mim. :)

Para mais informações sobre o autor e respectiva bibliografia podem consultar o site: http://www.tiagorebelo.com/

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